O Herdeiro do Mundo

325 - O Menino Frio

Antes de iniciar a leitura leiam: Nota autor, esse capítulo não recebeu revisão, assim que ele tiver revisão eu substituo.

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Rael observou atentamente a batalha, ele estava bastante interessado em saber mais do tal menino resistente. O jovem deveria ser mais forte em tese contra o menino mas isso não era como Rael via. Rael via um intenso poder das leis cercando a lança do garoto, não somente na lança mas também pelo menino.

 

― ‘Eu não entendo, a resistência desse menino é fora do comum, não parece ser uma técnica ou algo causado por treino, as leis parecem dizer que é como algo natural dele, algo com que ele nasceu’ ― pensou Rael concentrando sua visão e fazendo uma análise mais detalhada. Ninguém podia ver, mas os olhos de Rael estavam cercados de poder das leis que agora ele controla ao seu bel prazer.

 

― ‘Não é apenas resistência, eu vejo força, poder, velocidade, os cálculos de energia desse poder que ele possui são muito elevados... na verdade eu não consigo calcular, são como as violadoras e Alexia que eu não faço a menor ideia’ ― pensou Rael.

 

Tiiiim! BOOOOM!
Na arena o jovem já tinha chegado ao garoto e quando foi acerta-lo no peito com a lança, o garoto rebateu facilmente a lança dele com a própria, o tal Isaac segurava a lança dele apenas com uma mão, enquanto com a esquerda atingiu com a palma o peito do jovem. O jovem pareceu não ter tempo de entender o que ocorreu, ele voou para trás e caiu cerca de uns vinte metros depois.

 

                O jovem ficou no chão e mal conseguia respirar. Com os olhos carregados de poder das leis Rael viu a situação do jovem oponente, ele tinha quebrado algumas costelas e não estava conseguindo se mover, como tinha dificuldade em respirar ele mal estava gemendo.

 

― ‘O mais estranho é que não sinto nesse menino o poder de um renascido, não que isso explicasse alguma coisa, seria apenas um começo.’ ― pensou Rael em silencio.

 

― Alguém entendeu o que aconteceu? O que aquele menino fez? ― perguntou alguém próximo a Rael.

 

― Já falei que aquele é o menino gênio chamado Isaac da família Mão de Ferro, dizem que ele venceu facilmente o outro torneio. ― Disse outro.

 

― Será que a jovem mestra Alessa vai se casar com uma criança? Que tipo de relação seria essa? Ela seria tipo baba do menino? ― perguntou um jovem.

 

― Não seja estupido homem! Se o garoto vencer pelas regras eles terão que esperar alguns anos para se casar, a jovem mestra Alessa não poderá ser mais de outro homem. E o garoto ainda poderá dividir o mesmo quarto que ela ― explicou outro.

 

― Me pergunto se o menino faria alguma coisa com ela?

 

― Quem dera eu tivesse essa sorte, pena que isso só acontece com outros, uma mulher como a jovem mestra Alessa, é uma entre um milhão ― suspirou outro e várias pessoas concordaram.

 

― ‘Se eles vissem as violadoras iriam pirar, até se vissem a própria Rika.’ ― Pensou Rael depois de ouvir vários comentários. ― ‘E claro que com aquele corpo ele não faria nada, ele está na mesma situação que a minha.’ ― concluiu Rael depois de se lembrar de sua tentativa falha com Natalia. Isaac e Rael tinham bastante semelhança em tamanho e corpo.

 

                O rei tinha se levantado de seu lugar e o irmão ao lado se levantou para trocar algumas palavras com o mesmo. A expressão do rei era de puro choque, isso deixava claro que eles não estavam acostumados a ver esse tipo de força. E quem estaria? Um mundo que se quer conhece o renascimento era muito mais atrasado que antigo mundo de Rael.

 

                Rael tinha ativado outro poder das leis para ouvi a conversa do rei com o irmão. Ele ouviu o rei questionar se esse menino sabia pelo que estava lutando. Como o assunto não interessou Rael ele deixou de lado.

 

                O público não ouviu, mas Rael ouviu o que o garoto disse quando se aproximou do oponente caído no chão.

