O Herdeiro do Mundo

211 - Um Reino Renascido

Autor: Edson Fernandes da Costa
Revisor: Nego
Rael passou em diversas lojas a procura pelo Minério de Sendrer, era um metal rochoso raro de achar. Quando ele já estava se preparando para desistir daquela rua viu um armazém maior na esquina, com uma placa que dizia vender os mais variados tipos de metais.
Rael entrou na loja e encontrou o tal minério. Seu preço era extremamente alto e Rael precisava de uma boa quantidade devido o número de armas que ele pretendia fazer. Quem o atendia era um homem alto de pele morena e cabelos longos.
Através de uma boa negociação, Rael conseguiu um agradável desconto pela quantidade que compraria e gastou um pouco mais de cem mil moedas de ouro no metal adquirido.
Depois, com o resto das coisas, ele conseguiu comprar com facilidade, mas gastou quase todas as suas economias:
― ‘Eu não sabia que ter discípulos seria tão caro...’ ― Rael pensou enquanto suspirava, analisando pouco ouro que restava. De mais de duzentos mil moedas que ele tinha, lhe restava apenas vinte.
Chegando em casa, Rael iniciou o seu trabalho. Ele começou a criar uma arma atrás de outra, e em seguida as armaduras mágicas. Ele já tinha feito uma lista de todos os seus discípulos e das armas que usavam ou com as quais estavam treinando com mais praticidade.
Mara surgiu depois de voltar do treino acompanhada de Natalia, as duas pararam na sala vendo Rael trabalhar. Quando Rael ia fazer artefatos mágicos, armaduras mágicas ou espadas, sempre os fazia no centro da sala, que era o lugar mais espaçoso. Ervas, pílulas e coisas baseadas em alquimia ele utilizava a mesa da cozinha, as vezes.
― Onde está Andréa? ― perguntou Mara. Ela nem via Andréa perto nem podia sentir a presença da mesma.
― Está passeando, eu não sei onde ela está. ― admitiu Rael.
― Não sabe? ― Mara achou a resposta de Rael estranha.
― Na verdade, ela tem o poder de voar como eu, mesmo sendo um quarto reino. Acontece que ela desapareceu sem me dizer nada. ― disse Rael em seguida. Natalia e Mara ficaram ambas surpresas. Rael falou de maneira simples, mas elas acreditavam porque Rael não era de mentir.
― Ela estava bem? ― perguntou Natalia preocupada.
― Sim, estava. Ela deve voltar em breve, não se preocupe. ― disse Rael.
― Já era hora dessa mulher partir dessa casa, espero que ela mesma tenha tomado essa decisão. ― disse Mara, satisfeita após saber sobre a partida.
― Prima, ela não tinha para onde ir, não se lembrava de nada, estava sozinha... ― Natalia defendeu Andréa, o que seria natural, as duas tinham se tornado boas amigas naquele curto espaço de tempo.
― Eu não gosto daquela mulher. Não consigo saber o que ela pensa... É como se ela fosse uma casca vazia que não posso ler. ― confessou Mara.
Sobre isso era verdade. Mesmo quando ela tentou matar Rael, ela não deixou escapar o mínimo instinto assassino. Na luta contra o patriarca Arthur, isso também foi uma vantagem para ela. Porque além dele estar fraco, ele não conseguia sentir o instinto assassino dela, tudo que ele podia sentir era o poder de um quarto reino. Por essa razão, ele quase morreu no primeiro ataque. Embora isso não tenha sido dito antes, o escudo de Andréa parecia ter mais de uma função além de proteger a mesma de certos invasores.
― Mara, não precisa dizer isso dela, ela é uma boa pessoa. Ela me salvou. ― disse Rael, surpreendendo as duas. Rael não pretendia contar antes, mas ele acabou pensando que talvez a verdade pudesse ser a chave para a aceitação de Andréa. Se as duas soubessem que Andréa salvou sua pele, talvez aceitassem ela com mais facilidade, assim, Rael poderia assumir Andréa como uma futura esposa e ter as três no mesmo teto.
― Do que está falando? ― perguntou Mara confusa.
― Eu fui atacado...
Rael acabou contando tudo que rolou e sobre como Arthur queria tirar sua vida. Ele explicou que Andréa lutou de igual a igual contra Arthur e também o protegeu...
― Aquela mulher enfrentando um reino final? Você não está mesmo brincando? ― Mara não podia deixar de está mais surpresa.
― Não estou. ― disse Rael. Mesmo agora ele ainda pensava sobre isso.
― Que explicação isso tem? Porque você sabe que não posso acreditar que um mero quarto reino possa mesmo enfrentar um reino final, sem nada por trás. ― disse Mara e ela estava definitivamente certa.
― Pode ser que ela seja um reino renascido. ― disse Rael.
― Reino renascido? Não é possível... Ela... ― Mara já tinha ouvido fala sobre isso. Era o poder que sua mãe estava almejando alcançar.
