O Herdeiro do Mundo

269 - Tentando a Captura

No território Torres, as pessoas olhavam para a barreira azul no céu, de longe parecia uma fina camada e dificilmente seria perceptível como uma barreira, mas como estava por toda a parte, as pessoas começavam a apontar o dedo e comentar entre si. Só quem sabia da barreira eram os homens sob o absoluto comando de Romeo.

 

― Hoje é um dia de julgamento! Todas as pessoas devem evacuar as ruas e os locais públicos, fechem as suas portas e permaneçam em casa! Caso não obedeçam, serão acusadas de traição! Hoje é um dia de julgamento! Todas as pessoas... ― vários guardas repetiam isso enquanto percorriam pelas ruas do território Torres. Assim, as pessoas não podiam fazer nada a não ser correrem para suas casas e se trancarem. É claro que Romeo não queria ninguém além de seus homens envolvidos nesses assuntos.

 

                Em cima de um tapete da sala principal de Romeo, estavam Rayger e Neide imobilizados. Ambos estavam aprisionados pelas correntes de energias azuis que cercavam todo o corpo de cada. Neide ainda estava cuspindo sangue devido suas ações de mais cedo. Rayger lançava olhares desesperado para a sua esposa ao lado.

 

― Irmão, você me desapontou. Por longos anos eu tive você ao meu lado, deixei que cuidasse de vários assuntos nossos, para no final me trair dessa maneira ― Romeo estava sentado em sua poltrona, olhando friamente os corpos dos dois a frente. Rayger e Neide estavam a uns 15 metros dele, deitados sobre o tapete, ambos virados de barriga para baixo. Atrás deles tinha 13 guardas, todos no décimo segundo reino, esperando por ordens. Ao lado de Romeo estava Elisa, parada em pé com uma expressão fria. Ela tinha conseguido se conter e agora parecia não mais se preocupar com o ocorrido anteriormente.

 

― Irmão... Você está errado, nós não o traímos... ― Rayger tentou discutir porque estava muito preocupado com Neide. Ela estava quase desmaiando e não parecia nem um pouco bem. O esforço feito antes os causou vários ferimentos internos.

 

― Não traíram? Vocês sabiam que a mestra de Rael tinha os mesmos olhos escuros da mulher que quase nos destruiu no passado. Além disso, vocês ainda ajudaram a encobrir rastros de Isabela. Você acha que eu não sei que Samuel tem um caso com Isabela? O tempo inteiro você sabia que eu estava a procurando, mas não me disseram nada! Me diga se isso é ou não é uma traição?

 

― Irmão, ela não é a mesma pessoa. No passado fomos atacados por uma jovem mulher de cabelos brancos, a mestra de Rael é ruiva e não se parece nem um pouco com ela, e também nunca tomou qualquer má ação contra nós ― disse Rayger.

 

― Não tomou más ações? Quando ela apareceu a primeira vez, os céus foram pintados de vermelho, os nossos homens até hoje se tremem só em lembrar da ameaça daquele dia. Na época eu não me importei porque não tinha descoberto que os olhos dela eram escuros, só descobri isso recentemente. Você estava o tempo todo trabalhando para o inimigo. Começou a fazer isso depois de ter certeza de que eu ficaria mais 50 anos no poder. Você estava conspirando contra mim! ― disse Romeo.

 

― Irmão... Não seja cego, você sabe que nós não lhe fizemos nada...

 

― Eu não sei? Vocês serão julgados. Tem pelo menos um total de 25 testemunhas que viram os olhos escuros daquela mestra de Samuel, comprovando que ela era do mesmo tipo da outra mulher do passado, uma mulher demônio. Eu nem preciso lembrar você do próprio Samuel quando ele matou Heitor, não?

 

― E por que só agora você está fazendo essa acusação contra o meu genro? Olhos escuros não quer dizer que eles tenham o mesmo sangue ou a mesma herança da mulher do passado, pode ser que isso esteja ligado a liberação deles ― defendeu Rayger.

