O Herdeiro do Mundo

323 - Informações e Análises

Capítulo em audio --> https://www.youtube.com/watch?v=QCel213L_AA

 

Rael não se alarmou desde o incidente na sua chegada até o presente momento. Depois de se afastar da área onde cruzou com aqueles dois, o menino resistente e a bela jovem do décimo segundo reino, ele seguiu o seu caminho, fazendo o reconhecimento do lugar e, ao mesmo tempo, procurando sinais de suas aliadas. Rael lançava seus sentidos constantemente, tentando encontrar qualquer uma das mulheres que deveriam estar com ele naquele local.

 

― ‘Eu ainda não tenho certeza por estar apenas no décimo reino e meus sentidos terem perdido a força, mas acho que os outros não vieram para o mesmo mundo que eu. Se tivessem vindo, eu já teria encontrado alguém ou sido encontrado por Alexia e as violadoras. Até Rika poderia me buscar, já que também possuo a essência dela.’ ― Rael pensou cuidadosamente sobre todas as possibilidades consideradas e, agora, já tinha certeza de que estava separado de todas as outras, mas, por quê? Essa resposta ele ainda não conseguia encontrar.

 

                Depois de ter mais certeza sobre o seu estado, Rael conferiu o nível de energia deste mundo desconhecido. Ao que Violeta tinha mencionado, a energia teria mais pressão e no começo poderia até ser difícil respirar ou coisa do tipo.

 

― ‘Eu não sinto nenhuma pressão nesse novo mundo... Para mim, parece que estou praticamente no mesmo mundo em que nasci’ ― Pensou Rael.

 

                Depois do susto com o menino loiro e a jovem, Rael saiu para conferir vilas e cidades próximas. Ele também buscou entender os níveis das bestas locais e tudo era muito inferior ao seu mundo na maioria das coisas.

 

― ‘Essas pessoas do quinto reino são diferentes das do meu mundo. O poder delas é superior em termos de aura, mas seus corpos são frágeis. Elas não têm a resistência corporal que teriam ao controlar o Domínio da Resistência. É como se estivessem evoluindo seus cultivos de uma maneira diferente, mais frágil.’ ― Rael continuava sua análise.

 

― ‘Aqui os cultivadores do quinto reino já são considerados mestres e, ao que parece, demoram bastante para evoluir... Eu não compreendo, como que aquele garoto e aquela mulher eram tão fortes enquanto o restante dessas pessoas são tão fracas?’

 

                Por mais perguntas que Rael tivesse, respostas plausíveis surgiam em sua mente através de curtas análises que fazia por si mesmo. Dessa vez, ele teria que decifrar tudo por conta própria, não tinha como entrar em contato com Violeta, Alexia ou alguém mais inteligente de sua confiança.

 

                Rael procurou entender também sobre a moeda local e vendeu um bracelete do infinito vazio que possuía por cento e cinquenta moedas de ouro, apenas para ter algum dinheiro e receber explicações sobre o local do velho comerciante, que ficou muito feliz em contar tudo o que sabia ao garoto ruivo. As moedas eram diferentes das que ele teria no outro mundo, mas funcionavam praticamente da mesma maneira.

 

                Rael usou o Mundo da Simbologia que herdou de Emilia e alterou o molde de parte de suas próprias moedas de ouro, no intuito de deixá-las utilizáveis nesse mundo. Agora ele tinha aproximadamente cem mil moedas de ouro:

 

― ‘Com isso resolvo a minha preocupação em não ter dinheiro suficiente. Agora, preciso encontrar algum lugar para descansar.’

 

                Depois de Rael encontrar uma boa pousada em uma cidade mediana chamada Ponto Seguro, ficou mais relaxado. O atendente quase não quis aceitá-lo como hóspede por ele ser apenas uma criança, mas conforme Rael pagou antecipadamente sua estadia por um mês, o homem o aceitou, sob a condição de que não se responsabilizaria por ele.

 

― É claro que você não será o meu responsável. Eu apenas quero um lugar para dormir e descansar no tempo vago. Se eu tiver problemas, eu mesmo os resolverei. ― disse Rael na ocasião, deixando o homem um tanto quanto sem graça com a resposta. Quem iria se acostumar com uma criança falando daquele jeito? Aparentemente, nesse mundo as pessoas não tinham conhecimento sobre renascimento.

