O Herdeiro do Mundo

278 - Formação Do Julgamento

Isabela transbordava de seu corpo uma majestosa aura de um reino final inicial. Toda vez que ela subia um reino, ela ficaria no nível um, até subir novamente o reino. Mesmo no nível um, seu poder era incrível e sua aura transbordava em força. Ela parecia como uma poderosa deusa do fogo, enquanto Keylla seria uma uma deusa do gelo.

 

                Momento antes Rael tinha destruído dois golens usando socos com o elemento Fogo utilizando seu braço direito. Ele tinha passado algum sufoco até descobrir que o os golens eram realmente fracos contra o fogo. Depois Isabela chegou e destruiu o golem restante.

 

                Agora a expressão de Romeo embaixo era de confusão e espanto. Ele conhecia Isabela tanto por imagens, quanto por já tê-la visto outras vezes e não podia se enganar. Era mesmo Isabela, uma mulher de 23 anos que estava no reino final. Os outros poderiam ser enganados e acreditarem que Isabela tinha 36, mas Romeo sabia que ela tinha 23 devido o próprio patriarca Arthur ter dito a ele na época que iniciou as procuras.

 

                Romeo achou que o mundo estava saindo do lugar, porque para seus dois filhos que tinham menos de 20 anos eram verdadeiros monstros no nono e décimo primeiro reino. Agora, Isabela com apenas 23 anos e já estava no reino final? Será que o mundo estava enlouquecendo? Uma confusão girou na cabeça de Romeo, deixando ele ainda mais confuso.

 

― ‘Como ela já se tornou um reino final...?’ ― Romeo estava tão atrapalhado que esqueceu que havia acabado de perder seus três golens.

 

― Desde quando vocês chegaram? ― perguntou Rael, vendo Keylla próxima às meninas. Agora que ele finalmente pôde tomar um ar, olhou em volta para verificar a situação.

 

― Estamos aqui há um curto tempo, não pude evitar de ajudar, esse homem tirou meu mestre de mim e eu queria pelo menos dar o troco nele ― disse Isabela, lançando um olhar frio na direção de Romeo. Romeo ainda estava parado no chão sem acreditar nas coisas que estavam a seu redor.

 

                Romeo era um poderoso patriarca, de uma grande família. Ele conhecia muitos métodos de cultivo e sabia que nada, absolutamente nada, ajudaria uma pessoa a alcançar o reino final com apenas 23 anos. A não ser o segredo de seu irmão Rayger, mas isso se mostrou de certa maneira defeituoso, como já foi mostrado no mundo alternativo.

 

― Oh, você quer acabar com a moral dele? Me ajude então com isso ― disse Rael baixinho e puxou a cintura de Isabela para perto dele, a envolvendo em um abraço quente com as duas mãos.

 

― Rael, o que está fazendo...? ― Isabela perguntou um pouco vermelha, se virando para o rapaz. Os lábios de Isabela eram volumosos, e seu hálito era perfumado e doce, o simples fato de ficarem assim juntos já fazia Rael ter pensamentos maliciosos. No entanto, naquele momento, ele não estava fazendo isso por causa de seus pensamentos.

 

― Estou apenas mostrando a esse verme a quem você pertence ― sem dizer mais nada, Rael puxou a cabeça de Isabela e a beijou nos lábios diante de Romeo. O beijo foi de língua e extremamente quente, mostrando que eles já estavam acostumados e bastante íntimos. Isso era claramente uma provocação aberta, Rael não tinha pensado nisso, mas uma vez que Isabela decidiu aparecer, é claro que ele iria afrontá-lo.

 

                Romeo rangeu os dentes do mais profundo ódio. Rael descaradamente beijava a mulher que ele estava procurando por tanto tempo. Essa era a mulher que para ele poderia gerar novos filhos e abrir novas possibilidades para manter-se no comando do clã por mais tempo. Ao ver Rael tendo tanta intimidade com o seu objetivo frustrado, Romeo se encheu de ódio, muito mais ódio do que ele teve quando apenas imaginou essa cena anteriormente. Recursos do clã haviam sido gastos, grandes fortunas perdidas por buscar informações de Isabela e agora estava Rael beijando-a bem debaixo de seu nariz. É claro, Rael se manteve atento enquanto provava dos lábios deliciosos de Isabela e, embora fosse apenas para provocar Romeo, o beijo com Isabela ainda era quente e repleto de carinho.

 

― Está satisfeito agora, Romeo? Você consegue perceber agora que Isabela é minha? ― perguntou Rael, liberando Isabela que continuava corada. A guardiã sabia que estava sendo usada por Rael para provocar Romeo, mas não se irritou. O que Rael não sabia é que, do outro lado, Mara e Keylla também tinham visto a cena. Keylla ficou levemente corada e Mara, com um toque de mau humor. Natalia continuava dormindo no colo de sua mãe. Agora Elisa tinha sentado e cuidava carinhosamente de sua filha, finalmente fazendo um pouco de papel de mãe.

