O Herdeiro do Mundo

197 - Visitantes do Mundo Paralelo

Emilia voava com extrema velocidade seguindo em direção a ilha do vulcão, onde ficava a fenda para o mundo paralelo. Ela podia sentir alguém tentando forçar a sua barreira e ficava preocupada. Ela se lembrou muito bem do que tinha do outro lado e se aquelas coisas atravessassem, a situação não seria nada boa.

 

Enquanto voava, Emilia sentiu um forte poder a seguindo e reconheceu Violeta. Emilia reduziu um pouco a velocidade e Violeta a alcançou com o corpo coberto em uma intensa energia vermelha e com os olhos enraizados, mostrando que Violeta estava usando o primeiro nível da Essência Demoníaca.

 

― Rika me contou o que aconteceu e eu te acompanhei o mais rápido que pude. ― disse Violeta com uma expressão preocupada. Ela teve que caçar nesse mundo o poder que daria origem ao mal dos devoradores e levou basicamente metade de um dia para exterminar a fonte desse poder, não seria agora que ela deixaria desandar tudo por aqui.

 

― Aquelas coisas eu consigo matar facilmente, só te chamei para ter certeza de que nada vai escapar. ― disse Emilia.

 

― Sua barreira está aguentando bem?

 

― Está sim, não acho que essas forças conseguiriam atravessá-la, mas é melhor a gente prevenir.

 

― Você fez bem, não sabemos se eles podem acabar rompendo a sua barreira de repente. Se um deles escapar para esse mundo sem a gente saber, será catastrófico! ― disse Violeta, se lembrando dos devoradores que ela enfrentou com Rael no passado.

 

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Quanto mais tempo Rael cultivava, mais resistente ao calor emanado do vulcão ele começava a se sentir. Ele percebeu que sua respiração já havia melhorado um pouco e encerrou o cultivo naquele ponto.

 

― ‘Eu tenho que começar a avançar para onde que realmente importa: o centro!’ ― pensou Rael e se levantou. Rael se aproximou e encarou o poço de lava das beirada da cratera mais uma vez. O ar quente que emanava ainda era bastante intenso e dificultava a respiração, mas estava mais tolerável que anteriormente.

 

― ‘Eu não vou conseguir cultivar voando, logicamente. Terei que preparar o local.’ ― Rael pensou e se concentrou no seu elemento Terra. Sua energia dourada foi ativada e Rael lançou sua concentração sobre a formação rochosa que cercava o vulcão. A energia de Rael se espalhou pelas rochas e começou a se fundir.

 

― Haa! ― Rael gritou e três rochas circulares, com dois metros de diâmetro cada, saíram da parede rochosa formando um tipo de escada rumo ao centro do vulcão. A primeira estava dois metros abaixo de Rael. A segunda, paralela a essa primeira, estava a quatro metros abaixo. E a última, a seis metros de profundidade.

 

― ‘Pronto! Agora tudo que eu preciso fazer é cultivar por etapas. Vou avançando pouco a pouco de acordo com a resistência que eu for adquirindo.’ ― Rael cessou sua energia e concentrou no elemento Vento para flutuar. Ele pulou na primeira rocha dois metros a abaixo e já se sentiu extremamente mal.

 

― ‘Meu limite de novo!’ ― disse Rael e já se sentou, voltando a cultivar.

 

Neide, ali próximo, estava fazendo a mesma coisa que Rael, mas é claro, sem estar no vulcão. Ela estava na parte de baixo, que para ela já era o seu limite. Quando ela se sentia mais resistente, ela avança alguns passos e retomava o cultivo onde tinha dificuldades de respiração. Ela acreditava que em breve poderia estar cultivando próxima ao seu genro.

 

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Violeta e Emilia chegaram na ilha e já se dirigiram para a caverna apressadas.

 

Booooom!

 

Um impacto monstruoso foi ouvido e Emilia sentiu que foi na barreira. O usuário atacante era um décimo segundo reino, no Lendário Poder das Leis.

 

Violeta e Emilia foram pousando de frente a barreira enquanto uma forte quantidade de fogo se dissipava na parte de dentro. Muita poeira e fumaça saía para fora da caverna, essas coisas não eram bloqueadas pela barreira.

 

Emilia e Violeta pararam e ficaram encarando a figura feminina escondida nas sombras da fumaça, que aos poucos se revelava. As violadoras estavam extremamente sérias e preparadas para encarar a suposta devoradora que tentava invadir aquele mundo.

 

Quando a poeira e fumaça dispersou, os queixos das duas quase caíram. Quem estava do outro lado era Mara. Mara estava visivelmente cansada, ela tinha usado uma grande quantidade de energia e nem se deu conta das violadoras, pois tanto Violeta quanto Emilia conseguiam ocultar seus poderes.

 

― Senhora Mara, se quiser ajuda basta me falar. Mesmo eu estando ferida, eu posso ser de alguma serventia. ― disse uma voz feminina, vindo do fundo da caverna.

 

― Meu amor, pare! Nós não vamos conseguir romper essa barreira. Ela foi criada por alguém muito mais poderoso, talvez tenha sido feita pelo próprio Rael desse mundo! ― disse uma voz jovial, também do fundo da caverna.

