O Herdeiro do Mundo

238 - Rael em Recuperação

O continente Sul estava calmo, ao contrário do que muitos pensaram devido aos acontecimentos no decorrer do torneio. As famílias estavam em fases de recuperação e luto por seus elders, era natural que houvesse um momento de paz antes de iniciar o “Acerto de contas”. Embora estivessem calmas, não significava que os clãs não estavam de olho nas ações alheias, cada família tinha seus métodos de espionagem, assim como para se proteger de espiões.

Para o clã Sangnos, estava cada vez mais difícil manter a mentira de que o patriarca Arthur estava vivo, algumas das famílias de porte médio exigiam uma audiência com o próprio e foi dito que ele estava em uma viagem de negócios.

O patriarca Ariel se via cada vez mais preocupado, uma família que perde seu único reino final praticamente perde a força de suas pernas. Quando descobrissem que a família Sangnos não possuía mais um reino final, podia ser dito que despencaria de uma grande família para uma de porte médio. No geral isso não parecia ser grande coisa mas, uma vez que o respeito fosse diminuído, a família passaria por sérios problemas. Ela poderia sofrer represálias de famílias mais fortes, suas minas teriam riscos de ser invadidas, poderiam perder posses que eram seguras por causa do poder de Arthur e uma outra gama de problemas que viriam em cadeia. A família Sangnos poderia até mesmo cair em total desgraça por causa disso, talvez até em ruínas caso não fossem cuidadosos. O patriarca Ariel estava pensando em formar algumas alianças com outras famílias medianas para tentar se segurar, o que para eles agora era uma boa ideia para fortalecimento devido as perdas no torneio.

― Pai, não há mesmo nada que possamos fazer? ― Samara perguntou preocupada. Essa moça, que tinha pernas de tirar o fôlego e era bastante bonita, estava ansiosa junto com o seu amado pai, se mantendo tão preocupada quanto ele. Samara era uma mulher interesseira, cresceu aprendendo que o poder era importante e foi muito bem educada, por isso era leal ao seu pai. Se o Ariel a desse uma ordem que beneficiasse o clã, com certeza que ela cumpriria, mesmo a contragosto.

― A menos que você consiga o perdão do jovem Samuel, isso vai ser impossível. Hora ou outra iremos pagar pelos erros que foram cometidos... ― disse Ariel, como se lembrasse das más ações que fizeram contra as famílias mais fracas. Apenas o pensamento de se rebaixar buscando apoio de buscas de família médias já mostrava o quão ruim era situação deles, mas era melhor isso do que nada.

Samara abaixou o rosto. Ela se lembrava do ódio que Rael criou dela, mesmo se ela se oferecesse como escrava, certamente seria recusada pelo rapaz. Ela faria caso Rael pudesse perdoar seu clã, mas isso estava fora de questão. Os pensamentos de Samara foram quebrados com a entrada de um guarda no clã. Ela e o pai estavam sozinhos na mesa de reunião.

― Senhor patriarca, com licença!A família Lones Vermelha também exige ver o senhor Arthur. Eu digo a mesma coisa, que ele está em viagem?

― Sim, diga isso para todos e marque um horário comigo. ― explicou Ariel, apertando os punhos com raiva enquanto os escondia por baixo da mesa.

― Como o senhor quiser! ― disse o homem e saiu. Ariel sabia que isso era um movimento das outras famílias para tentar descobrir a verdade sobre a morte de Arthur, caso isso fosse descoberto prematuramente sem eles se preparar seria um enorme problema.

_____________________________________________________________________________

Na ilha, Emilia tinha acabado de acordar depois de um bom descanso. Ela estava impressionada com as novidades do mundo do herdeiro, que também pôde presenciar enquanto dormia.

Quando ela se levantou, viu Ralf novamente deitado, passando por mais uma evolução. Olhando os cadáveres restantes, haviam agora cerca de uns trinta restantes. Ralf já tinha feito uma evolução e estava a caminho da segunda. Como dito por Rael, Ralf comeria todos e evoluiria várias vezes, chegando a um ponto em que seria novamente útil a Rael.

Emilia se mantinha com uma barreira cercando todo o ponto em que ela, Ralf e os cadáveres estavam. Ela ficaria fazendo companhia a Ralf até ele terminar de comer todos aqueles corpos. Uma besta poderia evoluir quase que infinitamente, então, antes de terminar, Ralf ganharia alguns bons níveis nessa refeição.

― Eu me pergunto quem será a minha irmã que permanece no vulcão do dragão... ― disse Emilia depois de uma curta caminhada. Ela parou ao lado de Ralf, que dormia enquanto evoluía e passou a mão na pelagem do focinho dele. Ralf estava de olhos fechados dormindo tranquilamente enquanto seu corpo brilhava levemente, mostrando que estava em processo de evolução.

_____________________________________________________________________________

No território do clã Sarbaros, os discípulos de Rael continuavam cultivando a todo vapor. Como Rael pediu, Keylla estava vigiando o local. Mesmo tendo alguns guardas de Neide, Rael ainda não confiava completamente. Na velocidade de cultivo deles, não demoraria muito para eles não precisarem de mais nenhuma defesa e serem bem mais fortes que qualquer um daquele clã. Mas, enquanto não eram, Rael iria sempre ficar de olho ou pedir para alguém o fazer.

