O Herdeiro do Mundo

303 - A Relação de Janete e Rael

Capítulo em áudio--> https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=GxJ5sEwbxUU

 

Cinco horas se passaram após a todos os acontecimentos narrados. O céu agora estava completamente escuro como a noite e não dava sinais de que iria melhorar, estava tudo completamente fechado por nuvens escuras. Os tais fantasmas não apareciam em todos os lugares e a todo momento, seus surgimentos eram aleatórios. Ora mostravam vontade e matavam pessoas que conheciam de suas vidas passadas, ou apenas ficavam parados ao relento, como se fossem zombies sem sentimentos até, por fim, desaparecerem. Apesar de serem visíveis em muitos lugares, não era algo que as pessoas fossem capazes de notar como algo constante e, portanto, as noticias sobre isso foram se espalhando de uma maneira lenta. Eram poucos boatos de terem visto um espirito transitando em um lugar ou outro. Os que se espalhavam mais rapidamente foram os que envolviam mortes, esses não tinham como evitar. E devido ao repentino ataque dos homens de Nero, isso foi ainda mais difícil de ser interligado. Então, as pessoas ainda estavam confusas sobre o que poderia ser: Uma técnica proibida, fantasmas, bestas demoníacas...

 

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De volta ao acampamento, Rael ainda estava por cima de Janete e continuava eufórico, mas sentia-se cada vez mais fraco a medida que seguia com as estocadas. Mas não era uma fraqueza corporal, era algo que parecia se relacionar com efeito de continuar com aquilo freneticamente.

 

Janete estava arfando e com o corpo um pouco dolorido, principalmente em seu local especial. Mas, mesmo sofrendo, ela continuava abraçando Rael e mostrando que não se importava consigo mesma. Se Janete pudesse satisfazer até o último desejo de Rael, certamente o faria, mesmo que isso lhe custasse certo sofrimento.

 

Rael explodiu uma última vez na mulher e finalmente tirou de dentro, deslizando para o lado e escapando dos braços de Janete, que o soltaram com aquela ação. Rael ficou deitado de peito para cima e respirando com bastante dificuldade, seu membro ainda estava firme e avermelhado, pulsando cheio de vontade de continuar, mas o elixir estava perdendo o efeito e por isso ele teve forças para soltar Janete.

 

Por alguns segundos, Janete encarou Rael, olhando-o de lado. Ela não se mexeu porque sentiu que, no menor movimento, o seu corpo iria reclamar. Janete estava completamente dolorida, principalmente lá embaixo. Se alguém olhasse de perto, poderia notar bastante líquido em volta das coxas da moça, não era somente de Rael, é claro. Janete não sentiu dor o tempo inteiro, a dor foi desaparecendo ao longo do processo. Por ser a primeira vez dela, isso era normal.

 

Os dois não disseram nada um para o outro de cara, ficaram cada um em seus lugares, apenas respirando e recuperando as forças.

 

Demorou mais alguns minutos e o membro de Rael amoleceu, voltando completamente ao normal. Agora a respiração de Rael já era controlada e ele estava ficando melhor, por não sentir mais nenhum efeito do elixir.

 

Janete tinha feito um esforço e virou-se de lado para ele, mantendo um sorriso amável. Ela imaginou que se agisse com carinho com Rael, seria mais fácil dele aceitar tudo que ocorreu e não tentaria se desculpar. Ela acreditava que Rael iria fazer isso a qualquer momento. O local de Janete reclamou um pouco de ardor quando ela se virou e a moça se sentia bem assada, mas não reclamou nem uma vez. Janete se aninhou ao braço de Rael, que se virou olhando para ela.

 

Vendo a face sorridente de Janete, Rael sorriu sem jeito de volta, ele não fazia ideia de por onde começaria a se explicar. Ele sentiu que tinha cometido outro erro enorme quando pediu para Violeta hipnotizá-la.

 

Rael não pôde fazer nada a não ser continuar olhando Janete nos olhos, e ambos ficaram se olhando por breves segundos. Janete mantinha sua expressão satisfeita para facilitar a vida de Rael, enquanto ele imaginava o quão difícil seria explicar o que aconteceu para ela.

