O Herdeiro do Mundo

274 - Ultima Chance

Romeo começou a pensar sobre os tudo o que envolvia Rael. Desde o princípio, esse jovem tinha entrado em seu caminho no torneio familiar e tomou sua filha como esposa. No começo, ele pensou que ele seria apenas um rapaz querendo mais uma jovem bonita para desposar. Há um ano, beleza era a única coisa que Natalia tinha de qualidade sob a visão dele, ela no máximo serviria como uma peça de barganha para garantir a sua permanência no comando do clã. Seu talento até podia ser bom, mas estava longe de ser comparado com o de sua sobrinha, Mara. Nessa época, Romeo tinha desistido dela e praticamente a atirou nas garras de Heitor.

 

Na época, Heitor tinha conseguindo enganar a todos sobre a idade, pois era um cultivador muito mais velho, e por isso teve vantagem no torneio, mas ninguém esperou que Rael o vencesse na final.

 

                Romeo sempre soube que sua filha seria maltratada nas mãos de Heitor e ainda assim permitiu porque, afinal, ela era apenas uma moeda de troca para ele. Elisa tinha feito reclamações de seu futuro genro, mas Romeo não a ouviu e ainda a proibiu de fazer qualquer coisa contra Heitor. Sendo assim, o futuro de Natalia naquele tempo era ser apenas uma falsa esposa para Heitor, já que ele nunca a trataria com respeito. Mas o que importava mesmo era ele dar a vitória para que Romeo tivesse mais 50 anos no comando do clã, para assim continuar tentando conseguir um novo filho.

 

                Romeo se lembrou de sua esposa, contando da noite em que Rael enfrentou Heitor. Elisa contou que Heitor já tinha violado a pureza de Natalia e que o jovem Samuel na época sabia de tudo. Na ocasião, Elisa chegou a exigir a cabeça do jovem, mas Romeo recusou porque não era sensato se mover contra o seu poderoso irmão na época do torneio, uma data tão importante, todos iriam pensar que Romeo estava traindo as leis do torneio, e Rael, na visão dele, não tinha qualquer chance contra Heitor de todo o modo.

 

Mesmo depois de vencer o torneio, Rael insistiu em pedir a mão de sua filha em troca da vitória do torneio. Uma mulher já tocada por outro homem seria considerada quase sem valor nenhum. A mesma regra não funcionava nos homens, mas para mulher sim. Mesmo que Natalia fosse extremamente bonita, ela ainda não seria considerada uma mulher para se casar, no máximo serviria como uma concubina. Saber que mesmo assim Rael ainda quis Natalia o fez pensar que o jovem pretendia de alguma forma tentar se aproximar dele. Como patriarca de um poderoso clã, muitos jovens se interessariam em ter ou criar um bom relacionamento com ele.

 

                Mas o tempo se passou e Rael não fez qualquer ação para tentar se aproximar. Romeo esteve pronto para a aproximação, porque na época ele tinha interesse em conhecer mais desse jovem que venceu Heitor, mesmo sendo tão novo e com menos cultivo. A falta de interesse de Rael não incomodou Romeo, ele já tinha traçado outros planos na época. Por isso não deu tanta importância a Rael, mas ele nunca tinha percebido a real verdade por trás disso.

 

― ‘Naquele tempo ele só estava salvando-a de Heitor... Tudo faz sentido, já faz mais de um ano de casados e ela nunca engravidou...’ ― Romeo tinha pensado nisso e acreditou que a relação de casal deles era superficial. Se Natalia era irmã de Rael, então tudo o que ele havia feito era para salvá-la. Os dois não tinham qualquer caso, mas isso também o fez pensar em Mara. Ele não tinha conhecimentos sobre Mara ter engravidado, mesmo assim ele não ficou preso a esse pensamento.

 

                Agora que Romeo tinha ouvido a verdade, tudo tinha ficado claro. Natalia no passado foi a única pessoa a ser boa com Rael.

