O Herdeiro do Mundo

292 - A História de Alice

Rose e Rael voltaram quase a noite. Violeta e Emilia ainda estavam empenhadas na produção dos ingredientes para criar a invocação. Rael chegou e encontrou Alice voltando da cozinha no corredor dos quartos. Eles se olharam por breves segundos e Rael a direcionou um educado “oi”. A Violadora respondeu de volta um tanto sem jeito e depois avançou para o seu quarto. Rael sorriu satisfeito, pelo menos ela tinha retribuído o cumprimento. Depois, ele entrou em seu próprio quarto e foi descansar, buscando se preparar para Rika no dia seguinte. Ele sabia que agora não poderia mais evitá-la, ele voltou hoje no esconderijo por essas duas belas celestiais. Depois disso, ele planejava cultivar freneticamente para avançar mais níveis o mais rápido possível. Sobre a invocação mística, ele deixaria por enquanto nas mãos de Violeta e Emilia.

 

Rose veio mais tarde para dormir com Rael e não se incomodou em explicar isso a ninguém. A moça considerou que hoje Rael seria completamente dela. Dormindo abraçado com a jovem Celestial, Rael descansou muito mais seu corpo enquanto sua mente era enviada para o Mundo Completo.

 

No Mundo Completo, Rael passou um tempo com suas guardiãs enquanto conferiam as novas áreas liberadas do vasto local. Havia mais um prédio novo que surgira e tinha desenhos de armas, mas as placas gigantes de metais estavam cobriam-no, de modo a não deixar que eles entrassem no mesmo. A diversão dos três era vasculhar o Mundo Completo enquanto buscava lembranças antigas.

 

― Parece ser um tipo de local onde contém armas, um prédio de armeiro, talvez... Pena que não podemos entrar ― disse Isabela, observando as imagens desenhadas de um escudo ao lado de uma espada. Essas imagens estavam na parede do prédio.

 

Keylla, em sua personalidade normal, se aproximou e tocou na parede de metal a fim de movê-la, mas a parede continuou ali, bloqueando o caminho.

 

― Isso não vai liberar hoje, e nem sei quando vai ― disse Rael. Os três estavam no limite da liberação desse mundo. Elas nunca viram as placas se moverem. Elas se moveriam sozinhas, conforme os dias passavam.

 

― Como anda a invocação mística? ― perguntou Isabela.

 

Os três conversaram por um tempo e depois Rael deixou as duas. Ele pretendia conversar com Alice, a relação deles estava progredindo graças aos seus esforços.

 

Alice, como sempre, estava sozinha, sentada em uma rocha próxima a uma cachoeira, olhando a queda d’água. A violadora viu quando Rael desceu voando e pousou ao seu lado, se sentado junto a ela na mesma rocha. Dessa vez a moça não olhou irritada, de certa forma agora ela estava aceitando a companhia daquele insistente rapaz.

 

― O que você espera conseguir ao se aproximar de mim? Quer que eu tenha a boa vontade de querer ser sua? Sabe que isso nunca vai acontecer, não sabe? ― disse Alice de repente. Mas não olhou para Rael. Mesmo ela o aceitando, de certa forma, ainda agia friamente.

 

― Tentar me tornar seu amigo é mais difícil do que eu pensei. Você se acha demais, Alice. Você é linda sim, mas saiba que você não é a única mulher desse mundo ― disse Rael de repente. Isso fez Alice se virar irritada para ele.

 

― Eu não venho atrás de você por causa de planos cobiçosos, não estou aqui em busca de outra transa. Eu estou aqui porque quero conhecer você melhor. Sei que por baixo desse belo corpo jovem também bate um coração e existe uma alma feminina, uma mulher cujo os sentimentos quer esconder de todos ― disse Rael suavemente, olhando a jovem violadora nos olhos.

 

― Você é deveras atrevido para me dizer todas essas coisas! ― ela reclamou e se virou para a cachoeira, indiferente outra vez.

 

― Eu somente não menti em nenhuma das minhas palavras. Quero ser sincero com você ― disse Rael e voltou a olhar as águas caírem. A violadora olhou Rael novamente tentando mostrar um pouco de indiferença e virou-se mais uma vez para a cachoeira.

 

― Você só está perdendo o seu tempo. Eu não irei mudar nem ficarei mais boazinha por causa de você. E eu nunca serei sua, a não ser que me force a ser ― disse ela implacavelmente.

 

― Não se preocupe com isso, eu não tenho esse tipo de plano em relação a vocês ― disse Rael despreocupadamente.

 

― E que plano você tem em mente? ― perguntou ela, se virando para Rael como se quisesse ver através dos olhos dele alguma falha. Aparentemente, Alice não confiava em homens nem em ninguém, porque nem mesmo com Violeta, Emilia ou qualquer outra pessoa ela conversava muito.

