O Herdeiro do Mundo

213 - Planos de Passeio

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: Nego
Rael contou a verdade a Beatriz, disse que ele e irmã estavam um pouco enrolados, mas ele não disse nada sobre ela ser a guardiã dele.
― Você e minha irmã namoram? ― Beatriz ficou chocada. Agora ela já havia soltado Rael.
― É, mais ou menos isso... Mas faz tempo que não a vejo, ela sumiu de repente.
― Por quê? ― perguntou Beatriz, que não sabia nada sobre o pai ter mandado entregar de bandeja Isabela para Romeo.
― Não sei. Ela sabe onde me achar, mas nunca veio a mim... De qualquer forma, ela aparecerá em breve. Ela é uma mulher forte e sabe muito bem se virar. ― disse Rael, mostrando que acreditava no poder de Isabela. Ele se lembrava da ilha e de como ela lutou bravamente. Mesmo com adversários acima de seu nível, ela podia facilmente enfrentar.
― O que mais me lembro da minha irmã é o ódio dela por homens. Mesmo com toda a segurança do meu pai, ainda havia aqueles que ousavam mandar cartas, mandar recados e tudo o mais. Minha irmã recusava a todos e ainda ficava furiosa. Ela sempre foi muito bonita e atraía muita atenção, até eu tinha certa inveja dela.
― Mas você também é muito bonita, Beatriz. ― elogiou Rael tentando ser educado. Isso fez o rosto de Beatriz corar.
― Não precisa ser tão educado comigo. Eu sei que não sou feia, mas não me comparo a minha irmã. ― disse ela rapidamente.
― Voltando ao assunto... Ela nunca se interessou por ninguém? ― Rael quis saber por curiosidade.
― Eu nunca vi ela olhar mais de uma vez para nenhum homem, ou dizer qualquer coisa de algum pretendente. Quando meu pai quis empurrar um casamento para ela a força, foi como se ela explodisse em fúria. Ela esbravejou e gritou com o pai na frente de todos, o pai não perdoou e deu -lhe um fortíssimo tapa no rosto, que a fez voar mais de dez metros. Ela ficou desacordada por um dia inteiro e, quando acordou, arrumou suas coisas e fugiu.
Mesmo com Arthur morto, Rael ainda se encheu de ódio ouvindo isso. Ele não imaginava o quanto Isabela poderia ter sofrido nas mãos daquele crápula. Não havia como um quarto reino comum receber um golpe de um reino final e não desmaiar. Um próprio pai fazer algo assim com sua filha, nem pai merecia ser. Rael teve esse pensamento enquanto se lembrava do próprio pai. Isabela sofreu um pouco também em seu passado, mesmo que não tenha sofrido tanto como Rael.
― O resto você já deve saber. Ela fugiu, meu pai ficou furioso e mandou caçarem-na e matá-la. Ele ofereceu 50 mil moedas de ouro pela própria cabeça da filha. Verom a tomou como discípula em algum ponto dessa caçada e ameaçou o meu pai. Meu pai, com medo de Verom, mandou retirar o pedido. Parece que Verom é alguém bastante perigoso. Meu pai geralmente não tinha medo de qualquer um. ― disse ela.
― Verom protegeu Isabela. ― disse Rael.
― Protegeu. Se não fosse por ele, hoje Isabela estaria morta. Ninguém mais iria ajudá-la contra uma família poderosa quanto a minha.
Rael se lembrou dos boatos que rolava sobre a caçada de Verom, ele nunca ligou os pontos assim como a maioria, mas sabia que ele era o mestre de Isabela. Mas, o que Rael podia fazer? Mesmo que ele quisesse ajudar, ele não tinha como enfrentar o próprio clã no momento. Verom era importante para Isabela, mas não para Rael. Ele teve muitas outras preocupações ao longo desses dias para pensar antes dos amigos de outros.
― Bom, seu pai faleceu... Isso significa que você agora é livre. ― disse Rael.
― O que quer dizer com isso?
― Você é livre para partir agora a qualquer momento se desejar, mas se ficar comigo vai continuar sendo a minha discípula e eu vou treinar você como todos os outros. Se quiser voltar e viver no seu clã, você pode. Não é o meu desejo, isso é apenas se você quiser. ― disse Rael. Com Arthur morto, Beatriz poderia voltar para casa se quisesse.
