O Herdeiro do Mundo

203 - Foco no Cultivo

O poder total de uma violadora estava diretamente ligado à sua aparência. Enquanto ela mantivesse uma bela aparência humana e normal, ela podia usar o mínimo de seu poder. Porém, com maldição ou não, as violadoras eram mulheres extremamente vaidosas e dificilmente usaria seu poder para além de um terceiro nível. O terceiro nível deixava seus olhos escuros e veias como raízes se espalhavam pelo rosto, pelos braços e uma parte do tórax. E a partir do quarto nível já não havia mais nenhuma beleza em seu corpo, se tornando ainda pior com cada nível.

 

Violeta, apesar de não sentir mais aquele forte afeto por Rael, ainda sentia algo. Ela não podia deixar que ele a visse naquele estado transformado. Emilia também pensaria a mesma coisa, qualquer violadora pensaria. Violadoras eram mulheres que tinham um grande apego a sua própria aparência.

 

― Esse não é um tipo de poder que possa ser mostrado tão facilmente. ― disse Violeta depois de alguns segundos.

 

― Por que não? Qual é o problema? ― perguntou Rael de volta.

 

― Não é algo bonito de se apreciar. Meu corpo muda de forma de modo a não parecer mas como uma mulher. Se me visse naquele estado, você teria medo, talvez até nojo de mim depois. ― disse Violeta.

 

― Eu também mudei quando meu braço direito foi alterado, sei que não fiquei bonito, por isso eu estou ciente. Na minha cabeça você sempre será essa mulher que estou vendo agora, a mulher mais linda que já conheci.

 

Violeta não respondeu de imediato, ela ficou parada observando Rael. Mesmo com ele dizendo aquilo, ela não pretendia ceder.

 

― Eu tenho que preparar algumas bombas de Cristal de Ureno, com licença. ― dizendo isso ela partiu para o corredor sem dizer mais nada.

 

Rael estava quase se virando para partir quando Rose apareceu. Dessa vez ela esperou Violeta sair do local para se aproximar. Ela se lembrava muito bem do que Rael havia dito quando levou Thais. E Rael quase se esqueceu dela porque precisava cultivar no vulcão, ele tinha que correr e ficar mais forte o mais rápido possível. Ele não sabia quando os devoradores invadiriam esse mundo.

 

― Rose?

 

Aquela bela garota de cabelos azuis não disse uma única palavra. Ela se aproximou silenciosa, segurou a mão de Rael e o puxou para o corredor. Rael a seguiu com o coração pulsando firmemente. Mesmo não tendo as capacidades de Thais, ele sabia porque Rose estava fazendo aquilo, isso podia ser visto facilmente através dos olhos dela.

 

Quando os dois entraram no quarto, a celestial fechou a porta, envolveu Rael com um abraço carinhoso e começou a beijá-lo. Rael a beijou de volta e abraçou aquela garota cheirosa e quente de lábios deliciosos. Ele literalmente mergulhou seus desejos sobre ela, chupando-a, beijando, tocando...

 

Peças de roupas foram retiradas e não demorou muito para os dois se unirem e sentirem todo aquele prazer descomunal. O corpo de Rose continuava igual a primeira vez, ela parecia enfraquecer Rael toda vez que ele se aproximava do clímax, mas não era uma fraqueza ruim, era um tipo de prazer tão forte que Rael acabava perdendo até o controle das pernas. Rose, por sua vez, abafava os seus gemidos devido a estarem fazendo amor no quarto dentro do esconderijo, com várias outras pessoas que poderiam ouvi-los. Mas as expressões que ela fazia em troca deixavam Rael fora de si.

 

Depois de duas horas, Rael deixou o esconderijo. Ele avisou para Rose que precisava cultivar com urgência esses dias, por isso não saberia quando poderia voltar.

 

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Rael voltou para casa e reuniu suas esposas. As duas tinham o registro de Alexia, o que abria a possibilidade de cultivarem junto com ele. Neide havia dito que seu cultivo tinha melhorado em pelo menos 50% no vulcão, e isso fez Rael pensar também na evolução de suas esposas.

 

― Vamos passar alguns dias fora. Vocês, minha sogra e eu. Durante esse tempo, ficaremos focados no cultivo. Vocês avisem aos seus treinadores e digam que precisarão de alguns dias.

 

Andréa ficaria sozinha com Beta por um tempo. Rael avisou para a moça não abandonar a residência até eles voltarem, entregando-lhe um anel de comunicação. Se caso ela quisesse fazer qualquer coisa deveria esperar pelo retorno deles. Rael pretendia passar dez dias inteiros em cultivo, mesmo ele levando as meninas contigo, o foco seria plenamente o cultivo.

 

Rael avisou todos a quem precisava avisar usando o anel, de modo a não ser importunado por qualquer razão irrelevante durante esse tempo. Depois disso, os quatro partiram para o local do dragão caído.

 

Mara e Natalia ficaram à 500 metros do vulcão.A resistência delas era muito menor do que a de Neide, que já era um reino final.