Um reino final no seu ápice pode escolher permanecer no auge mantendo todo seu poder ou renascer. Esse renascimento é uma lapidação para o próprio corpo, que é preparado para receber um futuro poder muito maior. A pessoa rejuvenesce, torna-se mais bonita do que já foi antes e infinitamente mais poderosa. As fundações do corpo se desenvolvem para ter capacidades de atingir um poder muito maior do que antes. O envelhecimento torna-se muito mais lento, quase inexistente. Uma pessoa renascida pode viver por centenas de anos e até alcançar uma idade milenar. Mas, no inicio do renascimento, essa pessoa não será mais forte que um terceiro reino normal. Embora tenha conhecimentos avançados, a perda de poder ainda é severa.
O reino renascido deve buscar novamente os seus avanços, que serão muito mais rápidos do que a primeira devido os seus conhecimentos de outrora.
― Por isso ela era tão linda. ― disse Natalia surpresa. Sim, esse poderia ser um motivo para a princesa Nastácia, ou Andréa, ser tão bela. Além das razões de seu sangue real, poderia ser também devido ao seu suposto renascimento. Mas isso ainda não explicava como ela sendo um quarto reino renascido venceu um reino final. Dentro das normas acima, algo ainda estava errado.
― O que eu disse é verdade, Andréa me salvou, ela matou Arthur e depois fugiu voando. Até eu ainda estou um pouco confuso.
― Ativar: Andréa. Você está me ouvindo? ― perguntou Natalia depois de levar o anel até a altura do rosto.
― Ela retirou o anel... ― explicou Rael para a garota, que desistiu em seguida.
― Se ela era tão forte assim, porque no começo dependeu do seu poder? ― perguntou Mara um pouco irritada. Essa questão também tinha feito Rael pensar, ele não teve respostas.
― Talvez ela não sabia usar seu poder antes. ― disse Rael olhando de lado.
― Temos que encontrá-la e trazê-la de volta. Pode ser que ela só esteja confusa. ― disse Natalia.
― Trazê-la de volta? Primeiro, ela não mora nessa casa. Segundo, ela não é da nossa família e, por fim, ela parece poder se virar muito bem agora. Ela não precisa mais de nosso apoio. ― disse Mara sendo dura, como já era o esperado.
― Ela salvou nosso marido, prima. ― Natalia continuou insistindo.
― Salvou, e daí? Agora porque ela o salvou só falta Rael nos dizer que também vai querê-la como esposa. ― disse Mara, cruzando os braços e olhando Rael com aquela mesma expressão dura. Rael olhou de volta meio sem jeito e Mara pegou o fio de culpa naquele olhar.
― Espere ai, não me diga que você e ela...?! ― Mara deixou a pergunta no ar. Dessa vez Natalia iria entrar em defesa para Andréa, mas também parou para ouvir a resposta de Rael.
Rael teve que admitir que Mara era muito esperta e o conhecia muito bem, talvez muito melhor do que Natalia. Ou aquilo poderia ser apenas ciúme mesmo. O olhar de Natalia sobre Rael era muito mais sereno quando comparado ao de Mara.
As duas continuavam sendo mulheres incrivelmente lindas, e mesmo quando Mara ficava brava, ela ainda era uma bela beldade. Natalia pouco a pouco ia ganhando mais corpo desde que Rael voltou, a moça já tinha até mesmo ganhado um certo crescimento nos seios, fora em outras regiões de seu perfeito corpo. Rael jamais tiraria as duas de seu coração. Elas foram seus primeiros amores, Mara principalmente por ter sido de uma forma estranhamente natural.
Com Natalia, Rael tinha aprendido a gostar. Essa garota sempre o tratou bem desde o início de sua vida. Depois das coisas estranhas que rolaram entre os dois, ele foi aprendendo a ter mais amor como homem por ela do que como um irmão. A cada vez que eles ficavam juntos na cama, Rael ia se apegando mais a ela de forma diferente, de modo que, desde o início sobre o qual ele a reencontrou, os tratamentos já haviam mudado bastante. Rael não tratava Mara melhor do que Natalia nem vice-versa. E nenhuma das duas tratavam uma a outra diferente. Natalia não tinha mais medo de Mara e Mara não odiava mais tanto Natalia e nem a achava tão fraca. Essas mudanças de tratamento se tornaram muito mais rápidas principalmente depois dos três começarem a dividir a mesma cama e intimidade.
Rael não era ingrato por ter essas duas beldades com ele, assim como nunca foi. Mas o caso é que sempre havia uma mulher diferente e Rael já tinha descoberto que nem todas eram iguais, principalmente no que se diz respeito ao sexo. As sensações podiam ser parecidas, mas cada uma sempre tinha algo diferente de outra. Cada mulher tinha Algo novo para se explorar, sensações únicas que poderiam oferecer.
― Mara, por que você tem tanta raiva dela? O que ela fez contra você? ― Rael perguntou de volta. Ele demorou um pouco a falar por medo, Mara ainda o assustava e ele não poderia perdê-la.
