O Herdeiro do Mundo

250 - A Vida da Princesa Nastácia

A fronteira entre os dois continentes era gigantesca. Havia muitas árvores raras e exóticas. Em alguns momentos, Rael e Violeta faziam paradas para coletarem uma erva rara aqui e outra ali. Rael já tinha se comunicado com Isabela, então sabia que sua outra guardiã estava segura no mesmo ponto de sempre, se mantendo longe das cidades ou de qualquer outro guarda.

Violeta e Rael se depararam com um grande número de bestas raras e variadas de rank S e até S+, como Ralf. Essas bestas os ignoraram e até fugiam quando sentiam o nível de Violeta ou por sentir que aqueles dois eram seres especiais. Violadoras tinham como poder a comunicação com as bestas, e isso as fazia entrar em um tipo de rank especial entre as bestas. Esse rank estava até mesmo um passo acima da raça celestial. Se Rael tivesse vindo com Rika, não seriam facilmente atacados devido a Rika também ser de um nível celestial, mas a velocidade de locomoção seria severamente menor.

― Rael, se você parar para pegar toda erva que ver, iremos levar dois dias para chegar― reclamou Violeta, depois de mais uma pausa pedida por Rael.

― Não posso evitar, Violeta, essas ervas são muito raras e quase impossíveis de se encontrar a venda. Além de querer para o meu estoque, eu posso até mesmo vendê-las e adquirir uma pequena fortuna.

― Você, se preocupando com ouro? O que houve? ― Violeta achou isso estranho.

― É inevitável, uma vez que você começa a cuidar de um clã. Eu poderia até extorquir alguns clãs ricos, mas Neide disse que não seria uma boa ideia. Isso faria a minha reputação cair.

― Se você quiser, eu roubo alguns clãs para você. Dinheiro não será problema! Posso ser tão rápida que jamais deixarei que me notem. Além do mais, seria divertido ver tantos clãs perdidos, sem saber o que ocorreu ― disse Violeta rindo, enquanto imaginava a cena.

― Não, Violeta, eu tenho que cuidar dessas coisas. Posso sim depender de você, mas não de tudo ― disse Rael depois de armazenar a erva no bracelete e voltar para o lado de Violeta. Mais uma vez o braço macio de Violeta cruzou a cintura de Rael e os dois partiram sobre um poderoso e veloz voo. Rael estava usando uma habilidade especial nos olhos chamada “Visão Rara”; essa habilidade permitia que Rael visse ervas ou qualquer coisa rara em qualquer lugar frequentemente.

― Violeta, pare de novo. Encontrei outra erva.

― Você quer mesmo salvar Isabela? ― Violeta perguntou um pouco angustiada, enquanto reduzia o voo recém acelerado.

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Reges e seus homens não tinham mais nenhuma pista, e mesmo assim estavam como baratas tontas rondando de ponta a ponta no continente Sul. Frequentemente passavam em sedes da guilda Olho Aberto, apenas para colher informações negativas sobre o paradeiro.

― Estou cansado. Não vejo minha esposa e meu filho a várias semanas! ― disse um dos homens que acompanhavam Reges.

― Eu só queria fazer uma pausa, parar em algum lugar, pagar uma boa mulher e ter uma maravilhosa noite de conforto ― disse outro.

― Se não acharmos essa mulher, nunca iremos poder voltar. O patriarca deixou bem claro ― disse outro mais atrás.

― Não adianta vocês reclamarem, nossa situação não vai mudar. Em vez disso, vamos nos dividir em pequenos grupos de três. Agora que Verom está morto, não há necessidade de nos mantermos todos unidos em um grande grupo ― disse Reges de repente.

― Tá aí, gostei! Isso vai nos fazer cobrir muito mais terreno, economizando tempo ― disse um dos homens concordando. Mesmo que os outros não concordassem eles ainda obedeceriam, porque depois do patriarca quem dava as cartas era Reges.

― Certo! Cleiton, Osvaldo... ― Reges começou a chamar os homens que se dividiriam em pequenos trios, eles continuavam sem fazer a menor ideia de que Isabela não estava mais nesse continente, mas ainda assim continuariam na busca.