 

As meninas cultivavam concentradas, e a cada 1 hora faziam uma pausa para avançar alguns metros próximo ao vulcão. Se acostumar com a energia de baixo poder era fácil e rápido, por isso elas não paravam de fazer constantes avanços, onde andavam até dois metros adiante.

 

Rael continuou cultivado da primeira pedra, pois calor que emanava do vulcão era surpreendentemente forte. Graças à sua resistência, Rael não tinha qualquer sofrimento alem do suportável.

 

Doze horas cultivando sem parar fizeram Rael obter um avanço, alcançando o nível cinco:

 

― ‘Finalmente, outro aumento!’ ― comemorou Rael, depois de um longo tempo sem subir de nível. Rael podia achar lento a maneira que ele subia agora quando comparado a sua época antiga, mas ele não podia se esquecer que agora estava no oitavo reino e tinha uma diferença enorme nos aumentos de níveis. Até suas esposas que tinham a cultivação 10x mais rápida que ele devido as pílulas não estavam com rápida evolução.

 

Rael desceu para a pedra seguinte, sentindo já os fortes efeitos do calor. Quanto mais ele descia, mais pesado e quente o ar ficava.

 

― ‘Ótimo, já estou aguentando aqui no segundo nível!’ ― pensou Rael. Seriam 50 níveis em descida até ele cultivar na mesma altura que a lava de fogo.

 

Rael estava tão concentrado em resistir ao calor que não havia reparado anteriormente em seu medalhão tremia no peito. Ele o colocou para fora para descobri que o mesmo estava brilhando e vibrando, apontando para baixo:

 

― Outra violadora! ― pensou Rael e olhou para baixo, em direção ao lago de lava. Mesmo que essa violadora estivesse tão perto, ele não poderia fazer nada no momento. Apesar de ser praticamente imune ao fogo, Rael ainda estava vulnerável naquele vulcão. Tentar avançar para além dos limites seria como mergulhar para a própria morte.

 

Rael encontrou mais uma razão para se apressar. Se ele pudesse libertar mais uma violadora, essa os ajudaria na luta contra a Violeta devoradora do outro mundo.

 

Rael se concentrou e voltou a cultivar. Agora ele tinha um motivo extra para ser ainda mais apressado em busca de poder.

 

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Dez dias se passaram desde os acontecimentos acima. Rael estava agora na décima quinta pedra que representava quase 30% do caminho para atingir o limite do vulcão. Conforme descia, ele criava mais pedras abaixo no mesmo padrão. O medalhão continuava vibrando, e Rael já tinha se acostumado com esse fato uma vez que ele não podia tirá-lo. Segundo Seimon, aquele medalhão ocultava o seu poder de seres maiores e ainda o ajudava a procurar as violadoras.

 

Rael estava no oitavo reino nível nove. Suas esposas avançaram para o nono reino nível dois. Neide estava cultivando na beirada de cima das rochas que cercavam o vulcão onde Rael começou o cultivo, enquanto as meninas estavam nas beiradas próximo as descidas, a uns dez metros de Neide. Todas as três tiveram um grandioso aumento de poder.

 

Durante os dias eles fizeram curtas pausas, apenas para comer e dormir o mínimo possível, em uma caverna próxima ao local. Havia um córrego de águas limpas, que foi usado para banhos. Assim, eles podiam manter os mínimos cuidados durante o período do cultivo.

 

Rael queria passar mais um tempo no vulcão do dragão caído, porém, ele mesmo tinha se dado o prazo de retorno. Ele precisava verificar como andavam as coisas com seus discípulos, com Andréa e com todo o restante.

 

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Verom e Isabela continuavam fugindo incansavelmente enquanto eram perseguidos. Verom estava ficando cada vez mais cansado com essas constantes fugas. Mesmo Isabela sendo agora um décimo reino, ela não voava tão rápido quanto o seu mestre, e por isso ele tinha que carregá-la.

 

― Mestre, o senhor está muito cansado. Temos que fazer uma pausa. ― disse Isabela. As paradas que eles faziam eram cada vez mais curtas, eles mal dormiam devido a ter cada vez menos tempo para descansar. Desde que começaram a ser perseguidos, não tiveram mais nenhuma paz.

 

― Não podemos, eles irão nos alcançar. ― disse Verom, que não tinha nenhuma intenção de lutar. O clã Torres era a maior potência do continente Sul, enfrentá-los não era uma coisa inteligente.

 

― Vamos enfrentá-los! Agora sou um décimo reino e posso ajudar numa luta. Eu não deixarei que te peguem tão facilmente! ― disse Isabela decidida. Até o momento ela acreditava que estavam perseguindo o seu mestre e não a ela. Verom não disse nada enquanto a mantinha consigo, com a desculpa de que iria precisar dela.

 

― Agora não temos mais chances de vitórias em uma luta. Tem um total de quatro grupos nos perseguindo, e um está vindo de frente para nós. ― disse Verom parando de voar ao perceber isso, eles estavam cercados.

 

― E eles estão em quantos? ― perguntou Isabela preocupada.

 

― Vamos descer, não temos mais como fugir.

