O Herdeiro do Mundo

212 - Conversa Com Beatriz

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: Nego
Rael poderia ter muitas prioridades, mas era a segunda carta de Anita e ele não podia continuar ignorando-a. Ignorar como antes como Neide propôs poderia ter sido uma boa ideia, mas ignorar a segunda correspondência daria a entender que Rael não dava a mínima para a princesa, o que não viria ao caso.
No dia seguinte, Natalia e Mara foram para os seus treinamentos, Rael tinha deixado o aviso que a partir do dia seguinte eles voltariam novamente a cultivar no vulcão do dragão por mais alguns dias. Ele só teria um dia para fazer o que precisava ser feito.
A primeira coisa que ele fez foi visitar o esconderijo, o castelo Grinfem ficaria para mais tarde. Rael precisava ver Beatriz e contar a ela sobre o ocorrido. Querendo ou não, Arthur era o pai dela e ela merecia saber a verdade.
No esconderijo, Rael foi bem recebido por Rika, que estava deslumbrante. Rika estava cheirosa e usava um de seus belos vestidos de renda, exibindo suas pernas de tirar o fôlego. Rika era uma mulher adulta e, portanto, seu corpo era plenamente desenvolvido. Não havia como Rael não lançar mais de alguns olhares para ela. Rika estava sorridente e mostrando um belíssimo humor, o que chamou mais ainda a atenção de Rael. Rika em seu estado natural séria e dura já era atraente, sorridente então, ela... era incrível!
Apesar de Rael ter gostado de ver Rika arrumada, ele havia vindo aqui hoje por Beatriz.
― Ela está treinando com minha filha, estão na caverna. ― explicou Rika depois que Rael perguntou.
― Obrigado, eu irei vê-las. ― disse Rael e já ia sair quando Rika disse em seguida.
― Rael, você gostou de mim assim? ― perguntou a bela celestial. Rael já sabia que ela tinha essa resposta e ainda assim queria ouvir da boca dele. Rika arrumada, bem cheirosa e com os cabelos tão bem penteados, ultrapassava em muito qualquer que seja o nível de sedução. Só em estar perto dela o coração de Rael se mantinha disparado. Era óbvio, ele sabia como era uma transa com Rose, que era bem mais nova. Como ele poderia não pensar em como seria transar com essa fantástica mulher, que era outra celestial bem mais desenvolvida? Não importa o quão sério um homem possa ser, quando o assunto é uma bela mulher, ele sempre vai se sentir fascinado.
― Você já sabe o que sinto... ― disse Rael, parando e se voltando para ela.
― Por que não fica um pouco aqui comigo? Eu gostaria de ter sua companhia. ― disse ela com um belo sorriso. Rika sabia sorrir perfeitamente e seu sorriso era realmente sedutor. Se Rael não estivesse tão acostumado a belas mulheres, agora ele certamente estaria se tremendo de ansiedade e sabe-se lá mais quantos desejos iriam dominá-lo.
É claro, Rael ficou confuso, e esse era o esperado. Para ele, Rika estava agindo de uma maneira estranha mesmo sabendo que ele continuava tomando os remédios para não engravidar ninguém.
― O que houve com você, Rika? Por que tá agindo assim de repente?
― Você não gostou? Eu só comecei a perceber que a vida humana tem muitos prazeres para se ignorar pensando apenas em gerar filhos. ― disse ela. Rael sabia que Rika tinha observado a mente da filha e experimentado as sensações mesmo que indiretamente, por isso havia uma chance dela estar mesmo fazendo aquilo para provocar Rael.
Rika, por outro lado sabia que Rael estava transbordando de desejos e por isso ela se sentiu mais confiante. Sua filha e Beatriz não voltariam tão cedo e ela teria bastante tempo para ficar com Rael.
― É estranho para mim ver você agindo assim, sem pensar em filhos... ― disse Rael. Não pensar em filhos? Aquilo era tudo o que Rika continuava pensando, mas ela aprendeu a esconder essa vontade, mantendo-a de uma forma que Rael não percebesse porque ela sabia que ele sempre seria contrário.
― Emilia ainda está dormindo, Violeta está ocupada lá embaixo e seus amigos do outro mundo estão na outra extensão do esconderijo. Violeta os deixou lá para terem mais privacidade e vice-versa. Em resumo, estamos so-zi-nhos. ― disse Rika, se aproximando lentamente e fazendo o coração de Rael acelerar ainda mais. Rael era incrivelmente fraco para mulheres bonitas.
