O Herdeiro do Mundo

214 - Torneio Imperial

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: nego
Mara, agora de máscara e cabelos amarrados, transportava seu marido Rael de cabelos escuros, o segurando pela cintura. Ao seu lado, Ralf voava carregando Samantha e o seu amigo Rael, o ruivo. Rael, como sempre, tinha entrelaçado as mãos na cintura da garota, e Samantha, para provocá-lo, não parava de passar as próprias mãos nas dele:
― Você não tem jeito! ― reclamou Rael para a moça. Mesmo ela sabendo que jamais teria uma chance, ela não desistia de provocar Rael.
― E daí se nesse mundo você é casado com a minha mãe? Até onde eu sei você não é meu pai. Você nem se parece com ele! ― bufou a garota.
― Você ainda é filha de Mara, e isso não dar para evitar. ― disse Rael de volta.
― Você se casou com a própria irmã de criação e me nega? Tenho certeza que não sou menos bonita que Natalia. ― disse ela.
― Isso não tem haver com beleza. Agora, pode parar de alisar minhas mãos?
― Você é quem está me agarrando assim, não me culpe por isso.
― Eu... Sempre foi assim que fiz com minhas companhias femininas. ― defendeu-se Rael.
― Huuum... Então pode continuar fazendo, não estou reclamando. Se você quiser, pode segurar mais aqui para cima. ― disse ela e tentou puxar as mãos de Rael para a altura do peito. Rael apertou ela firme pra não se deixar ter as mãos arrastada para outros locais do corpo da moça.
― Estou ficando sem ar, Samuel! Agora você quer me matar!? ― bufou Samantha, reclamando com Rael.
― Se não quer ser apertada assim, pare de criar caso. ― disse Rael afrouxando novamente o aperto para o alívio da moça.
― Nós nem nos casamos ainda e você já está me agredindo! Se quer me agredir pelo menos assuma a sua responsabilidade! ― bufou a moça novamente.
― Que responsabilidade? Até onde eu sei, foi você todas as vezes que se jogou em mim. Até mesmo está fazendo isso agora! ― reclamou Rael. Samantha se escorava em Rael propositalmente, jogando suas costas bem a vontade sobre o rapaz.
― Você me agarra e fica reclamando quando eu cedo. Você é muito cara de pau!
― Eu, cara de pau! Você...! ― Rael não sabia mesmo como lidar com Samantha, ela era muito complicada. No fundo ele gostava e levava isso na brincadeira, mas é claro que ele não podia deixar isso expresso para a moça, ele não podia nem pensar em ter ela como alguma nova esposa, obviamente.
Mara e o outro Rael não podiam deixar de rir daqueles dois enquanto os acompanhava de lado. Samantha quando botava uma coisa na cabeça não tinha quem tirasse, mesmo depois de tudo ela não tinha desistido de Rael. Ela e Rael discutiram por quase todo o caminho.
― Só vou te deixar em paz quando você me assumir e se casar comigo. Eu não quero morrer virgem. Se os devoradores invadirem esse mundo, você terá que me assumir. ― disse a moça.
― Vá procurar outro homem. Acredite, tem milhares de homens decentes por aí que não iam nem pensar em recusar você. Não existe só eu. ― reclamou Rael de volta. Isso fez Mara e outro Rael rirem, eles nem mesmo se incomodavam com a ousadia da própria filha.
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De volta ao clã, Rael deu a cada um deles um anel para entrar em casa e em seguida mandou um chamado para as suas esposas, pedindo para as mesmas cancelarem o treino hoje. Ele disse que tinha algo importante a mostrar.
Dez minutos depois, Natalia e Mara chegaram. Todas as visitas se levantaram dos sofás ansiosos. As meninas até pararam confusas. As duas versões de Mara cruzaram olhares. Mesmo a Mara com cabelos amarrados foi facilmente reconhecida pela original deste mundo, que se viu nessa outra como em um reflexo no espelho. Uma surpresa se formou nos olhos da Mara mais nova.
