O Herdeiro do Mundo

259 - De Volta ao Continente Sul

Quase dois dias se passaram. Rael e companhia chegaram ao continente Sul. Eles foram diretamente para o esconderijo.

 

― Ativar: Rayger. Está me ouvindo, tio? ― Rael esperou enquanto desciam sobre a entrada da passagem secreta, Violeta pousou todos e desfez as bolhas de energia. Ela logo entrou na frente, atravessando a pedra invisível enquanto dizia “venham comigo” para as duas. Rael estava aguardando o seu tio responder o contato enquanto olhava para a floresta a frente e abaixo de seus olhos. Essa rocha ilusória da entrada secreta ficava em uma subida da montanha, na lateral, uns vinte metros acima da floresta. Embora não fosse a parte mais baixa da subida, se continuassem caminhando e subindo contornando a montanha, eles chegariam no topo dela rapidamente. Mas havia diversas outras montanhas interligadas.

 

― ‘Rael, vocês já voltaram?’ ― perguntou Rayger do outro lado.

 

― Sim, eu voltei. O senhor já pode começar a fazer os preparos? Faça, pois ele estará no ponto que combinamos, ao anoitecer. Chegou a hora de me vingar de um dos principais ― disse Rael, pensando em Reges.

 

                Como eles continuavam procurando por Isabela, Rayger iria mandar um de seus homens em segredo dizer que Isabela estaria escondida na ilha do vulcão que teve o falho evento, e da invasão devoradora. Isso faria Reges ir em busca dela e se depararia com Rael. Rael iria usar a ilha para se vingar do homem que o apunhalou e o lançou penhasco abaixo sem chances de defesa.

 

                Nastácia estava inspecionando a pedra, como se tentasse descobrir o que aconteceu com Violeta. Isabela estava ao lado de Rael o esperando para atravessarem juntos. Rael encerrou a chamada e se virou para elas.

 

― O que vocês estão esperando? Vamos ― Rael disse normalmente e cruzou a pedra, sumindo novamente como ocorreu antes com Violeta. Ele encontrou Violeta de braços cruzados no fim do curto corredor esperando por eles. Isabela foi a segunda a sumir na pedra e só restou Nastácia do lado de fora. Ela passou a mão a frente, achando estranho porque não sentiu nada e ficou ainda um tanto ansiosa.

 

― Nastácia, querida, essa é um rocha ilusória. Ela não existe de verdade, então basta você andar para frente que chegará até nós. Estamos te esperando aqui ― Violeta disse pacientemente do outro lado. A princesa finalmente se decidiu e atravessou a pedra, ficando admirada com o estranho truque. Para Nastácia, tudo era muito novo, ela sempre foi mantida presa na maior parte do tempo no castelo, então coisas como essas iriam chamar e muito a atenção da bela jovem.

 

                Chegando ao salão de bestas, Isabela estava um tanto chocada com tantas bestas de rank B, A e até algumas bestas de rank S. Eram dezenas e dezenas delas e todas estavam sentadas de prontidão. Desde que novas visitas viessem acompanhadas de qualquer um dos conhecidos, não haveria problemas.

 

― Essas bestas são apenas guardas e protegem a caverna. Não irão nos atacar ― Violeta disse casualmente enquanto avançava em frente.

 

― São tão bonitas! ― Nastácia tinha parado para admirar e ela não estava com nenhum medo. Sempre que via as bestas nas curtas paradas pelo caminho, todas corriam devido a mulher poderosa que liderava o grupo, mas aqui elas estavam sentadas e calmas. Havia bestas do tipo grifo, leões de dois metros, cobras gigantes enroladas, raposas, lobos, e bastante bestas do tipo ave. Ali havia uma boa diversidade de bestas.

 

                Violeta teve que parar para dar um tempo de Nastácia poder matar sua curiosidade. Todos pararam aguardando a princesa.

 

― Eu posso tocar nelas? ― Nastácia queria ir além de ver.

 

                Essas bestas guardiãs não comiam porque havia uma matriz na caverna que supria todas as necessidades corpóreas delas, portanto elas não faziam nenhuma necessidade especial. Elas foram criadas para proteger a câmara de Violeta e consequentemente não eram agressivas com seus convidados. Ralf também fazia parte dessas bestas, mas por sair e ficar com Rael ele sentia fome as vezes,  caso ficasse muito tempo fora do corpo de Rael. Dentro do jovem, o contrato ativo teria o mesmo efeito da matriz naquele salão.

