O Herdeiro do Mundo

244 - A Falsa Face Inocente

Rael mas uma vez se sentiu pressionado por aquela jovem violadora. Ela não aparentava, mas continha uma imensa vontade sexual. Claro que a maior parte dessa sede era devido a maldição.

― A pílula vai reduzir os efeitos da maldição. Tomando a pílula, eu parecerei um cara normal para você. ― explicou Rael.

― E porque você quer que eu tenha esses desejos reduzidos? Qual é o sentido nisso? ― a violadora deu mais um passo e quase se encostava novamente em Rael. Como ela ainda estava a nua, a mente de Rael já trabalhava o fazendo lembrar da última sensação que tivera ao penetrar na área especial dela. Como ele poderia esquecer de  algo como aquilo? Essa moça a frente tinha um corpo incrivelmente fascinante, e Rael não conseguia tirar os olhos dela tão facilmente.

― Eu tenho mais duas violadoras, e todas tomam o remédio. Eu não me aproveito de vocês porque sei que estão amaldiçoadas. Em vez disso, estou ficando cada vez mais forte para ser capaz de libertá-las definitivamente. Eu tenho uma promessa com vocês. ― explicou Rael.

― Comigo você não tem nenhuma promessa. Com certeza eu me lembraria ― disse a mesma.

― Isso é por vocês. Eu não quero me aproveitar por causa de uma maldição. ― Rael novamente disse e se encolheu ainda mais na parede após mais um avanço de Alice... Os olhos dela encararam Rael demoradamente nos olhos e os dois ficaram a centímetros um do outro. Rael foi o primeiro a virar o rosto, fugindo do olhar curioso dela. Podia parecer um simples olhar, mas naquele momento ela estava analisando tudo que Rael dizia. Ela não podia acreditar que alguém estava lutando para resistir a ela, simplesmente porque não queria se aproveitar devido a maldição.

― Então você está fazendo isso por mim? Não dói? Saber que tem uma mulher tão boa na sua frente inteiramente a sua disposição e que você quer tanto, mas ainda assim se força a não tocar? Você realmente consegue suportar tamanho desejo? Você sabe que eu sou sua. Sou como um magnífico objeto, e você pode se aproveitar de mim o quanto quiser, sempre que quiser. ― ela repetiu aquilo lentamente com o rosto um pouco levantando. Rael não se deixou escorregar, porque previa que se ele se sentasse o mesmo de antes se repetiria.

― Alice, escute... é muito difícil para mim resistir a você, mas... eu preciso, eu devo. Você está sendo forçada a se sentir assim por mim e é errado. Eu... eu me aproveitar de você... então... então, por favor, tome o remédio e se afaste. ― pediu Rael com dificuldade, enquanto sua respiração acelerava ainda mais. Com ela tão perto, e ainda por cima nua, não precisava de muito esforço para embriagar completamente a mente de Rael.

― Então você faz isso por respeito a nós? Mesmo que sejamos objetos em suas mãos? Você larga o prazer de lado para ser um celibatário? Acontece que você já me sentiu um pouco, não? Embora você queira pagar de durão, você já provou de mim.

― Eu peço desculpas! Por favor, me perdoe! Eu não te amo e não sinto nada por você, mas meu corpo clama pelo seu! Eu não consegui resistir! ― Rael se desculpou novamente.

Rael não percebeu enquanto estava com os olhos fechados, mas Alice mostrou uma expressão furiosa. Os olhos dela queimaram e sua boca fez uma expressão fria, ela chegou a levantar a mão direita e quase agarrou o pescoço de Rael, ficando parada no ar apenas a alguns centímetros afastada. Por um segundo, ela quase quis matar Rael. O peito dela subia e descia enquanto a mão dela estava levantada no ar prestes a agarrar definitivamente a garganta de Rael.

― Então quer dizer que você provou de mim e agora não quer me assumir. Devo dizer que você é muito pior que o Imperador Demônio a quem eu já servi. ― disse ela. Rael voltou a olhar na direção dela e a encontrou com um olhar normal novamente, a mão dela já estava baixa e Rael nem imaginou o que há pouco se passou pela cabeça dela.

Alice estava mentindo. Ela não ligava para o fato de Rael não querer assumi-la, ela estava furiosa por se sentir tão apaixonada por um jovem que nem sequer conhecia. O plano dela era se deitar com Rael e fazer mais uma vez para que, quando estivessem no ápice do prazer, matá-lo e voltar a adormecerem sua câmara, de onde nunca desejara ter saído.

