O Herdeiro do Mundo

285 - O Sábio Da Montanha

Quando a noite chegou, Rael já estava de volta em seu quarto, na residência principal do clã. O clã ainda estava passando por reformas, havia muita movimentação e obras pela cidade.

 

Elisa não faltou como Rael ordenou e trouxe com ela uma bela mulher morena. Essa mulher tinha uma aparência nobre e era muito bonita, aparentando ser mais nova que Elisa. Rael não podia ver toda a face dela devido a ela usar um capuz vermelho, então a princípio ele só pôde ver os traços bonitos de seu rosto.

 

                Quando as duas entraram, Elisa baixou a cabeça esboçando respeito por Rael e a mulher fez o mesmo, depois de dar alguns passos a mais para frente. Rael estava em pé, de costas para sua mesa, enquanto analisava as duas com um ar naturalmente calmo.

 

― Retire o capuz. ― disse Rael em um tom casual.

 

                Rana obedeceu e removeu o seu capuz com as duas mãos de uma maneira quase tímida, deixando surgir vários cachos encaracolados de um belo e longo cabelo loiro. O rosto dela agora, junto a visão dos longos cabelos escondidos dentro das roupas, era muito bonito e ficou ainda mais quando ela puxou os cabelos para fora. Rael ficou parado silenciosamente em seu canto, sem parecer mudar qualquer expressão em seu rosto. Ele não disse uma palavra e ficou apenas a observando em silêncio.

 

― Eu me chamo Rana Song, jovem mestre. Espero que possa me perdoar por ter trabalhado contra você ― Ela se curvou e baixou a cabeça, se mostrando um pouco arrependida. Ela tinha vindo inicialmente porque Elisa pedira e Elisa sabia tudo sobre ela. Se Elisa quisesse entregá-la, Rana não teria mais como se esconder no continente Sul. Só precisaria de uma ordem de Rael e todo o continente se moveria para encontrá-la, fazendo com que nem mesmo sua versátil habilidade a salvasse. Além disso, ela também tinha um forte pressentimento que Rael estava de olho nela, quase como se visse tudo através dela.

 

― Você invadiu a minha residência, tentou me matar e armou contra mim. Sem mencionar que você e Elisa, trabalharam juntas e foram as verdadeiras responsáveis pela morte da família Serrari, a família de Rita. Você pode imaginar o quanto eles eram importantes para mim? ― Rael perguntou friamente e continuou a encarar a bela mulher. Mas a expressão de Rael não tinha nenhum ar de admiração por ela ou qualquer coisa do tipo. Na verdade, ele tinha até mesmo um olhar fulminante para ela, e esse olhar era facilmente percebido por Rana.

 

                A pergunta de Rael fez o rosto bonito de Rana se contorcer amargamente. Ela tinha vindo porque não tivera escolha, se ela pudesse sumir do mapa sem ter chance de ser descoberta, certamente o faria, mas Elisa sabia tudo sobre ela. Também tinha seu pressentimento sobre Rael e tudo o mais. Com isso, ela tomou a decisão de vir, mesmo sabendo que ele provavelmente a puniria.

 

― Eu... Eu sinto muito... Espero que o jovem mestre possa perdoar meus erros ― Rana disse com um tom de medo. Ela sabia o quanto Rael era frio e como muita gente morreu nas suas mãos, inclusive a história do elder Diego que morreu assustadoramente sendo transformado como se seu corpo fosse um monte de lama gelatinosa. Rael, para ela, era como um verdadeiro monstro no qual ela nunca deveria ter se metido. Foi um erro enorme ter trabalhado para a ex mulher do patriarca. Elisa era outra que não pensava diferente, Rael era um monstro assustador em combate, e ainda por cima, era seu filho.