Rael contou calmamente tudo que precisava ser dito. Disse que eles eram de um mundo paralelo que estava sendo tomado por devoradores e buscaram refúgio neste. O maior ponto ali foi Samantha, Mara ficou chocada ao descobrir que ela tinha essa filha na outra versão de um mundo futuro. Mara não parava de olhar para seu marido ruivo e queria perguntar se essa menina poderia ser a filha que eles perderam no torneio. Mas isso seria impossível, Samantha não tinha traços do nosso Rael.
Rael de cabelos escuros abraçou a própria irmã com força enquanto chorava. E mesmo sem ela entender, ele pediu perdão:
― Irmãzinha, me perdoe por eu ser fraco! Você teve que se sacrificar pra eu poder fugir. Eu sinto muito pela dor que fiz você passar naquela noite! ― dizia ele sem querer soltar Natalia. Apesar dela não entender, ela sabia que, nesse outro mundo, ele seria irmão dela, então não foi tão estranho assim.
Eles conversaram por muito tempo e a Mara do outro mundo desamarrou os cabelos, se mostrando ser exatamente igual a sua versão desse mundo. A única coisa que mudava nas duas era o nível de cultivo e olhar sofrido que a uma carregava consigo.
― Somos mesmo idênticas! ― disse Mara do mundo atual.
― Sim, nós somos. ― concordou a outra com um leve sorriso. Mesmo quando ela sorria, qualquer um poderia perceber a dores que seus olhos carregavam, eram dores de perder quase tudo o que tinha. O outro Rael não tinha um olhar muito diferente. Todos que viram os devoradores de perto tinham mais ou menos aquele olhar, até mesmo Samantha.
― Parecem duas perfeitas irmãs gêmeas! ― disse Natalia surpresa. O Rael de cabelos escuros finalmente tinha soltado ela.
Mara original não deixava de ficar impressionada com Samantha, pensar que ela seria sua filha não era algo fácil de esquecer.
Samantha tinha os mesmos olhos azuis que o dela além do mesmo formato de rosto, se alguém não pudesse dizer que uma era filha da outra, então diriam que no mínimo eram irmãs por serem bem parecidas. A única coisa que mudava eram os cabelos loiros da moça que estavam levemente longos. Desde a ultima vez que a Rael a viu, ela deixou os cabelos crescerem ouvindo o conselho da mãe de que homens gostavam de mulheres com cabelos longos.
A visita não durou muito. Mara do outro mundo repôs a máscara e foram levados pela Mara original a residência do pai. Rael e Natalia ficaram sozinhos:
― Isso foi bem estranho... ― disse Natalia depois que eles saíram.
― É, eu sei... ― concordou Rael.
― Rael, o que vamos fazer se essas coisas do outro mundo invadirem o nosso? Ou quando invadir?
― Vamos lutar, é o único jeito. ― disse Rael.
― Com Violeta como líder deles, não será nada fácil.
― Sim, mais temos a nossa Violeta e também Emilia. As duas juntas são bem poderosas ― disse Rael.
― E Alexia, ela não vai ajudar?
― Eu não sei, ela está ocupada restaurando o poder, se ela consegui acabar a tempo sim. A propósito Andréa não deu qualquer sinal ainda?
― Não, eu passei a maior parte do dia hoje treinando e ninguém me passou nada ― disse Natalia.
Com a família do outro mundo na residência Raleon, Rael ficou despreocupado e partiu para o castelo, era hora de ver Anita.
Com a morte de Arthur, o fim dos ataques de Keylla e a pausa do tal sujeito invisível, Rael estava muito mais a vontade. Ele não tinha medo de sair sozinho, pois nessa altura do campeonato o clã Sangnos já estaria ciente da morte de Arthur e certamente não tentariam mais nenhum ataque por um bom tempo. Rael estava dando uma chance a eles, se eles fizessem qualquer coisa a mais, Rael não teria pena e mandaria Violeta destruir toda a região.
