O Herdeiro do Mundo

290 - Invocação Mística

À noite, no mundo completo, Rael sempre passava um tempo com suas guardiãs. Por isso, elas não sentiam muitas saudades dele. Durante esse tempo, os três conversariam coisas naturais, ou algo que fizeram durante o dia. Rael também aproveitou para explicar o caso de Alana para não haver mal entendido e as duas fizeram expressões de que não aprovaram a decisão, mas deixaram de lado em pouco tempo, percebendo que Rael estava apenas salvando-a de um futuro infeliz.

 

― Rael, não ouse mentir para mim, eu estou falando sério ― Isabela disse em um tom extremamente firme. Keylla em sua personalidade normal era quietinha então não reclamava muito.

 

Pela primeira vez na vida, Keylla estava tendo paz. Agora ela sabia que tinha duas personalidades e entendia o motivo de despertar em lugares diferente no passado. Ela só tinha agradecimentos a Rael, por tê-lo conhecido e também por saber que seus destinos estavam ligados. Além disso, Rael era o único homem que não a assustava e ela podia realizar seu desejo de ser de alguém que a amasse. Ela pensou que passaria a vida inteira vivendo sozinha e com medo das pessoas. Mas ter Rael e Isabela agora era como ter uma nova família, por isso ela não podia estar mais feliz.

 

― Isabela, eu não mentiria para vocês. Eu só fiz isso para ajudar Alana. Eu juro pela minha vida, eu não fiz isso pra ter algum tipo de caso com ela. Eu não faria nenhuma loucura, vocês e Mara me matariam ― garantiu Rael na mesma hora, fazendo Isabela cessar um pouco parte da raiva.

 

― Estamos dando espaço para você cuidar das suas esposas e não para aumentar os números. Espero que você entenda muito bem isso. Não concorda, Keylla? ― perguntou Isabela.

 

Geralmente seria Keylla a primeira a atacá-lo, mas como a mesma estava na personalidade amável e ingênua, ela não faria isso por ter vergonha e medo de exigir muito de Rael. Keylla temia que Rael pudesse desistir dela ou até mesmo abandoná-la. A personalidade fraca de Keylla não era muito segura de si, por isso ela agia dessa maneira.

 

― Sim... Eu acho que sim... ― disse ela, mal olhando para Rael.

 

― Nessas horas teria que ser a outra ― disse Isabela observando tamanha insegurança e suspirou de lado. Rael estava sendo bonzinho e respeitando-as agora, mas se elas não tomassem cuidado, ele com certeza sairia dos trilhos novamente. Isabela não tinha a menor dúvida disso.

 

― Tudo bem, Isabela, eu sei. Não vou mais aumentar os números, vou respeitar o pedido de vocês ― disse Rael com sinceridade.

 

― Ótimo! ― disse Isabela satisfeita e Keylla sorriu conformada. Mesmo não se metendo, ela entendia pelo que Isabela estava lutando.

 

                Observando as duas guardiãs agora, parecia muito com Mara e Natalia em termos de argumentações sobre Rael ter novas mulheres, mas se Keylla estivesse na sua personalidade forte, aquilo com certeza teria tomado outros rumos e Rael estaria em péssimos lençóis.

 

                Conforme o mundo ia crescendo, novos locais iam surgindo. Rael e as guardiãs encontraram um prédio de tamanho médio. Por trás do prédio, tinha plantações de ervas raras e a maioria delas Rael se quer conhecia. Eles arrancaram uma das ervas repetidas como teste e outra idêntica nasceu no lugar instantaneamente. A que eles seguravam na mão continuou ali normalmente.

 

― Esse lugar é incrível! Imagino que deva haver algum tipo de poder especial nesse solo ― disse Isabela ao se agachar e analisar a terra. Mas, sem estar no corpo original, ela não podia sentir muita energia espiritual.

 

― Existe uma matriz embaixo desse solo emanando poder ― disse Rael, depois de uma breve analisada. Ele ainda não era nenhum especialista em matrizes, mas já conhecia um pouco do assunto por ler alguns livros relacionados. Matrizes eram parecidas com símbolos de barreiras e selos, mas a maior vantagem delas era que conseguiam criar energia e usá-las em determinados pontos.

 

― Matrizes? Eu nunca entendi nada sobre isso ― disse Isabela, se levantando do chão.

 

― Gente, olha o tamanho desse caldeirão! ― Keylla gritou do outro lado do prédio e acenou para eles. Os dois avançaram e foram conferir.

