O Herdeiro do Mundo

193 - Nova Chance

Toni era um cultivador experiente e, mesmo em toda sua vida, nunca havia presenciado uma coisa dessas. No primeiro instante ele havia se enchido de medo, mas em seguida procurou se acalmar e pensar pelo lado mais lógico. Mou baixou a guarda e por isso Andréa o matou com um só ataque. O motivo? Andréa deveria ter alguma técnica especial que atravessou a defesa de seu companheiro facilmente. Mas, mesmo tentando forçar esses pensamentos em sua cabeça, ainda era difícil aceitar que isso realmente aconteceu.

 

Na luta anterior, Ralf estava dando trabalho, mas agora sem a sua asa ele perderia mais da metade das suas capacidades de batalha, e mesmo Andréa podendo ter algum golpe mortal, ainda era somente um quarto reino. Esses pensamentos começaram a remodelar os pensamentos de Toni, que sentiu sua coragem voltando aos poucos.

 

Andréa não se apressou e nem disse uma palavra, ela se manteve parada próxima a Ralf segurando a espada e encarando seu inimigo, os dois estavam a uns vinte e cinco metros um do outro.

 

― O golpe que você usou agora pouco, certamente não poderá usar novamente. ― disse Toni, encarando Andréa de volta. Ele estava com medo de ter o mesmo fim do companheiro, mas deixar uma mulher daquelas para trás seria igual a perder uma vida de qualquer maneira.

 

Toni tinha provocado Andréa para ver o que ela diria, mas a mesma continuou inexpressiva, encarando-o de volta e mantendo a mesma posição. Isso o fez ficar ainda mais assustado porque ele imaginava que ela não estaria com medo. Quando ele olhava nos olhos dela, tudo o que ele via era ela o chamando de tolo por entrar em seu caminho, ou zombando dele como se dissesse que estava prestes a arrancar sua vida fora.

 

― Cadela miserável! Eu vou render você e te comer por vários dias! ― disse Toni, decidindo que era hora de fazer o seu movimento. Ele deu um passo adiante, se preparando para partir em um fleche, quando sentiu mais uma presença. Saindo da caverna de onde Andréa estava antes, uma aura com um forte instinto assassino surgiu. Toni se virou para encontrar o possuidor dessa forte aura. Rael não estava com uma expressão muito boa, ele chegou a tempo de ouvir a última sentença e ainda encontrou Ralf ferido.

 

― Quer dizer que você machucou o meu amigo Ralf e ainda ameaça a minha noiva? ― perguntou Rael lentamente. Todos os três podiam ver as mãos e os braços de Rael se tremendo, a expressão de Rael começou a virar um sorriso maligno.

 

― O que um cara assustado como você pode fazer contra mim? Se estava escondido, deveria ter continuado lá. ― disse Toni, tentando parecer corajoso, mas o instinto assassino que fluía de Rael o deixou levemente em pânico. A todo momento,Toni olhava de Andréa para Rael com medo dela se mover e o matar de surpresa como fez com Mou.

 

― Medo? Não faça confusão. Isso é ansiedade. ― disse Rael. Mesmo assim, ele não quis apressar as coisas, ele começou a caminhar na direção de Toni pacientemente, como se quisesse pensar sobre o que iria fazer com o homem no caminho.

 

Toni sentiu a pressão que fluía de Rael. O instinto assassino de Rael parecia deixá-lo em pânico. Mas, como era somente um sexto reino em sua visão, ele não pensou em recuar.

 

― Um lixo como você pensando que pode me matar. Eu vou te mostrar a diferença entre nossos reinos! ― rugiu Toni e ignorou todo o resto, se focando em Rael. Ele concentrou suas chamas na espada e atirou sua energia, o mesmo movimento usado por seu companheiro antes. Uma quantidade massiva de chamas voou em direção a Rael, que não deu sinais de querer esquivar.

 

― Hunf! Só morra de uma vez! ― disse Toni e já ia se virar de volta para Andréa, quando viu algo que não seria possível acontecer.

 

Buuuuuf...

 

As chamas atiradas em Rael, bateram no jovem e simplesmente sumiram sem nenhum impacto, mesmo Rael não fazendo qualquer movimento. Nem mesmo as roupas de Rael foram danificadas. Rael continuava andando calmamente na direção de seu inimigo.