 

― Mestre, eu não vou deixar que eles te machuquem. O senhor é minha única família, eu te considero como um pai. ― disse Isabela. Ele sorriu ao ouvir isso e puxou sua discípula. Calmamente eles pousaram no chão de terra, entre as inúmeras árvores de uma densa floresta.

 

Antes de falar, ele olhou em volta para analisar o tempo que ainda tratava, de acordo com a aproximação das energias inimigas.

 

― Tem uma coisa que tenho que te confessar antes, Isabela. Não é a mim que eles querem, é você. ― disse Verom, deixando Isabela confusa.

 

― Por que eu? Eu não fiz nada para ofender o clã Torres! ― disse ela confusa.

 

― O patriarca Romeo estava procurando uma mulher com vitalidade alta, acima de duzentos, coisa que é bem rara de se encontrar. Ele quer uma mulher para gerar um novo filho ou filha dele. O seu antigo pai recebeu essa informação e mandou uma carta avisando que você tinha mais de trezentos de vitalidade. Assim, eles estão atrás de você espalhando boatos que essa caçada é pela minha cabeça, para não chamar atenção a esse ponto. ― explicou Verom.

 

― O senhor esse tempo todo estava me protegendo? ― perguntou Isabela surpresa.

 

― Você é minha querida discípula, porque eu não protegeria? De todo modo, não posso deixar que eles peguem você. Não é esse o destino que quero pra minha única discípula. ― disse Verom apressado.

 

A primeira reação de Isabela foi se preocupar com seu mestre mas, no instante seguinte, as preocupações dela se voltaram para si mesma:

 

― Mestre, se não temos como vencer nem fugir, então tire minha vida. Eu prefiro morrer do que virar objeto de alguém, ainda mais de um homem inescrupuloso como esse! ― disse Isabela decidida.

 

― Eu sabia que você nunca aceitaria esse tipo de destino. Você sempre odiou homens. Somente o jovem mestre Samuel lhe chamou atenção. ― disse Seimon e fez um pouco de silêncio, vendo a expressão confusa no rosto de Isabela. Se citasse o nome de qualquer outro homem, ela estaria gritando algumas ofensas, mas de Samuel não, ela começou a aceitá-lo e nem se dava conta.

 

― Quando o conheci foi tudo tão estranho... Era como se ele fosse o meu mundo. Eu não sei por que, mas eu daria a minha vida por ele quantas vezes fosse preciso. Eu me sinto apaixonada por ele e nem sequer sei o porquê. ― admitiu ela pela primeira vez.

 

― Todos nós nesse mundo temos uma razão para viver e parece-me que você encontrou a sua. Você vai viver por amor a esse homem. ― disse Verom.

 

― Nós não vamos conseguir escapar, pelo que o senhor disse. ― disse Isabela, voltando a olhar o seu mestre.

 

― Eu já vivi o bastante dessa vida. Tenho mais de duzentos anos, embora não pareça. Estou muito feliz por ter te conhecido e me tornado seu mestre. Você ainda é uma discípula misteriosa para mim por possuir um crescimento incomum e monstruoso. Eu gostaria de passar mais tempo e acompanhar você um pouco mais. Quem sabe, até conhecer o jovem que atraiu seu coração, mas creio isso não será possível. ― disse ele e tirou uma grande pedra de cristal do bracelete, parecia uma pedra de teleporte.

 

― O que o senhor quer dizer com isso? ― perguntou ela.

 

― Se lembra quando eu coloquei uma mesma pedra dessas na nossa cabana do rio ao oeste? Estamos ao extremo leste, e eles levariam quase duas semanas para alcançar você. Isso se ao menos eles souberem de você. Eles não saberão, a menos que você apareça para alguém deste continente. existe uma recompensa por mim, e se você for vista vão ligar os pontos e avisar a guilda Olho Aberto. Eu quero que você fuja para o continente Norte. Seu poder vai continuar aumentando, chegando em um ponto onde você será mais forte que eu, mesmo se não cultivar. Eu já ensinei praticamente tudo o que podia a você, Isabela. ― disse Verom.

 

― Mestre, pedras de teleporte precisam de, no mínimo um mês para se estabilizar em um local e poderem ser usadas. Como teremos esse tempo?

 

― Eu tenho uma técnica que a fará funcionar agora. No entanto, ela só funcionará uma vez e se quebrará. No processo, apenas uma pessoa pode ser enviada e será você.

 

― Mas eles vão matar o senhor! O senhor não tem que morrer por mim!

 

― Eles vão me matar de qualquer jeito, mas não vão conseguir capturar a minha discípula indomável. Você precisa fugir e viver para passar o meu legado, Isabela. Você foi minha única discípula. ― disse Verom com orgulho. Ele deitou a pedra no chão, concentrou suas energias enquanto apontava para a pedra e começou a lançar seu poder amarelo escuro, a cor do Raio.

 

 

― Mestre... ― Isabela, que dificilmente ficava emocionada com alguma coisa, se tornou preocupada naquele momento. Seu mestre Verom sempre a protegeu, e agora mesmo ele estava se preparando para dar a própria vida em troca de sua segurança.