O Herdeiro do Mundo

311 - Amor em Público

Capítulo em áudio-->https://www.youtube.com/watch?v=p65DKaKADUU

 

Quando Rael saiu de dentro da barreira, chamou a atenção de todos os presentes. As duas Violetas, Alexia e Natalia do outro lado. Próximo a Mara na porta da residência de Ana agora tinha outras pessoas curiosas, assim como Isabela e Keylla, que há tempos já estavam em companhia da moça.

 

O que podia-se ver é que, de repente, em meio a um terreno completamente destruído, surgiu uma espécie de templo. Por fora, esse templo era muito bonito. Tinha paredes brancas com pilares grossos e polidos cercando o local. Qualquer um podia ver que era algo relacionado a um ritual religioso. Natalia era uma das pessoas que estavam olhando, mas não sentiu nada de estranho. Ao que Alexia lhe dissera, tudo começaria quando ela entrasse no local.

 

Natalia estava um pouco receosa de ter descoberto a verdade, ainda mais porque ela poderia deixar de existir e ficar sem Rael, Mara e todos os demais. Mesmo assim, a moça procurou pensar que seria forte o bastante e que aguentaria qualquer coisa que ocorresse a ela naquele lugar.

 

Alexia foi conversar com Rael, deixando Natalia voltar para Mara por enquanto. Alexia explicou a Rael que, quando tudo começasse, o Espectro daria liberdade total para os espíritos capturados e também para os não-capturados. Quando ele os libertar, os espíritos iriam atacar todas as partes do mundo, tentando destruir tudo onde houvesse vida para acelerar ainda mais seu fortalecimento. Essa seria a maneira dele tentar superar Violeta com aura da morte e capturar Natalia.

 

― E por que ele não faz isso agora? ― perguntou Rael curioso.

 

― Ele precisa de muita energia para fazer esse movimento. Do total de energia que ele conseguiria no ritmo que ele segue normalmente seria certamente 100%, e se ele fizer isso agora, poderá ter no final cerca de 75% de poder. Essa perda é muito grande, por isso é melhor manter o ritmo normal.

 

― Essa coisa toda é inacreditável. E tudo isso está sendo arquitetado por um deus... ― Rael pensou, um pouco desanimado. Isso era parecido com o que Cristalandio tentava fazer.

 

― Se você estivesse no seu auge, era muito provável que já teria parado tudo isso. Mesmo que sejam perdas de planetas pequenos, ainda é uma perda. Cada planeta destruído e transformado em um Espectro Sombrio é quase assimilado ao poder de um deus mais fraco. Esse deus que está por trás de tudo isso, ele realmente deve estar planejando algo muito grande. Talvez ele queira tomar o seu lugar no universo, se tornando o ser mais poderoso.

 

― Tomar o meu lugar? Isso seria possível?

 

― Dentro das leis do mundo ele nunca teria o seu poder, a não ser que encontre uma forma de roubá-lo. O máximo que ele pode fazer é se tornar um tipo de divindade acima de todos e comandar todos os demais deuses, se consolidando no topo da existência. É o mesmo que um governante quando está em seu trono e tem um império ao seu dispor.

 

― E qual é a vantagem disso?

 

― Recursos ilimitados, Rael. É simplesmente ter o que quiser e qualquer tipo de tesouro dos outros. Para os homens, com uma simples ordem, mesmo as mais belas e poderosas mulheres iriam cair de joelhos em obediência. Existem muitas deusas também, Rael, e algumas são até mais belas do que uma violadora, mesmo se você duvidar muito que possa ser possível. Eu mesma, quando evoluir para a minha forma adulta serei incrivelmente linda, quando você ver irá me aprovar! ― disse a soberana, com os olhos brilhando. Rael só podia dar um sorriso amargo quando Alexia começava esse tipo de assunto pelo desconforto dela ter o corpo de criança: ― Continuando, alguém com esse tipo de poder é um deus supremo no universo. Ele pode até mesmo desrespeitar as leis da Mesa Universal.

 

― Mesa Universal? ― perguntou Rael curioso. Alexia suspirou levemente e continuou:

 

― A Mesa Universal é controlada pelos dez seres mais poderosos que existem. Alguns deles são deuses, outros, seres místicos.

 

― Seres místicos? Eu não entendi.

 

― Seres Místicos nascem da fé das pessoas, eles se tornam reais e adquirem forma humana. São considerados místicos porque não foram gerados de forma natural por duas partes, ou seja, não é fruto da reprodução masculina e feminina. Seres místicos possuem um imenso poder. Alguns exemplos que você já pode ter ouvido também é de invocações místicas, a forma de criação deles é semelhante, exceto que as invocações obedecem a uma pessoa.

 

― E eles podem se reproduzir entre eles?

