O Herdeiro do Mundo

208 - Arthur vs Rael

Rael imediatamente levantou o seu anel de comunicação, ele precisava pedir ajuda com urgência:

 

― Não vai funcionar. ― disse Andréa do lado. Rael olhou para ela, mas não deu muita atenção por não entender o recado que a moça tentou passar.

 

― Ativar: Neide! ― disse Rael. Mas não teve qualquer resposta, o anel parecia não estar funcionando. Só depois desse fato que ele entendeu o que Andréa quis dizer e voltou a olhá-la surpreso. Ele não entendeu como ela sabia sobre isso.

 

― Ia chamar a sua mestra? Sinto desapontá-lo, mas eu criei e ativei um Pergaminho do Silêncio. Durante a próxima hora inteira, nenhum anel de comunicação irá funcionar perto de mim, nem qualquer tipo de poder que envolva alguma ligação como uma marcação que sua mestra poderia ter deixado em você. ― disse Arthur.

 

― O patriarca Arthur criou mesmo coragem para me provocar? Estou surpreso! ― disse Rael, baixando novamente sua mão. Rael conhecia muito bem aquela habilidade. Criar um Pergaminho do Silêncio eram capacidades de décimos segundos reinos para cima, o Lendário Poder das Leis. Ter esse titulo não era simplesmente um enfeite, o Poder das Leis, como no titulo do reino, era o poder de criar leis ou regras únicas como essas. Pode ser usado como exemplo o Pacto de Sangue criado por Neide para com Alexia da outra vez. Um usuário dentro dessa cultivação ou acima pode criar e manipular as leis em volta de si deliberadamente.

 

― Você só tinha coragem porque estava com a sua mestra naquele dia, quero ver o que você vai fazer sem ela agora. ― disse Arthur e se aproximou flutuando de Rael.

 

― O insensato patriarca está arriscando todo o clã? Você sabe que se eu morrer a minha mestra vai destruir todo aquele lugar. ― blefou Rael. Se Rael morresse, na verdade, Violeta e Emilia seriam atiradas de volta em suas prisões.

 

― Clã? Eu não tenho mais um clã, faça o que quiser com aquele lugar que não me importo mais. ― disse o patriarca com um sorriso frio.

 

― Andréa, se afaste. É a mim que ele quer, e se você ficar longe, ele não te atacará. ― disse Rael. Andréa obedeceu, se afastando de lado enquanto o patriarca Arthur descia de seu voo. O patriarca correu o olho por Andréa, a analisando temporariamente e viu um anel no dedo dela.

 

― Só você? Porque acha isso, Samuel? Para mim qualquer um que andar a seu lado merece morrer miseravelmente. O que realmente é uma pena, pois essa moça é muito bonita e poderia ter um bom futuro. ― disse o patriarca. Ele levantou ocasionalmente a mão direita, juntando uma quantidade significativa de poder e a atirou na direção de Andréa.

 

Vruuuum!

 

Aquela rajada de energia amarela era como um tipo de plasma gigante, que cobriria Andréa facilmente. Era afinal uma amostra de poder de um reino final.

 

― Maldito! ― rugiu Rael e já se lançou na direção de Andréa. Ela não tinha se afastado muito, na verdade um pouco mais que dez metros, porém, pela velocidade da rajada, não daria tempo de Rael salvá-la sem a ativação de suas habilidades. Rael ativou a armadura, a Essência Demoníaca no nível 2 e as três técnicas de velocidade de uma vez. Ele não teve outra escolha a não ser usar tudo que tinha para proteger Andréa, ele jamais se perdoaria se ela fosse morta por causa de uma estupidez dele.

 

Zuuuup!

 

Por mais rápido que Rael pudesse ser ativando todas as suas habilidades de combate, o máximo que ele conseguia era chegar a tempo de proteger Andréa, de modo que ele só conseguiu cobri-la com o próprio corpo:

 

Booooom!

 

A explosão tomou conta de Rael e Andréa quando a rajada os acertou, uma vasta explosão de terra e poeira subiu para os lados deixando uma enorme cratera. O patriarca Arthur ficou surpreso com a velocidade sobre a qual Rael se moveu para proteger a moça.

 

Rael conseguiu proteger Andréa a tempo, ele deu as costas para o poder de Arthur e ficou de frente para Andréa, evitando que ela se ferisse.