 

― Pode sim, não tem problema. Elas não vão te atacar ― disse Violeta em seu canto. A voz de Violeta era como uma ordem sobre todas aquelas bestas. Então, conforme Nastácia se aproximava, elas se mostravam ainda mais dóceis e moça podia passar a mão nelas o quanto quisesse. Além disso, alguns também se aproximaram para cheirar a mesma e também Isabela, que ficou em seu canto sem medo. Isabela tinha mais poder que a maioria daquelas bestas, então ela não se assustou. Apenas seu corpo poderia suportar ataques e mordidas dessas bestas sem se machucar. Estando no décimo segundo reino, sua resistência e força eram bastante altas.

 

― Elas são tão fofas! ― Nastácia parecia de novo uma menina, passando a mão em uma e depois em outra. Rael quando observava a cena se sentia extremamente desconfortável. Era estranho para ele ver uma mulher tão incrivelmente bela com as reações de uma criança. Isso era uma das coisas que mais desanimava Rael. Mesmo Rose em sua época não era tão ingênua assim.

 

                Depois de alguns minutos, quando Nastácia finalmente se satisfez, eles continuaram seguindo para o interior do esconderijo.

 

                Tudo era novidade para a moça, e na mão de metal com o cristal de teleporte não foi diferente, ela ficou admirada novamente. Violeta dessa vez mandou primeiro a princesa para que ela não ficasse para trás, depois todos seguiram.

 

                No esconderijo, as apresentações foram feitas. Alice ficava a maior parte do tempo cultivando. Violadoras tinham um aumento de poder natural como um de uma besta desde que tivessem acordadas, mas elas também poderiam cultivar o seu próprio poder e se fortalecerem mais.

 

Emilia era mais preguiçosa, então ela cultivava bem pouco, enquanto Violeta preferia estudar, visto que o cultivo de uma violadora era aumentado muito lentamente naquele mundo pequeno, isso para não se dizer quase parado.

 

As pílulas que Rael criava não as ajudava, assim como não ajudava Rael. Isso era devido os recursos desse mundo serem muito limitados. Os acessórios desse mundo também não surtiriam efeitos nelas, por isso elas não as possuíam.

 

Os pontos de poder das violadoras eram todos liberados. Um ser humano comum teria 27 pontos de poder espalhados pelo corpo. Na maior parte, 12 estariam restringidos. Rael conseguia liberar 26 em qualquer pessoa que precisasse e não estivesse com problemas, mas as violadoras tinham todos os 27 pontos liberados. Todas as violadoras tinham seus pontos liberados e veias perfeitas devido a sua linhagem especial, então Rael não poderia fazer nada por elas.

 

                Os novos membros foram apresentados a todos. Rika desconfiou imediatamente que essa mulher fosse mais uma das namoradas de Rael. Ela perguntou casualmente, não havia ciúme em suas palavras.

 

― Eles ainda estão se decidindo sobre isso, mas não vai demorar. Até mesmo porque ele já fez algumas coisas com essa princesa ― Violeta respondeu antes dos dois dizerem qualquer coisa.

 

― Violeta, pare. Algumas coisas foram culpa sua ― reclamou Rael.

 

― Em todo caso, ela vai estar comigo e eu vou cuidar dela ― disse Violeta depois de rir da falta de jeito de Rael. Nastácia, por sua vez, manteve-se em seu lugar um tanto envergonhada. Ela notou que Rael agora parecia evitá-la um pouco, quando comparada a antes onde ele até forçou alguns beijos. Rael havia se desculpado com ela durante a viagem. Ele contou que a confundiu com outra pessoa e portanto, ela não tinha nada a se lembrar. Depois disso, tudo ficou meio embaraçoso entre os dois, ainda mais com Violeta jogando lenha na fogueira com inúmeras provocações.

 

― É um prazer conhecer vocês ― depois de dizer, Alice se virou sem interesse e saiu deixando os demais.

 

― Eu sou Emilia. Se precisarem de qualquer coisa, podem me chamar ― Emilia era mais educada e, por isso, antes de sair, disse isso as duas.

 

                Rose e Rika despertaram a atenção de Nastácia, pois Isabela as conhecia porque já as vira anteriormente e também porque Rael havia mencionado as duas.

