O Herdeiro do Mundo

195 - Contando Segredos

Não demorou muito para Rael fundir uma empunhadura escura com a lâmina recém-criada, formando uma perfeita espada. Com o uso perfeito da simbologia, dentro da barreira não houve problemas. Em seguida, Rael ligou a espada mágica a uma pequena pedra de cristal. Quando Rael terminou, a espada foi puxada para dentro do cristal automaticamente:

 

― O cristal seria o compartilhamento da espada? ― perguntou Andréa, apenas para confirmar. Assim como uma armadura mágica precisa ter o bracelete para se recuperar de danos, uma espada também precisaria.

 

― Uhum. Por enquanto não posso mais conjurar a espada. Ela só poderá ser conjurada quando eu fundir o cristal a um bracelete mágico. Há um processo de ativação que deve ser feito no bracelete da armadura mágica. ― disse Rael segurando a pedra azulada. Depois ele passou para Andréa, que o analisou cuidadosamente.

 

― Essa sua barreira onde cria esses itens, como conseguiu?

 

― Eu já te disse, foi através de uma amiga. Ela me... Me passou assim que eu a salvei. ― explicou Rael, sem querer dizer que foi através de uma mordida. Andréa devolveu a pequena pedra de cristal e Rael guardou em seu bracelete. Aquela espada foi um simples teste, as verdadeiras Rael criaria de um material muito melhor, embora essa não fosse nem um pouco ruim.

 

― Se quiser uma armadura mágica ou uma espada, eu crio para você. ― disse Rael.

 

― Não, obrigada. Eu só queria entender o processo mesmo. ― disse Andréa.

 

― Eu não posso te explicar porque você precisaria ter a mesma habilidade que a minha. Não sei como dizer isso, é algo natural quando se pode fazer.

 

― Essas sua criações, elas chegam a que nível, se comparada com as de um ancião que faz isso há anos?

 

― Todas as coisas que eu crio são mais fortes que as criações deles. Por exemplo, o anel de apoio. O que eu crio aumenta a velocidade de cultivo em 100%, o que é o dobro do que eles poderiam fazer. As pílulas que eu faço aumentam em mais de dez vezes a cultivação de uma pessoa. Fora as armaduras mágicas, que dão muito mais vantagens que uma normal. ― explicou Rael.

 

― E suas esposas recebem todo esse apoio?

 

― É claro que recebem. Elas cultivam durante a maior parte do tempo porque quero vê-las o mais forte possível.

 

― Então porque continuo vendo Natalia apenas no terceiro reino todos os dias? Com esse tipo de aumento gigantesco, ela já não deveria estar mais forte?

 

― É porque ela está usando um anel de bloqueio. Tanto ela como Mara já estão no oitavo reino nível seis. ― explicou Rael, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

 

― Isso é impossível...! ― Andréa arregalou os olhos, absolutamente perplexa. Natalia só tinha quinze anos e estava no oitavo reino. A menina seria como uma lenda viva, um verdadeiro monstro, e tudo isso graças a...

 

― Faz muito pouco tempo que estou casado com Natalia. Mas a vi passar por coisas que nunca mais quero ver em minha vida, e por isso eu cuido muito bem do desenvolvimento dela. Quero fazer tanto dela quanto de Mara, as maiores cultivadoras que esse mundo já viu! Tudo o que eu puder fazer pelas duas para ajudar no desenvolvimento, eu farei. Assim como farei com você também, assim que eu puder dar um jeito nesse seu escudo. ― disse Rael.

 

― Você trata suas esposas muito bem... ― disse ela, em uma entonação triste.

 

― Sabe o que foi pior? Assim que me casei com Natalia, eu descobri que os pais dela tinham parado de ajudá-la. Ela só tinha 14 anos na época e seu cultivo já estava no terceiro reino nível quatro. Ela estava indo muito bem, não vou mentir. Mas não era o suficiente para os pais, que queriam tê-la lutando no torneio da família. Então, por isso, eles encerraram todo o cultivo dela, tomaram todas as coisas e jogaram-na para cima daquele monstro! Se o monstro vencesse o torneio, a família continuaria no poder e isso era o suficiente, mesmo que em troca o destino da filha fosse sofrer nas garras daquele cretino pelo resto da vida! Os pais dela, tanto a mãe quanto o pai, não valem nada e nunca pensaram no bem da filha. Só quiseram usá-la. Quando fico pensando sobre isso, eu fico ainda mais revoltado! ― disse Rael,visivelmente irritado.

 

― Eu... Eu não sei o que dizer... ― disse Andréa pensativa, olhando de lado.

 

― Você não precisa dizer nada, mas vou esfregar o cultivo de Natalia bem na cara daqueles dois quando o dia chegar. ― disse Rael.

 

― O que você pretende fazer? ― perguntou ela voltando a olhar Rael.

 

― Por enquanto, nada. Eu não tenho poder suficiente de qualquer maneira. ― disse Rael, se desanimando.