 

― Podem sim, uma vez se tornando reais, estes seres abrem início a um novo tipo de existência. Eles também ganham um sexo quando se tornam reais. Isso dá a eles a capacidade de se reprodução, e o fruto deles são chamados de filhos místicos. Se forem puros ou se forem com outras raças essa nomeação pode variar. ― Quando Alexia explicou essa parte, Rael ainda estava meio abobalhado com tantas novidades.

 

― Quer dizer que essa Mesa Universal é formada pelos dez seres mais poderosos de todos os mundos? Eu fazia parte dessa Mesa quando vivo?

 

― Você simplesmente os ignorava, não precisava da permissão de ninguém para fazer ou não alguma coisa. Você era o ser mais poderoso, e não havia ninguém acima de você. Sendo assim, por que você iria dar atenção a eles? Eles ainda existiam e faziam seus próprios negócios, mas não era nada que o incomodasse, e por isso você não os cobrava nada também. Depois que você morreu, eles tomaram conta de boa parte dos seus assuntos e conseguiram controlar o fluxo das coisas. Eles evitaram muitas catástrofes, foram bastante úteis de certa forma. Mas todos eles têm seus próprios objetivos, não é algo que podemos contar como apoio. E outra coisa, o controlador dos Espectros pode ou não ser alguém entre eles.

 

Ouvindo toda explicação de coisas que nem fazia ideia que existiam, Rael ficou ainda mais abismado. Esse pequeno mundo era apenas como um pequeno grão de areia nas profundezas do mar, quando se comparado a toda existência que havia no universo.

 

― Assustei você? Não tenha medo. Quando recuperar seus poderes, você não será mais fraco que nenhum deles ― disse a menina para tentar confortar Rael.

 

― Vamos focar em Natalia e nos Espectros por agora ― disse Rael, fingindo indiferença.

 

― Tem razão. O mundo inteiro sofrerá constantes ataques quando Natalia começar a enfrentar o Espectro. Mesmo matando os espíritos, eles retornarão momentos depois, não será demorado como na primeira vez. Precisaremos da ajuda de todos os seus aliados, e isso inclui todas as violadoras.

 

Rael ficou pensando sobre a fraqueza delas, mas não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. Se elas ficassem escondidas, muito mais mortes iriam acontecer.

 

― Eu acho que o único que sabia da nossa fraqueza era Nero, agora que ele não existe mais será difícil mais alguém saber ― disse Violeta normal, as duas estavam perto de Rael e Alexia. Rael ficou alguns segundos em silêncio e depois acionou o anel. Ele começou a avisar Alice que precisaria da ajuda dela e de Emilia. Dessa vez Rika não estava em condições de ajudar e ficaria cuidando de Nastácia e Rose no esconderijo.

 

― ‘Provavelmente Romeo também sabe a fraqueza delas, mas ele irá aparecer no clã’ ― pensou Rael cuidadosamente.

 

― Eu ficarei de olho nas violadoras ― disse Alexia de repente, ouvindo os pensamentos de Rael: ― Mesmo se for Alice a atingida pela fraqueza, não a deixarei morrer. Dessa vez, irei protegê-las ― disse soberana. Com as palavras de Alexia, não havia mais com que Rael se preocupar. Tudo parecia estar no mais perfeito estado.

 

Mara e Natalia estavam conversando entre si. Alexia tinha dito que esse poderia ser ou não o último encontro delas. Ela foi sincera com as duas, uma vez que as considerava suas amigas. Mara queria ajudar, mas não havia nada que pudesse ser feito, tudo iria depender da outra Violeta e de um pouco de sorte das coisas darem perfeitamente certo.

 

― Você não pode morrer. Se me deixar sozinha aqui... Eu não vou saber o que fazer sem você. Sabe que gosto de você, então não me deixe, nunca ― disse Mara com seu rosto levemente corado. O gostar dela não era somente por ser familiar, era algo que ela também dividia com Rael. Natalia sorriu sem jeito, corando muito mais que sua prima.

 

― Eu também amo você, Mara. Adoro sua presença e sua companhia em todos os sentidos ― disse Natalia de volta. Rael estava olhando de longe as duas conversando, elas de vez em quando direcionavam olhares sobre ele ou sobre os outros, mas não se incomodavam por estarem sendo vistas.

 

― Se gosta de mim e de Rael então volte, nós estaremos esperando por você. ― De repente, Mara abraçou Natalia e a beijou nos lábios, semelhante a um casal se beijando. Natalia fez o mesmo em retorno, mesmo estando completamente corada.