 

― Hahahahahahahaha! Irmão, eu apenas deixei passar na época. Se eu quisesse, desde há muito tempo teria mandando acabar com esse jovem. O erro dele não foi tomar a imprestável da minha filha, minha filha era uma inútil e ela nunca vai ser merda nenhuma nessa vida. Agora, em Isabela, ele não deveria ter tocado... ― disse Romeo ficando frio. ― Por tempos eu fingi não enxergar o que esse rapaz era, mas agora que ele cometeu o erro de entrar em meu caminho, tudo mudou ― disse Romeo. Na verdade, Romeo nunca se importou com os olhos escuros de Rael, mas agora que estava tramando acusações, tudo era válido para torná-lo culpado.

 

― Irmão, você está exagerando... ― Rayger não sabia o que dizer, porque todas as acusações de Romeo seriam facilmente consideradas. As pessoas por medo confirmariam e apoiariam o patriarca no que quer que fosse. Então, de certa forma, esse tal julgamento seria injusto.

 

― Você deveria ter permanecido leal a mim. Seu erro foi achar que você e sua esposa poderiam se tornar maiores do que eu ― disse Romeo, voltando a ficar sério.

 

                Neide continuava passando mal no chão. Rayger não poderia implorar por ela mesmo se quisesse. No estado em que Romeo estava, se Rayger implorasse, ele muito provavelmente terminaria de matar Neide. Então Rayger só pôde olhar para sua esposa e implorar mentalmente que ela suportasse mais um pouco até que alguma ajuda chegasse.

 

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                Um grupo de 10 cultivadores no décimo reino se dirigiam para a residência Raymonde a fim de cumprir a ordem de Romeo. Considerando o quanto as meninas eram fracas aos olhos deles, aquele pequeno grupo seria mais do que o suficiente.

 

                Natalia e Mara estavam ambas cultivando. Já era de tarde e elas já tinham feito o treinamento com seus mestres mais cedo. Sentadas cada qual em um quarto elas não faziam ideia das coisas que estavam ocorrendo no clã.

 

Tum! Tum! Tum!

 

― Senhorita Mara! Senhorita Natalia! ― Um dos guardas bateu na porta e chamou atenção de Mara. Agora a residência Raymonde não tinha mais guardas, elas já não precisavam.

 

― ‘O que será que eles querem?’ ― Mara se perguntou enquanto cessava seu cultivo. Seu humor estava normal, ela não podia adivinhar o que estava ocorrendo, mas nunca ficaria satisfeita com alguém incomodando o seu cultivo.

 

                Natalia, ao contrario de Mara, não era facilmente despertada uma vez que estivesse cultivando. Por isso ela não ouviu quando foi chamada. Mara também não quis parar a prima porque ela estava um nível abaixo dela. Esse nível poderia ser recuperado rapidamente quando ela passasse um ou dois dias cultivando no vulcão.

 

                Mara desceu as escadas, se dirigiu e abriu a porta dando de cara com os dez décimos reinos enviados por Romeo.

 

― Qual é o problema? ― perguntou Mara ao primeiro momento, agindo com calma, mas ela começou a notar que havia algo de estranho.

 

― Onde está Natalia? O patriarca Romeo exige que vocês duas compareçam imediatamente na residência dele ― disse um dos homens e avançou para a frente na tentativa de puxar o braço de Mara. Atrás deles, os outros também deram sinais de investidas para capturar Natalia à força de forma a levá-la junto de Mara.

 

                Quando Mara percebeu essas reações, seu olhar ficou tão frio quanto gelo. Esses homens queriam na verdade invadir sua propriedade, raptar tanto ela quanto a sua prima. Ela conseguiu entender as ações deles em um piscar de olhos.

 

― Vocês ousam...! ― Mara disse friamente e uma aura quente como fogo foi exibida do corpo da mesma. O homem que tentou segurar Mara foi contido pela barreira e ficou a menos de alguns centímetros com a mão tentando agarrar o braço dela. A mão foi forçada contra uma barreira invisível, sem conseguir avançar. Os outros chegaram a tentar avançar pela barreira passando pelo homem, mas foram contidos. Todos não passavam da porta.

 

Boooom!

 

Quando a aura de Mara explodiu, eles foram todos empurrados para trás. Olhares de espanto surgiram em seus olhos. Eles sabiam que o poder de Mara não deveria ser maior que um 7ª reino. Então, como eles no 10ª reino foram todos empurrados para trás?

 

― ‘Ativar Neide, Ativar Rayger: pai, mãe o que está acontecendo? ― perguntou Mara, levantando o anel e encarando os homens à frente, ela também lançou um olhar na rua, vendo tudo deserto e depois olhou para o céu, constatando que havia algo de estranho.