 

Rael foi o primeiro a levantar-se. Ele utilizou seu poder do elemento Água para fazer uma limpeza em seu próprio corpo e depois trocou-se. Janete também se levantou e tentou disfarçar o enorme desconforto que sentia agora, mas ela não se saiu muito bem e sua expressão vacilou um pouco, demonstrando um pouco de dor. Rael observou isso, mas fingiu não ver porque Janete imediatamente havia se virado para ele não perceber. Janete ainda estava nua e a visão do corpo dela de costas era perfeita. Rael podia ver toda a sua silhueta maravilhosa, não era tão perfeita quanto uma violadora nem como uma celestial, mas de fato como uma humana comum, Janete era atraente e incrivelmente bela. Em termos de aparência, ela não ganhava de Mara nem de Natalia, mas ainda assim era muito bonita e uma mulher que, se ninguém soubesse de seu status, poderia se passar facilmente por alguém da nobreza.

 

Rael se vestiu com calma e Janete ficou um tempo parada, ela precisava se limpar primeiro para vestir uma nova roupa, as antigas tinham sido rasgadas por Rael. Embora estivesse ficado todo esse tempo com Rael, Janete se sentiu miserável. Ela não sabia bem o que fazer nem o que Rael iria dizer, mas previa que provavelmente seria uma outra desculpa, dizendo que não podia aceitá-la e toda a mesma ladainha de sempre. Por isso, ela se sentia desiludida.

 

Na realidade, corriam vários pensamentos confusos na mente de Janete, mas saber que tinha entregue o seu corpo ao seu amado era confortante. ‘Pelo menos, foi com ele’, era o que a bela mulher pensava na conclusão de cada pensamento.

 

Rael ficou por um tempo em silêncio, estudando Janete. Muitas coisas também passavam na cabeça dele. E uma delas é que jamais tomaria mais nenhum outro tipo de droga, mesmo que fosse algo dado por um aliado novamente.

 

― Espere, Janete. Deixe-me cuidar de você ― disse Rael. Janete se virou de volta para Rael, com certo cuidado para não doer naquele local. A moça continuava nua e exibindo todo seu corpo sedutor para o rapaz. É claro, ela estava bastante suja, tinha ficado por horas no chão em cima da grama e suas pernas e região especial ainda tinham manchas transparentes de líquidos que secaram. Ainda era possível ver manchas de sangue também espalhadas ao redor de onde estavam deitados, mostrando que nem todo o ato foi somente prazeroso.

 

Rael, que já tinha se vestido, deu um passo a frente, estendendo a mão direita na cabeça de Janete e a envolveu gentilmente, derramando sua aura azul sobre ela.

 

Janete sentiu uma refrescante energia correr por toda a sua pele. Cada pedacinho de seu corpo foi envolvido por uma sensação pura e cheia de conforto enquanto ficava livre de qualquer impureza externa, até mesmo sua região especial. Embora não diminuísse o incômodo da assadura, pelo menos havia retirado toda a sujeira dela. Janete ficou até cheirosa novamente, parecendo ter saído de um banho agradável, como se tivesse com cheiro doce de água de um rio. Esse cheiro que ela ficou foi devido a aura pura de Rael, era como se fosse um perfume de água doce.

 

Em seguida, Rael retirou a mão da cabeça dela e concentrou a sua energia da Vida. Uma aura esverdeada cobriu a mão de Rael, ao qual ele carinhosamente e sem nenhum tipo de vergonha envolveu a região especial da moça, a cobrindo com sua palma. Janete chegou a abrir os lábios suspirando porque sentiu uma forte sensação de prazer se espalhando por dentro. Essa sensação foi devido a Rael estar curando toda a sua região especial que se sentia assada. Quando Rael retirou a mão, ela já não sentia mais qualquer tipo de desconforto, e todo o seu corpo parecia estar no mais perfeito estado. Após curar o ardor, Rael correu a mão para o ventre de Janete. A moça ficou olhando sem entender, ela não fazia ideia do que Rael estava fazendo.

 

Analisando seu ventre, Rael suspirou resignando. Havia um pequeno vestígio de vida se formando em seu corpo. Rael podia sentir muito antes do que qualquer doutor. Também pudera, seis horas seguidas sem nenhuma pausa e a todo instante mergulhado nela, não havia como aquilo não acontecer, a não ser que Janete fosse estéril ou operada.

 

Janete não perguntou nada sobre qualquer ação, e nenhum dos dois disseram qualquer palavra um para o outro, mas Rael já tinha feito todas as suas análises.

 

― Posso me vestir? ― ela finalmente perguntou.

