O Herdeiro do Mundo

237 - Expansão do Mundo Completo

Violeta segurou Rael cuidadosamente sobre o seu peito nu enquanto se agachava junto para deitá-lo no solo. O jovem tinha sofrido um súbito desmaio devido ao uso excessivo de seu poder. Rael agora parecia dormir confortavelmente com o corpo encostado em Violeta. Emilia e Rika tinha chegado correndo em seguida um pouco depois de Violeta se agachar com o jovem nos braços.

― Ele está bem, Violeta? ― perguntou Emilia preocupada.

― Está sim, não se preocupem. Ele apenas desmaiou. ― disse Violeta, aliviando a expressão das duas outras beldades. Naquele instante, ao saberem que Rael estava bem, as três se olharam com calma e perceberam o real estado em que se encontravam.

Rika tirou o que restava do vestido em trapos e vestiu um novo de imediato, enquanto Emilia vestia uma calça folgada com uma blusa. Enquanto Emilia terminava de se vestir, Rika se ofereceu para segurar Rael e deixar que Violeta se vestisse também.

         As violadoras próximas puderam ver o alto cuidado de Rika para com Rael. A celestial agora tinha olhos amorosos para o jovem e o abraçava com muita ternura, Rael era quase como um bebê em seu colo. Se ninguém pedisse, ela provavelmente passaria todo o tempo possível assim com ele, sem jamais reclamar uma única vez.

― Parece que agora Rika descobriu o que é o amor. ― disse Emilia baixinho no ouvido de Violeta.

― Não importa a mulher, mesmo se ela for de uma raça diferenciada, ela ainda amará um homem que for capaz de protegê-la. ― concordou e acrescentou Violeta no mesmo tom.

― Sim, Rael foi realmente incrível. Ele ficou muito mais forte que nós duas. ― disse Emilia, olhando em volta o resultado da batalha.

A ilha tinha sofrido muitos danos severos, e ainda havia muitos buracos próximos da cratera do ataque de Emilia e Violeta. Aquilo apenas mostrava o quanto a batalha havia sido pesada. A ilha ainda está de pé era de fato um verdadeiro milagre.

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Do outro lado da ilha, Rayger, Neide, Keylla e o restante viam Ralf comendo os cadáveres dos devoradores mortos, os cultivadores quase atacaram a besta, mas foram impedidos por Neide, Rayger e Keylla, que explicaram que essa besta era de Rael, os acalmando, por fim. Ralf parecia que estava morrendo de fome e devorava um corpo atrás de outro, as pessoas que assistiam não conseguiriam imaginar para onde estava indo tanta comida.

Rael tinha soltado Ralf antes da batalha e o avisou para ficar de longe e, quando tudo estivesse resolvido, ele poderia aparecer e comer os corpos dos devoradores para a sua própria evolução. Rael tinha sentido que Ralf estava triste por ser fraco e não estar mais o acompanhando, por isso teve a ideia de trazer Ralf junto à batalha.

― Eu acho que agora ele fez uma pausa... ― disse Duval olhando atentamente. O imenso tigre tinha se sentado e parecia estar com sono depois da farta refeição. Ele tinha engolido aproximadamente vinte devoradores em pouquíssimo tempo.

Rika chegou voando e avisou a todos os presentes que a batalha terminou. Ela explicou que a líder dos devoradores foi morta e que agora não haviam mais outros devoradores sobreviventes.

― Agradecemos muito pelo apoio de vocês, mas agora podem se retirar. ― Rika falou com os demais. Astrid, Duval e os cinco homens entenderam que era hora de ir embora. Eles não ficaram muito satisfeitos com as severas perdas que tiveram na batalha e a maneira um tanto forçada que Rika estava os fazendo ir embora, mas depois de verem tudo que aconteceu no dia, não iriam criar caso por isso. Eles se viraram e saíram voando, depois de olhar uma última vez para Keylla.

Depois que os sete cultivadores sumiram no horizonte, Rika explicou os detalhes da batalha para os que ficaram.

― Rael está bem? Ele não corre perigo? Eu preciso vê-lo! ― Keylla imediatamente pulou sobre Rika com essas perguntas. Agora que as batalhas tiveram fim, Rayger e Neide não precisavam mais do apoio de Keylla. Sendo assim, a dama estava livre da ordem dada por Rael anteriormente.