Mara, Rael e Samantha do outro mundo não estavam se sentindo a vontade com Violeta. Eles mal conseguiam dormir, pois tinham traumas da versão do mundo deles, e por isso Violeta os separou. Eles também não poderiam aparecer diante do mundo, pelo menos não Mara, por isso eles teriam que ficar escondidos. Dessa forma, Violeta elaborou um novo local para os mesmos conviverem. A única que permanecia junto das violadoras e das celestiais era Beatriz, que estava agora treinando com Rose.
― E-eut-tenho coisas pra f-fazer hoje. ― disse Rael, se virando apressadamente. Mesmo que Rika fosse incrivelmente irresistível, Rael ainda não tinha total certeza se aquilo era de fato desejo puro dela. Rael ainda acreditava que ela estaria escondendo algo.
Rika viu Rael tentando recuar, mas percebeu o nervosismo do rapaz lutando contra os próprios desejos. Rael não tinha como evitar pensar nas sensações ao possuir Rika, as carícias, os toques, os beijos...Tudo. Rika se conteve mesmo sabendo que poderia avançar, por enquanto todos os resultados estavam favoráveis a ela. O primeiro resultado ela já tinha conseguido com sucesso, que era deixar Rael com vontade. Segundo resultado também foi positivo, ela percebeu que o seu sorriso mexia bastante com Rael. Terceiro resultado foi a maneira que ela se vestiu, o que quase fez Rael se descontrolar. Nesse ponto, tudo estava indo como Emilia disse que seria. Rael ainda era bastante fraco para mulheres bonitas, e ela usou muito bem seus atributos.
― Então, depois nos veremos. ― disse Rika sorrindo, já que efeito causado em Rael por enquanto estava satisfatório. Se ela avançasse demais poderia colocar tudo a perder, deixando Rael confuso e curioso. Se caso Rael começasse a fazer perguntas, ela poderia acabar entregando tudo sem querer, estragando o seu plano.
― ‘Deixe claro que você o quer, mas não faça nada. Deixe que ele mesmo perca o controle e tome a iniciativa. Chegará uma hora em que ele mesmo irá procurar você. Dessa forma, não será como se fosse um desejo seu e sim o dele. Então, ele não ficará desconfiado em nada.’ ― Rika se lembrou com satisfação do conselho de Emilia enquanto via Rael partir completamente balançado.
Minutos depois, Rael encontrou Rose e Beatriz treinando. As duas estavam trocando golpes com os corpos cobertos em aura.
Beatriz tinha o corpo coberto em uma intensa aura roxa, que era o elemento da Amplificação. Apesar dela geralmente usar espadas duplas como o falecido pai, ela estava lutando com as mãos nuas contra Rose.
Rose tinha o corpo coberto em raios e lutava com o nível reduzido, quando comparado a Beatriz. Rose não podia cultivar como a maioria dos cultivadores por ser uma espécie de humana bestial, mas seus poderes aumentavam de força sem esforço com o passar do tempo. Atualmente, ela já tinha a força quase equivalente a um sexto reino. Já Beatriz estava nos níveis intermediários do quinto reino.
As duas não viram Rael chegar de começo. Elas continuaram trocando ataques com velocidade enquanto saltavam de um lado a outro. Rael ficou impressionado, em combate as duas estavam se saindo muito bem, ambas tinham boas defesas, ataque poderosos e uma ótima velocidade de reação, mas Beatriz tinha uma pequena desvantagem, ela não tinha o corpo tão resistente como o de Rose.
Boooom! Booooom! Boooooooooom!
Além dos ataques normais, quando as duas se afastavam, Rose usava seus raios e atirava contra Beatriz, que era obrigada a se esquivar enquanto procurava por uma rota para contra-atacar a Rose. Dar espaço para a celestial não era muito inteligente.
Rael continuou parado assistindo, ocultando sua aura enquanto as duas treinavam intensamente. Rael viu Beatriz por outra perspectiva agora. Beatriz, apesar de parecer depender dele e ser tão tímida e frágil, era uma boa combatente e tinha olhos de uma verdadeira lutadora.