― Isso é um saco! Eu não gosto de proteger pessoas pouco importantes para mim. ― reclamou Keylla sozinha, sentada em cima do telhado enquanto olhava ao redor. Ela estava em cima da residência da matriarca Ana, que era a casa mais alta e ela tinha vista para praticamente a cidade inteira.

― Eu nunca vi você cultivando antes. ― disse a voz de Ana, surgindo atrás de Keylla. Ana tinha acabado de subir, vendo a moça. Keylla sentiu a presença da mesma enquanto passava embaixo, por tanto não tinha nenhuma surpresa.

― Não preciso cultivar, de tempo em tempo meu cultivo aumenta sozinho. ― disse Keylla despreocupada. Rael tinha dito que Ana era de confiança e a palavra de Rael valiam ouro para a moça, além disso Ana tinha um bônus com Keylla que as outras mulheres não tinham. Ana e Rael não tinham nenhum caso.

― Se eu perguntasse como, você saberia me responder porque isso acontece?

― Não, Ana, eu não sei. Apenas sou diferente de uma pessoa normal. ― respondeu Keylla, sem muito interesse.

― Presumo que Rael esteja envolvido nisso. Eu entendo. Se precisar de algo, me chame. Não suma de repente. ― disse Ana e saltou de volta para baixo sem esperar respostas. Keylla apenas manteve os olhos nos residentes locais, e sem querer, ela encontrou o olhar de Janete em uma janela próxima. Janete parecia bem triste enquanto olhava a rua a frente, sem perceber que estava sendo observada por Keylla.

_____________________________________________________________________________

Violeta visitou Natalia e fez a investigação pedida por Rael. Ela não encontrou nada de errado com o corpo da moça, mesmo após três tentativas. Não havia escudo e não parecia haver nada de errado com Natalia.

― A única coisa que sinto é um súbito cansaço de vez em quando... ― explicou Natalia, quando Violeta perguntou se ela estava bem, ou se tinha sentido qualquer coisa estranha nesses últimos tempos.

― Isso é estranho, eu não consigo achar nada de errado... ― disse Violeta. Era difícil ela topar com algo que ela não conseguisse entender, mas desde que era culpa de uma força maior, ela nada poderia fazer.

― Por que de repente se tornou preocupada comigo? Eu posso estar doente, senhora Violeta? ― Natalia quis saber.

― Rael me pediu, e apenas ele pode responder suas dúvidas. ― Violeta não ia dizer a verdade para não deixar a moça preocupada.

― Então ele despertou? Eu gostaria de vê-lo! ― disse Natalia apressadamente.

― Eu também gostaria! ― disse Mara, que apareceu de repente chegando na sala e pegando o fio da conversa: ― E senhora Violeta, não foi justo o que você fez comigo e com Natalia da última vez. ― Mara estava um pouco irritada por ter sido hipnotizada. Violeta ficou um pouco surpresa porque a mesma lembrava, o que não era normal de acontecer.

Violeta não podia hipnotizar ninguém que estivesse no décimo segundo reino acima, o problema é que as duas estavam no pé do décimo primeiro reino. Violeta acreditava que isso se dava ao registro feito por Alexia. O registro de Alexia aumentava o poder de uma pessoa, a deixando como se fosse um reino ou mais acima do normal. Mesmo que elas não tivessem o conhecimento das leis, ainda poderiam ser tão fortes quando um décimo segundo reino inicial.

― Rael está passando por uma recuperação. Ele vai dormir por mais alguns dias até ficar melhor.

― Não faça mais isso com a gente, senhora Violeta. É doloroso imaginar que ele quase morreu e nós nem íamos saber sobre isso. Me pergunto de que adiantaria eu cultivar feito uma maluca se não posso lutar ao lado do meu homem quando se é preciso. ― disse Mara. Mesmo falando com Violeta, Mara mantinha um temperamento forte. Natalia também sabia o que aconteceu, mas preferiu guardar suas reclamações para si mesma.

― Foi necessário para a proteção de vocês, e prometo que não farei novamente. ― disse Violeta para silenciar as reclamações de Mara. Foi tão fácil que Mara até pensou que tinha ouvido errado.

― E nós podemos ir vê-lo? ― perguntou Natalia.

― Sim, vocês duas podem vir comigo. E Natalia, você passará alguns dias comigo. Eu preciso manter os olhos em você para analisar sobre esses seus súbitos cansaços. ― explicou.

― Eu ficarei sozinha nessa casa? ― perguntou Mara, que já estava acostumada a ter a companhia da bela prima ou de seu amado Rael.

― Sim, ficará. Até Rael se recuperar, você ficará aqui para o caso de Alexia procurá-lo nesse lugar. Alexia pode aparecer a qualquer momento e é importante ter alguém aqui para recebê-la e explicar tudo o que houve. Mas, por enquanto, vocês duas podem vir comigo.