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No continente Norte, havia uma cidade majestosa, considerada a cidade mais rica de todo o continente. Seguindo por essa cidade, na ponta Leste, havia um castelo com várias bandeiras vermelhas levantadas. Nas bandeiras, um brasão de um forte tigre negro, mostrando seus dentes afiados. Na cabeça do tigre, havia algumas chamas alaranjadas, embaixo do tigre estampava-se o nome: “Família Orany”.

O castelo não era nem um pouco especial, exceto pelo olhar de extremo respeito que as pessoas lançavam quando passavam perto. Mas era muito bem cuidado: Havia um portão duplo protegido por cerca de 10 homens, todos dentro do reino final. Após o portão, um belo jardim sendo cuidado por servos. Neste continente não havia escravização, aqui haviam servos. Ao fim do meio quilômetro de jardim, havia uma porta dupla vermelha, que finalmente levaria para os domínios internos.

Por fora do castelo, havia um total de quatro torres cercando a base principal. Depois das torres, uma simples muralha de sete metros, não eram tão altas, mas eram bem grosas. As muralhas tinham muitos reinos finais espelhados por toda a sua extensão. A maioria dos guardas, tanto do castelo como das cidades, usavam as mesmas armaduras prateadas com o tigre estampado no peito, representado o poder do império da família Orany.

O Continente Norte era totalmente controlado apenas pela família de Nero, ele e seus irmãos manipulavam as grandes cidades.

Em uma das Torres havia uma proteção ampla de muitos reinos finais, porque ali ficava o pilar das almas. A torre era inteiramente feita para proteger o grande pilar. Tratava-se de um imenso cubo de cristal, com mais de vinte metros de altura, largura e comprimento. Esse cristal era branco como as nuvens e ao mesmo tempo espelhado. Dentro dele corria milhares de partículas de energias, eram como pequeninas bolinhas brancas. Cada pessoa existente em todo o continente norte que seguia as leis estaria registrada naquele imenso pilar das almas. Os que não seguiam as leis tinham duas sentenças: ou eram presos ou mortos. Não havia muitas alternativas melhores, já que esse continente não havia escravização.

Apesar da imensa proteção, o pilar das almas não era fácil de ser destruído, eles eram quase indestrutíveis. A proteção se dava mais ao fato de não deixar ninguém trapacear, registrar pessoas indevidas ou outras coisas baseadas nisso.

Em uma outra Torre, a proteção era quase três vezes maior, havia pelo menos cem reinos finais cercando vários pontos de possíveis rotas. Havia selos e formações com barreiras espalhados por toda parte. A razão era muito simples, nessa torre estava a mulher mais bela de todo o continente Norte: A princesa Nastácia, que alguns conheciam como Andréa.

A princesa estava imponentemente sentada no chão no centro do cômodo, ela tinha acabado de controlar suas energias após fazer uma pausa em seu cultivo. Ela se levantou e seguiu caminhando até a janela. Havia três tipos de barreira na janela e, mesmo um reino final, jamais conseguiria passar por ela.

― ‘Sempre presa...’ ― ela pensou entristecida. Nastácia estendeu os braços e se debruçou na janela sobre o espaço que havia olhando parte da cidade. Como as torres eram mais altas que as muralhas, ela tinha um pouco de visão. Mas as barreiras de energia que eram vermelha, azul e branca, causavam um aspecto estranho em sua visão, tornando tudo meio escurecido. Pelo outro lado, da cidade, quem olhasse para a torre não conseguiria ver nada Mesmo se a princesa aparecesse na janela da torre, ninguém teria conseguido se quer um vislumbre de Nastácia de tão longe.

Nero era um homem ganancioso, e ele não queria que ninguém visse sua linda filha. O imperador do Norte guardava a beleza de sua filha apenas para ele, como se fosse o maior tesouro da sua vida. Podiam achar loucura o comportamento dele, mas muitos homens em seu lugar fariam o mesmo, ou até pior. Nesse mundo pequeno, as pessoas não estavam acostumados a ter a presença de uma jovem com tamanha beleza. Era algo incrivelmente fora do comum.

