O Herdeiro do Mundo

240 - O Resultado Dias Depois do Torneio

Dez dias se passaram desde os últimos acontecimentos. Alexia em sua caverna já estava com 96% de seu progresso concluído, mais um pouco de tempo e ela poderia voltar a se encontrar com Rael.

O clã Sangnos sofreu várias invasões ao longo dos dias que se passaram. As causas eram variadas, mais o maior motivo era a procura por Isabela. 500 mil moedas de ouro era uma quantia que mexia com a cabeça de qualquer um. Com esse dinheiro, um clã poderia conseguir muitos recursos para seus membros.

Mesmo que Isabela tivesse sido desertada, as pessoas ainda procuravam ela e, por esta razão, vários clãs menores se reuniram e atacaram o local. Com o clã Sangnos passando por dificuldades, não foi difícil para ladrões agirem roubando cargas de mercadores, outras famílias matando seus mineradores e tomando suas cavernas de minerações. Outra série de problemas que foi aumentando e desencadeando no fim de um poderoso clã.

Rael também ter mencionado abertamente que não gostava daquele clã foi um motivo ainda maior para as invasões e todas as coisas mais ocorrerem.

Em uma reunião, a matriarca Verônica exigiu pergaminhos de escravização para invadir e tomar o clã Sangnos. O imperador, é claro, cedeu dezenas de pergaminhos para a matriarca.

O último invasor foi o clã Luante, tomando controle total do que sobrou do clã Sangnos. O clã expulsou os outros invasores e tomou os que se renderam como escravos. Os elders que não se renderam foram todos mortos ou conseguiram fugir.

O clã Sangnos tinha centenas de homens fortes que serviriam como bons escravos e protetores, como também possuíam várias mulheres belas que tinham outro tipo de valor. Sendo assim, homens casados perderam suas esposas, pais perderam suas filhas e a coisa toda desandou. O clã Sangnos teve seu nome apagado e uma bandeira do clã Luante levantada no lugar.

Embora todas essas coisas tenham ocorrido, a cidade pagou um preço devido a alguns assassinatos e roubos. Mas, no geral, a cidade sobreviveu. O mais atingido mesmo foi o antes poderoso clã Sangnos, que acabou deixando de existir. A matriarca Verônica não tinha tomado o clã para não deixar uma cidade fantasma, precisava ter pessoas para poder pagar tributos. Portanto, ela rapidamente estabeleceu segurança àquelas pessoas, colocando uma parte dos próprios escravos conquistados para proteger o lugar. Com a bandeira do clã Luante presente, os ataques começaram a parar.

                       Foi espalhado um estranho rumor sobre o jovem mestre Samuel ter interesse amoroso com a matriarca Verônica e, por isso, eles acabaram sendo desfocados pelos outros clãs que não queriam ter problemas com Samuel, por isso ela conseguiu agir livremente.

― Tia, eu não entendo esse seu plano. Fez todas as pessoas espalharem esses falsos boatos e em seguida tomou pose do clã Sangnos. ― observou Duarte.

― Você não vê? O imperador vai se levantar e todas as famílias vão cair, nós precisamos estabelecer rapidamente o perímetro para ficarmos seguros.

― E sobre os boatos que mandou espalhar? Quando Samuel souber, ele não vai ficar muito satisfeito. ― observou Duarte. Sua tia era uma mulher muito bonita e inteligente, e estava solteira mesmo com a idade avançada. Como um homem ainda não muito vivido, ele não compreendeu todo a armação orquestrada por ela. Primeiro, ela pediu que ele se aproximasse de Rael, depois tê-lo baixar a guarda para testar a força do rapaz e agora fez correr tais boatos.

― Oras, boatos são boatos. Como eles começam ou terminam ninguém sabe, e se o jovem Samuel quiser mesmo, eu me caso com ele. Assim asseguramos ainda mais o futuro do nosso clã. ― disse a mulher com um sorriso natural. Enquanto ela conversava com seu sobrinho no canto perto de uma árvore, vários elders discutiam o futuro do clã em uma reunião ali próximos. Ela tinha saído para tomar um ar.

― Até parece que ele irá querer... ― disse Duarte sem pensar muito. Era verdade que sua tia era incrivelmente bonita, mas ambas as idades não se encaixavam nem um pouco.

― Samuel é um jovem negociador. Ele está se casando por poder, e ele pode fazer o mesmo se quiser comigo. ― disse ela.

― Por isso ficou solteira até hoje? Para esperar algo como isso acontecer?

