O Herdeiro do Mundo

261 - O Mundo de Nível Deus

Os três se depararam com uma paisagem que não era estranha para eles. Ali estava o enorme galpão da biblioteca e a frente as belas paisagens que eles já encontram no mundo dos sonhos.

 

― Esse lugar não é o mesmo dos nossos sonhos? ― Keylla perguntou surpresa. Isabela era a única que ainda não tinha estado ali.

 

                A única coisa estranha naquele local era o ar. Algumas pequenas partículas de energia amareladas eram visíveis enquanto subiam do solo e se espalhavam no céu. Essa energia nunca fora vista por eles enquanto acessavam a esse lugar através dos sonhos.

 

                Rael já ia concordar com Keylla mas de repente sentiu uma forte pressão e caiu de joelhos no chão com os olhos arregalados e uma mão no coração.

 

― Rael! ― As duas instintivamente correram e perceberam que o estado de Rael parecia piorar a cada segundo. O que estava acontecendo? Elas não conseguiam obter essas respostas, mas ambas sentiram que aqui o ar estava muito mais pesado.

 

                Rael parecia estar com uma dor aguda e constante no peito, as caretas que ele fazia e os gemidos de dores estavam piorando. Sem saber o que fazer, as meninas recuaram com ele, o tirado de dentro da dimensão.

 

                Voltando a caverna, Rael, que antes estava com o rosto pálido, começou a melhorar enquanto sua respiração voltava ao controle lentamente. Keylla e Isabela não saíam dos lados de Rael enquanto esperavam ansiosas por sua recuperação.

 

― Rael, você está bem? O que está sentindo? ― Keylla perguntou preocupada.

 

― Rael? ― Isabela também quis saber.

 

― Cof cof! Eu... estou bem... cof cof! ― Rael tossiu algumas vezes ainda, aparentava estar com um pouco de falta de ar.

 

― Keylla, vá busca ajuda! Eu cuido dele ― disse Isabela.

 

                Keylla acenou com a cabeça positivamente e correu o mais rápido que pôde em busca da única alquimista conhecida do local além de Rael, Violeta. Mesmo com Rael melhorando pouco a pouco, as duas ainda estavam extremamente preocupadas com a saúde dele.

 

― Rael, o que aconteceu? O que você sentiu quando chegou naquele lugar? ― Isabela massageava o peito de Rael enquanto o mesmo estava escorado de costas para ela, ambos estavam sentados.

 

― Eu não sei... eu... senti tudo pesado... de repente não conseguia respirar também... E aos poucos foi ficando tudo escuro... ― Explicou Rael ainda com um pouco de falta de ar.

 

                Violeta e Keylla voltaram em menos de um minuto. Se tratando da saúde de Rael, Violeta viria correndo imediatamente. Quando as duas chegaram, o portal ainda estava aberto e Rael continuava escorado em Isabela respirando com dificuldades.

 

                A situação foi explicada. Rael passou mal, mas suas duas guardiãs não. Por que isso aconteceu? Todas as noites ele visitava a biblioteca em um corpo de bases físicas formadas com o seu poder, então por que ele não podia entrar normalmente? Antes de dizer qualquer coisa com incerteza, Violeta analisou a aura de Rael e sentiu que a mesma estava turbulenta. Depois ela entrou no portal e em seguida retornou.

 

                Violeta tinha um olhar de entendimento e começou a explicar o ocorrera.

 

― Rael, você não pode entrar fisicamente nesse mundo com esse corpo ainda. Você precisa renascer antes de acessar esse mundo, precisa ter ainda mais poder. O poder gerado naquele mundo é do mesmo nível que um mundo de deuses. Você só não morreu instantaneamente porque é o herdeiro, mas se elas tivessem demorado mais a te trazer de volta, certamente teria morrido ― explicou Violeta. Ao ouvirem isso, Keylla e Isabela se entreolharam, as palavras de Violeta fizeram-nas sentir agulhas penetrando em seus corações. A segurança de Rael era a coisa mais importante em toda a existência delas. Elas dariam a própria vida para protegê-lo, e por pouco ele quase pereceu diante delas.

