O Herdeiro do Mundo

249 - Amaldiçoada

Agora que suas prioridades tinham sido cumpridas, era hora de buscar Isabela. Mas Rael precisava recuperar Emilia do mundo paralelo antes. Emilia já tinha feito o seu serviço, ela contou que o continente Norte da outra dimensão nem sequer chegou a ser atacado. Ao que parecia, os devoradores não haviam conseguido cruzar a fronteira. A violadora também havia dito que não sobrou nada do continente Sul, apenas alguns poucos sobreviventes humanos normais.

Depois de recuperar Emilia Rael selou o portal definitivamente. Nenhum dos que vieram da outra dimensão desejavam voltar, nem mesmo Thais, que agora estava vivendo com a irmã e os pais dessa dimensão.

Mesmo com Thais de volta à família, e de certa forma as coisas estarem no lugar, Rael ainda não esqueceu que havia tirado a vida da Thais dessa dimensão, e talvez ele nunca fosse esquecer. Aquele foi um erro imperdoável que ele lembraria até o fim de sua vida.

Rael e Emilia começaram a voltar para o esconderijo, e enquanto seguiam, explicou para Keylla e Mara o que iria fazer em seguida: Salvar Isabela. O que Rael não contava era encontrar Alexia no caminho. Alexia apareceu voando, demonstrando um poder impressionante.

Uma aura poderosa, intensa e bem vermelha varria o ar em volta do corpo daquela menina.

― Alexia... ― Disse Rael e Emilia parou o voo. Emilia estava levando Rael para terminarem a viagem mais rápido.

― Eu demorei, mas finalmente estou completa! ― disse ela, exibindo um sorriso infantil enquanto continha sua aura, acalmando o seu poder. Alexia tinha o mesmo corpo de garotinha. Rael pensou que quando ela voltasse seria um pouco mais desenvolvida.

― Você chegou bem atrasada! Nós quase morremos por causa de sua estupidez! ― advertiu Emilia, um pouco insatisfeita, se lembrando do incidente com os devoradores.

― É, eu fiquei sabendo o que houve. Ainda bem que vocês deram conta. Pelo menos vocês violadoras não são tão inúteis quanto me parecem ― rebateu Alexia de maneira indiferente. Emilia fez menção de avançar em Alexia e Rael deixou a mão na frente, impedindo-a. É claro, Emilia sabia que não podia com a mesma, mas ela pretendia dar pelo menos algumas palmadas naquela pirralha insolente, foi o que Emilia pensou.

― Alexia, isso não foi brincadeira, nós quase morremos de verdade. Precisávamos muito de você e não tivemos nenhuma ajuda ― disse Rael, mostrando que era sério. Se não fosse por Rael despertar parte do seu verdadeiro poder, o cenário não seria esse atual.

― Desculpe, eu estava ocupada recuperando minhas forças. Eu não fiz de propósito, se é que você quer saber. Eu não podia prever que esse mundo sofreria uma ameaça daquela escala. Vocês não podem me culpar por isso. ― disse Alexia, demonstrando um pouco mais de seriedade.

― Isso é um começo para se desculpar, sua dragona estúpida! ― bufou Emilia, formando uma expressão desgostosa. O tratamento entre Alexia e as violadoras não era dos melhores. Emilia estava irritada, mas o que poderia fazer? Se tudo já tinha passado era esperar para que não ocorresse algo assim novamente.

― Tudo bem, Emilia, ela já entendeu. Alexia, preciso que você faça algo para mim ― disse Rael, já se lembrando de Natalia.

― E o que seria?

― Eu encontrei a pessoa que pode estar com o Espectro Sombrio ― disse Rael surpreendendo Alexia, que lia a mente de Rael ao mesmo tempo em que ele falava.

De volta no esconderijo, antes de Rael levar Alexia até Natalia, ele teve que apresentar Alexia para Alice. As duas se mediram de cima abaixo e ficaram em silêncio por quase um minuto inteiro. Junto na hora só estava Rael, Violeta e Emilia.

― Prazer conhecer você, pequena dragão. Fico satisfeita por saber que você está envolvida em um Pacto de Sangue. Rael já me passou os detalhes, então não tenho que me preocupar ― disse Alice, se referindo que a tolerava devido apenas a isso. Como dragões eram seres orgulhosos que só prezavam sua espécie, eles não mereciam nenhuma confiança. Mas sabendo que havia um pacto de sangue em meio a lealdade, a história mudava de rumo.

Alexia sempre lutava pra mudar essa imagem que os outros tinham dela, por isso se irritou com as palavras de Alice.

― Oh, se não é mais uma das muitas mulheres do Imperador Demônio? Me pergunto quantas de vocês Rael ainda vai encontrar. São tão numerosas que chego a pensar se o Imperador Demônio gostava de insetos ― Alexia retornou as palavras de Alice em um grave insulto.

