O Herdeiro do Mundo

312 - Começando a Fuga

Capítulo em áudio-->https://www.youtube.com/watch?v=t83epvLhtjc

 

atalia se preparou para entrar no templo. A moça conteve toda a sua ansiedade e olhou para Rael e Mara, que agora estavam mais próximos a ela. Mara tinha se aproximado assim como as guardiãs estavam atrás de Rael.

 

Eles não trocaram mais nenhuma palavra, Alexia carinhosamente deu um pequeno empurrão nas costas de Natalia, a induzindo a seguir conforme o conversado anteriormente. Rael seguiu do lado porque precisaria retirar a marca de Natalia pelo tempo que fosse preciso para mantê-la presa dentro do templo.

 

Natalia entrou no local com cada um de lado. Rael aperou a mão direita de leve no ombro esquerdo da moça e removeu a marca que parecia um oito no pescoço da jovem. Com a marca removida, ela não poderia mais sair do local. Ela ficaria presa ali dentro até que Rael devolvesse a marca ou a barreira fosse destruída. É claro que se Natalia perdesse o embate eles não iriam libertar o Espectro.

 

― Agora saia, Rael, eu cuido do restante. Se você ficar aqui vai ser perigoso quando o Espectro se apossar dela ― disse Alexia sem deixar Rael dar mais qualquer passo a frente. Natalia o olhou com um ar preocupada, Mara estava na porta e se tremia querendo entrar. Ela relutava fortemente por ter que deixar Natalia sozinha.

 

― Natalia, eu confio em você. Mara também confia, então volte para nós, por favor ― disse Rael uma última vez e fez uma expressão confiante enquanto olhava nos olhos dela. Natalia sorriu acenando suavemente para Rael e depois olhou para Mara mais uma vez. Mara também fez um sim mudo de volta.

 

― Vocês dois, saiam. Quando ela for tomada, nenhum de vocês poderá ter chances de escapar ― novamente Alexia avisou. Com isso, Rael se afastou e puxou Mara da porta, a levando consigo. Mas eles ainda olharam um longo tempo para trás. O medo de perderem Natalia era evidente. Alexia não mentiu para eles e a possibilidade de nunca mais vê-la era grande.

 

Alexia tinha dito que, mesmo com a ajuda de Violeta morta, ainda havia 50% de chance de falhas. Eles não tinham como conhecer todos os truques do Espectro e mesmo que Violeta morta determinasse ser mais forte, isso nunca era uma coisa lógica ou certeira, era apenas uma estimativa.

 

― Nas próximas seis horas ninguém deve pensar em entrar nesse lugar ― disse Alexia e, com um aceno de mão, a porta se fechou com a saída dos dois. Alexia imbuiu seu próprio poder na porta para que ninguém tentasse entrar. Natalia ainda estava no seu estado normal e olhava com ansiedade para a menina Soberana a sua frente.

 

Alexia antes de começar o ritual da Contenda se aproximou da jovem e a abraçou uma última vez, encostando sua cabeça próxima aos tórax de Natalia.

 

― Se cuide, Natalia. Eu fiz tudo que pude para ajudar você. Agora você só poderá contar com seu próprio esforço e sua sorte ― disse a pequena soberana. Natalia abraçou a menina de volta com carinho e respeito.

 

― Eu te daria um beijo como Mara e Rael fizeram, mas...! ― Antes de Alexia terminar de falar, Natalia tinha se agachado e beijado a menina nos lábios. Foi um beijo simples e puro, sem envolvimento de língua, e durou alguns pequenos segundos. Natalia sorriu para a soberana e Alexia sorriu de volta em aprovação. Ela não esperava que de repente Natalia fosse ter coragem de fazer aquele ato com ela.

 

― Somos amigas, qual é o problema de nos beijarmos? ― perguntou Natalia de volta, mantendo seu sorriso caloroso. Natalia tinha mudado um pouco e ficado mais corajosa depois de Mara ter feito aquilo em público e ela ter ganhado a coragem de tirar vidas. Ela sempre quis beijar Alexia, com a pequena dragão dando aquela chance, a moça não a deixou escapar.

