O Herdeiro do Mundo

271 - Batalha no Clã Torres: Parte 1

A espada e a armadura de Mara estavam cobertas em um mar de chamas. O golpe dela era definitivamente para rasgar o patriarca ao meio, e naquele momento em meio a fúria, ela acabou esquecendo que essa vida só poderia ser tirada por Rael. Mas ela não se importava, devido as condições, ela foi forçada a tomar essa medida. E mesmo que ela pensasse sobre a vingança de Rael, o ódio de imaginar que seus pais estavam nas mãos daquele homem maligno e covarde a fez perder toda e qualquer razão que ela ainda poderia ter para pegar leve.

 

― Você ousa mesmo me atacar? ― a voz de Romeo era fria e seus olhos irradiavam uma forte intenção assassina. Ele moveu o braço direito para frente e para cima, apontando a palma para Mara, que ainda estava descendo sobre ele com a espada nas duas mãos. O corpo de Romeo foi coberto por uma aura amarela escura, quase marrom, mostrando que ele tinha a liberação da Terra, a mesma liberação do falecido patriarca Arthur.

 

                O que aconteceu a seguir foi em um instante. Duas grandes mãos de terra subiram, saindo do chão em frente ao patriarca. Essas mãos tinham pelo menos o tamanho de uma carruagem enquanto se estendiam para a frente. A primeira tentou agarrar Mara, mas foi facilmente destruída pela poderosa espada que cortou para frente.

 

Booooom!

 

Montes de terras voaram pelo ar, se espalhando em segundos em uma aura quente misturada a fogo. A segunda mão formou um punho e socou Mara na lateral de seu corpo. Mara perdeu o equilíbrio no ar e foi lançada vários metros para o lado, ela caiu por cima de uma árvore, a quebrando no impacto, e ainda rolou por alguns metros no chão antes de parar. Mas ela não soltou a espada e, além disso, não sofreu danos, a armadura conteve todo e qualquer dano, sofrendo apenas alguns arranhões e pequenas fraturas na armadura. Afinal, Romeo era um reino final e seus ataques não eram nem um pouco fracos.

 

― Mara! ― Natalia gritou preocupada, mas percebeu que ela estava bem. Se a armadura ainda estava ativada, então não tinha o que temer.

 

― Matem esta traidora! Ela ousou me atacar! ― Romeo gritou a ordem de execução. Os homens fizeram suas armas surgirem e liberaram suas auras em um estrondoso grito de guerra, como se estivessem lidando com um clã inimigo.  Antes que eles pudessem reagir, voltaram seu olhar para Natalia. Naquele momento o corpo de Natalia estava brilhando, uma energia vermelha havia coberto seu corpo e se espalhava formando uma armadura mágica.

 

A armadura que cobriu Natalia era metálica, vermelha escurecida e com listas laranja no peito, possuía as mesmas listas nos braços e pernas. Seu elmo tinha o formato de um bico na parte da boca, e nas orelhas, um par de pequenas asas brancas para trás. Nos olhos, um espaço de visão afiada como os de uma águia, coberta por uma camada de vidro vermelho.

 

― Qualquer um que ousar tocar na minha prima sofrerá as consequências! ― disse Natalia, levantando um arco longo Cristalizado com corda vermelha, contendo algumas penas vermelhas nas pontas. Quando ela puxou o dedo no ar, uma flecha mágica de pura energia fogo foi formada pronta para ser atirada. Essa flecha queimava intensamente, colocando medo em alguns cultivadores próximos. Se aquela flecha os acertasse, os danos não seriam nada superficiais.

 

― Um arco mágico!? Pelos deuses, o que é que está acontecendo?! ― Outro elder estava chocado.

 

― Armadura Fênix das Brasas e armadura Tigresa Sombria Demoníaca. Essas duas possuem tais armaduras e tais itens raros... Sem mencionar esse magnífico cultivo ― disse outro elder.

 

                A cada momento, as duas jovens mulheres chocavam cada vez mais pessoas. Romeo estava espumando ódio, pensando em como ele nunca havia notado o extraordinário talento inato de sua própria filha.

 

― Já que chegamos a esse ponto, não há mais volta ― disse Mara de pé, ela tinha acabado de se recuperar. ― Qualquer um que ousar entrar em meu caminho a partir desse ponto, eu matarei. Vocês podem ter certeza que não serão poupados. No momento, tudo que quero é recuperar os meus pais mas, se ainda insistirem em entrar em meu caminho, morrerão miseravelmente.

