O Herdeiro do Mundo

229 - Fama

A multidão gritava freneticamente em êxtase. Entre eles estava Alexandre, que tinha os olhos arregalados. Ele se estremecia desacreditado, sua vingança se acabou, por fim, em uma absoluta falha. Com Rael vencendo o torneio gloriosamente, ninguém jamais ousaria lutar contra ele. Alexandre, vendo que não havia mais qualquer chance de futuro nessa vingança insensata, pegou em seu bracelete uma pequena garrafa com um liquido escuro e o ingeriu de uma só vez. ‘Me perdoe, pai, mas não posso mais continuar desse modo...’Alexandre pensava enquanto tomava o líquido venenoso. Segundos depois, largou a garrafa levando ambas as mãos para a garganta, ele estava com dificuldades em respirar e caiu babando no chão, chamando atenção de algumas pessoas ao redor.

Em outra parte do público que continuava gritando, estava um homem moreno e forte, mas hoje sem sua armadura pesada. Tempos atrás, este homem ousou entrar no caminho de Rael, e atualmente ele continuava sendo um quinto reino. Este homem, Terry, tempos atrás havia dito que a caçada de Rael era uma farsa e o desafiou, dizendo que iria aguentar três movimentos do jovem, que na época era um mero terceiro reino. No entanto, perdeu apenas com um e quase morreu com o golpe recebido. Além da derrota humilhante e dos dias de sofrimento, ele ainda ficou devendo uma fortuna para vários conhecidos e demorou vários meses para quitá-las. Rael tinha o deixado em um péssimo estado, física e economicamente. Vendo Rael vencendo um torneio com décimos segundos reinos, ele quase quis chorar arrependido de seu passado, pelo atrevimento em desafiar aquele jovem.

Depois daquele desafio, todos abandonaram Terry e ele virou um caçador solitário. Até mesmo o seu melhor companheiro o deixou de lado devido a dívida. Terry, de um homem corajoso, aventureiro e destemido, virou um cara covarde, pessimista e amedrontado. Ele não ousava mais mexer com ninguém que não conhecia, mesmo com os que aparentassem ser mais fraco.

Quando os aplausos e comemorações cessaram, as pessoas começaram a partir. O clã Sangnos foi o primeiro a se retirar do local, eles pareciam muito preocupados e quanto menos atenção chamassem melhor seria para a salvação de seus negócios.

O imperador finalizou o evento com um discurso, explicando as premiações do segundo e terceiro lugar. Quanto ao primeiro, sendo Rael o vitorioso, ele não precisava oferecer nada além do que estava implícito. Em algum momento futuro, Rael se casaria com Anita e assumiria o seu lugar no trono imperial. Elidas estava cansado e não queria passar o restante de seus dias comandando o império, ele queria viajar e desfrutar cada local do continente Sul, de modo que alguém capacitado assumiria o seu lugar mas, obviamente, ele quer que o império fique estabilizado quando ele saísse do poder. Por isso ele armou tudo isso minuciosamente.

― Por que ele não me anunciou? ― perguntou Rael ao lado de Neide, eles ainda estavam na arena e o imperador agora estava ocupado, cumprimentando várias pessoas próximas.

― Você ainda nem se casou e quer virar imperador assim? ― lembrou Neide, sorrindo levemente para o genro.

― Ah... Tem esse detalhe... ― disse Rael, se lembrando que seu terceiro casamento ocorreria em um mês.

― E ele não te entregará o poder assim que se casar. Ainda levará um certo tempo, acredito. ― disse Rayger do lado.

― Tanto faz, se for o caso... ― disse Rael um pouco desanimado. Ele acreditava que, vencendo o torneio, sua recompensa seria imediata.

Anita se aproximou e parabenizou Rael pela vitória. A moça queria fazer mais do que abraçar seu noivo mas, sob os olhares afiados de Mara e Natalia, ela não o fez. Obviamente, ela ainda não era casada e portanto não tinha o direito de ir muito além na presença das esposas oficiais.

― Eu só quero dizer que não tenho nada contra você. Contanto que no futuro você traga glórias ao nosso império, eu também te parabenizo pela grande vitória de hoje. ― disse Alana cordialmente. Alana tinha vindo cumprimentar Rael após a saída da irmã mais nova.

