O Herdeiro do Mundo

288 - O Pedido de Alana

O dia seguinte começou nublado, as nuvens se fechavam no céu, indicando que à tarde teria muita chuva.

 

                Rael se despediu de suas duas esposas e saiu, depois de tomar o seu café matinal com elas. Mara e Natalia ficaram em silêncio da mesa, vendo Rael partir. As duas ficaram assim por várias respirações. A cada segundo, Mara parecia respirar mais aceleradamente.

 

― Prima, o que foi? ― Natalia perguntou, pousando a xícara em cima da mesa.

 

― Vamos imediatamente fazer o teste! ― Mara puxou a mão de Natalia e as duas saíram atiradas de dentro da casa.

 

― Não acha que está um pouco cedo? Fizemos ontem, como é que vai se formar qualquer vida em nosso corpo dentro de tão pouco tempo? ― Natalia disse sendo puxada. Mara estava muito ansiosa com uma possível gravidez. Ela havia perdido a primeira e agora Rael afirmou que possivelmente daria certo, ele até usou uma pílula para facilitar! E Mara confiava muito nas pílulas de Rael, então ela definitivamente acreditava que deu certo na primeira tentativa.

 

                Nas ruas do clã Torres ou em qualquer lugar, quando as pessoas viam Natalia e Mara ficavam em estado de choque. Por onde aquelas beldades passassem, as pessoas abririam espaço e a reverenciavam com um respeito tão grande que elas pareciam duas rainhas perante aos seus súditos. Não havia mais uma pessoa no mundo que não tinha decorado todas as mulheres e amantes de Rael, até seus discípulos as pessoas conheciam.

 

“Mara, Natalia, Anita, Rose, Keylla, Isabela, Verônica e uma mulher de cabelos prateados, dizem que o nome dela era Andréa, mas ninguém mais parece tê-la visto ultimamente. A mestra de Rael é uma magnifica mulher de cabelos ruivos, e dizem que a mãe de Rose também é uma bela mulher de cabelos azuis como a filha”.

 

                Esses comentários acima eram comuns, sem mencionar quando se deparavam com um dos discípulos. Eles listavam toda a família Alencar, as duas belas filhas da família Reis e até mesmo Beatriz.

 

                “Isabela e Beatriz são irmãs, filha do falecido patriarca do agora extinto clã Sangnos. Foi uma sorte grande que elas conseguiram de alguma maneira se aproximar de Rael para evitar caírem junto com o clã”.

 

― Quando eu ter a certeza da gravidez, farei com que aquela princesinha metida seja a primeira a saber! ― Mara continuava correndo e praticamente arrastando Natalia enquanto pensava em Anita. Como primeira esposa, ela não conseguia aceitar o fato de que não seria a primeira a ter um filho de Rael. Ela queria pelo menos vencer nesse quesito, para que no futuro todos soubessem com quem Rael teve o primogênito.

 

― Prima você está exagerando, nossa irmã Anita não liga para essa disputa ― disse Natalia, seguindo a prima ainda sendo puxada. As pessoas em volta continuavam abrindo caminho facilmente ao vê-las passar. Todos sabiam que agora ambas estavam no décimo primeiro reino.

 

― Irmã? Desde quando ela é nossa irmã? Eu aprovei isso à força. Nunca vou aceitá-la como aceitei você! ― bufou Mara indignada. Natalia só podia sorrir sem graça, vendo a prima reclamando.

 

                Antigamente, os homens ainda lançariam olhares invejosos para as mulheres de Rael, mas agora, quando a viam, eles fariam o possível para não olhar uma segunda vez, isso porque antes eles tinham medo de Rael, mas agora até suas esposas estavam famosas e poderosas, principalmente Mara e Natalia.

 

                O consultório médico do clã era um pequeno prédio com uma escadaria. Subindo, havia um corredor onde as pessoas faziam filas, esperando sua vez de serem atendidas. Havia cerca de 15 pessoas entre homens, mulheres e crianças. Quando viram Mara subindo com Natalia atrás ficaram todos congelados.

 

                Eles imediatamente abriram espaço para que Mara pudesse passar com Natalia.

 

― Jovem mestra Mara e Natalia, por favor, passem na minha frente... ― disse o primeiro homem sem ousar olhá-las diretamente nos olhos.

 

― Jovem mestra... ― A próxima foi uma mulher morena quem disse, enquanto mantinha a cabeça baixa. E terminou que todos fizeram o mesmo e as duas viraram as próximas pacientes. Mara não discutiu com ninguém, se eles estavam cedendo a vez por boa vontade, por que ela recusaria?

