O Herdeiro do Mundo

209 - Arthur vs Andréa

Se por um lado Andréa não acreditava no que estava fazendo, por outro Arthur estava completamente confuso. Ele lançou seus sentidos várias vezes para ter a certeza de que Andréa era um mero quarto reino. E, a cada vez que ele o lançava, tinha o mesmo resultado: Quarto reino nível três. Aquilo era incompreensível para Arthur. Nem mesmo Rael, que era mais forte que aquela moça, conseguiu feri-lo daquela maneira.

 

― Você não é um mero quarto reino! Não tem como um quarto reino me ferir desta maneira! ― disse Arthur, como se esperasse que Andréa o respondesse.

 

― Andréa, não! Você não pode com ele! ― Rael se levantou com dificuldade, apoiando a mão nas costelas quebradas. Para Rael, mesmo com a moça acertando aquele golpe no patriarca, ainda não passava de um quarto reino. Ninguém ali a via mais forte do que isso. Essa resposta de Rael deixou Arthur ainda mais perdido pois, ao que parecia, nem mesmo Rael conhecia o poder de sua amiga.

 

― Nenhuma habilidade é forte o suficiente para romper a minha defesa com tamanha facilidade! Diga-me agora, quem é você?! ― Arthur gritou com Andréa, tentando arrancar alguma confissão da moça.

 

Zuuuuup!

 

Andréa não deu qualquer resposta a ninguém. Como um vulto, ela se lançou na direção de Arthur que, mesmo em seu nível, teve dificuldade em acompanhar a velocidade dela. Arthur teve medo de se ferir e sacou duas espadas de porte médio, uma pra cada mão, depois de desativar a técnica Punho de Rocha. Assim como Andréa, ele amplificou as lâminas das armas agora em punho:

 

Ding! Ding! Ding! Ding!

 

As armas se cruzaram com extrema velocidade. Rael não podia acreditar, nem ele mesmo conseguia acompanhar a velocidade de Andréa. Como Andréa poderia ser um simples quarto reino possuindo tamanha força? Ela estava enfrentando Arthur praticamente de igual para igual. Não somente isso, a velocidade de Andréa parecia muito superior que a do antigo patriarca.

 

Andréa não enfrentava Arthur de frente, em vez disso, abusava de sua velocidade. Atacava e sumia, reaparecendo do outro lado com um novo ataque, sumindo de novo para surgir em um outro ângulo. Isso deixava Arthur absolutamente confuso e consequentemente passou a sofrer danos. Embora Andréa conseguisse feri-lo, ela não conseguia acertar um golpe fatal porque o mesmo sempre conseguia escapar. Por mais que Arthur tentasse, seus contra golpes nunca alcançavam Andréa, ele sempre os desferia em pós imagens de Andréa.

 

― Não pode ser! AAAAAAAAAAAAAAH! ― Arthur rugiu, liberando uma imensa aura massiva que danificou e rachou todo o terreno próximo. Várias estacas de terra foram criadas ao seu redor, obrigando Andréa a recuar.

 

Rael estava ali parado boquiaberto, ele não estava acreditando nos resultados daquela batalha. Arthur, um reino final, estava perdendo para uma garota consolidada no quarto reino. Além da ferida mais grave nas costelas, Arthur tinha outras várias espalhadas, no ombro, nos braços, nas pernas, no tórax e algumas escoriações. Andréa conseguiu feri-lo de várias formas com um poder muito inferior e Rael nem sequer chegou perto de fazer algo.

 

― Você vai me pagar por isso!

 

Vuuuum!Vuuuum!Vuuuum!Vuuuum!Vuuuum!

 

Arthur atirou várias quantidades de energia massiva, Andréa se movia em vultos, se esquivando com bastante facilidade.