 

― Desculpe envolver você nisso... ― disse Rael cansado enquanto a poeira ainda estava presente. Andréa olhava para Rael bastante surpresa. Rael não tinha se ferido muito por conta da armadura, ele tinha apenas alguns arranhões pelas costas, mas aquele poder deveria ter matado os dois. Arthur não pegou leve e, apesar de parecer um ataque simples, era poderoso o suficiente para derrubar até um décimo reino com facilidade.

 

― Estou surpreso, você conseguiu evitar a morte dela. ― disse Arthur quando a poeira baixou. Ele viu a armadura de Rael, as costas estavam bem danificadas porque foi ali onde ele recebeu a maior parte dos danos.

 

― Você é um covarde, Arthur! Atacar mulheres?! Eu deveria ter mandado minha mestra te matar na primeira chance que tive! ― disse Rael se virando e dando alguns passos a frente para sair de perto de Andréa. Ele não queria que aquela batalha a envolvesse. Andréa ficou parada com o rosto um pouco abatido. Ela tinha acabado de ver o que Rael fez por ela, viu que ele praticamente daria a própria vida a fim de salvá-la. Se Rael fosse apenas um homem caçando uma boa transa não ia fazer tanto por uma mulher, ninguém jamais faria.

 

― Atacando-a ou não, que diferença faria? Você morrerá hoje de qualquer modo, não terá nem tempo de se importar com os outros. ― disse Arthur e, como um fleche, se moveu diante dos olhos de Rael. Ele lançou um soco no peito de Rael, que ativou o Espaço Ilusório, fazendo o golpe o atravessar. Em seguida, Rael girou desativando a técnica e socou contra as costas de Arthur. Ele conseguiu socá-lo, mas pareceu que tinha socado uma parede de concreto maciço. O punho da armadura que cobria a mão direita de Rael se rachou:

 

Booooom!

 

Rael não teve tempo de ficar surpreso, Arthur girou a mão de lado e atacou contra o rosto de Rael. Rael foi arremessado com força como uma flecha contra uma árvore, que se partiu ao meio. O impacto ainda lançou Rael contra outra árvore sobre a qual ele bateu e caiu rolando no chão depois de destroçar metade do tronco.

 

Arthur ficou de frente a Andréa e a olhou friamente:

 

― Eu decidi que não vou te matar, desde que você não tente fugir ou se afastar daqui. Depois que eu terminar de matar este inseto, deixarei você partir em paz ― disse Arthur para a moça. Andréa não respondeu e Arthur tomou aquilo como um concordância da parte dela e se virou em seguida. Ele caminhava em direção a Rael, que estava tentando se recuperar do impacto sofrido.

 

Rael já tinha enfrentado um reino final antes, seu tio Rayger, mas na época ele não começou tendo que tomar nenhum ataque em cheio como fez para proteger Andréa, e isso fez muita diferença.

 

― ‘Minha armadura...?!’ ― disse Rael, vendo a armadura sumir diante dos seus olhos. Depois ele se lembrou de Andréa e subiu, flutuando preocupado para descobri que a mesma estava bem e que Arthur vinha em direção a ele.

 

― Você pode voar? Interessante, você tem alguns truques... Mas isso não irá te salvar! ― rugiu Arthur e lançou uma rajada de poder

 

Vruuuuum!

 

Rael se esquivou, se lançando de lado e, quando percebeu, já tinha outra rajada bem sua face. Rael ativou o Espaço Ilusório e a mesma passou por ele. Quando Rael percebeu Arthur já estava em sua cabeça, Arthur tinha juntado as duas mãos e as afundava furiosamente como um martelo contra a cabeça de Rael.

 

Rael se esquivou saindo de lado e tocou no pulso de Arthur.

 

― Impacto Invisível! ― Rael mal tocou no pulso de Arthur e recebeu um chute nas costas. Rael voou de volta pro chão, mas conteve a maior parte do impacto controlando o ar enquanto caia por cima de alguns arbustos.

 

― Você pode tenta lutar, mas um sexto reino jamais seria páreo para um reino final! ― disse Arthur. Rael se levantou saindo do meio dos arbustos com uma pequena dor nas costas. Pacientemente, ele esperou o resultado de seu golpe pois, se o golpe fizesse efeito, Arthur ficaria sem um de seus pulsos, o que ajudaria bastante  Rael.