 

                A outra a perceber também foi Elisa. Ela jogou vários pontos aqui e ali e, muito mais rápida do que Romeo, ela compreendeu tudo. Elisa tinha muito mais certeza sobre Rael do que o próprio Romeo, mas ela não entendia de forma alguma como dois irmãos tinham tantas intimidades, e isso a deixou inquieta enquanto pensava sobre isso.

 

                Elisa ficava de verde para pálida, ela parecia piorar a cada pensamento. A expressão dela não era nem um pouco boa. Desabada no chão, ela não parecia ter forças para sequer se mover, o choque da verdade foi muito mais severo sobre ela.

 

                Romeo viu o estado de sua esposa e entendeu que aquilo estava mesmo ocorrendo, seu filho que ele mandou matar tinha retornado e ainda buscava vingança.

 

― ‘Não foi apenas Natalia que se tornou um grande gênio, até mesmo Rael...’ ― quando Romeo pensou nisso, um riso amargo correu em seu peito. Se arrependimento matasse, então ele morreria mais de cem mil vezes e ainda não estaria satisfeito. Seus dois filhos que ele desprezou a vida inteira se tornaram dois monstros capazes de abalar todo o Continente Sul e qualquer outro. Mesmo no Continente Norte, que era mais avançado, Natalia e Rael seriam igualmente grandiosos.

 

― No passado vocês pisaram em mim, eu vivia sobre constante miséria e ofensas. Vocês deixaram que seu próprio filho fosse humilhado, pior que um vagabundo. Isso só porque eu nasci aleijado e seria inútil para o futuro de vocês? Só porque eu não tinha qualquer valor, vocês acham que estavam certos sobre tudo que fizeram a mim? Eu passei fome! Eu sofri! Eu chorei! Eu nunca... Nunca esqueci de nada do que vocês fizeram a mim! Nunca! ― Rael, que estava calmo naquele momento, ficou um pouco aflito. Ele tinha mil coisas a dizer, mas só conseguiu dizer aquelas palavras enquanto controlava sua raiva. Sua respiração tinha acelerado um pouco, mas ele fez o máximo possível para se controlar. Os únicos que deveriam perder a cabeça hoje seriam Elisa e Romeo.

 

― ‘Rael... Eu tenho algo para dizer a você...’ ― disse Natalia na mente de Rael. Ela falou baixinho, usando o anel a distância. De longe ela ouvia Rael porque ele estava gritando e ela ainda via os pais sobre aquela situação.

 

― Vai implorar pela vida deles? Eu sabia que você iria ― Rael disse baixinho de volta, mas ligeiramente irritado. Mesmo que ele amasse Natalia profundamente, o pedido dela era muito difícil de ser ouvido, ainda mais agora, de frente ao monstro do seu pior pesadelo.

 

― ‘Eu... Eu não posso implorar mais... Só quero te dizer uma coisa que nunca disse até hoje, porque você não acreditaria em mim antes...’ ― disse Natalia, com a voz ficando mais pesada e triste.

 

                Do lado de Natalia estava Mara de braços largados. Mara podia ver lágrimas silenciosas descendo no rosto de sua bela prima. Esse era um momento extremamente delicado para ela e para Rael. Mara, por sua vez, estava muito segura e calma, deixando tudo correr. Nem parecia que tempos atrás ela estava desesperada para salvar seus pais.

 

                Mara sempre aconselhou Rael e Natalia sobre esse assunto, mas no fim, a decisão de aceitar esse desfecho seria apenas deles. Se Rael deveria ou não matá-los, era uma escolha dele, e se Natalia iria ou não perdoar Rael por isso, era uma escolha unicamente dela. Diante dessas possibilidades, não tinha muito o que ser feito. Rael sempre disse que faria qualquer coisa por Natalia, mas aquilo era pedir muito. Rael viveu pela sua vingança, ele lutou por toda a sua vida para chegar naquele momento. Mesmo que amasse Natalia duas ou três vezes mais, ele ainda iria querer se vingar dos pais dela, não importa de que ângulo isso fosse ser visto.