 

― Mesmo que eu morra, eu ainda vou matar você! Vou arrancar todos os seus ossos um a um e os esmagarei em sua frente. Você nunca mais tomará nada que me pertence ― Romeo não aguentou mais e reclamou.

 

― Pertencer a você? Eu preferia morrer um milhão de vezes do que ser sua! Você é um patriarca só no papel, mas na verdade você é um homem imoral e sem nenhum respeito. O único homem a quem eu pertenço nessa e em qualquer outra vida é do meu Rael e mais ninguém! ― As palavras de Isabela soaram firmes e sem um pingo de vergonha. Ela disse aquilo do fundo de sua alma, mesmo que estivesse irritada com Romeo.

 

                Romeo começou a puxar a área movediça para ele, como se estivesse cancelando sua técnica. A areia entrava em contato com seu corpo e desaparecia, dando espaço ao chão de terra normal. Ele analisou a situação calmamente e percebeu que sua sorte não era boa. Isabela e Keylla eram dois reinos finais e ele também estava sentindo centenas de energias se espalhando e cercando todo o clã. Romeo não podia adivinhar o que Rael fizera por debaixo das cortinas.

 

― Preparem a Formação do Julgamento! ― disse Romeo, levantando a mão direita e falando no anel. Ele não achou que pensaria em usá-la contra Rael, mas todos os métodos que ele usou para matar Rael falharam. Ele tinha guardado isso para Rika ou para algum outro poderoso apoio de Rael. Mesmo Isabela, sendo um reino final, ele sentiu que poderia vencer, tanto ela quanto Keylla, mas ele não podia dizer o mesmo de Rael, a força de Rael parecia não ter limites. E ele sentiu que a situação do clã era instável. Sua mulher tinha se rebelado. Seus homens, mais da metade morreram, outra parte gravemente ferida e outra parte se esconderam para não morrerem. Nesse momento, ele estava sozinho com os últimos homens que controlavam a Formação do Julgamento.

 

― Isabela, se afaste de mim. Essa luta é minha, obrigado por sua ajuda ― disse Rael, sentindo que havia algo errado. Como se Isabela tivesse pressentido o mesmo, ela não quis sair, em vez disso correu a visão em volta.

 

Em frente a residência do patriarca o chão se rachou, de dentro, três estátuas segurando espadas para o céu começaram a subir em uma plataforma circulatória de metal. Essas estátuas eram brancas, e cada uma tinha cerca de três metros, segurando espadas apontadas para cima com cerca de um metro.

 

                Quando Elisa viu o que estava para acontecer, seus olhos ficaram arregalados. Ela se virou para Rael e gritou desesperada no mesmo instante.

 

― Rael, você precisa fugir! Essa é a Formação do Julgamento do clã Torres! Essa Formação pode lançar um ataque mais forte que o aquele dos Cetros que você enfrentou no torneio! ― disse ela. Rael se lembrou o quanto defender aquele ataque foi difícil e na época ele ainda tinha apoio do poder de Rose.

 

                As palavras mal saíram da boca de Elisa e lanças de gelo foram atiradas por Keylla na tentativa de destruir as estatuas, as lanças chegavam perto das estatuas e evaporavam virando energia, logo após essa energia foi sugada para as estatuas.

 

― Vocês não podem atacar as estátuas. Qualquer tipo de ataque é absorvido e transformado em poder para ser usado como ataque ― explicou Elisa, que mesmo assim não largava sua filha.

 

― Cale essa boca, traidora! Você será uma das que eu terei prazer em matar lenta e dolorosamente! Você traiu a mim, você traiu ao seu próprio clã! ― Romeo gritou de longe com os olhos vermelhos de raiva. Se ela não estivesse explicando, Rael e os outros com certeza iriam dar muito mais ataques e a formação ficaria muito mais poderosa.

 

― Rael, eu vou te ajudar. Essa coisa está mirando para você ― Isabela no mesmo instante se sentiu na sua obrigação de ajudar Rael e entrou na frente. As espadas das estátuas estavam acumulando poder enquanto miravam na direção de Rael. Isabela se preparou para usar seu escudo de chamas.

 

                Do outro lado, Elisa disse algo baixinho no ouvido de Mara, e essa em seguida se afastou correndo em direção a entrada de residência do patriarca. Ela passou longe das estátuas e sumiu, correndo entrada a dentro ainda carregando uma de suas espadas normais.

 

― Isabela, se afaste. Eu tenho um plano que é muito simples ― disse Rael despreocupado.