Durante o ato sexual é onde o efeito da maldição se torna mais fraco, pois tanto a violadora quanto o parceiro estão conectados a um intenso e poderoso prazer. É nesse momento que a maldição se enfraquece e Alice consegue dar um golpe fatal em seu parceiro. Mas havia outra razão para ela ter forças para conseguir fazer aquilo.

Isso não tornava impossível alguém manipular Alice. Desde que alguém soubesse sobre o comando, poderia mantê-la completamente às suas ordens o tempo todo e assim ter tudo o que poderia ter dessa jovem amaldiçoada. Foi assim que o último mestre dela sobreviveu, mas o mesmo não poderia ser dito dos últimos quatro, que foram mortos enquanto se aproveitavam o prazer do paraíso e ela sendo atirada de volta no caixão por todas as vezes que o fez.

Alice, no entanto, descobriu duas coisas que a intrigou bastante. A primeira era que Rael realmente tentou bastante e ainda estava resistindo a ela, mesmo depois de experimentá-la. A segunda era que ele era o Herdeiro, um ser que de certa forma seria muito mais poderoso que o próprio Imperador Demônio.

Alice não queria ser despertada, ela preferia dormir eternamente do que se entregar a qualquer homem repugnante nesse mundo. Ela acreditava que nenhum ser em toda existência a merecia.

― Você entendeu errado, eu não fiz de propósito. Tá, eu fui um idiota! Eu entendo que você não pode resistir a mim, mas eu não consegui fazer o mesmo, eu ainda sou fraco! Eu assumirei você assim que te libertar dessa maldição, se você ainda desejar. Então, por favor, me perdoe. ― pediu Rael.

― Você é o cara mais idiota que já posso ter visto! É uma pena eu não me lembrar dos outros ― disse ela se virando de lado e cruzando os braços, pensando se obedeceria Rael ou não.

― Ainda com raiva de mim? Eu sei e compreendo. Bom, pelo menos eu sinto que você me entende também. Eu realmente não irei me aproveitar de você, se você me ajudar, é claro.

― Ajudar você?! Vai me forçar com um comando?! ― quando ela perguntou isso, Rael viu os olhos dela queimarem como um intenso fogo.

― Não! Eu jamais faria algo como isso! Alice, você pode confiar em mim, eu não forçaria você a fazer nada que você não queira. Te dou a minha palavra como o Herdeiro que eu não forçaria você a nada. ― disse Rael imediatamente, acalmando um pouco a jovem a frente. Naquele momento Rael percebeu que todo o ar inocente que ela mantinha poderia ser fachada para esconder a sua verdadeira face.

― E porque você quer a minha ajuda? Agora me diga. ― Ela ainda se mantinha um pouco instável.

― Eu acho que você não reparou ainda, mas você está nua e...Você é... Muito atraente... E...Se você me forçar de novo eu não vou conseguir resistir...Então... É difícil para mim não pensar que irei te pedir perdão de novo a qualquer momento... ― explicou Rael.

Quando Rael explicou o motivo pelo qual ele precisava de ajuda, pareceu tão infantil que Alice começou a rir. Ela tinha o riso como flores, sua voz era muito suave como uma jovem inocente e isso enganaria muitas pessoas. De uma jovem inocente e simples, ela podia se tornar uma mulher incrivelmente feroz. Isso era algo que fez Rael se impressionar e com ter um pouco de medo. Como ele precisava de toda a ajuda possível, ele teria que aprender a lidar com ela.

― Você é muito estranho, mas acho que posso confiar em você. ― disse ela satisfeita, quando parou de ri e voltou a olhar Rael.

― Então, tome a pílula ― disse Rael.

― Sobre isso, não existe cura para a maldição e eu não acredito que essa coisinha aqui vai fazer alguma diferença. ― mesmo ela dizendo isso, jogou a pílula na boca e a engoliu. Alguns segundos depois, ela olhou um pouco diferente para Rael.

― E então? ― Perguntou Rael esperando.

― Parece que funcionou. No fim, você não é apenas de palavras ― disse ela.

― Agora, pode por favor vestir alguma coisa? Dito isso, você não pode mais me beijar ou fazer qualquer ato estranho e íntimo, porque o efeito voltaria dobrado. Esse é um efeito colateral da pílula, mas tomando mensalmente você sempre ficará bem.

