O Herdeiro do Mundo

307 - Batalha Explodindo no Clã

Capítulo em áudio--> https://www.youtube.com/watch?v=xVrr_RkYcgE

 

Violeta e Emilia sentiram o poder de Nero se aproximar e, sabendo que os mortos poderiam conjurar itens que provavelmente estavam em posse antes de serem mortos, as violadoras em formas finais se entreolharam. Não precisava ser dito uma palavra sequer, era evidente que aquilo poderia se repetir. Quando Nero voltasse, o imperador iria atrás delas com a Alada Brilhante em posse, e por isso elas estavam atentas o tempo inteiro.

 

As duas não ficaram esperando pelo pior. As belas mulheres recuaram, ganhando uma rápida distância dele em poucas respirações, quase fazendo Nero perder o sentido sobre as duas.

 

Mesmo que Nero utilizasse um imenso poder e sua velocidade estivesse ampliada em muitas vezes, ele não conseguia acompanhar as mesmas se elas continuassem com aquele ritmo. Ele perderia as duas de alcance em poucos segundos.

 

― ‘Aquelas desgraçadas! Elas perceberam!’ ― Nero se encheu de fúria ao notar que elas estavam fugindo. Ele quase fez uma pausa, mas percebeu que as violadoras  pararam também, mesmo muito longe dele. Por causa disso ele não desistiu e continuou seguindo em velocidade máxima.

 

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Enquanto Natalia apontava a flecha de fogo para o próprio pai, seu corpo continuava a tremer, relutante com a decisão de atirar em um local vital ou não.

 

― Eu conheço você desde que nasceu, Natalia. Você sempre foi fraca, incapaz de fazer mal a qualquer pessoa. Na luta contra os meus homens, Mara os matava sem piedade, enquanto você hesitava, os deixando vivos, mesmo com eles sob ordens de te matar. Você nunca foi capaz de saber o que é ter poder, e nunca terá essa capacidade. Uma vez fraca, sempre fraca. Esse é o tipinho de filha inútil que você é. Em compensação, por outro lado, Rael é totalmente o oposto de você, ele consegue matar pessoas facilmente. Francamente, não faço ideia de como vocês se combinam. Ao meu ver, Rael combina somente com Mara. Ele deve ter escolhido você por pura pena, pois está para nascer alguém tão imprestável assim ― disse Romeo ironicamente.

 

O corpo de Natalia se tremia cada vez mais enquanto ouvia as palavras duras de seu pai. Ela mesma sabia que isso era uma fraqueza, Mara já tinha tentando avisá-la várias vezes anteriormente.

 

― ‘Eu não admito mais ser protegida, eu não posso mais ser fraca!’ ― Ela gritou em sua própria cabeça, como se tentasse desesperadamente completar a pouca coragem que tinha impondo uma força maior de força de vontade.

 

― Recue e deixe que eu cuido disso, minha sobrinha. Volte para... ― Rayger tentou persuadir Natalia e convencê-la a voltar para casa, mas ela subitamente o interrompeu em um grito:

 

― Já disse que eu vou cuidar disso! ― Natalia gritou e de repente seu corpo parou de tremer. A flecha de chamas na corda pareceu ficar ainda mais intensa, como se mais poder espiritual estivesse sendo derramado na mesma. Rayger não sabia o que fazer, se deixava isso seguir ou se intervia para proteger Natalia mas, vendo a moça sem estremecer mais, ele deu mais um tempo a mesma, ficando em silêncio e assistindo ao que iria acontecer.

 

― Você não vai me matar, e nós dois sabemos disso. E por você me deixar vivo, acabarei matando Rael, Mara, seus tios e, bem depois, você. Ah! Quase ia me esquecendo da vadia traidora da sua mãe! ― disse Romeo e olhou para uma direção, como se estivesse sentido a presença de Elisa, mas depois se virou novamente para os dois.

 

― Você nunca mais vai levantar um só dedo contra o meu marido Rael! Jamais se levantará contra a minha prima, minha mãe e nem contra meus tios! Nunca mais ouse ameaçar as pessoas que eu amo! ― Natalia rugiu de repente e disparou a flecha surpreendendo Romeo e Rayger.

 

A flecha de chamas fora atirada com extrema velocidade, rasgando o vento enquanto soltava faíscas de fogo pelo ar. Era até mesmo visível uma linha vermelha de puro fogo, traçando o caminho da flecha. Natalia, no mesmo instante, trocou de arma, fazendo o arco cristalizado desaparecer, sendo substituído por suas duas adagas, e depois avançou para frente como um outro borrão. Por um instante, os olhos de Natalia se escureceram com uma energia da morte e houve uma súbita explosão de poder, exponenciando todo o poder natural da jovem.

