O Herdeiro do Mundo

306 - Ataques Continuam

Capítulo em Áudio --> https://www.youtube.com/watch?v=UvsrG9WHXMY

 

 

 

Rael chegou tão rápido em casa quanto pôde e correu para perto de Mara e Natalia. Natalia estava em pé ao lado de Mara e esta se contorcia deitada no sofá. A respiração de Mara estava acelerada e seu rosto pálido, como se sua vida estivesse acabando naquele momento.

 

― Eu desmaiei e, quando acordei, ela já estava assim, nesse estado... ― explicou Natalia, antes mesmo de Rael perguntar. Com o sangue saindo do local ficou fácil para Rael ter uma noção do que acontecia. Natalia estava tão preocupada quanto Rael. A química daqueles três não tinha igual, o sentimento de um era praticamente o de todos. Mara e Natalia eram especiais no coração uma da outra, assim como Rael era para elas. Elas eram agora mais do que inseparáveis, e ver Mara nesse estado deixou Natalia completamente inquieta.

 

― Rael... as princesas... elas...! ― Mara se contorcia em dor e mesmo assim tentava avisar da saída das meninas. Mara podia ser durona e mostrar que não aceita as outras mulheres, mas ela tinha um grande e bom coração, e se importava com a gravidez de Anita. Mesmo que Mara a ameaçasse, ela não faria nunca nenhum mal a princesa, a não ser que fosse prejudicada ou provocada abertamente.

 

― Eu vou atrás das princesas, você cuida dela ― disse Natalia, hesitando por alguns instantes e compreendendo Mara. Natalia não queria deixar Mara, mas sabia que agora com Rael sua prima seria salva. Rael queria impedir Natalia, mas não sabia o que estava acontecendo. Eles podiam ver da porta o horror que estava no clã. Fogo, técnicas lançadas aos céus, pessoas voando e caindo pelas casas. Casas essas que estavam completamente destruídas. A deles mesmo tinha sido atingida várias vezes, mas a barreira a protegia sem problemas.

 

Rael até hesitou em deixar Natalia partir, por várias razões e não somente por se preocupar com a moça. Mas ele confiava na força dela e também iria deixá-la com um poderoso apoio.

 

― Vá com o Ralf e volte assim que buscá-las. ― disse Rael e lançou a invocação. Um amontoado de energias transparentes como vento se dirigiu para fora da porta passando por Natalia. Ralf surgiu se transformando em besta do lado de fora e rugindo para os céus. Depois, ele lançou um olhar amistoso para Natalia, que sorriu de volta. Natalia pulou em cima da grandiosa besta alada e os dois saíram voando raso por cima do clã em meio ao caos.

 

― Rael... Não deixe a Natalia... ir... É perig-cof cof! ― Mara tossiu enquanto falava e um pouco de sangue saiu de sua boca. Rael levantou a blusa e retirou as ataduras de suas costelas, encontrando o local ferido. A ferida latejava emanando uma aura de morte. Rael podia ver raízes vermelhas se espalhando em volta do seu ferimento e afligindo também as partes normais do corpo dela. Em suma, a ferida estava tentando se espalhar para destruir todo o corpo de Mara por dentro.

 

Mara gemeu de dores quando Rael removeu a ataduras e ficou tremendo enquanto sentia todo o local próximo ao ferimento latejar. Rael imediatamente cobriu sua mão esquerda com poder curativo e aplicou próximo ao ferimento, mas não teve nenhum efeito. Não importa quanto poder Rael utilizava, o local ferido não dava qualquer sinal de regeneração.

 

― ‘Isso é impossível...!’ ― Rael ficou um pouco surpreso, mas não desistiu. Imediatamente, ele invocou os símbolos que representavam o seu poder. Os símbolos brilharam rodopiando perto de Rael e, em seguida, se concentraram no corpo de Mara. Havia um símbolo verde que tinha uma aparência de uma pessoa sentada, as pernas dessa pessoa eram como várias raízes de uma bela árvore. Esse símbolo ficou em cima de Mara enquanto os outros lançavam suas energias nele. Em seguida, o símbolo começou a jorrar uma aura verde e pura, cheia de brilho e abundância de vida no corpo de Mara, que se espalhou por todas as direções.

 

― Huuu... ― Mara gemeu levemente e sua expressão se aliviou no mesmo instante quando a aura tocou a ferida dela. O ferimento começou a se fechar em um processo acelerado enquanto toda a aura de morte desaparecia de seu corpo. Não demorou nem mesmo cinco respirações e Mara já estava completamente bem.