 

O beijo nos lábios era amoroso sim, mas não tinha as mesmas intenções dos beijos com Mara. Alexia percebeu isso e não reclamou, ela gostou dos sentimentos puros que Natalia tinha por ela. Não era só pelo fato de achá-la fofa, era também pelo fato de Alexia ser aliada de Rael e já tê-la ajudado várias vezes. Os laços se formaram entre as duas, que desde o começo já havia aceitado Alexia verdadeiramente. Esses laços cresceram ao longo do tempo mesmo com as poucas visitas de Alexia.

 

― Eu não vou te perdoar se você não voltar. Não ouse me decepcionar! No futuro Rael terá muitos inimigos, e sem a sua ajuda ele poderá não sair vitorioso. Se você conseguir resistir durante o período de seis horas, você será dona de todo esse poder. Dona de um poder que poderá até mesmo superar deuses com o tempo. Então resista! Sinta o que tiver de sentir, mas pense em Rael e em todos nós que estaremos te esperando. Eu não consigo imaginar que a outra Violeta vai conseguir te proteger durante todo esse tempo, sempre existem imprevistos e você precisará ser forte ― disse Alexia cuidadosamente.

 

― Eu sei. Eu vou resistir, não importa o que aconteça ― disse a jovem com uma expressão séria e focada.

 

― A dor é passageira, mantenha isso em mente. Qualquer coisa que ele fizer ao seu corpo espiritual, não estará acontecendo de verdade. Você só precisa ser forte e resistir a tortura dele ― disse Alexia mais uma vez.

 

― Eu me lembrarei de cada palavra ― disse Natalia de volta.

 

― Certo, eu vou começar... ― disse Alexia e flutuou para perto das estátuas: ― Deite-se no altar. ― com a ordem de Alexia, Natalia obedientemente se deitou na frente das estátuas ficando de peito para cima no altar: ― Pode fechar os olhos... ― disse Alexia.

 

Esse altar era um pouco maior do que seria uma cama de solteiro e tinha um grosso pano vermelho que o cobria, assemelhando-se a uma manta. Natalia ficou ali deitada com as mãos juntas próximas ao ventre e fechou os olhos.

 

As estátuas energizadas por Alexia de repente começaram a estremecer. Suas mãos apontadas lançaram energias para o corpo de Natalia. Alexia começou a entoar um cântico em outra língua enquanto as estátuas continuavam a mandar energia para o corpo de Natalia. Alexia estava flutuando agora por trás das estátuas sem retirar os olhos de Natalia e continuava entoando o cântico. Ocasionalmente ela passaria seu poder para as estátuas continuarem o trabalho.

 

O cântico durou poucos segundos e, quando acabou, o corpo de Natalia se tremia. A jovem tentava manter os olhos fechados ainda, mas a sua expressão começou a se contorcer. Seu belo rosto pareceu estar impregnado por um espirito de morte, esse espirito era obscuro, no formato de um esqueleto macabro. Ele rugia querendo sair do corpo de Natalia. Seu rosto espiritual horripilante aparecia no rosto da moça, que continuava de olhos fechados. Ele parecia rugir invisivelmente e continuava a forçar sua aparição cada vez mais, como se estivesse em uma batalha sinistra em querer ou não se separar do corpo da bela jovem.

 

― Venha, seu desgraçado! Apareça de uma vez! ― Rugiu Alexia sem medo, flutuando por cima de Natalia. A expressão de Alexia era fria e cheia de ódio. A soberana estava irritada porque não iria poder fazer muito por Natalia. Ela não podia prever o resultado que teriam no final.

 

― AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! ― Natalia gritou, não aguentando mais tamanha pressão. Seu rosto normal se contorceu e seus olhos finalmente se abriram. Havia uma imensidão como um abismo sem fim em seu olhar. Os olhos de Natalia ficaram completamente escuros e carregados de poder da morte, que se espalhava por todo o seu rosto. Agora ela não parecia nem um pouco angelical como costumava ser.

 

― EU VOU TE MATAR, SUA FEDELHA METIDA! ― O espectro, usando a voz de Natalia, gritou e quis voar para frente, abrindo os braços de Natalia. O corpo de Natalia agora estava completamente dominado por ele. Era possível ver uma formação espiritual poderosa cercando o corpo de Natalia.

 

Essa dominação era temporária. O Espectro ainda precisaria fazer o espirito de Natalia desistir de sua existência para ter controle total do corpo da jovem, e não seria assim tão fácil. No estado em que estava, ele só poderia dominá-la por seis horas, que seria o tempo da Contenda.