― Obrigado. ― respondeu Rael educadamente de volta. Alana fez uma reverência gentil, levantando as abas do vestido, e depois seguiu o caminho com alguns de seus protetores.

― Pois bem! Acabou, genro. Vamos voltar para casa. Agora seus feitos devem estar sendo comentados em todos os cantos desse continente e as pessoas não irão mais duvidar de sua incrível capacidade. No futuro, quando se tornar imperador, você não terá problemas de oposição. ― disse Neide satisfatoriamente.

Antes de saírem da arena, o imperador se apressou na direção deles e os fez parar:

― Jovem Samuel, eu o agradeço por ter vindo e vencido o torneio. Eu nunca duvidei de você! ― disse Elidas com um bom sorriso. O homem parecia muito satisfeito com todo o desfecho.

― Isso não foi nada. ― disse Rael. Vencer o torneio tinha sido extremamente fácil, graças ao apoio de Rose, Rael não precisou nem se esforçar muito nas batalhas.

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Elisa entrou no salão principal do clã Torres bem vestida e cheirosa, ela parecia ter acabado de sair de um banho, porque até seus cabelos estavam molhados. Romeo teria mandado qualquer um sair de sua presença imediatamente se fosse outra pessoa, mas sendo sua esposa Elisa, ele se conteve e aguardou a aproximação.

Desde o sumiço de Isabela, Romeo não teve mais nenhum resultado e andava furioso com isso.Metade de seus homens estavam vagando pelo mundo procurando esta mulher sem qualquer sinal dela. Reges e seus homens nunca mais tinham pisado o pé no clã, isso porque eles só voltariam se encontrassem Isabela, as ordens de Romeo eram essas.

― Meu amor, temos um assunto importante a tratar. ― disse Elisa calmamente, parando em frente ao assento do patriarca. Ela estendeu um papel com o resultado do torneio imperial e a imagem de seu genro Samuel estava pintado em destaque na imagem, como o vencedor principal. Romeo fez menção de bater a mão no papel de forma a lançá-lo longe, mas ao reconhecer a imagem do jovem ele o agarrou, tirando das mãos de sua mulher.

― Samuel Raymonde venceu um torneio feito com participantes do décimo segundo reino? ― perguntou Romeo, colando os olhos no papel como se estivesse lendo as informações erradas. Era um papel amarelado, com a imagem pintada de Rael e algumas letras formando um texto, explicando o conteúdo como se fosse uma pequena informação jornalística. Além de informar o vitorioso Rael, ainda anunciava a posição dos clãs que ficaram em segundo e terceiro lugar, mas sem imagens.

― Exatamente. Samuel venceu todas as batalhas sem sofrer sequer um ferimento. Mais da metade dos participantes desistiram por medo dele em combate. Atualmente, Samuel tem um enorme respeito por muitos grandes clãs, e pode-se dizer que ele é o jovem mais famoso de todo o nosso continente. ― disse Elisa permanecendo serena.

Romeo tinha ficado tão afundado, concentrado com o caso de Isabela, que não teve olhos para mais nada, nem ninguém.

― Mas ele não era um simples sétimo reino? ― perguntou Romeo surpreso.

― Sim. Era, e ainda parece ser.

― Então, como um sétimo reino pôde vencer tanta gente poderosa? Isso não tem explicação. Em toda a minha vida, nunca vi nada assim antes. ― disse Romeo impressionado.

― O cultivo dele é extremamente acelerado e misterioso. Seus níveis e reinos parecem aumentar várias vezes mais rápido do que uma pessoa comum. Ele já ultrapassou a marca de gênio há muito tempo, marido.  Sua força é sem igual. Foi dito neste torneio que seu poder se compara ao de reinos finais, sendo talvez até mais forte que alguns nos níveis iniciais.

― Um gênio que supera os gênios... ― disse Romeo, em um tom pensativo. Naquele momento ele se arrependeu de ter feito pouco caso de Rael no passado, mas agora era tarde para tomar qualquer medida.