― Não me entenda mal, querido sobrinho, mas eu não me entregaria para um qualquer. Meu corpo é sagrado e eu só o entregaria para um homem que realmente o merecesse.

― Eu não sabia que a senhora tinha pensamentos tão interesseiros... ― observou o sobrinho. Mesmo ele dizendo aquilo, não a ofendeu. Podia-se dizer que Verônica se dava muito bem com o seu sobrinho Duarte, ambos não escondiam ideia um do outro por muito tempo.

― Interesseira? Gosto de pensar que sou segura em vez disso. Agora preciso voltar para a reunião, eles já estão começando a olhar feio para mim. ― Verônica beijou o seu sobrinho no rosto enquanto sorria e virou as costas voltando em direção aos elders. Duarte ficou ali parado, observando a mulher voltar para os demais. Duarte ainda não entendia muito de política.

Mesmo com a forte invasão, o patriarca Ariel conseguiu fugir com sua filha e alguns outros elders que escaparam juntos, mas foi apenas esses, todo o resto acabou ficando.

O motivo do imperador Elidas ter fornecido os pergaminhos e permitido a invasão era óbvia. A matriarca Verônica afirmou que estaria fazendo isso por Rael. A segunda razão era ainda mais simples, uma família em ruínas não podia trazer mais felicidade para o imperador, mesmo que isso significasse aumento exponencial de poder do clã Luante. Sem esquecer os rumores sobre Rael ter interesses em Verônica, isso fez o imperador ter ainda mais aceitação sobre o clã Luante.

Com o clã Luante excluso devido as coisas citadas acima, as guerras sobravam para as outras três famílias que estavam em batalhas constantes umas contra as outras por causa dos eventos no torneio. Elas mesmas estavam se enfraquecendo e dançando na mão do imperador. Esse era o cenário perfeito que fazia o imperador sorrir todos os dias.

Foi exatamente nessa manhã que Rael abriu os olhos. O corpo de Rael estava limpo e controlado, como estaria da última vez.

O corpo de um cultivador normal quando sofre esse tipo de desmaio, se concentra em guardar energias e evitar gastos usando o mínimo de todo o sistema corporal. Sendo assim, mesmo Rael dormindo por todos esses dias, ele não passou por necessidades básicas, nem fome, nem sede e nem outras vontades fisiológicas. Essa era uma das razões que o fizeram não aceitar fazer nada no mundo herdado com Keylla, com o corpo dele nesse estado e ele fazendo coisas um tanto pesadas do outro lado, talvez pudesse acarretar mesmo algum problema.

― Rael? Rael? ― a moça bonita deitada ao lado de Rael imediatamente o chamou quando o viu levantar a cabeça. Rael mal se virou vendo a bela jovem celestial e foi abraçado amorosamente. Rose saltou abraçando Rael com toda a força que tinha. A jovem sempre ficava deitada com ele enquanto ele permanecia naquele estado.

― Calma Rose, eu estou bem. ― Rael repetiu até ela abrir um pouco de espaço para o mesmo.

― Eu fiquei com medo. Não sabia se você iria mesmo acordar. ― disse Rose sorrindo. A moça estava com uma alegria radiante por ver Rael despertado.

Baaam!

― Rael! ― Agora quem entrou no quarto gritando e batendo a porta foi a mãe da moça. Rika veio assim que sentiu as ondas de alegria da filha.

― ...! ― Rael nem conseguiu falar, a  bela mulher celestial dançou como um vulto parando ao lado da cama, se sentou e puxou o rapaz, envolvendo-o com um forte abraço. O rosto de Rael foi praticamente prensado contra o seu maravilhoso busto. Rika jogou a face de Rael em seus peitos enquanto apertava o rapaz. Rael não queria reclamar, mesmo tendo um pouco de dificuldades em respirar, o cheiro de Rika era maravilhoso e fazia Rael se sentir muito bem. Mas ele apenas tinha acabado de acordar e tinha muita coisa para resolver antes de fazer coisas desse tipo.

― Eu fico feliz que você despertou! Essa é a melhor coisa que poderia acontecer! ― disse a celestial, ainda apertando Rael. Rael estava quase pedindo por socorro, ele já ia começar a bater de leve no braço dela para soltá-lo, mas a mesma afrouxou o aperto, o libertando quase que totalmente.

