O Herdeiro do Mundo

245 - Matriarca Verônica - Parte 1

Se agora Rael poderia abrir portais para qualquer lugar e chegar lá instantaneamente, isso significava que ele só precisaria abri um portal e poderia estar novamente ao lado de Isabela. Isso fez Rael se empolgar.

Enquanto ele pensava sobre isso, Violeta atualizava a nova integrante do grupo. Rika também ajudava com informações quando era preciso e até Rose que era quieta dizia uma palavra ou outra para auxiliá-las. Todos pareciam ter um enorme respeito com Alice, que se sentiu bem aceita. Ela também gostou de não ver Rael se aproveitando de Violeta. Havia sim um olhar amoroso entre os dois, mas nada além disso, Rael continuava mantendo e respeitando as palavras ditas quando a despertou.

― O clã Torres ainda existe? Eu achei que tivesse posto um fim neles... ― disse Alice, depois de ouvir toda a história. Ela se interessou menos por Alexia do que pelo próprio clã Torres.

A última vez que Alice foi liberta, estava com algumas centenas de anos e foi exatamente pelo jovem que sabia sobre a palavra de comando. Esse jovem fazia parte do clã chamado Os Prateados. Era o clã inimigo dos Torres, que quase o levou para a completa destruição. Se eles não tivessem descoberto a fraqueza dela e matado o jovem libertador por trás, certamente teriam caído em ruínas.

Embora Alice lembrasse do clã Torres que ela foi obrigada a destruir, ela não podia se lembrar do jovem que a manipulou por trás. Mas mesmo assim ela se lembrava de um homem mais forte, que não parecia ser desse mundo, e frequentemente aparecia para saber como ela e seu mestre libertador estavam. Ele queria ter certeza de que a palavra de comando estava funcionando nela. De repente, em meio ao caos ela apagou e foi beijada por Rael. Mas ela se lembrava sim de ter sido abusada inúmeras vezes, com um corpo como o dela era difícil um homem comum resistir.

― Então era você de quem o meu tio disse uma vez? ― perguntou Rael, e ele mesmo pareceu responder antes de continuarem. ― Não, eles não foram destruídos, e nem devem ser. O que eu quero fazer com eles eu mesmo farei, não irei precisar de sua ajuda ― disse Rael.

― Você também tem problemas com eles? Esse clã deve ser um terror nesse mundo hahahaha! ― Alice riu enquanto se lembrava do passado.

― Sim, eu tenho, mas eu mesmo resolverei. Uma vez que tenham conhecimento sobre a sua fraqueza, eu nunca poderia depender de vocês.

― Para nos proteger? ― Alice perguntou ficando séria e depois desanimou em seguida. ―Legal de sua parte, porque eu não ligo. Se você não puder lidar sozinho com seres tão insignificantes só demonstra que você não merece nos ter como aliadas. ― concluiu Alice indiferente, em seguida.

― É assim que você vê? Tanto faz ― disse Rael prestes a falar algo mas desistiu em seguida, vendo que não valeria a pena uma discussão. ― Eu preciso saber, esse poder que herdei de você, com ele posso atravessar milhares de quilômetros sem problemas? ― perguntou. Apesar de Rael ter ganho a habilidade de Alice, ele ainda não tinha todo o conhecimento. Por isso precisava de mais informações antes de fazer algo.

― Minha habilidade pode não parecer, mas ela consome energia quando você a usa. No caso, para vimos para cá, você deve ter gastando uns 20%, considerando o tanto de sua energia total. Você também só pode abrir portais para locais em que já esteve e que já viu pessoalmente. Colocando dessa forma, será que respondi a sua pergunta?

Sim, ela havia respondido. Rael não precisou pensar muito para saber que apesar da habilidade dela ser boa, ele jamais saltaria toda a travessia do continente. Mesmo se ele já estivesse estado lá, um portal aberto para tão longe consumiria toda sua energia, e até mesmo a sua vida.

