O Herdeiro do Mundo

228 - Resultado do Torneio

No local onde acomodava o clã Sangnos, todos estavam pálidos. A ordem era para que Diego desistisse da luta e recuasse, mas o mesmo se recusou a cumpri-la e ainda desafiou Rael. Quem seria louco o suficiente para desafiar Rael depois de tudo que viram?

Ariel levou a mão para o peito enquanto continha seu nervosismo. Foi descoberto que havia dinheiro envolvido nesse combate com o jovem mestre do clã Torres. Diego era também um mercenário, e tinha seus próprios métodos sádicos de exterminar suas vitimas. Se não fosse por enfrentar Rael, talvez ele pudesse realmente vencer o torneio, porque era provavelmente o décimo segundo reino mais poderoso ali. Sem mencionar que Diego tinha excelentes técnicas de combate.

Alexandre, filho do falecido patriarca Arthur, tinha comprado Diego. Ele ofereceu 500 mil moedas de ouro pela cabeça de Rael e, como antecipação, deu ao mercenário 200 mil moedas de ouro. Diego receberia o restante do valor depois de matá-lo ou se o vencesse no torneio. O ignorante Alexandre pediu para que ele pelo menos aleijasse Rael, caso não conseguisse matá-lo. Rael tinha habilidades regenerativas, mesmo se fosse aleijado, ele se recuperaria rapidamente, mas, é claro, nem todos saberiam dessa capacidade.

Diego, apesar de ver tudo que Rael fez, estava certo que poderia vencê-lo ele conhecia técnicas mortais que considerava muito mais poderosas que simples raios de luz, na opinião dele.

― Aquele idiota! ― Ariel disse nervoso, se mexendo em seu lugar no banco. Samara alisou as costas do seu pai, tentando trazer algum alívio ao homem. Os outros elders só poderiam lamentar, pois se Diego irritasse realmente Rael, a primeira coisa que o jovem faria quando entrasse no poder final seria destruí-los. Para Ariel, aquilo era um pesadelo sem fim, tanto o pai quanto o filho não aprenderam que mexer com Rael não era uma boa ideia.

Alexandre não estava junto com o clã, ele estava na multidão, misturado aos demais expectadores. Alexandre agora tinha uma expressão rabugenta, sua face se manteve assim desde que cruzou com o caminho de Rael. Atualmente, ele era forçado a usar uma espécie de fralda, porque não conseguia conter sua urina, então constantemente ele se molhava e as pessoas em volta dele só podiam se afastar e rir com piadas infames. Quanto às mulheres... O que era isso para ele agora? Alexandre nunca mais soube o que era sentir prazer. Tudo que ele mais queria era ver Rael morto, se ele pudesse presenciar a morte do rapaz, então poderia se matar em seguida, visto que o mundo praticamente acabou para ele. No momento, tudo o que movia as forças de Alexandre era aquele fogo chamado vingança.

― Acabou com minha vida, e ainda matou o meu pai. Você não será perdoado! ― disse Alexandre, certo de que Diego conseguiria fazer algo para derrotá-lo. Ele estava tão cego em seu desespero vingativo que também não quis enxergar todas as façanhas de Rael no decorrer do evento.

― Podem começar! ― anunciou o juiz do lado de fora da barreira.

Zuuuuup!

Rael desapareceu dos olhos de Diego antes mesmo que ele pudesse sequer piscar. Uma sombra chegou a frente dele e Diego começou a raciocinar que essa sombra só poderia ser Rael. Ele tinha ficado tão surpreso com a velocidade do jovem que, quando percebeu, já estava sendo golpeado:

Boooooom!

Um soco foi dado no peito de Diego com a mão direita. Rael não o socou com o Impacto Invisível nem utilizou muita força no golpe, mas usou bastante de seu poder recém aprendido na última batalha. Ele nomeou aquele poder de “Limite das Leis”. O que se viu a seguir foi muito peculiar, o corpo de Diego brilhou intensamente, sendo tomado por uma onda escura do local do golpe até o pescoço e também para o restante do corpo abaixo de onde foi atingido. Junto a esse brilho, havias letras misteriosas que pareciam o poder das leis, mas só quem podia vê-las eram décimos segundos reinos para cima. Mesmo que eles as vissem, não podiam compreender todo o significado.

