The Beginning After The End

107 - Uma tolerância relutante

PONTO DE VISTA DE ARTHUR LEYWIN:


 

Eu não tinha certeza do que eu estava esperando de uma terra habitada por seres que eram basicamente considerados deuses para nós. Por alguma razão, na minha imaginação, terras grandiosas e fantásticas sempre foram construídas de ouro, diamantes ou algum outro material precioso.

 

No meu antigo mundo, até mesmo as casas das figuras mais influentes eram projetadas com foco na praticidade mais do que qualquer outra coisa. As figuras mais importantes eram na maior parte guerreiros afinal, e nossos gostos eram bastante simples. Coisas como móveis feitos de peles de animais preciosos {{só eu que nunca vi um móvel feito de peles? ‘-‘}} eram desnecessárias e procuradas apenas pelos ricos comerciantes e políticos, cujo senso de auto-estima era diretamente proporcional à sua riqueza.

 

Assim, sair da coluna de ouro da luz e entrar no reino dos Asuras só poderia me deixar com os olhos arregalados e sem fôlego.

 

Meu humor estava azedo e eu ainda estava me lamentando pela recente decisão que tomei, mas uma olhada na terra de onde Sylvia e Windsom vieram era tudo que eu precisava para esquecer temporariamente meus problemas e das futuras dificuldades que eu teria que suportar.

 

Senti como se tivesse sido transportado para um planeta diferente; um planeta onde não foram os habitantes que construíram os edifícios e as casas, mas onde o planeta e a terra se forjaram dignas o suficiente para serem resididas {{pelo que eu entendi  alguma coisa assim:http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Casaejardim/foto/0,,69802575,00.jpg}}.

 

O imponente castelo à nossa frente parecia ter nascido da própria terra, já que não havia sinais nem indicações de que tivesse sido modelado ou moldado. Desenhos sofisticados e runas feitas com o que pareciam minerais preciosos cobriam as paredes do castelo, que eram altas o suficiente para serem vistas a quilômetros de distância. As árvores se dobraram e se entrelaçaram em arcos para criar um corredor que levava à entrada de uma ponte, brilhando em uma variedade de cores.

 

Tirar meus olhos do castelo em si foi um grande esforço, parar de olhar para a ponte iridescente {{Algo que reflete as cores do arco-íris.}}não era mais fácil, mas eu finalmente consegui pelo menos me recompor o suficiente para absorver o que estava ao meu redor.

 

Windsom nos transportou para uma montanha cheia de árvores que me lembravam flores de cerejeira. As árvores familiares estavam em plena floração, com pétalas cor-de-rosa cintilantes que pareciam dançar enquanto planavam até o chão. A ponte vibrante que se estendia à nossa frente levou a outra montanha da qual o castelo parecia ter sido esculpido. Evidentemente, a montanha era bem alta já que as nuvens cobriam tudo debaixo da ponte, os dois picos das montanhas se destacavam como duas ilhas em um oceano de um branco nebuloso.

 

“Bem-vindo a Epheotus, ou mais especificamente, ao castelo do Clã Indrath.” Windsom caminhou em direção ao castelo, pisando na ponte de minerais preciosos pela qual qualquer rei mortal faria guerras, antes de olhar para trás e me chamar para segui-lo.

 

Respirando fundo, eu segui atrás do Asura, cuidadosamente colocando meu pé direito em cima da superfície incandescente da ponte. Ela era semi-translúcida, como vitrais. Quando pisei na estrutura, um profundo sentimento de medo tomou conta de mim, o que foi uma surpresa, já que nunca tive medo de altura. Pode ter sido devido ao fato de que não havia suportes sustentando a ponte que facilmente se estendia por algumas centenas de metros.

 

“Clã Indrath? Quer dizer que estamos na casa da família de Sylvia?” perguntei. Eu havia decidido confiar na ponte colorida em vez de imaginar o que aconteceria se ela quebrasse bruscamente. Caminhando ao lado de Windsom, seguimos para o castelo.