 

― Venha, se for capaz! ― Disse Alexia e, com a palma da mão estendida, lançou uma onda invisível que empurrou o corpo de Natalia de volta contra o altar. O Espectro permaneceu rangendo os dentes sem conseguir se mover, ele tentava se soltar da habilidade invisível de Alexia, que continuava a enviar ondas de gravidade mantendo o corpo de Natalia preso contra o altar.

 

― ‘Quanto mais tempo eu aguentar, mas tempo estarei dando a Violeta do outro lado!’ ― Pensou Alexia e continuou investindo contra Natalia. Mas ela não a machucou, ela só usou poder suficiente para mantê-la presa.

 

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Do lado do templo, todos estavam em silêncio. Eles tinham ouvido rugido de Natalia, mas não podiam fazer nada. As guardiãs estavam próximas de Rael, mas quem estava do lado dele agora em silêncio era Mara. Ela tentava manter uma expressão forte, porém estava muito preocupada. Ela se abraçava firme em um dos braços de Rael em silêncio. Esse, por sua vez, também não dizia uma palavra. Não havia muito o que ele poderia fazer, apenas esperar e torcer para que tudo dê certo.

 

A maioria das atenções estava em Violeta com aura da morte. Essa parecia está esperando o momento de agir. Quando o Espectro assumisse Natalia, a batalha começaria e essa Violeta, teria que arrastar o espirito de Natalia para longe, o mais longe possível do Espectro, até que as horas passem e ele falhasse em dominar Natalia.

 

― SOBERANA MALDITA! EU VOU TE DESTRUIR LENTA E DOLOROSAMENTE! ― a voz de Natalia gritava rouca de dentro do templo, qualquer um podia dizer só em ouvir isso que já não era mais Natalia que estava no controle do corpo, e isso deixava todos preocupados. Nem mesmo as guardiãs de Rael desejavam que Natalia sofresse qualquer mal.

 

Natalia de repente voou para fora do templo, como se fosse empurrada por um gentil vento. Ela sentiu estranha como se estivesse atravessado uma fina teia de aranha e olhou em volta. Lá estava Rael, com Mara aninhada ao seu braço. Perto de Rael estavam Isabela e Keylla em silêncio. Mais para o lado, as duas Violetas, mas somente uma estava a observando, que era a que possuía a aura da morte.

 

― Pessoal... Eu consegui? ― perguntou Natalia de repente, mas ninguém se mexeu. Parecia que eles não conseguiam ouvi-la nem vê-la. Isso a deixou desnorteada.

 

― Ela já está aqui. Eu vou fazer a minha parte e levá-la para longe. O Espectro não irá demorar a persegui-la ― de repente, Violeta com aura da morte tinha se movido.

 

― Onde ela está?! ― perguntou Rael apressado, olhando em volta, mas sem ver nada. Não foi somente ele, todos fizeram a mesma coisa e notaram que Violeta com aura da morte olhava para um lugar vazio. Ali estava Natalia, mas somente ela poderia enxergá-la.

 

― Eu não posso mais demorar. Tenho que ir pra forma espiritual e levá-la daqui. Adeus. ― Antes que os outros fizessem qualquer outra pergunta, Violeta com aura da morte também desapareceu. Todos só podiam olhar em volta preocupados.

 

― Está começando... Alice, abra os portais e se espalhem. Os ataques começarão muito em breve ― disse Alexia na cabeça de todos. Ela falava de dentro do templo e todos ali presentes podiam ouvir.

 

Alice obedeceu. Abriu um portal para Emilia, que entrou sem demoras. Depois, o fechou e abriu um outro portal para Violeta entrar. Em seguida fez o último portal para ela e desapareceu sem seguida. Rael ficou impressionado que a jovem não debateu nem questionou as ordens de Alexia.

 

As violadoras tomaram postos espalhados pelo continente. Violeta e Emilia se transformaram imediatamente, enquanto Alice permanecia em sua forma humana, comum e bela. Elas tinham como promessa que dessa vez seriam protegidas de suas fraquezas por Alexia, então não estavam agindo com medo. Mesmo Alice teve que acreditar nessas palavras. Desde que Rael estava sendo tão gentil com ela, ela tinha começado a se sentir estranha. Ela mesma não se entendia as vezes o que estava sentindo.