 

― Você caiu e não se levantou mais, e eu não ouvir nenhuma palavra de desistência, o juiz também não interviu então acho que a luta deve continuar ― disse o menino friamente para o jovem e continuou no mesmo tom. ― Me lembro que para vencer eu devo atirar você para fora dessas grades, talvez no processo eu acabe quebrando mais alguns dos seus ossos. Não me leve a mal, você estava me menosprezando e eu não posso ser educado com pessoas assim. ― disse o menino e o jovem no chão tentou dizer algo de volta, provavelmente que desistia, no entanto, o que saiu de sua boca foi um monte de sangue, ele se engasgou com o próprio sangue e começou a tossir. Isso deixou o menino ainda mais satisfeito que continuou sorrindo friamente. Rael entendeu o quanto ele era frio, isso não era uma novidade dada ao poder que ele possuía.

 

                A luta já deveria ter sido parada a muito tempo, mas como o juiz e todos os outros estavam em estado de surpresa eles meio que tinham se perdido. O juiz pareceu acorda de seu transe, correu abriu o portal lateral da arena e entrou junto com alguns homens com uma maca. A vitória do menino foi anunciada e uma salva de palmas eufórica foi dada.

 

― ‘Pobres coitados, eles nunca viram batalhas de verdade. Se vissem uma batalha do meu mundo iriam pirar’ ― pensou Rael depois de ver a reação do público com a vitória de Isaac. Rael continuava sem entender muito bem porque aqui eles dividiam as coisas por classe.

 

― ‘Comprei várias técnicas desse mundo, tanto de arqueiro, quanto guerreiro e mago e pude aprender e usar todas, não vejo porque os outros não podem. Ao meu entender isso está ligado a forma que eles cultivam a energia, porque a energia do planeta em si não é nem melhor nem pior do que no meu antigo planeta.’ ― Rael pensou.

 

                Rael também observava com interesse os guardas que cercavam os corredores principais da arena, esses guardas eram fracos, apenas sexto e sétimos reinos. Eles usavam uma armadura metálica mediana desse mundo que cobria todo o corpo e até um elmo, Rael considerada como papel. Como armas eles carregavam em mãos algo semelhante a um canhão, um tipo de arma de disparo que mesmo sem nunca ter visto, Rael acabou entendendo. Com o poder das leis ele conseguia fazer uma análise do funcionamento da arma e entendeu que elas acumulavam poder e disparava pelo cano aberto na parte da frente. As armas eram semelhantes a uma “Calibre 12”.

 

― ‘Essas armas são um pouco perigosas eu acho, mas não com esse nível, é provável que eles possuíam armas melhores que essas’ ― pensou Rael.

 

                Rael não estava mais tão preocupado, porém ele tinha aprendido a se precaver e por isso continuava sempre de olho em tudo para não perder nada. Em alguns dias ele lançaria uma técnica poderosa para analisar todo esse mundo e ver se tinha mistérios sobre ele. Quando ele usasse essa técnica chamaria muita atenção, ele poderia ou não atrair curiosos e se isso ocorresse, ele deveria estar preparado.

 

                Ele precisava analisar esse mundo para descobrir se havia algo aqui que ele poderia usar para cultivar ou aumentar seu poder. Uma arma, um segredo, um local especifico onde as energias de cultivo eram maiores ou até mesmo uma violadora. Rael não estava esperando encontrar tão facilmente mais uma violadora, no entanto, se houvesse uma aqui com alguns lançamentos da técnica que ele preparava, ele logo descobriria.

 

                As lutas continuaram e Rael não achou qualquer graça nos outros competidores, nem o tal gordo chamado Alisson filho do rei, demonstrou qualquer poder que causasse alguma surpresa. O cultivo dele era aceitável, mas era fraco em termos físicos.

 

                Rael sempre mantinha sua visão e audição ativado com poder das leis para não perder nada. Ele viu quando o príncipe comprou um rapaz chamado Thiago para que caso caísse com Isaac o matasse.

 

― Eu quero o menino morto, vou da metade do ouro agora e outra metade quando você completar o serviço, se você não cai com ele durante as batalhas não importa, mate ele quando tudo isso acabar. ― disse o príncipe.

 

― Considere feito príncipe Alisson, será um prazer ajuda-lo com esse empecilho ― respondeu Thiago aceitando a bolsa com ouro e guardando em seu bracelete. O jovem parecia bastante certo de que poderia eliminar o menino. Rael tinha observado as lutas dele e era uma das poucas que interessava. Esse jovem conseguia controlar sete adagas com seu poder e assim atacar o oponente sem precisar chegar perto.