 

― Não venham para cá! Eu vou continuar tentando. Se não conseguirmos passar dessa barreira, acabaremos morrendo! ― gritou Mara de volta, com o rosto virado para a direção das vozes. Ela ainda não tinha notado as violadoras de tão distraída que estava, mesmo que Violeta e Emilia estivessem a uns trinta metros dela, apenas. Mara estava acostumada a usar seus instintos, e por isso ainda não tinha notado.

 

― Ela é Mara do outro mundo? Será possível que ela e seu marido estão aqui? ― perguntou Violeta chocada, em um tom baixo para Emilia.

 

― Porque eu tenho a sensação de que isso não é nada bom? ― disse Emilia de volta, no mesmo tom baixo. Foi nessa hora que Mara se virou para preparar mais um ataque à barreira e avistou as duas belas mulheres. Tanto ela como as violadoras ficaram em um silêncio mortal por alguns infinitos segundos.

 

― V-você! Como que você pode estar aqui?! ― Mara rugiu assim que reconheceu Violeta e recuou para trás. Devido ao cansaço, ela acabou caindo depois de tropeçar em algumas pedras. Ela caiu e apressadamente se pôs de pé.

 

― Mãe! ― uma outra voz feminina gritou, na mesma hora em que uma voz masculina gritou: ― Meu amor!

 

― Senhora Mara! ― a outra voz feminina gritou em seguida.

 

― Não venham aqui, Fuj...! ― já era tarde demais. Rael, Samantha e Thais apareceram na visão das violadoras. Mas não era o Rael que elas conheciam, era a versão original do mundo paralelo. Os três, ao verem Violeta, ficaram temerosos. Mesmo com medo, a mulher de cabelos curtos e encaracolados segurou a sua lança e apontou para as duas violadoras.

 

― Violeta, o que você fez a eles? ― perguntou Emilia baixinho. Com uma rápida análise, ela mediu o poder de Thais: Sexto reino nível dois. A violadora ficou um pouco decepcionada, porque de todos os presentes, ela parecia ser a única com algum espírito de luta. Mas, essa mulher de boa aparência tinha um machucado em seu ombro direito e, por isso, sua mão direita vacilava um pouco enquanto ela tentava segurar firme sua lança com as duas mãos.

 

― Eu não fiz nada que me lembre... ― respondeu Violeta, ainda surpresa com a cena.

 

― Não é o que parece, eles olham para você como se estivessem vendo a própria morte. ― disse Emilia e avançou lentamente alguns passos. Na mesma hora, os quatro ficaram ainda mais aflitos. Mara sacou uma espada junto a Rael e ambos entraram na frente de Samantha. Eles teriam corrido para os fundos se houvesse uma rota de fuga, mas o lugar não tinha nada. Então eles desesperadamente sacaram suas armas e olharam na direção da fenda. A fenda não se abria toda hora e, desde que eles chegaram naquele local, ela se fechou e não se abriu mais.

 

― Algo está errado. Os olhos delas são vermelhos, mas não são cristalizados. ― disse Rael, que foi o primeiro a perceber com a aproximação de Emilia.

 

― Não se aproxime ou eu acabo com você! ― rugiu Thais, ignorando Rael e mostrando a expressão feroz de uma guerreira, embora seu estado físico não ajudasse.

 

― Thais, você não está em condições de lutar. Veja seu ombro, voltou a sangrar novamente. ― disse Rael preocupado, tentando em vão puxar a mulher para trás, pois a mesma não obedecia.

 

― Eu prefiro morrer do que ser um estorvo! ― disse Thais e olhou para as ataduras que cobriam seu ombro. Uma grande mancha vermelha tinha se formado, essa foi a mordida deixada por Violeta, que quase a matou.

 

Thais só conseguiu fugir porque tinha ingerido bastante Cristal de Ureno e, após a mordida, Violeta passou muito mal. A Barca Esperança foi destruída naquele dia depois da recuperação de Violeta, mas a jovem guerreira conseguiu fugir para o clã Torres, onde recebeu tratamento. Mesmo assim, a ferida não sarava e ficava pior a cada dia. A transformação de Thais só não se concretizava porque a mesma continuava ingerindo constantemente o Cristal de Ureno em suas refeições.

 

― Calma, se vocês são humanos, ninguém aqui vai precisar lutar. ― disse Emilia ao se aproximar da barreira: ― Eu sou Emilia, a mulher que implantou essa barreira. Posso saber o que vocês estão fazendo aqui? ― perguntou Emilia, a aproximadamente um metro da barreira. Ficou claro para eles que ela não era uma devoradora. Não havia olhos cristalizados e nem qualquer sinal pelo corpo de sangue ou de cristais.

 

― Aquela mulher não é uma devoradora? ― perguntou Mara, apontando o dedo para Violeta que começou a se aproximar.

 

― Devoradora, ela? Até onde eu sei, não. ― respondeu Emilia um pouco confusa.

 

― Por que estão com medo de mim? E o que estão fazendo desse lado? ― perguntou Violeta, parando ao lado de Emilia.