― Não! Eu não quero voltar nunca mais, eu nunca me senti em família naquele lugar... Eu quero ficar ao seu lado e continuar treinando! Eu... Eu...! ― Beatriz tentou dizer algo mais, porém sua timidez a impediu. Ela ficou corada novamente e com o rosto quente. Isso foi percebido por Rael, que já tinha um pouco de experiência no assunto, ele também se lembrou do que Thais disse sobre ela gostar dele.
― O que foi? Se tiver algo a dizer, diga. ― disse Rael.
― Não é nada com que você deva se preocupar... ― disse ela baixando a cabeça.
― Beatriz, você pode me dizer qualquer coisa que eu ouvirei. Vá em frente. ― Rael insistiu. Rael queria ouvir o que ela tinha a dizer. Ele não estava nervoso, nem sabia como iria reagir caso fosse o que ele de fato esperava. Ele não sentia nada por Beatriz a não ser afeto como amizade, mas ele nunca negava que achava bonito as mulheres corando. Quando elas ficavam sem jeito com os rostos vermelhos era realmente atraente.
― Só... Só quero agradecer pelo que fez por mim. ― disse ela, voltando a olhar Rael.
― Você não precisa ficar me agradecendo. Bom agora que seu pai está morto, ele não vai mais incomodar. Você quer continuar vivendo aqui ou voltar para o clã Sarbaros? Deixo isso sob a sua decisão. ― perguntou Rael esperando.
Seria mais fácil ele levá-la de volta para o clã, lá estariam todos os outros discípulos e ficariam todos juntos, porém, Rael viu que Rose estava se dando muito bem com ela e tirar Beatriz daqui deixaria Rose sozinha novamente.
Rose podia nunca demonstrar, mas ela se sentia solitária sem Rael. Rose ainda era como uma moça no meio de um monte de mulheres adultas. Ter Beatriz por perto, que era como uma adolescente também, era uma ótima companhia. Era tão boa que em pouco tempo as duas já estavam até praticando juntas. Rose inclusive tinha contado segredos para a moça e Rika nem tinha reclamado ao que parecia. Resumindo, Beatriz tinha sido muito bem aceita por Rika e Rose. Como Rika não aceitaria ver a sua filhinha mais feliz?
― Eu prefiro ficar, eu gostei de Rose e me dou muito bem com ela, tanto com ela quanto com Rika. Laís e Thais me tratavam bem, mas elas pareciam ter um pouco de medo de mim, aqui eu me sinto muito melhor.
― Se essa é sua decisão, você continuará aqui. ― confirmou Rael. Beatriz sorriu de volta satisfeita.
― Agora chegou a hora da entrega. Eu tomei a liberdade de criar uma armadura mágica pra você, e também um par de espadas mágicas.
― Para mim? ― Beatriz ficou surpresa.
― Sim, para cada discípulo eu irei criar uma armadura e armas mágicas. Eu ainda não terminei de todos, mas já fiz as suas. ― disse Rael, estendendo o bracelete azul para a mesma, na outra mão ele segurava uma pequena pedra, também azul.
― Espere... Você disse que criou? ― Beatriz ficou atrapalhada.
― Criei sim, qual é o problema? ― perguntou Rael, que por um momento se esqueceu do quão chocante isso seria para pessoas que não o conheciam completamente. Ele estava se acostumando com Beatriz, por isso se esqueceu desse fato.
Depois de acalmar Beatriz das surpresas, ele colocou o bracelete no pulso dela e antes de mandar ela ativar a armadura, ele também fez a ligação da pedra no bracelete, ligando a armadura mágica à pedra, assim quando uma fosse ativada a outra também seria. O bracelete azul ficou com uma pequena pedra azul incrustada junto.
― Pode ativar agora. ― disse Rael, dando espaço depois de preparar tudo.
―Armadura Demônio Macaco Azulado: ativar! ― disse Beatriz. Um poder azul se espalhou e uma armadura metálica de cor azul surgiu. Apesar de ser uma armadura criada a partir de um demônio macaco, ela tinha belas formas femininas. Não havia nada demais além das proteções corporais normais. As únicas diferenças eram nos pés, onde haviam poderosas garras escuras escondidas, e no elmo. O elmo era fechado com frestas na boca e nos olhos, mas esse, tinha proteções extras por toda a extensão e cobria até mesmo o pescoço, onde havia um tipo metal mais elástico, Beatriz poderia mover a cabeça facilmente para os lados. Demônio Marcado Azulado era conhecido por ter a cabeça muito resistente.