 

― O que...?! ― Romeo só teve tempo de abrir a boca quando de repente uma flecha atingiu seu peito exatamente no lado esquerdo, que seria o coração. O local incendiou em chamas e Romeo gritou sentindo seu coração ser ferozmente incinerado.

 

― AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

 

No instante seguinte, Natalia já estava cortando o ar em um arco enquanto passava por Romeo. A velocidade dela foi tão grande que nem mesmo Rayger conseguiu acompanhar toda a cena.

 

― Eu não sou mais aquela menina imprestável! Eu cresci! Eu sou a esposa de Rael agora! Eu não pouparei mais meus inimigos! ― Disse Natalia e o corpo de Romeo tremia nas costas dela. A moça não se virou, continuou parada no seu movimento recém terminado enquanto esperava o pai cair e perecer.

 

Romeo chegou a tentar levantar uma das mãos para a região do pescoço, mas um mar de sangue se formou no local e o sua cabeça se desprendeu, caindo para o lado oposto ao de seu corpo que também caía. Toda a cena não demorou mais do que alguns pensamentos, pois logo a cabeça e corpo começaram a virar fumaça e evaporar no ar como se nada tivesse acontecido.

 

Rayger ficou boquiaberto com a exibição de poder de Natalia, sua sobrinha de repente tinha superado o poder de um reino final. Além disso, Natalia demonstrou uma frieza que nunca teve antes e cumpriu mesmo tudo o que dissera. Naquele momento Rayger não sabia o porquê, mas teve um mal pressentimento que não sabia explicar.

 

― ‘Mara quase morreu por minha causa. Aquele ferimento que ela recebeu de Heitor... Eu jamais me perdoaria se ela tivesse morrido, eu tive que matar meu pai para proteger quem amo!’ ― Natalia suspirou ainda segurando as lâminas, enquanto se lembrava da prima que ela tanto aprendeu a amar.

 

O pai dela já havia sumido no ar e Natalia tinha uma expressão resignada escondida dentro do elmo, ela não se arrependeu de matar Romeo e fez isso em um instante. Ela sentiu que podia, sentiu que tinha um poder oculto nela explodindo em seu peito e o usou. Durante esses segundos, seus olhos se escureceram com aura da morte, mas ela estava controlando com facilidade. A única coisa estranha é que ela se sentiu mais segura, mais cheia de poder, mais forte, como se pudesse matar e destruir qualquer inimigo que ousasse atravessar seu caminho. Essa era uma força misteriosa que apoiou sua natureza gentil e amável, permitindo que ela exercesse a capacidade de matar e agir com justiça.

 

Rayger se aproximou com cautela e parou de frente a sobrinha, ficando algumas respirações em silêncio. Ele tentou analisar a aura de Natalia, mas agora parecia tudo normal. A aura da morte tinha explodido apenas por um instante e nem mesmo ele foi capaz de sentir.

 

― Querida, você está bem? ― perguntou Rayger.

 

― Eu nunca estive melhor, tio. ― disse a jovem firmemente de dentro da armadura.

 

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Quando Rael e Mara já estavam para sair, as princesas chegaram carregadas por Ralf, que pousou em frente aos dois, depois baixou as garras da frente e as colocou de frente a Rael. As duas ainda gritando correram para trás de Rael no momento que foram libertadas. Cada uma agarrou um braço de Rael e ficaram por trás dele olhando o enorme tigre dourado que tinha um olhar de desdém na direção das duas.

 

― Meu amor! Essa criatura selvagem tentou nos levar a um local qualquer para nos devorar! Não deixe que ela nos pegue! ― Disse Anita ainda tremendo, mas como agora estava por trás de Rael, ficou muito mais corajosa.

 

Alana assustada era igualmente à irmã caçula, as duas não mudavam em nada. Isso fez Mara erguer as sobrancelhas, se perguntando sobre a história de Rael apenas ter ajudado Alana era verdadeira mesmo. Não parecia, Alana estava muito a vontade com Rael naquela ocasião.

 

Ralf, por outro lado, não esquentou com as duas. Ele estava excitado com a possibilidade de combater mais uma vez. Ele havia sentido um cheiro muito familiar e em seguida viu Neide lutando. Neide, de certa forma, disputava com Ralf sobre quem matava mais inimigos e, portanto, ele não queria ficar para trás. Sem pedir permissão a Rael, ele levantou voo e partiu aos céus em velocidade.

