O Herdeiro do Mundo

284 - Voltando a Rotina

Rael tinha ficado tão descontrolado com a situação envolvendo Elisa que nem ao menos lembrou de perguntar sobre o pacto envolvendo Natalia, mas ele tinha dito que a veria quando anoitecesse, junto com Rana, então ele não se preocupou muito.

 

                Depois disso, sua preocupação mudou para um tópico que ele ainda não queria aceitar completamente.

 

― Ativar: Violeta. Está me ouvindo, Violeta? ― Rael esperou a resposta, enquanto batia a mão do anel no rosto.

 

― ‘Rael? Precisa de alguma coisa?’ ― perguntou Violeta do outro lado.

 

― Conhece uma tal de pílula chamada de Mutação? A pessoa que trocou de forma e se passou por Nastácia usou essa pílula ― disse Rael, que não queria entrar em detalhes. Se Violeta ao menos sonhasse que era Elisa a pessoa por trás de tal coisa, iria atormentar Rael pelo resto da vida. Ela jamais conseguiria parar de rir na presença dele.

 

― ‘Pílula da Mutação? Eu até já ouvir dizer, mas um dos recursos para produzi-la não existe nesse mundo. Então isso é impossível que alguém daqui tenha, de fato, feito. A não ser que Alexia tenha trazido mais recursos de fora para outras pessoas, além de apenas você.’

 

                Falando em recursos, Rael tinha sido presenteado por Alexia com uma vasta variedade deles. Alexia trouxe muitas ervas e pedras, metais, pedras espirituais e outras coisas do outro mundo para Rael. Com isso, Rael poderia atualizar todas as suas criações para outros níveis. Ele ainda não tinha começado a fazer, mas em breve pretendia.

 

― Não existe nesse mundo? Como assim não existe?

 

― ‘Eu só ouvi falar dessa pílula, mas dizem que alguém que a usa tem seus instintos assassinos ocultos junto a aparência. Dizem que é a melhor pílula de disfarce, no entanto, ela só pode ser usada uma vez. Por esse detalhe ela não é tão almejada.’

 

― Entendi. Violeta, me explique mais uma coisa: A pessoa que tomou essa pílula, mudou de corpo, correto? A forma dela virou a de outra pessoa. Então, no sentido geral, eu posso dizer que essa pessoa transformada em Nastácia, na realidade seria a própria Nastácia, certo? O que eu quero dizer é que, quando essa pessoa tomou o lugar de Nastácia, ela virou mesmo essa mulher, de modo que até mesmo o corpo mudou junto, não é isso? Então, basicamente eu poderia dizer que, durante aquele tempo, era como se eu estivesse mesmo com Nastácia, correto? ― Rael tentou evitar deixar muitas pontas soltas na pergunta, mas isso foi inevitável.

 

― ‘Eu não entendi sua pergunta. Seja mais especifico.’

 

― Se eu beijei a Andréa daquele tempo, eu posso dizer que provei dos lábios da própria Nastácia, já que ela estava transformada nela, não é verdade? ― Rael foi direto ao ponto de repente. Violeta ficou em silêncio por alguns instantes.

 

― ‘Você descobriu quem foi a pessoa? Me diga, quem foi?’ ― Violeta, ligeira como era, rapidamente desconfiou.

 

― Responda primeiro a minha pergunta ― disse Rael de volta.

 

― ‘Sua análise está equivocada. A pessoa pode ter tomado a forma de Nastácia, mas isso é apenas semelhante a uma ilusão. Por baixo daquela camada de princesa ainda será outra mulher. Se você a beijou, para você pode ter parecido ser a princesa, mas na verdade você estava beijando uma outra mulher. Agora me diga, quem foi a mulher disfarçada de Andréa?’ ― Violeta mantinha a serenidade do outro lado. Mas, por dentro, ela estava segurando uma vontade quase incontrolável de gargalhar da tentativa de distorção de Rael, embora fingisse estar indiferente. Rael engoliu saliva, só em pensar em falar a verdade para Violeta já o faria tremer na base.

 

― Mas o corpo era o de Nastácia, você não lembra? Ela tinha até as mesmas marcas, não havia nada que a diferenciasse.