 

― Mas tem sua sogra, assim como o seu sogro. Os dois são bem fortes. ― disse ela.

 

― Se um dia eu puder fazer algo, será pelas minhas próprias mãos e não com ajuda alheia.

 

― E você pretende matar os dois no futuro? Tem tanta raiva assim deles? ― perguntou Andréa. Rael ia dar uma resposta rápida, mas parou de repente.

 

― Tá aí uma coisa que eu não entendo. A filha deles, Natalia, sofreu tanto na mão daqueles dois monstros e mesmo assim ainda pede pela vida deles. Eu contei toda a verdade para ela, e mesmo assim ela ainda os defendeu. Eu não compreendo esse sentimento dela, porque o que sinto por aqueles dois é apenas ódio extenso.

 

― Você os odeia tanto por eles terem feito Natalia sofrer? ― perguntou Andréa, que não podia imaginar que a única razão fosse aquela.

 

― Existe muito mais coisa, mas não quero contar ainda. ― disse Rael de volta perdido em seus pensamentos e se levantou. Andréa se levantou atrás.

 

― Acho que eu acabei falando demais... ― disse Rael sem jeito.

 

― Sempre que você quiser conversar, fique a vontade. Nesse momento, você é meu único amigo de qualquer maneira. ― disse Andréa e forçou um sorriso meio sem jeito.

 

― Guarde segredo de tudo o que falei, não deixe ninguém saber. ― disse Rael, prestes a se virar.

 

― Você confia mesmo em mim. Me contar todos esses segredos das coisas que é capaz de fazer. Até do que pretende fazer contra o patriarca e a esposa dele. ― disse ela, como se não fosse nada demais.

 

― Eu confio sim. Você salvou o Ralf, não foi? Ele me contou que, se não fosse por você, ele teria morrido. De algum modo você usou uma habilidade e conseguiu derrotar aquele homem.

 

― Ele contou? Eu achei que ele só pudesse nos entender, não sabia que ele também podia falar. ― disse Andréa, se tornando pálida e olhando Rael.

 

― E ele não fala. Ele se comunica comigo através do contrato, pelo pensamento. Ele me disse que mesmo você sendo um quarto reino, é bastante forte. Seja lá quem você era antes, deveria ser uma cultivadora incrível! ― disse Rael sorrindo. Não havia nenhuma desconfiança no rosto de Rael e isso chocou Andréa. Rael confiava cegamente nela.

 

― Sim, foi muita sorte. Ele estava distraído e eu usei toda minha força naquele instante, o pegando de surpresa, sem chances dele se defender. ― explicou ela sem jeito.

 

― Você fez bem. Agora, vou resolver uma coisa. Descanse um pouco, e se quiser comer alguma coisa, peça pra Beta. ― disse Rael e se virou subindo as escadas, deixando Andréa sozinha na sala.

 

Andréa ficou parada na sala digerindo todas aquelas informações, descobrir tudo aquilo sobre Rael em apenas um dia tinha sido chocante:

 

― ‘Capaz de acelerar os reinos de cultivo de alguém, curar veias espirituais, fazer contrato com bestas divinas, criar artefatos mágicos, poder voar antes de atingir décimo reino, poder invocar símbolos misteriosos, e curar até membros perdidos... Até onde vão suas capacidades, Samuel?’ ― se perguntou Andréa, enquanto seguia caminhando para a cozinha.

 

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A noite chegou e Rael disse a suas esposas que ia fazer um passeio.

 

― Você já passou o dia inteiro com Andréa, agora vai sair com ela também a noite? ― perguntou Mara, já irritada com esses passeios. Os três estavam no quarto.

 

― Eu não citei o nome dela. ― defendeu-se Rael.

 

― Marido, é melhor você se cuidar, porque se eu descobrir algo que não deveria sobre vocês, eu não irei mais permitir que ela fique aqui. E talvez nem você! ― ameaçou Mara.

 

― Esposa, ela está sozinha e não conhece ninguém. Além disso, ela é uma boa pessoa, não acho que seria ruim eu tê-la como esposa.

 

― Isso é uma piada, Rael? ― perguntou Mara, ficando ainda mais brava. Quando Rael viu a expressão dela prestes a piorar, ele disse rapidamente em seguida.

 

― Mara tenha calma, eu só estava brincando. ― disse Rael sem graça.

 

― Eu só aceitei aquela Anita porque foi o jeito, fazia parte do plano dos meus pais para ajudar no seu futuro. Agora, de modo algum vou aceitar qualquer outra. Essa mulher só ficará nesta casa por mais 2 semanas, depois disso ela vai embora. ― disse Mara, que já estava segurando aquilo há um longo tempo.

 

― Amor, ela pode estar sendo observada, aqui dentro ela está segura com a gente, ninguém entra nessa casa com a barreira. ― disse Rael.