 

 Arthur continuou atacando suas energias massivas, uma após a outra sem fazer pausas, na intenção de pegar Andréa desprevenida. Durante a onda incessante de ataques, ele pisou firme no chão e várias rachaduras se espalharam pelo solo, seguindo em direção a Andréa e também por posições aleatórias de possíveis locais onde ela poderia aparecer. Essas rachaduras alcançaram Andréa, ela ainda estava se esquivando das energias massivas quando subiu vários espetos de terra do chão, aumentando a área de ataque. Não só perto dela como por várias partes, Andréa podia ser rápida e ágil, mas não seria fácil esquivar dos ataques massivos e ao mesmo tempo da investida do terreno.

 

Por um instante, os vários espetos de terra cercaram toda a área próxima a Andréa e ela praticamente sumiu em meio a tantos ataques. Só nesse momento que Arthur fez uma pausa, ele chegou a cansar depois de lançar tantos ataques consecutivos.

 

― Hahaha! Peguei você! ― rugiu Arthur, satisfeito com o resultado. Ele tinha feito um perfeito cerco em Andréa, ele não deixou muitas chances para ela escapar.

 

― Andréa! ― Rael gritou preocupado. Embora eles não estivessem mais vendo ela ainda era possível sentir a energia da mesma o que indicava que ela estava viva, isso fez ambos, Rael e Arthur se concentrarem em seus sentidos. A energia vinha do alto? Quando Rael e Arthur olharam, Andréa estava flutuando no ar. Ela estava realmente voando. Um quarto reino voando? Ninguém tinha pensado que ela poderia voar, por isso nem deram atenção ao céu anteriormente.

 

― Andréa...! ― Rael disse aliviado e ao mesmo tempo chocado.

 

― C-Como?! ― Arthur ficou congelado. Antes ele já tinha achado um absurdo ver Rael voando, que era um sexto reino, agora até quartos reinos estavam podendo voar?

 

Andréa estava a uns vinte e cinco metros acima e seu corpo estava liberando uma intensa aura azul do tipo Água. Além de controlar a Amplificação, ela também parecia controlar perfeitamente o elemento Água. Ela não estava simplesmente liberando energia, parecia recitar um tipo de técnica misteriosa enquanto seus lábios se moviam com velocidade, fazendo o poder em volta de seu corpo adquirir cada vez mais intensidade.

 

― Dança do Dragão Aquático! ― Andréa gritou e um dragão feito de água saiu do corpo dela. Esse dragão foi formado pela energia que emanava de seu corpo. Esse dragão formado voou circulando Andréa e pareceu aumentar de tamanho enquanto ficava ali a cercando e absorvendo mais energia da mesma.

 

― Essa técnica...Ela é...! ― Arthur tinha olhos arregalados. Ele sabia que aquela era uma técnica que somente pessoas acima do décimo segundo reino poderiam controlar.

 

― Dragão Aquático: Avançar! ― assim que Andréa terminou de formar o seu dragão, o lançou imediatamente. O dragão em forma de água abriu a boca e rugiu durante o ataque, descendo como uma flecha na direção de Arthur.

 

― Isso não é nenhuma habilidade de um quarto reino! ― rugiu Arthur, espantado ao ver aquela coisa enorme se aproximando dele. Não se sabia quem estava mais surpreso, se era Arthur ou Rael. Andréa era muito forte. Até mesmo Rael sabia que aquela habilidade não poderia ser usada por um simples quarto reino. {{Nota Autor: Não é que essa técnica tivesse ligação com os dragões. É que, na verdade,a técnica tem a aparência de um dragão oriental – com a forma de uma serpente – e por isso, era nomeado dessa maneira.}}

 

Arthur tentou se esquivar para sair da linha de frente do dragão, mas o mesmo virou-se para persegui-lo, indicando que não era simplesmente uma formação de energia pura, o dragão tinha certa inteligência. Sem ter mais nenhuma saída, Arthur teve que baixar suas mãos no chão e utilizar sua mais poderosa habilidade defensiva:

 

― Barreira de Rochas! ― Arthur rugiu com as mãos no chão. O chão se tremeu e um monte de rochas grossas e fortes foram levantadas entre Arthur e o dragão aquático.

 

Boooooom!

