O Herdeiro do Mundo

279 - Levando ao Desespero

Antes de Rael tomar qualquer ação, as estátuas pararam de repente. A bola de energia que se formava acima das espadas de repente parou e começou a diminuir, como se estivesse sendo sugada de volta pela formação. Em seguida, a plataforma afundou na terra, voltando ao seu ponto de origem. Quando Romeo viu isso acontecer, ele fez uma expressão feia e abismada, aquela formação poderia dar pelo menos uns cinco disparos antes de ser cancelada.

 

― Murial, o que aconteceu? Por que você cancelou a formação do julgamento? Murial?! ― Romeo perguntou no anel e de repente percebeu que Mara não estava mais ali entre as mulheres. Além disso, ele se lembrou de sua ex esposa Elisa. Se ela contou o segredo a Mara, então aquela garota deve ter ido desarmar a formação.

 

― Você! Sua traidora maldita! ― Romeo estava extremamente furioso e até mesmo se esqueceu de Rael. Ele nunca pensou que sofreria uma traição de Elisa, justamente de Elisa. Ele ficou fora de si enquanto encarava a mulher abaixo. Elisa tinha se virado para o marido e o encarava de longe com um olhar firme, porém, impotente. Agora ela já havia tomado sua decisão, estava do lado de Rael e não mais do seu marido.

 

― Você morrerá agora! ― Sem pensar duas vezes, Romeo lançou vários montes de energia massiva pesadas contra Elisa, Isabela entrou na frente ficando entre ele e Elisa e usou sua barreira em chamas, que consumiu todos os ataques de Romeo. Cada monte de energia massiva que batia na barreira de chamas sumia sem avançar qualquer sinal. Não chegava a passar um dedo. Rael, vendo isso, ficou estupefato.

 

― ‘Será que se Isabela tivesse defendido o poder da formação, teria ferido ela?’ ― Ele não deixou de se perguntar.

 

                Romeo ficou ali encarando o resultado de seu ataque incrédulo. Isabela era um simples reino final nível um e defendeu sem grande esforço com a tal barreira em chamas. Isso não era algo tão simples.

 

― Romeo, você não está se esquecendo de algo importante? Se você quiser tentar feri-las primeiro, você deve me matar ― disse Rael, trazendo a atenção de Romeo de volta para ele. Mesmo Rael ferido como estava, ainda abriu um sorriso irônico mostrando que não tinha medo do patriarca. Romeo o encarou com ódio e desprezo ao mesmo tempo, naquele momento ele estava pensando muitas coisas. Ressentimento, fúria, desespero, aflição, cansaço, indignação e muitas dúvidas não paravam de atormentar sua mente.

 

De repente, por todas as partes do clã, surgiram homens com vestimentas contendo o brasão de uma meia lua, outros homens também continham brasões de um grifo nos uniformes. Tanto homens do clã Luante como os guardas do império estavam cercando todo o clã Torres. Olhando em volta, Romeo apertou os dentes em um profundo ódio. Em todos os seus anos de vida, ele nunca imaginou que um dia ele seria cercado por forças inimigas. Eram vários cultivadores consolidados no décimo ao décimo segundo reino. Além disso, Verônica, um reino final, também se fazia presente. Romeo não tinha mais homens e se via sozinho contra todos esses inimigos.

 

― Você não tem mais as suas estátuas, e parece que não tem mais habilidades especiais como aquela dos golens. O que vai fazer agora? ― Rael não estava com pressa, ele queria ver Romeo ainda mais desesperado, ele queria fazer esse homem sentir-se acuado a uma parede, ele queria humilhar Romeo diante de todos.

 

                A princípio, Rael não tinha ficado satisfeito por poupar Elisa, mas vendo o quanto agora ele queria matá-la por tê-lo traído o deixou satisfeito. Quanto mais Elisa permanecesse viva, mais Romeo se sentiria afrontado e traído pela sua mais fiel parceira.

 

                Romeo respirava cada vez mais rápido olhando todos em volta. O grande clã Torres, em apenas um único dia, tinha decaído a tal grau humilhante. Esses cultivadores jamais teriam invadido o clã em circunstâncias normais, mas hoje eles estavam ali. Isso encheu o coração de Romeo de impotência, a cada momento ele se sentia mais amedrontado.

 

                Antes, Romeo era o homem que tinha a palavra mais poderosa, com mais autoridade que o próprio imperador. Ele mesmo acreditava que poderia tomar o império, só nunca o fez porque gostava da forma que as coisas eram. Afinal, o imperador sempre ouvia seus pedidos e jamais recusava nada, era basicamente um pau mandado. Mas agora todo o jogo tinha virado, o próprio império estava agindo junto a Verônica.