 

― É um prazer conhecer a outra guardiã, e você é linda, Isabela ― Rika foi educada enquanto beijava a face de Isabela. Isabela aprovou Rika mais do que as outras violadoras. Rika sabia que era bom ter um bom relacionamento com as guardiãs de Rael.

 

                Rose já foi mais casual e disse um olá para a bela loira. Afinal, as duas já haviam se encontrado antes, e não tinha necessidade de fazer parecer que era um primeiro encontro.

 

― Onde está Alexia? ― Rael perguntou porque não viu a Soberana junto a elas.

 

― Alexia saiu, ela foi visitar um outro mundo da maneira natural, voando ― disse Rika.

 

                Seres poderosos como Alexia tinham o poder de atravessar as camadas do universo e assim irem para outros mundos. Com o seu poder em 100%, Alexia agora podia facilmente cruzar mundos, embora não fosse uma coisa rápida. Ela levaria vários dias para o fazer.

 

― E não é perigoso? Se ela for reconhecida lá fora? ― Rael no mesmo instante se preocupou com sua aliada, o que era natural.

 

― Ela disse que não ficaria em perigo, dificilmente alguém descobre a identidade de um corpo tomado por um dragão. Ela contou também que estava fazendo isso como uma forma de se desculpar por não ter nos ajudado contra os devoradores. Ela também citou algo referente a haver uma chance de ajudar Natalia. Em dez dias ela deve estar de volta ― acrescentou Rika.

 

― Ajudar Natalia...? Entendo ― disse Rael, vendo que não podia fazer nada a respeito. Certamente Alexia iria trazer algo de algum outro mundo para medicá-la.

 

                Rika entendeu que Isabela e Rael precisariam de um tempo sozinhos, por isso chamou Rose para treinar. Violeta levou Nastácia para apresentar o lugar melhor e Rael levou Isabela para o seu quarto. Embora Rael estivesse trazido Isabela para o quarto, ele não tinha nenhuma intenção de fazer algo além com ela agora.

 

― Me dê sua mão direita ― Rael pediu depois que os dois se sentaram lado a lado. Rael ainda não tinha feito a liberação para poder acessar a biblioteca durante o sono. Os símbolos brilharam como se estivessem fundindo-se e então tudo parou. Isabela levantou sua mão direita, olhando curiosa após Rael a soltar. O símbolo em forma de 8 pulsava, mas não parecia tão diferente de antes, mesmo sabendo que algo ocorreu.

 

― Toda vez que dormir agora poderemos nos encontrar em um mundo nos sonhos ― disse Rael.

 

― Mundo nos sonhos?

 

― Sim, você vai conhecê-lo assim que dormir a partir de agora. Esse é o nosso verdadeiro mundo, você e Keylla têm acesso, e as violadoras as possuem devido a herança que compartilhamos no despertar delas. ― explicou Rael e então estendeu a mão para o rosto de Isabela. Isabela corou entendendo a ação de Rael e fechou os olhos quando Rael a beijou. O beijo deles foi tão bom como todos os outros antes. Isabela tinha lábios e um hálito saboroso, mas Rael não se deixou empolgar porque ele não pretendia fazer nada além disso por enquanto.

 

                Mesmo com apenas aqueles beijos leves, o corpo de Isabela correspondeu se aquecendo ainda mais. O coração dela disparou e o seu sangue pareceu até ficar mais quente. Se Rael tentasse algo, ela certamente não ia resistir, mesmo sendo a primeira vez dela. Isabela, sabendo a verdade sobre o que ela era, teve completo entendimento e abdicou de toda a resistência que ela possuía por Rael antes.

 

                Rael parou o beijo, soltando lentamente o rosto da moça loira a frente. Os olhos cor de mel cintilaram sobre Rael com desejo. Apenas com pouquíssimos toques, até a respiração de Isabela tinha acelerado.

 

― Lembrou alguma coisa? ― Rael perguntou. Beijar parecia ser um forma de recuperar algumas memórias passadas.

 

― Não... ― disse Isabela, tentando acalmar seu próprio coração e sua respiração, ela estava fazendo um grande esforço para Rael não perceber sua ansiedade. Naquele momento ela percebeu que toda sua vida havia sido uma mentira, a única verdade seria estar para sempre com Rael. Somente nesses momentos que ela parecia se sentir extremamente viva.

 

                Rael e Isabela conversaram um pouco, cada um em seu canto, sem fazer nada de mais. Eles estavam esperando por Keylla. Keylla estava trazendo Beatriz para as duas irmãs se reencontrarem. Rael já tinha contado tudo a ela e Isabela estava feliz por Rael ter cuidado da irmã dela.