Nas mãos estavam as duas espadas de porte médio de empunhaduras azuladas, combinando com a armadura. As lâminas prateadas pareciam brilhar nas mãos de Beatriz. Seu fio era tão fino e poderoso que poderia partir facilmente uma pessoa ao meio.
― Samuel, é incrível! ― ela disse animada de dentro enquanto sentia o poder fluir através dela, tanto da armadura quanto das espadas.
Espadas mágicas tinham muito mais poder destrutivo do que espadas comuns, mesmo criadas pelo mesmo tipo de minério. O interessante é que uma espada mágica jamais perderia o seu fio, porque se ela fosse danificada, ela seria restaurada em poucas horas, voltando ao seu estado perfeito novamente como se nunca tivesse sido usada.
― Essa armadura aumenta a sua força, sua defesa e principalmente suas habilidades de amplificação. Ela combina perfeitamente com o seu tipo de poder e suas formas de batalha. ― disse Rael.
― Sim, eu posso sentir. Eu também sinto um estranho poder oculto, algo como uma habilidade que só preciso pensar para ativar. ― disse ela. Rael viu as garras da armadura dos pés de Beatriz tremerem. Conforme ela ativasse sua habilidade, aquelas garras iriam aparecer.
Beatriz se moveu com agilidade atacando de um lado a outro de frente a Rael. Ela manobrava bem as lâminas e o próprio corpo.
― Essa armadura é incrível, as espadas também! Mal dá para acreditar que foram feitas por você. Eu sinto que usando a armadura e essas espadas meu poder praticamente dobra! ― disse ela fazendo uma pausa. Ela desfez a armadura e as espadas. Tudo voltou para o bracelete e a pedra.
― Fico feliz que tenha gostado. ― disse Rael.
― Por que você faz tanto por mim? Você já me treina, já me salvou... Não precisava me dar essa armadura, nem essas espadas mágicas, que eu nem sabia que era possível serem criadas.
― Pois é, eu resolvi inovar, embora elas não irão cair no mercado. ― disse Rael.
― Se você quisesse ganhar muito dinheiro, essa seria uma forma. As pessoas pagariam muito bem por espadas mágicas. ― disse Beatriz.
― Sim, mas eu só quero isso nas mãos de pessoas de minha confiança. Você me perguntou porque faço tanto por você, não foi? Eu faço porque confio em você. Um dia, quando você ficar forte, você também me ajudará e lutará por mim. Meu sonho é tornar esse mundo melhor. Eu quero acabar com muitas coisas mas, no momento, tudo que você precisa é treinar. No futuro, eu vou querer seu apoio. ― disse Rael.
― Não importa o que você me pedir no futuro, eu o farei com prazer! ― disse Beatriz firmemente, reverenciando Rael.
Depois de se despedir de Beatriz, Rael partiu voltando para a base principal. Rose, que já esperava Rael voltar, ficou sorridente ao vê-lo novamente. Rael sorriu para a jovem celestial e explicou que outro dia voltaria só por ela novamente. Depois, ele foi ver o esconderijo interligado, onde estavam os demais convidados do outro mundo. Tudo era ligado através de cristais de teleporte.
Era um lugar simples. Havia dois quartos, uma cozinha e uma sala. Mara foi quem recebeu Rael de inicio. Ela o levou para a sala onde o outro Rael e Samantha apareceram curiosos. Todos aparentavam estar bem.
― Sim, estamos. Obrigado por cuidar de nós. ― agradeceu o Rael de cabelos escuros, depois de Rael perguntar se eles estavam bem.
― Querem fazer um passeio? ― perguntou Rael de repente.
― Mas nós não podemos sair. Se alguém reconhecer Mara estaríamos causando problemas a você, não? ― perguntou o Rael de cabelos escuros.
― Nem tanto, eu tenho um plano. ― disse nosso Rael.
― Que plano? ― quem perguntou dessa vez foi Samantha.
