O Herdeiro do Mundo

308 - Inimigos Devem Ser Mortos

Capítulo em áudio--> https://www.youtube.com/watch?v=xICAPGTt_sg

 

Com o arco cristalizado em mãos, Natalia atirava flechas de chamas vivas nos pontos vitais de seus alvos. Cada disparo levaria um morto de volta para o Mundo Morto. Enquanto se aproximava de Rael ela continuava a atirar, e dessa vez não tinha nenhum senso de gentileza. Tudo indicava que, ao matar Romeo, a mente de Natalia havia se aberto completamente.

 

Mara vinha por trás de Rael e cortava os inimigos em seu caminho, usando sua armadura e espada mágica. Ninguém ficava por muito tempo no caminho de nenhuma das esposas de Rael. Mas lá estava ele, parado no ar com uma expressão de completo choque.

 

Quando Rael deixou Janete, a moça estava carregando a semente de um filho seu, isso não era um erro. Isso deixou Rael sem palavras. Isabela e Keylla não podiam saber sobre isso, mas ele sabia que futuramente teria um filho com ela.

 

― Rael, o que há com você? ― perguntou Natalia, que foi a primeira a chegar. Ela podia ver a expressão de Rael ainda chocado. Mara estava a caminho, se aproximando em velocidade. Enquanto esperava a resposta, Natalia soltou mais algumas flechas que mataram outros inimigos, transformando mais deles em fumaça que sumiam no ar.

 

― Eu... ― Rael focou seus sentimentos e se controlou: ― Eu preciso ir ao clã Nova Esperança! ― disse Rael depois de se decidir.

 

Mara foi a última a chegar e, ao que parecia, os cultivadores com aura da morte haviam reduzido drasticamente. Com a ajuda de Natalia e Ralf, os inimigos morreram ainda mais rápido.

 

― Rael, aconteceu alguma coisa? ― perguntou Mara ansiosa, vendo Rael se virar pra ela.

 

― Vocês duas, venham comigo. ― Com um aceno de mão, um portal roxo se abriu e as meninas entraram, Rael foi o último a atravessar. Eles chegaram instantaneamente ao clã Nova Esperança. O território do clã estava completamente destroçado, semelhante a como estava o território Torres. Havia muitos corpos espalhados pela cidade em ruínas, agora completamente deserta. Só havia destruição, marcas de sangue e corpos por onde quer que olhasse. Havia um silêncio fúnebre no local, deixando tudo ainda mais sombrio.

 

Isabela e Keylla, vendo Rael surgir com as meninas em frente a residência da matriarca Ana, correram para recebê-lo com olhares ansiosos. Rael tinha encerrado o chamado de repente e já apareceu logo em seguida. Elas não imaginavam que duas pessoas muito importante para Rael tinham sido mortas nessa invasão.

 

Ana já estava bem e não corria qualquer risco de morte, o tratamento de Laís e Keylla foram muito efetivos. Por outro lado, no outro canto da sala de entrada da residência, seis corpos de seus discípulos estavam alinhados no chão. Tudo tinha acabado de ocorrer, então não houve tempo para qualquer tipo de preparo.

 

Rael não disse uma só palavra, ele passou pelas guardiãs e se dirigiu silenciosamente para os corpos. Com o rosto repleto de dor e amargura, ele olhou em silêncio para cada um dos mortos, passando mais tempo com Thais e, por último, em Janete.

 

― ‘Em que adianta ter todo o poder do mundo, se não posso nem mesmo trazer essas pessoas de volta?’ ― pensou Rael e apertou ambas as mãos enquanto elas tremiam. Rael apertou os dentes e lágrimas silenciosas correram por seus olhos. De todas as perdas, Janete era a mais pesada, porque ele tinha acabado de aceitá-la, mesmo que fosse para ser sua amante. Aquilo era o que a moça sempre quis e ele finalmente atendeu ao desejo dela, mas, logo em seguida, ela perde a vida miseravelmente.

 

Rael fechou os olhos e ficou assim por alguns segundos, pensando em tudo o que tinha preparado, em tudo que achou que havia feito certo, mas ainda assim errou, e como errou. Se não fosse pela traição de quem ele poupara e de todo o resto, talvez eles tivessem saído com vida. Ao que Isabela descrevera, um número grande de cultivadores haviam traído o clã no exato momento que mais precisavam dos mesmos.

 

― ‘Inimigos devem ser mortos. Jamais deverão ser poupados!’ ― Rael pensou enquanto seus braços e punho estremeciam mais. Todos que viram Rael daquele jeito, não tiveram palavras pra confortá-lo, até mesmo eles precisavam de alguma consolação.