― No que está pensando, Rael? Em Isabela? ― perguntou Violeta.

― É claro que estou, como eu não pensaria? Eu achei que com esse poder eu pudesse salvá-la imediatamente.

― Todo grande poder tem um preço, senhor Herdeiro. Você, melhor do que ninguém, deveria saber disso. Quanto mais longe for, mais o portal vai cobrar de você. ― disse Alice sorrindo.

― Sim, eu já entendi.

― Rael, se você quiser eu te ajudo. Não sou tão poderosa quanto uma violadora, mas posso ir com você para buscar a sua guardiã. ― se ofereceu Rika.

― Que assunto comovente, não? Bem, eu vou descansar. Violeta, me apresente um quarto, por favor. ― Alice não deu a mínima para o assunto de Rael e saiu com Violeta atrás para ajudar. De todo modo, Rael não poderia ir atrás de Isabela agora, o casamento seria realizado em poucos dias e ele precisava estar por perto.

Rael não teve o que fazer, mas entrou em contato com Isabela de novo usando a ligação e pediu para ela continuar aguentando um pouco mais. Rael deu até mesmo uma data para buscá-la: Três dias após o casamento, porque tinha uma lua de mel e Rael deveria respeitar isso.

Violeta também se ofereceu para ajudar. Se agora tinha Alice para ficar no esconderijo, significava que Violeta poderia ficar disponível para acompanhá-lo.

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Alguns dias se passaram e faltava apenas 2 dias para o casamento. A guerra entre as famílias havia se encerrado. As quatro famílias poderosas ainda permaneciam no poder, porém com mais algumas baixas. O clã Luante tinha ampliado o seu poder e agora era considerado um clã que se equiparava em poder com o clã Torres. Enquanto os outros dois clãs que sobraram, Elusio e Solar, tiveram suas forças ainda mais reduzidas. Quanto ao clã Sangnos, agora nem mesmo existia mais. O antigo patriarca Ariel, sua filha Samara e alguns outros elders ainda estavam em constante fuga para escapar do alcance do clã Luante.

Rael recebeu um carta da matriarca Verônica e agora estava em frente aos portões do clã Luante. Neide havia suposto que ela iria pedir algum tipo de aliança ou algo similar para garantir seu futuro. Se Rael pudesse ter a lealdade desse clã junto com o império, então nada mais poderia parar seus avanços. Rael só seguia os planos de Neide porque no futuro não pretendia causar um mar de sangue. Se fosse por poder, no futuro, ele também poderia tomar tudo.

― Jovem mestre Samuel, perdoe a demora ― um guarda do décimo primeiro reino veio receber Rael. As muralhas desse clã tinha poucos guardas, eles pareciam tranqüilos pois jamais sofreram ameaças. Com os boatos de Rael ter interesse na matriarca, a vida deles tinha se tornado ainda mais fácil. Rael agora era uma figura importante em todo o império.

― Não tem problema ― respondeu Rael educadamente para o simples guarda. Se alguém era educado com Rael, certamente seria a receberia de volta, era uma coisa natural que Rael havia aprendido. Isso deixou o guarda admirado, Rael era um jovem mestre importante, mas não era nem um pouco arrogante.

― Por favor, me siga. A nossa matriarca já está esperando o senhor.

Como todo clã poderoso, uma cidade havia ficado para trás. Rael cruzou uma cidade inteira para chegar ao final, na ponta norte, e encontrar o território do clã Luante.

O clã Luante tinha muitas pontes por causa do rio que cruzava por todo o território. As casas eram separadas devido as várias pontes. Não foi difícil avistar a residência da matriarca, uma mansão no centro, cercada por um belíssimo jardim.

― Por aqui, jovem mestre ― o guarda seguia levando Rael enquanto atravessavam uma ponte.