 

                O prédio era de porte comum, tinha a altura de dois andares e um espaço que caberia cerca de doze carruagens. A entrada do prédio era larga, como a de uma garagem, e havia um caldeirão escuro e espesso, com raio aproximadamente de um metro. Por trás do caldeirão havia diversas prateleiras com pergaminhos e outros artigos. Keylla estava focada olhando assiduamente para o caldeirão.

 

― Eu não me lembro de usarmos caldeirões na alquimia... ― disse Rael, analisando-o com calma. Podia-se notar alguns símbolos sobre o metal pela parte de fora e até mesmo dentro.

 

― O que significa esses símbolos? Letras de alguma língua antiga? ― perguntou Isabela, ao lado de Rael.

 

― Eu conheço alguns. Aquele parecido com um ‘T’ significa Potência, aquele outro que parece uma roda com fios, significa Energia ― explicou Rael, apontando para alguns. Isabela ficou olhando em silêncio por um tempo, mas sem fazer a menor ideia do significado destes.

 

― Modo de preparo da Pedra Espiritual da Natureza... ― Keylla agora estava próxima das prateleiras, lendo um dos pergaminhos.

 

― Pedra Espiritual da Natureza? ― Rael perguntou curioso, se dirigindo à mesma. Isabela seguiu Rael e eles ficaram mais curiosos com os pergaminhos.

 

― Eu peguei dessa lista, parecem ser todos de um mesmo tipo ― explicou Keylla, apontando para a prateleira onde havia mais desses mesmos pergaminhos azuis, todos em forma de rolos e com tiras de seda amarrados. Os pergaminhos estavam organizados, e todos de um grupo pareciam estar separados dos outros, como se fossem qualidade diferentes. Com isso, Isabela e Keylla foram para diferentes grupos de pergaminhos.

 

― Preparar Espirito da Ave Celestial da Montanha? ― foi Isabela quem perguntou ao olhar um tipo de pergaminho amarelo. De onde ela tirou esse pergaminho, havia mais seis outros que pareciam idênticos.

 

― Parece que esse caldeirão é usado para a criação de outro tipo de coisa ― disse Rael, depois de também analisar alguns pergaminhos.

 

―Invocação do Espirito Demoníaco Lotus de Sangue ― disse Keylla, olhando outro dos seus azuis.

 

― Parece que todos são ingredientes para formar invocações ― disse Rael se aproximando e olhando o de Keylla novamente.

 

― Olha esse, gente: Espectro de Fogo Ardente. Aqui diz que é uma das mais poderosas invocações do tipo Fogo ― disse Isabela em seguida, chamando atenção de Rael e Keylla.

 

― Violeta precisa ver isso ― disse Rael e saiu flutuando para chamar Violeta.

 

                Alguns minutos depois, Violeta apareceu e analisou com calma os pergaminhos.

 

― Vocês estão certos. São listas e mais listas de ingredientes para formar invocações místicas ― disse Violeta com os olhos arregalados. Não parecia ser grande coisa, mas as mãos de Violeta se tremiam enquanto analisava cada vez mais os pergaminhos.

 

― Isso é uma coisa boa, Violeta? ― perguntou Rael, notando que Violeta parecia um pouco nervosa.

 

― “Isso” provavelmente é uma das coisas pela qual você foi caçado e traído, Rael. Invocações místicas são consideradas as invocações mais poderosas existentes no mundo. Isso porque elas estão ligadas diretamente à essência de seu mestre. Diferente dos clones que a gente cria, elas não requerem nenhuma energia de ativação, além de ter mais poder ― disse Violeta.

 

                Quando ela fez essa explicação, o queixo de Rael quase despencou. Porque ele sempre precisava usar o seu poder nos clones. Uma invocação desse porte seria extremamente útil, porque mesmo estando enfraquecido elas poderiam ser usadas normalmente, algo que é bem diferente na conjuração de um clone, que desaparecem quando não há mais energia.

 

― Só é  uma pena elas terem tantas regras de uso... ― disse Violeta suspirando. Apenas certos povos e pessoas com determinado tipo de sangue poderiam usar a maioria das invocações. Também tinha até regras de espécie entre outras variadas coisas.

 

― O que quer dizer com isso? ― perguntou Rael ao lado de Violeta. As guardiãs também a cercavam, todos estavam curiosos a respeito.

 

― Você ouviu bem. Por exemplo, o Guerreiro de Rocha. Para poder invocar esse espirito místico, precisa ser da Tribo da Rocha de um planeta avançado da qual essa tribo existe, além de ter que conseguir a benção deles ― explicou Violeta, e mudou para outro pergaminho: ― Para invocar o Espirito Fada Milagrosa, precisa ter o sangue do clã Fadas da Pureza, do planeta tipo comum de Kayrous. Tudo isso são regras e, sem essas condições, essas invocações não funcionarão na maioria de nós. A única exceção é você ― disse ela, olhando fixamente para Rael.

