O Herdeiro do Mundo

318 - Os Novos Reinos

Capítulo em áudio--> https://www.youtube.com/watch?v=vSLXXseaNbs

 

Passaram-se um total de sete horas inteiras após a batalha contra os mortos. O Sol tinha surgido e as pessoas aos poucos voltavam a sua rotina. Em frente ao templo, Alexia e Mara ainda aguardavam ansiosas, sem nenhum vestígio de sono. A porta permanecia fechada porque Natalia no início do controle do poder da morte ainda poderia ser perigosa para os demais.

 

Rael já tinha sido transportado para a residência da matriarca Ana e agora dormia com suas guardiãs, uma de cada lado. As duas estavam dormindo envolvidas com Rael, abraçando o tranquilamente. Com o herdeiro seguro, as duas pareciam não se importar com nenhuma coisa a mais.

 

No clã Torres, as coisas estavam começando a voltar ao normal. Neide e Rayger estavam resolvendo alguns problemas no clã através de uma reunião emergencial. Do lado de fora da residência, Elisa estava curando as graves feridas de Ralf. Ralf estava deitado completamente a vontade, observando Elisa com os olhos brilhantes de emoção. Desde que foi salvo por ela, Ralf tinha um olhar de admiração para com essa mulher. Ele sabia de toda história dela com Rael, mas pouco se importava. Em sua mente, Elisa era como uma grande aliada.

 

Os poderes curativos de Elisa não eram muito bons, sendo levemente abaixo da média devido às suas habilidades de batalha, mas desorganizado como estava o clã, naquele momento, ela era o melhor que teriam para curá-lo. Além disso, ninguém tinha coragem de se aproximar daquela enorme besta, exceto por Elisa, Neide e Rayger. Elisa era vista com inveja por muitos ali presentes, e estava sendo reconhecida como a suposta cultivadora que domou uma besta de rank S+. Nem todos sabiam que essa besta pertencia a Rael e, mesmo se soubessem, não faria muita diferença, vendo como Elisa e Ralf se tratavam.

 

Todos os lugares estavam em estado de recuperação. As pessoas estavam reunindo corpos, e muitos ainda tentavam encontrar entes desaparecidos. Esse processo duraria por vários dias. Por causa dessa grande tragédia, todas as grandes famílias se enfraqueceram, perdendo seus mais poderosos membros e líderes. Atualmente, os únicos reinos finais conhecidos do continente Sul eram Neide, Rayger e Verônica. Isso por um lado era bom devido aos interesses do imperador Elidas, mas também era gravemente ruim quando se tratava em poder se defender caso o continente Norte buscasse alguma retaliação.

 

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A porta do templo foi aberta por Natalia, que deu de frente com Mara e Alexia. As duas olharam curiosamente a bela jovem. Natalia deu um sorriso caloroso para as duas. Mara foi a primeira a correr, pulando em sua adorável prima. Ela a abraçou e cheirou seus cabelos enquanto repetia sem parar:

 

― Eu sabia que você conseguiria! Eu sabia que você conseguiria! ― As duas estavam se abraçando e sorrindo de felicidade. Alexia focou seu sentido em Natalia e percebeu todas as mudanças. Natalia estava muito mais poderosa, seu reino agora estava para além de um reino final. Mara não percebeu porque Natalia estava controlando a pressão de sua aura, por isso ela não notou.

 

Em algum momento, Mara beijou os lábios da prima, que foi retribuído com um ainda mais quente beijo. Em seguida ela fez surgir um anel com o símbolo em forma de “8”, e o colocou no dedo de Natalia:

 

― Como a marca foi removida, agora você só poderá sair daqui com isso. Até Rael se recuperar e repor sua marca, terá de usar esse anel para entrar mesmo na nossa casa ― explicou Mara. Natalia não disse nada, ela continuou sorrindo calorosamente para sua prima e saiu de dentro com passos lentos, se encontrando com Alexia mais adiante. Natalia se agachou e abraçou a pequena soberana com bastante carinho.

 

― Natalia, parabéns pela sua força. Está muito mais forte do que antes ― disse Alexia no ouvido de Natalia.

 

― Vou precisar de uma nova mestra, não concorda? ― perguntou Natalia, ainda abraçada com ela. Alexia sorriu acenando positivamente.

 

― Eu vou ajudar você por um tempo ― concordou a soberana. Natalia se levantou depois de soltar Alexia e olhou o cenário em volta, encontrando o lugar ainda destruído.

 

― Onde está Rael? Ele ficou bem? ― perguntou ela.