Após as explicações, Rayger e Neide foram para casa, eles iriam contar tudo o que aconteceu para as esposas de Rael. Emilia ficou na ilha com Ralf para protegê-lo e se certificar que ficaria tudo bem em seguida. Mesmo com o portal fechado por mais alguns dias, ainda poderia ser perigoso caso algum devorador conseguisse passar. Todos sabiam que aqueles invasores não eram todos os devoradores que habitavam no outro mundo, portanto, ainda teriam que ficar atentos caso houvesse outra invasão. Violeta, Rika e Keylla voltaram para o esconderijo, levando Rael desmaiado em segurança.

Rael foi posto na cama em seu quarto e continuava dormindo suavemente sem dar sinais de que acordaria facilmente.

― Violeta, ele ficará bem mesmo? ― Keylla perguntou novamente ao lado da cama.

― Ele está bem, Keylla. Está apenas exausto, e vai se recuperar com algum tempo de descanso. Você pode ficar com ele, se quiser. ― dizendo isso, Violeta saiu do quarto. Rika estava do lado de fora, no corredor, junto a sua filha Rose. As duas celestiais trocaram seus pensamentos sobre a batalha ocorrida. Rose estava fortemente abraçada com a sua mãe, feliz por tudo ter terminado bem. Mas quando Violeta saiu do quarto, as duas cercaram Violeta como se quisessem o máximo de informações sobre o estado de Rael.

― Façam o que quiserem. Eu preciso de um tempo para descansar. Sobre Rael, ele vai ficar bem com algum tempo de descanso. ― Violeta repetiu aquilo várias vezes durante o retorno para o esconderijo e foi bem direta nas últimas para não ter que repetir mais.

― Keylla está com ele? ― Rika perguntou cautelosa.

― Ela é a guardiã dele, Rika. Sempre que puder, ela vai estar ao lado dele. Acostume-se. ― avisou Violeta e depois saiu caminhando para o seu quarto.

Violeta suspirou fundo quando chegou ao próprio quarto e prontamente engoliu uma droga antes de se deitar. Se ela estivesse certa, encontraria com Rael na biblioteca.

No quarto com Rael, Keylla estava deitada ao lado do jovem. Ela segurava a mão direita de Rael com a sua própria mão direita e, sem ela perceber, um brilho tinha se formado sobre as duas mãos atadas. O símbolo em forma de 8 na mão dela estava brilhando. Keylla estava apenas ali parada, deitada de lado confortavelmente virada para Rael quando foi tomada por um sono repentino, algo que ela nem ao menos conseguiu controlar. Em segundos, a visão dela se escureceu.

― ‘Rael!’ ― Keylla pensou aturdida e no segundo seguinte do seu pensamento ela caiu confortavelmente em cima de uma cama macia. Sua mão direita ainda brilhava, e agora, olhando a própria mão, ela viu surpresa o símbolo em forma de oito se apagando lentamente.

― Que lugar é esse? Onde será que estou? ― Keylla se perguntou sozinha se levantando e olhando ao redor. Fileiras de estantes com livros se estendiam a sua volta e ela de começo ficou um pouco atordoada devido ao local.

― Rael! ― Keylla, que já tinha conhecimento do verdadeiro nome de Rael, gritou e correu seguindo seus instintos. Ela podia sentir a energia de Rael viva naquele lugar e seus instintos lhe davam a direção de onde ela o encontraria. Não demorou muito para chegar em um portão duplo aberto, que dava em uma espécie de colina, como se tivesse no alto de alguma cidade longínqua. À frente estava Rael, em pé ao lado de um banco de madeira, observando atentamente a visão de frente. A primeira coisa que Keylla fez foi abraçá-lo por trás, Rael sorriu se virou e devolveu com carinho o abraço da bela moça:

― Eu estava tão preocupada com você! Que bom que está bem! ― Keylla não conteve a emoção de poder ficar com Rael novamente. Essa moça, que antes queria matá-lo, agora só queria o bem para Rael. Podia-se dizer que ela tinha mais preocupação com Rael do que qualquer uma de suas mulheres.

― Fico feliz que você também ganhou acesso a esse mundo. ― disse Rael, mantendo um sorriso despreocupado. Nem parecia que eles tinham passado por um momento tão complicado enfrentando os devoradores.

― Eu ia perguntar isso agora, eu estava na cama com você e de repente peguei no sono. Eu sinto que já estive aqui, mas não tenho certeza... ― disse Keylla soltando Rael e olhando em volta.