 

― Então não existe nenhuma regra para mim? Maravilhoso! ― disse Rael.

 

― Seria bom se não existisse nenhuma regra para ninguém. Assim, todas nós e os seus discípulos poderiam ter uma invocação mística como apoio ― disse Violeta, com uma certa tristeza na voz. Uma invocação no nível de uma violadora seria muito útil em infinitos casos.

 

― Realmente... ― concordou Rael, após ouvir aquela conclusão.

 

― Você pode pensar que é fácil criarmos uma invocação mística, mas aqui segue uma lista de infindáveis pergaminhos até termos todos os ingredientes para formar a invocação. Cada item dessa lista é um ingrediente para o passo final de preparar a invocação.

 

― Isso é muito mais trabalhoso que criar pílulas ― disse Rael.

 

― Pilulas nem se compara com isso. Criar uma invocação mística é extremamente trabalhoso, mas o resultado desse esforço vale muito a pena. ― disse Violeta, continuando em seguida ― Mesmo um simples ingrediente desses poderia causar a destruição de um planeta por sua procura. Não foi a toa que você foi traído. Essas invocações aqui estão completas e, para consegui-las, basta nós seguimos toda a lista de preparos. Também iremos precisar de um caldeirão desses. Bem, Emilia pode cuidar disso ou Alexia pode fazer uma viagem para o exterior e consegui um ― disse Violeta após refletir por alguns instantes.

 

― Vamos criar uma invocação para mim?

 

― Dentre as invocações possíveis para você, só existe uma no momento que você poderá possuir. É a Harpia Imortal Humana. Ela é semelhante a uma mulher normal, mas tem um enorme poder bestial em seu corpo ― explicou Violeta.

 

― E ela é forte? ― Rael ficou interessado.

 

― O nível dela será igualado ao seu. Mas escute bem, Rael, diferente de um clone, invocações místicas demoram a se recuperar e regenerar. Se ela for morta em batalha, o tempo para ser conjurada novamente pode durar vários dias, e se ela for apenas ferida, mesmo que mortalmente, o tempo será de aproximadamente metade do tempo de morta.

 

― E tem alguma regra? Algo mais que eu deva saber?

 

― Não existe regras. A partir do momento que você cria uma invocação mística, ela ganha uma alma e se tornará um tipo de vida vinculada a sua. Ela vai ser como uma escrava.

 

― Escrava? ― perguntou Rael curioso.

 

― Antes de a criarmos, ponha uma coisa na sua cabeça. Elas podem ter vontade própria, mas você não precisa ouvir nada que elas te disser. Invocações não passam de invocações, então não pense em tratá-las como se fosse um ser igual a você. Se você fizer isso, vai enfraquecer o elo que existirá entre vocês ― explicou Violeta.

 

― Por que você está me dizendo isso?

 

― Porque você vai começar a pensar que a sua invocação merece algum tipo de tratamento especial, ou sei lá o quê. Ela poderá ter vontade própria, mas não passará de um espirito místico destinado a servir o seu mestre, você. A invocação será como uma escrava, só que muito mais leal, Rael. Desde que você entenda isso, eu irei te ajudar ― disse Violeta. Rael fez um sim depois após refletir um pouco.

 

                Violeta era preocupada com Rael porque nesse quesito ele ainda era muito bobo. Rael tinha o coração muito mole e ela tinha medo que a invocação descobrisse esse ponto fraco dele. Além disso, essa invocação tinha um corpo feminino, o que já poderia ser um  gravíssimo problema, já que ela não sabia se Rael já tinha melhorado um pouco seu jeito fraco para mulheres bonitas. Mas uma invocação não poderia atrapalhar o seu mestre, era a lógica. Violeta teria escolhido outras se não fosse por diversas condições que ainda não estavam cumpridas e pelo fato de que a maioria dos ingredientes de outras só teriam em outros mundos. Por enquanto, Rael poderia ter essa Harpia.

 

― Leia esses cinco pergaminhos, são todos os ingredientes principais que temos que conseguir para produzir uma invocação mística da Harpia Imortal Humana ― disse Violeta, passando alguns rolos para Rael. ― Decore todos esses, depois iremos criá-la. Eu vou te ajudar nisso ― disse Violeta.

 

                As guardiãs foram chamar Emilia para mostrar o caldeirão e ela poder produzir um no dia seguinte.