― Estou impressionada! Não sabia que o Herdeiro do mundo é um homem que vive em celibato. Eu não lembro de todos os outros que me despertaram, mas acredito que nenhum deles me deu tal medicamento... ― disse ela se virando e caminhando de volta para suas roupas. Rael suspirou ao ver ela se afastando e fechou os olhos por um tempo.

― Não sou celibatário, eu gosto de sexo tanto quanto qualquer homem, mas eu não vou me aproveitar de vocês por causa disso. Sou casado, tenho duas esposas e outras mulheres envolvidas ― Rael se explicou.

― Outras mulheres? E elas são melhores que uma violadora? Eu não acredito nisso.

― Não são, e nem tem como ser. Mas são livres e puderam escolher estar comigo. Eu as amo, então acho que não há nada de errado nisso. ― disse Rael enquanto olhava para outro lado. Ele nem conseguia olhar para Alice porque se lembrava do prazer que ela lhe proporcionou antes.

― “Amor”... eu odeio essa palavra. ― disse ela, vestindo a saia.

― Nem eu entendia no começo. Bem, é complicado ― disse Rael.

― Você vai mesmo me libertar? Porque se isso for apenas um papo furado eu irei acabar com você, sendo o Herdeiro ou não.

― Eu irei ― disse Rael. Nesse momento, Rael percebeu dentro de si o conhecimento herdado por Alice. Ele ficou impressionado com essa capacidade absurda. Era algo que ia muito além da habilidade de Violeta ou de Emilia.

― Você pode criar portais para qualquer lugar do mundo instantaneamente? Isso é incrível! ― elogiou Rael impressionado.

―Eu posso. Agora, você vai nos tirar daqui? Porque eu não posso atravessar esse corredor a não ser usando o seu Espaço Ilusório. ― disse ela agora vestida voltando para perto de Rael.

― Tudo bem, vou te levar direto para o esconderijo. ― Rael estendeu a mão se concentrando na habilidade recém adquirida e criou um portal roxo na frente. O portal criado pelo poder de Alice era semelhante ao de Rael, só que com outra coloração.

― Isso nos levará aonde?

― Para bem longe do lugar que essa câmara se encontra. ― explicou Rael.

― Então tá, vou atravessar. ― disse ela, entrando e sumindo na luz roxa que engoliu o corpo dela. Rael a seguiu em seguida. Tudo ficou escuro por uma piscada e eles apareceram na cozinha do esconderijo. Com apenas um pensamento, Rael saiu do vulcão do dragão e voltou para o esconderijo.

Rael saiu do portal que ainda estava aberto e usando seu pensamento o fechou em seguida. Era fácil manipular a habilidade herdada de Alice.

― É aqui onde você mora? Me parece com outro esconderijo... ― disse Alice, olhando em volta enquanto seguia caminhando. Rose e Rika surgiram no corredor encontrando a nova violadora.

― Rika e Rose, esta é Alice, a nova violadora ― disse Rael, apresentando a jovem mulher para as duas.

― É um prazer conhecê-la ― disse Rika junto a filha a reverenciaram educadamente.

― Humanas celestiais. Isso é novo para mim ― disse Alice impressionada. A última a aparecer na cozinha foi Violeta. Violeta e Alice cruzaram um rápido olhar e Violeta pareceu ficar preocupada, quase pálida.

― Alice... É você...? ― foi o que Violeta disse e imediatamente a reverenciou. Entre as violadoras, o grau de poder funcionava como uma espécie de hierarquia. Assim, quem era mais fraca, em um cumprimento reverenciaria a mais forte.

― Violeta. Não imaginei ser você uma das violadoras por trás desse jovem. ― disse Alice com um tom natural e inocente, o que pareceu perturbar ainda mais o coração de Violeta.

― Que bom que vocês estão se entendendo ― disse Rael satisfeito. Alice mantinha um sorriso gentil como se estivesse tudo bem, mas isso só parecia deixar Violeta ainda mais aflita.

― Rose, Rika, por favor, saiam. ― disse Violeta e as duas imediatamente se afastaram, deixando apenas os três na cozinha.

― Por que mandou elas saírem, Violeta? Está tudo bem, eu já conversei com Alice ― disse Rael. Rael mal acabou de dizer isso e Violeta a reverenciou de novo, com um enorme respeito. Mantendo a cabeça baixa, Violeta começou a falar:

― Irmã mais velha, por favor, não faça nada a Rael. Ele é uma boa pessoa e pretende nos libertar. Eu imploro a você em meu nome e no nome dele para que o não o mate. ― disse Violeta de cabeça baixa. Se teve uma coisa que Rael nunca tinha visto em sua vida foi sua mestra baixar a cabeça daquela maneira para alguém. Naquele momento, Rael olhou Alice como se não tivesse olhado ainda. Ela ainda era uma jovem bela e com ar inocente, não parecia tão perigosa a ponto de fazer Violeta implorar pela vida. E ela não estava nem mesmo ameaçando o jovem.