― Você está me chamando de inseto?! Não me compare com a maioria das outras violadoras! Para eu acabar com você não será preciso me esforçar muito. Para sua própria segurança, é melhor ter cuidado com as coisas que diz ― disse Alice, já deixando o ambiente quase congelando com o seu forte instinto assassino.

― Ter cuidado, eu? Não seria o contrário? A nossa diferença de poder é bem evidente e você deveria saber disso. Apenas o ato de sua criação já é deveras abaixo do meu. Nós, dragões, nascemos puros, sendo geridos pelo poder da própria existência. Quanto a vocês, violadoras, não passam de cultivadoras bonitinhas com poderes herdados de um ser maior ― disse Alexia, também liberando um forte instinto.

― E você acha que esse poder herdado está abaixo do seu? Não pense que todas as violadoras são simples cultivadoras. Você não me conhece, não sabe sobre o meu passado e não tem ideia do meu real poder! ― rebateu Alice, dando um passo a frente.

― Meninas, já chega! Eu as trouxe aqui para se conhecerem, e não para trocarem ameaças ― disse Rael, entrando no meio antes que Alice ou Alexia começassem mesmo uma briga. Ele tinha deixado elas a vontade para ver se iam se acalmar, mas ao que parecia, isso não ia ocorrer tão rapidamente.

― Humpf! No fim, isso nem teria graça mesmo ― disse Alexia olhando em volta, como se tivesse perdido o interesse em Alice.

― Eis uma coisa em que concordo ― reclamou Alice, se virando para sair. Alice estava de braços cruzados desde que viu Alexia.

― Só porque você é uma das violadoras mais fortes, não significa que pode comigo ― disse Alexia, fazendo-a parar. ― Você pode pensar que estou mostrando todo meu poder, mas isso não é nem um décimo do meu poder total ― as palavras de Alexia fizeram Alice parar congelada por alguns instantes. Depois, a violadora bruscamente se virou com um olhar afiado, estampado em seu belíssimo rosto.

― Sério? E você pensa que eu estou mostrando todo o meu? ― perguntou Alice de volta.

― Meninas, por favor... Lembrem-se: somos todos aliados ― Rael insistiu, permanecendo no meio das duas.

― Que seja! Rael, me leve logo até Natalia ― Alexia pareceu perder todo o interesse em Alice e se virou para sair. Alice, por sua vez, se virou de volta e seguiu caminho. Só quem ficou presente no local foi Violeta e Emilia. Rose e Rika estava treinando e nem faziam ideia do que se passava no esconderijo.

Natalia estava morando sozinha na ala que Violeta tinha construído para a outra família, Natalia era quase como uma prisioneira.

Quando a moça viu Rael e Alexia chegarem, ela nem sabia se podia correr e abraçar o seu marido ou mesmo cumprimentá-los. Rael foi quem teve a iniciativa de abraçar e beijar Natalia. Alexia esperou pacientemente os dois pombinhos matarem um pouco da saudade.

― Você está se alimentando bem? Não está muito solitária aqui, está? ― Rael perguntou preocupado. Ele sabia o que ela vinha passando, mas tinha várias coisas importantes em sua vida acontecendo ao mesmo tempo, então ele só podia ter esperado por Alexia até então.

― Eu estou bem, passo o dia cultivando e Violeta as vezes me faz companhia. Ela é uma boa pessoa.

― E sobre o cansaço?

― Atualmente não está me dando muito. São raras as vezes, e nem chego a dormir mais ― disse ela.

― Bom rever você, Natalia ― disse Alexia. Rael saiu da frente e Alexia pôde abraçar a moça.

― É bom ver você também, Alexia. Terminou o que estava fazendo? ― perguntou Natalia.

― Sim, eu terminei. Agora vamos ver como você está ― disse Alexia. As duas se soltaram e Alexia flutuou um pouco porque era muito baixa para levar a mão para a cabeça de Natalia. Natalia ficou quieta, já sabendo que não deveria e nem conseguiria resistir a energia da menina soberana.

A mão de Alexia ficou sobre a cabeça de Natalia como se tivesse tentando agarrar a nuca, mas como era pequena, ficou apenas agarrando parte da cabeça mesmo. Uma energia vermelha correu pelo corpo de Natalia de cima abaixo várias vezes, e Rael não sabia se Alexia estava conseguindo ou não fazer a análise.

― Está feito ― disse Alexia, retirando a mão da cabeça da moça e voltando para o chão. Tanto Natalia quanto Rael ficaram apreensivos, encarando Alexia em busca do diagnóstico.

― Natalia está amaldiçoada. Você tem razão, Rael ― disse Alexia.

― Eu estou o quê? Alexia, me diga, o que eu tenho? ― Natalia foi a primeira a querer saber, ela não fazia ideia do que era.