 

― ‘Minha mãe não era tão ruim assim como você pensa... Ela sempre cuidou de você em segredo me usando. Quando eu muitas vezes conseguia levar comida ou livros escondidos, parte das vezes era por ajuda dela... Ela não podia deixar explícita a sua ajuda porque meu pai... meu pai teria machucado ou até mesmo a matado’ ― disse Natalia de repente. Isso fez Rael olhar na direção da abalada Elisa.

 

― Está mentindo... ― disse Rael de volta.

 

― ‘Eu sabia que você não acreditaria em mim... Sei que ela tentou te matar, mas nunca soube que você era o meu irmão Rael... Se ela soubesse, ela nunca teria feito todas aquelas coisas ― disse Natalia.

 

― E por que você não me disse na época?

 

― ‘Eu não podia... Se meu pai ao menos desconfiasse, ele iria mesmo matá-la... Minha mãe nunca me deixou contar isso a ninguém. Eu podia ir e vim porque eu não tinha tanta importância na época’ ― Natalia insistiu. Mas toda vez que Rael olhava para Elisa, ele tinha ódio.

 

― Mentira. Você só está defendendo Elisa. ― Rael começou a ficar mais tenso.

 

― ‘Eu era uma criança. Mesmo que eu me importasse muito com você, eu não saberia de tudo que você poderia precisar, muitas vezes foi minha mãe quem me fazia ir até você. Por que você acha que eu na época que você me disse a verdade eu queria contar para a minha mãe? Foi pensando nisso, ela só tinha raiva de você porque pensou que você estava me tirando dela, mas você não me deixou contar...’ ― Com as palavras de Natalia mais o estado de Elisa, Rael não poderia duvidar muito, mas ainda assim ele estava irritado.

 

― Você deveria ter me dito isso antes, mesmo que eu não acreditasse... ― disse ele inconformado.

 

― ‘Desculpe, eu achei que você não iria acreditar... Você tinha tanto ódio deles...’ ― disse Natalia com a voz falhando. Rael tinha suas duvidas, mas com o poder da matriarca Verônica ele logo sanaria tudo. Ele, por enquanto, decidiu acreditar em Natalia, isso porque ela estava defendo apenas sua mãe e não os dois. Se ela tentasse defender Romeo... Rael nunca acreditaria.

 

                Elisa nunca tratou Rael bem quando criança. Pelo que Rael lembrava, ela sempre demonstrava um olhar irritado e furioso, lançando sobre ele varias maldições. Lembrando com cuidado agora, ele podia ver que na maior parte do tempo ela fazia isso quando Romeo estava perto. Quando não estava, ela o olharia de longe, mas seus olhos não pareciam carregar nenhum pouco de afeto. Era quase como se ela estivesse usando uma máscara.

 

― ‘Rael... Quando você sumiu do clã, dias depois Elisa fez uma viagem e passou um mês fora na época. Eu não estou a defendendo, mas parece que ela queria esconder a sua perda...’ ― dessa vez foi Mara quem disse isso.

 

                Rael suspirou fundo em seu coração, mas não respondeu. Ele já tinha tomado a decisão baseado no que Violeta havia dito dias atrás. Se Rael desse uma chance a eles e mesmo assim eles recusassem, então ele estaria dando rosto a Natalia. Dessa forma, ela não poderia reclamar depois e só poderia perdoá-lo.

 

― ‘Eu não entendo porque ela ainda defende esses dois...’ ― Rael ainda estava sendo balançado pelas palavras dela em relação a Elisa. Naquele momento, uma dúvida tinha brotado em seu coração.