O castelo imperial tinha as maiores muralhas de todo o continente Sul. Essas muralhas cercavam quase todo o castelo, deixando apenas a parte da frente baixa com um conjunto de portões de um tipo de metal pesado, e sendo constantemente protegida com dezenas de guardiões no décimo reino acima.
Rael também notou que em cima do castelo haviam três grandes barcas voadoras, todas feitas em forma de grifo, mas com cores diferenciadas.
― O jovem mestre pode entrar, a princesa está lhe esperando. Eu o acompanharei. ― disse o guardião prontamente quando Rael se aproximou e disse o motivo de sua visita.
Rael acompanhou o guardião e cruzou o portão maciço. Eles passaram pelo jardim de entrada e depois avançaram por entre corredores e alguns salões. Rael não cansava de ver escravos ou servos cumprindo várias tarefas, como também vários guardiões mantendo rondas rotineiras por todo o castelo. O lugar era grande e Rael não duvidou que poderia se perder dentro daqueles infinitos corredores.
― O quarto dela é este, senhor. Ela está aguardando sua entrada. Fique a vontade. ― dizendo isso, o guardião saiu deixando Rael de frente a uma luxuosa porta de prata, contendo as palavras “Princesa Anita” em cima. Em frente a porta, do lado oposto do corredor, estavam três guardiões parados em pé, fazendo a proteção local. Rael os olhou mas eles não disseram qualquer coisa nem qualquer sinal, continuaram apenas rígidos em manter suas vigilâncias. Eles provavelmente sabiam sobre a visita de Rael.
*Tum Tum Tum! ― Anita! ― Rael bateu na porta, chamando a princesa.
― Está aberta, pode entrar. ― disse a voz dela de dentro. Rael girou a maçaneta empurrando a porta e entrou.
Anita estava sentada na cama com um belo vestido branco. Ela estava cheirosa e bem arrumada, pronta para receber Rael. Parecia que estava prestes a ter uma lua de mel naquele instante.
― Você resolveu aparecer só na minha segunda carta? Eu estava começando a pensar que você não se importava comigo. ― disse ela e fez um sinal com a cabeça para Rael se sentar ao lado dela.
Rael não fez cerimônia, ele fechou a porta e se aproximou da cama, sentando-se ao lado esquerdo da moça:
― Eu estive ocupado com alguns problemas pessoais. Não posso correr na mesma hora sempre que alguém me chamar.
― Eu não sou qualquer uma, Samuel. Sou a sua princesa e também sua futura esposa. Se eu te chamo não é porque quero brincar de casalzinho antes do tempo, é porque preciso de você. ― disse ela seriamente, mas não parecia irritada.
― Brincar de casalzinho antes do tempo? Interessante ouvir isso. ― disse Rael.
― Não leve isso a mal. Eu gosto de você, mas você parece não compartilhar nenhum um pouco essa nossa relação. Sei que até o momento tudo que rolou entre nós foi alguns beijos e alguns abraços, e que isso não faz nenhum homem se sentir apaixonado por uma mulher, muitos menos o contrário. Mas acontece que eu não menti daquela vez. Algo em você me atrai e continua me atraindo cada vez mais.
― E onde você quer chegar com isso? ― perguntou Rael olhando de lado.
― Quero que você me visite mais. Venha me ver mais vezes, faça muito mais parte da minha vida. Eu quero a sua presença. ― disse a moça.
― Você me pegou em péssimos dias. Eu ando muito ocupado com alguns problemas. Amanhã mesmo vou sair para fazer algo e só irei retornar depois de quinze dias. ― disse Rael.
― E depois desses quinze dias?
― Olha, eu não sei. Vou precisar de muito mais tempo, quem sabe uns dois meses? Depois disso eu estarei mais livre.