 

― ‘Muito semelhante a técnica usada por Reges, mas relativamente fraca’ ― pensou Rael se lembrando das lutas dele.

 

― Tome cuidado com esse menino... ― O jovem príncipe deu mais alguns avisos ao rapaz moreno e depois se afastou o deixando sozinho.

 

                As lutas prosseguiram e o jovem moreno caiu contra Isaac. Rael continuou assistido para ver o desfecho de como aquilo terminaria. Ele não sabia se o menino sabia ou não que sua cabeça foi pedida e a outra parte, estava agora prestes a tentar mata-lo.

 

                O juiz deu início a batalha e o jovem moreno chamado Thiago, ativou sua técnica lançando as sete adagas no ar e as envolvendo com seu poder. As adagas tremeram por um tempo e depois começaram a se mover no ar sozinhas, conforme o jovem fazia alguns movimentos com os braços e mãos.

 

― Você não deveria ter me deixado ativar a técnica, agora a luta está terminada ― disse o jovem de forma fria e arrogante. Isaac pareceu não se importa nenhum pouco com o que ele disse.

 

― De adeus a sua própria vida garoto ― disse o jovem de forma fria e baixa. Se Rael não estivesse com seu poder ativado ele não teria ouvido. Após isso o jovem enviou suas adagas que voaram pelo ar para buscar o menino.

 

                A arena tinha entrado em um novo silencio assistindo a luta se desenrolar, as adagas partindo contra o menino deixavam a maioria ansiosos, menos Rael que entendeu que o garoto não teria problemas mesmo se fosse acertado.

 

― ‘Me perguntou o que eu teria que usar para causar algum dano ou problema a esse garoto se ele fosse meu oponente. Eu não tenho certeza, mas acho que ele mais forte do que aquela jovem no decimo segundo reino’.

 

                Conforme a luta prosseguiu Isaac desviava das adagas com facilidade e caminhava para frente um passo de cada vez sem pressa, chegando pouco a pouco próximo a seu oponente. Enquanto seguia Isaac ia provocando o mesmo e esse por sua vez, aumentava a força da técnica fazendo as adagas zumbirem pelo ar enquanto cortavam o vento. O oponente aumentava a velocidade das adagas a todo momento e continuava não tendo a menor chance, ele começou a ficar mais desesperado vendo o menino cada vez mais próximo.

 

                Enquanto Isaac continuava esquivando dos ataques, seu corpo era como um monte de sombras se movendo de um lado a outro para a maioria das pessoas, elas viam isso como um tipo de ilusão. Para Rael, ele via quase perfeitamente o menino se movimentando sempre no último instante, ele jogava a cabeça de lado, deixava a adaga passar e depois retornava ao ponto anterior, fazendo parecer que foi apenas uma mera ilusão aos outros. Ele fazia o mesmo com braços, pernas etc. Isso gerou vários comentários do público que estava cada vez mais interessado no menino.

 

― ‘Se Alexia o visse, o que será que ela diria?’ ― pensou Rael.

 

                O garoto provocou o Thiago para o mesmo usar sua técnica no máximo, depois foi para frente dele em um piscar de olhos. Esse movimento desesperou Thiago que lançou um rápido ataque pelas costas do menino, o menino reapareceu do lado e todas as sete adagas sem outro alvo, perfuraram e rasgaram violentamente o peito de Thiago o acertando vários pontos vitais. Thiago não teve como pausar as adagas.

 

                O rei e o irmão voltaram a conversa. Dessa vez Rael ouviu os dois dizerem algo sobre um tal grupo denominado Gênios Dourados, eles eram escolhidos a dedo pelo rei e esse irmão. Esse grupo parecia ter um cultivo maior que os demais e estavam querendo inclui Isaac nele.

 

― ‘Não devem ser grande coisa, pela expressão que o rei faz vendo Isaac lutando não parece estar acostumado a ver esse tipo de poder.’

 

                Para muitos poderia parecer um acidente, mas Rael sabia que o menino calculou e preparou todos os passos para a morte do mesmo. O menino ficou parado ao lado do corpo olhando friamente o mesmo. O pai de Thiago alguns outros homens do sexto reino saltaram na arena. Depois também entraram o juiz e alguns guardas.