 

― Mara, você cuida delas? Eu vou atrás de Natalia. ― disse Rael se soltando educadamente das princesas e já se virou subindo em um voo rápido, também indo para a direção da energia de sua segunda esposa.

 

Mara não teve tempo de reclamar e olhou para as duas irmãs, que ficaram com pontos de interrogação em sua face. Elas acharam estranho que Ralf não as atacou.

 

― Aquele tigre voador se chama Ralf, ele é de Rael. ― disse Mara explicando e já empurrando as princesas barreira adentro. As duas entraram de volta para casa e ficaram olhando para Mara surpresas.

 

― Eu vou repetir mais uma vez: aqui dentro vocês estarão seguras, essa barreira pode proteger vocês de qualquer coisa externa. Então, dessa vez, tentem não sair por aí sozinhas. Melhor, não saiam daqui de jeito nenhum até que tudo isso se resolva e volte ao normal. ― disse Mara.

 

― Mas o nosso pai real... ― disse Alana de repente.

 

― Esqueceram do bendito anel de comunicação? Vocês ao menos tentaram falar com ele? ― perguntou Mara de repente e as duas ficaram ali, estagnadas e atrapalhadas.

 

Demorou apenas alguns segundos para Elidas respondê-las e dizer que estava bem. Ele continuava cercado por seus vários guardiões dentro da residência Raleon. Ninguém tinha invadido o local ainda. Ele contou que não se lembrava do comando para ativar esse novo anel e já tinha xingado os cinco céus devido ao seu esquecimento. O anel de Rael era afinal diferente dos demais e Rael tinha dado tanto um a ele como um para Alana. As meninas riram sem graça ouvindo as explicações do pai. Ele contou que quase veio atrás delas, mas o pessoal de Rayger não permitiu, dizendo que estava muito perigoso do lado de fora e mesmo com seus homens ele não teria proteção suficiente.

 

― Viram? Ele está bem. Agora não saiam daqui, pois eu vou entrar na batalha ― disse Mara e se virou para a porta, mas antes de avançar, ela fez uma pausa sem se virar para as duas: ― Se quiserem ter poder para um dia ajudar o nosso Rael nos combates, é melhor que vocês duas cultivem o quanto antes, porque se continuarem tomando essas atitudes impensadas, serão apenas fardos. Não é nada bom serem fracas desse jeito ― depois de finalizar, Mara saiu e fechou a porta.

 

Anita e Alana se olharam sem graça, elas quase morreram como Mara havia avisado. Então, só lhes restavam baixar a cabeça e torcer para que tudo acabasse bem.

 

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Elisa estava lutando em frente a residência Raleon junto a outros cultivadores, ficando como encarregada de proteger o local de qualquer invasor. Depois dos elders, Elisa era considerada a pessoa mais forte do clã, por isso Neide deu essa ordem a ela. Mas eles estavam cercados. Os mortos continuavam a aumentar em números e, mesmo que fossem mais fracos, os venciam em quantidade e isso fazia eles recuarem cada vez mais.

 

― ‘Se continuarmos assim não iremos resistir. Tenho que pedir um novo reforço para Neide’ ― pensou Elisa e já ia fazer um chamado, quando de repente uma enorme besta surgiu em um rugido.

 

― RWOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM! ― Ralf chegou rasgando dezenas de cultivadores com aura da morte e passou voando fazendo o retorno. Logo em seguida, passou rasgando outra dezena e nesse momento a batalha em frente as portas da residência Raleon foram até mesmo pausadas pela aparição daquela imensa besta de Rank S+.

 

― É uma besta Rank S+! ― gritaram os cultivadores abismados. Tanto os que possuíam aura da morte quanto os vivos, ambos os lados estavam surpresos com a aparição de Ralf. Mas não demorou muito para notarem quem eram seus alvos, porque a cada voo somente fumaça sumia e não restava corpos. Ralf logicamente estava matando apenas os inimigos, e isso deixou os vivos um pouco confusos. Eles não estavam acostumados a ter ajuda de uma besta.

 

Em poucas respirações, Ralf tinha matado cerca de 50 inimigos, todos eles estavam entre o decimo reino e o decimo primeiro, teve até um inimigo no decimo segundo reino. Os que tentaram correr, Ralf soltou lâminas de vento que destruíram o restante, limpando completamente a frente da residência Raleon.

 

Elisa ficou ali parada com uma expressão um tanto desconcertada. Ela conhecia Ralf, mas não tinha certeza se ele a reconheceria. O imenso tigre pousou na frente da mulher e levantou uma das patas da frente. Ele envolveu o corpo de Elisa carinhosamente e a puxou, baixando sua cabeça e esfregando os pelos nela enquanto a cheirava. Ralf reconhecia Elisa pelo cheiro e jamais esqueceria que ela o salvou da morte naquela vez.