 

                Quando a noite chegou, Rael conjurou um escudo mágico em volta de sua cama, uma técnica que Violeta o ensinou após o renascimento. Enquanto ele dormisse, esse escudo o protegeria, impedindo qualquer um de se aproximar, e caso alguém tentasse, o escudo despertaria o corpo do menino imediatamente, o alertando sobre o infortúnio.

 

                No mundo completo, Rael encontrou as três violadoras e Keylla que, quando sentiram o surgimento do menino, correram para saber como ele estava. Depois de saberem que Rael estava bem e sem problemas por estar em um mundo fraco, as mulheres ficaram bem aliviadas. Até mesmo Alice apresentava um pouco de preocupação, mas era a que menos falava.

 

― Eu não sei o que aconteceu, isso não deveria ter ocorrido. Pelo que entendi, todos fomos separados ― disse Violeta depois de Rael questioná-la.

 

― Todos?! Então, Rose também está sozinha? ― Rael no mesmo momento se lembrou da companhia mais fraca de todas, que era sua Rose.

 

― Não. Acreditamos que ela esteja com a mãe. Ao que entendi, o portal nos separou em grupos. Como somos todas violadoras, fomos enviadas para um mundo específico, assim como suas guardiãs, que são do mesmo tipo, para um outro. Com isso, acreditamos que Rose e Rika estejam juntas em um terceiro mundo e Alexia isolada em outro lugar, assim como aconteceu com você ― explicou Violeta, para o alívio de Rael. Ele nunca se perdoaria se acontecesse algo a Rose.

 

― E por que fomos separadas de Rael? Nós três não somos do mesmo tipo? ― Keylla quis saber.

 

― Não necessariamente. Vocês são as guardiãs dele, e ele é o Herdeiro, isso deve mudar alguma coisa. De todo modo, eu não fiz essa programação no portal e não consigo entender o porquê disso acontecer. Ainda estou tentando descobrir, mas sem estar perto do portal não teremos como saber. O que me resta é preparar o portal de retorno de onde estamos para voltar ao antigo mundo pequeno, mas isso levará alguns meses e apenas depois que vou conseguir verificar o portal para nos unirmos novamente ― disse Violeta .

 

― Também podemos voltar voando. Não é somente Alexia que sabe fazer isso ― disse Alice, que parecia um pouco irritada com aquele plano demorado.

 

― Nós já conversamos sobre isso antes, irmã mais velha Alice, e está fora de questão. Se formos vistas por alguém, teríamos graves problemas. Não somos tão poderosas quanto Alexia e existem seres vigilantes por todo o universo. Ver três violadoras voando juntas iria atrair muita atenção. ― Disse Violeta de volta e continuou, voltando a explicação para todos: ― Também não sabemos ao certo qual a distância daqui para aquele mundo pequeno, tentar ir voando poderia demorar bem mais do que construir um novo portal. Seria sensato evitarmos esses tipos de problemas.

 

― Ela está certa, Alice. Vocês violadoras facilmente atrairiam atenção de qualquer um que as visse, e isso é muito perigoso. Vamos manter a calma e agir sem pressa ― disse Rael. A jovem violadora só pôde ficar em silêncio após ouvir o menino. De um tempo para cá estava mais fácil conversar com Alice, embora ela ainda agisse com certa teimosia, não era mais tão arrogante. Desde que alguém apontasse os pontos de maneira plausível, ela os ouviria.

 

― Rael, você está mesmo bem? A atmosfera do planeta em que você está não te incomoda? ― perguntou Keylla preocupada.

 

― Estou bem sim, já analisei o planeta em que estou e tudo indica que não terei problemas.

 

                Depois de conversarem e Rael garantir que seria seguro aguardar naquele mundo, todas ficaram mais relaxadas. O segundo foco da conversa foi sobre encontrar Alexia e Rika.

 

― Quando Alexia descobrir o que aconteceu, vai começar a nos procurar. É possível que ela viaje por vários planetas, então a possibilidade de nos achar é alta. Rika também pode voltar a qualquer momento para aquele mundo pequeno. Ela tem a habilidade de se teleportar para mundos em que já esteve, então podemos ficar tranquilas ― garantiu Violeta.

 

                Outra coisa conversada é que Rael também podia criar portais e viajar para mundos em que já esteve, bastava ele saber como fazer isso, a habilidade ele possuía antes de ser morto. Porém, agora não tinha controle sobre esse poder.

