O Herdeiro do Mundo

315 - Enfrentando o Espectro

Capítulo em audio-->https://www.youtube.com/watch?v=m09fgPp-UfY

 

Toda as sensações físicas eram reais. Toques, cheiros, temperatura. Ao cair, Natalia teve alguns poucos ferimentos. Ela sentiu que quebrou o braço direito quando tentou amortecer sua queda. Sua base de cultivo nesse mundo estava bem fraca também, ela nem mesmo conseguia voar.

 

― ‘Nesse mundo o meu cultivo parece estar menor. É como se eu quase não tivesse mais poder, me sinto como se estivesse de volta no quarto reino...’ ― pensou a garota ainda desnorteada se levantando. Ela tinha ouvido Violeta dizer que agora era com ela, e o Espectro estava se aproximando cada vez mais. Mas, no momento que ele a alcançou, um gigantesco dragão vermelho espiritual saiu do corpo de Natalia e a envolveu. Esse dragão ficava circulando os arredores da jovem sem deixar que nada a tocasse. O Espectro não podia chegar perto porque o corpo do dragão era enorme e espaçoso. E usar o poder da morte também não resolvia, visto que o dragão não tinha a vida de um ser vivo, tentar sugar sua alma espiritual também não funcionava. Isso deixou o Espectro ainda mais furioso.

 

Dentro do espaço de uns sete metros de perímetro, Natalia via apenas um mundo aquecido e cheio de vida que emanava do dragão. Ela suspirou pensando em Alexia, sabendo que esse dragão era obra dela. Mas isso não iria segurar o Espectro por muito tempo, Alexia tinha a avisado que suas defesas só poderiam ser temporárias. Dentro do Mundo Morto, os poderes de Alexia eram bem fracos.

 

― ‘Eu vou ser forte!’ ― Natalia pensou decidida enquanto segurava seu braço quebrado. A dor chegava a incomodar um pouco, mas ainda não tinha mexido nem um pouco com a mente da jovem. Alexia e todos deixaram bem claro que ela poderia ser pega, isso não foi uma surpresa para ela. O que Natalia mais pensava no entanto, era em se tornar forte para apoiar Rael. Ela queria ter tanto poder quanto Alexia para ficar ao lado de seu marido sempre que pudesse. Quando ela pensava em todas as vezes que fora protegida por ele, se enchia ainda mais de determinação que queimava fortemente em seu peito.

 

Natalia não estava muito habituada a dores físicas. Embora ela tenha sofrido um pouco nas mãos de Heitor, não seria nada comparado ao que o Espectro faria com ela. O Espectro iria torturá-la até alcançar as dores mais insuportáveis da mente dela. Nesse modo espiritual ela não poderia ser morta, só poderia fugir dessa dor se aceitasse o acordo do Espectro e tivesse sua existência completamente destruída. Era um acordo diferente do que Alexia fez com a pequena humana ao possuir seu corpo. Leticia continuava vivendo na mente de Alexia, e as vezes, Alexia deixava a menina controlar o corpo e se divertir como toda criança merece. Se Natalia fosse tomada, ela deixaria de existir para sempre, e nem mesmo o Herdeiro poderia resgatá-la.

 

O Espectro não ficou parado esperando o dragão espiritual se dissipar. Ele sacou uma imensa espada escura como a noite. Essa espada era enorme e tinha uma empunhadura também negra, com rostos de caveiras gravados nela. Esses rostos eram levemente brancos com olhos vermelhos. A lâmina da espada rugia, tinha nela presa, uma série de rostos mortais que gemiam e gritavam, formando caretas assustadoras, gemidos e expressões malignas. Esse poder estava diretamente ligado aos espíritos sugados pelo Espectro.

 

BOOOOOOOOOOOOM! BOOOOOOOOOOOOOOOM! BOOOOOOOOOOOOOOOOOOM! BOOOOOOOOOOOOM! BOOOOOOOOOOOOOOOM! BOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!

 

Ele começou a golpear contra o dragão espiritual. A espada criava cortes e fazia o dragão rugir de dor. O dragão não revidava, dentro daquele mundo o Espectro era invencível e qualquer ataque direcionado a ele seria inútil. O dragão só podia suportar e concentrar seu poder em cumprir sua missão de aguentar o máximo possível.