 

Arthur desceu flutuando diante de Rael e o mesmo viu o pulso do antigo patriarca ficar avermelhado. Aquilo foi o máximo de dano alcançado pela melhor técnica de Rael. Arthur olhou o próprio pulso com um pouco de irritação:

 

― Isso doeu, garoto! ― reclamou Arthur e já se moveu como um fleche, golpeando com um chute a cabeça de Rael, que ativou mais uma vez o Espaço Ilusório. Arthur já estava acostumado a ver seus golpes falharem em Rael e sempre que ele falhava criava um rápido contra ataque, obrigando Rael a usar a técnica mais de uma vez. Rael se esquivou do segundo soco usando a técnica novamente e concentrou sua energia do tipo Fogo, a mais forte sobre a qual ele tinha controle, cobrindo com chamas todo o seu punho direito e socou contra as costelas de Arthur.

 

Boooom!

 

O soco explodiu com impacto, lançando rajadas de fogo por todas as partes. Embora Rael não tenha sentido dor na mão, ele também sentiu que o soco não tinha causado muito efeito em Arthur. Era como se o patriarca estivesse protegido com uma couraça de aço protetora.

 

Boooom!

 

Rael foi acertado por um chute no peito e voou para trás, batendo com força em uma rocha, que se partiu com a colisão.

 

― Você nunca vai conseguir atravessar a minha defesa suprema garoto! Até mesmo um reino final teria dificuldades em fazer isto! ― disse Arthur. Mas, enquanto Rael estava sendo lançado pelo chute, ele tocou na região das costelas onde levou o último soco e gemeu levemente. Mesmo não recebendo danos visíveis, Arthur acabou sendo queimado pelas chamas de Rael.

 

Andréa assistia silenciosamente a batalha. Arthur estava vencendo facilmente, o que era de fato um resultado comum. Se ela quisesse Rael morto agora só lhe restava esperar, pois Rael não tinha nenhuma chance de vencer Arthur. Era impossível. Mesmo com todos os conhecimentos de Rael, ele ainda não podia enfrentar um reino final e Andréa sabia muito bem disso.

 

Rael se levantou com seu braço em chamas. Ele apertou o braço irritado, se lembrando das palavras de Thais. O rapaz se lembrou também do que Violeta havia dito naquele fatídico dia. Seria muito melhor ter acabado de uma vez com a vida de Arthur.

 

― Me diga, a quanto tempo estava me seguindo, Arthur? Tenho certeza que esse ataque não foi de repente. ― perguntou Rael.

 

― Eu tinha mandado uma assassina atrás de você, mas ela falhou. Com isso, tive que vir pessoalmente. Tive que agir com extrema cautela por causa de Neide e Rayger, eu não podia ativar a curiosidade dos dois sobre ter um reino final rondando próximo a capital. Descobri que você fazia visitas esporádicas a um pequeno clã nas montanhas. O clã que você tomou usando a própria força. Pelo menos essa é a história que contam, embora ele esteja no nome de sua sogra, o que é mais plausível dela ter feito todo o trabalho. ― disse Arthur.

 

― Se você mexer naquele local, eu acabarei com você! ― disse Rael.

 

― Palavras vazias. Tenho certeza que se você pudesse fazer isso, não iria me ameaçar agora, simplesmente o faria, porque eu vou matá-lo nesse momento, garoto. Você se arrependerá de um dia ter me humilhado. ― disse o patriarca.

 

― Não pense que não posso, talvez eu só esteja evitando me cansar. ― disse Rael. Ele se lembrou de sua ativação de nível três da Essência Demoníaca, ele poderia aumentar muito seu poder mas iria ter graves problemas depois, Alexia e Violeta deixaram bem claro que ele não podia se exceder novamente, o problema é que ele não podia evitar não usá-la agora.

 

― Depois que eu acabar você, vou destruir todo aquele clã. Vou acabar com cada discípulo seu! Tenho certeza que farei isso antes que a sua mestra possa chegar em mim. ― disse Arthur com um sorriso frio, ele estava mesmo disposto a se sacrificar para se vingar completamente de Rael.

 

― Parece que eu errei em ter dado uma chance para você se arrepender de seus erros. Eu deveria mesmo ter te matado naquela época. ― disse Rael e se concentrou em ativar a sua Essência Demoníaca. Era a única chance de Rael ficar mais forte, embora ele não sabia o quanto de poder poderia conseguir. Talvez até com a técnica ativada não fosse o suficiente para enfrentar Arthur diretamente.