― Uma maldição do sono, querida. Não é nada muito sério ― mentiu Alexia. Rael tinha pedido mentalmente para ela mentir naquele caso para não deixar Natalia preocupada.

― Não é só isso. Por que vocês me manteriam aqui se fosse apenas algo assim? ― Natalia logo achou aquilo confuso.

― É por isso que você não vai mais precisar ficar aqui. Agora que sabemos o que é, você pode voltar pra casa. Rael manteve você aqui porque pensou que poderia ser algo mais sério ― explicou Alexia, deixando Natalia um tanto confusa.

― Alexia, você consegue remover essa maldição dela? ― perguntou Rael.

― Natalia, querida, fique aqui por um tempo que eu vou falar em particular com Rael. Depois te levaremos para casa e você voltará a ter uma rotina mais normal ― disse Alexia e Natalia fez um sim. A moça estava satisfeita que pelo menos voltaria para casa.

Alexia e Rael foram para o quarto de Rael e, apenas depois de fecharem a porta, Rael começou a falar:

― Alexia, mesmo com todo o seu poder, você não consegue remover essa maldição?

― Isso não é uma simples maldição, Rael. Foi feito um pacto que é impossível ser quebrado, mesmo por seres superiores.

― Um pacto? Como assim, um pacto? Está dizendo que Natalia aceitou um pacto? E como ela não saberia ter feito?

― Talvez você não saiba, mas uma criança com até 10 anos é responsabilidade dos pais dentro das leis universais. Natalia pode nem saber, mas em algum momento seus pais aceitaram algum tipo de pacto.

― Então quer dizer que os pais dela aceitaram colocar um Espectro Sombrio na própria filha? A custo de quê?

― Eles podem não saber, a parte que fez o pacto pode não ter dito o que significava.

― Você disse que ela poderia ir para casa, mas o Espectro Sombrio está drenando toda a vida dela pouco a pouco. Logo ela não será a mesma. Estou preocupado, Alexia.

― Isso ainda vai demorar a acontecer, por isso eu disse que ela podia ir pra casa. Graças a você, o cultivo dela é muito bom e isso atrasou a evolução do Espectro que provavelmente tomaria o corpo dela bem mais rápido. Com ela mais forte do jeito que está, ainda levaria pelo menos um ano.

― Um ano?

― Sim, um ano. É o tempo que teremos para descobrir quem fez o pacto com os pais de Natalia. Só para você saber, não é alguém normal desse mundo pequeno, deve ser alguém realmente poderoso. Eu não posso dizer o quanto, mas uma vez que o descobrirmos, eu poderei lidar com ele.

― Se descobrirmos quem está por trás do pacto, você consegue desfazer?

― Consigo. Mesmo que essa outra parte não queira aceitar, eu posso forçá-lo ― garantiu Alexia. Aquilo fez Rael ficar aliviado.

― Ótimo! Eu acho que vou ter uma conversa com a mãe dela ― disse Rael, se lembrando do que Mara vinha dizendo enquanto estavam fora. Atualmente, Elisa andava querendo ver a filha e fazia frequentes visitas à residência Raymonde.

― Acha que ela vai dizer a verdade?

― Eu não sei. Se ela não me dizer, eu simplesmente vou arrancar a verdade dela.

― Você já vai se vingar?

― Não, Alexia, eu vou atrás de informações. A vingança virá a seguir. Eu ainda preciso resgatar Isabela, que está no continente Norte. Só poderei falar com Elisa depois que eu voltar de lá. Quando minhas duas guardiãs estiverem seguras aqui comigo, eu vou resolver o problema de Natalia e ao mesmo tempo trabalhar na vingança.

― Os últimos passos. Gosto de como você está pensando. Está mais maduro.

― Sim, eu esperei muito tempo pra isso.

― Rael sobre, gravidez, não deixe Natalia engravidar nesse momento. Se for ter relações com ela, faça um remédio especial. Se ela ficar grávida de você agora, a criança pode até mesmo herdar parte da maldição ou até mesmo a maldição por completo ― Explicou Alexia. Alexia não mentia para Rael, e o rapaz já mordeu os lábios pensativo. Agora que ele não estava mais ingerindo as pílulas, obviamente, suas esposas estavam tendo boas chances de engravidar.

― Obrigado por avisar ― disse Rael.

― Não desista dos filhos. Faça quantos puder, porque no futuro você precisará de todo poder que precisar reunir ― lembrou Alexia com um sorriso.

Rael pediu para Alexia levar Natalia para casa e em seguida se reuniu com Violeta para ir em busca de Isabela. Com Violeta, ele levaria no máximo um dia e meio para atravessar toda a fronteira dos continentes. Assim, ele não ia levar muito tempo nessa missão de resgate.

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Capítulo patrocinado por: Marcos Vinicius Mota Kliemann




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