 

Rael sorriu satisfeito vendo que Mara não estava mais correndo riscos. Livre do ferimento que a afligia, a expressão da moça também melhorou rapidamente. Rael se concentrou fazendo os símbolos voltarem ao seu corpo e relaxou, visivelmente aliviado.

 

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Por todo o clã, uma batalha incessante prosseguia. Os que acabavam de morrer não demoravam a voltar e, quando voltavam, simplesmente mudavam de lado, como se quisessem ver tudo terminar de desmoronar. Esses acontecimentos só faziam Neide e Rayger ficarem ainda mais ansiosos. Para piorar, eles não tinham qualquer ajuda além de contar com eles mesmos e os outros membros mais fracos.

 

Anita e Alana avançavam como vultos usando suas baixas velocidades, enquanto cruzavam o campo de batalha. As duas constantemente viam energias caindo perto delas e explodindo terrenos, deixando vários buracos e um mar de destruição das ruas do clã.

 

Alana estava tão preocupada com Elidas que nem pensou antes de sair em sua busca, Anita fez o mesmo pensando no pai, e também por não deixar sua irmã enfrentar todo aquele perigo sozinha.

 

― Alana, nós deveríamos ter ficado na casa de Rael! Mara nos disse que há uma barreira lá e que estaríamos seguras de qualquer perigo se ficássemos lá dentro! ― disse Anita, ainda seguindo a irmã. Por sorte, elas eram fracas a ponto de não atrair nenhuma atenção, mas os olhos de alguns cultivadores com aura da morte reconheceram a beleza das irmãs e seus olhos brilharam, despertando instintos assassinos.

 

― Essas princesas se aliaram a Rael, vamos matá-las também! ― Rugiu um dos cultivadores que estava voando no céu e viu as duas cruzando o território por baixo. Imediatamente todo o grupo desceu voando com velocidade na direção de ambas.

 

Mas antes que eles pudessem alcançar seus alvos, Neide passou rasgando com a espada e os fizeram virar fumaça, desaparecendo em pleno ar. Infelizmente, Neide não ouviu o que eles disseram, e tampouco chegou a ver as princesas no solo, Neide estava voando e exterminando os inimigos no céu o mais rápido que conseguia. Seu sentido espiritual estava inteiramente focado nas auras da morte presentes para não perder nenhum do seu alcance. Ela os matou e já se lançou em outra direção, sumindo novamente, em busca dos outros inimigos.

 

No meio do confronto, Rayger atingiu Romeo com um poderoso soco usando uma técnica e Romeo voou com tudo contra uma das residências do clã:

 

BOOOOOOOOOOOM! BRASH...!

 

Romeo caiu em cima da casa, a destruindo com o impacto, e vomitou um pouco de sangue em seguida. Ele saiu flutuando dos destroços, quando de repente seu sentido captou duas auras fracas, bem próximas a ele. Essas duas cultivadoras não eram outras se não Alana e Anita que ainda procuravam pelo imperador, seu pai. As duas tinham parado praticamente em frente a ele, porque segundos antes elas iriam passar em frente a residência que fora destruída com a queda de Romeo.

 

Quando Romeo as reconheceu, seus olhos se encheram de um brilho cruel e sádico. Ele levantou a mão e imediatamente disparou uma pesada energia do seu elemento Terra na direção das duas, objetivando matá-las instantaneamente com aquela rajada.

 

Rayger chegou a ver Romeo levantar a mão e atirar a rajada de energia mas, quando se virou para ver seu alvo, já era muito tarde. Ele estava muito longe e a energia já estava a caminho das duas jovens princesas.

 

Anita e Alana só puderam arregalar os olhos por entender o que estava prestes a acontecer. Seus corpos não eram fortes ou rápidos o suficiente para fugir ou resistir ao golpe. As duas só tiveram tempo de se abraçar completamente assustadas.

 

BOOOOOOOOOOOM!

 

NÃAAAAAAAAAAAAAO! ― Rayger gritou enquanto avançava como um borrão para salvá-las, mas infelizmente não chegou a tempo, ele jamais conseguiria chegar a tempo de evitar aquele golpe.

 

Um borrão dourado passou apenas um instante antes do impacto e as duas princesas foram vistas nas patas dianteiras de Ralf, que deslizou em um giro no ar enquanto parecia fazer um contorno para esquivar da rajada de energia de Romeo.