 

― Todos os dias eu acesso aquele mundo e não há nada de errado. Por que eu não posso ir normalmente? ― Rael achou isso estranho.

 

― O corpo que você usa nos sonhos é formado pelo seu poder para entrar naquele mundo ao dormir, mas você só poderá acessar o seu mundo com o verdadeiro corpo quando atingir um poder muito maior do que o de um ser renascido. É por isso que a minha idéia é fazer você subir degrau por degrau, visitando mundos comuns, depois os mais avançados até você ter poder para visitar os mundos dos deuses.

 

― Só quando eu renascer?

 

― Bem, depois disso acredito que você ainda terá que cruzar muito reinos antes de suportar a energia daquele lugar. Quando vamos em forma de sonho não podemos cultivar, apenas obter conhecimento, mas em forma física corpórea podemos. Por isso você passou mal. Era muita energia e o seu corpo não estava suportando.

 

― Mas, e elas? Elas estavam lá e não sentiram nada ― disse Rael.

 

― Elas já têm o poder de um corpo renascido. Seus cultivos aumentam de acordo com seu poder, e portanto foram protegidas das energias externas. Suas guardiãs não precisam cultivar para aumentar de poder, uma vez que elas estão ligadas diretamente ao seu poder ― explicou Violeta.

 

― Pelo que entendi, meu corpo não suporta a energia desse mundo, não é? Se eu conseguisse suportar, o meu cultivo seria melhor do que no vulcão? ― perguntou Rael.

 

― Seria sim, mas você não aguentaria, mesmo que entre e saia de lá 100 vezes ao dia. É muito perigoso, Rael. O melhor a se fazer é fechar esse portal.

 

― Tudo bem que pode não me ajudar agora, mas e o cultivo de vocês, violadoras? ― perguntou Rael, se lembrando que elas também cultivam de vez em quando.

 

― É perigoso deixar esse portal aberto. Rose e Nastácia não poderão entrar nessa área, se elas o fizerem vão acabar morrendo instantaneamente. Mesmo que nos ajude um pouco sem pílulas e acessórios, seria quase inútil de qualquer forma ― explicou Violeta.

 

― Então, para que serve isso agora? ― Rael ficou desanimado pois sua descoberta no fim não lhe ajudaria em nada.

 

― Infelizmente não serve de nada, além de uma área de cultivo. Quando eu entrei, fui até a biblioteca e peguei um livro para tentar trazer para esse lado, mas quando cruzei o portal ele sumiu das minhas mãos. Eu cheguei a pensar que com esse portal nós poderíamos trazer coisas materiais desse mundo, mas realmente não podemos. Deve existir algo protegendo todas as coisas desse mundo, impedindo que possam sair dele ― explicou Violeta. No momento que ela foi verificar o portal ela havia feito isso, mas não mencionou a ninguém antes devido a não haver oportunidade anteriormente.

 

― Se pudéssemos fazer não seria muito útil, uma vez que só há livros.

 

― Não, Rael. Nosso mundo é muito maior. Eu lembro que tínhamos uma sessão de armas, acessórios e itens bastante raros, assim como ervas e elixires também ― disse Keylla de repente.

 

                Rael tentou fazer um esforço para se lembrar de algo sobre o que ela falava, mas não conseguiu. Então, ele se lembrou das placas de energia que podiam ser vistas no horizonte. Esses locais podiam estar ocultos enquanto ele ainda não tinha poder suficiente para alcançá-los.

 

― Seria muito útil se pudéssemos trazer algo do outro mundo, mesmo que fossem apenas livros ― disse Violeta e suspirou em seguida. ― Bem, eu vou voltar. Nastácia pode ficar preocupada. Rael, feche isso por favor ― disse ela e saiu casualmente.