 

Os pais de Janete e os quatro irmãos que sobreviveram, estavam todos chorando inconsoláveis, eles estavam próximos aos corpos no chão e iam de um lado a outro para abraçar seus entes falecidos. Ao lado de Thais estava Laís e seus pais, também chorando, os três estavam debruçados sobre o corpo de Thais.

 

Rael olhou novamente para Thais e se lembrou de suas palavras. Ela foi uma das que ficou surpresa com Rael ter tentado manter o clã como era.

 

― ‘Ingênuo! Completamente ingênuo!’ ― Rael pensou consigo mesmo enquanto fechava os olhos, decidindo o que faria. Por um momento, só podiam ouvir o choro dos que perderam os entes queridos.

 

Rael continuou ali parado, apertando os pulsos e tremendo em aflição. Mara e Natalia não puderam fazer nada para confortá-lo. Elas reconheceram Janete, e como não iriam reconhecer? Essa linda mulher era supostamente uma amante de Rael, mas Mara nunca teve  certeza, nem mesmo Natalia tinha como saber.

 

As guardiãs também ficaram em silêncio. As duas beldades sabiam menos sobre os discípulos de Rael do que Mara e Natalia, dessa forma não podiam dizer nada para aliviar todo aquele pesar.

 

Como Keylla estava em sua personalidade fraca, ficou ainda mais quieta, e Mara lançava olhares interrogativos para tentar entendê-la. Keylla notava os olhares e imediatamente ficava corada ansiosa. Mara ainda não sabia sobre ela ter duas personalidades e se mantinha em confusão.

 

― Rael, eu sinto muito. Eu não fazia ideia de que tudo isso fosse ocorrer... Eu realmente sinto muito! ― disse Ana se desculpando e baixando a cabeça em respeito a Rael: ― Eu deveria ter previsto e evitado essa traição. Achei que estava sendo uma boa líder, uma boa matriarca... Mas falhei com você por achar que eles seriam gratos por serem poupados! Me perdoe! ― Ana continuou na mesma posição de respeito com a cabeça baixa, mesmo com Rael parado em silêncio.

 

Rael poderia pensar em culpar Ana por todas as baixas, mas ele só estaria repetindo o mesmo erro de quando quis culpar apenas Violeta por ter perdido Rita.

 

― Não foi culpa sua, você não tem que se desculpar. A decisão de perdoar e deixá-los vivos foi minha também. Bem, infelizmente isso aconteceu, e agora não importa mais... ― disse Rael. Para completar, nenhum dos homens em quem Ana confiava haviam sobrevivido, todos eles morreram por não conseguir entrar na barreira de sua residência.

 

Ana deu um passo para trás e se manteve em silêncio, mantendo a cabeça baixa. Agora, o que restava a fazer era se prepararem para o funeral.

 

Rael se acalmou, como se tivesse tomado sua decisão, e suas mãos e braços pararam de tremer enquanto uma aura dourada era liberada de seu corpo. Ele lentamente ergueu os braços e abriu os olhos, que agora estavam brancos e imponentes. Seus símbolos se espalharam pelo ar, cercando seu corpo junto a aura dourada, tão bela que parecia ouro puro.

 

― Posso não ter o poder de trazer ninguém de volta a vida ainda, mas saibam que eu farei isso no futuro ― a voz de Rael soava majestosa e cheia de poder. Ele levantou uma das mãos apontando para os corpos mortos. Todos os corpos sem exceção foram cobertos por uma camada brilhante de energia amarela, essa energia se espalhou sobre eles limpando todo o corpo e curando todas as feridas, seja interna ou externa. Em seguida, essa energia formou um tipo de câmara, como se todos estivessem sendo colocados em pequenas redomas de vidro. Seus corpos foram estendidos no ar e seguiram flutuando para a parede lateral, os familiares tiveram de soltar todos seus entes, assim como Laís soltou Thais.

 

Todos os corpos foram um a um posicionados na parede de forma a ficarem em posição de pé, protegidos e cobertos pela redoma de vidro criada por Rael. Com essa espécie de cápsula, os corpos não iriam apodrecer nem sair de seu estado natural, seria como se estivessem sido congelados no tempo.

 

― Eles ficarão aqui até que eu possa ter o poder de revivê-los. ― disse Rael, ainda com sua voz majestosa e firme. Seu corpo continuava irradiando uma poderosa aura dourada, que aos poucos foi se acalmando. Os olhos de Rael voltaram ao normal e os símbolos, por fim, desapareceram. Essa foi a primeira vez que ele usou seu poder deliberadamente na frente de tantos olhos. Mas todos ali eram pessoas de extrema confiança. A família Reis avançou e cercaram o vidro que protegia o corpo de Thais. Dentro do vidro, Thais estava com uma expressão natural, sem dor, sem sofrimento, sem nada. Assim como todos os outros corpos que pareciam apenas dormirem enquanto estavam em conservação.