 

― O quê? Você não está sentindo o poder dessa coisa? Se eu não te ajudar, você pode acabar morrendo ― disse Isabela com um toque de ansiedade para Rael.

 

― Mesmo assim, essa é minha luta. Eu sei que você quer me proteger, mas eu passei anos esperando por esse dia. Não posso deixar que você me ajude nem um pouco mais, eu vou sentir que não fui capaz de encarar tudo isso sozinho ― explicou Rael com calma. Ele estava sendo sincero. Se Isabela o ajudasse até com isso, então ele não sentiria que venceu Romeo somente graças ao apoio dela.

 

                Isabela olhou de Romeo para as estátuas e mordeu os lábios. Ela queria ajudar, mas Rael estava pedindo com tanta calma que ela sentiu que o rapaz tinha tudo sobre controle. Mesmo um pouco relutante ela saiu de perto, indo em direção as outras mulheres.

 

― Eu vou me afastar, mas se eu ver que você não está dando conta, eu voltarei ― disse ela.

 

― Você acha mesmo que vai sobreviver depois de hoje? Você me deu um enorme prejuízo e levou muitos dos meus homens. Eu nunca vou deixar você escapar impune depois de tudo que fez aqui hoje ― disse Romeo friamente, flutuando para cima. Rael mantinha um olho nele e outro na formação. As espadas, que eram brancas, estavam ficando amarelas devido a energia acumulada. De repente, houve o som de um trovão.

 

BOOOOOOM! Zaaaaaaap!

 

                As estátuas tinham acumulado uma bola de energia amarela em cima delas. Essa bola tinha cerca de dois metros de diâmetro e era formada de uma tensa e poderosa energia. Quando houve o estrondo, ela foi atirada como uma imensa bola de energia maciça e puramente caótica. Parte do chão em volta da plataforma de metal se rachou, algumas casas próximas tiveram paredes destruídas apenas pelo simples vácuo da habilidade.

 

                Keylla lançou uma proteção de gelo a frente para envolver ela, Elisa e Natalia. A proteção de gelo ainda chegou a ser atingida, derrubando alguns pedaços de gelo, apenas o vácuo da energia era algo devastador, muito longe do ataque dos cetros.

 

                Rael lançou um portal grande e roxo a frente, seu plano era desviar aquela energia para o céu e assim não ter que se defender. Se ele lançasse em Romeo o mesmo morreria sem sequer saber o que aconteceu e isso não era o que Rael queria.

 

ZUUUUUUUP!

 

A bola de energia atravessou o portal de Rael como se ele não existisse e continuou avançando em alta velocidade na direção do jovem. Mesmo que Rael se movesse um pouco para o lado, a bola também se moveria, mas isso tudo ocorreu em apenas uma fração de menos que 1 segundo.

 

                Romeo riu em seu coração. Essa bola de energia ignorava todo tipo de habilidade, escudos ou concentrações de energias. Além disso, ela perseguia seu alvo e era muito rápida. Não havia meios de Rael desviar ou tentar defender com algum campo de energia, muito menos tentar desviá-la com um portal.

 

― ‘Agora você morre!’ ― Romeo pensou satisfeito.

 

― ‘Mas o quê?!’ ― Rael ficou surpreso vendo a bola de energia quase na sua frente. Ele não teve outra escolha a não ser se defender com o seu gigantesco braço azul, Rael ficou atrás do braço e o usou como um escudo.

 

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM! VAAAAAP!

 

                Uma imensa explosão dourada ocorreu no céu, o vácuo do ataque correu em volta. Ruas, casas, arvores e várias pessoas gritaram em meio a cidade que quase se partiu ao meio, esse era definitivamente um ataque devastador.

 

― Rael! ― Keylla e Isabela gritavam juntas de longe e seus corações quase saíam pela boca tamanha era a preocupação.

 

― HAHAHAHA! Você mereceu, maldito insolente! Morra! HAHAHAHA! ― Romeo parecia ter perdido completamente a sanidade e ria no céu a cerca de uns cem metros da explosão onde Rael havia desaparecido. Tudo em volta de onde Rael estava antes era uma formação de energia de raio dourados que ainda o circulavam.

 

                Até mesmo Elisa lançou um olhar ansioso enquanto segurava a sua filha. No meio da energia que começou a se dissipar, uma sombra pôde ser vista. Lá estava Rael respirando cansado ainda flutuando e encarando Romeo. Seu braço direito estava inteiro ainda, mas ferido, soltando uma quantidade significativa de sangue que começou a banhar os céus.

 

― Ma-ma-mas o quê...?! ― Romeo ficou com uma expressão chocada. Para ele, nenhum ser vivo no mundo era capaz de defender aquele ataque e continuar vivo.

