O Herdeiro do Mundo

225 - Um Jovem Diferente

Rael não deu um tempo especial apenas para Natalia, também fez o mesmo com Mara e Rose durante os dias de recesso do torneio.

Na companhia de Mara, foram a um passeio pela capital. Fizeram compras e se divertiram bastante assistindo um show de um de circo local. Depois foram para casa, sim, a residência Raymonde dentro do clã. Como Natalia havia ficado no castelo com os pais de Mara, ele pôde ficar sozinho com a sua primeira esposa e fizeram a dois, como nos velhos tempos – no final, tudo se resumia ao sexo. Mara, é claro, pediu para apanhar um pouco enquanto transavam. Sendo agora um décimo reino, ela era muito mais resistente e Rael teve algum trabalho a mais para causar a dor que ela desejava.

Natalia e Mara não eram simples décimos reinos comuns como a maioria. Tendo o registro de Alexia, as duas beldades eram incrivelmente mais fortes, portanto, elas facilmente teriam poder de um reino a mais, o que fazia Rael ter dificuldades em machucar Mara como a mesma pedia a ele.

― Seus tapas não estão sendo tão bons como os de antes! ― reclamou a moça quando Rael havia batido no traseiro dela. Mesmo tendo sido marcada com o tapa, ela reclamou um pouco insatisfeita por não causar a dor esperada. Rael ficou sem graça na ocasião porque ainda estava usando o poder de Rose junto ao seu. Sim, Rose acompanhava Rael em qualquer parte escondida e assistia a tudo o que Rael fazia no dia-a-dia.

Por último foi Rose a ter sido agraciada. Faltando apenas um dia para o retorno do torneio, Rael levou a moça para um passeio e comeram tanto doce quanto podiam. Comer doces para Rose era sua segunda maior alegria e, com isso, a moça ficou bastante realizada. A primeira satisfação era o sexo, Rose se tornou uma viciada em sexo. Durante o ato sexual, Rose aprendeu a fazer uma espécie de chave com as pernas, isso devido o vicio de não querer soltar Rael em momento algum, aumentando exponencialmente o prazer de ambos. Podia-se dizer que, dentre todas as mulheres de Rael, Rose era a mais viciada pelo sexo. Parte do desejo dela era pelo prazer insano que ela mesma sentia, outra parte era porque ela gostava bastante de Rael e por último, e não menos importante, era que inconscientemente o corpo dela desejava a gravidez para a perpetuação de sua espécie celestial. Com essas três questões, Rose não tinha como lutar contra, não haveria como não achar o sexo a melhor coisa de sua vida. Rael não poderia reclamar, porque o corpo de Rose era de fato um oceano de prazeres, principalmente no clímax de toda a transa.

Os dias se passaram e a arena mais uma vez ficou movimentada. As famílias voltaram para seus lugares e o restante dos locais foram ocupados pelo público a assistir.

Elidas estava com suas duas filhas, mas nenhum dos príncipes estavam presentes no local destinado à família imperial. O mais velho, que foi aleijado, teve que ir embora as pressas, os outros dois ficaram na vergonha. As pessoas pensavam que foram os príncipes que deram início àquele torneio na tentativa de humilhar Rael, e agora eles se tornaram os humilhados. Os príncipes pegaram suas barcas voadoras e partiram do castelo, dizendo que iriam resolver algumas coisas do império. Para eles, Rael era um verdadeiro monstro e aquele torneio já estava decidido.

Depois do anúncio de reabertura do imperador, o juiz começou a fazer os sorteios. Agora eram batalhas entre décimos segundos reinos e várias pessoas não conseguiam imaginar como seriam essas lutas.

― Adelson Martins do clã Sangnos, versus André Soares, do clã Raros!

― Eu desisto! ― Andre mal entrou na arena e já desistiu. Ele era um simples primeiro nível, não daria conta de um nível 9 do décimo segundo reino.

― Eu desisto!

― Eu desisto!

