O Herdeiro do Mundo

223 - Keylla no Clã

Rael pagou o valor pela cama quebrada e a estadia da moça. Em seguida saíram usando a janela em um voo rápido, ganhando os céus. Eles certamente não queriam dar as caras na recepção depois de tudo que fizeram.

― Como você pode voar mais rápido do que eu!? Eu não entendo! ― reclamou Keylla enquanto seguia Rael. Rael riu e baixou a velocidade, deixando a moça o acompanhar:

― É um segredo, você não precisa saber por enquanto. ― disse Rael.

― Para onde estamos indo mesmo?

― Vou te levar para o clã que eu dominei. É lá que eu quero que você fique em segurança. ― explicou Rael.

― Espero que você não tenha nenhuma pretendente por lá. ― disse Keylla.

― Não, nenhuma. ― confirmou Rael.

― Bom, por mim tudo bem. Mas você ainda vai ter que se explicar para mais uma pessoa. ― disse Keylla.

― Para o pessoal de onde você trabalha?

― Não, já deixei tudo isso para trás. Você terá que explicar para a minha versão fraca, inocente e medrosa. ― disse Keylla.

― Eu não entendo... O que você quer dizer com isso?

― Eu tenho duas personalidades, e sempre que me olho em um espelho eu mudo para a outra. Enquanto eu assumo o corpo, a outra personalidade agora está dormindo. Mas uma hora ou outra ela terá de assumir e vai se assustar com essa mudança.

― Duas personalidades? ― perguntou Rael confuso. Ele e Keylla agora voavam lado a lado e Rael sempre mantinha os olhos nela. O olhar de Rael era de pura confusão.

― Poucas pessoas devem estender isso, mas é como se residisse duas pessoas em um mesmo corpo. Enquanto eu sou mais ousada e destemida, a outra é tímida e medrosa. A outra dorme e se apaga de tudo que ocorre ao redor, mas mesmo que eu durma eu ainda vejo as coisas que ocorrem com ela e a defendo do perigo, quando há algum. Por isso você terá que dar algumas explicações para ela antes de me deixar, senão ela pode querer voltar de onde veio. Eu moro em um templo numa cidade bem longe daqui. Seria deveras trabalhoso ter que voltar de lá toda vez que ela decidisse ir embora.

― Ela irá embora?

― Se você não explicar bem e fazer ela entender tudo que eu entendi, certamente ela irá.

― Explicar bem... Eu acho que entendi. ― disse Rael ainda um pouco confuso. Naturalmente, Keylla não contava isso para todos, mas como Rael era o seu homem, ela contou. Embora alguns homens da guilda de assassinos soubessem, eles não sabiam porque ela contou e sim porque descobriram depois de assistir várias trocas. Alguns descobriram isso somente enquanto morriam nas mãos de Keylla por tentarem abusar de seu corpo.

Algum tempo depois, eles chegaram ao clã. Rael e ela tinham acabado de descer voando próximo ao portão de entrada. Conforme foram vistos, os guardas o ignoraram ao reconhecer Rael, e dessa vez não vieram incomodá-lo.

― Antes de sair me apresentando o lugar, acho melhor eu já trocar para a outra persona, porque ela precisa saber daqui. Eu também saberei de tudo através dela. ― explicou Keylla e tirou um espelho do bracelete.

― Isso é alguma doença? ― Rael ainda estava confuso.

― Não... Se fosse uma doença, a cura me faria deixar de existir e só sobraria uma mente medrosa nesse corpo. ― disse Keylla.

― Tudo bem, eu vou explicar tudo de novo... ― disse Rael que entendeu um pouco do que ia ocorrer, mas ele ainda continuava com algumas dúvidas.

― Cuide bem de mim. ― disse ela com um sorriso satisfeito. A confiança nos olhos de Keylla para Rael era evidente: ― Você pode contar toda a verdade para ela sobre eu ter duas personalidades, mas não a diga como eu apareço ou tomo o lugar dela, isso pode atrapalhar minhas futuras aparições. ― disse Keylla em seguida,em um tom mais sério.