 

                Ouvindo isso, Rael fechou o portal. Agora que ele já tinha gravado a essência do portal em sua mente, toda vez que ele precisasse abrir, ele poderia o fazer sem precisar das meninas.

 

                Quando Rael se recuperou, ele pediu para conferir o corpo de uma de suas guardiãs sobre poder delas. De acordo com Violeta, elas já teriam o poder de um corpo renascido e isso deixou Rael curioso.

 

                Isabela se propôs. Sobre os símbolos e a visão espiritual, Rael ficou admirado. Todos os 27 pontos de poder estavam liberados nela. Sendo esse o caso, aquele que Rael não conseguia liberar certamente seria o ponto do renascimento. Não somente isso, todas as veias espirituais dela eram perfeitas e estavam sem danos. Mesmo que elas não cultivassem para aumentar suas forças, as veias ainda seriam condutores de poder, isso faria elas lutarem melhor e ter suas capacidades máximas em tudo. Força, velocidade, técnicas. Não era a toa que elas poderiam lutar de igual pra igual com pessoas de até um reino acima delas.

 

― Eu estou bem, Rael? ― Isabela corou. Vendo os olhos brancos de Rael, ela imaginou que ele estivesse vendo muito mais do que apenas seus pontos de poder e veias espirituais. Mesmo com roupas, ela se sentiu quase nua no olhar penetrante do seu jovem amado.

 

                Rael com os olhos brancos demonstrava um enorme conhecimento, qualquer um que foi visto por ele assim teve pensamentos parecidos. Rael parecia mesmo ter a capacidade de ver tudo através daqueles olhos brancos e imponentes. Isso dava a ele a face semelhante a de um deus.

 

― Você está em perfeito estado ― disse Rael, normalizando o seu poder enquanto seus símbolos retornavam para o corpo e seus olhos voltavam ao normal.

 

― Você não vai me inspecionar? ― Keylla se ofereceu em seguida com um ar natural, essa não tinha nenhuma gota de vergonha ou medo.

 

― Não é necessário, Keylla. Acredito que vocês duas estão em perfeita igualdade.

 

― Oh! Será? O que me diz de treinarmos, Isabela? Eu nunca lutei com você ― disse Keylla, se virando para a bela loira de olhos de mel.

 

― Eu não vejo nenhum problema nisso ― respondeu Isabela sorrindo animada enquanto sacava sua espada e seu escudo triangular. Ela estava sem sua armadura dourada casual, mas Keylla também não estava usando nada além de roupas normais.

 

― Muito bem ― Keylla sorrindo e sacou seus dois chakrams.

 

                Rael se afastou curioso, ele também queria saber o resultado daquela batalha.

 

                A luta começou. Keylla dominava a ofensiva e atacava todos os pontos de Isabela. Podia-se dizer que Keylla tinha muito mais poder ofensivo enquanto Isabela, defensivo. Isabela era como uma muralha e se protegia de todos os ataques de Keylla. Keylla não pensou que encontraria uma pessoa que ela não conseguisse ferir, mas sendo Isabela, ela se sentiu satisfeita. As duas começaram apenas pegando leve, mas em apenas alguns movimentos suas auras de batalha explodiam com bastante violência.

 

                Uma era uma aura azul quase harmônica enquanto a outra era uma aura vermelha de um fogo feroz. O interessante é que aqui os papeis estavam trocados. Enquanto o gelo deveria ser melhor defensivamente estava na ofensiva e a outra de fogo na defensiva.

 

                Isabela era uma lutadora experiente, e como tal estava estudando os constantes ataques de sua parceira. Não demorou muito para ela se acostumar e começar a contra atacar. Isabela ter se mantido na defesa até agora havia uma razão, ela estava estudando os movimentos de Keylla e somente naquele momento Keylla se tocou.

 

― Você é forte, mas eu tenho uma surpresinha! ― Keylla ativou o seu clone e Isabela mais uma vez ficou impressionada. Com duas Keyllas atacando ferozmente, não foi difícil fazer Isabela recuar.