 

― Você sente muito? Por acaso acha que isso é suficiente? A família Serrari foi queimada viva, inclusive a minha Rita, e isso é culpa de vocês duas! Vocês duas fizeram da minha vida um verdadeiro inferno nos últimos meses! ― Rael tentava agir friamente, sem mais conseguir ficar apenas sério. Ele estava mesmo irritado com as duas. Desde que os poderes de Rael aumentavam, naturalmente iria se tornando mais calmo. Mas, em alguns momentos, como esses, ele não conseguia se controlar. A vontade dele era punir Rana com todos os seus métodos, mas por ela ter tomado a decisão de encontrá-lo, ele estava pegando leve. Se ela tivesse escolhido não aparecer, aí sim ele pegaria pesado. Mas isso não significava que iria amansar o lado dela.

 

― Jovem mestre, eu imploro pelo seu perdão, eu juro que nunca mais farei nada contra você e, se precisar de qualquer serviço meu, qualquer coisa que desejar e estiver ao meu alcance, eu o farei, não importa o pedido que você tenha ― Rana disse o mais rápido que pôde porque ela sentiu que Rael estava prestes a tomar uma decisão contra ela. Involuntariamente ela se tremeu, ela não era uma mulher que tinha medo fácil. Mesmo quando Elisa a ameaçou uma vez, ela sequer deu muita atenção, mas diante desse jovem e todas as histórias que ouvia sobre ele, ela não podia deixar de temê-lo.

 

― Nada que você fizer nessa vida vai me fazer perdoá-la pelo que fez a mim. ― disse Rael de volta e concentrou seu poder enquanto a encarava. Desde que fora atacado por essa mulher na sua casa, Rael tinha deixado uma marca no corpo dela com aquele ataque que acertou suas costas. A qualquer instante ele poderia ter acabado com a vida dela mesmo de longe após o poder fazer o devido efeito, alguns dias após o ataque. Ele não o fez porque preferiu usar isso em algo que valeria mais pontos como, por exemplo, perseguir a mesma e descobrir mais sobre ela e sua mandante. No entanto, ele acabou por nunca o fazer porque não teve chances e tempo, e ele não iria matá-la por qualquer razão, sem ao menos estar perto dela e vê-la pagar caro por ter cruzado o seu caminho.

 

― Aaaaaaaaaaaai! ― Rana gritou e caiu de joelhos no chão. Ela arregalou seus lindos olhos verdes e lágrimas de dor saíam deles. A dor que ela estava sentindo era semelhante a uma forte pontada diretamente no coração. Isso fazia o corpo dela estremecer e sua respiração se agitava. Rana sentiu que estava prestes a morrer a qualquer instante pois aquela dor era assustadoramente insuportável.

 

― Lembra quando você me atacou em casa e eu te acertei um golpe nas costas? Eu marquei você desde aquele dia com o meu poder. Existe uma ligação do meu poder que foi direto para seu coração ao longo dos dias e nunca irá sair. apenas um pensamento meu e você morre, não importa de onde você esteja. Acho que você sabia disso, e por isso decidiu não fugir ― disse Rael e cancelou a pressão que impôs no corpo dela. Rana ficou respirando com bastante dificuldade no chão enquanto suava frio. A dor que ela sentiu agora foi intensa e excruciante, mas isso não era nada comparado com o que ela merecia.

 

― Eu possa senti-la de qualquer lugar desde que você estivesse a um quilômetro perto de mim, mas pra mim ativar essa habilidade e te matar pode ser de qualquer distancia, mesmo se você tiver em outro continente eu ainda poderia. Colocando dessa forma, sua vida está em minhas mãos. Na realidade, sempre esteve ― disse Rael, se acalmando um pouco.

 

                Rana ficou caída de joelhos, ainda pensando o porquê de Rael não tê-la matado antes. Se ele não fez essa escolha, era porque ainda precisava de algo. Ela não conseguiu pensar sobre o que poderia ser. Como Rael era um jovem que facilmente se interessava por mulheres bonitas, ela se preparou bem naquela noite, se maquiando e usando seus melhores perfumes. Rana, em seu desespero, fez tudo o que podia para tentar tocar um pouco o coração do rapaz em seu desespero, ela achou que essa era a única maneira de ser perdoada. Se Rael tivesse qualquer interesse sexual por ela, então ela poderia sair viva de alguma forma. Isso não aconteceu, o olhar de Rael sobre ela era semelhante a um homem olhando um animal inútil.