 

Por ser um espirito ancestral, o dragão não poderia ser sugado, mas também não conseguia sair da área em que surgira. Dessa forma, ele só poderia continuar cercando a jovem enquanto seu poder durasse. A cada ataque do Espectro o poder do dragão baixava um pouco, mas ele estava determinado em seguir os desejos de Alexia e proteger Natalia onde conseguisse. Sendo um ancestral legitimo do poder dos dragões, sua missão era manter a vontade de sua espécie, mesmo em espirito.

 

Os ataques do Espectro continuavam sem pausa sobre o dragão que rugia sem parar. Natalia sentiu uma estranha energia correr por seu corpo a envolvendo e de repente ela estava completamente curada, como se nem ao menos tivesse caído. Ela tinha caído cerca de quase cem metros de altura, não se sabia a razão dela não ter se quebrado inteira. Agora, no entanto, ela não sentia mais nenhum incômodo, nem mesmo no braço. Essa deveria ser outra das ativações de Alexia.

 

Violeta com aura da morte já tinha feito tudo o que podia e nesse momento estava parada muito longe, olhando seu braço se recuperar lentamente enquanto suportava a dor em silêncio. Ela só podia espera que a Natalia resistisse. Ela sabia que não tinha sido boa com Rael e os demais, portanto, se Natalia falhasse, ela apostava que teria dificuldades em fazer eles a aceitarem. Além disso, quando Natalia tivesse o corpo tomado, ela não poderia mais continuar fugindo do Espectro. O poder dele aumentaria bastante e ela também seria sugada, sem ter tempo para novas negociações.

 

― ‘Eu deveria ter sido mais atenta!’ ― ela suspirou sem o que fazer, enquanto pensava na jovem e doce Natalia. Ela imaginou que Natalia não aguentaria. A maioria das pessoas que passavam pela contenda aguentariam de três a dez minutos de tortura, e ainda restava duas horas antes do tempo acabar.

 

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Após os acontecimentos acima, mais uma hora se passou e o dragão desapareceu completamente, deixando apenas Natalia de frente ao Espectro. O Espectro fez a espada sinistra desaparecer e encarou a jovem garota com um olhar ameaçador e sombrio. Apenas sua face já fazia qualquer um se encher de medo:

 

― Criança, apenas diga que não deseja mais viver e eu liberto você de todo esse medo, sofrimento e qualquer tipo de dor ― disse o Espectro com uma voz rouca fantasmagórica, quando sua boca se abriu. Seus olhos azuis brilhavam intensamente, soltando uma energia fria e densa como a morte. Com poucos passos ele foi se aproximando de Natalia. Esta tentou ao máximo possível conter todo o seu medo enquanto recuava passo a passo para trás. Enquanto ele avançava, ela recuava tentando manter distância.

 

― Eu não quero machucar uma garota doce como você, então seja boazinha e apenas diga que não quer mais viver. Assim eu posso fazer isso da maneira mais fácil ― disse o Espectro e continuava avançando.

 

― Me deixe em paz! Eu não vou desistir! Eu não vou deixar Rael, Mara e nem ninguém! Você não me põe medo! ― Natalia gritava de volta tentando parecer forte, mas por dentro seu coração já estava em colapso. O Espectro face a face era uma criatura que representava a morte e consequentemente era muito assustador. A jovem só podia recuar e tentar parecer forte.

 

― Você acha que pode esconder seu medo e seu temores de mim? Eu conheço todos os seus anseios, conheço até mesmo melhor que você. Não quero machucar você, criança, mas se não desistir agora, eu o farei ― disse o esqueleto, ainda avançando e Natalia recuando. Até que Natalia não viu uma pedra atrás e tropeçou, pisando de mal jeito e caindo sentada. Quando ela caiu e tentou se levantar para continuar fugindo, o Espectro já estava na face dela, a fazendo parar. Os olhos do Espectro iam diretamente ao fundo dos seus olhos. Natalia se sentiu vulnerável e com bastante medo.

 

― É minha última chance, você não vai desistir? ― perguntou ele, ainda parado. Mas seu corpo começou a emanar uma energia escura, semelhante a uma fumaça negra que foi cercando eles em volta, formando um casulo.

 

― Eu não vou desistir! Não importa o que você faça, não desistirei! ― gritou Natalia de volta e percebeu que o casulo se transformou em um tipo de sala. Parecia a sala de uma casa comum e tinha até mesmo uma janela aberta que parecia dar em uma rua que ela conhecia. Essa rua não era outra se não o próprio clã Torres. Do lado de fora parecia está anoitecido como se estivesse noite. Essa sala era iluminada por pedras Espirituais que estavam presas na parede próximas ao teto.