 

― ‘Aquilo era apenas uma aparência superficial, Rael. Se alguém se transformasse em mim, teria a minha beleza na aparência externa. Não teria o meu poder, não teria a minha sedução por parte da minha linhagem, nem mesmo o meu sangue. Essa pessoa não teria nada, apenas a minha aparência superficial. Por exemplo, se naquela época eu tivesse conseguido analisar aquela mulher, ela com certeza não seria uma rara humana perfeita. Ela não teria o mesmo sangue de Nastácia. Se você ficou com essa mulher e quer se iludir forçando ser Nastácia, esqueça, pois só está mentindo para si mesmo.’

 

                Quanto mais Rael ouvia as explicações de Violeta, pior ele se sentia. Mas fazia todo o sentindo. Se uma pessoa tomasse a forma de outro e ganhasse o seu poder, seria muito fácil ficar poderoso.

 

― Eu não descobri quem foi, só recebi pistas de ser essa pílula, hehe ― Rael mentiu e riu para disfarçar. Violeta ficou em silêncio por alguns instantes e depois se despediu de Rael sem insistir. Isso deixou Rael ainda mais preocupado. Mas ele não disse nada e encerrou o chamado.

 

― ‘Se ela descobrir a verdade, eu estou frito!’ ― Rael pensou enquanto suava frio.

 

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                Rael, que tinha passado esses cinco dias em um tipo de auto confinamento, finalmente voltou a ativa. É claro que ele sempre recebia visita das pessoas que se importavam com ele, mas naquele estado ele só queria passar um tempo sozinho.

 

                A primeira coisa que Rael fez foi se teleportar para o seu clã Nova Esperança. Lá ele fez uma checagem em cada um de seus discípulos, até mesmo em Thais e Laís. A própria Thais também tinha se tornado discípula dele.

 

― Existem muitos boatos correndo a seu respeito. Você finalmente deu as caras ― disse Thais com um sorriso, enquanto acompanhava Rael em uma caminhada.

 

― Eu sinto como se tivesse tirado uma rocha do meu caminho, só para descobrir que agora existe uma montanha ― disse Rael em um tom casual. Romeo tinha sido seu pesadelo dessa vida, mas da sua verdadeira vida ele estava longe de obter respostas. Ele sequer sabia quais eram seus inimigos. Uma vez que ele precisava libertar as violadoras, ele teria que buscar mais informações de suas origens em mundos mais poderosos e avançados. Buscar mais poder significava que, em algum momento, seus inimigos iriam descobri-lo. Durante esses cinco dias, Rael fez um grande esforço para pensar sobre a sua situação atual e isso o fez perceber que sua vingança dessa vida comparada a da vida passada não era nada. Aqui Rael conhecia seus inimigos e sabia que cedo ou tarde teria o poder para superá-los, mas os inimigos que ele não conhecia, não fazia ideia de como iria ser.

 

― E por que você está pensando assim? Você finalmente conseguiu a sua vingança, está a um passo de se tornar imperador. Não é tudo pelo qual você tanto trabalhou? ― Thais continuava sorrindo enquanto caminhava junto a Rael, isso o fez relaxar um pouco.

 

― Acho que você está certa... ― disse Rael depois de alguns instantes, se resignando. Thais tinha visto através dos olhos dele que ele estava com problemas, ela apenas fingiu não ver e impôs os pontos positivos para que ele relaxasse um pouco, e isso funcionou. Thais não podia ajudar nos problemas de Rael, ela tinha ciência dos envolvimentos de Rael e suas aliadas, seu poder não podia nem mesmo ser comparado a nada perto das aliadas de Rael. Ficar perguntando só iria deixá-lo mais preocupado, por isso ela preferiu agir dessa maneira.

 

                Depois, Rael foi rever Ana. Ana já sabia o que tinha ocorrido e estava muito surpresa com todas as novidades. Os boatos mais picantes eram que todas as mulheres envolvidas com Rael ficavam mais fortes.

 

― Será que vão pensar que sou sua amante também, Rael? ― Ana perguntou tirando uma casquinha enquanto ria da situação. Rael riu de volta despreocupado e acrescentou.

 

― Para a sua sorte, é melhor não pensarem. Principalmente  Mara ou Keylla ― Rael agora tinha duas mulheres duronas, e não apenas uma. Mas ele estava se acostumando e não ligava tanto pra isso.