 

Os quatro por dentro da barreira encararam bem Violeta de ponta a ponta para terem certeza de que ela não era mesmo a Violeta devoradora do mundo paralelo.

 

― Talvez, a versão dela seja normal nesse mundo. Essa versão não é contaminada pelos devoradores. ― disse Mara para os outros, se lembrando das coisas que seus pais tinham dito para eles antes de partirem. Só depois disso eles relaxaram, baixando suas armas momentaneamente.

 

Naquele momento, a primeira a desconfiar do que estava ocorrendo foi Violeta, arregalando os olhos:

 

― Ah! Vocês estavam com medo de mim porque pensaram que eu era uma devoradora... É isso? ― perguntou Violeta, dando mais um passo à frente. Violeta já começou a entender o que estava ocorrendo, enquanto Emilia ainda estava tentando desvendar esse mistério. Embora eles tivessem acabado de baixar a guarda, se assustaram e recuaram por ainda não assimilarem a diferença dessa Violeta, levantando novamente as armas. Ficou claro que eles estavam com medo de Violeta e ainda não tinham 100% de certeza.

 

― Sim, foi o que pensamos. No nosso mundo, você é a líder dos devoradores. ― explicou Mara, voltando a baixar sua espada ao perceber que Violeta não se movimentou para atacá-los.

 

― Por que vocês estão aqui? ― perguntou Violeta.

 

― Nosso mundo está tomado por devoradores. Não há mais lugar seguro em canto algum. ― disse Rael, também baixando a guarda e Thais fez o mesmo em seguida.

 

― E como vocês atravessaram? Eu não estou vendo a fenda aberta. ― perguntou Emilia do lado.

 

― Quando nós chegamos ela estava aberta, mas depois que usamos ela se fechou. ― disse Rael.

 

― Certo, eu entendi mais ou menos o que se passa. Quero que saibam que não sou a Violeta devoradora do mundo de vocês. Eu sou a Violeta normal desse mundo, portanto, não sou uma inimiga. Fui clara? ― perguntou Violeta, correndo a visão por cada um deles.

 

― Sim, nós entendemos. ― disse Rael.

 

Violeta olhou as armas nas mãos deles e lançou um olhar de questionamento. Eles pareceram entender e começaram a guardar as armas de volta nos braceletes.

 

― Agora sim. ― disse Violeta satisfeita: ― Deixe-os saírem, Emilia. Vamos levá-los conosco. Eu quero os detalhes de tudo que está acontecendo no outro mundo.

 

― Certo, você é quem manda. ― disse Emilia com um leve sorriso. Ela se concentrou e sua barreira, que era feita de um intenso poder roxo, ficou transparente: ― Passem rápido, ela só ficará assim por pouco tempo. ― disse Emilia.

 

Os quatro atravessaram para o lado de fora e Emilia reativou a sua barreira.

 

― Emilia, essa é a sua barreira mais forte? Você não tem nada melhor? ― perguntou Violeta, depois que eles saíram.

 

― Até tenho, mas vou precisar de duas horas para fazer.

 

― Então comece, vou aproveitar esse tempo para me atualizar do que está rolando do outro lado. ― disse Violeta e se virou para os quatro.

 

― Vamos começar as apresentações. Mocinha, você por acaso seria Samantha? ― perguntou Violeta, se dirigindo para moça mais nova do grupo. Como ela se parecia bastante com Mara, Violeta teve facilidade em assimilar.

 

― Sou eu sim, senhora. ― disse a mesma um pouco nervosa.

 

― E você, seria o Rael do outro mundo? ― disse Violeta, se virando para o jovem rapaz de vestimentas largas.

 

― Sim. E vocês, quem são?

 

― Me chamo Violeta, e esta ao meu lado é Emilia. Somos como duas irmãs. ― explicou Violeta.

 

― Se não perguntou de mim é porque já me conhece, não é? ― perguntou Mara.

 

― Conheço você muito bem. ― disse Violeta com um leve sorriso. Os quatro não podiam evitar, eles ainda olhavam Violeta com um certo receio.

 

― Agora só resta mesmo você, mulher do ombro machucado. Eu ouvi eles te chamarem de Thais. Será que você seria Thais Reis? ― perguntou Violeta.

 

― Como você sabe? ― perguntou a mesma surpresa pelo reconhecimento.

 

― É que eu ouvir falar muito sobre você. Quero que me contem com calma como está a situação no outro mundo e tudo o que ocorreu até a fuga de vocês. Enquanto isso, você me mostra esse ferimento e eu vejo se posso ajudá-la na cura. ― disse Violeta, observando o ombro de Thais.

 

Thais ainda olhou para Rael preocupada. O mesmo fez um sim para ela com a cabeça.

 

 

― Se eu fosse uma devoradora, vocês todos já estariam mortos. ― disse Violeta de uma maneira firme, para acabar de vez com as dúvidas. Depois disso, Thais começou a retirar as faixas para revelar o ferimento a Violeta enquanto Rael começava a narrar os fatos que ocorreram no mundo paralelo.




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