 

― Senhorita Mara, não seja teimosa e nos obedeça, você e Natalia devem vir conosco. Seus pais já estão sob a nossa custódia e não vão responder você ― disse o guarda que tinha tentando segurá-la, depois do ligeiro susto com a aura e a barreira, ele já parecia melhor.

 

― Meus pais o quê? ― Mara que tinha um olhar frio ficou ainda pior, a intenção assassina dela aumentou ligeiramente e a aura se tornou ainda mais caótica, varrendo em voltas jogando rajadas quentes para os lados. A temperatura perto dela e dos homens rapidamente aumentou. ― Vocês vão me dizer o que está acontecendo agora ou eu juro que matarei cada um de vocês! ― ameaçou a moça. Ela sabia que algo estava de fato errado, seus pais a responderiam imediatamente e isso não estava acontecendo. A mensagem ia até eles mas não havia resposta.

 

― O patriarca está acusando seus pais de traição por se envolverem com o jovem mestre Samuel e a mestra dele. Você também será acusada se continuar a nos desafiar ― disse o guarda da frente, ele chegou a correr a visão pela casa, como se quisesse entender a barreira. Mas pareceu desistir e adotar um método diferente para forçá-la a sair.

 

― E onde estão meus pais exatamente?

 

― Seus pais estão rendidos com Correntes de Controle, eles estão na residência do patriarca. Agora, você e Natalia devem ser obedientes e nos seguir ― disse o mesmo guarda. Eles teriam voado e tentado capturar Mara a força se não fosse pela barreira, mas devido a isso eles tiveram de agir com mais cautela. Seria trabalhoso tentar forçar a barreira a se quebrar.

 

― Meus pais não seriam derrotados tão facilmente, como vocês fizeram isso? Falem imediatamente! ― Mara exigiu enquanto seu olhar frio percorria cada um dos homens ali presentes. Seis dos dez homens deram um passo para trás inconscientes e eles mesmos ficaram sem graça após aquilo. Não fazia nenhum sentido ter medo de alguém com uma aura no 7ª reino.

 

― Não temos essa informação, apenas sabemos que eles estão rendidos com Correntes de Controle. É sensato você colaborar e vir conosco ― disse o homem que se mantinha conversando com ela. Agora que os pais dela eram considerados traidores, Mara não tinha mais status no clã e portanto os homens não se preocupavam em ofendê-la ou tratá-la com rispidez. Todos os guardas sabiam que os pais de Mara não escapariam do julgamento e seriam mortos, era muito provável que Mara tomasse o mesmo destino. Eles só estavam tentando levá-la da maneira mais fácil.

 

― Senhora Mara, não seja convencida. Nos obedeça antes que você também se torne uma traidora. Seus pais não vão escapar de seus destinos ― disse um dos outros homens.

 

― E de que destino você está falando? ― perguntou Mara cuidadosamente, enquanto seus olhos focavam o homem que havia acabado de dizer com uma forte intenção assassina. O homem tentou parecer mais duro e disse em seguida.

 

― O único destino de traidores é a morte, a...

 

Zuuup Vaaap! Chuuua!

 

Como um borrão, Mara tinha avançado e aparecido na frente do homem que ainda estava falando. Com uma espada de porte médio tirada do bracelete no mesmo instante, ela rasgou o ar em um perfeito círculo. O pescoço do homem foi cortado e sua cabeça voou para o trás, caindo no ar. Enquanto falava ele viu o céu surgindo de repente enquanto sua cabeça caía e sua visão ficava distorcida. Ele ainda viu uma lâmina de fogo como um arco cortando aparecendo do outro lado, mas por um instante pareceu um enorme leque prateado. O homem nem teve tempo de gritar. Ele morreu segundos depois de entender que estava morrendo e seu corpo, em seguida desabou para o lado estremecido.

 

                Todos deram um salto para trás assustado. No primeiro instante, eles olharam do homem para Mara várias vezes e se forçavam a acreditar no que viam, porque pelo poder que Mara apresentava, aquilo jamais seria possível.

 

― Isso é... Impossível! ― disse um dos homens.