 

― Eu quero ser seu amigo, de verdade. Eu me sinto responsável por você desde quando te libertei. Sei que você deve me odiar por isso, mas eu quero que se sinta bem comigo e com todos os nossos aliados. Quando eu a libertar, você poderá viver sua vida da maneira que quiser, e bem longe de mim. Mas, por agora, eu peço mais uma vez, nos deixe conhecê-la, nos deixe ver quem você é de verdade, e eu sei que você não é essa pessoa rígida e fria que sempre aparenta ser ― disse Rael suavemente, olhando no fundo dos olhos dela.

 

― Você não sabe nada sobre mim! Não tem porque pensar assim! ― Ela bufou indignada e continuou. ― Você por acaso é idiota? Bem que Violeta me avisou!

 

― Oh, sim, eu tenho esse defeito e estou tentando consertar. Mas isso não tem nada a ver com a sua aparência.

 

― Então, por que me diz tudo isso?

 

― Porque no fundo nós não queremos que ninguém nos veja como nos sentimos... ― disse Rael, se lembrando da raiva que sentiu enquanto lutava contra Reges e Romeo, mas naquele momento ele tinha raiva e angustia de seu passado, enquanto tentava ocultar tudo. Também teve diversas ocasiões que teve que fingir ser outra pessoa próxima a seus pais e tio, logo quando iniciou sua vingança. ― Eu tracei muitos caminhos no início da minha jornada em busca de vingança e tive que esconder o ódio em expressões sérias e vazias, assim como até tive que sorrir mesmo irritado. Passei por muitas coisas, mas ainda tenho muito a aprender. Por isso, eu imagino que você esteja em uma situação parecida na qual eu estive até pouco tempo atrás.

 

― Você acha que eu sou como você? Hunf! Você é muito esquisito mesmo ― Alice se levantou para sair, como se estivesse com raiva.

 

― Alice, espere ― disse Rael e se levantou, segurando o braço da violadora: ― Eu vou repetir mais uma vez, você não está sozinha. Eu estou aqui com você e ficarei sempre, mesmo quando eu recuperar todos os meus poderes. Não sei pelo que você passou, mas se no futuro eu puder te ajudar... ― Rael falava enquanto a segurava para ela não correr. Alice se tremeu no aperto de braço de Rael. Ela fez uma expressão difícil e um sorriso frio emergiu em seu rosto em seguida. Ela pareceu se acalmar de seu súbito descontrole e girou, ficando de frente a Rael com uma expressão quente em seu rosto. Agora havia um brilho nos olhos e ela parecia extremamente sedutora.

 

― Você está me paquerando, Rael? Você é muito descarado mesmo. Quer me beijar e me possuir loucamente como aconteceu naquela vez? ― ela perguntou enquanto mordia levemente os lábios aproximando o rosto de Rael. A súbita mudança de expressão causou uma onda de surpresa em Rael, porque ele sentiu como se ela estivesse prestes a falar algo e repentinamente mudou a abordagem. Talvez, quando ela estivesse muito furiosa, ela faria algo desse tipo para esconder o seu ódio. Rael não sabia o que deveria fazer em seguida mas, segurando o braço da violadora, ele sentiu o coração dela acelerado. Mesmo com a máscara de uma mulher sedutora e bela como nunca, ela ainda se tremia por baixo da pele. Alice já era linda sem o mínimo de esforço, mas quando ela forçava aquela expressão, ela seria capaz de causar uma guerra até entre os mais poderosos deuses.

 

Rael não disse uma só palavra a mais. Em vez disso, ele soltou o braço de Alice, abriu os seus e abraçou a jovem violadora, puxando-a contra o seu peito. Alice sorriu satisfeita, como se estivesse certa sobre as ações e intenções de Rael. Parecia que Rael tinha cedido ao seu charme e não conseguiria mais resistir a ela. Ela sabia o quanto os homens eram fracos, e nem precisou se esforçar tanto para Rael agarrá-la, assim como todos os outros.

 

― Mesmo se você me odiar. Mesmo se depois você quiser me matar, eu ainda vou cuidar de você. Eu sempre vou estar aqui por você. Conte comigo. ― disse Rael no ouvido dela. O abraço de Rael era afetuoso e não continha más intenções, ele não a encostou de maneira maliciosa nela, seus braços ficaram cruzados respeitosamente nas costas da mesma.

 

Ouvindo essas palavras dentro do abraço de Rael, Alice percebeu que seus encantos não o pegaram. Foi a primeira vez que ela lançou seu charme e falhou. Em vez de Rael abraçá-la com intenções sexuais, ele a abraçou como se a moça fosse um membro familiar, uma boa amiga.