O intervalo entre o soco de Rael e o brilho tomando o corpo de Diego foi de apenas dois segundos. Diego não saiu do lugar e chegou a levantar as mãos para reagir, mas parou de repente.

O que ocorreu em seguida foi uma cena chocante. O corpo de Diego não foi ferido externamente, nem sequer derramou sangue. Ao que parecia, o golpe de Rael não havia machucado o oponente.

― Aaaaaaaah! ― Diego gritou, sentindo como se todos os seus ossos estivessem sendo triturados por dentro. A dor foi insana e ele perdeu subitamente todos os movimentos do corpo. No segundo seguinte, o corpo dele desmoronou sobre seu próprio corpo como se fosse um tapete caindo e se curvando em várias partes. Praticamente sem ossos, o corpo de Diego tinha virado o que parecia um amontoado de geléia derretida. A única coisa inteira era a cabeça dele.

Todos ficaram perplexos e até apavorados com a cena, era a cabeça de Diego em cima de um corpo desmanchado no chão, era uma coisa horrível de ser presenciada. O pior era que Diego ainda estava vivo e acompanhando o processo em primeira mão. Como o corpo tinha se tornado gelatinoso e derretido, a cabeça ainda escorregava e isso permitia a ele a visão horripilante de ver seu próprio corpo naquela delicada e cruel situação. Isso sem mencionar a dor aguda de ter todos os órgãos sendo esmagados junto com os ossos de uma única vez. Diego já não podia mais falar devido a sua condição, porém, se pudesse, certamente imploraria para Rael matá-lo o mais rápido possível e ainda assim seria eternamente grato por dar um fim naquela dor insuportável.

― O quê!? ― alguns gritaram se levantando. A arena inteira estava se pondo de pé depois de presenciarem tal horrível cena, parecia um pesadelo.

― Que nojento! ― algumas mulheres levaram as mãos a boca.

― Assustador...! ― diziam alguns outros.

― Esse jovem... Que tipo de monstro ele é? ― perguntou Astrid, chocada com o que presenciava.

No chão, Diego olhava para cima tentando ver Rael no intuito de implorar por sua morte usando os olhos. Rael podia ver os olhos dele arregalados e sangue fluindo pelo local. Diego não teve tempo para pensar em arrependimentos, tudo que ele sentia era uma dor intensa em cada parte de sua existência junto com uma vontade insanamente incontrolável de apenas morrer de uma vez.

― Eu avisei você. Te disse que não lhe perdoaria. ―lembrou Rael friamente, vendo o homem sofrendo em agonia no chão. Mesmo os curandeiros e alquimistas descendo para a arena não puderam fazer nada, Diego morreu poucos segundos depois. Ninguém poderia evitar a morte de Diego a não ser Rael, e ele teria que agir rápido. É claro, Rael não salvaria esse idiota arrogante que cruzou seu caminho.

Enquanto os curandeiros estavam cercando o corpo de Diego horrorizados com a cena, Rael ainda estava de pé na arena. Ele se virou e lançou um olhar duro para a região do clã Sangnos, mostrando que realmente os odiava. Ariel em seu lugar se estremeceu em desespero. Um simples olhar e o homem começou a suar frio. Ariel teria descido imediatamente para implorar o perdão de Rael o mais rápido possível se não fosse pelos outros problemas que já tinha com o jovem. Os elders atrás de Ariel também ficaram ansiosos, Diego era um assassino poderoso. Mesmo não fazendo parte do conselho, ele era mais forte que qualquer elder do clã Sangnos e morreu sem ao menos reagir. Como os outros não teriam medo?

― Não sei que desavença o clã Sangnos tem com o jovem mestre Samuel, mas quero que pesquisem isso imediatamente! ― disse Verônica para os seus elders. Na mesma hora todos os elders atrás dela fizeram um sim com a cabeça,

― Vocês viram, certo? Corram atrás das informações envolvendo o jovem Samuel e o clã Sangnos! ― disse o patriarca da família Solar.