― Eu fico feliz que você est...! ― Rael mal terminou de falar quando foi surpreendido com um beijo de Rika, ela pouco ligava se a filha estava do lado. Fazendo como os demais, ela fechou os olhos no momento e se soltou. Rael não reclamou e não recuou, aproveitando bem os deliciosos lábios da bela celestial que tanto cuidou dele. Dessa vez, era um beijo puro, sem chá e com Rael consciente.

Quando os dois se afastaram, o rosto da celestial estava corado, e ela parecia um pouco ansiosa. Um beijo assim esquentaria o corpo de qualquer mulher, ainda mais o de uma adulta como Rika. Se Rose não estivesse perto, era muito provável que eles não iriam ficar apenas naquele beijo.

― Rael, eu quero dizer que estou apaixonada por você. Eu quero que você saiba que eu te amo, amo mesmo! ― a mulher que ansiava por dizer aquilo e finalmente pôde desabafar, seus sentimentos eram tão puros que não havia como Rael não acreditar. Depois de tudo o que aconteceu, não era mais nenhuma surpresa. Mas ainda era estranho ver uma mulher durona como Rika, que sempre colocava a perpetuação de sua raça em primeiro lugar, colocando seu coração dessa vez.

― Eu fico feliz por isso. Mas sobre os filhos, nós...! ― Rael nem terminou de falar e teve um dedo cobrindo sua boca.

― Filhos não são mais tão importantes para mim, ficar com você é muito mais. Não vamos discutir por causa disso. Você me dará filhos na hora certa. Tudo o que eu quero no momento é saber se estou em seu coração... Eu estou? ― ela imediatamente perguntou.

― Está sim, Rika. Você e Rose são afinal minhas maravilhosas mulheres. Sempre estiveram em meu coração, mesmo quando você era extremamente chata. ― disse Rael sem rodeios. Mãe e filha sorriram satisfeitas uma em cada lado da cama.

― Não me culpe pelo que fui, eu apenas não via as coisas como vejo agora. Você tem que saber que tudo isso é muito novo para mim. Eu ainda nem consigo entender se amo mais a minha filha ou você, é muito confuso. Emilia me disse que eu aprendi a amar, mas ainda estou misturando sentimentos familiares com amorosos. Você também acha isso?

― É provável que Emilia esteja certa, eu também acho isso... ― respondeu Rael, um pouco perdido.

― De todo modo, estou muito feliz por me sentir assim, mesmo se pareço ser um pouco confusa. Obrigada, Rael! ― disse ela e sorriu de uma forma tão bela que Rael chegou a engolir saliva. Rika já tinha sorrido algumas vezes, mas sorrir puramente como agora tinha sido a primeira. Rael foi novamente abraçado pela celestial que até se tremia de felicidade. Assim eles ficaram até Violeta e Emilia minutos depois entrarem no quarto.

Com Rael de volta à ativa, não demorou para todos os que precisavam serem informados.

Mara abandonou o clã na mesma hora e foi correndo para ver o seu marido. Enquanto isso, Natalia recebia Rael com um forte abraço. A moça que agora tinha se mudado para essa caverna ficou muito feliz por vê-lo bem outra vez.

{{Nota: Embora eu diga caverna, a maioria dos lugares tem quartos e móveis. As cavernas são no sentido de lugares rochosos e espaçosos como nos locais de treino ou salão das bestas}}.

― Está tudo bem com você? ― Rael perguntou depois de se soltar dos braços da bela moça, enquanto apertava de leve o ombro esquerdo dela.

― Eu estou bem sim, não sei porque fui trazida para cá, Violeta acha que posso estar doente. ― disse Natalia.

― Eu vou ver se descubro algo.

Mesmo com Rael mais forte, ele nada conseguiu descobrir usando os seus símbolos, mas ainda assim, Natalia estava apresentando fraquezas. Os mesmos sintoma que a versão do outro mundo disse ter tido antes da transformação.

― Nada? ― a moça perguntou quando Rael cancelou os símbolos, o olhar perdido de Rael parecia entregar a falha de sua tentativa.

― Teremos que esperar por Alexia. Eu ainda não sou forte o suficiente para saber.

― Ra... Marido, Violeta não me contou nada e nem você está contando, o que eu posso ter? Será que você pode me falar? É algo perigoso? É contagiante? Se for... É por essa razão que estão me mantendo aqui? ― Natalia finalmente soltou todas as suas dúvidas.

― Eu não sei dizer, Natalia. Será que você pode esperar até que Alexia venha nos ver? ― perguntou Rael, ele não queria mentir para a moça.