 

― Rael, e o meu antigo grupo, você tem notícia deles? Bryan, Luana e Sofia. O que aconteceu com eles? ― perguntou Isabela de repente. Rael não tinha qualquer informação deles.

 

― Eu não sei... Não fui atrás, mas se quiser eu falo com meu tio para descobrir o paradeiro deles.

 

― Não precisa. Eu fiquei com medo de que eles acabassem sendo envolvidos nessa caçada por minha causa, mas acho que pensei demais. Se você ocasionalmente vai ao clã Torres e não ouviu nada a respeito, então deve estar tudo bem com eles ― disse Isabela. Ela não estava muito preocupada com o seu grupo, perguntou apenas porque sentiu que deveria perguntar. Sendo uma guardiã, seus sentimentos alheios ao herdeiro eram continuamente contidos. Isabela quase não sentia nada por eles mais.

 

                Rael sentia que algo iria acontecer assim que Keylla chegasse, assim como muitos estavam planejando.

 

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                No clã Torres, um grupo de com cerca de 10 homens pousava a frente a residência do patriarca do clã, todos os membros do grupos estavam no décimo segundo reino. Eles estavam com todo o antigo grupo de Isabela rendidos. As duas belas mulheres e o rapaz, também de uma excelente aparência. Eles estavam com cordas em suas mãos e pernas, e também possuíam Coleiras de Controle em seus pescoços.

 

                Eles adentraram na mansão do patriarca e seguiram de encontro a Romeo em seu salão.

 

                Romeo havia ordenado que pegassem todo o grupo de Isabela, embora tivesse sido com uma prioridade bem menor, por isso eles conseguiram fugir por tanto tempo.

 

― Senhor patriarca, aqui está o grupo, como foi ordenado. Eles já foram questionados, mas afirmam não saber nada de sua líder ― disse cuidadosamente um dos guardas. Os quatro ficaram de pé em frente aos guardas de frente a Romeo que se levantou de seu assento.

 

― Então vocês não sabem nada da líder de vocês, hã? ― perguntou Romeo em um tom pesado e firme, que abalaria até mesmo a mais fome das montanhas. Isso fez as moças e jovem rapaz ficarem aflitos, porque através do olhar frio do homem a frente, eles chegaram a ver suas cabeças rolando em seguida.

 

Desde que tudo isso começou, Romeo não conseguiu encostar um dedo em Isabela e já estava perdendo completamente a paciência. Ele já não tinha mais nenhum tempo para brincadeiras.

 

― Eu vou dar uma pequena chance a vocês. Me digam agora onde está a sua líder, ou todos vocês serão executados por traição ao clã Torres ― Romeo disse casualmente e esperou.

 

                Apesar de Isabela não ter sentimentos com eles, eles tinham e gostavam muito de sua líder. Eles não a entregariam mesmo que soubessem, mas acontece que no momento eles realmente não sabiam, até mesmo o anel de comunicação dela não era mais respondido, porque antes de morrer Verom o havia tomado de Isabela, cortando os últimos laços que eles possuíam.

 

                Um silêncio mortal tomou conta do recinto. De cabeça baixa, eles não tinham nenhuma vontade de dizer qualquer coisa ou implorar por suas vidas, seria inútil. O homem a frente era um patriarca de uma família importante, a palavra dele seria equivalente a de um imperador, ou até mesmo ainda mais forte, devido ao momento.

 

― Se é isso que vocês querem, que assim seja ― disse Romeo em seu tom frio, fazendo uma pausa antes de prosseguir. ― Anunciem e deixem que todos saibam: Daremos  um prazo de 10 dias para que Isabela se entregue pacificamente, seja lá onde ela esteja escondida. Caso ela não apareça, todo o seu antigo grupo será executado no entardecer.

 

 

Os três se tremiam de medo e um suor frio começou a escorrer em seus rostos, mas eles não poderiam fazer nada. Eles também sabiam que ninguém faria, ainda não havia ninguém capaz de enfrentar o poder do clã Torres. Eles pensavam que a única chance de saírem vivos dessa seria com Isabela se entregando, mas eles duvidavam que ela estivesse por perto e também não desejava que ela o fizesse, mesmo com medo da morte certa. Se isso pudesse manter a sua líder em segurança, eles com certeza o fariam.

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