― Certo, eu entendi. Só uma dúvida, você parou de se denominar como Dama... Por quê? ― perguntou Rael.

― Aquilo era uma alcunha de assassina. Não preciso mais dela se eu for viver com você. ― respondeu ela com um tom sério.

― Muito bem... ― disse Rael.

― Eu espero que minha estadia aqui seja temporária. Se eu existo para ficar com você, eu devo ficar com você. Como te disse antes, não quero estar abaixo de nenhuma de suas esposas. Desde que você mantenha isso em mente, lhe darei um tempo para você se arrumar sobre isso. Não se esqueça de mim! ― disse Keylla bem séria, fazendo Rael se lembrar das ameaças dela.

― Eu jamais me esqueceria de você. ― disse Rael sendo sincero.

― Ótimo! Vou fazer a troca agora...― Keylla se olhou no espelho e sentiu que já estava perdendo o controle do corpo. Ela guardou o espelho rapidamente e avançou, beijando Rael. A mudança de personalidade aconteceu durante o beijo, e a outra despertou nos lábios e nos braços de Rael. A primeira coisa que ela sentiu foi um bem estar tomando de conta de seu corpo, por isso não se assustou repentinamente. Em vez disso, ela permaneceu de olhos fechados beijando Rael e fazendo o que o seu corpo programado já estava fazendo antes. Quando os dois fizeram uma pausa, Keylla abriu os olhos e percebeu o que tinha acabado de ocorrer. Encarando Rael a frente ela ficou toda corada e com olhos arregalados. Vergonha, confusão e sentimentos quentes se misturaram na mente da inocente moça.

― Qu-quem é você? ― perguntou a moça extremamente surpresa.

― Keylla? ― perguntou Rael.

― V-você é? ― perguntou ela quase gaguejando.

― Eu me chamo Samuel. Nós somos namorados. ― disse Rael rapidamente. Ele usou essas palavras porque ela foi acordada em um beijo por ele.

― Na-namo-namorados?! ― perguntou ela chocada.

― Sim. ― disse Rael.

Keylla antes de continuar as perguntas, olhou em volta se sentindo em um lugar diferente. Ela só não se desesperou porque confiava instintivamente no homem a frente. Coisa que nunca aconteceu desde a morte de Luiz.

― Onde estamos? Por que não estou no templo? Cadê a mulher que falou comigo anteriormente? Pelos deuses! Eu já esqueci tudo de novo... Eu tinha passado tantos dias bem... ― disse Keylla preocupada, levando as mãos para a cabeça.

Rael esperou ela se recuperar um pouco, ele ainda tinha que aprender a como lidar como essa versão de Keylla.

― Você não é bem minha namorada. Na verdade, você é a minha mulher e irá morar aqui. ― disse Rael. Keylla voltou a atenção para Rael. Keylla sentia-se quente só em olhar para o jovem, tanto essa versão quanto a outra, ambas o amavam.

― Isso é impossível! Como nós nos conhecemos? Quando que nos casamos? ― apesar dela reclamar, ela não parecia querer discordar do fato, queria apenas entendê-lo. Além disso, antes de ver Rael à sua frente agora, ela sempre tinha sonhos maravilhosos com ele. Então, todos os seus sentidos diziam ardentemente que ele era alguém de sua confiança.

― Há muitos anos, antes mesmo de você nascer nesse mundo. Você é um ser renascido, assim como eu. ― disse Rael. Ele sentiu que precisava repetir tudo de novo e o faria tranquilamente.

― Eu não me lembro... ― disse ela baixando o rosto e olhando para o solo.