 

― ‘Tenho que me lembrar de nunca confiar nesse menino’ ― pensou Rael após ver a conclusão de toda essa luta.

 

                As lutas continuaram e chegou o momento de Isaac enfrentar o príncipe. As pessoas estavam dizendo que o vencedor daquela luta seria aquela luta ganharia a mão da bela Alessa. Ainda não era afinal, mas os dois eram para o público os mais fortes. Para Rael já estava claro quem seria o vencedor, ele já estava perdendo o interesse de permanecer até a final. Ele já tinha visto tudo que queria ver, técnicas, modos de luta, a força do rei e tudo o mais. A única coisa que ainda segurava Rael era ver Isaac em ação, se não fosse por isso ele a muito tempo já teria partido. E claro, ele também estava curioso em como seria ver um menino como Isaac, terminando com a mão de uma mulher como Alessa. Era algo muito incomum.

 

― ‘Se fosse em um mundo de renascidos, não seria nada estranho, mas aqui, imagino como as pessoas reagem a esse tipo de coisa’.

 

                O público estava esperando uma boa luta, mas o que ocorreu é que os dois começaram a conversar baixinho. O príncipe ameaçou o garoto dizendo que sabia sobre ele e conhecia uma tal de Beatriz, filha de um patriarca, ele disse que se o menino não desistisse essa jovem seria morta. Durante a conversa Isaac não se assustou, ele tinha guardado a lança e apenas o príncipe estava de armadura e uma clava de madeira com espinho pesadas em mãos. O príncipe parecia certo de que com a ameaça o garoto desistiu.

 

                Durante a conversa Isaac admitiu que percebeu o príncipe comprando Thiago para mata-lo. O príncipe não teve medo de confirma a história, ele imaginou que Isaac já havia desistido por não estar nem mesmo com arma em mãos.

 

― ‘O que será que ele vai fazer?’ ― Rael se perguntou curioso. Isaac então deixou que o príncipe visse uma estranha máquina que ele havia escondido nas costas durante toda a conversa. Essa maquina havia gravado toda a conversa dos dois e Isaac deixou que o príncipe percebeu isso. Rael ouviu quando o garoto de língua afiada lançou tudo que o príncipe disse de volta.

 

― É impossível esquecer porque eu registrei toda nossa conversa, imagino o que as pessoas vão dizer quando ouvirem as coisas que você me disse. ― Foi o que Isaac disse de volta. Pela posição que o príncipe tinha no reino e seu respeito, se aquela conversa das ameaças do mesmo fossem expostas, acabaria com a dignidade do príncipe e talvez até do próprio rei.

 

― ‘Revidou com inteligência’ ― pensou Rael.

 

― Me dê essa maquina agora! ― O príncipe rugiu e avançou saltando contra Isaac preparando a clava. O menino mandou a máquina metálica escura do tamanho de um punho de volta para o bracelete e sacou sua lança para se proteger.

 

BOOOOOM!

 

                O público não fazia ideia do que o príncipe tinha gritado, mas se empolgaram ao ver a luta começando. Poucas pessoas deram atenção ao que Isaac segurou na mão por um tempo.

 

― ‘Pelo visto ela veio, ela e esse menino parecem estar de alguma forma ligados como eu previ antes’ ― pensou Rael sentindo a presença da mesma jovem que o antes o perseguira. A moça bonita do decimo segundo reino. Ela surgiu silenciosamente pelo céu e olhou na direção de Rael. Ele fingiu não perceber e ela acreditaria. A mesma estava usando uma dimensão paralela para se ocultar dos outros e essa habilidade, Rael sabia que só podia ser usada por reinos finais ou avançados.

 

― ‘Ela é uma renascida, não resta dúvidas.’ ― concluiu Rael e continuou fingindo não perceber que estava sendo observado.

 

 

                Quando Rael chegou a esse mundo ele não podia fugir instantaneamente usando o portal por não ter estado em outras áreas, por isso não se arriscou, mas agora a história era diferente. Ele poderia desaparecer dos olhos dela quando desejasse. Por essa razão ele não se preocupou e continuou assistindo ao desfecho da luta.

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