 

                Quando Mara friamente pronunciou aquelas palavras, muitos homens recuaram para trás, como se quisessem desistir da ordem antiga do patriarca. Eles estavam com medo até a ponta de seus ossos. Muitos conheciam o temperamento explosivo de Mara, e corriam boatos que ela estava calma por esses tempos depois de casar-se, mas agora não era o que parecia, sua personalidade bruta e geniosa retornou impiedosamente.

 

Antes, todos teriam medo de Mara devido a seus pais por trás, mas naquele momento, os pais dela estavam rendidos, e o medo que eles sentiam agora era puramente da bela mulher de armadura monstruosa a frente. Sua aura e intenção assassina ainda eram avassaladores, e suas palavras a pouco mostravam firmeza e uma frieza aguda de tocar o fundo da alma de qualquer ser, eles não tinham dúvidas de que seriam mortos se atacassem-na naquele instante.

 

― Um lixo como você...! ― Romeo bufou indignando ― Aleijem minha filha e matem Mara imediatamente! Essa é uma ordem! Vão! ― Romeo não quis saber e gritou enfurecido. Para ele, Mara estava se achando demais.

 

                Os homens ainda não queriam ir e olhavam de um para outro, como se esperasse que alguém fosse primeiro. Suor frio escorria deles, Mara ainda não tinha matado ninguém na frente deles, mas ainda assim eles tremiam de medo, porque a pouco, sem a armadura, ela já estava forte e era capaz de derrubar facilmente vários homens, e agora com a armadura ela estava incrivelmente mais poderosa.

 

― Quem não me obedecer será um traidor, eu mesmo matarei cada um dos traidores que não acatar a minha ordem! ― disse Romeo irritado. A indecisão de seus homens quase o fez perder face. Os homens gritaram como se quisessem se encher de coragem e partiram para os alvos.

 

Sooou!
Sooou!

 

                Natalia recuava e disparava flechas mágicas. Suas flechas acertavam ombros ou joelhos dos seus alvos, de modo que ela apenas estava aleijando e queimando os locais atingidos. As vezes, as flechas eram tão fortes que atravessavam e ainda atingia outros alvos atrás. Quando Natalia era cercada, ela fazia o arco sumir e em suas mãos surgia duas Adagas de cristal curtas com lâminas azuis. Ela cortava com tamanha agilidade que quase ninguém era capaz de acompanhá-la. Em termos de agilidade, Natalia parecia ganhar de qualquer um, ela era quase duas vezes mais rápida que Mara. Homens após homens caíam próximos a Natalia, ela novamente recuava ganhando espaço e puxaria o arco de novo, sempre mudando sua tática rapidamente para confundir os seus alvos. Graças a Leona, seu treinamento e troca rápida de estratégia eram perfeitos.

 

                Mara, por outro lado, estava se banhando em sangue. Gritos e mais gritos de dor podiam ser ouvidos. Mesmo que agora eles tinham intenções de matar, não conseguiam ter nenhum sucesso. Cada ataque dela era muito violento, com uma arrastar de espada ela podia corta dois ou até três cultivadores instantaneamente, como se fossem papéis. Mara tinha a liberação da Força, sendo ampliada com a do Fogo, nada ficava em seu caminho.

 

― Aaaaaah!

 

― Ooooooh!

 

                Homens após homens gritavam miseravelmente, alguns perdiam a cabeça, outros tinham seus peitos rasgados, membros, e um após o outro começavam a cair e formavam um enorme rastro de sangue, a maioria ainda morria sendo queimados vivos. Mara era como um demônio impiedoso ceifando uma vida após outra sem parar. A partir do momento que ela disse que mataria, ela estava mesmo cumprindo com a palavra. Por isso, alguns homens que estavam vendo o resultado da batalha, de repente mudaram de alvo, escolhendo Natalia. Pelo menos, com Natalia, eles seriam apenas aleijados. Alguns nem tinham vontade de cumprir a ordem do patriarca, eles só corriam rezando para que Natalia pegasse leve com eles.

 

                Romeo tinha formado uma expressão de descrença acompanhando a cena. Ele claramente começou a entender a mudança de reação de seus homens. Sendo eles mortos tão facilmente por Mara, como poderiam continuar investindo contra ela? Por isso o número de atacantes em volta de Natalia aumentou.

 

― Nenhum dos nossos homens podem com elas? Como? Como?! ― Um dos elders estava chocado. Vidas após vidas eram tiradas facilmente pelas mãos de Mara. É claro, as vezes ela era atingida, mas a armadura a protegia com alguns arranhões e novas rachaduras.