Assim, cada uma das famílias tratou de fazer seus movimentos. Eles não sabiam qual era o problema entre Rael e o clã Sangnos mas, se havia um problema, era melhor evitá-lo ao máximo. Eles tinham que descobrir o que o clã Sangnos fez para então evitar fazer o mesmo, ninguém iria querer despertar a fúria de um monstro como aquele.

Ariel e o restante do clã Sangnos foram observados por todos. As pessoas pareciam pensar que o clã Sangnos estava prestes a sucumbir. Negócios, favores, amizades, respeito... Qualquer coisa que o clã Sangnos ainda possuísse, agora certamente estava perdido, e tudo por causa de uma vingança cega e das palavras frias de um jovem mestre. “Eu não gosto desse clã” foi o suficiente para sentenciar de vez a queda do poderoso clã Sangnos.

Samara estava aflita ao lado do pai, que se estremecia em seu assento. Era extremamente difícil manter a compostura com tanta gente olhando e prevendo o futuro fim. A linda morena ainda estava com uma mão encostada nas costas de seu pai em um sinal de apoio, porém, nada além disso poderia ser feito. Era tarde demais.

Rael se virou e saiu voltando para seu lugar. O juiz só subia na arena depois que Rael se retirava.

Diego deu trabalho para ser retirado do local porque seu corpo não ficava estável na maca, ele ficava deslizando para os lados e caía novamente no chão. Para retirá-lo com sucesso, tiveram que arrumar uma bolsa resistente para colocar seu corpo dentro para, enfim, transportar. Foi uma cena horrível e deplorável, certamente ninguém naquela arena iria esquecer do terrível fim que um tolo arrogante teve ao desafiar Rael naquele dia.

― Genro, você destruiu o corpo de um décimo segundo reino com apenas um ataque, e ainda causou todo aquele dano! Eu estou impressionada! ― disse Neide. Rael tinha parado assim que voltou para junto dos outros e agora analisava as próprias mãos com curiosidade. Mara e Natalia ficaram próximas do marido, mas não fizeram nada para não atrapalharem Rael. Além disso, Neide também se calou em seguida, observando o jovem.

― Isso é estranho... Eu sinto meu poder crescendo dentro de mim. É como se várias respostas estivessem surgindo, mas ao mesmo tempo, também surge inúmeras perguntas. Nunca me senti assim antes.

― Você está mesmo aprendendo a controlar o poder das leis. ― disse Rayger em seguida.

― Estou? Será isso? ― Rael ficou curioso, olhando seu tio à frente.

― O que você está vendo quando olha para suas mãos? São letras confusas? Como se fosse sua aura misturada às letras? Se for isso, é exatamente o que estou dizendo.

― Sim, tio. Você está certo. São letras, mas também vejo símbolos. Tudo isso parece correr por minhas mãos e meu corpo. ― disse Rael. Rayger e Neide se entreolharam com surpresa. Obviamente o poder de Rael seria mais impressionante do que um cultivador normal.

Apesar de Rael ver tudo aquilo, Neide e Rayger não estavam vendo, essa era uma visão profunda do olhar de Rael sobre seu próprio corpo, o seu próprio poder. Parecia que Rael estava compreendendo mais sobre si mesmo a cada instante.

A batalha seguinte começou e logo teríamos o resultado do segundo e terceiro lugar, porque certamente o vencedor daquela luta desistiria da vitória contra Rael. Ou apenas do segundo lugar, caso terminasse em morte. Rael não estava mais interessado em sugar conhecimento, ele já tinha adquirido um número bom de habilidades do décimo segundo reino e as usaria assim que alcançasse esse poder.

O imperador Elidas sorria confortavelmente em seu assento. O resultado do torneio até o momento estava muito favorável e ele não podia reclamar de nada. Rael demonstrou um poder descomunal sem sequer usar o seu trunfo. Para Elidas, o trunfo de Rael seria aquela transformação que, até o momento, não fora utilizada. Se Rael estava tão poderoso sem usar aquele poder, o que aconteceria se ele usasse?