_____________________________________________________________________________

Rael estava dormindo inocentemente com o corpo sentado. Seu rosto estava encostado nos aconchegantes e fartos seios de Rika, que o apoiava com o braço por trás de sua cabeça. Ela bebia um pouco do chá e depois passava para Rael através de um beijo. Sem Rael saber, estava beijando indiretamente os saborosos lábios daquela bela mulher. A cada beijo, Rika depositava o chá na boca de Rael. Conforme Violeta pedira, a celestial estava dando o chá a Rael, que permanecia dormindo já a um dia inteiro. De tempos em tempos ela servia o chá. Isso era para ajudar a acelerar a recuperação de Rael.

Embora Rika estivesse fazendo isso para ajudar Rael, ela estava com o rosto avermelhado. Agora ela sabia bem o que significava um beijo e, como mulher, ela estava beijando o homem que agora ela amava. Sim, Rika agora amava Rael, como Emilia havia deduzido outra vez em uma conversa com Violeta. Era natural que ela se sentisse assim.

O amor de Rika ia um pouco além de proteção, como no geral as mulheres se apaixonariam. Primeiro, pelas ações de Rael, mesmo no momento em que ele não podia salvá-la.Aquilo tocou o coração da celestial porque ela percebeu o quanto Rael se preocupava com ela. E depois, o fator de proteção, o que era natural e, só por último, o fator de ter filhos com o rapaz.

Rika estava tão apaixonada por Rael que, mesmo se ele acordasse e dissesse que não queria filhos agora, ela não iria reclamar muito, porque agora havia outros fatores mais importantes para ficar com Rael. Isso ainda era estranho para ela, porque em sua antiga raça não havia esse tipo de ligação.

― Não vejo a hora de você acordar para te dizer como me sinto por você... ― disse Rika suspirando enquanto deitava a cabeça de Rael confortavelmente de volta no travesseiro. Rika fechou os olhos levemente enquanto arrumava os pensamentos e já os abriu em seguida. Depois se levantou, levando o copo de chá vazio. Na saída, ela encontrou com sua filha chegando.

― Ele está bem, mãe? ― perguntou Rose.

― Está sim. Dormindo, como de costume. Você pode ficar com ele por enquanto, mas não faça nada demais, você sabe que ele precisa de descanso. ― disse Rika.

― Obrigada, mãe. ― Rose sorriu meigamente como agora sabia sorrir e avançou entrando no quarto, enquanto a mãe saía. Rika se virou sentindo a felicidade da filha. Tal felicidade que agora também era sentida por ela. Só a simples presença de Rael já irradiava luz no coração daquelas duas belas celestiais. Para elas, não era complicado mãe e filha amarem o mesmo homem. Elas ainda não tinham todos os traços humanos e mesmo que se tivessem, elas dariam um jeito de conviver com isso.

Rose entrou no quarto e subiu na cama por cima de Rael engatinhando, tomando cuidado para não pisoteá-lo. Chegando na altura do rosto, a bela moça fechou os olhos enquanto segurava os cabelos com uma mão e beijou a face de Rael demoradamente. Se ela tivesse de batom, teria deixado uma bela marca no rosto do rapaz, qualquer homem normal iria querer uma marca do beijo daquela celestial tão bonita e amável. Depois ela sorriu e deitou-se ao lado de Rael.Era uma sorte Keylla ter partido mais cedo para o clã Sarbaros, porque assim ela podia se deitar com Rael.

Rose não era tímida, ela era quieta. Se Rael estivesse em companhia de uma mulher, ela não teria se aproximado, mas como Rael sozinho era diferente.

         A moça se aconchegou agarrando o braço de Rael como se fosse seu tesouro e fechou os olhos.

_____________________________________________________________________________

No salão do clã Torres Romeo estava para lá de irado andando de um lado a outro. Todo esse tempo e nenhuma noticia de Isabela. Era difícil procurar por alguém sem ter informações das pessoas. Com Verom morto agora, eles estavam procurando as cegas e nem imaginavam que Isabela já tinha cruzado para o continente norte. Reges tinha dito que seria melhor ele anunciar que estava procurando Isabela de uma vez, assim haveria mais chances de alguém dizer algo.

― Droga! Eu nunca pensei que teria homens tão incompetentes! Muito bem! Espalhem a notícia de que eu procuro por Isabela. Eu quero ela viva e sem nenhum machucado! Se ousar machucar essa mulher antes de ser entregue a mim, execute-os imediatamente.

― Sim, senhor! E a recompensa? ― perguntou o guarda que estava esperando as ordens.

― 500 mil por uma informação que a encontre. Entregue cem mil para a guilda olho aberto trabalhar espalhando a informação. ― disse Romeo sem pensar muito.

― Como o senhor desejar! ― após reverenciar o patriarca com respeito, o guarda saiu.

                       Romeo afundou-se em sua poltrona e se lembrou do que a esposa disse sobre Rael. Ela só podia estar louca, pensando que aquele jovem os ajudaria.

 

                       Romeo também se lembrou de seu irmão Rayger e Neide. Senão fosse por esses dois, ele já tinha mandado matar Rael a um bom tempo atrás.




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.