― Sim. Um gênio sem igual. ― disse Elisa, fazendo os olhos de Romeo se concentrarem.

― E então, o que você quer me mostrando isso? ― perguntou Romeo.

― Talvez ele possa nos ajudar. Ele pode garantir a nossa estadia no poder por mais alguns anos. ― propôs Elisa.

― Nós nunca fizemos nada em relação a ele, porque achas que ele teria interesse em nos ajudar? ― perguntou Romeo, entregando o papel novamente para a sua esposa.

― Natalia ainda é nossa filha. Se houver um filho entre eles, então o futuro dessa família ainda estará assegurado.

― Besteira! Esse jovem apenas a tomou de nós, além do mais, apesar de todas as nossas regras, são eles que decidiriam se essa criança lutaria ou não no torneio por nós. ― disse Romeo.

― Nós temos que tentar. ― insistiu Elisa.

― Se você não pode mais me gerar filhos, dê o fora. Não venha com essas ideias estúpidas para o meu lado. Eu bem sei que aquele jovem não gosta de nós, então, não pense que ele faria qualquer coisa a nosso respeito. ― disse Romeo. Rael, durante todo esse tempo casado com Natalia, nunca foi atrás do mesmo, e essa foi a razão que o fez pensar nisso. Além do mais, Rael tomou a filha dele a força e isso ele jamais se esqueceria. Na época, Romeo tinha pensado em se vingar de Rael, mas tudo recairia sobre ele, por isso desistiu de agir. Romeo não fazia ideia de que sua esposa tinha estado por trás de tentativas constantes de matar Rael.

Elisa se encheu de tristeza com a resposta dura de seu marido. Ela sempre o apoiou em todos os momentos, foi leal, amiga, companheira, e agora ele sequer ouvia um simples pedido dela. Era verdade, ela queria muito a cabeça de Rael mas, no estado atual, com a incontestável fama de Rael, nenhuma guilda de assassinos ousaria fazer qualquer coisa, seria suicídio. Naquele momento, todas as cartas na mesa tinham virado de lado e ela não viu outra opção a não ser tentar recorrer ao marido para uma aproximação conjunta.

― Sinto muito por tê-lo incomodado... ― após dizer isso e fazer uma reverência educada ao marido, Elisa se virou com tristeza e saiu com um olhar perdido em pensamentos. O que ela poderia fazer sozinha para diminuir a raiva de Rael sobre eles?

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No dia seguinte após o torneio, Rael já estava de volta em casa com suas esposas. Eles ainda estavam tentando pôr as coisas de volta no lugar. Rael queria um tempo para voltar ao esconderijo e verificar como andava o caso dos devoradores, mas ele recebeu um chamado de Keylla o avisando que gostaria de vê-lo naquele instante.

― ‘É melhor que você venha, eu não gosto de ficar esperando. Caso contrario, irei te buscar aí!’ ― disse Keylla.

― Eu vou sim, mas vou fazer isso mais tarde. Tem algo importante que requer minha atenção por agora. ― explicou Rael com a mão levantada, enquanto falava no anel. Ele estava acabando de sair de casa.

― ‘Mais importante do que vim me ver? O que é, então? ― insistiu Keylla.

― Quer vir comigo? Assim fica melhor, porque você mesma vê com os próprios olhos. ― disse Rael, que não conseguiu pensar em mais nada. Ele iria falar a verdade para Keylla e deixar que ela soubesse sobre os devoradores.

― ‘Eu adoraria, você vem me pegar, senhor dono de um poder final?’ ― perguntou ela, com um tom provocativo.

― Eu não sou um reino final. ― disse Rael.

― ‘Conta outra! Eu vi o seu poder, estive assistindo suas lutas. Não sei como consegue enganar a maioria das pessoas, mas a mim você não engana!’

― Eu jamais enganaria você, Keylla. Sabe que eu não faria isso. ― disse Rael, calando a moça no mesmo instante. Rael não se preocupou em subir voando mesmo diante de várias pessoas que pararam para vê-lo. Além disso, Rael sumiu como uma flecha no horizonte, seu poder atualmente era incrível.