 

― O que significa isso, Verônica? Você ousa se levantar contra o meu clã? ― Romeo bufou irritado, ele ainda fazia parecer que seu clã era tão grandioso como sempre. Embora nesse momento estivesse quase em ruínas. Muitos homens mortos, parte do território destruído e muitos inimigos o cercando. Verônica só podia pensar que Romeo estava se fazendo de cego por não ver a própria desgraça que estava o seu próprio clã.

 

― Ora, você não soube? Eu sou uma mulher comprometida agora. Eu pertenço ao jovem Rael, assim como todo o poder do meu clã também. Sendo o caso, por que eu não o apoiaria? ― perguntou ela com um belo sorriso. Ela aproveitou essa situação para que todos ali presentes soubessem, tanto os seus homens quanto os homens do império. Ela até podia lembrar Romeo de sua incapacidade e sua derrota certa, mas preferiu aumentar sua própria satisfação e ego, lembrando sempre de que lado ela estava.

 

                Mara tinha acabado de voltar e chegou a tempo de ouvir Verônica dizer tais palavras. Ela se sentiu irritada, mas fingiu não se importar e voltou para perto de Natalia e as outras beldades.

 

                Romeo se estremeceu mergulhado no mais profundo ódio. Rael não tinha dado o bote apenas em Isabela, ele tinha até mesmo conquistado Verônica. Parece que Rael tinha muitos apoios amorosos, e isso o fez se voltar para o capitão que representava o império para buscar algum tipo de apoio.

 

― Capitão Tauros, o Imperador Elidas se atreveu a me afrontar? ― perguntou Romeo para o homem vestido em uma armadura dourada. O capitão Tauros era um homem forte e alto, que segurava uma grande lança. Ele liderava todo aquele esquadrão do império atrás dele.

 

― O imperador está do lado do jovem Samuel! Seu clã já perdeu sua glória, Romeo! Renda-se enquanto lhe resta tempo! ― anunciou o homem, mostrando que não mais respeitava o patriarca. Romeo se tremeu nervosamente outra vez.

 

                Elders, homens, seu irmão Rayger, sua própria esposa. Tudo tinha sido arrancado dele. Ele estava sozinho e impotente diante daquela catástrofe. O clã Torres estava acabado. Quando ele pensou sobre todos os esforços feitos ao longo dos anos para se permanecer no poder, ele quis rir e chorar, nunca imaginando antes tal situação. Ele pensou com calma e se virou furioso na direção do jovem de cabelos vermelhos que mantinha um sorriso estampado. Rael estava assistindo friamente o desespero de Romeo. Rayger tinha dito que se Rael criasse uma situação com essa, Romeo iria ficar tão desesperado que iria querer arrancar os próprios cabelos.

 

                Naquele momento os olhos de Romeo e Rael se cruzaram. Sim, Romeo percebeu finalmente que tinha perdido tudo, e isso tudo por causa de seu filho, o filho aleijado que ele mandou matar quando criança. Rael era a causa absoluta de sua total ruína e desgraça.

 

                Primeiro, Rael tomou os pais de Mara como aliados. Depois, o imperador e, por último, conquistou Verônica. Na cabeça de Romeo, Rael tinha arquitetado tudo friamente. Ele não sabia que Verônica tinha escolhido ele propositalmente.

 

                Romeo respirava cada vez mais descontroladamente, ele não conseguia mais conter de nenhuma forma todo o seu nervosismo. Seu mundo, seu clã, seu caráter, seu poder, sua glória, tudo havia desaparecido. Um homem poderoso e conhecido em todo o Continente Sul agora não era quase mais nada.

 

― Você gostou do que eu lhe causei, Romeo? O que achou do desenvolvimento do seu filho aleijado que no passado envergonhou todo o clã Torres? Como se sente, sabendo que por causa desse filho que você perdeu tudo? ― Rael perguntou calmamente. Por dentro Rael explodia em felicidade, a expressão de Romeo imponente e humilhado era deliciosa de ser assistida.

 

                Natalia ficou em silêncio assistindo ao desenvolvimento da cena, ela não tinha mais pensamentos defensivos com o pai. Seu pai não merecia sua preocupação e ela se esforçava para se lembrar do que ele havia mandado fazer toda vez que sentia-se vacilar. Romeo ordenou que matassem sua própria filha repetidas vezes. Ela viu com seus próprios olhos, ela tentou insistir que ele em algum momento mudaria e teria compaixão por ela, mas isso não aconteceu. Mesmo sua mãe que parecia tão ruim quanto Romeo ainda assim mudou, mas não ele. Romeo jamais mudaria e Natalia sentiu isso aos poucos.