 

― Por favor, jovem mestre, não me mate! Eu ainda posso ser útil para você. Sei que eu errei e deveria ser punida com a morte, mas eu posso ser mais útil viva do que morta. Eu estou disposta a fazer as coisas certas agora. Por favor, poupe a minha vida! ― Aproveitando que estava de joelhos, a bela mulher abaixou o rosto para o chão, mostrando que não tinha nenhum sinal de resistência. Ela mostrou que estava disposta a ser obediente e usada da forma que Rael quisesse.

 

                A fama, influência e prestígio que Rael tinha agora em todo o continente Sul eram enormes. Se Rael desse um nome de uma pessoa que não gostasse ou de algum clã, então essa pessoa seria perseguida e morta cruelmente, e se caso fosse um clã, esse também entraria em maus tempos. Rael nesse momento era considerado o jovem mais poderoso em todo o continente Sul, ele podia literalmente brincar com as pessoas em suas mãos.

 

― Eu estou pensando nisso agora... Será que você seria mesmo mais útil em vida?

 

― Jovem mestre, apenas me dê uma chance e eu provarei o meu valor. Seja lá o que for, apenas me peça. Eu faço até um Pacto de Sangue se você desejar, ou até mesmo viro sua escrava, mas imploro que me deixe viver. Eu estou verdadeiramente arrependida de ter agido contra você, jovem mestre, eu juro que estou! ― Rana quase gritava essas palavras. O medo irrompera no coração dela. Rael, para ela, era uma pessoa apavorante. Embora fosse um jovem muito bonito, ele tinha um olhar frio e quase mortal.

 

                Rael olhou a Rana de frente, ainda indiferente. Depois da lição que teve com Elisa, ele nunca mais seria tão cego e burro. Além disso, essa mulher, mesmo sendo muito bonita, estava ligada a muitas coisas imperdoáveis e nada que ela fizesse poderia atraí-lo. Essa mulher estava no 8ª reino nível 5. Ela não era muito forte, mas sua habilidade Passos Invisíveis era incrivelmente útil e versátil como espiã e assassina. O que ele mais queria, no entanto, era obter informações.

 

― Levante-se. ― disse Rael e jogou um anel de comunicação pra ela. Rana pegou na mesma hora enquanto se levantava ― A partir de agora você trabalha pra mim. Se desobedecer qualquer ordem que eu lhe der, eu a matarei no mesmo instante. Essa é a única chance que você terá. Não forçarei Pacto e nem tornarei você em uma escrava. Mas, se alguma vez, uma única vez, você ousar trair o mínimo da minha boa vontade para contigo, você morrerá miseravelmente. Estamos entendidos? ― disse Rael.

 

― Muito obrigada, jovem mestre! Eu nunca vou esquecer de sua benevolência hoje. Eu farei qualquer trabalho que me pedir! ― ela se curvou para Rael enquanto fechava os olhos juntos em uma expressão de respeito e gratidão. Depois voltou a ficar em pé com seu ar naturalmente sério, ela estava muito aliviada de não ter sido morta. Mas agora um medo pairava em seu coração.

 

― ‘Ele não mentiu, se ele decidir que me quer morta, eu morrerei imediatamente’ ― pensando nisso, ela se encheu de medo. Ela era uma mulher independente, que nunca esteve nas mãos de ninguém. No entanto, agora ela estava nas mãos de Rael. Isso deixou ela com um enorme medo, pensando na marca que estava em seu coração. De fato, Rael não precisava que ela fosse sua escrava nem de nenhum tipo de Pacto de Sangue, a tal marca era a garantia dele e ele deixou isso bem claro na mente dela momento atrás.

