O Herdeiro do Mundo

258 - Continuando a Viagem

Os raios amarelos do sol aos poucos foi atravessando a barreira vermelha de Violeta, causando um peculiar brilho escarlate no chão da entrada, enquanto pássaros cantavam do lado de fora, animados para mais um novo dia.

 

A primeira pessoa a se levantar foi Violeta. Violeta havia dormido abraçada com Nastácia e assim despertou, ela ainda se lembrava da conversa com Rael no mundo completo. Rael tinha questionado por que ela estava com tanto interesse em Nastácia e ela continuou mentindo, dizendo que era apenas porque ela teria o corpo perfeito para dar filhos humanos a Rael. Violeta não ia dizer a verdade tão facilmente, pois Rael poderia pensar que ela estaria se aproveitando da moça. Não era a intenção de Violeta fazer Rael ter maus pensamentos dela. Seria como uma troca justa, Violeta cuidaria dela ela contribuiria com Violeta.

 

                Havia duas razões para Violeta ter interesse em Nastácia: a primeira era devida ao sangue raro de Nastácia, que tinha propriedades especiais, usadas em diversas pílulas raríssimas. O sangue de um humano perfeito comum era afinal um dos ingredientes mais raros que existiam em quase todo o universo. Era extremamente difícil criar uma humana perfeita e Nero conseguiu realizar essa proeza de alguma forma e com sucesso.

 

Para se ter uma ideia, em um mundo pequeno podem existir no máximo uma ou duas pessoas humanas perfeitas, mesmo procurando por todas as partes. Violeta não demonstrou interesse na antiga versão de Nastácia, porque não conseguiu analisar o corpo dela e assim não determinou se o sangue da outra serviria para os seus propósitos, mas Nastácia era diferente, Violeta conseguiu saber assim que fez sua análise.

 

                O outro ponto em Nastácia que despertou interesse em Violeta era a sua inocência pura. Isso refletiu o passado da própria Violeta e ela se viu nessa garota. Violeta não teve um corpo humano perfeito em sua época, mas foi criada longe da sociedade principal de seu mundo, vivendo em segredo com os seus familiares em um tipo esconderijo entre as montanhas e florestas. Lá, havia garotas e garotos, mas todos eram muito inocentes sobre as coisas mundanas. Eles passavam a maior parte do tempo praticando alquimia e por isso não foram ensinados qualquer outra coisa além. Só lhes foram ensinados alquimia e o básico de cultivo para eles se fortalecerem gradativamente.

 

                Nessa época, Violeta seria tão pura e inocente quanto Nastácia, mas não era amarrada a correntes e muito menos vivia aprisionada. Ela tinha a sua liberdade, embora não pudesse passar da floresta que a cercava. Essa floresta tinha matrizes mágicas que os protegiam e os mantinham escondidos do resto da sociedade. Só mais tarde, quando Violeta atingiu os 30 anos e teve sua alquimia considerada mediana, foi que as pessoas mais velhas explicaram para ela sobre ser mãe, ter um marido e a questões de filhos e uma boa família. Os conhecimentos adquiridos precisavam ser passados adiante.

 

                Depois disso, Violeta passou mais três anos tentando escolher um bom homem de sua vila, assim como eles também estavam a procura de uma boa mulher para se unir. Foi nessa época que eles foram descobertos pela sociedade do mundo e tudo desmoronou. Várias pessoas foram levadas presas por causa de seus conhecimentos avançados enquanto outras foram mortas. Nessa época, o mundo dela estava a beira da completa destruição, sendo ameaçado pelo Imperador Demônio e as coisas não estava indo bem entre os próprios habitantes. As pessoas estavam indo literalmente a loucura. Violeta foi salva por um grupo de cultivadores fortes na época, ela seria vendida para um homem poderoso que sabe-se lá o que iria fazer com ela. Depois Violeta foi levada e servida para o Imperador Demônio, onde acabou perdendo sua pureza para o mesmo, junto as outras irmãs.

 

                Rael estava de peito para cima e foi o segundo a acordar. Ele se esforçou pra tentar despertar antes com medo de que Violeta fizesse algo em relação a Nastácia, como por exemplo, fazê-la dormir por cima de Rael. Ele ficou aliviado pelo lado de Nastácia não está sobre ele mas, quanto ao seu braço esquerdo, do lado de Isabela, não podia dizer o mesmo.