 

― É o que veremos. ― disse o Espectro ainda de frente a Natalia. Tentáculos negros e afiados sugiram saindo do corpo da criatura horrenda. Cada tentáculo tinha mais ou menos a largura de um dedo adulto e eram muito longos. Esses tentáculos avançaram em Natalia e penetraram violentamente sua pele. Coxa, braços, peito, cintura, costas... Os tentáculos invadiram várias partes do corpo da jovem e eram muitos. Natalia gritou enquanto chorava desesperada sentindo as dores de ser perfurada em várias regiões de seu corpo e rolou pelo chão. A dor era real e ninguém poderia negar se estivesse no lugar da jovem. Sangue jorrava de seus ferimentos e os tentáculos continuavam abrindo mais buracos na jovem.

 

― Desista, criança! Apenas desista e toda essa dor vai embora! ― disse o Espectro enquanto continuava parado deixando os tentáculos a perfurarem por várias partes. Mesmo quando eles atingiam o coração de Natalia, ela não morria, em vez disso, sentia uma dor alucinante de querer arrancar a própria alma, mas não morria. A jovem estava sofrendo horrores que mesmo palavras não conseguiam descrever completamente.

 

A dor era insuportável e ela chorava enquanto gemia e gritava. Mesmo assim ela pensava em Rael e em todos os outros. Ela focou toda sua vontade se lembrando de tudo que Rael já havia feito por ela e isso a preenchia com forças para aguentar.

 

O Espectro olhava abismado, já havia mais de vinte tentáculos a ferindo e ela não desistia. Ela podia gritar, se contorcer e soluçar de dor, mas sem sinais de desistência.

 

O esqueleto removeu seus tentáculos sujos de sangue do corpo da jovem e continuou a encarando enquanto ela se contorcia no chão, derramando sangue por todas as partes. Natalia tinha tantos ferimentos que era difícil de contar sua totalidade. Os ferimentos tinham destruído até mesmo os ossos dela, ele só não machucou a garganta e a boca para ela poder dizer que desistia.

 

― Criança, desista. Eu apenas estou começando. Isso não foi nada ainda e você já está nesse estado ― disse o Espectro observando a jovem a frente. Natalia não respondeu, ela continuou suportando toda aquela imensa dor em seus gemidos e choro baixo. Ela continuava pensando em Rael e em Mara, em todos os momentos felizes que tinha com esses dois.

 

O Espectro a fez se recuperar só para então começar novas torturas, inventando diferentes tipos. Queimaduras intensas, mutilação, ossos esmagados. O Espectro arrancava as unhas da jovem e todos os tipos de mais cruéis torturas que se poderia imaginar. Por quinze minutos inteiros ele destruía completamente Natalia para depois recuperá-la no propósito de destrui-la de novo e de novo. Cada vez que ele perguntava, ela ficava em silêncio sofrendo calada, mas chegou em um ponto em que a dor dela começou a se tornar raiva e fúria.

 

― Desista de uma vez, doce criança! Eu estou apenas começando e pegarei mais pesado com você ― o espectro tentava soar indiferente, mas estava com medo por seu tempo estar acabando. Ele tinha agora bem menos que uma hora e Natalia não parecia ceder de nenhuma forma.

 

― Vá a merda, esqueleto! Eu já disse que não vou desistir! Pode continuar fazendo o que você quiser e eu não vou ceder! Seu poder vai ser meu! ― Natalia gritou de volta furiosa. Esses quinze minutos fizeram-na sentir mais dor que teve em sua vida inteira e, em vez de transformar isso em desespero, estava sendo transformado em ódio. A resposta de Natalia deixou o Espectro atrapalhado, mas a face dele não mudava e mais uma vez ele fez o corpo de Natalia ser restaurado e todo o local limpo, como se ela nunca tivesse sangrado. A sala ficou mais uma vez impecável e arrumada, enquanto Natalia se levantava do chão e encarava o Espectro, agora com muito menos medo.

 

Esses quinze minutos de tortura para Natalia foram praticamente como dias, parecia que os segundos não se passavam enquanto ela estava sob aquela constante tortura.