― ‘Se não é um reino final, então como está tão poderoso?’ ― Keylla tinha feito uma pausa, mas não desistiu de ouvir a resposta.

― Eu tenho um contrato com a humana celestial Rose. Dessa forma, eu posso usar os poderes dela junto aos meus, o que me deixa incrivelmente mais forte. ― explicou Rael.

― Oh... Um contrato...

Chegando ao clã, na residência de Ana, Keylla fez Rael buscá-la no próprio quarto. Quando Rael entrou,fora empurrado subitamente na direção da cama. Por não esperar pelo movimento, ele acabou caindo sentado na beirada. Keylla tinha acabado de fechar a porta e fazer a chave desaparecer em seus dedos, lançando-a para o bracelete. Rael ia dizer algo, mas congelou ao ver Keylla somente de calcinha e sutiã.

Keylla era incrivelmente bonita, seu ventre perfeito combinando com uma cintura perfeitamente simétrica parecia formar dela uma verdadeira deusa. Rael podia dizer sem medo, nesse momento, Keylla parecia muito mais sensual até mesmo do que Andréa. Exatamente, a mulher de beleza comparável a uma violadora.

― Você acha que vamos a algum lugar sem você me satisfazer? Melhor pensar novamente... ― disse Keylla, sentando no colo de Rael como na primeira vez. Os olhos, a boca, tudo em Keylla era bonito de se ver. Quando ela sentou sobre o colo de Rael, ela já sentiu ele duro por baixo. Como alguém não ficaria?

Beijos e caricias foram trocados, roupas arrancadas e não demorou muito para os dois caírem na cama agarrados, gemendo, arfando, transpirando. Cada movimento com os corpos unidos causavam mares de prazer em ambos, sensações capazes de fazer perder o juízo. E por mais que eles fizessem, a sede não parecia diminuir.

Assim os dois passaram boa parte da tarde. Embora Rael quisesse ficar mais tempo com a moça, ele teve que forçar uma parada cerca de quase uma hora depois.

― Nós temos que ir, Keylla. Eu realmente tenho algo importante a tratar. ― disse Rael, com a moça por cima dele. Keylla não queria sair, ela estava viciada naquela sensação, ainda mais depois que já enfrentou todo o ardor com a sua primeira vez.

― Só mais uma... ― ela insistiu enquanto rebolava por cima de Rael, fazendo ele gemer junto com a moça. Keylla sabia que Rael ainda estava no clima porque continuava duro e a todo vapor.

Alguns minutos depois eles estavam vestidos e deixando a residência. Keylla acompanhou Rael com um sorriso satisfatório, que mostrava o quanto ela estava feliz por estar com ele.

― Eu vou te levar para irmos mais rápido. ― Rael estendeu a mão e o corpo da moça se escorou nele, sendo envolvida pelo abraço de Rael. Rael segurou a cintura de Keylla enquanto ela o olhava sensualmente nos olhos. Rael engoliu um bocado de saliva porque, mesmo após terem feito como animais por um pouco mais que uma hora, o desejo de fazer mais ainda estava estampado no rosto da jovem. Na verdade, a sede sexual de Keylla era muito maior do que a de Rael pelo fato dela passar dias sem fazer, enquanto Rael tinha suas belas esposas para saciá-lo.

 

― Espero que isso seja importante o suficiente para nos tirar de um momento bom como aquele. ― disse ela, abraçando Rael. Ainda não era fácil Rael sentir o corpo de Keylla, mesmo com roupa, o envolvendo daquela forma. Parecia que, por mais que ele fizesse sexo com a jovem, ele nunca pudesse se acostumar com o corpo dela, porque a atração que ela exercia sobre ele era enorme. Mesmo sem conhecer Keylla, Rael não teria dificuldades em trocar uma de suas maravilhosas esposas por essa mulher. Talvez fosse destino, talvez um tipo de amor doentio, ou loucura, até mesmo os instintos do herdeiro se aflorando, mas essa era a sensação que Rael sentia por Keylla. E, para Keylla, o sentimento não era muito diferente do seu amado. O homem que a carregava agora era como um deus, como o seu deus, no qual ela serviria e se deliciava infinitas vezes com prazer e satisfação.

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