Boooom!
Beatriz tinha saltado para a direção da entrada, o que fez Rose se virar e ver Rael. No mesmo instante, Rose parou de lançar seus ataques e conteve toda a sua aura, fazendo seu corpo se normalizar. Ela correu na direção de Rael, ignorando Beatriz. Beatriz, ao ver Rose cessando o ataque repentinamente, ficou confusa e olhou na direção que a moça corria, encontrando Rael em seguida. Então ela entendeu e também normalizou seu poder.
― Rael! ― Rose chegou saltando sobre Rael. Ela sempre era bastante receptiva com ele. Os dois se abraçaram e ela o beijou calorosamente. Rael sentiu os lábios doces e macios de Rose enquanto a colocava de volta no chão. A moça continuou abraçada com Rael. Beatriz se aproximou com um pouco de timidez. Ela já sabia que Rose e Rael tinham um caso, porque Rose contou, Beatriz foi sua primeira amiga e ela contou vários segredos a Beatriz, tornando-a sua confidente.
Rael não podia saber, mas Rose contou até como foi a transa entre eles para Beatriz, e essa por sua vez estava muito curiosa. Beatriz tinha 17 anos, ela já estava pra lá da idade de ter vontade sobre essas coisas. Ouvindo um conto da própria Rose e ainda tendo sentimentos por Rael, ela se encheu mais ainda de desejos. Mas, o que ela poderia fazer? Ela não era mais bonita do que Rose, não era nem tampouco mais bonita do que Mara ou Natalia, ela era só uma jovem que acabou envolvida em uma vingança de Rael. A única coisa boa de tudo era que agora ela tinha liberdade para ficar perto de quem ela quisesse. Ela não precisava mais se preocupar com as mãos de ferro de seu pai controlador.
― Rael, você veio para ficar um tempo comigo? ― Rose era direta e até esquecia de usar o nome Samuel. Nesse esconderijo, todos praticamente o chamavam de Rael e não de Samuel, isso deixou Beatriz levemente confusa, porque não foi a primeira vez que ela ouviu aquele nome. Ela ouviu algumas vezes até de Emilia, que conversou um pouco com ela antes.
― Rose, você sabe que eu te adoro e que amo ficar com você, mas hoje eu vim porque preciso ter uma conversa com Beatriz. Você poderia nos deixar a sós por um momento? ― perguntou Rael.
― Posso sim. Beatriz é uma boa amiga. ― disse Rose. Ela ainda estava abraçada com Rael. Ela aproximou o rosto e cheirou o peito de Rael, só o cheiro dele já a deixava animada. Depois ela ergueu o rosto e beijou Rael mais uma vez, ela não se importou de ser vista por Beatriz, que ficou corada olhando de lado. Beatriz já tinha visto homens e mulheres fazerem aquelas coisas algumas poucas vezes, mas ver Rael sendo tratado assim por Rose com tanta naturalidade a deixou desconcentrada.
Depois disso, Rose saiu seguindo pela única trilha disponível atrás de Rael. Rael e Beatriz ficaram sozinhos frente a frente. A caverna era bem iluminada por pedras espirituais, por isso ninguém ali tinha dificuldade de visão.
― Como está sendo viver aqui? ― perguntou Rael antes de mais nada. Beatriz ainda estava corada e se virou de volta pra ele.
― É um lugar maravilhoso! Emilia, Violeta e Rika são boas mulheres. Rose é muito legal e me trata como uma irmã! Como vê, estamos até treinando. ― disse Beatriz se animando e esquecendo um pouco a vergonha.
― Você e Rose estão se dando bem? Isso me anima. ― disse Rael.
― Sim, ela é um amor. Ela me contou que não é uma humana normal, que ela vem de uma evolução de um tipo de besta celestial. Eu quase não acreditei, mas ela me deu tantos detalhes que foi impossível não acreditar. Samuel, eu agradeço por ter me trazido com você, em qualquer lugar que você me leve, eu sou muito mais feliz do que fui com o meu pai. ― Beatriz fechou os olhos e reverenciou Rael com seriedade, ela estava profundamente grata.
― É exatamente sobre o seu pai que eu vim falar hoje. ― disse Rael.
― Sobre meu pai? ― perguntou ela abrindo os olhos e voltando ao seu estado normal em pé. Tocar no assunto do pai dela a deixou preocupada.