― Praticamente em cima do nosso casamento. Eu sugiro que você repense esse tempo que você usará com suas ocupações. Existe coisas que vão requerer sua atenção.
― Como o quê? ― perguntou Rael.
― Meus irmãos mais velhos não gostaram de saber por meu pai que ele pretende passar o comando do império a mim. Os três estão a muitos anos empenhados em receber a chance de virarem novos imperadores. Eles debateram com meu pai e conseguiram permissão para criar um torneio imperial envolvendo todos os clãs mais poderosos.
― E daí...?
― E daí que você está envolvido. Se você não ficar em primeiro lugar, vencendo todo o torneio, não terá o direito de assumir o poder do império.
― Mas o que tem a ver os outros clãs nisso?
― Você não sabe? Depois que nosso casamento foi anunciado, todos os outros quatro grandes clãs, excedendo apenas o clã Torres, reclamaram e ameaçaram se rebelar. Atualmente o nosso império está instável, com muitos clãs de poder insatisfeitos.
― Isso não é bom... ― disse Rael, reconhecendo o problema que poderia causar.
― Sim. Na verdade, é muito ruim. Se eles ficarem mesmo irredutíveis sobre essa situação, meu pai pode ser obrigado a romper nosso casamento ou até mesmo permitir que nos casemos, mas sem passar o império para nós. De todas as formas, acho que não é esse o resultado que você procura. ― disse ela.
― Com certeza não é.
― Por isso o meu pai foi obrigado a aceitar e os outros clãs concordaram. Se você com seu próprio poder sair vitorioso sobre todos, você poderá assumir o poder junto a mim. Caso o contrário ocorra, acontece o que eu disse acima.
― E se eu perder o torneio acaba, é isso?
― Não. O clã vencedor ganhará alguns direitos de terras e extensão de território como prêmio por ter apresentado os lutadores mais fortes. Também terá alguns prêmios para o segundo e terceiro lugar. Esse torneio só beneficiará os outros, você apenas tem que vencer para continuar no direito para assumir e calar a boca das outras famílias. Não sei como dizer isso, mas suas chances são poucas. ― disse ela desanimada e olhou de lado.
― Por que pensa isso?
― Você não sabe as regras? Para esse torneio, todos os cultivadores do décimo segundo reino abaixo podem se inscrever. Só não pode os reinos finais. ― disse Anita, deixando Rael chocado.
― Eu vou lutar contra décimos segundos reinos? ― perguntou Rael naquele estado ainda surpreso.
― Foi exatamente isso que você ouviu. Meus irmãos ainda são décimos reinos, eles não têm qualquer pretensão de vencer, tudo que querem é tirar a sua mão do trono imperial. E os clãs estão vendo isso como uma oportunidade de crescimento.
― Se você acha que vou perder, porque ainda queria que eu ficasse alguns dias contigo? ― perguntou Rael curioso.
― Mesmo se perder, eu ainda gostaria de me casar com você.
― Mas por quê? Você também não gosta de mim.
― Princesas não se casam por gostarem de alguém, na maior parte das vezes somos forçadas a nos casarmos até com homens repugnantes. Pelo menos você é um homem bonito, bem atraente e tem um excelente cultivo, sem esquecer o fato que meu pai sempre fala bem de você. Por alguma razão ele acredita que você tem chances de vencer esse torneio. ― disse Anita com um sorriso.
Rael ficou desfocado enquanto pensava. Da última vez que ele tentou usar o nível três de sua transformação, ela falhou. Sem a transformação, a chance de Rael vencer décimo segundos reinos seria quase nula. A única esperança seria ele cultivar como um louco.
― E quanto tempo falta até começar o torneio?
― O Torneio está marcado para daqui a 40 dias. Depois disso restará um mês para o nosso casamento. Caso você perca, poderá cancelá-lo. ― disse a moça, mantendo o seu estado sério.
― ’40 dias não parece tão ruim, eu ainda tenho tempo!’ ― pensou Rael.




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