 

                Natalia já tinha aleijado cerca de 80 homens e continuava do mesmo ritmo, tomava espaço e usava o arco, se era cercada, trocava com suas adagas. Se Natalia estivesse matando, ela já teria tirado muito mais vidas que sua prima. Ficou claro que mais de 75% dos homens estavam escolhendo Natalia como alvo, porque assim eles seriam aleijados e ficariam incapacitados de lutar. Dessa forma Romeo não poderia acusá-los de traição.

 

― ‘Humpf! Covardes!’ ― Mara pensou indignada vendo as coisas se desenvolverem a esse ponto.

 

― Se afastem delas! Vocês não são páreos! ― gritou um dos elders. Era inacreditável que os homens estavam recebendo ordens para recuar de duas jovens garotas, mas aquela era a mais pura realidade. Se continuassem insistindo, todos eles morreriam ou seriam aleijados. Naquele momento, o número de aleijados eram o dobro de mortos. Quando Mara começou a matar, ela não vacilou por nenhum momento e usaria as mais diversificadas técnicas para matar cada de seus alvos.

 

― Natalia! Se você continuar com essa teimosia eu mandarei que te matem também! Você vai ou não vai ficar do lado de seus pais?! Esta é sua última chance! ― Romeo já estava tremendo em fúria, ele não conseguia mais conter o seu ódio. Ver duas simples jovens destruindo seus homens como se fossem brinquedos o deixou fora de si.

 

― Eu estou do lado da minha prima! Se você insistir em ser inimigo dela, será o meu inimigo também! ― disse Natalia de dentro do elmo em um tom natural. Ela continuava não expressando seus sentimentos.

 

Na verdade, Natalia estava sofrendo um pouco com aquele dilema. Ela não queria seus pais se rebelando contra Rael, mas nada mais podia ser feito depois de tudo o que eles fizeram com Rayger e Neide e buscam fazer com Rael. Ela sempre soube que um dia isso iria acontecer, e seu marido mesmo sempre a alertou.

 

― Elders! Matem as duas! Eu já não me importo mais! Mostrem o seu poder! ― Romeo ordenou sem nenhum tipo de pesar. A resposta de sua filha foi como uma sentença de morte. Agora Mara e ela estavam ambas condenadas a morte.

 

― Marido, é nossa filha! Você não pode fazer isso! ― Elisa tentou avançar para frente de Romeo.

 

Paaaaaf!

 

Elisa sofreu um tapa na face e avançou vários passos para trás, quase caindo desnorteada com as mãos sobre a face. Romeo estava com uma expressão fria como a de um verdadeiro demônio enquanto olhava irritado para a esposa.

 

― Não se meta nisso, mulher! Você é fraca! Você só está me envergonhando com essa sua atitude covarde! Se você tentar falar mais qualquer coisa em defesa a essa traidora, eu vou considerar você uma outra traidora também e cuidarei pessoalmente de seu julgamento! ― Rugiu Romeo. Elisa ficou com as mãos cobrindo o rosto. Ela tremia de medo de seu marido, sempre ficava com medo quando ele agia assim para com ela. Mas ela também estava preocupada com sua amada filha.

 

― Mãe!... ― Natalia de longe ainda gritou pela mãe, porque ouviu que ela tinha agido em defesa dela. Além disso, Elisa tinha se tornado mais próxima, dando apoio a Natalia. Dava presentes, pílulas e várias ervas, mesmo que ela dissesse que não precisava. De uma mãe que não se importava com nada, Elisa tinha mudado para uma mãe que se importava. Elisa tinha tentando mudar nesses últimos tempos para se redimir de seus erros.

 

― Elders, matem essas duas agora! ― ordenou Romeo, voltando a olhar para frente. Mara estava mais próxima, cercada de corpos mortos, enquanto Natalia estava mais longe com o arco em punho. Nesse momento, ninguém ousava se aproximar de qualquer uma.

 

                Os homens no chão feridos por Natalia estavam todos incapacitados de lutar e gemiam de dores com seus muitos membros carbonizados e quebrados.

 

                Quando Romeo via sua filha, a garotinha imprestável que para ele era meramente uma boneca inutilmente bonita, ele se enchia de raiva. Aquela menina fraca, gentil e covarde, havia se tornado uma poderosa cultivadora capaz de abalar os céus e a terra, e tudo isso com apenas 15 míseros anos. Se ela crescesse um pouco mais, quão forte será que ela poderia ficar?