 

― Você me obrigou a ir mais longe, não me culpe por isso. ― disse o Espectro e desapareceu, deixando a sala de repente. Natalia ficou confusa olhando em volta. Seus olhos que antes continham uma aura gentil agora estavam tomados por uma inabalável expressão de ódio. Toda a dor que ela sofreu para tentar separar ela das pessoas que amava, só pareciam tê-la deixado mais forte.

 

― Não tenho medo de você! Não importa o que faça, eu não desisto! Eu nunca desistirei! ― a jovem gritou decidida olhando em volta. Havia uma porta atrás dela e uma porta que parecia ser a entrada e saída da casa. A da saída ela não conseguia abrir, foi a primeira que ela tentou. Depois foi para a janela ao lado que estava aberta, mas tinha um tipo de barreira de vidro que não a deixava passar. Ela até bateu com as mãos, mas não teve qualquer efeito e, por último, a porta de trás que avançaria para dentro de outros cômodos da casa.

 

Depois de tentar a última porta, também fechada, ela desistiu. Não havia para onde correr. Mas, depois de todas aquelas dores enfrentadas, ela estava certa que agora, mais do que nunca, ela iria continuar resistindo.

 

A porta da frente de repente foi aberta e um jovem homem entrou com um olhar sombrio e um sorriso cínico. Quando Natalia o viu seu coração disparou, esse não era outro se não o seu algoz, Heitor.

 

― Eu pensei que minha existência tinha sido destruída quando fui sugado por aquela coisa mas, pelo visto eu ainda sou necessário nesse mundo hehe ― disse ele com um sorriso frio, observando a bela jovem. Natalia, que antes tinha uma inabalável expressão de ferocidade, agora tinha se tornado acuada e com medo. Nada deixava ela mais assustada que esse homem a frente dela.

 

― Parece que eu vou poder saborear você, Natalia. Iremos nos divertir muito, como nos velhos tempos ― disse o homem, fechando a porta atrás. Natalia não conseguiu parecer forte, ela nem estava tentando, a aparição de Heitor tirou todos os pensamentos de resistência dela.

 

― Eu me lembro de todas as safadezas que você fazia com Rael e Mara. O que acha de fazer comigo agora? Será bem gostosinho, hein huhuhu! ― Heitor se aproximou da jovem que estava encostada a parede, mas antes que ele pudesse tocar nela, ela girou o corpo e desferiu um chute em cheio no rosto dele.

 

PAAAAF!

 

Esse chute pegou Heitor de surpresa e ele foi jogado dois metros para trás. Heitor caiu de costas, soltando uma rajada de sangue no chão. A expressão dele que antes era cínica e sinistra, se tornou uma de ódio frio. Ele limpou a boca com uma das mãos e começou a se levantar.

 

― Mesmo que esse corpo não seja o meu original, somente o meu marido pode tocar em mim! Não se atreva a tentar fazer isso novamente! ― gritou Natalia, se tremendo de medo. Mas ainda sim ela reagiu com coragem, uma coragem que antes ela não tinha.

 

― Eu pretendia pegar leve com você para curtirmos o momento, mas visto que você prefere que seja na base da violência, vamos brincar do jeito que você prefere, então! ― Disse Heitor e avançou como um borrão. Dessa vez Natalia não reagiu a tempo e levou uma bofetada, sendo lançada violentamente contra a parede e perdendo o chão. Ela caiu tonta, sentindo um forte zumbido no ouvido e quando percebeu já estava com o seu vestido sendo rasgado por Heitor, que estava montado por cima dela.

 

― Nunca pensei que depois de morto fosse novamente poder sentir isso... Eu vou aproveitar cada segundo com você. ― disse Heitor. Natalia tentava lutar, mas ela não era mais forte que Heitor e o primeiro chute tinha sido de surpresa, o pegando de guarda baixa. Agora que ele estava atento, ela não tinha o que fazer além de tentar dificultar que ele continuasse a arrancar as roupas dela.

 

 

― No momento que você quiser, eu posso fazê-lo desaparecer. Basta dizer que desiste de viver e eu o faço sumir para sempre. Você nunca mais terá que passar por isso uma outra vez ― disse uma voz rouca do lado de Heitor. Natalia viu o Espectro ali parado ao lado de Heitor, mas Heitor não parecia está vendo-o. Heitor sorria com a boca aberta e língua de fora como um animal tarado prestes a ter seu melhor momento carnal enquanto continuava a rasgar ansiosamente as roupas da jovem.




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