― O problema maior seria apenas alguém reconhecer Mara, então, tudo que precisamos fazer é cobrir o rosto dela. Como um décimo segundo reino, ninguém vai desconfiar de quem ela seria, desde que usasse uma máscara. Dessa forma, vocês poderão ver Rayger, e até Natalia. ― disse Rael. Os olhos do Rael de cabelos escuros brilharam e os das meninas também. Todos ficaram animados com a ideia.
― Rael, e meus pais? Eu vou conseguir vê-los? ― o outro Rael quis saber.
― Você ainda não sabe, mas nesse mundo os seus pais não prestam. Sua mãe e seu pai me trataram como um grande lixo e até mandaram me matar. Imagine pais que mandam matar seu próprio filho? Natalia foi feita de objeto e sofreu nas mãos dos dois, sendo forçada a um casamento com um verdadeiro monstro. Tudo para se manterem no poder. Eu salvei Natalia. Eu não consigo explicar tudo, mas eu não tenho nenhuma amizade com os mesmos e eles não sabem que eu sou o filho que um dia eles mandaram matar. Isso deve continuar assim. Lá fora eu sou conhecido como Samuel, e vocês não devem me tratar como Rael diante dos outros. ― disse o Rael ruivo, explicando a maior parte das coisas desse mundo.
Depois de explicar os fatos por cima, o outro Rael ficou em silêncio, olhando para o chão. Ele se lembrava de Rael no outro mundo perguntar dos pais dele, agora isso fazia sentido.
― Nesse mundo você é casado com minha irmã Natalia... Ela também não seria a sua irmã? ― o Rael de cabelos escuros quis saber e essa era uma curiosidade geral, até das meninas. Todos olharam Rael com expectativa.
― Sim, fomos criados como irmãos, mas eu não tenho o mesmo sangue dela. Nesse mundo eu nasci tomando o seu lugar, mas não herdei o sangue Torres. Nesse caso, Natalia é minha irmã apenas de criação, não de sangue. ― explicou o Rael ruivo. Havia um ar de surpresa em todos os olhares ali presente que ouviram isso.
― Mesmo sendo irmã de criação, fico surpreso por você e ela terem chegado a esse ponto. Sei muito bem que minha irmã era bonita naquela época, mas isso ainda é estranho de se ouvir... ― disse Rael de cabelos escuros. As outras meninas tiveram de concordar, principalmente Samantha que ficou extremamente insatisfeita. Rael não a quis por ser filha de Mara, mas Natalia que deveria ser sua irmã, por que ele aceitou? Aquilo era demasiado estranho.
― Eu sei que isso é estranho para vocês, mas Natalia é especial pra mim. Ela foi a única em todo clã a não me desprezar por eu ser um aleijado, acho que desde criança eu passei a amar aquela garota. ― disse Rael se lembrando.
― Quem somos nós para reclamar? Se você a ama, não nos importamos. Nós nem somos daqui, você pode fazer o que quiser. ― consentiu o outro Rael depois de alguns segundos.
Houve mais alguns segundos de silêncio e o Rael ruivo voltou a falar:
― Eu vou levá-los, mas vocês não vão entrar na presença do patriarca Romeo nem de Elisa. Se concordarem com isso, ótimo. Vocês poderão até passar alguns dias escondidos na residência de Neide. ― disse Rael.
― Desde que eu possa ver minha irmã e o senhor Rayger, já será perfeito. ― concordou o outro Rael.
― Então se arrumem porque já iremos partir. ― disse Rael e retirou uma máscara que ele havia comprado na cidade, entregando-a para Mara: ― Não acho que preciso dizer, mas disfarce também o seu cabelo. Amarre-o ou faça algo do tipo, para não ficar tão parecida com sua outra versão desse mundo. ― explicou Rael.
― Obrigada. ― agradeceu Mara, recebendo a máscara. Rael sempre se sentia estranho quando falava com a Mara do mundo paralelo, porque essa era como a sua Mara, mas sendo de outra pessoa. Isso era surreal. Se as duas fossem colocadas lado a lado, Rael não saberia dizer qual seria a esposa dele.
Rael também estava se preparando para contar a verdade para as suas esposas sobre os devoradores estarem perto de invadir esse mundo, seria loucura querer apresentar essas pessoas do outro mundo sem dizer toda a verdade.




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