 

Mesmo se Rael tivesse usado o portal para fugir, aquela energia ainda iria persegui-lo. Uma vez que ela tomava um alvo, não havia como fugir. E ela iria continuar a perseguir Rael, destruindo tudo em seu caminho até encontrá-lo. Mesmo que Rael tivesse muitas habilidades estranhas, não havia erro que ele não seria morto, mas ainda sim lá estava Rael vivo. Embora suas roupas estivessem bem destruídas e ele tivesse alguns ferimentos por outras partes de seu corpo, ainda sim estava vivo, e muito bem aparentemente.

 

O corpo de Romeo se tremia como se ele não quisesse acreditar em seus próprios olhos. Aquilo para ele não podia estar acontecendo, não podia ser real. A Formação do Julgamento foi construída inicialmente para destruir uma violadora, caso eles passassem pelo mesmo aperto do passado, então ela seria usada para isso.

 

― Não... não...! ― Romeo repetiu aquelas palavras enquanto seu corpo inteiro tremia. Um suor gelado descia em seu rosto. Rael ter recebido aquele ataque e ainda continuar vivo apenas com alguns ferimentos, não era algo natural.

 

                Já Isabela, Keylla e Elisa suspiraram aliviadas.

 

― ‘Eu recebi muitos ferimentos e perdi muita energia. Se isso for usado de novo eu definitivamente morrerei’ ― Rael pensou e concentrou sua aura curativa, envolvendo seu corpo e o curando em um processo acelerado. Os olhos de Romeo se enrugaram quando ele apertou o anel e disse baixinho.

 

― Atire novamente em Rael. Atire quantas vezes for preciso até que ele morra! ― disse Romeo. As estátuas imediatamente começaram a vibrar e outro monte de energia começou a ser feito. Romeo ainda estava em estado de choque, mas ele sentiu que para se curar Rael consumiu uma vasta quantidade de energia. Além disso, o braço direito de Rael não havia se curado quase nada.

 

― ‘Meu braço direito não se cura como o resto do corpo...’ ― Rael ficou surpreso com essa descoberta, ele não tinha ferido gravemente o braço assim tantas vezes, por isso ele não sabia.

 

― E daí se você defendeu, esse ataque ainda pode ser repetido uma dezena de vezes, e tenho certeza de que você morrerá no próximo! ― disse Romeo depois de se recuperar um pouco. Isabela e Keylla olharam as estátuas imponentes. Depois olharam para Elisa, aguardando por respostas.

 

― Eu já disse como desarmar, agora é com Mara ― disse Elisa para as duas. Naquele momento Natalia moveu os olhos, mostrando que estava se recuperando.

 

― Filha! Minha filha, você está bem? ― perguntou Elisa ajudando a moça a se levantar.

 

― Cadê Rael e Mara? ― Natalia perguntou olhando em volta e viu seu pai e Rael flutuando no ar a alguns metros um do outro, mas não viu Mara, se enchendo de preocupação.

 

― Ela está bem, só saiu pra resolver um problema ― a mãe imediatamente explicou, causando um certo alívio na moça.

 

― Por quanto tempo eu dormi? Eu devo ter dado trabalho... ― disse Natalia  sem jeito se levantando, e a mãe se levantou em seguida.

 

― Trabalho nenhum. Nós cuidamos de tudo enquanto você dormia. Você se sente bem? ― perguntou Keylla em um tom doce, bem diferente da outra versão.

 

― Sim, eu estou... ― disse Natalia e viu as estátuas tremendo não muito longe delas ― O que é aquilo?

 

                No céu, Romeo tinha um sorriso amargo, ele nunca pensou que precisaria de dois ataques da Formação do Julgamento para derrubar Rael, mas isso não importava. Uma vez que isso fosse novamente usado, Rael morreria.

 

                As estátuas já tinham formado metade do poder e Rael lançou um olhar frio para Romeo. Com seu braço naquele estado ele não seria capaz de uma segunda defesa, ele até poderia sair vivo, mas perderia o seu braço direito.

 

― Você é tão covarde que para me matar usa um poder de Formação. Você é um verdadeiro lixo, Romeo, muito pior do que eu havia pensado ― Disse Rael, liberando uma poderosa energia escura que o envolveu, fazendo Rael parecer um verdadeiro demônio. Rael pensou que se não pudesse defender o ataque, então tudo que ele precisava fazer era matar Romeo imediatamente, mesmo que não fosse da forma que ele queria.

 

― Mandei te matar uma vez e mando de novo. Não preciso sujar minhas próprias mãos para tirar a sua vida ― disse Romeo e formou um sorriso frio.

 

 

                A bola de energia estava quase pronta, mas Romeo não sabia o que Rael pretendia fazer.

_______________________________________________________________________________
Capítulo patrocinado por: Daniel Graciliano Freze Sthorc e Marcos Vinicius Mota Kliemann




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.