Muitas batalhas contra as quatro principais família estavam sendo evitadas pelas famílias mais fracas. Primeiro, eles não ousariam tentar ofendê-las e em segundo, na maior parte, apesar de estarem no mesmo reino, os níveis eram menores e se tornava impossível tentar enfrentar esses oponentes.

Das batalhas que se seguiam, geralmente eram entre as famílias medianas ou as fracas, e na metade dos casos sempre terminava em morte de um dos lutadores. A cada 4 batalhas, 2 delas terminavam em óbito. Rael ficou parado em pé na beirada de seu espaço assistindo a tudo calmamente, principalmente as técnicas dos oponentes. Cada movimento, cada gesto, cada palavra, encanto, enfim, era pego pelos olhos de Rael e armazenados em seu conhecimento.

― Samuel Raymonde, versus Oliver Tarcio, do clã Ouro Negro! ― O juiz anunciou o nome de Rael. Rael não teve trabalho em descer na arena sob o olhar de todos, é claro, várias pessoas esperavam um show por parte de Rael, mas agora ele não estaria enfrentando um simples décimo reino e sim um décimo segundo bastante poderoso.

Oliver era um rapaz loiro de boa de aparência, com cabelos longos. Assim que entrou, ele passou as mãos em seus cabelos como se fosse uma mulher a arrumá-los. Além disso, as vestes de Oliver eram bem extravagantes e apertadas, ele quase se vestia como uma verdadeira mulher, o que fez Rael olhá-lo com um certo tipo de descrença. Oliver usava uma calça apertada que exibiam bem a sua silhueta, assim como uma camiseta com um buraco no peito para exibir seu peitoral branco e atraente, quase assemelhado a um decote. Na mente de Rael aquilo era um pouco repulsivo.

― Olá, lindo mestre Samuel! Espero que tenhamos uma boa luta. ― disse o mesmo com uma voz arrastada e afeminada. Isso causou uma certa aversão em Rael. Oliver não só pronunciou essas palavras desse modo, como também formou uma rosa de gelo nas mãos e atirou no ar em direção ao rapaz. A rosa se desfez antes de chegar em Rael. Tudo que Rael viu foi a flor se deteriorar na metade do caminho, sumindo completamente no ar.

― Você está bem? ― perguntou Rael. Ele claramente não entendia as ações de Oliver. Oliver não era uma mulher para agir de tal forma, e isso confundia completamente Rael, que não tinha experiência nenhuma com esses seres.

― Estou bem melhor agora que irei lutar com um homem tão belo quanto você, jovem mestre. Permita-me dizer: Eu, Oliver Tarcio, o senhor conhecido por controlar as Flores de Gelo, nunca vi homem mais belo do que você. Seria uma honra poder ter sua amizade e qualquer coisa além... ― disse o mesmo, em uma reverência delicada e cortês, fazendo Rael se sentir estranho novamente.

― Você entende que eu sou homem, certo? ― perguntou Rael, continuando com aquela expressão atrapalhada de que havia perdido alguma coisa.

― É claro que o jovem Samuel é um homem, mas eu sou Oliver! Sou como uma delicada flor e não me importaria em estar sob a sua maravilhosa companhia. ― disse Oliver. Aquilo foi suficiente para fazer Rael entender o que Oliver queria com ele.

― Eu ainda não o entendo bem, mas quero deixar bem claro que não tenho nenhuma intenção de me envolver com homens. Então, por gentileza, pare de falar essas coisas estranhas. ― disse Rael. Toda a conversa dos dois estava sendo assistida por milhares de pessoas em silêncio.

― O Jovem mestre não precisa ser tão malvado assim, hihihihi ― Disse Oliver e riu levemente. Isso deixou Rael se sentindo ainda mais desconfortável.

― Eu não quero saber mais nada sobre você. Não sei porque, mas meu estômago está se embrulhando com essa situação. Peço que apenas desista e saia, porque se não fizer isso, eu não conseguirei pegar leve com você. ― Rael foi sincero e não mostrou frieza nas palavras. Para Rael, era muito estranho ver um homem feito, em seus mais de cem anos – com uma aparência de 30 –, tentando se passar por mulher e cortejando um outro homem. Mesmo que se fosse mais novo, ainda não explicaria a estranheza daquela situação.