 

― Nesse ponto eu acho que concordo ― Ana riu levando a mão a boca, enquanto pensava em Mara. Qualquer um podia notar que Mara tinha um forte temperamento. Mas Keylla ela não conhecia bem.

 

― Precisa de alguma coisa? Algum assunto que requer minha atenção? ― Rael perguntou ficando sério.

 

― Se você quiser fazer a coleta hoje tudo bem, mas por enquanto não há nada a mencionar.

 

― Vou fazer uma lista de coisas que vou querer que você compre. Eu andei fazendo algumas armaduras e armas mágicas, mas não fiz para todos. Tenho que terminar ― explicou Rael e Ana assentiu.

 

― Os nossos lucros melhoraram. O senhor Reis se tornou nosso mestre de negócios e conseguiu muitos bons acordos nesses últimos tempos. Alguns clãs estão nos pagando muito bem pelo nosso minério e nossas ervas, mas acho que isso tem seu nome no meio ― explicou Ana. Rael sabia que conforme seu nome crescia, os clãs tentariam se aproximar o máximo possível e manteriam bons termos com ele e seu clã. Agora que Rael tinha oficialmente mudado o nome do clã, ele também o assumiu, deixando seu próprio nome como chefe do clã, fazendo Ana ser a representante e porta voz.

 

― Libere os guardas da família Raleon, vocês não precisam mais deles ― disse Rael e Ana assentiu. Com a força dela, da família Reis, de Beatriz e da família Alencar, agora eles poderiam lidar até mesmo com uma rebelião sem nenhum medo. Isso sem mencionar que algumas pessoas já tinham armaduras e armas mágicas completas.

 

                Depois, Rael foi ver a família Alencar e todos pareciam muito bem. Janete continuava envolta de um ar triste, mas mesmo assim ela sorriu para Rael enquanto o reverenciava com imenso respeito. Mesmo que ela não se lembrasse do amor por esse jovem, ela ainda tinha uma eterna gratidão por ele ter salvado ela e toda sua família.

 

― ‘Eu posso hipnotizar qualquer pessoa abaixo do décimo segundo reino, mas conforme essa pessoa for se fortalecendo e se aproximando desse reino, elas também vão ter suas memórias de volta, não esqueça disso.’ ― Violeta tinha avisado Rael sobre essa falha na habilidade dela, e isso deixou Rael preocupado. Janete e seus familiares já estavam entre o nono e décimo reino, eles não demorariam muito chegar ao poder das leis. Mas o maior problema seria Janete. Rael não sabia como se desculpar no futuro. Por enquanto ele só podia suspirar e deixar para pensar nisso mais para frente.

 

                Ele encontrou Beatriz depois com a família Reis. Beatriz tinha um lugar agora em qualquer canto que fosse, seja na residência da matriarca ou na família Reis. Ela era uma boa moça e fácil de fazer amizade, inclusive, alguns homens da família Alencar já estavam tentando conquistar o coração da jovem moça. Ela ainda estava imutável devido aos seus sentimentos ainda mornos por Rael, mas não demoraria para ela se envolver com alguém, ela era afinal uma bela jovem gentil, agradável e de bom coração.

 

                Depois de rever todos os seus discípulos, Rael se teleportou de volta para casa. Suas esposas estavam com outro tipo de saudade e era justificável. Rael atrapalhou o cultivo das meninas e ficou um tempo com elas. A princípio, ele não pretendia fazer nada demais, porém Mara estava furiosa sobre o fato da princesa estar grávida e ela não.

 

― Eu estou casada com você a praticamente um ano, marido, como não engravidei ainda? Você teve uma lua de mel com aquela princesa e já conseguiu engravidá-la? Eu só posso imaginar que Natalia e eu temos algum problema! Hunnf! ― Mara não escondeu sua frustração. Ela não disse nada antes durante os cinco dias porque Rael estava se recuperando do fato de ter concretizado a sua vingança, mas agora era diferente, ele finalmente tinha retornado.

 

― Vamos resolver essa história já! ― Rael sorriu, agarrando Mara em um abraço. Ela ainda lutou tentando parecer que não queria papo com o jovem, mas a insistência de Rael e seus carinhos sinceros fizeram a bela moça parar de lutar.