Enquanto Rael era levado, ele se lembrava da conversa com Neide. Rael tinha dito que não se casaria com mais nenhuma mulher, ainda mais Verônica que, supostamente, já tinha a sua centena de anos. Neide afirmou que era muito provável que ela fosse querer algo assim. A matriarca era solteira, nunca teve nenhum caso que outros soubessem, não tinha nenhum filho e muito menos herdeiros para o poder, pedir Rael como marido seria o único caminho disponível para ela. Esse seria o cenário mais provável e Rael seguia pensando sobre isso. Casamentos políticos para manter o poder jamais seriam incomuns nesse mundo. Rael tinha dito não aceitaria para Neide, mas dependendo da situação ele poderia repensar sobre isso.

― ‘Verônica é uma matriarca esperta e de palavra. Nunca deu prejuízos ao seu clã e jamais traiu nenhuma família ou aliados. Na minha opinião, ela foi a melhor líder que o clã Luante já teve. Se a proposta dela for mesmo boa, aceite, pois se você conseguir unir o império ao atual poder do clã Luante, ninguém mais irá contê-lo’ ― essas tinham sido as palavras de Neide em aprovação a Verônica. Mas Rael continuou negando por ela ser bem mais velha e por ter já uma certa lista de mulheres.

― Jovem mestre, já estamos quase lá ― o guarda se mantinha falando com Rael coisa ou outra enquanto prosseguiam. Isso fez Rael parar de pensar na conversa com Neide.

Eles adentraram a porta principal, que foi liberada por cerca de uma dezena de guardas. Seguindo por um corredor requintado, no qual havia até perolas incrustadas nas paredes de espaços em espaços, eles finalmente alcançaram uma porta de tamanho comum na cor vinho. A porta tinha desenhos com formas mosaicas esculpidas na madeira.

― O senhor pode entrar, eu ficarei aqui fora ― o guarda se retirou, saindo de lado para abrir espaço para Rael.

Rael não bateu, ele previu que no fim seria algo como isso. Ele apertou a maçaneta esférica e a girou, revelando pouco a pouco o quarto.

Esse era o segundo andar da mansão, portanto não estariam mais no solo. A primeira vista, Rael viu um conjunto de janelas abertas no fundo, havia algumas cortinas brancas balançando sutilmente com o vento que soprava. Próximo das cortinas, uma cama de casal arrumada no fundo, e antes disso, alguns outros móveis e finalmente a presença da bela matriarca. Ela estava sentada de frente a uma pequena mesa forrada com uma toalha branca. Na mesa haviam duas taças e uma grande garrafa contendo vinho.

― Entre, Samuel. Não seja tímido. ― O tom da voz dela era sedutor como o de uma mulher que estava prestes a dar seu bote. Julgando pelo cenário, Rael entendeu rapidamente quais seriam as intenções dela. Somado ao que Neide disse, não foi difícil presumir o que se passa.

De todo modo, Rael se aproximou, puxou a outra cadeira e sentou-se de frente a bela matriarca. A matriarca parecia mais jovem do que o comum, com alguns cremes e uma beleza já natural não seriam difícil de deixar uma mulher ainda mais bela. A fragrância que exalava da mulher à sua frente também não era nada mal, ela deveria estar usando algum tipo de perfume bem distinto.

― Fico feliz que você veio tão rápido ao meu chamado, é uma honra recebê-lo, Samuel. Espero que não se incomode sobre eu tratá-lo com o primeiro nome, e eu espero o mesmo em troca ― disse ela. Rael já tinha sacado que quando mulheres assim queriam se aproximar rapidamente tentavam soar o mais natural possível. Senhor, senhora, mestre ou mestra nessas horas não soaria legal.

― O prazer é meu ― Rael foi cordial, respondendo a seguir.

― Eu sei que você já deve está cansado de saber e de receber elogios, mas ainda assim eu tenho que dizer pelo menos uma vez: A sua demonstração de poder contagiou minha alma naquele dia, eu nunca vi um homem ser tão poderoso.