Rael, é claro, adorava estar com aquele poder, mas isso se dava ao fato de seu contrato com Rose. No momento que ele se separasse da bela garota, seu nível cairia drasticamente. Rael só poderia se lamentar por não poder ficar com Rose por mais tempo. Afinal, não somente ele estava ganhando com aquilo como também a jovem celestial, que ficava mais poderosa.

― Samuel Raymonde, versus Amanda Carele, do clã Elusio! ― Anunciou o juiz.

Rael saltou na arena de mãos no bolso e uma bela cultivadora do clã Elusio chegou flutuando, com um ar extremamente respeitoso enquanto se dirigia a Rael. O juiz não desceu ficou esperando o ato de desistência da bela mulher, que obviamente seria a coisa lógica a ser feita.

A última luta que ela tivera foi com um homem do clã Luante e o venceu quebrando apenas um braço do mesmo. Essa mulher a frente de Rael tinha o nível nove do décimo segundo reino e era muito bonita, mesmo aparentando seus quase trinta anos.

― Eu ficaria muito satisfeita em tentar o primeiro lugar, mas não tenho nenhuma chance contra você. ― disse a mulher em um tom respeitoso. Rael, por sua vez, manteve uma expressão natural, vendo que a mulher era educada.

―Samuel! Samuel! Aqui, sou eu, Rafaela! Não machuque a mamãe! ― gritou uma menina já conhecida do clã Elusio de onde a mulher tinha vindo voando.  A menina parecia estar sendo segurada pelo pai, um homem aparentando a mesma idade da mulher, mas ele era apenas um décimo primeiro reino.

― Desculpe pela minha filha animada, ela gostou bastante de você. ― disse a mulher sendo sincera, enquanto sorria diante de Rael depois de lançar um olhar para a filha e voltar para Rael.

― Então... Você desiste, senhora Carele? ― perguntou o juiz.

― Sim, desisto. Nossa família Elusio aceitará de bom grado o segundo lugar. ― disse a Amanda, mantendo um sorriso satisfeito.

― Bom, então esse é o resultado. Ótimo! ― disse o juiz.

― Samuel, eu sei que você não tem grandes amizades com a nossa família, mas saiba que você é bem vindo para nos visitar. Iríamos adorar receber uma visita sua. Você pode trazer suas esposas, ou até amigos. As portas de nosso clã estarão sempre abertas pra você. Se precisar de qualquer coisa, basta nos avisar! ― disse a mulher, como se tivesse falando pelo patriarca e muito provavelmente estava mesmo. Dentro da família Elusio, Amanda era uma elder de extrema importância. Depois de tudo que aconteceu nesse evento, era importante criar boas relações com Rael.

― Eu agradeço o convite e vou me lembrar de aparecer sim.

― Estaremos esperando por isso. ― disse ela.

O juiz não anunciou de imediato a vitória de Rael porque os dois tiveram essa conversa, então ele educadamente aguardou. Mas, depois que a conversa pareceu ter fim, o juiz chamou a atenção de todos, utilizando sua pedra do eco:

― Senhoras e senhores! É com grande prazer que anuncio o vencedor deste torneio! Samuel Raymonde! Ele é o campeão!

Clap! Clap! Clap! Clap!...

Assovios, pulos e mais comemoração tomaram conta de toda a arena:

― Samuel! Samuel! Samuel! Samuel! ― a multidão comemorou em excitação.

Rael ficou ao lado de Amanda, e Reginaldo, o homem do clã Luante com braço quebrado, se juntou a eles para receber o terceiro lugar. Esse homem era o que havia sido derrotado por Amanda na semifinal. Se Diego ainda estivesse vivo, haveria uma batalha entre eles pela disputa terceiro lugar. E assim ficou o resultado final do evento da capital:

 

Samuel Raymonde, como o campeão, ficou em primeiro lugar. Amanda, pelo clã Elusio, assumiu o segundo lugar e Reginaldo, do clã Luante, ficou na terceira colocação. Estas foram as únicas colocações premiadas no torneio.




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