― O seu pai morreu. Ele me atacou ontem, objetivando tirar a minha vida. Eu quase fui morto, mas uma amiga me salvou e tirou a vida dele. ― explicou Rael. Ela achou que Beatriz ia ficar um pouco triste, mas ela só ficou surpresa com o ocorrido.
― Morto? Ele está mesmo morto? ― a surpresa de Beatriz era mais pelo fato dele ser um reino final e ainda assim morrer. Cultivadores do reino final eram monstros sem igual, ela jamais pensou que seu pai morreria, isso porque ele sempre era muito cuidadoso, escolhendo bem suas batalhas.
― Sim... Isso te incomoda? ―perguntou Rael, ainda confuso com a expressão de Beatriz.
― Se me incomoda? Eu estou é feliz! Eu estou completamente livre! ― Beatriz estendeu os braços para cima e deu um salto, comemorando enquanto sorria. Depois ela subitamente começou a chorar, seus olhos se encheram de lágrimas apesar dela manter o sorriso, ela ficou limpando com as mãos.
― Eu sinto muito, mas eu precisava dizer... ― Rael entendeu que, apesar da alegria, Beatriz ainda sentia alguma dor com a perda.
― Eu não estou triste, estou chorando de felicidade. Meu pai sempre foi um monstro para mim e para a minha irmã Isabela. Ele mereceu isso! ― disse ela sorrindo, embora continuasse chorando copiosamente.
Rael não se conteve, avançou para frente, abraçou a bela jovem e a encostou no peito, de forma a consolá-la:
― Eu vou continuar cuidando de você... Vai ficar tudo bem. ― garantiu Rael.
― Você é muito bom comigo. Mesmo que tenha me tomado por motivos de vingança, você ainda me trata bem. ― disse ela no peito de Rael. Rael podia sentir a jovem se tremendo. Ela não tinha mais seus pais, sua mãe já tinha morrido muito antes e agora seu pai. Rael não podia imaginar como ela estava se sentindo, ele nem podia dizer se ela estava mesmo feliz com a morte do pai.
Conhecendo Natalia, Rael imaginou que Beatriz estivesse mentindo de algum modo, porque Natalia sofreu nas mãos dos pais dela, mas nunca deixou de defendê-los. Quando o assunto dos pais de Natalia era tocado, tudo sempre ficava muito instável entre ela e Rael.
― Beatriz, pode me contar um pouco sobre a sua irmã Isabela? Eu fiquei curioso agora que você a mencionou. ― disse Rael. A moça continuava abraçada com ele e não queria soltá-lo.
― Isabela? Ela é muito bonita, é forte, possui a liberação do Fogo e tem 22 anos. Ela é 5 anos mais velha que eu. A última vez que a vi, o cultivo dela estava no quarto reino, antes dela ser expulsa do clã. Ela era um gênio sem igual, mas não era obediente e meu pai a odiava por isso.
― Espere, você disse que ela tem 22 anos? Mas pelo que eu sabia, ela tinha 35 anos! ― lembrou Rael de quando ela fez o teste de força antes do evento da ilha.
― 35 anos? Não, Samuel... Ela tem 22 anos. Eu a conheço desde quando ela ainda nem era adulta. Ela é a minha irmã, eu saberia se ela fosse mais velha. ―Disse Beatriz, surpreendendo Rael.
― Então, por que ela finge que tem 35 anos?
― Por causa de seu cultivo que era muito avançado para a idade, essa seria a única resposta. Uma vez eu vi meu pai furioso, gritando com todos para saber como Verom tinha feito ela evoluir tão rápido. Ao que parece, ela atualmente está no sétimo reino. ― disse Beatriz.
22 anos sétimo reino, aquilo poderia ser considerado um monstro para pessoas normais. Rael não sabia que agora ela estava no décimo reino, a última vez que ele a viu ela ainda estava no sétimo.
― Samuel, você conhece a minha irmã Isabela? Você parece tão interessado nela. ― perguntou Beatriz, soltando Rael e se afastando um pouco para ver o olhar do jovem a frente.
― Conheço sim, Isabela é muito importante pra mim. ― confirmou Rael sem medo. Beatriz ficou impressionada, ela não fazia ideia da história entre Rael e sua irmã mais velha.