 

Ver aquela cena no meio do público deixou Rael piscando os olhos, desacreditado. Elas eram suas mulheres, eram primas e tinham muita intimidade na cama à três mas, o que Rael não sabia é que elas tinham a mesma intimidade quando ele está fora. O coração de Rael acelerou um pouco, ele tinha um estranho misto de ciúme e ao mesmo tempo de felicidade, um tipo completude que ele não sabia explicar. Saber que as duas tinham tal afeto uma pela outra era incrível. Elas não estavam fingindo, qualquer um poderia dizer isso.

 

Na cama, Rael adorava quando as duas trocavam beijos de língua, depois ele beijaria cada uma delas com os hálitos misturados e podia sentir uma na outra em quase apenas um beijo. Essa sensação satisfazia em muito o coração de Rael.

 

O beijo foi assistido pelas duas Violetas e suas expressões estupefatas. As duas ficaram chocadas. Mesmo que Violeta normal soubesse muito sobre a vida de Rael, o rapaz não dividia todas as suas experiências, e no geral não falava de seus casos sexuais. Somente Rika e Alexia saberiam por ler a sua mente, mas não tinham intenções de dizer a ninguém e, portanto, até o momento ninguém de fato tinha certeza sobre isso.

 

Atrás das meninas, Ana sorriu sem jeito, se lembrando dos segredos que Rael dividira com ela. Ela se sentiu estranhamente familiarizada vendo aquela cena, não pelo fato de ter costume com as duas, mas talvez por esperar e ver aquilo ocorrer diante de seus olhos.

 

Alexia, por outro lado, mantinha um sorriso meigo e olhos quentes, ela sabia bem como as duas se sentiam uma para com a outra, e isso a deixava com inveja. Se ela tivesse um corpo desenvolvido como o delas, seria outra que faria o mesmo. Ela não teve dúvidas. A soberana sentiu que se fosse com as duas, ela poderia brincar também e, quem sabe, à quatro? Mara e Natalia tinham muita aceitação por Alexia, não seria nem um pouco difícil elas se entenderem entre si. Alexia lançou um olhar quente na direção de Rael, mas esse não correspondeu porque continuava a olhar suas duas esposas com certa surpresa.

 

Próximo as duas primas, estavam Isabela e Keylla. Por alguma razão, ver aquela cena fizeram as duas se entreolharem. Era estranho, mas elas quase poderiam dizer que estavam perdendo alguma coisa ali. Se Mara e Natalia eram esposas de Rael e amantes uma da outra, porque Isabela e Keylla não poderiam ser? Keylla virou o rosto completamente vermelha e trêmula, ela entendeu os pensamentos de Isabela. Se fosse a outra personalidade, era bastante provável que as duas também teriam se beijado. Isabela só pôde suspirar e pensar sobre isso. De repente, ela percebeu que em suas memórias, ela e Keylla de fato trocaram carícias. Elas se divertiam também entre si. Mas, até o momento, nesse mundo só dividiam a mesma cama.

 

As outras pessoas não entendiam bem a relação de Natalia e Mara, portanto só poderiam olhar e ficar em silêncio, sem saber o que pensar de fato. Relações assim entre duas mulheres não era tão estranho em todo o continente, mas não era comum ser presenciada tão pura e simplesmente em algum local público.

 

Depois que as duas se despediram, foi a hora de Natalia se aproximar de Rael. Ela ainda estava corada pelo recente beijo com Mara em público.

 

― Oi... ― disse ela sem jeito, quando chegou perto de Rael. Rael agora sabia que ela estava a par de toda a verdade.

 

― Eu sinto muito por não ter dito nada antes ― disse Rael, sendo franco com a jovem esposa.

 

― Eu sei, foi para a minha própria segurança ― disse ela com um doce sorriso.

 

― Sim, foi ― disse Rael com sorriso caloroso. Mas ele estava com medo. As duas opções que tinha de escolher para ajudar Natalia eram absolutamente difíceis. Uma delas era lacrá-la por mil anos, e a outra era enfrentar o Espectro, que poderia destruí-la.

 

― Seja forte, Natalia. Se algo der errado, seja forte! Pense em todos que você ama. Isso deu certo comigo uma vez, vai dar contigo também ― disse Rael, se lembrando de quando perdeu a consciência. Nessa época, ele salvou todos matando a devoradora Violeta com o seu poder despertado.

 

Natalia não disse mais nada, balançou a cabeça e abraçou Rael. Rael a abraçou de volta carinhosamente. Depois, foram se soltando devagar e a moça mesmo tomou iniciativa de um beijo. Rael sentiu o hálito dela perfumado com o gosto misto da boca de Mara ainda eu seus lábios. Eles se beijaram por cerca de um minuto sem se preocupar com ninguém, semelhante ao beijo com Mara antes. Depois disso eles se soltaram lentamente e relutantes.