 

                Elisa não tinha dito nada desde que chegou no quarto e estava apenas em silêncio parada em pé. Ela só sairia se Rael a liberasse. Ela não ousava olhar para Rael porque seu corpo sempre ardia em desejo e isso ficava evidente. Nos últimos dias, ela estava lutando para desapegar daquele amor proibido contra o próprio filho, um filho que a odiava na mesma proporção. Elisa não sabia que Rael não tinha o sangue dela ou de Romeo, mas mesmo se soubesse, ela ainda ia se sentir do mesmo jeito. Querendo ou não, Rael saiu de seu ventre, e ela jamais esqueceria disso. Mas seu coração não colaborava com esse pensamento.

 

                Na época que ficou com Rael transformada em Nastácia, ela experimentou muitas coisas que não tinha mais em seu relacionamento com Romeo. Os avanços sexuais do jovem, a proteção dele, a confiança, o tratamento amoroso, o respeito, tudo isso fez o coração de Elisa balançar e levaram-na para esse estado atual de sentimento, ao qual ela não podia evitar.

 

― Me fale sobre a Pílula da Mutação. Conte-me como você conseguiu criá-la ― disse Rael, lançando a primeira pergunta para Rana. Pelo que Violeta mencionou, um dos ingredientes não teria nesse mundo, então a menos que ela recebesse ajuda de fora, ela não poderia produzir essa pílula.

 

― A pílula da mutação pode mudar a aparência de uma pessoa por trinta dias e esconder sua base de cultivo principal. Um escudo é formado e a pessoa não pode ser analisada por qualquer método. Esse escudo retém os instintos assassinos e não deixa ninguém senti-los.

 

― Certo, não precisa mais explicar o que ela faz. Agora, diga apenas como a produziu.

 

― Os materiais para produzi-la são extremamente simples. Requer duas pedras espirituais de bestas demoníaca rank B, uma erva de sangue, uma amostra de DNA da pessoa que será usada como transformação, uma erva de Culem e a essência da erva Rancorosa. A erva Rancorosa não é fácil de ser encontrada e ela não tem em quase nenhum lugar do mundo. Eu ganhei 5 conjuntos delas dos... dos meus pais... Eles ganharam essas ervas do Sábio da Montanha ― disse Rana, depois de uma breve relutância. Ela não queria pôr os seus pais no meio de sua explicação, mas não ousava ofender ou ocultar qualquer informação de Rael.

 

                Quando ela disse Sábio da Montanha, Elisa lançou um olhar para as costas dela.

 

― Me fale sobre esse Sábio da Montanha. ― disse Rael. Não era a primeira vez que Rael ouvira sobre ele. Alguns boatos diziam que ele era um curandeiro habilidoso e que até mesmo podia prever o futuro.

 

― O Sábio da Montanha não é mais visto há cerca de quinze anos. Ele desapareceu sem deixar rastros. As pessoas diziam que ele era como uma divindade, alguns até diziam que ele era um deus na forma de um velho homem. Nas memórias que tenho dele, era um homem velho de longa barba branca que sempre andava para lá e para cá, se arrastando com um velho cajado escuro. Pra mim, ele sempre pareceu um velho fraco e inofensivo, mas os milagres que ele fazia eram surpreendentes.

 

― Milagres? ― perguntou Rael curioso.

 

― Sim. Ele podia curar pessoas, prever o futuro e fora muitas outras coisas mais. Ao longo de seus anos, ele ajudou infindáveis famílias. Inclusive a sua foi uma delas ― disse Rana de repente e lançou um olhar de lado para Elisa.

 

― A minha? O que quer dizer? ― perguntou Rael, agora olhando para Elisa na espera de uma explicação.

 

― Quando você nasceu, fizemos tudo o que podíamos para tentar criar o seu braço direito... ― respondeu Elisa, olhando para a parede ao fundo perto da janela enquanto continuava. Ela parecia estar perdida em pensamentos ― Chamamos alquimistas, curandeiros, os melhores cultivadores do elemento Vida. Gastamos fortunas para tentar fazer você recuperar o braço, e nada deu resultado. Seu pai não queria desistir...