 

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                No dia seguinte, Rael se despediu de Anita, que dormiu a noite inteira abraçada suavemente com ele. Ela ficou um pouco triste por saber que seu Rael já precisava partir, mas quando ela se casou com ele, já sabia que o tempo do jovem não ia ser muito longo para ela.

 

                No esconderijo, Rose estava comendo uma maçã encostada de costas em uma parede rochosa, olhando os cristais de teleporte. Um portal roxo surgiu no meio do quarto rochoso e Rael saiu dele.

 

                Quando Rose viu Rael, seus olhos brilharam. A bela jovem celestial sorriu esquecendo sua maçã mordida e a fez sumir, guardando no bracelete. Ela correu graciosamente e saltou em Rael, sendo pega nos braços por ele.

 

― Opa, peguei você! ― disse Rael pegando a moça nos braços enquanto fechava o portal atrás. Rose cruzou as pernas na cintura de Rael, como se quisesse prendê-lo, e o abraçou beijando. A moça ficou extremamente feliz por ter Rael de volta.

 

                Rael sentiu o delicioso hálito doce da moça com gosto de maçã. Os lábios de Rose eram tão macios que Rael pensava que podiam até se derreter. Como sempre, Rose estava usando um belo vestido de festa, com meias longas e luvas compridas. E seu cheiro era extremamente agradável, era como se Rael estivesse abraçado a um mar de rosas perfumadas.

 

                Rose era extremamente atraente, bonita e animada. Não havia como alguém não se apaixonar por ela. Ela não tinha nenhum corpo incrível como o de sua mãe, mas ela bela mesmo assim, com sua juventude pura. Rose era tão linda como uma flor a desabrochar, sua pele branca era suave, quente e cheirosa. Não havia como Rael resistir a essa maravilhosa tentação.

 

                Os dois se beijaram initerruptamente por vários minutos. A celestial não queria solta-lo com medo de passar vários dias sem vê-lo novamente. Os dois ficaram assim abraçados e Rose escondeu o rosto, cheirando intensamente o peito de Rael para guardá-lo na mais profunda memória. Não era só Rael que gostava do cheiro dela, ela também amava o cheiro dele.

 

― Tudo bem, Rose... Eu vou passar um tempo com você hoje, não precisa ter medo ― disse Rael, para aliviar um pouco a ansiedade da jovem Celestial. Ela abraçava Rael com afinco, estava claramente com muitas saudades.

 

                Dentre as mulheres de Rael, Rose nunca o incomodava. Se ele estivesse com companhia, ela iria cumprimenta-lo, mas não ficaria por perto para não atrapalhar em nada. Ela também não ficava cobrando Rael por tempo, ela ficava quieta e não enviaria qualquer chamado ao rapaz. Esse era o jeito dela. Ela só iria avançaria nele quando eles estivessem sozinhos.

 

                Rose tinha consciência que Rael era um homem ocupado e ela sempre procurou não ser inconveniente para com ele. A moça adorava Rael e o amava verdadeiramente, mas ela nunca o incomodaria. Se Rael não voltasse de tempos e em tempos, ela não diria nada embora sentisse muita saudade. Ela também não tinha ciúmes de Rael, e não seria difícil fazê-la se deitar com outra mulher se Rael quisesse a três com Rose. O único problema é que, na relação sexual, quando Rose ficava muito excitada, ela soltava descargas elétricas, e isso poderia ferir a terceira parceira, principalmente quando chegavam no clímax.

 

― Vamos da uma volta, Rael. Você nunca mais me levou em um passeio ― Rose tinha medo até de deixar Rael entrar no esconderijo, porque isso poderia fazer as outras mulheres tomarem o tempo de Rael e, no fim, ela ficar sem tê-lo novamente.

 

                Rael passou as mãos carinhosamente nos cabelos azuis ondulados da jovem e bela Celestial:

 

― Eu disse que vou passar um tempo hoje com você, e cumprirei isso. Não se preocupe ― Rael garantiu e ajudou a moça a se soltar dele. Ela ainda queria ficar mais tempo abraçada com Rael, o coração dela se agitava apenas em estar na presença dele.

 

 

                Por trás da parede, na sala de descanso, estava Rika parada. Ela podia ler na mente de Rael que ele veio por elas duas. Rika imediatamente começou a ficar tensa. Fazer sexo na outra espécie era algo bem simples e não tinha intuito de causar sensações de prazer mas, nessa, de acordo com os pensamentos e memórias da filha, era algo tão bom e maravilhoso que facilmente tiraria o juízo de qualquer pessoa. Rika não estava mais conseguindo segurar o seu desejo de ter esse delicioso momento de prazer com Rael.