 

― Não se preocupe, eu vou conseguir. Mesmo que os planos não deem certo, eu vou sobreviver. Alexia disse que, quando eu conseguir, serei possuidora de um imenso poder e, assim, serei de grande ajuda em sua jornada. Você já fez tanto por mim e eu quase nada por você, Rael, talvez assim eu possa ser útil ― disse Natalia deixando Rael surpreso.

 

― Você nunca deixou de ser especial pra mim, e você sempre fez muito, mesmo quando ninguém fazia. Eu jamais esquecerei do tempo que passei com você. Mas eles não serão os últimos. Quando você voltar, iremos rir disso, juntos ― disse Rael sorrindo. Ela sorriu de volta.

 

Rael fez todos os avisos precisos antes de iniciarem. Explicou para Neide e Rayger a situação e assim conseguiram levar o imperador Elidas para a sua residência, dessa vez ele aceitou ir para ficar próximo de suas filhas. Ralf permaneceria na cidade para ajudá-los na defesa, assim eles teriam basicamente 3 reinos finais para proteger o clã.

 

Todas as três violadoras se reuniram próximo ao templo criado para a Contenda. Alice odiava Alexia, mas hoje ela não parecia interessada em nenhuma discussão, ela ficou de lado olhando Rael com os olhos brilhantes e quentes. Talvez a ideia de tentar dominar Rael através do sexo ainda não tivesse sido completamente extinta de sua mente. Se sentindo pressionado e sem saber qual seria a razão, Rael educadamente foi falar com a jovem violadora:

 

― Fico feliz que tenha vindo ajudar, sua presença é muito importante ― Rael deu um sorriso caloroso para Alice e foi educado em recebê-la. Ele queria saber o que ela estava pensando, porque ela já estava a um longo tempo o observando sem dizer sequer uma palavra.

 

― Rael, você pode reviver muito mais que meus pais? Se eu precisar e querer outras pessoas vivas, você os ressuscitaria por mim? Eu posso me tornar uma pessoa muito melhor do que eu sou, e iria fazer você não se arrepender de nenhuma ajuda a mim. Estou disposta te pagar usando qualquer forma que você desejasse ― disse Alice, aproveitando o momento para dar sua cartada. Ela tinha um sorriso atraente e inspirador, era afinal uma sedutora mulher dando o seu bote. Por um instante Rael ficou desconsertado devido ao modo dela dizer aquilo e somente segundos após que a ficha caiu. Rael se controlou ao máximo para não mudar de expressão diante dela, porque cada traço de seu rosto estava sendo constantemente analisado pela mesma.

 

― Alice, seja apenas você mesma, não precisa agir diferente comigo. Você não me deve nada e nem precisa dever, somos parceiros. Quando eu recuperar o meu poder, eu ajudarei todos os meus aliados sem frescura ou exceção. Se precisar que eu reviva 2 pessoas eu o farei, se forem 1000 pessoas e eu tiver capacidade, também será feito. Você não precisa ficar se preocupando em me dar nada em troca, apenas me ajude como vai fazer hoje e será ótimo. Eu despertei você, eu prometi que cuidaria de você e te libertaria, e assim eu cumprirei. Combinado? ― perguntou Rael, estendendo a mão direita para frente com um sorriso simples.

 

Vendo aquela mão estendida amistosamente, Alice hesitou por alguns instantes, depois sorriu e a apertou de volta. Dessa vez ela deu um sorriso sincero e retirou algumas ideias idiotas que ainda estavam rondando sua mente.

 

― Combinado! ― a voz de Alice soou com mais ânimo.

 

― ‘Ele é tão simples e nunca me olha com desejos... Nunca pensei que encontraria um homem que não me queira apenas como um buraco para enfiar aquela coisa... E ele até que é uma pessoa legal’ ― enquanto pensava, o rosto de Alice corou um pouquinho. Mas isso não foi percebido por Rael, que já estava voltando para os outros.

 

As ações de Alice eram assistidas por Alexia com o canto de olho. Alice não era bem vista pela pequena Soberana, mas essa também não disse nada. Uma vez que a violadora não a provocara, ela ficou em seu canto deixando que Rael fizesse a diplomacia, que pelo visto estava funcionando muito bem.

 

― ‘Quer dizer que Rael está conseguindo domar essa pequena fera também?’ ― A Soberana pensou. O rosto corado de Alice não escapou de seus olhos atentos. Mas ela foi a única que percebeu o amolecimento de Alice.

 

 

Depois de alguns instantes, Alexia marcou os corpos das três violadoras com o seu poder. Se algo as enfraquecesse, Alexia faria algo imediatamente. Alice mais uma vez não ofendeu Alexia, nem vice-versa. Rael só podia ver elas interagirem e se sentir aliviado por nada dar errado. Agora tudo estava preparado para começar a Contenda.




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