 

                Romeo suspirou depois de um tempo, como se tivesse recuperando toda compostura. Os elders cercando Romeo também pareciam ter acordado, mas ainda havia muitos guardas chocados em volta com a revelação bombástica.

 

― Aqui está você depois de tudo. Você não deveria ter dito quem era até ter poder necessário para me enfrentar ― disse Romeo. Ele entendia melhor do que ninguém que qualquer coisa que ele dissesse ou fizesse não mudaria o coração de Rael. Então, esse seu filho que ele tanto rejeitou no passado deveria agora ser morto. Não havia dúvidas, ele queria matar Rael agora muito mais do que nunca. Rael era uma ameaça colossal que vinha crescendo constantemente, conquistando cada vez mais espaço no mundo.

 

― Vai me matar, Romeo? Você ousa tentar? ― Rael o provocou abertamente. Rael e Mara não respeitavam o patriarca, por isso o chamavam diretamente pelo nome.

 

― Você é muito arrogante, se tivesse aguentado por mais alguns anos poderia ter a chance de tirar minha vida, mas vindo apenas com esse poder... Você está apenas ansiando por sua própria morte ― disse Romeo. Ele tinha lançado várias vezes o sentido em Rael para descobrir que o mesmo ainda estava apenas no nono reino. Ele não conseguia ver o verdadeiro poder de Rael.

 

― Nesse momento meu poder é mais do que suficiente para os meus propósitos atuais. Enfim! ― disse Rael, fazendo uma curta pausa e continuou após dar um suspiro: ― Prestem muita atenção no que vou dizer agora, vocês só terão uma chance e essa chance foi concedida a vocês graças a Natalia. Vocês dois, Elisa e Romeo, devem se ajoelhar diante de mim e implorar pelo meu perdão. Se fizerem isso eu vou permitir que vivam, mas você dois serão escravizados e eu também destruirei o cultivo de Romeo ― disse Rael em seu tom levemente calmo.

 

                Quando Romeo ouviu aquelas palavras estremeceu em ódio. Um ódio tão grande que o consumiu quase inteiramente enquanto seu corpo não parava de tremer. Todos em volta estavam chocados, e ninguém ousava dizer qualquer palavra.

 

                O pensamento de todos era óbvio, nunca que Romeo e Elisa se ajoelhariam para ele, principalmente Romeo que teria seu cultivo destruído no processo. Rael abrandou a pena de Elisa por receio de Natalia estar dizendo a verdade, mas a de Romeo ele não diminuiu. Ele deu uma chance aos dois como Violeta havia dito, mas ao mesmo tempo os ofendeu gravemente, uma pessoa ser transformada em escrava era basicamente o mesmo que perder toda sua dignidade. Romeo teve uma pena ainda maior, além de se tornar escravo, ele perderia todo seu cultivo e seria menos que um lixo.

 

                Muitas pessoas deixaram seus olhos sobre Romeo e Elisa. Um estava em pé rangendo os dentes e a outra estava desabada no chão.

 

A primeira pessoa a se mover foi Elisa, ela se levantou com o rosto abaixado, seus cabelos cobriam sua face por isso era impossível imaginar o que ela estava pensando. Ela avançou um passo enquanto seu corpo tremia e logo após outro. Passo a passo ela parou próxima a Rael, que já estava preparado para qualquer ataque repentino. A indecifrável mulher levantou a face para olhar o jovem a frente e seus olhos estavam inundados em lágrimas. Do mesmo jeito que ela o olhou, ela caiu de joelhos, como se tivesse perdido todas as próprias forças.

 

                Todos conheciam o temperamento de Elisa. Ela era uma mulher dura, arrogante, refinada e extremamente leal ao marido. Vê-la antes desabada no chão não era normal, e mais peculiar ainda era a imagem dela se ajoelhando diante de Rael. Sem mencionar o fato de que ela estava fazendo isso na frente do próprio patriarca.