 

                Rael sentiu seu braço esquerdo um pouco pesado. Isabela estava dormindo confortavelmente com a cabeça em cima do braço de Rael. Rael moveu a mão direita e sentiu que estava tocando algo extremamente macio, ele apertou de leve um pequeno monte sobre algo aveludado. Rael se virou para verificar e percebeu que sua mão tinha apertado um dos seios de Nastácia. E o pior, a moça estava da mesma forma que Rael: de peito para cima, virada para o lado dele, e com os olhos arregalados de espanto. O rosto da moça estava um pouco vermelho vendo a ação de Rael. Embora fosse por cima das roupas, Rael ainda havia apertado um de seus seios. Seu braço estava estendido ao longo até o local, o que parecia dizer que Rael realmente teve a intenção de apalpá-la.

 

― Desculpe! ― Rael rapidamente tirou sua mão como um vulto, e ainda teria se levantando no mesmo instante se não fosse por Isabela se ajeitando em seu lugar após ouvir o grito de Rael. Isabela foi a última a acordar, para a sorte dele.

 

                Violeta tinha acabado de retirar sua barreira e estava rindo da pequena tragicomédia. Ela tinha visto toda a cena de canto de olho. O cenário perfeito seria Isabela acordar na mesma hora e perceber o que tinha ocorrido, uma pena que esse plano não deu certo, mas mesmo assim foi deveras interessante e engraçado.

 

― Violeta, você não tem salvação mesmo! ― Após se levantar Rael foi reclamar com a ruiva risonha em pé na entrada da caverna.

 

― Dormiu bem? ― perguntou Violeta, tentando conter seu riso. Ela estava de bom humor agora que o mal dos devoradores estava resolvido e ainda por cima estava com uma humana perfeita de sangue puro em mãos. As vezes, mesmo humanos perfeitos não conseguem ter as propriedades especiais no sangue. Apenas um a cada três teriam. Por isso Violeta estava extremamente feliz por essa imensa sorte.

 

― Não teve graça, Violeta! Não teve nenhuma graça ― Rael reclamou alto demais e todos ouviam ele.

 

― Desculpe, eu não farei de novo, prometo ― Violeta dizia isso de uma maneira tão descarada que fazia Rael bufar de raiva por saber que a bela violadora estava mentindo. Violeta era inacreditável. Ela era uma adulta astuta e inteligente, mas tinha jeito de moleca que gosta de traquinagens. Rael quase quis xingá-la esbravejando, mas no final acabou rindo de toda a cena, ele gostava desse jeito dela, mesmo ele se ferrando e sendo a vítima muita das vezes.

 

― Violeta, você não tem jeito, eu as vezes não sei o que fazer contigo ― disse Rael, baixando o tom e voltando a ficar sério.

 

― Não faça nada, então ― disse ela de volta, piscando para o rapaz.

 

― Pare de me jogar para cima da princesa, você não tá vendo que isso não vai dar certo? Ela é tão inocente que quase chega a ser pior que Rose ― reclamou Rael, baixando mais ainda o tom enquanto olhava de lado. Tanto Isabela quanto Nastácia estavam se levantando.

 

― E você se deu bem com Rose, não é mesmo? Com Nastácia você também vai se dar.

 

― Rose foi uma exceção a parte, eu não tenho tempo pra ficar apresentando todas as coisas do mundo a essa princesa ― disse Rael, se lembrando das coisas que ela fez noite passada. Para a princesa, catar pedras do chão era uma novidade incrível.

 

― Ensinar a ela sobre o mundo, eu me encarrego disso. Que tal fazermos um trato? Eu me encarrego de ensinar a ela sobre as coisas mundanas e você a torna sua amante? É um bom negócio, não concorda? Se ela engravidar, Emilia e eu podemos ajudá-la com isso, da mesma forma como estamos prontas para os futuros bebês celestiais.

 

― Violeta, você acha que vou ter um filho assim, do nada, com uma completa estranha? Você só pode estar brincando.

 

― Você preferiria deixá-la na mão daquele tipo de pai? É isso o que você quer para ela? Essa moça ia ter o pior destino uma pessoa poderia ter. Quando o pai criasse coragem para tocá-la, ela jamais teria paz. Você entende o que estou dizendo, não entende?

 

― O destino dela não deveria virar um problema meu ― disse Rael, mantendo o tom baixo mesmo ficando um pouco ansioso.

 

― Não acha que agora é tarde para dizer isso, depois de tirá-la de sua antiga vida?

 

― Cuide dela você, que parece ser mais interessada nela. Eu continuo duvidando que seja apenas para ter filhos comigo. Deve haver alguma outra razão que você não quer me contar. Você nunca agiu assim, nem mesmo com Rose, quanto mais com ela.

 

― Sim, farei isso até que você possa ver que ela será uma boa mulher para você.