― Quanta indelicadeza, lindo mestre! Mas ficarei para lhe ensinar uma lição. Você não pode menosprezar o poder de sua inimiga! ― disse Oliver.

― Por que você fica se fazendo de mulher se é um homem? Eu não entendo isso. ― Rael continuava com a mesma cara enojada. Enquanto Rael falava, a arena foi fechada pela barreira azul, sendo ativada pelo juiz.

― Quando essa batalha terminar, eu amarei ouvir as belas palavras de desculpas do lindo jovem mestre Samuel.

― A única coisa que você vai ouvir serão seus ossos quebrando antes de seu desmaio. Talvez depois disso você ganhe algum juízo nessa cabeça desarranjada! ― disse Rael um pouco irritado.

― É o que veremos, hihihihi ― Oliver riu de novo, levando uma mão para a boca em uma forma delicada, trazendo ainda mais repulsa a Rael.

― Podem começar! ― o juiz anunciou de fora o início da batalha.

Oliver não esperou por um segundo sinal. Usando seu elemento Água, ele conjurou rapidamente um encanto. Seu poder formou flores de gelos giratórias que flutuavam pelo ar ao seu redor. As flores eram um misto de azul com branco e tinham pétalas de lâminas, eram pelo menos cinquenta delas e todas eram maiores do que punho fechado.

― Técnica Flores de Gelo! ― anunciou Oliver e, com um movimento sutil e casual, todas elas voaram impiedosamente na direção de Rael. Várias e várias flores voaram em direção a Rael com velocidade, elas podiam parecer simples, mas seus ataques não poderiam ser ignorados.

Oliver aparentava ser apenas um homem estranho, mas em termos de habilidade era um exímio lutador. Sendo um décimo segundo reino nível cinco, ele jamais poderia ser menosprezado. As técnicas de décimos segundos reinos sempre eram perigosas e fatais.

Rael encarou atenciosamente as flores vindo em sua direção. Não seria difícil esquivar ou evitar os ataques ativando o Espaço Ilusório, porém, Rael queria testar o seu grau máximo de defesa. Com isso, deixou que aqueles ataques cortantes o atingissem, apenas se concentrando e esperando o resultado:

Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!Booooom!

As flores batiam em Rael e uma neblina espessa se espalhava rapidamente no ar, como se fosse uma espécie de nevoeiro de um dia frio. Conforme as flores acertavam a pele de Rael, soltavam uma camada de névoa que ia aumentando rapidamente. Não demorou para Rael se ver cercado por toda aquela neblina e ainda continuar recebendo o restante do ataque das demais flores.

Apesar da técnica utilizada não ser nada muito especial, ela ainda se tornava perigosa uma vez que acertasse seu alvo. Não foi por menos que muitas pessoas se levantaram de seus assentos. O nevoeiro indicava que o alvo foi acertado.

― Perdão, será que machuquei muito o lindo mestre? ― perguntou Oliver, se aproximando alguns passos na direção do nevoeiro. Ninguém podia ver nada devido ao nevoeiro que se formou em volta de Rael, que o cercava em um raio de dez metros.

― Eu disse a você para desistir, então não reclame se eu for rude com você agora. ― disse uma voz de dentro do nevoeiro. Oliver, na pressa, conjurou um escudo de gelo usando uma técnica defensiva. Esse escudo tinha a mesma cor das flores de antes, azul misto com branco. Era visivelmente resistente, tendo aproximadamente meio metro de espessura. O escudo foi segurado pelas duas mãos e cobria todo o tórax e a cabeça de Oliver. O escudo ficou entre Oliver e Rael que acabara de surgir feito um vulto, aparecendo na frente do mesmo. Rael podia atravessar e atacar o ponto cego do seu oponente, mas preferiu encarara defesa de frente para testar a força de seu ataque:

Booooom! Brashs!

                       O impacto destruiu facilmente o escudo. O soco com a mão direita de Rael atravessou o escudo e terminou no peito do mesmo.