 

― Rael está com as guardiãs, ele só está cansado ― disse Alexia antes que Mara pudesse responder. Natalia manteve o mesmo ar calmo e agradável, ela não parecia ter mudado muito desde que voltou mais poderosa.

 

― Natalia, e você, está bem? Foi muito difícil? Eu fiquei tão preocupada com você...! ― disse Mara, conseguindo chegar ao lado de sua prima. Natalia sorriu despreocupada, mostrando uma fileira de dentes perfeitos e brilhantes. Olhando com calma, Mara percebeu que Natalia estava incrivelmente mais bonita que antes. Natalia já era como uma pequena e jovem beldade, mas agora sua pele delicada e ar jovial estavam com um tipo misterioso de brilho, tornando-a ainda mais bonita. Até os cabelos de Natalia estavam mais vívidos e brilhantes. Mara não podia ver, mas Alexia podia observar Natalia controlando cuidadosamente toda a aura de morte que agora a cercava em silêncio.

 

― Eu estou bem, prima. Foi bastante difícil, mas eu o superei! Passei por tudo pensando em voltar para vocês ― disse Natalia, mantendo seu sorriso caloroso e depois se virou seguindo em frente, avançando alguns passos: ― Eu vou ver Rael, depois nos falamos.

 

Mara ficou parada vendo a prima se afastar e olhou para trás, porque Alexia tinha entrando no templo e fazia alguns movimentos com as mãos. Ela bateu as mãos no chão ao centro do templo, fazendo as paredes tremerem. Lentamente, elas começaram a retornar, assim como o teto e todas as coisas dentro desapareciam gradativamente. Alexia estava removendo o templo porque ele não seria mais necessário.

 

Em pé, nas paredes da sala da matriarca Ana, estavam os corpos dos mortos que Rael pretendia ressuscitar, armazenados em câmaras de vidro feitas por pura energia. Natalia parou e olhou calmamente cada uma das câmaras que continha os corpos, e uma delas estava vazia. Era a referente ao corpo de Thais. Láis estava ali parada ao lado com os familiares, chorando copiosamente, sem entender o que acontecera. Todos os outros corpos estavam normais dentro das câmaras, pareciam apenas dormirem, mas o corpo de Thais desapareceu durante a noite, pouco antes de amanhecer, sem qualquer motivo aparente.

 

Natalia ficou pensativa por um tempo e aquilo de alguma forma fez sentido. A alma de Thais não pôde ser recuperada, somente as dos demais. Ela havia posto todos os outros em um local especial criado por ela e, com um simples pensamento, Natalia seria capaz de saber o que eles pensavam e como se sentiam. Foi assim que ela descobriu a relação de Rael e Janete no dia anterior. A alma de Janete estava deprimida pelo fato de ter sido finalmente aceita pelo jovem e logo após ter morrido. Nem ela e muito menos Natalia sabiam que aquela tórrida relação havia resultado em uma gravidez.

 

Natalia avançou despreocupada, seguindo e passando pelas pessoas que ainda sofriam suas perdas. Foi estranho, ela não sentiu empatia por ninguém. A moça também se sentia um pouco fria quando via essas outras pessoas sem muita importância para ela. Depois que passou pela contenda, Natalia voltou muito mais forte mentalmente. Sorrir para Mara e para Alexia era um sentimento real e verdadeiro, porque as duas eram muito importantes, já o restante não era a mesma coisa. Ela salvou as almas que Rael pedira somente porque foi um pedido do seu amado. Se fosse por ela mesma, ela jamais teria feito.

 

Natalia havia mudado depois de resistir ao espectro, mas sabia que não era a mesma desde que enfrentou o seu próprio pai. Quem pensa que ela apenas salvou a alma dos que Rael pedira está completamente enganado. Em outro local especial, também criado pelo poder, haviam duas almas aprisionadas: Uma delas era Heitor e a outra era Romeo. Os dois gritavam e sofriam constantemente, sendo torturados por um carrasco espiritual designado por Natalia.

 

Heitor e Romeo a todo instante eram chicoteados, perfurados, esfolados, rasgados, esquartejados, incinerados entre outras formas de tortura; para depois seus corpos se recuperarem de modo a dar início uma nova sessão. Em todos os finais de sessão, o carrasco perguntava se eles estavam arrependidos de seus pecados. Não importava a resposta, a tortura reiniciava assim que eles se recuperavam. Em certo momento, Natalia abriu um sorriso frio após dar um rápido salto e ter o vislumbre daqueles dois sofrendo infinitamente sob as suas garras. Esse agora era o poder que Natalia tinha em mãos. Ela não manipulava toda a extensão aberta do Mundo Morto, mas as almas que morreram enquanto ela estava com o Espectro ou os que morressem perto dela poderiam ser conduzidas e transportadas para onde Natalia bem desejasse.