 

                Logo, os três voaram para cama, entre beijos apressados e roupas arrancadas. Com os cinco dias passados, eles já estavam mais do que recuperados da maioria das dores daquela batalha. Rael deu a cada uma delas uma pílula com a desculpa de que aumentaria as chances de engravidar.

 

― Isso vai mesmo funcionar? ― Mara perguntou, segurando a pílula branca em seus dedos, ela podia sentir um leve aroma de ervas doces.

 

― É claro que vai, amor. Engula ― disse Rael sorrindo e beijando o pescoço de Mara, a moça engoliu  a pílula enquanto sorria. Natalia também tomou uma. Depois eles começaram.

 

A pílula de Mara não servia para nada, mas a de Natalia a impedia de engravidar. Rael teve que seguir o conselho de Alexia, seria perigoso engravidar Natalia naquela situação. E claro que ele não ia falar isso para deixar Natalia preocupada. Tudo que ele podia fazer era manter dessa forma. No futuro ele inventaria uma desculpa melhor.

 

                Os três fizeram por praticamente a tarde inteira. Quando terminaram, ficaram deitados na cama em silêncio. A relação entre esses três era muito boa, ninguém acreditaria que Rael seria capaz de fazer suas duas primas fazerem com ele ao mesmo tempo. Mara ainda era como uma leoa indomável, enquanto Natalia era como uma rosa pura e delicada. Eles três na cama eram como ventos calmos e terremotos furiosos. Quando Mara pedia para apanhar, o que estivesse em melhor posição a agrediria. Não importa se era Natalia ou Rael a bater, contanto que a fizessem sentir um pouco de dor em meio ao prazer, ela rugiria de satisfação. Eles já estavam acostumados a deixar marcas em Mara, mas essas marcas sempre ficariam por baixo das roupas, jamais expostas no rosto, braços ou pernas. Já Natalia preferia o carinho. O ponto fraco de Natalia era o pescoço, quando Rael ou Mara a chupava no pescoço ela se deliciava em um intenso prazer incontrolável.

 

― Você poderia passar mais alguns dias com a gente antes de ir para outros lugares. Não pense que eu me sentirei satisfeita com apenas um dia ― Mara segurava a mão de Rael enquanto dizia isso. Ele apertou a mão dela de volta sorrindo. Cada uma de suas esposas estavam aninhadas em seus braços deitadas cada uma de um lado. As duas ainda estavam nuas, havia uma coberta cobrindo a nudez dos três da cintura para baixo, os seios de cada uma delas estavam pressionados contra os braços de Rael. Rael não sabia qual das duas tinha a pele mais macia, mais quente e delicada. Sem mencionar o cheiro perfumado dos corpos delas que embriagava completamente a mente de Rael.

 

― Eu concordo com ela. Passe mais tempo com a gente, as coisas são muito melhores com você por perto ― disse Natalia do lado com um sorriso tímido, quando Rael se virou para ela.

 

                Rael ainda estava aprendendo a dividir o seu tempo. Ele também tinha suas duas guardiãs, Anita, Rose e possivelmente Rika, que muito em breve entraria na lista. Mas como Rael não poderia realizar o desejo delas?

 

― Eu vou resolver umas coisas hoje, mas volto mais tarde pra ficar com vocês. Depois eu terei que visitar o castelo, Anita está me incomodando há dias, pedindo atenção também. Ficarei um dia com ela, depois irei para o esconderijo ver como estão as coisas e então voltarei para vocês ― explicou Rael. Ele não escondeu nada, a não ser o fato de se encontrar com Rose e Rika.

 

― Um dia! Humpf! Isso é o tempo que você define para nós, sua primeira e segunda esposas? Faça-me rir! ― Mara beliscou a pernas de Rael com força, fazendo-o tremer na cama. Natalia apenas riu da reação dele do outro lado enquanto ele gemia e reclamava com Mara.

 

                Mesmo assim, Mara não ficou com raiva. Se Rael pudesse mesmo dar um filho a ela, ela não ficaria tão chateada como estava sobre a princesa está grávida e ela não. Por isso ela se manteve animada, a pílula que Rael deu a ela parecia muito impressionante e ela pensou que com a pílula agora ela poderia engravidar. Ela só não sabia que isso no fim das contas não ia ter nenhuma relação com a pílula.

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Capítulo patrocinado por: Joanice dos Santos