Aaaaah!

Oliver gritou de olhos arregalados, sem acreditar que seu poderoso escudo foi facilmente destruído. Ele fora lançado de costas em alta velocidade, tendo alguns ossos quebrados instantaneamente. Oliver bateu violentamente as costas contra a barreira, chegando até a ficar preso por alguns instantes, antes de desabar e cair inconsciente. Um movimento, um golpe crítico, uma vitória. A força de Rael dessa vez foi apresentada em uma batalha contra um décimo segundo reino. Rael não somente se deixou ser acertado pela técnica do seu oponente, provando mais uma vez possuir uma defesa impenetrável, como também o derrotou, mesmo quando o oponente utilizava um poderoso escudo, com apenas um soco de mãos nuas! Aquilo fez a multidão entrar em um completo estado choque.

― Ele é um verdadeiro monstro! ― alguém disse.

― Ele é tão forte assim! Uaaaau! ― disse outro.

― Ah, se ele pudesse ao menos saber que eu existo... ― disse uma jovem bonita cheia de expectativas, enquanto mergulhava em pensamentos.

― Tão lindo... Tão forte...! ― disse outra.

― Essas mulheres só sabem babar por homens impossíveis de se conseguir. ― disse um rapaz invejoso, enquanto acompanhava os comentários femininos.

Com a barreira liberada, Oliver foi carregado em uma maca quase sem vida por alquimistas e curandeiros que estavam ali para ajudar os feridos. A família dele acompanhou os homens extremamente preocupados. O clã Ouro Negro era de porte médio, por isso, ninguém sequer lançou um olhar a mais em direção a Rael. Eles não poderiam nem sonhar em reclamar e ofender esse poderoso jovem mestre do clã Torres. Rael havia feito um pedido para que quando anunciassem seu nome não utilizassem-no sobre o clã Torres, mas obviamente todas as pessoas sabiam qual clã ele pertencia.

― Genro, você foi muito bem de novo! Estou impressionada! ― Neide elogiou o rapaz assim que ele voltou ao local destinado a eles.

― Aquele cara não me agradou... Ele tinha um olhar estranho sobre mim. Era esquisito. ― disse Rael, explicando o porquê havia agido tão duramente com ele.

― Compreendo... ― disse Neide com um sorriso leve.

― Marido, você não entendeu o que aquele homem é? ― perguntou Mara curiosa. Até ela e Natalia entendiam bem. Natalia agora estava ao lado deles e tinha se aproximado junto a Mara, assim que Rael chegou. As duas vieram receber Rael, como deveriam fazer.

― Não entendi e nem quero entender. Se sem entender já me sinto desconfortável desse jeito, imagina se eu entendesse o que ele é. ― disse Rael rapidamente, ainda com nojo das cenas anteriores da luta.

― Alguns homens gostam de outros homens. É assim que esse Oliver é. ― apesar de Mara estar prestes a falar, quem explicou o caso foi Neide.

― Sério? E me diga, como é que fazem aquilo? ― Rael perguntou, formando uma expressão confusa. Ele tinha aprendido desde novo que homens tinham uma espada e as mulheres uma fenda. Então como ficaria a união de duas espadas?

― Isso é melhor eu não te explicar porque seria muito nojento. ― disse Neide com um sorriso amarelo.

― Com a bunda, rapaz. Na falta do outro buraco, esses homens dão a bunda mesmo. ― disse Rayger em seu tom sério, ao ver a expressão confusa em Rael.

― É oquê?! ― Rael fez uma careta, imaginando tal coisa com a explicação súbita de seu tio. Isso fez Neide e as meninas rirem. Natalia e Mara não eram inocentes, elas sabiam tudo isso. Mesmo que nesse mundo não houvesse muitos homens assim, não era tão raro encontrar esses casos.

 

― Ainda bem que eu o derrubei a tempo, deveria ter matado para ter certeza. ― disse Rael e levou uma de suas mãos para o traseiro, como se imaginasse um perigo eminente.

 




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