― Se eu não tivesse gostado dele, pode apostar que ele não estaria mais vivo. Levante a sua cabeça, irmã, eu não o matarei se ele seguir com a palavra que deste a mim ― disse Alice em um tom sério, dessa vez sem sorrir.

― Afinal, o que está acontecendo aqui? Por que você a trata desse modo, Violeta? ― perguntou Rael, vendo Violeta erguer a cabeça com um ar de alívio.

― Existe uma hierarquia entre todas as violadoras. Alice é considerada a terceira violadora mais poderosa. Então, ela é como uma irmã mais velha ― disse Violeta, deixando Rael chocado.

― A terceira mais forte? Uau! Isso é incrível! ― Em vez de Rael ter medo, teve bastante admiração. Isso deixou Violeta e Alice surpresas. Se Violeta implorou pela vida dele havia uma razão, e Rael não parecia estar preocupado com isso. Rael era muito inocente, mesmo vendo a face de Alice por um instante ele não acreditou que essa moça tão bela representaria algum perigo a ele. Nenhum homem pensaria que aquela garota tão bela faria mal a alguém.

― Você parece muito animado com essa notícia... ― disse Alice, querendo saber os motivos da alegria de Rael.

― É claro que estou! Nosso lado se fortalece ainda mais, cada aliada poderosa é um passo mais perto de nossas conquistas! ― disse Rael sorrindo despreocupado.

― Ele é assim mesmo ― explicou Violeta quando Alice se voltou para ela, curiosa.

― Certo, e quem é a outra? Você disse que tinha duas violadoras ― disse Alice e já lançou seus sentidos, esperando encontrar tal mulher.

― É Emilia, a que recebeu o Mundo da Simbologia. Mas ela não está aqui agora ― disse Violeta.

― Emilia? Ah, me lembrei dela ― disse Alice depois de pensar apenas alguns segundos.

― Se ela é a terceira violadora mais forte, em qual nível você e Emilia se encontram, Violeta? ― perguntou Rael curioso.

― Não existe níveis de força além das três primeiras, todas são consideradas apenas normais, tendo um poder mediano ― explicou Violeta.

― Huum... Acho que entendi.

― Ótimo. Agora me atualizem. Eu preciso saber tudo o que se passa. Que mundo é esse, por que estamos aqui e tudo o mais. ― disse Alice puxando uma cadeira.

― Eu vou chamar Rika e Rose novamente. É melhor que todas se acostumem com Alice, porque ela ficará conosco de agora em diante ― disse Rael e saiu para chamar as duas.

Violeta lançou um olhar preocupado para Alice enquanto puxava uma das cadeiras.

― Violeta, você não confia em mim? Eu já disse que não vou matá-lo.

― Você foi quem começou a rebelião contra o Imperador Demônio... Isso ainda me preocupa.

― Eu gostei de Rael, ele é um purista idiota, mas pelo menos nos respeita. Por isso que ganhou o meu voto de confiança. Ele não cedeu ao desejo imundo de um animal nojento ― disse Alice sorrindo.

― Ele conseguiu resistir a você?! ― Violeta sabia que até ela perdia em termos de sensualidade para essa moça a frente.

― Não da primeira, mas na segunda vez ele se saiu bem. Não o culpo, ele tentou sim resistir e teria conseguido se não fosse por eu forçá-lo, mas bem, no fim eu acho que entendi e gostei um pouco dele.

― Ele vai nos libertar. Eu cuido dele desde os dez anos, conheço o Rael e sei que ele tem palavra.  Ele é um bom rapaz e você mesma vai ver isso se der uma chance a ele.

― Violeta, chega! ― disse Alice, mostrando um pouco de mau humor ― Eu já disse que não vou matá-lo. Pare de pensar nisso. Não é porque eu fui a primeira a me rebelar contra o Imperador Demônio que vou matá-lo. Desde que ele respeite o meu corpo, eu não farei nada.

Nesse momento, Rael voltou com as celestiais e o assunto mudou um pouco. Violeta ainda continuava com um ar preocupado, mesmo parecendo que Alice falava mesmo a verdade.

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Capítulo patrocinado por: Leonardo Medeiros Schmidt