Se Natalia estivesse mesmo com o Espectro Sombrio, o mesmo estaria sugando constantemente a vitalidade dela e se fortalecendo. Em algum momento, Natalia começaria a perder a consciência e ser de fato tomada por esse ser, Rael já tinha investigado sobre isso em seu mundo, então ele sabia. Seres muito fracos não seriam capazes de sentir o Espectro, apenas seres com poderes divinos poderiam. Mesmo que Rael estivesse dentro das qualificações, ele ainda não estava com capacidades suficientes. Portanto, para ele, seria impossível ter certeza sobre seu julgamento, mas tudo indicava que a jovem possuía de fato a maldição.

― Tudo bem, eu vou esperar... ― Natalia não podia responder diferente.

― Quando você vai me levar em algum passeio. Eu to cansada de ficar nesse lugar dia e noite. ― Samantha, que tinha ficado de longe enquanto os dois conversavam, se aproximou falando assim que os viu entrarem em silêncio.

― Saia com o seu pai ué, ninguém ta prendendo você aqui. ― disse Rael, se esquivando rapidamente. Toda vez que se cruzavam essa moça dava em cima dele.

― Mas eu to pedindo para sair com você, oras! ― reclamou a mesma.

― Nem ferrando! Eu to cheio de coisa para fazer e não posso perder meu tempo com você. Sua tarada! ― bufou Rael de volta. Isso fez Natalia e os outros rirem.

― Tarada, eu? Você que me agarra e me força a te beijar...

Depois da pequena discussão, Rael conversou com os pais de Samantha sobre o que ele iria fazer e explicou para os mesmos que mandaria Emilia limpar o outro mundo dos devoradores. Apenas Emilia seria suficiente para exterminar todos os devoradores restantes, e dessa forma acabar com a praga. Assim, o mundo deles poderia ter paz novamente.

― A pergunta é: vocês vão querer voltar? Se não forem, poderão viver aqui, mas bem longe da capital e de qualquer cidade próxima. Eu também irei pedir para Mara mudar o corte de cabelo e talvez a cor, quanto menos ela se parecer com a desse mundo, melhor. ― explicou Rael.

― Nós não queremos voltar para um mundo em ruínas. Não restou sobreviventes, e não haveria modos de sobrevivermos naquele lugar, e nossa filha... Você sabe, ela precisa se casar também.

― Pai, eu já disse que ele vai me assumir. Então você não tem que se preocupar. ― Samantha sempre insistia quando tinha a chance.

― Ah, vai esperando que vou mesmo... ― bufou Rael fazendo os quatro ao redor rirem da situação. Agora Rael estava em uma mesa com a família do outro mundo e Natalia.

― Sim, nós vamos ficar, seguiremos o seu plano. Minha mãe desse mundo já nos arrumou dinheiro suficiente para comprarmos uma propriedade aqui, só estávamos esperando você se recuperar para contar-lhe isso.

― Muito bem, que assim seja! Vocês podem ir quando quiserem.

― Agradecemos por tudo o que fez por nós, de verdade! Manteremos contato com o anel que você nos deu. ― disse o outro Rael de cabelos escuros, mostrando a mão com o anel, ela tinha um semblante sério.

― Com isso, você ainda vai mandar limpar o outro mundo? ― perguntou Mara curiosa.

― Irei, seria perigoso deixar essa coisa se espalhar para além dos mundos. ― disse Rael se levantando.

― Passaremos o dia de hoje aqui, amanhã partiremos. ― disse Mara, se levantando em seguida junto com os outros.

― Rael, falando sério, eu não tenho mesmo nenhuma chance? Pode ser estranho, mas eu gosto mesmo de você. ― disse Samantha, dessa vez com um ar mais sério. Ela dizia isso, mesmo em frente aos seus pais e Natalia.

― Não tem como, Samantha. Você deve entender que eu não posso ficar com uma mulher que é filha da versão de minha esposa. Por favor, esqueça isso. Apenas siga o seu caminho. ― disse Rael em um tom sério, em respeito a menina.

― Você... ― a moça pareceu ficar triste de verdade e saiu correndo com as mãos no rosto. Mara correu atrás da filha para consolá-la.

― Bom, pelo menos isso agora se resolve. ― disse o outro Rael, sempre com um ar sério. Ele não se metia no relacionamento do Rael ruivo e a sua filha.

 

― Desculpe, Rael, mas eu não posso ficar com ela. ― disse o rapaz ruivo. Em seguida, se virou e saiu caminhando.

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Capítulo patrocinado por Joao Pedro Ewald




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