 

― Deveria, mas você é estúpido demais até para pensar nisso, agora pagará com a vida! ― disse Arthur. Ele já ia avançar sobre Rael mas percebeu que o poder de Rael parecia estar aumentando. Veias que corriam se espalhando pelo corpo e braço direito de Rael pareciam estar pulsando como um coração enquanto aumentava seu tamanho.

 

Tum dum! Tum dum! Tum dum!

 

Rael continuou se concentrando, para a surpresa do patriarca e de Andréa. Ambos estavam de olhos arregalados com aquela transformação de Rael. O braço de Rael tinha crescido apenas um pouco e, de repente, parou de crescer.

 

― ‘O quê? Por quê?!’ ― se perguntou Rael confuso. Ele não conseguiu ativar a Essência Demoníaca no nível 3, o processo de transformação se estagnou em menos de 20%. O braço de Rael, que tinha crescido um pouco, voltou ao normal, suas veias do corpo se estabilizaram sumindo como se ele nunca nem tivesse tentado a transformação.

 

― ‘Eu não entendo, o que está acontecendo? Por que eu não consigo ativar?’ ― se perguntou Rael surpreso e preocupado, aquele poder era a sua única e última chance contra Arthur. Sem ele, Rael estaria completamente perdido.

 

― Me parece que você tentou fazer algo e não conseguiu, Samuel. Receio dizer, mas não posso mais adiar sua morte. Você terá que morrer imediatamente!

 

Zuuuuup!

 

Como um fleche, Arthur apareceu sobre Rael e o socou violentamente no peito:

 

― Técnica Punho das Rochas! ― gritou Arthur com o punho envolvido em um intenso poder amarelo do tipo Terra. Era como uma luva feita de rochas duras.

 

Booooom!

 

Rael, que ainda estava desconcentrado devido a sua falha, não teve como se defender. Ele foi lançado vários metros para trás. Rael caiu rolando pelo chão e sentiu que teve duas costelas quebradas pelo poderoso ataque de Arthur.

 

― Não sabia se iria acertá-lo de primeira. Que bom que acertei! ― disse Arthur visivelmente satisfeito. Rael ficou no chão com dificuldades para respirar.

 

― Sem a sua mestra, você não passa de um lixo. Antes de humilhar alguém, deveria ter ciência de seus próprios limites para depois não passar vexame. ― disse Arthur se aproximando de Rael.

 

― ‘Eu não entendo...’ ― Rael ainda estava confuso por sua habilidade falhar daquela maneira.

 

― Chegou sua hora! Morra! ― rugiu Arthur, saltando por cima de Rael com o punho ainda transformado em rocha.

 

Zuuuuup!

 

Arthur arregalou os olhos surpreso quando um vulto surgiu perto dele. Andréa tinha aparecido de repente com uma espada de porte média em mãos, envolta de uma aura roxa. A moça atacou contra as costelas de Arthur de maneira incisiva, visando o coração do mesmo. A lâmina atravessou facilmente a pele dura de Arthur e iria perfurar o seu coração. Por estar no ar, Arthur não tinha como recuar e evitar o golpe. Ele usou a própria mão de rocha para bater contra a lâmina, empurrando-a para trás e fazendo o ataque desviar. A lâmina fugiu de rumo, saindo da pele do patriarca e fazendo um belo estrago na região. O patriarca ficou com um ferimento profundo nas costelas, desde o buraco de entrada até a saída da pele havia um belo rombo, por onde jorrava uma quantidade significativa de sangue.

 

― Sua desgraçada! Eu vou te matar! ― rugiu o patriarca, com as mãos mergulhadas no próprio sangue.

 

― Andréa?! ― perguntou Rael impressionado, vendo a princesa sem memórias agora posicionada em sua frente.

 

Andréa movimentou a lâmina com velocidade, a jogando de lado. Isso fez o sangue ser derrubado no chão, limpando a arma.

 

 

― Descanse. Eu cuido disso para você. ― disse Andréa olhando de lado para Rael. Em seguida, ela se virou com seriedade na direção de Arthur. Andréa ainda não acreditava no que havia feito, ela tomou a decisão de proteger Rael em vez de deixar o patriarca tirar sua vida. Andréa não conseguia acreditar no quanto tinha mudado seus pensamentos no tempo em que ficou ao lado de Rael.




O site Central de Mangás é gratuito e sempre será!

Para colaborar com a existencia do site, por favor,
desative o bloqueador de anúncios.