 

                Romeo se tremia diante da pergunta de Rael. Ele não imaginou que um dia estaria encarando tal situação por conta de um erro no passado. Dois, na verdade. Seu outro era ter desgraçado a vida de Natalia. Romeo era um homem arrogante, ele tinha seu próprio orgulho e jamais admitiria que cometeu um erro ou pediria perdão por isso. Todos esses sentimentos de fraqueza foram transformados em ódio, um ódio tão intenso como um vulcão em erupção que brotou dentro de seu peito.

 

― ‘Posso ter perdido tudo, mas ainda posso levar comigo o culpado pela minha queda!’ ― Romeo sabia que não iria sobreviver agora, mesmo vencendo Rael. Além de Rael, tinhas três reinos finais e, como Rael mesmo disse, ele não estava mais tão forte assim como antes. Sem mencionar que fora os reinos finais, ainda haviam muitos outros cultivadores o cercando.

 

― Decidiu lutar? Pensei que você desistiria de vez ― disse Rael com o mesmo sorriso de satisfação.

 

                Os olhos de Romeo estavam vermelhos e era possível ver veias espalhadas em seu rosto, tamanho era a sua fúria. Sua queda era inteiramente desse jovem. Ele não mais economizou recursos, tirou de seu bracelete uma pílula de cor alaranjada e a ingeriu.

 

― Pilula de Sangue da Cultivação?! Rael tome cuidado! ― gritou Verônica mostrando um pouco de preocupação. Essa pílula era capaz de aumentar o poder de um cultivador em cerca de 30% durante as próximas 2 horas, ela também recuperava mais da metade de suas forças totais. Mas havia um preço por usar essa pílula, no fim de duas horas, um nível comum de seu poder seria inteiramente perdido. Se Romeo era nível 3, quando se passasse as duas horas, ele seria um apenas um nível 2.

 

                Uma forte aura explodiu em Romeo, liberando um poder avassalador. Seus 30% de aumento poderiam agora fazer ele parecer um nível 5, sem mencionar que metade das forças dele haviam sido recuperadas.

 

― Ninguém deve atrapalhar essa batalha! ― gritou Rael olhando em volta e depois virou-se para Romeo com um sorriso frio. ― Venha quando você quiser.

 

ZUUUUUP! BOOOOM! BOOOOOM! BOOOOOOM! BOOOOM! BOOM!

 

Romeo tinha se movido em um fleche e estava trocando socos com Rael. Os dois braços de Romeo tinham se tornado duas grandes rochas. Enquanto Romeo trocava golpes, parte de seu corpo criava camadas protetoras de rocha, envolvendo sua pele e a deixando mais difícil de ser penetrada. Romeo estava atacando e focando em sua defesa ao mesmo tempo.

 

                O multidão entrou em silêncio vendo os dois trocarem violentos  socos no ar. Para a maioria, era pai e filho lutando até a morte.

 

                Mara se aproximou do lado de Natalia e segurou a mão dela. Natalia se virou com os olhos lacrimejados, mesmo que ela lutasse pra aceitar o que seu pai merecia, ela ainda não tinha como evitar toda a tristeza que se formava em seu coração.

 

― Eu estou com você, prima... Eu estou com você ― Mara repetiu duas vezes com um olhar terno para a prima e apertou firme a mão dela. Duas mãos macias e quentes se apertaram em consolo. Natalia não mais se segurou e abraçou a prima enquanto ocultava seu rosto no peito de Mara. Mara passou as mãos nos cabelos dela semelhante a primeira vez que Rael pediu para cuidar dela, mas dessa vez não era um pedido de Rael, era Mara desejando por si só o bem estar dela.

 

                Elisa ficou atrás olhando as duas impotentemente. Ela queria confortar sua filha, mas Mara chegou primeiro. Além disso, ela não se sentia no direito. Tudo que ela poderia fazer era ficar esperando o resultado. Ela já tinha aceitado seu destino, tudo que ela seria agora era uma mera escrava.

 

― ‘Eu mereci esse destino, eu nunca fiz nada para mudar minha culpa. Mesmo tendo chance, nunca fiz nada!’ ― ela repetiu aquilo mentalmente várias vezes pra si mesma enquanto olhava desfocada para outras direções.

 

                Isabela e Keylla assistiam a luta atentas e preparadas, liberando constantemente sua aura em uma maneira harmônica. Rael podia achar que ninguém iria se meter, mas elas iriam com certeza se vissem que Rael correria risco de vida.