Nero era um reino final no ápice de seu poder e ele poderia renascer ou continuar com o seu poder no máximo. Apesar de seus irmãos parecerem confiáveis, eles só eram obedientes porque Nero era o mais forte entre eles, e se Nero decidisse fazer o renascimento, ele certamente poderia ser traído, sem mencionar que não iria conseguir proteger sua bela filha ao qual ele acreditava loucamente que muitos a desejavam. Seu pensamento não estava nem um pouco errado, embora fosse extravagante. Se alguém pudesse ver Nastácia apenas uma vez, passaria dias e dias sonhando com ela, não havia como esquecer tal mulher. Mesmo sem a maldição de uma violadora, ela tinha os mesmos encantos de uma.

Nero já tinha mandando executar cinco de seus guardas que se arriscaram a ver Nastácia pelo menos uma vez. Por isso, os outros não ousavam nem pensar em chegar perto da princesa.

Nastácia era praticamente uma prisioneira de seu próprio pai. Muitas das vezes ela chorava desejando ter nascido em uma família simples. Como ela não teria esse sentimento?

Quando criança, a princesa ainda podia brincar com suas primas sob visitas controladas. Seu pai nunca a deixou chegar perto de homem nenhum, mesmo os meninos novos. A partir dos oito anos a moça já começou a exibir traços de sua atual beleza, e então seu pai a privou até das visitas de suas primas. A partir desse ponto apenas as mais leais servas tinham acesso a ela, passou a usar cremes especiais, foi servida pelos mais puros alimentos e teve até mesmo um controle rígido de suas horas de sono, banho, atividades e exercícios especiais.

Nastácia foi criada sob constantes regras para ter a melhor saúde possível, podia-se dizer que o corpo de Nastácia seria tão puro quando ouro. A beleza dela não era apenas parte de seu sangue real, vinha de cuidados desde criança e uma vida enjaulada à base regras e alheia ao mundo. Ela passou a maior parte de sua vida presa nas garras controladoras do pai.

As vezes ela se olhava no espelho e tinha vontade de se machucar severamente, passar as unhas em seu rosto ou em outros lugares, e até mesmo cortar seus longos cabelos. Sua grande beleza era também a causa de sua prisão. Poucas foram as vezes que ela pôde sair daquela torre, ainda por cima coberta de roupas de cima a abaixo, sem exibir um único pedaço de sua pele. Até uma mascara era obrigada a usar.

Enquanto Nastácia estava debruçada sobre a janela da torre, ela ouviu o barulho da porta sendo destrancada. Só podia ser as servas ou o seu pai, que eram os únicos que podiam vê-la. As servas também eram belíssimas, todas com um alto cultivo e uma beleza ímpar. Todas essas servas eram escolhidas a dedo pelo próprio imperador Nero.

― Querida? ― Um homem com aparência de uns 35 anos entrou na sala. Nero era um homem alto, de físico forte, cabelos prateados, longos e lisos. Não chegava a ser mais longo que os ombros, é claro, mas era um homem de boa aparência em um todo.

― Pai ― A filha se virou com olhar entristecido, por sempre ter que viver presa. Seu pai a visitava esporadicamente durante a semana, mas ele nunca ficava muitos dias sem ver sua bela filha. Nastácia era considerada por ele como o maior tesouro de sua vida.

Nastácia não pôde fazer nada quando o homem à frente se aproximou, segurou cuidadosamente seu rosto com as duas mãos e aproximou os lábios, dando-lhe um beijo na testa enquanto a mesma fechava os olhos.

― Eu estava com saudades de ver o meu tesouro real ― disse o homem logo após o beijo e cuidadosamente soltou o seu rosto. Nero tinha um cuidado especial com sua filha, era como se ela fosse feita de um delicado vidro e pudesse se quebrar a qualquer instante. Além disso, seus olhos, embora fossem amorosos, queimavam de desejo ao olhar aquela jovem de 17 anos. Nastácia era muito linda e mesmo seu pai não poderia conter todos os desejos masculinos que brotavam em seu peito.

― Fico feliz por sua visita ― disse Nastácia forçando um sorriso. Mesmo que fosse forçado, ainda era muito belo. Uma mulher bonita não precisava se esforçar muito para seduzir homens ao seu redor, mesmo sem a intenção.

― Oh, querida, você é tão linda! Eu morreria mil vezes pra ter você apenas pra mim! Eu faria de tudo por você ― Nero estendeu ambas as mãos e se tremia pensando se deveria ou não tocar nela uma segunda vez. Essa reação fez a garota ficar ainda mais triste.