 

Quando Ralf tinha pousado em frente a Elisa e levantado a pata, vários cultivadores vivos tinham corrido em desespero, pensando que agora o tigre iria matar os que estavam vivos, mas quando viram a peculiar cena de uma besta rank S+ fazendo carinho em Elisa, ficaram absolutamente confusos. Ralf era como um imenso gatinho se esfregando e se apertando em Elisa, os outros ficaram de queixos caídos e cheios de confusão.

 

― Você não se esqueceu de mim, fico feliz por isso ― disse Elisa com alegria e sinceridade, alisando as mãos no tigre: ― Também está bem mais forte do que eu agora, parabéns pela sua força! ― disse ela. Ralf respondeu com um ronronar amigável, como se a entendesse.

 

― E Rael, ele está bem? ― perguntou ela. O tigre balançou a cabeça positivamente. Os homens que agora estavam parados, estavam ainda mais abismados. Ao que parecia, Elisa estava conversando com o tigre e o mesmo entendia e respondia.

 

― É melhor você ir ajudá-lo, obrigada por me salvar ― disse ela de volta. O tigre deu um sorriso mostrando fileiras de dentes afiados, isso para os outros parecia uma ameaça de possível ataque, mas para os conhecidos, era apenas um sorriso amigável. Elisa sorriu de volta e a besta rank S+ partiu aos céus depois de liberá-la.

 

― Senhora, com todo respeito... Como conheceu essa besta? ― perguntou um dos cultivadores que ajudavam na defesa.

 

― Esse tigre é de Rael, seu nome é Ralf. ― explicou Elisa.

 

― De Rael? ― os outros quase engasgaram ao ouvir isso. Eles só poderiam ficar ainda mais surpresos com as descobertas sobre Rael. Ao que parecia, ainda havia muitos mistérios por trás de Rael que não conheciam.

 

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Rael tinha conjurado o seu clone e voava aos céus exterminando todos que podia de um lado, enquanto o clone fazia o mesmo do outro. Ambos avançavam com uma imensa velocidade. De repente, Rael recebeu um chamado e soube do estado do clã Nova Esperança por Isabela. Isabela estava parada com Keylla perto de Ana, todos estavam na residência protegidas na barreira. Ana estava sendo tratada também pelo poder de Keylla que, como era cultivadora do elemento Água, tinha bons dons curativos. Por ser um reino final, seu poder curativo era muito maior do que o de Laís.

 

― ‘Nós já cuidamos de tudo aqui, mas houve traidores entre os vivos quando os mortos nos atacaram. O que devemos fazer? Rendê-los ou exterminá-los?’ ― Isabela perguntou do outro lado. Matar nesse momento não era uma boa ideia. Cada morte ocasionaria em um novo retorno.

 

Rael se arrependia de não ter mandado matar todos enquanto teve tempo. Ele mordeu os lábios irritado e ordenou que juntassem todos e os exilasse do local. Se eles voltassem deveriam ser mortos. Cada um desses deveria ser confirmado por Ana, que com certeza estava a par de toda a situação.

 

― ‘Eu entendi. Depois de resolvermos isso e deixarmos todos seguros, podemos ir te ajudar? Você está no clã Torres, não é?’ ― perguntou ela.

 

― Sim, como sabe? ― perguntou Rael depois.

 

― ‘Eu aprendi a controlar o poder de localizar você. Keylla e eu podemos te sentir, mesmo que esteja longe’ ― explicou ela.

 

― Isabela, eu falo com você depois... Estou um pouco ocupado aqui ― explicou Rael e matou mais um cultivador dos mortos, que tentou atacá-lo de surpresa.

 

― ‘Rael, perdemos algumas pessoas... Não conseguimos evitar. Dos seus discípulos, perdemos Josias, Everton, Eduardo, Joice, Janete e Thais. Não conseguimos evitar essas perdas, eles eram em muitos...’

 

― O que...? ― Rael até ficou paralisado quando ouviu os dois últimos nomes e seu coração estremeceu. Ele pensou que Janete estaria segura e, de repente, recebe aquela notícia. Sem mencionar Thais, que agora tinha morrido suas duas versões. Era de fato uma notícia muito chocante para Rael, que só queria protegê-las.

 

Rael ainda estava parado quando Natalia apareceu voando, vindo em sua direção. Ela ainda usava sua armadura e agora estava com seu arco em punho. Ela continuou a matar todos os outros inimigos. Dessa vez estava matando mesmo, não se contendo mais em poupar os inimigos.




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