 

― Rael... me solte.... me solte ou... eu vou te bater! Me solte... ― O resultado desse abraço deixou Alice ainda mais atrapalhada em pensamentos. A expressão quente e charmosa dela foi tomada por uma expressão de medo e preocupação, como se ela estivesse assustada com o fato de que não aguentaria mais manter sua máscara por muito tempo.

 

Rael não a soltou, ele sentiu o coração de Alice batendo mais desordenadamente. As mãos delas tentavam empurrar Rael, mas ele percebeu que ela não fazia isso com muita força. Embora os corpos não viessem com força total pra essa dimensão, ainda carregariam parte de seu poder. Sendo assim, Alice deveria ser bem mais forte que Rael, mesmo no mundo completo.

 

― Por que está fazendo isso comigo? Você quer me ver sofrer? Gosta disso? Qual é o seu problema... ― a voz dela já não era mais arrogante ou raivosa, Alice estava nitidamente triste e amedrontada. Não era de hoje que Rael estava tentando se aproximar dela, já havia muitos dias insistentemente. Alexia havia dito para Rael que ter uma violadora como Alice poderia ser bastante perigoso, que ou Rael a mantinha sob controle de um comando ou daria um jeito de fazê-la mudar . Rael nunca foi de forçar as violadoras, então ele decidiu tentar se aproximar dela.

 

― Eu não quero que você sofra. Eu quero que você acredite em mim! Eu quero que você confie em mim e tenha mais fé em todos nós! E eu... Eu também quero conhecer você melhor! ― disse Rael com confiança, sem soltar a moça. Ouvindo essas palavras, Alice parou de lutar. Ela baixou as mãos ainda empurradas contra o peito de Rael, não havia qualquer expressão nela, nem positiva nem negativa. Era como se o rosto dela tivesse sito restaurado a um estado sério e indecifrável.

 

― Se você me soltar te contarei a minha história ― disse ela, depois de alguns instantes. Rael sentiu o coração dela se acalmar um pouco e decidiu obedecer, soltando a jovem lentamente. Alice esperou pacientemente e não fez nada, a não ser ficar olhando de lado, como se não visse ou não quisesse olhar para o jovem.

 

― Não há nada de especial em minha história, já aviso de antecipação. ― disse ela que continuava olhando para o lado.

 

― Mesmo assim, gostaria que me contasse ― disse Rael olhando para a jovem a frente. Alice não estava fazendo nenhum esforço na expressão, mas continuava incrivelmente linda.

 

― Eu nasci em um planeta avançando chamado Zerfim. Tive uma infância normal e era um gênio da minha época mas, quando eu atingi os 15 anos, meu corpo não evoluiu mais e, como você sabe, nós cultivadores crescemos e nos desenvolvemos até os 18 anos de idade, quando temos corpos adultos. De alguma forma misteriosa, estagnei na idade de 15 anos. Eu era quase tão bonita como sou agora, e muito mais bonita que várias mulheres adultas do meu planeta, e isso chamava muita atenção. Meus pais até pensaram que eu tinha algum tipo de problema em meu corpo, me levaram para muitos especialistas na época. ― ela fez uma pequena pausa e continuou.

 

― Então, foi descoberto que eu tinha um Núcleo de Energia Origem em meu corpo, que me permitia criar pequenos espaços de energia. Minha energia poderia fluir através do meu corpo e aparecer onde eu quisesse, mesmo sendo a vários metros distante de mim. Esse núcleo era como uma verdadeira benção divina dada pela existência. Além de me dar vida eterna, me daria também muitas capacidades especiais. Consequentemente, eu fui considerada a mulher mais bela de todo o meu planeta. ― após uma segunda pausa, Alice continuou:

 

― Não demorou muito para os boatos se espalharem. Meus pais eram poderosos cultivadores líderes de uma seita, e estavam recebendo uma série de pedidos de casamento relacionado a mim. Muitos homens queriam a mim devido a minha beleza, ao meu talento inato de gênio e aos maravilhosos frutos que meu corpo daria a quem possuísse...

 

Alice contou que a história dela foi formada em batalhas, e seus pais fizeram de tudo para protegê-la. Batalhas ferozes foram travadas e ela era constantemente traída pelos próprios parentes e até mesmo mulheres de sua seita que se diziam amigas.

 

― Muitas vezes, por conta da minha estupidez, fui entregue de bandeja a alguns homens poderosos. Como as pessoas que me traíam frequentemente queriam favores e recompensas por mim, não era difícil acontecer e meus pais me salvaram em inúmeras ocasiões, perdendo cada vez mais aliados. Chegou um momento em que nem mesmo meus pais conseguiram e acabaram morrendo. Tudo isso por minha causa. Tudo isso por causa da herança que eu possuo, o tal Núcleo. ― disse ela. Rael começou a entender porque ela não gostava de conversar com ninguém. Alguém que foi traída a esse ponto realmente não confiaria mais em ninguém.