― Mas pode sentir, não pode? Você pode sentir que minhas palavras são verdadeiras. ― disse Rael, dando um passo a frente. Em seguida, levantou o queixo de Keylla, segurou seu rosto e lentamente se aproximou enquanto fechava os olhos. Keylla, apesar de toda a vergonha, medo, confusão e ansiedade, não fugiu e se deixou ser beijada enquanto fechava os olhos juntos. Rael percebeu que as duas eram mesmo diferentes, a outra tinha o beijado mais feroz, enquanto essa, o beijava carinhosamente.

Eles se beijaram por alguns minutos e quem teve que soltar foi Rael. Keylla não conseguia soltá-lo.

― Eu vou explicar tudo, você só precisa me ouvir.

Rael apresentou Keylla para Ana e a mesma arrumou um quarto dentro de sua residência. Keylla iria morar junto com Ana, afinal, Ana dividia aquele lugar enorme só para ela e alguns escravos. Como Keylla já possuía a marca, ela entrou sem problemas e foi também apresentada para as escravas que precisaria conhecer.

― Eu tinha minha horta, minhas plantações, meu templo... ― Keylla se lamentou. Ela estava ainda perdida, mas queria ficar com Rael porque, assim como a outra, elas não tinham mais ninguém. Aquela foi a primeira vez que sentiram afeto por um homem e que estavam recebendo um lugar para viver. Além disso, Rael repetia que ela era mulher dele e aquelas palavras mexiam com seus corações, com as duas versões.

Pareceu difícil ela aceitar ter a conversa com Rael, mas depois que aceitou e confirmou todas as razões por trás deles, ela não queria mais largar Rael, era assim que a outra se sentia e agora e era assim que essa se sentia também.

Rael não parou por ai, entregou um anel de comunicação e explicou como funcionava. Ele também explicou os detalhes de sua vida e tudo que a outra também soube como o fato dele ser envolvido com outras mulheres. Rael não queria iludir essa versão, ele preferiu dizer toda a verdade. Ela não se importou muito com isso, ficou apenas em silêncio ouvindo-o atentamente.

― Você não precisa se preocupar, eu sei que tenho outras mulheres, mas jamais me esquecerei de você. ― garantiu Rael.

― Eu sei que não vai. ― disse ela, ficando com o rosto avermelhado.

― O que mais você quer saber? ― perguntou Rael.

― Como nos conhecemos? Por que eu estava beijando você antes de perceber? Pode me explicar isso?

― Posso. Você tem duas personalidades ao que eu entendi, e a outra agora dorme em você. Essa outra Keylla é quem toma as decisões por você.

Keylla nunca tinha recebido explicações porque em todas as vezes despertava sozinha ou perdida. Agora, pela primeira vez, alguém fez isso por ela.

― Entendeu? Pelo menos esse foi o modo que entendi... ― disse Rael. A moça ficou sentada na cama olhando para o chão a frente ainda pensando.

― Obrigada por me explicar. Farei como você me pede e ficarei por aqui. ― disse ela timidamente.

― Se você já entendeu, tudo fica mais fácil... ― disse Rael, retirando o sobretudo e a camiseta de manga longa em frente a moça, que começou a ficar ainda mais vermelha. O coração de Keylla disparou rapidamente porque, mesmo sendo ela, podia prever um pouco do que Rael faria a seguir.

― O que está fazendo?!

― Vamos terminar o que começamos antes, ou será que você não quer mais? ― perguntou Rael. Keylla não respondeu, estava presa sob a visão do belo corpo de Rael. O coração da moça estava explodindo e o sangue dela corria rapidamente pelas veias, isso a fez começar a acelerar a respiração antes de Rael sequer começar.

― Espere... Espere... Eu... ― quando Rael desceu deitando por cima dela, ela tentou resistir, mas os beijos e as carícias fizeram-na perder totalmente a força.