Atrás de onde ela veio tinha uma gigante propriedade que lembrava a forma de um galpão extensivamente largo, cujas laterais mal podiam ser vistas o fim de tão largo que eram. A frente do lugar tinha várias portas duplas fechadas que davam acesso a vários bancos, como esses que Rael estava próximo. Abaixo, seguia-se uma paisagem de tirar o ar. Havia várias árvores espalhadas por todo o horizonte. Eram árvores variadas, tanto na folhagem na coloração, tendo até mesmo algumas de folhas brancas. Do lado direito tinha uma grande cachoeira jorrando água em rochas brancas e azuis, e a queda da cachoeira tinha dezenas de metros; abaixo, seguia-se uma vasta trilha cruzando por quase toda a paisagem até chegar em um rio gigante ao fundo.

― Esse é o nosso mundo. Por isso me chamam de Herdeiro do Mundo. Essa paisagem que você vê, essa biblioteca atrás de nós, tudo é um mero pedaço do que realmente nos pertence.

― Nosso mundo?

― Como minha guardiã e minha esposa, é natural que o que eu tenha seja nosso. ― disse Rael. O coração de Keylla se encheu de alegria ao ouvir aquelas palavras. Saber que tinha seu amado vivo e bem e que também tinha um lugar somente deles a encheu de satisfação.

― Se é nosso, porque só podemos vir aqui dormindo? Isso não seria como um sonho?

― A verdade é que estamos aqui fisicamente também. Não sei explicar, mas coexistimos com este lugar, mesmo que nossos corpos estejam na cama nesse momento. De uma forma geral, existe uma maneira de chegarmos a esse mundo sem ser dormindo, mas não me lembro como... ― disse Rael e coçou o queixo enquanto pensava.

― Talvez se encontrarmos Isabela podemos ter essa resposta, não? ― Keylla perguntou animada.

― Sim, eu já sei como encontrar Isabela, algo dentro de mim me deu algumas respostas. Tudo que eu preciso fazer é acordar, mas acho que vou levar um certo tempo até recuperar a energia do meu corpo físico para voltar à realidade.

― Não se preocupe, ficarei aqui com você. ― disse Keylla.

― Agora que você entrou nessa dimensão uma vez, toda vez que dormir estará comigo. Nesse momento eu devo estar no esconderijo, certo?

― Correto. Violeta trouxe você para cá. O que você fez para gastar tanta energia assim?

― Eu não sei, mas sei que foi algo necessário. ― disse Rael, se lembrando de ver Rika bem antes do seu desmaio.

― Rika está bem? ― Rael queria confirmar se não era um devaneio seu.

― Sim, ela está. Todos nós estamos, graças a você. ― disse a moça, que tinha escutado por alto sobre Rael ter destruído a devoradora.

― Quero fazer um pedido a você, Keylla. Sei que quer ficar comigo junto ao meu corpo físico nesses dois lados, mas peço para que retorne ao clã que eu te coloquei inicialmente. Você é a única com o poder capaz de proteger aquele lugar caso o clã Sangnos deseje alguma retaliação devido aos ocorridos. Se tudo saiu como o esperado, então Violeta, Rose e Rika ficarão cuidando de mim, enquanto Emilia estará ocupada cuidando de Ralf e da ilha. Então, peço que fique no clã por esses dias até que eu me recupere totalmente.

― Mas eu queria ficar com você... ― Keylla ficou um pouco chateada com o pedido repentino de Rael.

― Sempre que dormir você estará aqui comigo, não passará nenhum dia sem me ver de qualquer maneira.

― Tem certeza disso?

― Absoluta. Você fará o que estou pedindo? ― perguntou Rael, e nesse momento viu uma segunda figura feminina surgir na porta. Essa era uma ruiva incrivelmente bonita que seria facilmente reconhecida em qualquer lugar, Violeta. Enquanto Rael a via se aproximando, Keylla fez um sim, confirmando que cumpriria o desejo dele.

― Esse lugar é mesmo muito bonito. Faz jus ao nome de ser um mundo digno de ser seu. ― disse a voz de Violeta atrás deles. Keylla foi a única a ficar um pouco surpresa porque Rael já havia notado a presença dela antes.

― Bem vinda. ― disse Rael.

― Eu não me lembro ter visto essas várias portas nas ultimas vezes que estivemos aqui, o que aconteceu? Esse lugar aumentou de tamanho, ou eu estou enganada?

― Aumentou sim. Conforme recupero o meu poder, esse lugar se expande, há muito mais coisas para serem vistas além disso. ― disse Rael.

Nas beiradas das paisagens haviam placas de metais ao fundo, como se fechassem a rota que eles poderiam seguir. Isso indicava que, apesar de parecer um lugar extenso, o local ainda era limitado. Acima tinha um céu normal e o que parecia ser um intenso sol brilhante.