 

"Sim. Lorde Indrath havia ordenado que eu trouxesse você e lady Sylvie para ele ao chegarmos” o Asura respondeu. Achei divertido ver o geralmente frio e indiferente Windsom alisando ansiosamente as dobras de seu manto.

 

“Alguma última dica antes de conhecer este todo-poderoso lorde entre os lordes?”

 

“Infelizmente, nem eu sei o que esperar; essa situação é bastante peculiar, no final das contas” respondeu ele, arrumando os cabelos.

 

Deixando escapar um suspiro, olhei para Sylvie dormindo em meus braços. Eu estava começando a ficar preocupado com o quanto ela dormia, a única coisa que me confortava era sua respiração rítmica.

 

As portas do monstruoso castelo eram terrivelmente assustadoras. Elas eram altas, não apenas para um garoto de treze anos, mas altos o bastante para admitir gigantes e... bem... dragões.

 

"Não há guardas ou vigias?" Eu perguntei, olhando ao redor das portas abertas.

 

“Claro que tem. Eles estavam nos observando enquanto cruzávamos a ponte. Agora venha, não devemos manter o Senhor Indrath esperando.”

 

Quando saí da ponte e entrei no castelo, a sensação de angústia desapareceu, em vez disso eu estava encharcado de suor frio ao perceber que não era a altura da ponte que me assustara, mas quem quer que tenha sido, me observando enquanto cruzávamos.

 

O interior do castelo não decepcionou, pois era tão magnificamente trabalhado quanto o exterior. O teto era desnecessariamente alto com arcos que pareciam ter sido esculpidos na montanha. As próprias paredes eram adornadas com detalhes intrincados, como se contassem uma história. No entanto, considerando o tamanho do castelo, estava estranhamente quieto.

 

"Por aqui. O Clã Indrath está esperando por vocês.” Windsom parecia estar no limite enquanto continuava consertando alguma parte de seu traje enquanto caminhávamos.

 

“Espere, o clã inteiro está esperando por nós?”

 

"Sim, agora, por favor, vamos nos apressar", o Asura suspirou, quando ele foi na minha frente em um corredor particularmente intimidante.

 

Mais uma vez, arrepios percorreram minha espinha, mas dessa vez pude ver a fonte. No final do corredor, havia duas figuras vigiando a porta. Eu não consegui ver muito de sua aparência, pois eles estavam envoltos em escuridão pelas sombras projetadas pelas luzes do corredor. No entanto, meus instintos já estavam ativos, tentando desesperadamente me convencer a correr o mais longe possível dessas duas figuras sombrias.

 

Lembrei-me da vez em que estava na frente do Guardião da Elderwood, no entanto, tive a sensação de que, diante dos guardas, a besta de mana da classe S que quase tomou minha vida seria fichinha.

 

Windsom e eu finalmente nos aproximamos deles. Alcançando a porta, eu agora era capaz de discernir as características dos dois guardas. Uma era uma mulher com uma expressão amável no rosto. Parecia um tanto desleixada, com o cabelo verde cortado curto até logo abaixo da orelha, mas as curvas distintas perceptíveis sob sua armadura de couro claro mostravam o contrário. O homem ao lado dela parecia muito mais feroz, com olhos afiados e uma cicatriz que cortava irregularmente sua bochecha. A única arma visível que notei em ambos foi uma adaga curta amarrada a cada uma de suas cinturas.

 

“Senhor Windsom. Eu vejo que você finalmente trouxe o menino humano” a guarda feminina sorriu. O guarda masculino encarou Sylvie e olhou para mim me estudando com um olhar. "É apropriado para uma criança humana estar carregando a princesa?" Ele perguntou em desaprovação.

 

“Deixe-o, Signiz. Eles estão vinculados” disse Windsom. “Agora... vocês vão nos deixar entrar ou não?"

 

Os dois guardas olharam um para o outro brevemente antes de dar um breve aceno de cabeça a Windsom. Quando os dois olharam para a porta, a aura que emitiram aumentou significativamente, o suficiente para que fosse quase palpável. Apenas alguns segundos se passaram, mas gotas de suor frio rolaram pelo meu rosto quando minha respiração ficou rasa e irregular.