 

A família Alencar tinha uma grande fé em Rael e portanto jamais não duvidariam que no futuro aquele jovem poderia ressuscitar a todos. Seus corações ficaram muito mais aliviados ao ouvirem aquela sentença. A família Reis também acreditou em Rael, principalmente Laís, que agora exercia ainda mais fé no seu mestre. O tempo de dúvidas que antes possuía já havia passado.

 

― Não haverá enterro hoje para os nossos, e nem haverá amanhã. Eles estão apenas descansando por um tempo. ― disse Rael e se virou diante de todos: ― Não será fácil para ninguém que me seguir, mas os que persistirem, eventualmente encontrarão a glória! E aqueles que infelizmente caírem no caminho, serão levantados novamente! ― Sem exceção, todos os discípulos restantes reverenciaram Rael com extremo respeito. Rael era o salvador para a maioria deles, não havia erro em confiar naquele ser.

 

As esposas de Rael e as guardiãs ficaram todas em silêncio olhando essa cena. Agora as esposas estavam sem suas armaduras mágicas. Os olhos de Natalia tremulavam entre o brilho natural e um leve brilho escuro, mas ninguém parecia notar e, para Natalia, também parecia estar tudo em ordem.

 

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Nero sentiu que as duas violadoras não se moviam mais. Elas estavam fugindo até então e repentinamente pararam. Ele estava prestes a desistir de sua perseguição, mas continuou por mais um pouco até alcançá-las e descobrir o que as fizeram parar.

 

― Será que alguém usou a fraqueza delas? ― o falecido imperador pensou, se dirigindo com bastante velocidade ao local. De qualquer modo, ele não estava muito longe das duas. Ele mantinha a erva Alada Brilhante em mãos e no momento que entrasse em contato com elas, elas iriam cair exaustas.

 

Mais na frente, a mais de uma centena de quilômetros de Nero, estava Violeta e Emilia paradas. Ambas estavam em suas formas normais e vestidas.

 

― Você tem certeza que isso vai dar certo? ― perguntou Violeta, olhando Emilia do lado.

 

― Não confia em meu poder? Não se esqueça que eu sou uma verdadeira bruxa entre as violadoras ― disse Emilia, esbanjando o seu sorriso ousado. Violeta apenas manteve seu poder vibrando em seu corpo e pronta para partir caso a ideia de Emilia falhasse, na verdade as duas estavam fazendo a mesma coisa. Depois de caírem uma vez nas mãos de Nero, elas não queriam repetir o mesmo erro.

 

Nero avançava, chegando a cada momento mais próximo delas. Enquanto se aproximava, ele pensava em Rika e em como foi morto. Nero sabia que aquele seu estado físico era passageiro, e uma hora ele voltaria ao Mundo Morto, cedo ou tarde.

 

― ‘Mas, enquanto eu estiver nesse estado, eu devo levar todos comigo! E, se eu encontrar minha filha Nastácia, eu a terei comigo custe o que custar, mesmo se for nesse Mundo Morto!’ ― pensava Nero enquanto avançava.

 

Ele seguiu voando, certo de que chegaria até as violadoras e iria enfraquecê-las para depois matá-las. Mas, quase sem perceber, ele sentiu passar em algum tipo de camada invisível durante o avanço. Foi de repente, e ele sentiu como se tivesse cruzado com uma fina membrana, que bateu contra todo o seu corpo. No instante seguinte, o céu em volta de encheu de uma aura azul, que correu o cercando.

 

― Uma armadilha...! ― Quando Nero havia descoberto já era tarde demais. Seu corpo inteiro foi atingido por feixes de energia congelante. Suas pernas congelaram, depois seus braços, tronco, pescoço e cabeça. Nero se sentiu sufocado dentro de todo aquele gelo e todo seu poder havia falhado. O céu por onde ele voava o atacou sozinho, sendo ativado por uma armadilha deixada por Emilia.

 

Nero despencou no ar. Ele não tinha mais controle de seu poder, parecia ter sido completamente bloqueado. O antigo imperador do continente Norte ainda chegou a tentar correr sua energia pelo corpo, mas foi completamente inútil, nada parava a sua queda. Ele continuou a cair, ganhando ainda mais velocidade pelo ar.

 

Toda a cena era assistida por Violeta e Emilia, que estavam a uma distância segura da erva. Como possuíam ótimas visões, elas foram capazes de ver a queda e morte de Nero.

 

― Não disse que funcionaria? Minha armadilha não teve erro! ― disse Emilia, sorrindo satisfatoriamente.

 

BRAAAASHS!