 

― AAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! ― As princesas gritaram em desespero e somente depois entenderam que estavam nas garras de uma gigantesca besta alada, que voava por cima do clã. Natalia o tempo todo manteve um olhar fixo em seu pai enquanto o seu coração se agitava.

 

― Ralf, leve-as para Rael. Eu tenho que fazer algo. ― disse Natalia e pulou de Ralf, mergulhando na direção de Romeo. Ela não entendia o que estava acontecendo ainda. Primeiro ela viu Heitor vivo, e agora o seu pai, ambos ela viu morrendo em sua frente. Mas, mesmo assim, algo dentro dela deu uma rápida aceitação ao ocorrido e continuou o mergulho rumo ao chão. Depois controlou seu poder para ficar flutuando a alguns metros de frente ao seu pai.

 

― Ora, se não é a filha que também se rebelou contra o próprio pai! ― Disse Romeo, assim que percebeu a presença de Natalia. Ele tinha focado sua atenção em Ralf, mas esse era muito rápido e já estava longe carregando consigo as princesas, que continuavam a gritar sem perceber que Ralf era um aliado.

 

Natalia lançou um olhar rígido para Romeo, e esse olhar não pareceu nem um pouco gentil. Ela sabia que, de alguma forma, seu pai tinha voltado dos mortos e estava atacando pessoas inocentes, assim como tentou matar as princesas. Se não fosse por Ralf, elas certamente teriam morrido. Isso encheu o coração de Natalia de uma estranha sensação de inquietude, ela sentiu que precisava mudar e aceitar que seu pai não prestava, que ele era um inimigo e jamais poderia ser salvo.

 

― Natalia, querida, se afaste. Eu cuido dele ― disse Rayger, se aproximando e parando ao lado da sobrinha.

 

― Eu quero fazer isso, tio Rayger. ― disse Natalia de repente, surpreendendo não somente Rayger como também Romeo ― Eu não sei como ele voltou, também não sei como Heitor e os outros mortos estão voltando, mas eu mesma quero tirar a vida deste homem dessa vez! ― disse a jovem e sua voz parecia tão firme quanto possível. O coração de Natalia ainda tremia e ela parecia agitada, mas era estranho. Junto a essa sensação de inquietude, ela também sentia uma estranha pressão que fortalecia seus pensamentos.

 

Rayger lançou um olhar demorado para a jovem e conseguiu sentir sua determinação fluindo da expressão dela. Ele sabia que Natalia tinha uma imensa dificuldade de matar alguém, e ouvi-la dizer que iria matar o próprio pai era ainda mais inacreditável.

 

― Você vai matar o seu próprio pai? Você não ousaria, nunca teve tamanha coragem. Mesmo que eu já esteja morto, meu poder ainda é o mesmo de antes de morrer, e eu não morreria para você. ― disse Romeo com um sorriso frio, provocando a filha de volta.

 

― Eu o tempo todo dei uma chance ao senhor... Eu queria perdoá-lo porque é também o meu sangue, porque é meu pai, mas o senhor se cegou completamente nessa fúria incessante e não teve olhos para sua própria família. Você nunca sentiu nada por mim, você nunca ligou para mim. Sempre fui uma imprestável diante de seus olhos! ― desabafou Natalia.

 

― HAHAHAHAHAHAHA! Você sempre vai ser uma imprestável! Todos vocês vão acabar mortos e se juntarão a esse lado. Não há como fugir do Mundo Morto, que está se abrindo para os vivos. Nem você nem ninguém poderá escapar de nós.

 

― Eu não sou imprestável! ― Natalia sentiu seu corpo tremer enquanto seu coração batia violentamente no peito. Ela ativou a técnica de velocidade Brisa Leve e sua armadura mágica da Fênix das Brasas. Um belo arco surgiu em suas mãos e a jovem puxou a corda, apontando uma flecha de fogo para o pai. Seu corpo tremia, mas ela se sentia cada vez mais determinada. Ela sentia que se não tirasse a vida de Romeo agora, ele poderia matar mais pessoas importantes para ela ou para Rael, como quase matou Anita segundos atrás.

 

― ‘Anita carrega um filho de Rael, e isso não é algo que possa ser perdoável’ ― pensou Natalia, se firmando ainda mais nesse pensamento.