 

Cada um dos dois guardas segurou uma das maçanetas e abriram a porta. Eu só podia imaginar o quão pesado era desde que os dois guardas estavam lutando para abri-la. Finalmente, com um barulho alto, a porta se abriu, revelando o que eu assumi ser o Grande Salão... e olhando diretamente para mim, sentado em um trono branco e flamejante, estava um homem que parecia não ter mais de vinte anos.

 

Windsom imediatamente passou por mim e se ajoelhou.

 

"Meu Lorde", o Asura se dirigiu, inclinando a cabeça. Lorde Indrath não era o que eu esperava que ele fosse. Ele tinha uma sensação fria e quase suave, ostentando um cabelo prateado de cor creme que não era longo nem curto. Ele seria considerado um homem atraente por qualquer meio, mas ele não era excepcionalmente impressionante também. Eu não podia realmente dizer qual era seu porte por baixo do manto branco, mas ele não parecia particularmente robusto. Seus olhos me lembraram muito os de Sylvia para o meu conforto, mas enquanto os olhos de Sylvia ainda eram compassivos, os dele eram duros. Os olhos do Lorde Indrath também eram roxos, mas mesmo a partir daqui, pude ver que as cores mudam de tom.

 

Percebendo que eu estava olhando por muito tempo, segui o exemplo e me ajoelhei também. Enquanto minha cabeça estava baixa, no entanto, eu não pude deixar de espiar a sala. Parados ao lado do grande salão havia figuras de todas as idades e tamanhos olhando para mim, alguns desdenhosos como o guarda anterior do sexo masculino, enquanto outros com simples curiosidade.

 

Cada uma das figuras que estavam em volta de Windsom e eu emanava auras que fariam até mesmo os magos mais poderosos em Dicathen desmaiar espumando na boca, mas o homem sentado no trono que ardia em um fogo branco cintilante não emitia nenhum. Mesmo depois de tentar conscientemente senti-lo, eu não conseguia nem sentir sua presença. Mesmo com o fato de que eu era capaz de vê-lo, eu tinha dificuldade em acreditar que ele realmente existia, se meus olhos não estivessem diretamente focados nele.

 

"Em pé." Sua voz era suave e argêntea, afiada como uma faca de uma forma que era gentil e ainda imponente. Levantando-se, caminhamos em direção ao trono, com Sylvie ainda em meus braços. Eu podia sentir os olhos de todos me seguindo, julgando cada movimento meu. Eu me lembrei de quando eu ainda era órfão buscando mantimentos para nossa casa em um mercado próximo. Eu me senti muito parecido com o modo como os adultos me olhavam, o repugnante desgosto em seus olhares, como se eu fosse algum tipo de doença que eles precisavam evitar.

 

Segundos se passaram lentamente enquanto esperávamos que o homem no trono falasse, mas ele apenas olhou sem palavras para mim e para Sylvie com uma expressão que eu não pude interpretar.

 

Meus olhos não se afastavam do Lorde Indrath enquanto ele estava me estudando, então quando senti Sylvie em meus braços de repente desaparecer e reaparecer em seus braços, minha reação imediata foi um espanto desajeitado e desconcertado.

 

"Masoquê?!" Eu gritei. Eu, reflexivamente, tentei buscar meu vínculo até que Wisdom colocou a mão no meu ombro.

 

"O que foi? Não tenho permissão para segurar minha própria neta?” Lorde Indrath respondeu, segurando Sylvie em uma mão. Levantando-a para que ele estivesse no nível dos olhos, Lorde Indrath virou-a enquanto inspecionava cada ângulo do meu vínculo adormecido.

 

“Eu vejo que você não fez nada para treiná-la. Seus níveis de mana são insultuosamente baixos, e como ela está em um estado de hibernação agora, parece que você a havia tensionado. Os olhos de Lorde Indrath se estreitaram e atravessaram-me, apenas meu orgulho me impedia de dar um passo para trás.