 

― Eu não me importo. Existe um limite do qual eu posso tolerar, e já está ultrapassando. Depois de duas semanas, pegue um pouco do dinheiro dela e compre uma propriedade aqui no clã. Assim, ela continuará segura, estando aqui dentro do território. ― disse Mara decidida. Natalia ficou quieta sentada na cama. Natalia procurava não se envolver nessas conversas entre os dois e se fosse por ela, Andréa poderia ficar o quanto quisesse. Mas ela tinha ciúmes de seu marido também, ela não queria dividir Rael com mais outra mulher.

 

― Moramos em três, isso deveria ser decidido como uma votação. ― disse Rael, se virando para Natalia. Ele sabia que Natalia se dava bem com Andréa.

 

― Eu vou mostrar para você a votação que teremos daqui a duas semanas se esse caso não se resolver! ― bufou Mara irritada.

 

― Você deveria ser mais compreensiva. ― disse Rael de volta.

 

― E estou, sendo até demais! Agora, voltando ao assunto, para onde está indo mesmo?

 

― Sobre isso, eu estou indo em um lugar com sua mãe... ― explicou Rael.

 

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Não demorou muito para Neide partir, levando Rael consigo. Rael precisava ir ao local onde o dragão caiu. Ele sabia que Rayger poderia ter essas informações por ter em posse o sangue do mesmo e fez a pergunta através do anel. Confirmando a informação, Rael pediu para que ele ou Neide o levassem até o local. Como Neide estava preocupada com o último ocorrido de Rayger ter atacado Rael, ela mesma se ofereceu pra levá-lo em segurança.

 

Rael soube de toda a história por parte de Neide. O dragão desabou dos céus já morto caindo neste mundo, formando uma cratera. O mais próximo no momento era o pai de Rayger, que foi até o local e conseguiu um pouco do sangue da besta suprema.

 

― Um dragão tão grande, e tudo que conseguiram foram poucas pequenas garrafas? ― perguntou Rael surpreso.

 

― Depois de perecer, o dragão se transforma em matéria da natureza após um tempo. Quem nessa hora estiver próximo ao local, pode acabar perdendo a vida facilmente. Nesse caso, esse dragão era de fogo, ele se transformou em um tipo de vulcão que agora existe no local.

 

― Eles chegaram em cima da hora. ― observou Rael, que também conhecia essa explicação.

 

― Você tem certeza que esse lugar não fará mal a você? O máximo que posso ir é a cerca de duzentos metros, e isso considerando toda a minha resistência a este elemento.

 

― Foi Alexia que me indicou esse lugar.

 

― O que exatamente ela te disse?

 

― Ela me disse que a energia de um dragão morto permanece em um lugar por centenas de anos. Se eu cultivasse meu poder em um lugar assim eu teria um rápido aumento.

 

― Espero que nos surpreenda de novo, genro! ― disse Neide satisfeita.

 

― E o quanto vamos demorar para chegarmos até lá?

 

― Acredito que chegaremos em uma hora, mantendo essa velocidade. ― disse Neide. Rael estava sendo levado por Neide a uma rápida velocidade. Ela mantinha Rael seguro, próximo ao peito.

 

― Então todas as vezes precisarei de você me acompanhando. ― disse Rael.

 

― Genro, eu te trago quantas vezes precisar. ― disse Neide sorrindo, sem se incomodar.

 

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Uma hora depois os dois adentraram em um terreno rochoso. O calor emanava no ar fortemente, junto a uma porção de energia distinta. Não era um simples calor normal de um elemento fogo, era algo muito mais forte. Se Neide não tivesse o registro feito por Alexia, nem ela estaria aguentando.

 

― Já estamos chegando, veja ali na frente. ― disse Neide, reduzindo a velocidade de voo. Olhando adiante havia um imenso vulcão, que parecia estar calmo. Não havia nenhum ser vivo ao redor, planta, animal, besta, nada. Era somente rochas e alguns pequenos córregos de lava laranja, correndo enquanto borbulhada.

 

― Cof cof! ― Neide tossiu e parou cansada, próxima ao vulcão. Ela liberou Rael, que ficou flutuando no ar, e recuou alguns passos para trás antes de falar: ― Aqui é o máximo que posso ir. ― explicou ela cansada, com dificuldade em respirar.

 

― Obrigado, Neide. A propósito, eu acho que se você cultiva dentro dessa área também terá resultados melhores do que na Caverna do Céu. ― disse Rael.

 

― Enquanto espero você, vou me afastar um pouco e tentar cultivar. Tome cuidado, genro! Cof! Cof! Cof! ― disse ela, saindo de perto voando.

 

Rael se virou e encarou a entrada do vulcão. Ele ainda não estava perto, mas podia sentir que toda aquela energia espalhada no ar vinha de dentro.

 

 

― Então vamos ver se o que Alexia me disse fará mesmo diferença. ― disse Rael sozinho e seguiu em direção ao vulcão.




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