 

                Contra duas, Isabela não deixou de receber alguns ferimentos nos braços e pernas. Ela não tinha tempo de defender todos os ataques. Como era um treinamento, Keylla estava pegando leve, então tudo era superficial, mas mesmo assim não deixava de correr sangue em alguns locais. Com Isabela sendo pressionada, ela não pôde resistir a tentação.

 

― Isabela, não! ― Rael gritou quando a percebeu liberando o seu escudo de chamas. Keylla chegou a ver a energia fluido de Isabela mas não teve tempo de fugir, e junto com a clone foram pegas em cheio. As duas Keyllas foram arremessadas alguns metros e caíram sobre o chão duro. Rael ficou ali ainda surpreso, porque pensou que esse poder poderia facilmente matar Keylla, mas pelo visto Isabela tinha aprendido a controlar e lançou apenas uma fraca onda de calor.

 

― O que foi isso, Isabela? ― Keylla perguntou se levantando lado a lado com sua clone, ela percebeu o grito preocupado de Rael e agora o mesmo estava em silêncio.

 

― Acho que esse é meu poder herdado da outra vida. Deve ser o mesmo que sua clone, não? ― Isabela respondeu casualmente, ainda segurando o escudo e a espada. Tanto ela quanto Keylla estavam um pouco cansadas, mas nem perto de ficarem satisfeitas.

 

― Huuum, então não pegarei mais leve ― Keylla se animou e partiu novamente para cima de Isabela.

 

                As duas lutaram e tiveram alguns ferimentos leves. Depois da batalha, Rael curou suas guardiãs, as deixando inteiras novamente. Por mais estranho que seja, a luta terminou em empate, mesmo com Rael duvidando de que Keylla estivesse usado todo o seu poder. Para Rael, que já havia lutado com Keylla, não era difícil imaginar que ela era mais forte que Isabela, mas o que ele nunca tinha pensado é que Isabela também se aperfeiçoou ainda mais durante esse tempo em que se mantiveram longe um do outro.

 

                A noite havia chegado e Rael partiu para um local anteriormente combinado. Nesse momento, Reges estaria se dirigindo ao local de acordo com Rayger, que lançou a isca. O problema é que provavelmente muitos outros homens iriam juntos a ele e Rael precisaria de reforço. Sobre essa questão, Neide já estava escondida na ilha apenas esperando pelo que poderia acontecer.

 

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                Reges e cerca de dez outros homens se dirigiam animados para a ilha. Eles receberam informações de que Isabela supostamente estaria escondida lá. Ele ainda mandou um chamado no anel para mais homens chegarem, os outros grupos que estavam em outros pontos de busca, fazendo os mesmos se colocarem a caminho do local.

 

                Chegando até a ilha, eles encontraram a camada azul da Barreira Absoluta. Mesmo depois da batalha contra os devoradores a barreira ainda estava ativada.

 

― Uma barreira absoluta? Isso aqui não deveria está destruído? ― o grupo tinha parado e Reges analisava a situação. Não fazia sentido. Depois do evento da cidade de Améria, essa barreira havia sido destruída mas aqui estava ela de novo.

 

― Deve ter sido Verom que arrumou antes de morrer para que Isabela fugisse para cá como última opção ― Reges disse depois de pensar por um tempo. Não seria estranho um velho experiente como Verom consertar essa barreira.

 

― Então vamos entrar e procurá-la ― disse um dos outros homens.

 

― Sim ― disse Reges e seguiu atravessando a mesma. Os dez homens, todos no décimo segundo reino, assim como Reges, seguiram para dentro da barreira.

 

 

                Naquele momento, parado em pé nas beiradas do vulcão, estava um jovem vestindo sobretudo olhando a imensidão dos céus. Ele sentiu que o grupo acabou de atravessar a barreira e sabia que entre eles estaria Reges. Era hora de obter mais uma vingança.

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Capítulo patrocinado por: Leonardo Schmidt




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