 

Natalia sabia que esse era somente o começo e que ainda tinha muito o que aprender com esse poder, mas, de uma coisa ela estava completamente certa:

 

― ‘Eu não sou mais tão patética quanto antes. A partir de agora, eu serei mais útil para o meu marido!’ ― ela pensava enquanto avançava decidida pelos corredores, indo de encontro ao quarto de Rael com suas guardiãs.

 

Abrindo a porta, Natalia encontrou Rael adormecido, sendo abraçado e cercado pelas guardiãs, uma de cada lado da cama. Todos estavam vestidos, o que significava que eles não fizeram nada antes de dormirem. Natalia deu uma breve olhada em Rael sem fazer nada demais. Em seguida, fechou a porta cautelosamente e decidiu sair sem incomodar. Não por vergonha, ela só queria mesmo ter visto com os próprios olhos que seu marido estava bem.

 

 Natalia tinha muito o que aprender sobre seus novos poderes, mas já se sentia confiante e certa de que no futuro ela seria muito mais do que apenas uma simples esposa de Rael, ela seria também um imenso apoio para o jovem.

 

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Três dias se passaram para Rael desperta. Antes de acordar, ele soube de como andava as coisas através do Mundo Completo. Todos que tinham acesso ao seu mundo explicaram detalhadamente a Rael de como agora as coisas estavam pelo mundo em que estavam. Assim, como ele soube que o corpo de Thais desapareceu e que Natalia não conseguia recuperar a alma dela. De tudo, essa era uma das coisas que menos tinha explicação.

 

Rael, quando despertou, ficou um tempo em pé de frente para o espaço vazio da câmara onde estaria armazenado o corpo de Thais. Todos os outros estavam em seu devido lugar, mas apenas ela havia desaparecido, como se a habilidade de Rael de repente estivesse falhado. Ele havia ouvido, que Natalia tentou de todas as formas recuperar a alma daquela mulher e não conseguira, era como se ela estivesse sido destruída.

 

― O que você acha que pode ter acontecido, Alexia? ― perguntou Rael para a pequena soberana que estava parada ao lado dele. A menina dragão era linda e fofa, qualquer um que a via teria uma vontade insana de correr, abraçar e apertar fortemente a mesma. Ela era tão fofa que parecia quase ser uma pequena princesa imaginável.

 

― Sendo sincera, eu não tenho certeza. Não conheço todo o seu poder e por isso não posso opinar. Existem coisas a respeito de suas capacidades que eu jamais saberei. Acredito que não tenha sido uma falha por sua parte, porque nem mesmo Natalia encontrou a alma dela do outro lado, então pode ter acontecido algo diferente ― disse ela, depois de pensar um pouco sobre o caso.

 

― Diferente, mas como?

 

― Eu não sei, essa Thais não fazia parte do nosso mundo. Vai ver que, quando ela perdeu a vida, foi puxada para a sua dimensão de origem ― disse Alexia, sem pensar muito.

 

― Não faz sentido, pois o mesmo teria ocorrido com Violeta devoradora ― disse Rael de volta, com a resposta na ponta da língua. Ele continuava estudando minunciosamente o vidro vazio, como se isso pudesse adivinhar como fazer Thais ressurgir naquele lugar.

 

― É verdade... Pensando por esse lado, faz bastante sentido... ― Concordou a soberana.

 

Depois de alguns segundos em silêncio, a pequena voltou a dizer:

 

― Você tem um milhão de coisas com as quais se preocupar no momento, pode facilmente deixar o corpo de Thais para depois.

 

― Está certa ― disse Rael resignado enquanto se virava, seguindo alguns passos para fora da residência da matriarca, Alexia o seguiu no mesmo passo: ― Agora que tudo está sob controle, é o momento de acabar com a escravidão, cultivar até obter o renascimento... Em falar em renascer, por que eu tenho que renascer e as minhas guardiãs não precisaram? ― Rael perguntou e parou do lado de fora, olhando Alexia com curiosidade.

 

― São poucos os seres nesse mundo que não precisam passar por um renascimento, a maioria precisa. Até mesmo deuses passam por essa situação, com você não seria diferente.