 

                O doutor abriu a porta e um homem com o braço enfaixado saiu. Chamando o próximo, Natalia e Mara entraram no salão. Ele nem notou de imediato pois verificava um pergaminho em mãos, e fechou a porta atrás das duas.

 

― Em que eu posso ajudá-las, senho...! ― quando o doutor percebeu quem eram as duas beldades do clã, seus olhos se esbugalharam e seu coração disparou, elas nem disseram nada e ele já estava praticamente tremendo.

 

― Doutor, faça-nos o teste de gravidez. Quero que veja se eu estou grávida ― disse Mara e ficou em pé, esperando em frente ao doutor de roupas verdes.

 

                Os doutores eram homens com o caminho da Vida e alguns, além de médicos, eram alquimistas, que também combinava muito com seus elementos de liberações. Eles cobravam por sessão e todos os pacientes pagavam quando eram atendidos.

 

― Doutor? ― Mara teve que chamar sua atenção pela segunda vez. Ela estava esperando que o homem fizesse a verificação.

 

― Com licença... ― disse o doutor suando frio e estendeu a mão, encostando cuidadosamente no ventre de Mara e liberou sua energia. Ele estava tocando por cima da blusa dela e apenas levemente, mas já estava assustado até a alma. Mara era tão famosa quanto Rael no clã. Ela tinha matado dezenas de pessoas durante a última batalha com o menor esforço, e todos sabiam o quão perigosa ela era. Se um mero pensamento errado passasse na cabeça do doutor e ela notasse, ele seria morto imediatamente. Era assim que ele pensava.

 

― E então, doutor, como está o meu filho? ― Mara perguntou ansiosa. O homem ainda estava lançando seus sentidos, mas não sentia qualquer coisa. Ele retirou a mão cautelosamente e ficou pensando na resposta que daria. Se ele dissesse que ela não tinha nenhum filho, será que ela ficaria nervosa e o mataria instantaneamente?

 

― Doutor, o que foi? Por que não me diz nada? ― Mara começou a ficar um pouco irritada com a demora do diagnóstico. Natalia, atrás, percebeu que o homem se tremia por medo, e não era tão ingênua. Ela há muito já tinha notado como as pessoas a tratavam.

 

― Prima, não temos como engravidar em apenas um dia... ― Natalia disse baixinho no ouvido de Mara. O doutor não entendeu o que ela disse no ouvido de Mara. Para ele, era como se Natalia tivesse falado alguma coisa má sobre ele. Ele sentiu vontade de se ajoelhar perante o olhar furioso de Mara e implorar por sua vida. As pernas dele chegavam a tremer. Mara tinha um olhar furioso porque não queria concordar com o que Natalia disse.

 

― Doutor, quantos dias após o ato sexual levaria para que uma criança comece a se desenvolver?

 

                Quando Mara fez a pergunta, quase que imediatamente o doutor desaba no chão. Ele já estava preparado para implorar por sua miserável vida e, no fim, saiu algo bem simples da boca de Mara.

 

― Se-seria, aproximadamente, 5 dias após a relação ― disse o doutor. Mara o fitou nervosamente por alguns instantes e depois deixou sobre a mesa uma moeda de ouro, que seria referente ao pagamento pela consulta. Depois, se virou e saiu da sala de atendimento. Natalia cumprimentou o doutor com um leve aceno de cabeça e saiu com a prima, que não olhou  para trás. O doutor moveu a cabeça uma vez nervosamente para Natalia em resposta, e fez um grande esforço para isso. Ele sentiu que morreria pela pressão causada por Mara.

 

                O doutor suspirou aliviado por ela não ter feito nada contra ele. E depois se afundou na cadeira para se recuperar do medo antes de continuar com o atendimento.

 

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                O castelo Grinfem parecia muito mais grandioso que antigamente. Os guardiões exalavam auras majestosas e estavam ainda mais orgulhosos. Com o crescimento do poder de Rael, o poder imperial também aumentava. Muitos clãs os visitavam para parabenizar as conquistas do imperador Elidas.

 

                O imperador Elidas agora estava completamente satisfeito com tudo. A fama de seu poder crescia a cada instante que a de Rael ficava maior. Agora ele estava mais do que seguro de que seu império ficaria em boas mãos.

 

                Rael e Anita passaram um tempo juntos e Rael confirmou que ela estava grávida.

 

― Viu, eu te disse ― disse ela sorrindo depois de Rael analisar o ventre dela.