 

“Minhas desculpas, meu senhor. Eu deveria ter treinado Lady Sylvie enquanto estava em Dicathen. Se for do seu agrado, também posso começar o treinamento dela agora.” Para minha surpresa, Windsom havia me defendido, curvando-se mais uma vez diante do homem de cabelos cor de creme no trono.

 

"Não será necessário. Pessoalmente cuidarei de... Sylvie,” retrucou Lorde Indrath, sacudindo a cabeça. Com isso, uma onda de suspiros surpresos e suaves murmúrios encheu o grande salão enquanto os outros membros do Clã Indrath sussurravam um para os outros animados.

 

Colocando um dedo gentilmente entre os olhos de Sylvie, Lorde Indrath falou algo inaudível. Seus olhos brilhavam e de repente, Sylvie acordou com os olhos brilhando no mesmo tom de púrpura que o de seu avô. {{Conhecendo a Sylvie aposto que ele disse: ‘eu tenho carne assadaaa.’  :V}}

 

"Kyu?” ‘Papai? Onde estou?'

 

A voz nostálgica que eu não ouvia há dias encheu minha cabeça. Sylvie estava obviamente confusa com a cena desconhecida e com o fato de que um homem que ela nunca vira a segurava tão intimamente.

 

"Nós viemos parar um pouco longe, Sylv. Como você está se sentindo?” Eu respondi com um sorriso se formando no meu rosto.

 

‘Cansada~ Posso voltar a dormir, papai?’ Eu pude ver Sylvie lutando para deixar seus olhos abertos enquanto ela piscava antes de fechá-los completamente.

 

“Lorde Indrath. Win... Ancião Windsom já havia me explicado o que era necessário para mim, mas ele ainda não me explicou por que exatamente eu deveria ser trazido para cá. Se é apenas para fins de treinamento, algum calabouço remoto em Dicathen não é adequado?” perguntei impaciente, esperando que ele me devolvesse meu vínculo.

 

“Eu julguei você uma peça necessária que nos ajudará contra Agrona e seu exército. Eu entendo que você já entendeu o benefício mútuo em vencer a guerra que se aproxima, não é? Dito isto, será mais benéfico ter vários especialistas para ajudar o Windsom a treiná-lo durante a sua estadia aqui. Pense nisso como uma honra, já que somente os mais talentosos das gerações mais jovens receberiam o treinamento que você receberá”.

 

“Como você vai saber quando a guerra estiver próxima? Quanto tempo nós temos?” Havia muitas incertezas para eu poder treinar confortavelmente.

 

“Isso é uma preocupação minha. Concentre-se em seu treinamento e eu notificarei Windsom quando for a hora de você voltar para sua terra natal. Isso é tudo”  respondeu Lorde Indrath, sinalizando para que Windsom me levasse embora.

 

"Espere, e Sylvie?"

 

"Ela vai ficar comigo até o treinamento acabar", ele disse com naturalidade.

 

"O quê? Quanto tempo isso vai levar? Eu não vou poder vê-la até então?”

 

Lorde Indrath contraiu a testa impaciente enquanto ele simplesmente nos enxotava com a mão. Antes que eu pudesse retrucar, Windsom apertou meu braço com força, me arrastando para fora do grande salão.

 

Depois de passar pelos dois guardas, eu com raiva, sacudi minha mão fora do alcance de Windsom. “Qual foi o objetivo dessa reunião? Eu fui lá para ter Sylvie arrebatada e para ser desprezado por todo o clã Indrath? Isso foi humilhante!”

 

Deixando escapar um suspiro, Windsom respondeu: “A relação entre você e os Asuras é muito peculiar e só poderia ser resumida como... digamos... uma tolerância relutante. O próprio fato de não termos escolha a não ser confiar em um ser menor é uma ferida em nosso orgulho. Não se preocupe, você e lady Sylvie não serão maltratados. Como Lorde Indrath mencionou, você é importante para nós.”

 

"Tenho certeza que ele disse ‘peça necessária’,” eu zombei, voltando para a ponte que anteriormente atravessamos.

 

Os lábios de Windsom se curvaram em um leve sorriso. "Venha, há algumas pessoas que eu quero que você conheça." {{Vovó Rinia versão Asura...}}