 

                Romeo só podia se lamentar. Perder tamanho talento e ainda ser obrigado a tomar uma atitude pesada contra um gênio em potencial. Mas como pai, ele realmente não estava se importando. Se ela queria agir contra ele, então ele a puniria de acordo.

 

― Eu posso cuidar da sua filha, o senhor tem mesmo certeza disso? ― Perguntou um elder de vestes roxas. Ele tinha uma aparência de um homem com uns quarenta anos e não parecia nem um pouco surpreso com tudo o que ocorria. Ele parecia ter certeza que facilmente mataria Natalia.

 

― Elder Juarez, faça! Essa é a minha ordem absoluta! Mostre para essa fedelha o que realmente é velocidade ― disse Romeo friamente.

 

                Elisa viu o elder Juarez dando um passo a frente. O homem parecia inexpressivo, e por um momento apenas encarou Natalia de longe. Mas todos sabiam que agora que o elder tinha decidido eliminar Natalia, não havia mais o que ser feito.

 

                A velocidade do elder Juarez podia superar até a velocidade de reinos finais, tamanho era o seu controle sobre o elemento Vento. Dentro do clã Torres, ele era considerado o cultivador mais veloz de todos.

 

― Se o elder Juarez vai cuidar de Natalia, então eu irei cuidar de Mara ― disse outro elder próximo ao elder Juarez e deu um passo a frente.

 

― É o elder Ramon! O elder Ramon vai mesmo lutar? Oh, céus! Mara está perdida ― disse alguns dos guardas que ouviram e viram o homem tomar posse.

 

                Ramon era conhecido por ter a liberação da Força. Diziam que, em todo o clã, apenas Rayger e Romeo era mais forte que ele.

 

                Ramon era um homem grande e forte, ao contrário de Juarez, que era magro e baixinho. Enquanto Juarez sacou duas adagas, Ramon sacou uma espada pesada que caiu com um estrondo no chão. Ele a levantou com a mão direita e a jogou no ombro para ajudar como apoio. O chão próximo ao elder Ramon até começou a se rachar. A espada dele deveria pesar uma tonelada.

 

                Quando Romeo viu seus elders se decidindo sobre seus alvos, já se sentiu extremamente aliviado. Os elders não eram tão fracos como os outros cultivadores comuns. Mara e Natalia não poderiam ter a menor chance de vencê-los num confronto direto.

 

― É uma grande pena, Natalia tinha tanto futuro... Acabar com um talento assim é realmente deplorável ― disse outro elder, como se já soubesse do destino da mesma.

 

― Mara também, se esses atos de traição não estivessem ocorrendo, essas duas seriam os maiores pilares de nosso clã ― disse outro elder, ligeiramente desanimado.

 

― Irmãos, uma vez que as duas decidiram ficar ao lado dos traidores não há nada que pode ser feito. Vamos apenas esquecer isso ― disse o elder mais velho de todos. Esse aparentava ter quase cinquenta anos e estava também nos níveis finais do décimo segundo reino.

 

― O irmão Léo está certo, vamos apenas acabar com isso ― disse um dos outros concordando e vários deles balançaram a cabeça imponentemente.

 

                Romeo ainda estava irritado com o fato de estar prestes a perder uma filha prodígio, mas não havia mais nada a ser feito, ela já tinha feito a escolha.

 

― Ativar: Natalia. Esses elders não são comuns como os guardas que enfrentamos anteriormente. Tome cuidado ― disse Mara através do anel. Os anéis funcionavam dentro para os que estavam dentro, mas não para os de fora.

 

― ‘Você também’ ― disse Natalia de volta.

 

― Patriarca, eu posso começar? ― o elder Juarez perguntou uma última vez para ter certeza. Em resposta, o patriarca balançou sua cabeça concordando.

 

― Então vamos começar! ― disse o elder Juarez se virando de volta para seu alvo, assim como o elder Ramon se dirigiu para Mara.

 

                Mara apertou ambas as mãos na empunhadura e não recuou um passo sequer. Ela sabia o perigo de enfrentar lutadores de espadas pesadas, afinal, sua mãe era uma dessas lutadoras.

 

 

― ‘Mamãe, aguente um pouco mais. Eu irei salvá-la!’ ― Mara queria acreditar que seus pais estavam presos em algum lugar e, portanto, ela os salvaria assim que derrotasse todos os outros.

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Capítulo patrocinado por: Leonardo Schmidt




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