 

― O quanto de poder você gastaria para fazer isso também não sabemos. É bom tomar cuidado, porque a minha habilidade já suga bastante energia ― recordou Alice.

 

                Depois de Keylla partir, Isabela surgiu para vê-lo. As guardiãs haviam revezado seu tempo de descanso e as duas disseram aos demais que estavam em um mundo bastante fraco. Apesar das pessoas não representarem perigo onde estavam, as duas ainda se mantiveram atentas e, enquanto uma dormia, a outra ficaria de prontidão. Isabela contou que estavam agora em uma vila onde as pessoas as veneravam como deusas.

 

― São pessoas muito estranhas. Nós quase destruímos aquela pequena vila com a nossa presença e eles ainda nos receberam muito bem. Todos nesse lugar acreditam que somos as deusas Sol e Lua, isso existe? ― perguntou Isabela, depois de explicar para Rael, e olhou para as violadoras em busca de alguma explicação.

 

― Pode ser devido a alguma crença, algo em que eles acreditam; particularmente, eu nunca ouvir falar de deusas Sol ou Lua antes. ― Explicou Violeta.

 

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                No dia seguinte, Rael acordou com um novo objetivo. Agora que sabia que estava sozinho naquele mundo, não iria mais continuar procurando por elas. O que lhe restava era conhecer esse mundo melhor e ver se conseguiria utilizá-lo de algum modo para a sua própria evolução. Também tinha oportunidade de procurar por novas violadoras, sempre haveria a chance dele encontrar alguma adormecida em qualquer planeta.

 

― ‘Eu só não entendo como poderia haver três violadoras em um mesmo planeta, ainda mais em um planeta categorizado como mundo pequeno. Pelo que Violeta tinha dito, existem um total de 24 violadoras vivas. Algumas podem estar despertadas e outras adormecidas em locais específicos pelo universo, o problema é que há uma quantidade inacreditável de mundos pequenos e comuns. Então, a probabilidade de encontrar apenas uma já é extremamente baixa, o que dirá três, como aconteceu comigo’ ― Rael nunca tinha parado para pensar naquela situação, e pela primeira vez se sentiu estranho. De fato, isso era um verdadeiro mistério. Com tantos planetas existindo, como pôde ser possível que três violadoras serem lacradas no mesmo mundo? Sem conseguir obter respostas, Rael apenas saiu da pousada para viver mais um dia nesse mundo.

 

                Rael andava sempre bem vestido e sua aparência era muito boa para a de um simples menino local. Ele era considerado fofo e lindo por qualquer mulher ou jovem que o visse passar. Não era difícil as mulheres desse mundo sorrirem para ele, pararem-no, perguntar coisas sobre seus pais, se estava perdido ou se precisava de ajuda.

 

― Eu estou bem, irmã mais velha, obrigado pela preocupação; minha mãe volta logo ― essa era a resposta básica de Rael toda vez que alguma mulher o parasse. Ele já tinha limpado as marcas de batom do seu rosto algumas vezes após receber vários beijos, beijos dados por mulheres tanto medianas quanto bonitas.

 

― ‘Essas mulheres não sabem procurar um homem do tamanho delas? Cruzes!’ ― Rael as vezes tinha que correr para não ser atacado por mais algumas: ― ‘E o pior que elas são muito descaradas. Como pensam que sou uma criança, se aproveitam. Também teve aquela maluca que me tomou os lábios. O que será que se passa na cabeça delas?!’ ― o jovem menino ainda estava se acostumando com a forma de ser tratado.

 

― ‘E ninguém desconfia que eu sou alguém poderoso, já tentaram me roubar três vezes... Que situação! Tive que quebrar alguns braços para ensinar-lhes uma lição...’ ― Rael se lembrou das várias vezes que foi perseguido por grupos de homens. Esses grupos eram cautelosos ao observar os passos do menino ruivo. Ao perceberem que ele estava sozinho e em um local com menos pessoas, o atacavam. Quando Rael se defendia e mostrava um pouco de suas capacidades, todos ficavam admirados ao máximo.

 

                Depois de mais um dia de pesquisas, Rael finalmente entendeu que aquele menino loiro e a mulher bonita do décimo segundo reino eram exceções à regra daquele local. Esse mundo era ainda mais fraco que o seu. Por alguma razão, tinha um menino nesse mundo com uma resistência absurda e uma mulher consolidada no décimo segundo reino. O poder mais forte que Rael havia visto até o momento dos outros que pareciam normais eram sextos reinos, embora ele não tivesse ido em nenhum local especial.