 

                Verônica também não estava pronta para ficar parada, ela lutou muito para conseguir um acordo com Rael, que por sinal era muito bom para ela. Rael era um belo jovem poderoso atualmente e tinha um imenso apoio. No futuro, ela poderia renascer e descansar sobre a proteção dele sem preocupações. Para todo reino final, a preocupação do renascimento sempre era constante, não havia como evitar.

 

BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM! BOOM!

 

Rael e Romeo continuavam a trocar violentos golpes no ar. Rael tinha criado um punho rochoso na mão esquerda para facilitar sua vida e estava mantendo um ritmo de igual a igual com Romeo. O braço direito de Rael escorria sangue com as trocas de golpe, mas ele aguentava em silêncio e mantinha a expressão irônica em seu rosto, mantendo aquele mesmo sorriso. Um sorriso que para Romeo era como se estivesse sendo zombado.

 

― Fúria Destruidora! Quebrando Leis! ― Romeo usava várias técnicas fortes com seus punhos de rocha, mas tudo que Rael fazia era defender ou esquivar, e parecia estar só brincando com ele. Vez ou outra Rael o atingia, e Romeo não conseguia acertar Rael nem mesmo uma única vez.

 

― ‘Por que isso está acontecendo? Eu aumentei o meu nível e ainda assim não consigo derrotá-lo!’ ― pensou Romeo incomodado por dentro. Ele recuou alguns metros para trás e retirou um Tablete Mágico de cor marrom ao qual começou a ingerir. Romeo não estava mais se importando com nada. Ele estava dando tudo de si para acabar com a vida de Rael.

 

                Rael continuou sorrindo e olhou o próprio corpo, vendo um monte de símbolos espalhados. Esses eram seus poderes das leis sendo desenvolvidos enquanto lutava contra Romeo. Esses símbolos o deixava ainda mais forte e o protegia da maior parte dos danos causados por Romeo.

 

                Romeo não estava mais olhando em volta, era como se agora ele só visse Rael, ele não se importava com o imenso público acompanhando aquela batalha surreal.

 

― ‘Se eu pudesse matar Rael e Elisa, para mim já estaria ótimo!’ ― ele pensou avançando em Rael com tudo de si, enquanto seu poder novamente crescia. Um reino final usando Tabletes Mágicos tinha um aumento estrondoso de poder. A aura de Romeo varria violentamente sobre todas as direções.

 

ZUUUP! BOOM! BOOM! BOOM!

 

Não importava o quanto Romeo aumentasse seu poder, Rael sempre o defendia e continuaria apenas o encurralando, de modo a deixar Romeo a cada momento sem saída. Se ele usasse Estacas de Terra, Rael usaria portais e fariam elas irem contra ele. Se ele lançasse rochas, o mesmo aconteceria. Se Romeo usasse técnicas de punho, Rael os defenderia facilmente. Para complicar ainda mais, Romeo não era um tipo lutador que usasse armas, ele só sabia lutar com os próprios punhos, em um confronto direto.

 

                Vez ou outra Rael o acertava. Rael estava empurrando Romeo pouco a pouco em seu máximo desespero, fazendo ele entender que iria morrer de qualquer maneira. Seu fim já estava traçado.

 

― Isso é tudo que você tem, “patriarca” Romeo? Estou muito decepcionado ― disse Rael de uma maneira fria e esnobe.

 

                As pessoas em volta estavam no mais perfeito choque. Romeo nesse momento tinha um poder semelhante a alguém no ápice do reino final devido ao Tablete Mágico e mesmo assim Rael estava na vantagem.

 

 

                Romeo tinha feito uma pausa e engolia de uma vez mais dois Tabletes. Seus olhos continuavam em fúria, ele queria matar Rael de qualquer maneira. Ele nunca quis matar tanto uma pessoa como estava tentando fazer agora. E lá estava Rael com o sorriso indiferente, assistindo Romeo auto mutilar seu próprio cultivo no mais profundo desespero.

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O Capítulo de fim de semana foi antecipado para um desafio.

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(Se o desafio for completado soltarei + 1 capitulo no sabado) Caso não seja vocês ficam com esse por essa semana.

PS pra quem não está sabendo a novidade.
As cenas sexuais foram editadas - Capitulo 47 e 48 da primeira vez entre Mara e Rael e Capitulo 111 também. A edição é um toque feminino. Uma fã decidiu editar as cenas colocando traços femininos na parte da mulher, do que a Mara estaria sentindo etc... confiram se quiser. Ambas as cenas ficaram muito melhores.