 

O dragão acertou em cheio a parede, que se estremeceu com o impacto, soltando vários pedaços. Arthur manteve a mão no chão, concentrando o seu poder para manter a barreira e, quando olhou para o lado, lá estava Andréa. A moça estava prestes a decepá-lo impiedosamente. Arthur foi obrigado a ignorar sua barreira para se esquivar de Andréa, conseguindo por um triz. Andréa atacou e recuou em seguida com um rápido movimento, que não durou mais do que um piscar de olhos. Mesmo sem o comando de Andréa, o dragão continuou forçando a barreira buscando seu alvo. Sem o suporte devido, a barreira foi rompida e o dragão surgiu diante de Arthur e parecia ainda estar bastante poderoso.

 

Booooom!

 

Arthur concentrou poder defensivo nas duas mãos, formando rochas e tentou segurar o dragão. Ele foi empurrado para trás facilmente e percebeu que não conseguiria segurar aquela coisa, ele só teve uma escolha a fazer:

 

Vraaaap!

 

O dragão avançou direto e se desfez no ar depois que Arthur se lançou para o lado. Andréa e Rael estavam esperando o resultado.

 

A imagem de Arthur surgiu cansado. Na verdade, ele parecia muito cansado. A princípio, ele parecia ter escapado ileso do dragão, mas bastava uma olhada com mais atenção para descobrir a falta do braço esquerdo dele. Ele conseguiu sair vivo, mas em troca perdeu um braço, isso tudo em poucos movimentos. Arthur não podia mais acreditar que Andréa era um simples quarto reino, até porque ele mesmo já ouvira rumores sobre um tal renascimento depois de atingir o ápice do reino final. Seria Andréa um reino renascido? Isso explicaria o motivo dela ser tão poderosa.

 

Rael também estava pensando o mesmo que Arthur depois de assistir aquela batalha. Era como se aqueles dois fossem reinos finais, mas que Andréa fosse ainda mais forte. Rael se lembrava muito bem de já ter lido sobre algo relacionado a reinos renascidos em um livro, mas Andréa era uma jovem princesa. Até onde Rael sabia, ela não deveria ser tão velha, além de Thais também não dizer nada sobre ela ser de alguma idade avançada.

 

― Andréa, você é tão forte assim? Eu nem posso acreditar! ― disse Rael surpreso. Andréa lançou uma breve olhada na direção de Rael sem dizer nada, depois se voltou para o patriarca.

 

― Você é um reino renascido? ― perguntou Arthur. Ele parecia está recuperando o ar. Arthur tinha acabado de concentrar seu poder e fechar o ferimento em seu ombro, o cobrindo com um tipo de rocha. Com apenas um braço, agora ele certamente não seria mais nenhum oponente para Andréa, que mesmo anteriormente com ambos já não estava dando conta de contê-la.

 

― Vai saber. ― disse Andréa girando a lâmina na mão com uma habilidade impressionante. Arthur nunca tinha pensando nisso antes, mas ele lançou seus sentidos avançados sobre ela mais uma vez. A lâmina de Andréa estava repleta de poder das leis, assim como várias partes do corpo dela.

 

― ‘Poder das leis...!’ ― pensou Arthur surpreso.

 

O Poder das Leis poderia ser moldado de várias formas, uma delas era para aumenta o poder de uma arma ou armadura, outra era aumentar o poder do próprio corpo. Mas isso só era possível para cultivadores do décimo segundo reino adiante, qualquer cultivador abaixo disso não conseguiria obter tamanho poder.

 

― Você controla o poder das leis! Só pode ser um reino renascido! ― rugiu Arthur tendo mais certeza de suas próprias palavras. Rael correu a visão pelas mãos dela a procura de algum anel de bloqueio, não havia tal coisa, Arthur provavelmente deveria ter feito o mesmo antes de dizer tais palavras. Se Andréa tinha controle do poder das leis sendo apenas um quarto reino, ela definitivamente era um reino renascido.

 

― Não importa o que sou. O resultado dessa batalha já foi definido. ― disse Andréa friamente, ela não parecia ter interesse de dizer o que era a ninguém.