 

― Sim, claro ― disse Rael com um leve sorriso. Ele não sabia mesmo por onde começar. Janete tirou um conjunto de roupas íntimas do bracelete, sutiã e calcinha rosa, e começou a se vestir de frente para Rael e sem se virar. Ela estava demonstrando que o aceitava e que não tinha raiva ou nenhuma vergonha dele. Rael poderia vê-la quando quisesse na cabeça dele, Janete não tinha e não queria esconder nada. Isso era um ato claro de que ela pertencia a esse jovem. Mas, ao mesmo tempo, uma medida dela fazer as coisas da forma dela.

 

― Precisamos conversar. ― disse Rael, depois que ela se vestiu. Janete se apressou e vestiu uma calça escura, uma blusa vermelha com mangas curtas e acompanhou Rael por alguns passos.

 

Rael estava saindo do meio do acampamento e se dirigia para o rio onde tempos atrás ele fez a evocação das bestas. Atrás deles, dentro de uma dimensão invisível, Rika os seguia silenciosamente. Rael já tinha sentido a presença da celestial, ele não era mais tão fraco como antes e agora poderia sentir a mesma, mas Janete não havia suspeitado de nada.

 

O tempo estava escuro como se fosse noite, Rael tinha muito com o que se preocupar mas, no momento, ele tinha que resolver sua situação com Janete. Janete merecia um esclarecimento, ela merecia saber como tudo ficaria entre eles.

 

Parando em frente ao rio, Rael sentiu que aquele local estava bom para uma conversa. Janete parou ao lado dele e ambos ficaram fitando o rio a frente. A visão não era muito boa, o céu estava completamente escuro, sem estrelas e sem luar. Apesar do tempo estar escurecido, eles ainda podiam ver um ao outro normalmente, mas apenas Rael podia ver tudo além.

 

― Janete, acima de qualquer coisa, eu preciso me desculpar por tudo que fiz a você... ― disse Rael, olhando o rio a frente: ― Eu quero me desculpar por ter te hipnotizado no passado. Eu precisava fazer aquilo, queria que você tivesse uma vida feliz ao lado de alguém honrado, e eu não poderia dar isso a você... ― disse Rael e fez uma pausa. Janete olhava do jovem para o rio e repetia isso várias vezes, a visão da moça parecia um pouco ansiosa, mostrando que era assim que ela se sentia.

 

― Mas, com tudo que aconteceu hoje, os planos mudaram. Eu vou assumir você... ― Quando Rael estava prestes a continuar, Janete o interrompeu:

 

― Não precisa me assumir, Rael. Eu não sou nada, não sou ninguém, e jamais mereceria você. ― disse Janete, o interrompendo em um desabafo, e continuou, aumentando o tom de voz: ― Perto de suas outras mulheres, eu sou apenas um pedaço de lixo que não merece nenhuma atenção. ― Janete continuava a falar enquanto sua voz se alterava cada vez mais, deixando Rael um pouco espantado: ― Sabe, eu tento dizer a mim mesma que tenho algum valor para você. Deixo que você me veja, tento ficar a vontade na sua frente, mas só estou mentindo a mim mesma! Eu não tenho qualquer valor para você, eu sou e sempre serei essa inútil! Você só ficou comigo dessa vez porque estava drogado e não conseguia resistir, mas normalmente você não ficaria! Confessa! Essa foi a maior razão para você não me querer antes! Não é porque quer um futuro melhor para mim, é porque eu não significo absolutamente nada para você. Não sou uma princesa! Não sou filha de nenhum elder poderoso! Não sou...! ― Quando Janete estava falando completamente alterada, foi abraçada fortemente por Rael. O rapaz não aguentou ficar apenas ouvindo aquele triste desabafo. Janete não lutou contra e se calou repentinamente, deixando o silêncio tomar conta do ar. Com o silêncio, algumas lágrimas caíram de seus olhos sem controle.

 

Rael também ficou espantado, ele não imaginou que todas essas coisas corriam na cabeça dela. Ele ficou ali abraçando a mulher e tentando achar palavras certas para o que precisava dizer.

 

Rika, que estava acompanhando tudo em silêncio, de repente teve outros olhos para Janete. A celestial ficou surpresa com o quanto aquela mulher se rebaixava, e até mesmo ela sentiu remorso daquela situação. Rika era uma orgulhosa besta celestial e não dava muito valor a humanos comuns, mas naquele momento sentia pena daquela mulher. Ela tinha acompanhado parte do sofrimento da mesma para ficar com Rael.