― Obrigado ― respondeu Rael educadamente de volta.

― Eu posso tomar seu tempo falando um pouco de mim antes? Então, em seguida, pode ser você a dizer. Eu quero conhecer melhor o jovem que despertou meu interesse naquela arena ― disse ela suavemente.

A matriarca usava um belo vestido dourado de fenda. Esse vestido não era tão fechado e revelava um pouco de pele nos ombros e nos seios, demonstrando um decote de tirar o fôlego. Como uma mulher adulta, ela tinha o corpo bem farto e sensual.

― Vá em frente, comece ― disse Rael. A matriarca revelou um sorriso, seus lábios estavam com um leve toque de um batom vermelho, assim como seu rosto estava maquiado para aparentar mais jovialidade.

― Eu sou matriarca dessa família, mas isso é apenas porque sou um reino final. Eu me sinto solitária e desfalcada nesse lugar. Quando eu olho em volta, a sensação que sinto é que todos querem tomar o meu lugar a qualquer momento. Não que eu esteja incomodada, mas é que eu apenas sinto como se nunca tivesse achado o meu caminho durante essa jornada que é a vida ― disse ela, fazendo uma pausa. Abriu a garrafa e serviu vinho nos dois copos.

― Já fui jovem como você e tinha meus sonhos na época. Eu vi minhas colegas e amigas se entregando a homens com um milhão de promessas e ficava pensando que nunca chegaria a minha vez. Eu jamais aceitaria depender de um homem, não pretendia ter uma família, eu apenas queria ser livre. Isso me deu mais tempo para cultivar, para treinar e me rendeu o poder que tenho hoje ― disse ela, agora tomando um gole de sua taça.

― No fim das contas acabei aqui sozinha sem ninguém, me tornando uma matriarca solitária ― disse ela e Rael tomou um gole de seu vinho. Ele sabia que nenhum tipo controle funcionaria, então o fez sem medo. Como ele a viu tomando do vinho também então não se preocupou, mas Rael nunca se esqueceu da vez que Samara armou contra ele, embora não soubesse até hoje que Andréa havia feito algo muito pior.

― A única companhia que tenho é de um sobrinho chamado Duarte, você deve conhecê-lo, ele me falou bem de você. A mãe dele morreu há alguns anos e ele acabou se apegando a mim, me tendo como um tipo de mãe substituta, eu penso.

― Então você não está tão solitária assim ― presumiu Rael.

― Todos precisamos de alguém a quem nos apegar, mesmo que seja um pouco, não concorda? Você, por exemplo, já tem diversas esposas e está no caminho de mais uma. Não estou julgando você, mas acredito que você busca poder, e a razão por trás eu já sei. No entanto, ainda não estamos falando de você, estamos falando de mim. Voltando, eu quero dividir tudo isso que conquistei com alguém. Alguém que possa assegurar o meu futuro, alguém que possa me dar um bom herdeiro.

― E então é aqui que eu entraria? ― perguntou Rael sem nenhuma surpresa.

― Sim, é onde você entra sim. Faremos uma aliança. Se unindo a mim você terá, além do império, o clã mais forte sob o seu comando ― disse ela suavemente, fazendo uma curta pausa. Ela não ficou surpresa com o fato de Rael já esperar por isso.

― Eu sabia que você não gostava do clã Sangnos, por isso tomei a liberdade de exterminá-lo do mapa. Eu tomei posse de todas as terras desse clã, mas se você quiser, passo tudo para o seu nome imediatamente como prova de lealdade a você. Resumindo: Se você realizar o meu desejo, eu o ajudarei a realizar o seu.

― E qual desejo seria? ― Rael perguntou curioso.

 

― Vingança, é claro. Será que devo chamá-lo de Rael, ou você prefere que eu te chame de Samuel mesmo?

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Capítulo patrocinado por: Marcos Vinicius Mota Kliemann