 

― Já chega Violeta, já chega... ― reclamou Rael, continuando a cochichar com Violeta. Isabela foi a primeira a se aproximar depois de pentear seus cabelos dourados. Nastácia estava parada perto da cama dela.

 

― Bom dia ― disse Isabela para os dois.

 

― Bom dia ― respondeu Violeta com um leve sorriso para Isabela e se virou, seguindo na direção de Nastácia.

 

― Bom dia, Isabela. Dormiu bem? ― perguntou Rael casualmente, enquanto Violeta passava caminhando por eles.

 

― Dormi sim ― respondeu ela de volta com um sorriso.

 

― Nastácia, o que foi? Está com fome? ― perguntou Violeta, se aproximando da princesa.

 

― Violeta, você poderia pentear meus cabelos? Sempre de manhã quando acordo, uma serva faz isso para mim. Eu não tenho prática ― disse a princesa com seu jeito comum. Ela não ficou com vergonha de pedir isso, ela sentiu que Violeta a tratava como se fosse uma serva amiga, então para ela seria comum. Violeta também não levou isso para o lado negativo, Nastácia tinha acabado de sair de sua antiga vida e ainda ficaria presa sobre alguns costumes comuns.

 

― Posso fazer isso por você agora, mas você terá que aprender a fazer isso sozinha com o tempo, tudo bem? Eu vou te ensinando tudo, não se preocupe ― Violeta sacou um pente e um espelho enquanto ficava ao lado da moça e a ajudava e se pentear.

 

― Você vai mesmo ficar com essa mulher, Rael? ― Isabela perguntou baixinho ainda na entrada, depois de lançar um olhar para a jovem princesa. Rael suspirou e saiu caminhando para fora, Isabela o seguiu esperando a resposta.

 

― Eu não sei, Isabela... Violeta acha que é uma boa ideia tê-la conosco.

 

― Isso tudo é por causa de gerar filhos? E com suas esposas, você ainda não conseguiu gerar nenhum? ― perguntou a mesma.

 

― Não. Eu estava tomando uma coisa que me impedia de ter, apenas nesses esses tempos eu parei de tomar ― explicou Rael e parou ali próximo a entrada, enquanto encarava ao longe o córrego de um rio corrente.

 

― Se... Se você quiser ter um filho, eu posso lhe dar ― disse a bela guardiã, surpreendendo Rael. Assim que Isabela disse ficou completamente corada, porque para isso eles teriam que fazer amor para ela engravidar. E Isabela, ainda que aceitasse tudo o que foi dito a ela, era inocente nessa parte, e ainda por cima continuava tendo traços de sua antiga personalidade que abominava os homens. Por isso, dizer isso a Rael foi extremamente difícil, era como se ela estivesse fazendo o maior esforço apenas para satisfazê-lo.

 

Ela, como uma guardiã, tinha um ciúme quase feroz de Rael porque tinha que o manter longe de outras mulheres. Era o trabalho dela prover o que ele precisasse para ele não se sentir atraído por outras. Devido a isso, ela teve a ideia acima. Isso fez Rael se virar surpreso para a bela loira, que ficou ainda mais nervosa.

 

― Qual é o problema? Eu não era sua esposa em sua outra vida, é natural que eu seja sua nessa também! ― Ela até tentou parecer firme, mas ficou toda sem graça com as palavras ditas e continuava ruborizada.

 

                Rael sorriu para a bela loira e passou a mão no rosto dela. Isabela era linda e sempre estaria no coração de Rael. Vê-la se esforçando tanto por ele o fez se sentir ainda mais afeiçoado pela moça a frente. Rael conhecia a personalidade forte de Isabela, e sabia o quanto havia sido difícil ela dizer aquilo.

 

― Não se preocupe com isso, Isabela. Você está no meu coração. Eu amo você ― disse Rael deixando ela quase soltando vapores pelo rosto.

 

― Ma... mas eu... Eu posso fazer isso se você quiser... Eu posso sim... Se for com você, eu posso ter esse filho ― Isabela fez mais esforços e disse tudo o que pensava. Ouvir da boca de Rael que ele a amava fez o coração dela entrar em colapso, ela se sentiu tão bem que quase saiu de si.

 

― Eu sei que você quer fazer isso para me deixar feliz, mas guardiãs não podem ter filhos ― disse Rael com um ar natural. Ele tentou não parecer nem triste nem feliz para não a ferir de alguma forma Isabela. Afinal, ela tinha e ainda estava se esforçando ao pensar naquilo.

 

― Como é? ― Isabela pareceu não ter ouvido direito e sua expressão envergonhada até desapareceu do rosto um pouco, sendo tomada por uma mais rígida.