 

                Naquele momento todos ao redor mal ousavam respirar. Ainda havia uma confusão sobre o retorno do filho sumido que na verdade havia sido assassinado... era uma coisa realmente complicada. Com isso, Natalia agora recebia centenas de olhares também. Se Rael era irmão dela e os dois estavam casados, então aquilo era claramente incesto. Incesto não era tão incomum em grandes famílias, principalmente se os irmãos eram grandes gênios, mas ainda não era algo muito facilmente aceitável.

 

― Eu... eu imploro o seu perdão... ― foram as palavras de Elisa. E ela disse com tanta dificuldade que parecia estar fazendo um enorme esforço para isso.

 

                Os queixos de muitos despencaram ao redor. Os elders de elite pareciam estar desacreditados junto a Romeo.

 

― Você... você... você...! ― Romeo apertava os dentes com tanta força que parecia que iria quebrá-los a qualquer instante. Olhando sua esposa ajoelhada em frente a Rael, ele não conseguia acreditar, era como se estivesse vivendo um pesadelo sem fim. Ele quase quis bater na própria face para ter certeza de que não estava sonhando.

 

                Ninguém sabia, mas Elisa era extremamente devota a seu marido. Ela seguia todas as ordens dele como se fossem leis, igual a uma mulher fiel deveria fazer. Mas, acima disso, ela tinha muito medo do que Romeo poderia fazer. Por isso ela nunca ousou demonstrar qualquer sinal de objeção ou fraqueza próxima a ele. Se Romeo não estivesse satisfeito com sua esposa, ele literalmente a espancava. É claro, ninguém descobriria isso, uma briga de casal, de um patriarca com sua esposa, não era algo que poderia ser exibido, muito menos que houvesse intromissões.

 

― Você! Você se atreveu a...! ― Romeo se enfureceu até o limite de sua alma, vendo sua mulher se ajoelhando para Rael. Aquilo para ele era como receber a pior humilhação em sua vida. Elisa também representava Romeo de certa forma, mesmo que um pouco. Então, quando ela se ajoelhou diante do jovem, ela estava mostrando que o mesmo estava certo, que tudo o que aconteceu com ele foi injusto.

 

                Rael se sentia estranho. Diante das palavras de Natalia, e agora a reação de Elisa, algo dentro de toda a história que ele conhecia estava um pouco confusa, mas ele não conseguiu sentir pena de Elisa porque, no fundo, ela também o maltratou. O sentimento que ele sentia era um tipo de incômodo misturado a indecisão. Ele poderia forçá-la mais um pouco, de forma a tornar aquela humilhação ainda maior, mas não quis fazer isso também pelo fato de que poderia precisar dela em relação ao pacto de Natalia. Se por um lado ela estava aceitando a proposta de Rael, do outro, Romeo estava prestes a explodir em fúria.

 

                Elisa estava ajoelhada, com a testa tocando o chão enquanto o seu corpo estremecia. Ela não conseguia parar de chorar, como se sua vida inteira tivesse sido a pior possível. Ela parecia estar extremamente arrependida de tudo, de cada passo dado por ela até ali.

 

Elisa não estava mais se importando com sua própria face. Mesmo diante de todos, ela se mostrou miseravelmente prostrada no chão, humilhada, sem valor algum. Até mesmo um dos guardas que se esconderam da batalha agora teria muito mais dignidade que ela.

 

Zuuuuup!

 

 

Não houve mais palavras. Os olhos de Romeo tinham perdido completamente a sanidade. Ele avançou como um vulto para perto de sua esposa ajoelhada e levantou rapidamente o braço direito. Seu punho tinha se tornado um tipo de rocha grossa com várias estacas apontadas para a esposa, quando ele descesse sobre a cabeça de Elisa, não restaria nada além de restos mortais. Romeo estava a um movimento de acabar com a vida de Elisa.

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Capítulo patrocinado por: Gabriel Bonifacio da Silva




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