Não demorou muito para os dois corpos estarem envolvidos. Keylla estava tomada e dominada pelo homem a frente que a impressionava com carinho e vontade, cada penetração fazia os dois arfarem de prazer. Como a outra versão já tinha encarado a maior parte do ardor, essa basicamente pegou mais a parte do prazer. Para Rael, o corpo era o mesmo de antes, e o que mudava era que essa mulher à frente dele era muito mais calma e tímida. Ela fazia muitas poucas ações e na maior parte do tempo ficava de boca meio aberta, gemendo baixinho enquanto transavam. O prazer da transa entre dois seres destinados a se amar não era algo fácil de esquecer ou se acostumar. Cada toque, cada carícia, cada beijo... Os faziam ter certeza cada vez mais de que eram feitos um para o outro.

Ele fizeram em várias posições e sempre era bom, parecia que a cada nova posição era sempre a primeira vez. Mesmo que Rael estivesse acostumado a várias vezes daquilo, o corpo de Keylla ainda o consumia e o fazia querer cada vez mais. Além disso, tanto Rael como Keylla receberam algumas lembranças de transas passadas conforme faziam, eles não diziam nada um para o outro e guardavam isso em suas memórias e em seus corações. Isso ajudou ainda mais a Keylla confiar e se entregar completamente a Rael.

Duas horas depois eles pararam e Rael começou a se vestir. Keylla ainda tinha uma certa timidez, mas depois daquela transa, parte dela tinha sumido.

― Se precisar de qualquer coisa me avise no anel. Você pode me chamar sempre que quiser. ― disse Rael, abotoando a calça. Ele se aproximou e beijou o rosto da moça.

― Isso não parece real... ― disse Keylla. Ela ainda estava sentada na cama com um lençol por cima do colo, cobrindo sua nudez de baixo. Mas os seios perfeitos continuavam à mostra.

― Do que você está falando?

― Eu nunca pensei que fosse confiar em um homem. Nunca pensei que fosse deixar um homem fazer o que você fez comigo... Assim como nunca pensei que fosse ser tão bom assim... ― disse ela.

― Então se acostume, porque sempre que eu tiver tempo, vamos fazer quantas vezes for possível. ― disse Rael com um sorriso sacana. Keylla ficou corada e baixou o rosto, escapando do olhar quente de Rael.

― Você vai ficar bem? Você também pode falar com Ana se tiver algum problema, ela vai cuidar bem de você. ― disse Rael.

― E se a outra me tirar daqui? E se eu acordar em outro lugar? ― perguntou Keylla com medo. Agora que ela sabia a verdade por trás, ela tinha suas dúvidas.

― A outra também sabe sobre a nossa situação e ela mesma me pediu para te explicar. Então vai ficar tudo bem. ― garantiu Rael.

― Você não acha estranho gostar de uma mulher como eu, que tem duas personalidades? Eu acharia, se estivesse no seu lugar... ― disse Keylla de repente.

― Você poderia ter dez e ainda assim não seria um problema. Eu explicaria para todas e ficaríamos bem. ― disse Rael de volta. Keylla sorriu sem jeito por alguns segundos e depois voltou a ficar pensativa.

― Eu tenho coisas para fazer, então preciso ir. Mas peço para que você fique por aqui até eu voltar, tudo bem? ― disse Rael.

― Você tinha me dito sobre Isabela antes... Por acaso, ela é uma loira de olhos dourados? ― perguntou Keylla de repente.

― Sim! Você a conhece? ― perguntou Rael surpreso.

― Não, eu nunca a vi nessa vida. Só tive lembranças dela enquanto nós... Nós estávamos fazendo amor. ― disse Keylla.

― Eu também tive algumas lembranças... ― admitiu Rael, se acalmando e sentando ao lado dela.

― Você acha que vamos recuperar todas as memórias de nossa vida passada? ― perguntou ela olhando-o de lado.

― Não sei, mas acredito que quando nos reunirmos algo vai acontecer. ― previu Rael.

― E onde ela está agora?

 

― Não sei... Irei procurá-la assim que resolver outros problemas emergenciais. ― disse Rael, pensando na invasão dos devoradores.




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