 

― Eu não deveria precisar, assim como minhas guardiãs. Sou o Herdeiro, aquele que fica no posto mais avançado da existência, não é? Então, que sentido tem em ficar fraco e vulnerável? ― questionou Rael, ainda curioso.

 

― E é por isso que suas guardiãs existem, para suprir a falta do seu poder nessas horas. Você, como o Herdeiro do Mundo Completo, deve passar por todos os aspectos do poder para entender e adquirir o máximo de conhecimento que existe em cada etapa. Crescimento gradual é algo mais do que natural.

 

― Os dragões também renascem?

 

― Nós, dragões puros, não; e os humanos soberanos também não precisam. Isso porque o corpo que possuímos acaba herdando a nossa linhagem, o que libera o último ponto de poder, o ponto do renascimento, semelhante ao estado de Natalia.

 

― Espere, o que quer dizer com o estado de Natalia? ― perguntou Rael, como se tivesse perdido algo durante o tempo que estivera adormecido.

 

― Natalia adquiriu uma poderosa herança, que liberou o seu último ponto de poder, tornando-a uma cultivadora com a essência vital de um ser renascido.

 

― O que isso quer dizer?

 

― Você não a viu ainda, mas ela está mais bonita. A idade de um cultivador normal sem renascer pode atingir aproximadamente trezentos anos. Um cultivador renascido expande essa idade para a casa dos mil anos e tem um caminho maior a trilhar. Esses milhares de anos que adquirimos com o renascimento nos dá mais juventude. Com o tempo e o cultivo aumentando, ganhamos ainda mais poder, deixando nossos corpos cada vez mais poderosos. Quanto maior for o nosso cultivo, maior será nossa longevidade. Não é a toa que muitos cultivadores buscam a vida eterna por meio de poder.

 

― Então, Natalia não precisa mais renascer? ― perguntou Rael, ainda perdido.

 

― Natalia está, atualmente, dentro do décimo quinto reino, que nesse mundo não tem qualquer menção a ele. Lá fora, em alguns mundos comuns que o atingiram, esse poder é chamado de Verdadeiro Poder, ou o Primeiro Passo do Imortal.

 

― Primeiro Passo?

 

― Sim, e quando você renascer e atingir novamente o décimo terceiro reino, você apenas recuperará todo o seu poder com o bônus do renascimento, mas depois desse reino você entra em um reino chamado lá fora de Renascimento Transcendental, ou a Origem do Núcleo. Esse seria o décimo quarto reino, que a proposito é o reino atual de suas guardiãs ― explicou Alexia.

 

― Entendo... Esses reinos não existem nesse mundo porque é algo que ninguém ainda os alcançou... ― disse Rael.

 

― ... O que não é nada tão surpreendente assim ― concluiu a pequena dragão.

 

― E quando que eu vou estar preparado para você? Eu nunca entendi essa coisa, sabe... As violadoras, que tem um corpo desenvolvido para tal, e muito mais poderoso que o meu, eu poderia desde criança; pude também possuir as celestiais assim que adquiri resistência ao elemento delas, o Raio; mas, com você, eu ainda não posso. Isso me confundiu quando me coloquei a pensar nisso. Não pergunto por estar com pressa, é que só estou curioso mesmo a respeito do motivo ― Acrescentou Rael, olhando para a linda menina.

 

― Você estará pronto para mim depois que renascer e alcançar, no mínimo, o décimo quinto reino. Quando você chegar lá, eu me desenvolverei para você, mesmo se Leticia ainda não estiver pronta para tal ato. Fazer com uma humana soberana não é o mesmo que fazer com as outras mulheres, Rael. Durante o ato acontece algumas coisas, e você precisará de um alto poder para suportá-las. Não vou entrar em detalhes porque ainda tem uma mente infantil aqui dentro ― disse ela sorrindo, apontando o dedo para a própria cabeça, lembrando o jovem de que a pequena Leticia ainda fazia parte do seu corpo.

 

― Entendi. Desde que você não esteja com esse corpo de criança, eu não vou fazer nada que deixará de seguir com a minha palavra ― disse Rael com firmeza.

 

― Eu sei que não vai, você é um homem de palavra. Nós dois somos seres honrados, e por isso mesmo que nos daremos muito bem ― disse Alexia com um sorriso meigo.

 

 

― Rael? ― Perguntou uma voz doce, surgindo no corredor. Essa era a voz de alguém familiar. Natalia surgiu caminhando por trás de Alexia, roubando a atenção dos dois, que se viraram para a jovem e bela moça.




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