 

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No Mundo Morto, Natalia fora pega pelos braços por Violeta:

 

― Eles não podem nos ouvir, nem nos ver. Temos que sair daqui porque ele já deve estar vindo atrás de você ― Violeta a carregou nos braços como um homem transportaria sua esposa para levá-la a cama. Depois partiu com velocidade, subindo aos céus e partido sem destino.

 

Natalia aos poucos foi caindo na real. Esse mundo parecia em muito com o normal, mas havia rachaduras gigantes espalhadas por todo o canto. Energias coloridas espalhadas e principalmente energias escuras. Essas energias formavam nevoeiros assustadores e incomuns. As vezes, rostos gigantes com energia de morte surgia. Sem mencionar os gemidos e gritos de sofrimento e aflição espalhados no ar. Até o cheiro desse lado era um cheiro ruim e repugnante. Cheiro da morte.

 

― Eu estou respirando, também posso sentir você me tocando, eu sinto até mesmo um pouco de frio, assim como o vento batendo em minha pele... Pareço tão viva... ― disse Natalia, depois de uma breve análise de si mesma. Violeta, ouvindo isso, abriu um sorriso conformada.

 

― As sensações humanas ainda são as mesmas, criança. Estamos em uma forma espiritual, mas tudo aqui funciona do mesmo jeito, como se estivéssemos vivas. Aqui, se algo ocorrer ao nosso corpo, não morreremos. Sentiremos dores infernais que seriam capazes de dilacerar nossas mentes, mas permaneceremos vivas. Ninguém nesse mundo tem qualquer opção para deixar de existir, a não ser que vire alimento do Espectro. Você, por outro lado, tem aquela opção de desistir e acabar com isso imediatamente, mas é claro que não irá fazer isso, certo? ― Violeta parecia querer lembrar a jovem de sua batalha.

 

― Sim, eu me lembro. Não vou desistir. ― disse Natalia de volta.

 

― Exato, você não vai. Minha existência vai depender da sua. Caso você morra, eu não tenho mais qualquer chance de conseguir um bom acordo com eles ― disse Violeta, parecendo um pouco triste.

 

Violeta continuava levando Natalia voando em uma velocidade exorbitante enquanto cruzava os céus do Mundo Morto. Natalia só podia se segurar na mulher e torcer para que elas conseguissem continuar fugindo.

 

― No outro mundo eu conheci uma versão sua, mas ela já não possuía emoções. Nesse outro mundo também não tínhamos Rael ― disse Violeta se lembrando.

 

― Você está falando do mundo paralelo? Rael nunca me disse muitos detalhes sobre esse mundo.

 

― Eu era a líder do mal na época, e queria destruir o mundo de vocês junto com a sua sósia do outro mundo e mais alguns outros que se transformaram. Não é um tempo do qual eu me admiro pois estava sendo controlada. Minha condição era paralelamente semelhante ao que o Espectro vai tentar fazer com você agora ― disse ela.

 

Natalia ficou em silêncio após receber essas informações. Ela não sabia, mas Violeta estava dizendo aquilo para ela manter o foco constantemente.

 

Um pouco longe delas, um esqueleto surgiu se formando no meio do ar. Ele usava uma coroa escura, capa vermelha e trajes escuros e rasgados, mostrando várias partes de seu corpo sem nenhum tipo de vida. A profundeza azul de seus olhos encararam o horizonte ao longe como se ele pudesse ver Violeta carregando Natalia bem distante. Seus olhos brilharam em ódio e ele fez surgir um cetro em forma de cruz surgir do além em sua mão direita. Ele apontou para os céus e uma horripilante aura escura se espalhou, subindo aos céus como se fossem poeiras de fumaça. Nessa névoa mortal, haviam vários rostos fantasmagóricos gritando e fazendo expressões contorcidas enquanto subiam aos céus. Essa energia se espalhou pelo ar e foi puxada pelos espíritos que ainda estavam se recuperando. Imediatamente todos se recuperaram e pareciam prontos para voltarem ao mundo dos vivos.

 

 

― AAAAAAAAAAAAAAAAAH! ― furioso, o Espectro Sombrio deu um grito explosivo. Depois se envolveu misteriosamente na própria capa vermelha, que aumentou repentinamente de tamanho, e desapareceu sem deixar vestígios.




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