 

― Romeo não é meu pai. Não quero que o refira assim para mim ― disse Rael, interrompendo de repente e depois deixou que ela continuasse.

 

― Desculpe. Ele fez tudo que podia para tentar recuperar esse braço que lhe faltava e acabou desistindo. Foram vários anos de luta para termos você, eu tomei centenas de remédios e mesmo assim não conseguia engravidar. Então, quando você nasceu, foi como um milagre, mas a falta de seu braço direito fez o que fez... Meu marido tentou até mesmo escravas para gerar outro filho e ainda assim não conseguia. O problema não parecia ser apenas eu. Sem saber mais o que deveríamos fazer, fomos atrás de Sábio da Montanha. Ele nos recebeu e se interessou pelo seu caso. Ele disse que conseguiria fazer você ter esse braço, ele garantiu que conseguiria. Na época ficamos muitos felizes e o trouxemos para o clã ― Elisa fez uma pausa curta enquanto parecia se lembrar de algo e continuou.

 

― Estávamos felizes. Se ele pudesse curar o seu braço, então você cresceria forte e se tornaria o nosso sucessor! Mas, infelizmente... depois que ele o viu e tocou em você, ele disse que não era possível te ajudar. Ele disse que os céus não nos favoreciam e, dentro de todos no mundo, você era o único ser que o poder dele não poderia operar ― ela fez mais uma pausa e continuou em seguida. ― Romeo ficou desnorteado, sem forças para continuar lutando... Se o próprio Sábio não podia curar você, então ninguém mais no mundo poderia.

 

                Elisa fez uma outra pausa e seu rosto tinha um enorme senso de amargura. Ela parecia se lembrar desse dia como se estivesse o vivenciando novamente.

 

― O Sábio da Montanha teve compaixão por nós e disse que nos ajudaria. Ele disse que Romeo não tinha uma vitalidade alta, e por isso era difícil para ele gerar filhos. Explicou que não poderia dar um braço a você, mas poderia ajudar a Romeo a ter mais um filho, e essa criança seria a última do seu sangue ― explicou Elisa, fazendo mais uma pausa.

 

― ... Que foi Natalia... ― disse Rael surpreso.

 

― Isso. Nosso sonho era ter mais de um filho, então, mesmo se você tivesse em um bom estado, era possível que ainda lutássemos para ter mais.

 

― Continue. ― disse Rael, cortando o assunto que não era do seu interesse.

 

― Ele disse que nos daria a possibilidade de ter um novo filho, mas explicou que teríamos que pagar um pequeno preço. Ele exigiu que assinássemos um contrato. No futuro esse pequeno preço seria cobrado, mas nós não teríamos que nos preocupar com aquilo naquele momento ― disse Elisa.

 

― Contrato? ― de repente o coração de Rael disparou no peito, ele não esperava que as explicações sobre a pílula fossem chegar na parte do pacto com o espectro.

 

― Sim. Romeo não se importou com o preço a pagar. Contanto que pudesse ter um novo filho, ele aceitaria. Disse que pagaria por qualquer coisa no futuro e então assinou um papel vermelho. Não era como um Pacto de Sangue, parecia apenas um documento comum que ele retirou do bracelete e depois guardou de volta.

 

                Rael ficou boquiaberto ouvindo a explicação enquanto seu coração disparava freneticamente. Ele mal acreditou que chegou no ponto em queria quase que sem querer.

 

― Quando Natalia nasceu, Romeo ficou frustrado por ser uma menina. Ele tentou ir atrás do Sábio novamente, mas o mesmo já havia desaparecido. O sábio deixou bem claro que esse filho seria o último de Romeo, ele não teria nenhum mais. E, o resto você já sabe... ― disse Elisa e abaixou o rosto, parecendo deprimida enquanto se lembrava do passado.

 

 

                Rael ficou em silêncio, ponderando sobre tudo que ouvira. Se ele estivesse certo, esse Sábio da Montanha era um ser de outro mundo.