― Rael, você recuperou parte de suas memórias? É por isso que agora esse lugar foi liberado? O poder que você mostrou para derrotar a devoradora ultrapassou em muito o meu e o de Emilia juntos. ― disse Violeta.

― Huuum, eu pensei sim que poderia tê-la derrotado, mas não me lembro de nada. Me lembro de ver Rika morrendo, de ver você morrendo e de achar que tudo estava perdido. Então, de repente, eu vejo todas vocês bem e Rika completamente recuperada antes de desmaiar. Aquela aflição que eu sentia no peito também tinha passado, então imaginei que a devoradora havia morrido, mas não sabia como.

― Resumindo, você não se lembra de tê-la destruído com aquele devastador ataque dos círculos?

― Não, eu não me lembro. ― disse Rael. Apesar de não se lembrar, o jovem não demonstrava nenhuma surpresa ou choque, Rael estava muito calmo durante todo o tempo.

― Eu compreendo. Isso é parte do seu poder, aos poucos você deve se lembrar. ― disse Violeta, sem querer preocupar o rapaz.

― Se todos estão bem e os devoradores foram derrotados, então não há motivos para novas preocupações.

― Ainda há. Lembre-se que ainda temos o outro mundo. Aquele portal poderá ocasionalmente se abrir e aquelas coisas nos atacarão novamente. mas acho que a pior parte já passou. ― disse Violeta.

― Eu sei como fechar aquele portal agora. No momento que eu acordar eu fecharei! ― disse Rael com firmeza.

― Isso é bom, mas ainda ficamos com os inquilinos do outro mundo. O outro Rael, a outra Mara e companhia. Também não podemos deixar os devoradores consumirem completamente um mundo alternativo, pode ser bastante perigoso.

― Acho que você tem razão, devemos acabar com qualquer chance de deixar Cristalandio ser renascido.

― Quando você se recuperar, escolherá entre Emilia e eu para eliminar os devoradores do outro lado e extinguir de vez essa praga. Depois devolveremos os inquilinos de volta para o seu mundo e encerramos de vez esse assunto. ― disse Violeta.

― Não acha errado mandar os outros de volta para um mundo em ruínas?

― Se eles não quiserem ir, os levamos para outro lugar e arrumamos um local para eles viverem em paz, eles podem decidir isso, mas eu não quero eles o tempo inteiro em meu esconderijo, não me sinto segura.

― Eu entendo. Quando você acordar, eu quero que você faça uma visita a Natalia e veja se ela está bem, se ela tiver algum problema faça o que for necessário para ajudar ela até que eu me acorde ― disse Rael se lembrando de sua esposa e a marca do Espectro Sombrio. Se ele estivesse certo a marca estava nela, Rael só achou estranho não tê-la encontrado quando vasculhou o corpo dela liberando o poder e curando as veias.

― Natalia? Ela está com problemas?

― Sua percepção é quase como a minha. Eu, apesar de já ter conferido o corpo dela, posso ter deixado passar algo. Quero que você confira uma segunda vez. Se eu estiver certo, o Espectro Sombrio pode estar em Natalia. ― disse Rael.

― O tal demônio que controla o poder dos mortos? Rael, eu não tenho conhecimentos sobre isso. Mesmo se eu encontrar a marca nela não poderei fazer nada. Dependendo do estado dela, posso apenas passar alguns remédios. ― avisou Violeta.

― Eu sei, você cuida dela até eu acordar, ou até Alexia aparecer novamente. Alexia deve saber o que fazer nesse caso. Se precisar, traga-a e a mantenha no esconderijo para você ficar de olho. ― disse Rael.

― Se for perigoso eu não a deixarei perto de você.

― Eu não sei se será perigoso mas, se ela realmente tiver a marca, teremos que achar um jeito de consertar isso, portanto você fará exatamente o que eu te pedi. Eu não deixarei que mais nenhuma pessoa importante para mim morra por qualquer motivo.

― Tudo bem, verei o que eu posso fazer. ― concordou Violeta.

― E Ralf? Ele está bem?

― Emilia ficou na ilha cuidando dele como você pediu anteriormente.

― Enfim, ninguém se machucou, não é? Você não me contou como os outros se saíram. Então devo supor que a batalha dos outros foi boa?

― Eu achei que Keylla já poderia ter lhe contado. Bem, todas as pessoas que importam sobreviveram. ― resumiu Violeta.

 

― Isso é bom. ― disse Rael satisfeito.




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