 

― Eu tenho medo do que Mara ou Keylla possam querer fazer se descobrirem que tenho um caso contigo. Mas não é porque não gosto de você, não é porque você não tem status ou qualquer coisa do tipo, eu nunca liguei para essas coisas. ― Rael continuava abraçado a ela enquanto falava: ― É porque eu quero o melhor para você. Você sofreu tanto e não merece ficar com alguém dessa maneira.

 

― Ao seu lado, eu nunca sofri! Exceto nas vezes em que você não me aceitou... ― disse ela, se estremecendo nos braços de Rael. Janete abraçava Rael de volta enquanto lágrimas continuavam a rolar por seus olhos, ela não queria soltá-lo. Todo o momento que ficaram juntos parecia um sonho, e ele agora dizendo todas aquelas coisas para ela... Janete não sabia o que sentir ou dizer.

 

― Você... Você quer ter um filho meu? ― Rael perguntou de repente. O coração de Janete disparou no peito e ela afrouxou o abraço com Rael para olhar nos olhos dele. Ambos se encararam enquanto ela parecia verificar se Rael de fato estava sendo sincero.

 

― Você quer ter um filho meu? ― Rael perguntou novamente. Os olhos dele estavam tão sérios e firmes que não havia engano em suas palavras. O corpo de Janete ainda estava formando a gravidez, se Rael quisesse ele poderia intervir e evitá-la, deixando-a normal, e ela nem chegaria a perceber.

 

― É claro que eu quero! ― A mulher quase gritou enquanto seus olhos inundavam de emoção, ela estava tremendo e extremamente emocionada. Ter um filho com o homem que ela amava, não parecia haver alegria maior.

 

Rael suspirou resignado e sorriu de volta sem jeito. Se ela desejava, ele não ia desfazer o que acontecera. O único ponto que precisavam resolver é em como ficariam no futuro.

 

― Tudo bem, vamos resolver isso agora. Eu não posso assumir você por causa de Mara e das minhas guardiãs, elas iriam ficar loucas e tentariam te matar. Então, você será minha amante, e isso é um segredo absoluto, Janete. Eu não vou mais hipnotizar nem enganar você, mas peço que não conte a ninguém. Está bom assim? Você entende as razões que não posso te assumir, certo? ― perguntou Rael. Dessa vez, Janete não o interrompeu e nem disse nada além. Em vez disso, a bela mulher abraçou Rael de novo com um sorriso.

 

― Eu não me importo de ficar em segredo com você, e fico muito feliz por você não tentar mais me afastar de sua vida ― disse ela no ouvido de Rael. Rael ficou em silêncio, sem saber se estava tomando a decisão certa. No futuro, esse filho iria crescer e não haveria como esconder esse fato, mas depois ele pensaria em como se explicar. Rael imaginou que, no pior cenário, poderia se explicar para suas esposas e dizer a verdade, o que realmente ocorreu. Ele só não iria contar que poderia ter tirado de Janete essa possível gravidez.

 

Os dois ainda estavam abraçados quando de repente sinais de energia da morte começaram a se espalhar. Rael enrugou as sobrancelhas ao ver as várias energias escuras sendo formadas em sua volta. Todas essas energias estavam entre o décimo e decimo segundo reino, e uma delas Rael conhecia muito bem. Reges estava junto a esse grupo de fantasmas em formação.

 

O corpo de Reges emergiu subitamente, junto com diversos cultivadores que já haviam sido mortos, seja na batalha do clã ou em outras ocasiões.

 

Quando Rael viu o surgimento de Reges, sua expressão foi de total descrença. Reges, por outro lado, lançou um olhar sombrio, mostrando todos os dentes brancos para Rael. Os corpos desses estavam normais e não estavam totalmente escuros, apenas tinham a aura escura em volta, que indicava que apesar de parecerem normais não estavam totalmente.

 

 

― Olhem só, se não é o filho do patriarca. Eu não imaginei que teria outra chance nessa vida. ― disse Reges, sorrindo friamente. Ele não tinha bracelete, mas ainda assim fez surgir duas adagas, segurando uma em cada mão. Todos os demais cultivadores pareciam estar no mesmo estado e suas armas também surgiram do nada. Eles pareciam ser todos homens de Reges, e tinha cerca de uns vinte deles, sorrindo friamente para o jovem casal à frente.