Há algum tempo, ela vinha notando que seu pai havia parado de chamá-la de filha. Seu olhar era cada dia mais diferente sobre ela, parecia que a cada visita o olhar do pai se tornava mais agressivo. As vezes, Nero se descontrolava e a agarrava tentando tirar as roupas dela, ela gritava e ele a soltava assustado como se pensasse que poderia causar qualquer dano a beleza e corpo dela. Nem mesmo Nero não estava mais conseguindo conter todos os seus instintos sexuais para com sua jovem filha.

― Me liberte, pai. Deixe-me viver a minha vida. Eu imploro ― Nastácia foi cuidadosa enquanto fazia o pedido. As mãos do pai, que se tremiam prestes a agarrá-la no ar, abaixaram, voltando a sua posição natural.

― Eu posso te dar o que você quiser, menos isso ― disse ele ficando sério novamente, como se tivesse recuperado a sanidade que a pouco parecia ter fugido.

― Quando o senhor vai me deixar ter uma vida normal? Eu não aguento mais viver assim. Não aguento mais! ― disse Nastácia e seus olhos logo se encheram de lágrimas. Nero, vendo sua filha começar outra crise de choro, rapidamente tirou um lenço de seu bolso e começou a limpar o rosto dela, com todo o cuidado natural de sempre.

Quando Nastácia chorava, amenizava todos os sentimentos lascivos de Nero. Dessa forma era menos perigoso ele ter reações agressivas.

― Querida, você é a coisa mais preciosa da minha vida. Você é o meu amor, o meu mundo. Nós já conversamos sobre isso tantas vezes... Não chore. Eu vou cuidar sempre de você. Quero que você cultive, que continue fazendo os exercícios, continue se alimentando bem e dormindo direitinho. Se fizer tudo certo, assim que você renascer e estiver forte, eu a deixarei sair algumas vezes.

― Pai eu vou demorar uma centena de anos para renascer! Meu cultivo ainda está no quarto reino, como acha que eu vou chegar lá tão rápido? ― Nastácia perguntou com lágrimas nos olhos.

― Tudo bem, eu já estou indo. Você não precisa continuar chorando ― Nero desistiu de limpar o rosto da moça a frente, guardou o lenço no bolso de sua vestimenta real e depois saiu fechando a porta. Nastácia não lutou, ela conteve as lágrimas e voltou a ficar em silêncio com a saída de seu pai.

― ‘Quando isso vai acabar? Eu já não aguento mais!’ ― ela continuou chorando. Depois seguiu e sentou na beirada da cama. Ela levou as mãos para vestido de seda fino e ficou ali se lamentando de seu destino em sua mente.

Nero, saindo da porta do quarto da filha se virou e travou todas as trancas, depois passou cadeados com selos. Em seguida, se afastou um pouco e tocou alguns pontos da parede, liberando um pouco de sua aura. Isso fez as barreiras desse lado serem reativadas e a porta estava novamente completamente segura.

Depois de Nero ter certeza que sua filha estava segura, ele tirou o lenço do bolso que havia usado para limpar o rosto dela, levou ao nariz e cheirou o mais forte possível. A cada repetição desse ato parecia deixá-lo quase aliviado com um desejo que queimava em seu peito.

Nero era um homem solteiro, apesar de se deitar com todas as servas que cuidava de sua filha. Quando Nero tinha relações com essas servas, ele ficava imaginando o quão perto elas teriam ficado de Nastácia e, assim, podia quase imaginar que estaria fazendo com sua filha. Isso dava a ele um enorme prazer, e por isso todas as servas escolhidas para cuidar de Nastácia eram incrivelmente belas.

 

Nero tinha perdido sua esposa no nascimento da filha, algo que ninguém nunca sobre explicar a razão, apenas que ela tinha tido uma doença rara na época. Nero não tinha qualquer outro herdeiro além de Nastácia e ele nunca mais se interessou por ter novos filhos, assim, todas as servas com as quais ele se saciava eram operadas para não haver riscos de gravidez indesejada. Se fosse para ele ter um filho, teria que ser com a única obsessão de seu coração. Com Nastácia, a sua própria filha.

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Capítulo patrocinado por: Marcos Vinicius Mota Kliemann