 

― ‘Eu ouvir dizer que vai ter um evento importante na capital desse mundo em alguns dias, é um torneio envolvendo a sobrinha do rei. Então, é uma boa oportunidade de aparecer pessoas poderosas. Preciso estar lá para conferir esse evento e entender melhor sobre esse mundo.’ ― Rael se decidiu. Ele já tinha muitas informações que havia pego observando e perguntando aos cidadãos locais, mas era importante fazer a confirmação por si mesmo. Além disso, o rei estaria presente, e com certeza as pessoas mais fortes desse mundo o acompanhariam.

 

                Com esse pensamento, Rael se conformou em fazer sua última busca por informações em relação ao poder total das pessoas desse mundo, e depois iria buscar por outras respostas. Ele também estava certo que poderia se livrar sem problemas de alguma perseguição caso alguém tão forte quanto aquela jovem surgisse novamente.

 

― ‘Eu tenho o portal de Alice, não há nada com que me preocupar’.

 

                Conforme os dias se passaram, Rael manteve contato com as mulheres sempre que dormia e, por enquanto, nada tinha progredido. As guardiãs não tinham como voltar sozinhas e Violeta não podia ensiná-las sobre como construir um portal porque era algo complicado de aprender e exigia algumas outras coisas e objetos que elas não possuíam em mãos. Voltar voando para o ponto de partida estava mais do que fora de questão, embora elas pudessem tentar, seria muito perigoso. Isabela e Keylla só podiam continuar esperando. As violadoras, por outro lado, já tinham iniciado a construção do portal.

 

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                O dia do torneio pela mão da sobrinha do rei chamada Alessa havia chegado. Rael já tinha feito uma visita na capital deles chamada Centro Celeste. Era uma cidade bonita e bem desenvolvida. A tecnologia deles também o surpreendeu um pouco. A iluminação deles era gerada por uma rocha chamada de Rocha Luminosa, que era extraída das cavernas de mineração.

 

― ‘Eles não usam pedras espirituais, mas acredito que a essência dessa rocha luminosa não deve ser diferente’ ― pensou Rael depois de perguntar sobre o funcionamento dessas rochas luminosas.

 

                Naquela manhã, na capital, Rael aproveitou para obter mais informações. Ele perguntou sobre pílulas de cultivo e formas rápidas de evoluir. Claro, ele teve que pagar pela maioria das informações para algumas pessoas que não se importavam de tomar dinheiro de um menino curioso. Depois das várias respostas, ele saiu muito desanimado.

 

― ‘No meu mundo eu tinha o vulcão do dragão caído para cultivar, que era muito melhor do que aqui. Nesse mundo não tem nenhum ponto bom em questão, apenas alguns locais com uma energia mais elevada, e já são territórios de determinados clãs. As pílulas também são decepcionantes, elas são tão atrasadas que as melhores deles aumentam em apenas 75% do cultivo.’ ― Rael desanimou completamente por ter trocado de mundo. Para ele ter saído do seu antigo mundo e deixado para trás várias pessoas que amava não tinha sido uma tarefa fácil, e ao chegar em um novo mundo e descobrir que nada era melhor do que o antigo o deixou frustrado.

 

― ‘Eu sinto que só perdi meu tempo ao cair aqui. Confio cegamente em Violeta e no julgamento dela; Alexia também me disse que seria melhor para a evolução, mas eu não esperava me deparar com isso’ ― pensou Rael. Ele se resignou aceitando o fato de que por enquanto não poderia fazer nada a não ser continuar seguindo com sua análise. Era essencial descobrir o máximo possível de coisas desse mundo para então partir para os outros pontos, que seria descobrir formas de cultivar ou de como reaprender antigas habilidades. Rael não tinha planos para ficar muito tempo por aqui, a menos que fosse forçado.

 

Com a noite chegando, Rael abandonou todos os pensamentos acima e se dirigiu para o local do torneio. Ele se sentiu curioso, pensando em qual seria o motivo de haver um torneio para disputar a mão de uma mulher.

 

― ‘Me pergunto se ela é bonita ou se isso é apenas devido ao seu status...’ ― Rael tentou imaginar qual seria a razão, enquanto continuava seguindo sem pressa pelas ruas da capital de Centro Celeste.




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