 

― Dentro das regras do mundo, o herdeiro não precisa de filhos, por isso as suas duas guardiãs não são férteis. Esse é o motivo ― explicou Rael.

 

― Mas, por que isso? E se não precisa de filhos, por que você ainda os quer? ― Isabela pareceu ficar inconformada e perguntou em seguida. Ela acreditou em Rael, ele não mentiria para ela depois de contar toda a verdade.

 

― Eu não vou mais seguir as regras. Foi seguindo as regras que fomos traídos e morremos anteriormente. Eu irei sim ter filhos, mas não decidi se vou ter algum com Nastácia ― respondeu Rael e Isabela pareceu ficar um pouco desapontada, abaixando levemente o rosto. Isso deixou Rael preocupado e ele sentiu que deveria dizer algumas palavras mais.

 

― Isabela, você e Keylla nunca serão menos importantes para mim do que qualquer outra mulher que possa me dar filhos. Vocês duas são o meu mundo, são os pilares da minha existência. Mesmo que não possam me dar filhos, eu sempre terei muito amor por você e por Keylla. Vocês duas são e sempre serão especiais para mim. Não fique desapontada com isso, eu as amo e vocês sempre estarão em meu coração ― disse Rael.

 

― Eu só... Esquece... ― Isabela não sabia mais o que ia dizer. Ela estava sim nervosa pelas novas descobertas, mas contudo, aliviada por ouvir isso de Rael. Porque se Rael dissesse que não gostasse mais dela, sua existência agora seria completamente inútil.

 

― Vem cá... ― disse Rael, puxando a moça para um abraço.

 

― O que você pensa que eu sou, hein? Não sou nenhuma criancinha! Para com isso, Rael! ― Isabela lutou para sair dos braços do jovem rapaz, que riu puxando a moça. Vendo Rael rir, de alguma forma o humor de Isabela já melhorou um pouco e ela se deixou ser abraçada.

 

― Eu disse a você uma vez, não disse? Você é minha ― Rael disse no ouvido dela e depois a cheirou, deixando seu rosto no cabelo da moça. Isabela sorriu com o rosto escondida no peito de Rael satisfeita. Ela nunca esqueceu e jamais esquecerá daquelas palavras.

 

                Depois daquilo eles ficaram alguns instantes em silêncio e Violeta saiu com Nastácia se juntado aos dois.

 

                Eles fizeram uma rápida refeição. Tomaram um chá e comeram pão que Violeta havia trazido para essa viagem. Depois partiram voando, deixando a caverna para trás.

 

Um grupo de três bestas poderosas rank S parecidas com hipopótamos gigantes surgiram por trás de algumas rochas onde havia um lago. Elas tinham ficado escondidas enquanto o pequeno grupo estava na área. Logo elas vieram verificar o que uma violadora estaria fazendo nesse lugar. Eles baixaram a cabeça perto da caverna, quase brigando entre si para ver quem tinha o direito de olhar dentro primeiro, Mesmo que agora caverna estivesse completamente vazia e sem vestígios.

 

_____________________________________________________________________________

                No Continente Norte, na capital, tudo continuava tranquilo naquela manhã. Ninguém havia notado a falta da princesa Nastácia na noite anterior devido a apenas o imperador e as seletivas servas entrarem no quarto dela. Por tanto ninguém sabia ainda do desaparecimento.

 

                Naquela manhã, duas belas servas desativaram as barreiras e destravaram a porta para entrar, parecia tudo na mais perfeita ordem.

 

― Princesa Nastácia, nós chegamos! ― anunciou uma linda serva morena com o cabelo amarrado em forma de rabo de cavalo enquanto entrava no belo e organizado quarto. Ela não notou de imediato que a princesa não estava e olhou para a cama. A outra serva era uma loira linda de cabelos soltos. Esta foi a segunda a entrar.

 

― Princesa? ― perguntou a loira, já percebendo a morena começando a ficar ansiosa.

 

― Princesa Nastácia? ― a morena ainda se agachou e olhou por baixo da cama, achando que a princesa poderia estar fazendo alguma brincadeira, mas não a encontrava ainda assim.

 

 

― Vamos avisar ao imperador! Rápido! ― disse a loira visivelmente nervosa. As duas ficaram frias com medo de que o imperador as culpasse pelo sumiço de sua filha. Imediatamente elas abandonaram o quarto vazio correndo e foram dar a horrível notícia ao tirano imperador Nero.

________________________________________________________________________________
Capítulo patrocinado por: Warlain da Silva, Isaac Junior e Marcos Vinicius

Estamos zerados de novo ^^ Boa leitura a todos!




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.