 

― Quando aquele lorde nojento estava prestes a me ter... eles chegaram e me tomaram. Depois, fui oferecida junto com outras 24 mulheres ao Imperador Demônio. Quando ele viu o meu núcleo, deu para mim uma herança que se baseava no meu tipo de poder. Por isso que ganhei o Portal Milenar. Agora você consegue entender do porquê eu não confiar em você nem em ninguém? Todos em que eu confiei foram mortos ou me traíram, meus pais foram as únicas pessoas que amei de verdade e eles não estão mais vivos. Então, se você me libertar, para mim não mais importa. Eu não tenho mais nada e nem qualquer desejo de continuar vivendo. Para mim seria muito melhor apenas continuar dormindo ou morrer de uma vez ― disse ela desgostosamente. A expressão dela era deprimente e inconsolável.

 

― Eu não vou trair você, não farei nada que te magoasse, eu prometo! E digo mais, quando eu recuperar todo o meu poder, eu irei ressuscitar os seus pais. Faço até mesmo um pacto de sangue se você preferir ― disse Rael firmemente. As primeiras palavras de Rael não surtiram muito efeito, mas quando ele disse que ressuscitaria os pais de Alice, os olhos da violadora se arregalaram com certo brilho, olhando ao jovem. A expressão dela era de pura surpresa e, ao mesmo tempo, com traços de esperança.

 

― Te dou a minha palavra, eu sou o herdeiro e tenho o poder de trazer vidas de volta, mas no momento o meu poder não é o suficiente. Então eu peço a sua ajuda. No futuro, quando recuperar o meu poder, vou poder te ajudar e te dar novamente uma razão para viver ― disse Rael.

 

― Você está falando sério?... ― Ela disse as palavras cuidadosamente, como se ela mesma quase não quisesse dizer. Para ela era difícil acreditar que seu destino miserável pudesse mudar pelo menos um pouco. Ouvir que seus pais poderiam voltar a vida a fez se sentir extremamente feliz e esperançosa.

 

― Eu estou. Faremos um pacto de sangue quando acordarmos se você desejar. Tudo que eu te peço é que você não se tranque mais em seu passado. Confie nas meninas, confie em mim também... Ninguém quer o seu mal, Alice, nem Violeta, nem Emilia e ninguém que está conosco. ― Rael continuou firme. Agora, sabendo o que Alice queria, tudo que ele precisava fazer era focar suas promessas nessa parte. Contudo, ele estava falando a verdade e Alice percebia isso facilmente. Rael não era o tipo que sabia blefar, ele era geralmente espontâneo.

 

― Eu vou acreditar em você... ― disse ela com um leve sorriso, dessa vez era um sorriso sincero. ― Agora eu quero ficar sozinha... ― em seguida, partiu com um olhar distante, sem mais se virar para Rael.

 

Rael ficou olhando Alice voar para longe, mas se sentiu satisfeito. Parecia que dessa vez ele tinha conseguido fazer um bom progresso com ela.

 

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No dia seguinte, Rael foi o primeiro a acordar. Rose estava aninhada a ele, com o rosto em seu peitoral, mas não foi difícil para ele se levantar sem acordar a jovem Celestial.

 

Saindo do quarto, Rael encontrou Rika já na porta o esperando.

 

― Eu achei que teria que acordar você ― disse a bela mulher, um pouco insatisfeita. Ainda era de manhã mas, nos cálculos de Rika, ela já tinha perdido uma ou duas horas da presença do rapaz.

 

Rael olhou sem graça para bela adulta celestial. Ela estava usando um belo vestido de fenda vermelho que realçava ainda mais a sua beleza. Seus seios avantajados estavam presos por dentro do vestido, quase querendo saltar para fora. A coxa de Rika que aparecia na fenda do vestido fez Rael respirar com dificuldade. O corpo de Rika era incrivelmente belo e fazia o coração de Rael bater acelerado, apenas com um breve olhar.

 

Rael não se sentiria assim porque Rika antes não se arrumava para ele, nem demostrava muito interesse no rapaz, mas agora, sabendo os sentimentos dela e de todo o resto, ele sabia que de hoje não passava. Ele definitivamente se deitaria com aquela fabulosa mulher.

 

― Eu preparei um local para nós dois. Venha comigo ― disse Rika, satisfeita depois ler os pensamentos pervertidos de Rael. Perversão era exatamente o que ela queria para a sua primeira vez e, se Rael já estava assim antes dela dar a ele o elixir, imagina quando ele o ingerisse?

 

 

Rael seguiu a celestial enquanto tentava conter os seus pensamentos cobiçosos. Ele sabia que Rika estava lendo seus pensamentos e tentava pensar em outras coisas, mas era difícil manter o controle quando sabia exatamente o que estava para acontecer em breve.