 

                Rael se sentiu um pouco estranho, essa era a segunda vez que ele passava por aquilo, mas dessa vez ele estava preparado.

 

― Agora, será que é menina ou menino? Você saberia nos dizer, amor? ― perguntou ela, sempre com um sorriso meigo e contagiante. Anita estava feliz por saber que em breve teria o seu primeiro filho. Não importava muito o sexo da criança, ela só queria alongar o assunto.

 

― Não sei dizer ainda ― disse Rael com um meio sorriso. Como era algo que ele esperava, ele não ficou decepcionado. Quando ela havia dito no clã Torres naquele tempo, ele ainda estava em estado de recuperação e por isso deu pouca atenção. Mas agora ele deu a devida atenção, deixando Anita completamente satisfeita.

 

― O médico disse que só saberia o sexo a partir dos três meses, onde a energia yin ou yang ficariam mais fortes no bebê. ― Comentou ela.

 

                Rael e a princesa namoraram por um tempo. Ela estava grávida, mas não sem desejos, e além disso era o tempo inicial da gravidez.

 

                Quando a noite chegou, Anita trouxe Alana para a presença de Rael. Havia algo que elas duas tinham combinado, e Anita queria a concordância de Rael.

 

                Alana entrou no quarto deles muito bem vestida e exalando um perfume deveras atraente. Ela segurou as abas de sua saia com uma certa timidez e estava um tanto inquieta, como se estivesse com vergonha, seja lá do que fosse fazer. Rael percebeu isso, mas não se incomodou. Anita tinha dito que sua irmã era muito inteligente e o apoio dela poderia ser perfeito para ajudar na evolução do império. Anita admitiu que não era tão inteligente quanto a irmã sobre os assuntos governamentais, mas isso não irritou Rael nem um pouco. Na verdade, ele também não ligava para isso. Ele criaria leis e tentaria melhorar todo o império, mas estava por fora das consequências de suas leis e de como iria fazer para melhorar as coisas.

 

                Contudo, Rael tinha Neide e Rayger que obviamente o ajudariam. Então ele pouco estava ligando para a burocracia de governança. Desde que ele conseguisse abolir a escravidão e melhorar um pouco a vida das pessoas mais pobres já estava muito bom.

 

                Rael não era nenhum santo, mas como ele tinha vivido uma vida de miséria e entendia o que era sofrer, o que era fome, o que era ser humilhado. Por ter passado por tudo isso, ele, melhor que ninguém, entendia esses sentimentos. Por essas razões, ele jamais cruzaria os braços para os que agora vivem essa situação.

 

― Rael, minha irmã e eu conversamos por um longo tempo a respeito de você e do império. E eu fiz um acordo com ela, é claro, apenas se você concordar. Minha irmã tem mais experiência para governar e vai me ajudar com uma pequena condição.

 

― Que condição seria essa? ― perguntou Rael, observando a séria Alana. Alana parecia muito ansiosa e apertava constantemente as abas do vestido. Apesar dele ter conversado com Anita, ela ainda não havia mencionado a tal condição.

 

― Minha irmã quer que você a tome como discípula. Se você fizer isso, ela irá cooperar comigo em tudo o que eu precisar ― disse Anita e Rael abriu a boca confuso. Ele não esperava que fosse algo tão simples. Pela expressão de Alana, parecia que ela iria pedir para ser uma nova noiva de Rael. Rael há muito já tinha esse tipo de experiência. Pedir para ser apenas sua discípula era algo razoavelmente fácil.

 

― É só isso? ― Rael perguntou, achando estranho tamanho nervosismo para nada.

 

― Não só isso... ― disse Alana, apertando as mãos do vestido cada vez mais ansiosa: ― Meu pai tem um bom relacionamento com o meu tio Hernandes, ele quer me casar com um primo da família porque vou acabar passando da idade para casar. E como você e Anita serão os próximos imperadores, eu não posso continuar solteira... ― Alana apertava o vestido mais intensamente e seu rosto corava cada vez mais. Rael esperou ela explicar até o fim.

 

― Eu não quero me casar com meu primo... Ele é nojento, arrogante, asqueroso... Eu não posso me casar com ele, e não quero! Mas, da forma que tudo se segue, acabarei sendo forçada... ― explicou ela, parecendo angustiada.

 

                Mesmo Anita tinha pena da irmã, porque se Rael não tivesse a escolhido, provavelmente ela poderia estar na lista para se casar com aquele gordo feio, fedido e nojento. Era como as duas viam o primo pretendente.