 

― Eu não ia matar nenhum de vocês, mas agora que disseram que meus pais serão mortos, eu definitivamente vou destroçá-los! ― disse Mara em um tom calmo e frio. Ela tinha se enfurecido até o fundo de sua alma. Se mexessem com ela não ficaria tão furiosa quanto mexer com seus pais. O maior erro deles foi ter dito que seus pais seriam mortos em breve.

 

                Os homens ainda estavam em estado de recuperação quando uma forte aura jorrou do corpo de Mara, explodindo em volta ainda com mais força. Como Mara estava praticamente no centro deles, ela resolveu usar uma técnica de área.

 

― Rosas de Fogo! ― gritou Mara. Era uma técnica simples e seria considerada mais defensiva. Sua aura quente e poderosa em chamas rugiu, uma formação rápida de rosas foi criada em sua aura e espalhada em todas direções. Como ela estava no meio dos homens, todos eles foram pegos de surpresa. Isso tudo ocorreu enquanto ela fez um rápido movimento de mãos.

 

― Aaaaaaah!

 

― Aaaaaaah!...

 

Os homens restantes gritaram como porcos sendo tocados por aquelas rosas de fogo. Seus corpos foram cobertos por fortes chamas e eles começaram a ser queimados enquanto corriam em direções aleatórias no mais completo desespero. Mesmo que usassem seu próprio poder, nada que eles fizessem seria capaz de reduzir o poder daquelas chamas.

 

                Mara continuou parada olhando friamente para os cultivadores enquanto eles morriam lenta e dolorosamente. Um a um eles foram caindo carbonizados. Não demorou muito para dez corpos se estenderem ao longo da rua. Das casas próximas, só as janelas estavam abertas e estas pessoas não ousavam sair, mas o choque preenchiam o coração de cada um deles. Pensamentos e comentários enchiam as casas das pessoas que viram o que Mara fez. Ela matou facilmente dez cultivadores do décimo reino.

 

                Mara estava enfurecida até a alma, saber que seus pais haviam sido presos e ainda estavam prestes a serem executados a deixou fora de si, mas nem por isso ela deixou de pensar com calma.

 

― Ativar: Samuel. Marido, está me ouvindo? ― Mara perguntou enquanto voltava para dentro. Dessa vez ela sentiu que a mensagem não chegou ao destino. ― Ativar: Violeta. Violeta, você está aí?...

 

                Ninguém respondia ao chamado de Mara e ela sentiu que era devido àquela barreira que via nos céus. Ela foi diretamente ao quarto de Natalia. Se ela não podia conseguir ajuda dos outros, ela só podia contar com sua prima.

 

― Natalia, eu preciso de ajuda ― Mara chamou a moça enquanto se movia para perto dela e balançava o ombro da garota. A aura de Natalia até tentou empurrar Mara, mas não conseguiu, como o cultivo das duas eram parecidos, não teve efeito. Natalia abriu os olhos lentamente enquanto sua aura se acalmava.

 

― Prima, o que houve? ― Natalia perguntou, vendo a preocupação estampada no rosto de Mara. Ela já estava acostumada com Mara para conhecê-la melhor que ninguém e saber que a moça estava sérios com problemas.

 

― Meus pais... Eles foram...

 

                Mara contou tudo o que descobriu recentemente para a prima. Natalia também tentou chamar Rael, mas não conseguiu. Depois disso, as duas saíram para a rua apressadas.

 

― Eles pegaram meus pais e, pelo que eu ouvi, estão presos na casa de Romeo, você me ajudará a libertá-los. Não podemos esperar por ajuda, eles podem ser mortos a qualquer momento! ― disse Mara.

 

― Meu pai? Por que ele mandaria fazer isso? De que tipo de traição ele está falando? Será que Rael já fez alguma coisa a respeito? ― Natalia estava preocupada.

 

― Não fez. Ele nos tiraria daqui antes, eu acho. Conhecendo Rael, ele ia nos deixar protegidas ou nos obrigar a ficar dentro de casa. Ele não faria nada precipitado que colocassem quem ele ama em perigo ― disse Mara rapidamente.

 

― Tem razão... ― concordou Natalia observando que todas as ruas estavam desertas.

 

 

― Temos que ir, acelere! São as vidas dos meus pais que estão em jogo! ― disse Mara depois de se entender com Natalia. Elas se olharam em concordância e avançaram como vultos por dentro do território. O destino das duas era a residência do patriarca.

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Capítulo patrocinado por: Leonardo Schmidt




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