 

― Vai mesmo atirar em seu pai? No homem que te criou? Em que te alimentou por tanto tempo? Vai matar quem cuidou de você? HAHAHAHAHA! Você não tem coragem! Você não é suficientemente capaz de fazer isso, e nem tem o poder necessário para me matar! ― Romeo ria enquanto provocava. Rayger não saiu do lado de Natalia, ele tinha medo de se Romeo tentasse tirar a vida dela e ele já teria tentado, se não fosse pela presença de Rayger.

 

― Você jamais deveria duvidar de mim! ― Disse Natalia segurando o arco e seu braço inteiro tremia. Sua voz parecia firme, seus pensamentos também, mas seu corpo ainda não parecia expressar tudo aquilo.

 

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Violeta e Emilia não estavam ajudando no clã Torres porque estavam ocupadas exterminando novamente os reinos finais do continente Norte que tinham voltado dos mortos e estavam em outras cidades e vilas, os mesmos que antes elas tiveram todo o trabalho de matar. Se elas não os matassem, muito mais gente morreria e mais forte ficaria o Mundo Morto. As duas estavam mais uma vez em suas formas finais e voavam como borrões de um canto a outro, eliminando cada reino final com golpes únicos e sem pausas nem mesmo para respirar.

 

As violadoras tinham ciência de que estavam em risco de algum deles ter a sua fraqueza, mas não podiam ficar fora da batalha. Elas tinham que segurar as pontas até Alexia retornar com algum resultado sobre a perseguição do tal Sábio da Montanha.

 

Ao que parecia, depois de mortos pela segunda vez, os seres não voltariam mais. Então, bastava apenas exterminá-los de novo. Os homens morriam tão rápido que as vezes nem percebiam o que estava acontecendo.

 

Havia alguns que retornavam com a aura da morte mais poderosa, como Heitor ou até mesmo James. Esses, ao que dava para entender, eram os que tinham morrido há muito tempo atrás e conseguiram escapar do Espectro durante todo esse tempo.

 

Em meio ao caos, um homem já conhecido surgira. Era um cultivador consolidado no ápice do reino final. Este ser estremecia em seu profundo ódio, pois nem mesmo morto ele foi capaz de encontrar sua filha Nastácia, a razão de sua invasão ao continente Sul. Ele chegou a perseguir Rika em forma espiritual, e até mesmo encontrou o esconderijo, mas não era capaz de usar o cristal de teleporte. Portanto, não podia continuar a perseguição. Mas ele chegou a ouvir Rose tocar no nome de sua filha quando Rika perguntou se a mesma estaria bem. A jovem celestial havia respondido que estava no esconderijo.

 

― ‘Que tipo de lugar é esse que esse corpo não encontra?’ ― Nero segurou novamente o aparelho em mãos, era o aparelho que antes ele podia ver sua filha. Mas, naquele momento, o aparelho não estava mais funcionando. Seus irmãos deveriam ter desativado a busca por sua filha assim que souberam de sua morte. Nero imaginou que seus irmãos já tinham assumido o comando do império Norte. Por um momento ele teve tanto ódio que a vontade dele era retornar ao continente Norte e matar todos os seus habitantes. Por alguma razão, estando morto, ele sentia uma imensa vontade de levar todos os outros que ainda viviam com ele, mesmo que não tivesse sido engolido ainda pelo Espectro Sombrio.

 

Ele não pensou que agora nessa forma, estando com as capacidades físicas, pudesse usar o cristal de teleporte da caverna do esconderijo mas, mesmo que ele tentasse atravessá-lo, uma horda de bestas estaria lá, bloqueando seu caminho.

 

Nero não tinha aparecido perto da passagem secreta, ele tinha aparecido próximo ao local em que morrera. Havia um céu gigantesco e escuro que não deixava nenhuma luz passar, não importava qual.

 

― ‘Se não posso ter minha filha... Vou pelo menos matar aquelas vadias que pensei por um momento em deixar viver’. ― Nero tinha visto Violeta e Emilia exterminando os seus homens impiedosamente e queria se vingar.

 

 

Nero fez surgir uma Erva Alada Brilhante em mãos e voou de encontro a aura das duas violadoras que já tinha sentindo. Nero não poupou esforços e usou a própria vitalidade desse corpo, ampliando sua força e principalmente sua velocidade. Ele queria exterminar essas mulheres porque sabia que ambas estavam por trás daquela resistência.




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