― Eu não acredito! Você tem interesse naquela mulher, ou já fez algo que não deveria com ela! Rael, você nos traiu? ― perguntou Mara. Agora até Natalia estava mais séria. Naquele momento, Natalia também deixou de defender Andréa. Mulheres com ciúmes poderiam mudar um pouco suas perspectivas.
O pior era que cada uma das duas sabia que Rael escondia algum segredo da outra, então, ambas estavam desconfiadas. Apesar de Natalia ficar com ciúmes também, ela não se comparava a Mara que parecia que voaria em Rael e o espancaria se ele não dissesse algo rapidamente. Natalia ficava séria e com um olhar mais afiado, porém não tinha instintos de agressão nos olhos dela como nos de Mara. Natalia ainda continuava sendo um doce de candura, mesmo com o ciúmes a flor da pele.
Rael pensou em continuar lutando pelo que ele acreditava ser seu direito mas, acabou sendo contido por aquelas duas. Se colocasse Andréa na balança e qualquer uma de suas esposas, Rael jamais desistiria das duas, tudo que ele sentia era simplesmente um desejo carnal de um homem afim de outra mulher atraente. Não era paixão de verdade, Rael mesmo tinha admitido isso diversas vezes consigo mesmo.
Mas Natalia e Mara eram diferentes, ele tinha amor verdadeiro por elas. Tinha uma história com cada uma.
Rael também pensou sobre o quanto aquelas duas já tinham que aceitar. Violadoras, celestiais e até uma menina soberana. Rael pensou que não era justo colocar mais uma mulher desnecessariamente na balança.
― Esqueçam essa história. Eu nem sei se ela vai voltar mesmo. Eu tenho que trabalhar. ― disse Rael, se virando de volta para os seus afazeres.
― Você não está pretendendo se casar com essa mulher também, não é Rael? ― questionou Mara só para ter certeza.
― Não, Mara, eu não estou. Agora me deixe trabalhar. Eu tenho muito o que fazer antes da gente voltar para o vulcão e cultivar por mais alguns dias. ― disse Rael fugindo do assunto. Era melhor evitá-lo por enquanto.
Mara não estava pronta para desistir tão fácil de suas dúvidas, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa alguém bateu na porta. Natalia se virou e atendeu recebendo uma carta de um dos guardas, que depois da entrega desapareceu. Natalia apenas voltou depois de fechar a porta.
― O que é dessa vez? ― perguntou Mara, se virando para Natalia que carregava um envelope dourado nas mãos enquanto se aproximava.
― É uma carta da princesa Anita para Rael... ― disse ela depois de ler as laterais. Rael se virou curioso e Natalia, que agora estava ao lado entregou a carta a ele.
― Já não é a segunda carta dela? O que será dessa vez? ― perguntou Mara curiosa. Elas até esqueceram da conversa sobre Andréa. Rael que já não estava mais tão concentrado nos seus afazeres, resolveu fazer uma pausa e começou a guardar todos os materiais. As meninas continuavam o cercando e voltaram ao assunto que já deveria ter sido esquecido. Mara estava incomodada com a ousadia de Arthur atacar Rael deliberadamente.
― Você não está pensando em deixar o clã Sangnos impune, não é? O patriarca deles tentou tirar sua vida! ― questionou Mara.
― Antes de morrer, Arthur disse que não tinha mais clã, aparentemente ele abandonou aquele lugar. Então, não tenho motivos pra correr atrás disso. ― disse Rael se levantando do chão depois de pôr tudo de volta no bracelete.
― E você acreditou? ― perguntou Mara.
― Eu tirei tudo dele, o homem estava desesperado por vingança. Eu meio que pedi por isso. Esqueça isso, já é um assunto resolvido. Agora vou dar uma olhada nessa carta, se me permitirem. ― disse Rael, se virando e subindo as escadas sem esperar qualquer resposta. Ele queria mais alguns dias para acelerar seu cultivo e libertar a última violadora desse mundo antes de lutar contra os devoradores que poderiam aparecer a qualquer momento, mas as coisas não paravam de acontecer ao mesmo tempo e Rael não podia se desligar de tudo.
Ele entrou em seu quarto, sentou na cama e rasgou o envelope dourado, retirando uma papel branco de dentro:
‘Samuel, eu estou desapontada com você! Faz vários dias que te mandei uma carta pedindo uma visita e você não fez nenhuma questão de dar sinal de vida!
Eu sei que nosso casamento ainda está longe, mas tenho assuntos que precisam de atenção e tenho certeza que também são de seu interesse.
Meus irmãos não estão satisfeitos com a forma que meu pai está fazendo as coisas e, ao que parece, estão prestes a criar uma espécie de torneio imperial que envolverá todas as grandes famílias.
Venha me ver e eu lhe contarei os detalhes.
De sua noiva, Anita.’
― Era só o que me faltava! ― disse Rael, depois de suspirar após terminar de ler. A carta, como a outra, veio com mesmo perfume agradável usado por Anita naquela noite.




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