 

                Elidas tinha uma promessa com Hernandes. Não era algo tão simples, ele devia um favor enorme a esse irmão e o mesmo só tinha um filho, que era esse gordo que as duas odiavam. Dessa forma, era inevitável tentar fugir do casamento, a menos que Alana se desertasse por vontade própria porque, uma vez que o imperador desse a sua palavra, ela só se quebraria com algo muito sério no meio. Algo que não se pudesse evitar. Não seria uma simples recusa da filha que faria Elidas voltar atrás de sua palavra.

 

― E como eu poderia te ajudar?

 

― Eu quero que você diga ao meu pai que me tem como amante... Você não precisa me assumir de verdade, mas diga que também gosta de mim e assim ele vai quebrar a promessa de casamento. Você é o homem que meu pai mais respeita, então ele irá ouvi-lo. Se você fizer isso por mim, eu juro, não importa o que minha irmã precisar, eu vou ajudá-la, e se você precisar de alguma coisa, prontamente eu o ouvirei! ― disse Alana e baixou a cabeça em respeito a Rael. No início, ela tinha muita raiva dele por não tê-la escolhido, mas com o tempo, ela foi deixando a raiva de lado e o admirando cada vez mais por seus feitos e tratamento para com sua irmã caçula.

 

― Isso é fácil, mas se você ficar conhecida como sendo a minha amante, vai ser difícil achar alguém no futuro para se casar.. ― disse Rael em um tom pensativo. Ambas as irmãs tinham sangue reais e suas belezas eram incomparáveis, mas Rael não estava nem um pouco se importando com isso. Na realidade, ele estava pensando por outro ângulo. Quanto mais forte Alana ficasse, mais ela poderia proteger a sua irmã.

 

― Rael, minha irmã é bonita. Se você tiver interesse nela, eu não ligarei de você também ficar com ela. De verdade. Minha irmã acha você o máximo, ela mesma já me disse isso várias vezes, então eu tenho certeza que não será um problema. ― disse Anita. Alana lançou um olhar vermelho para a irmã e um pouco irritada.

 

                É obvio que escolher entre seu primo e Rael, ela preferia infinitas vezes Rael, mas havia uma longa diferença entre fingir ou ter um caso a sério. Mas Alana ficou surpresa por sua irmã de certa forma abrir espaço para ela em seu relacionamento.

 

Rael ficou em silêncio olhando para princesa de pé em frente a ele sem dizer nenhuma palavra. Ele estava analisando o que faria a seguir. A resposta ele já tinha, mas estava já pensando nas diversas explicações que daria para as suas ciumentas esposas e guardiãs. Ele fez um juramento para as guardiãs que não iria mais cruzar a linha e encaixar mais alguém entre elas.

 

― Minha irmã está falando besteira, Rael. Eu só quero que você finja que tem um caso comigo. Não tenho intenção de ter você como o meu homem de verdade! ― disse Alana completamente enrubescida, tentando rapidamente contornar o que a irmã disse.

 

― Eu apoio completamente, vocês duas são irmãs e estão com níveis de poder parecido. Assim que uma atingir o renascimento, a outra precisará estar forte para protegê-la e vice-versa. Ajudar você é bom para o futuro das duas ― concordou Rael facilmente, deixando Alana com olhos brilhando.

 

― Rael, obrigada! Obrigada! ― a princesa reverenciou Rael várias vezes, toda feliz e ainda corada. Anita estava em pé ao lado de Rael e sorriu satisfeita, vendo sua irmã feliz. Nesses últimos dias, de vez em quando ela se deparava com Alana triste pelos cantos, pensando em seu cruel destino.

 

                Se Alana se casasse, seria provável que ela deixasse o castelo, e isso iria fazer Anita ficar sozinha. As duas irmãs, mesmo com suas visíveis diferenças, elas se davam bem e preferiam ficar juntas. Com Alana longe, Anita também não poderia receber apoio, e isso seria ruim de diversas formas.

 

― Não se preocupe com isso. Desde que vocês cuidem bem uma da outra e se mantenham unidas, eu farei o possível para ajudá-las com certeza ― disse Rael em seu tom calmo e natural. Isso deixou Alana ainda mais feliz. Ela se sentiu uma idiota por antes ter pensado um pouco negativamente sobre Rael.

 

― Obrigada ― ela repetiu isso com estremo respeito a Rael. Ela não era alguém que esqueceria de favores.

 

 

― Vocês precisam oficializar isso agora mesmo, vamos falar com o papai! ― disse Anita sorrindo animada para os dois. Rael concordou e os três partiram para concretizar esse plano.




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