 

O corpo de Nero caiu e se despedaçou no chão junto a vários pedaços de gelo. Pernas voaram para um lado, braços para outros, pescoço e cabeça para um canto diferente. Tudo ainda congelado e em partes separadas. Demorou alguns segundos para as partes virarem fumaça dentro dos pedaços de gelo e desaparecerem completamente. Até mesmo a erva Alada Brilhante sumiu junto, essa também tinha sido congelada e se quebrou com a queda.

 

As violadoras se olharam mais uma vez satisfeitas e partiram pelo ar em outra direção. Elas sentiram mais algumas auras da morte próximas e queriam terminar o trabalho. Ao que parecia, todo aquele pesadelo já estava no fim.

 

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No Mundo Morto havia muitos e muitos espíritos. Gritos de desespero, choro e gemidos de sofrimento estavam espalhados pelo ar, o local mais parecia um inferno do que apenas um Mundo Morto. Eram muitos espíritos e a maioria choravam e reclamavam de seus estados miseráveis. Eles eram espíritos, mas isso não quer dizer que estavam imunes a dor. Todos os que tiveram sua segunda morte foram reenviados para o Mundo Morto no mesmo estado em que morreram. Se alguém morrera decepado, surgiria com a cabeça arrancada e rugindo de dores enquanto se via separado do corpo. Todos os espíritos mortos estavam nessa situação deplorável. Se morresse com coração ou outros órgãos virais destruídos, eles estariam com um buraco no local e gemendo de dores, sentindo a dor de perder tal órgão a todo momento sem nenhuma pausa. Não havia como morrer uma segunda vez, e por isso a dor não passava e muito menos diminuía.

 

Os espíritos com membros perdidos, tinham linhas espirituais ligadas aos membros, essa fina linha iria trazendo lentamente a parte de volta para o lugar, assim como aqueles com ferimentos nos órgãos, que aos poucos se regenerava. Era um processo deveras lento e demorado e, enquanto estivessem nesse estado, não poderiam atravessar para o mundo dos vivos e nem mesmo fugirem. Por isso, enquanto a maioria destes se recuperavam, uma caveira voava e recolhia os mais próximos muito mais facilmente. A cada nova alma engolida, mais e mais rachaduras iriam aparecendo no Mundo Morto. O Espectro Sombrio sentiu que estava quase completando sua missão, e seu poder não parava de crescer.

 

Entre os espíritos mortos e danificados, um deles era Romeo. Sua cabeça estava no chão separada do corpo e ele apertava os dentes tremendo desesperadamente. A dor era excruciante, enquanto havia um buraco queimado em seu peito, uma linha ligando seu pescoço ao restante do corpo, que estava a dez metros de distância, lentamente o puxava para novamente uni-lo. Enquanto era puxado, sua cabeça esfregava a parte cortada pelo chão, causando ainda mais agonia ao ex patriarca.

 

― ‘EU A MATAREI! AQUELA PEQUENA VADIA IMPRESTAVEL!’ ― Romeo estava urrando de raiva, mas já sabia que quando essa dor passasse, ele poderia se recuperar e atravessar novamente para o mundo dos vivos e concluir sua vingança.

 

Em outro lugar mais longe estava Nero. Esse estava sentindo dores agudas em várias partes de seu corpo destruído, mas mantinha uma expressão vaga. Ele não parecia se importar com a dor, somente pensando que, quando voltasse, iria com certeza terminar o trabalho e destruir de vez aquelas mulheres.

 

― Você me parece tão pensativo... ― disse uma voz feminina, fazendo Nero erguer o rosto para o lado e se deparar com uma mulher familiar. Quando ele a viu, seus olhos brilharam. Aquela mulher estava em pé com um sorriso atraente, o encarando de volta.

 

― Você foi pega por outro? Te mataram agora? Isso é bom... ― disse ele, sem parecer se importar com o seu próprio corpo.

 

― Agora? Não, querido, eu estou aqui a mais tempo que você. E sei bem como funciona esse mundo ― disse a voz feminina de volta.

 

― Mais tempo que eu? Isso é impossível... ― disse o homem, encarando belo sorriso daquela mulher sedutora de volta.

 

― Impossível? Então, deixe-me te mostrar uma coisinha que aprendi com o senhor Esqueleto ― disse ela e abriu a boca. Um ar invisível se formou em volta de Nero, o corpo dele inteiro começou a vibrar e a ser arrastado para a direção da boca da bela mulher.

 

― Espere... Pare! Eu não quero desaparecer! Não...! ― Por mais que Nero gritasse, os olhos brilhantes da mulher continuavam a olhá-lo com desprezo enquanto continuava o puxando. Não demorou muito para Nero se tornar um amontoado de energia e ser consumido pela bela mulher.

 

 

― Até que um reino final no ápice não é nada mau. Meu poder aumentou mais um pouco, então agora eu acho que já posso jogar as cartas ― disse ela satisfeita e saiu, caminhando tranquilamente em direção a uma das rachaduras.




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