 

― O quanto a isso você pode estar certa. Não sei como, mas você é muito mais forte que eu. ― disse Arthur com um certo desdém.

 

― Isso foi culpa sua. ― disse Andréa enquanto preparava a sua espada, ela estava prestes a atacar e certamente seria o ataque final. ― Você foi muito burro gastando metade de sua energia total para manter a habilidade Silêncio ativada. ― disse Andréa.

 

Arthur desde o começo sabia do risco. Ele só poderia usar metade de sua força total enquanto mantinha a habilidade Silêncio do pergaminho ativa, era o preço a se pagar por manter uma lei tão poderosa em uma grande área funcionando sem parar. Arthur nunca considerou que Rael teria uma aliada tão poderosa.

 

― Você não é desse reino, e também não é ninguém que eu conheça. Certamente eu me lembraria, seja pelo seu poder ou por sua beleza. Me diga, de onde você é? ― perguntou Arthur, que parecia desejar essa informação antes de sua morte certa.

 

― Você não precisa saber disso. ― disse Andréa e apertou o punho da espada.

 

Zuuuup!

 

Andréa surgiu diante de Arthur em um salto e girou a lâmina em um perfeito arco para decepar Arthur. O movimento foi rápido e preciso, não haveria falhas.

 

― Você caiu no meu truque! ― disse Arthur abrindo um sorriso enquanto via Andréa prestes a golpeá-lo. Andréa olhou o chão perto dos pés do patriarca e viu os riscos formando um símbolo, algum tipo de habilidade especial tinha sido preparada e ela não percebeu antes.

 

― Ativar: Prisão de Rochas! ― gritou Arthur. Andréa ainda girou a lâmina golpeando o ar. Arthur, em vez de escapar com uma esquiva ou um salto, ele simplesmente foi puxado para baixo da terra que tinha se tornado movediça sob seus pés. Andréa não teve tempo de fugir quando foi coberta por sombras. Várias rochas se formaram ao redor da moça sobre todas as direções. Andréa, com sua espada ainda amplificada, atacou contra a parede rochosa, tentando abrir o seu caminho, mas sua espada não fez qualquer efeito. Ela foi completamente aprisionada dentro daquela habilidade.

 

As paredes formaram uma prisão feita de rochas com aproximadamente dez metros de circunferência, cercando e prendendo a moça.

 

― Hahahahahahahaha! Eu peguei você, maldita! Eu ainda vou matar você e esse desgraçado! Ninguém mandou você se meter comigo! Hahaha! ― Arthur gritava de felicidade depois de reaparecer, saindo do chão ao lado de fora da prisão.

 

Por dentro Andréa lutava às cegas, atacando com a espada as paredes, ela esperava que algum lado fosse mais fraco e que ela poderia sair, mas não parecia ser o caso.

 

― É impossível resistir! É inútil, mesmo um reino final não escaparia tão facilmente dessa prisão. ― disse Arthur, que tinha total sentido do que Andréa estava tentando fazer.

 

― Agora, vamos acabar com isso. Eu irei esmagá-la como uma barata! ― disse Arthur e se concentrou usando sua única mão. Ele iniciou com a mão aberta, e de pouco em pouco em foi fechando os dedos. As paredes começaram a se mover apertando o espaço em que Andréa estava presa. Andréa não via nada, estava tudo completamente escuro, mas ela percebeu que era inútil tentar atacar as laterais, a única coisa que ela poderia fazer era tentar atacar o solo.

 

Arthur não deu a menor atenção a Rael, esse estava visivelmente machucado e aparentemente não tinha como fazer nada contra ele. Quando ele terminasse com Andréa, ele iria matar Rael. O que ele não esperava é que Rael se aproximaria correndo.

 

 

― O quê? ― Arthur ficou surpreso vendo Rael aparentemente sem nenhum ferimento. O jovem rapaz não veio diretamente em direção a ele, em vez disso, Rael atravessou a parede rochosa da prisão como se fosse um fantasma.