 

― Mas o quê? Desgraçado! ― Toni juntou mais energia e atirou novamente. Ele nem esperou o resultado e já atirou outra em seguida.

 

Buuuuuf... Buuuuuf...

 

O mesmo ocorreu com as duas cargas de chamas e Rael continuava avançando.

 

Andréa, do outro lado, estava boquiaberta. Ela percebeu que Rael tinha uma forte resistência a fogo. Ralf, entretanto, estava calmo. Com Rael presente, tudo estava resolvido. Ele até mesmo se sentou e esperou calmamente o resultado da batalha.

 

― Por que você não morre?! Por quê?!

 

Buuuuuf...

 

Toni parecia estar entrando em pânico a medida que Rael chegava mais perto. E mesmo suas cargas de chamas atiradas não tinham efeito algum em Rael, que não parava de se aproximar.

 

― Maldito! Eu vou matá-lo com minha própria lâmina! ― Toni correu avançando e aplicou um ataque em arco na direção do pescoço de Rael. Toni atacou pelo lado direito de Rael que só precisou levantar seu braço para barrar o ataque.

 

A espada em chamas ficou contida no braço de Rael que ficou levantado. Mesmo as chamas rugindo na lâmina não queimavam sequer tecido da roupa de Rael:

 

― Impossível! De que droga essa roupa é feita? Do que seu corpo é feito?! ― rugiu Toni, ainda tentando forçar sua espada contra o braço de Rael.

 

― Quer mesmo saber? Muito bem. ― disse Rael, girou o braço direito e pegou a lâmina com a mão. Ele apertou e quebrou a lâmina da espada praticamente na metade. Rael ainda estava usando luvas, deixando Toni de olhos ainda mais arregalados, se é que aquilo era possível. Toni, vendo sua espada quebrada, acabou a soltando devido o pânico que se formou. Ele estava tão confuso que não sabia se recuava, se atacava novamente ou o qual seria a melhor ação para sobreviver.

 

― Mesmo se você tivesse o dobro de sua força, ou dezenas de homens com a sua força atual, ainda não seria capaz de me enfrentar. ― disse Rael e, sem esperar que o mesmo se recuperasse do choque, avançou e socou o peito do mesmo com a mão direita.

 

Boooom!

 

Toni voou no chão e levou as mãos para o peito, sentindo uma dor insuportável no local. Rael usou uma grande parte de seu poder para fazê-lo se sentir extremamente desconfortável em seus órgãos.

 

― Machucou o meu amigo, ameaçou a minha futura esposa... Eu deveria brincar com você o dia inteiro, mas tenho coisas a fazer. ― disse friamente Rael. Se agachando, ele tocou em cada um dos braços de Toni e usou sua técnica Impacto Invisível.

 

― Não vou brincar com você, mas já que meu amigo se feriu na asa, ainda vou deixar você sentir uma dor semelhante até morrer com a perda de sangue. ― disse Rael e se afastou do homem, deixando-o no largado chão.

 

Rael foi na direção de Ralf e Andréa. Andréa já tinha guardado sua espada e fez uma expressão de alívio, vendo Rael voltando para eles.

 

― Se machucou? ― perguntou Rael, parando perto de Andréa.

 

― Estou bem graças a ele. ― disse a moça deixando Ralf a vista, que estava apenas esperando Rael voltar deitado. Ele nem sequer tocou em sua asa machucada, que continuava soltando bastante sangue.

 

― Aaaaaaaaah! ― Toni gritou de dor. Seus dois braços estouraram de repente e ficaram em carne viva, com boa parte dos ossos expostos. Uma poça de sangue se formava rapidamente enquanto mesmo guinchava como um porco, se debatendo no chão. Obviamente ele perdeu os movimentos dos dois braços.

 

Rael parou por um breve instante satisfeito com o grito do cretino, depois ele passou por Andréa e ficou de frente a Ralf.

 

― Fez um bom trabalho a protegendo, meu amigo. ― disse Rael, sorrindo para Ralf. Ralf balançou o rabo em resposta animado com Rael. Ralf se lembrou que antes era ele quem protegia Rael, agora era o contrário. Isso deixou Ralf de certo modo orgulhoso por ter um contrato com Rael, afinal, ele viu Rael crescer praticamente desde o começo.

 

Rael não esperou mais tempo vendo o seu amigo precisando de ajuda. Ele se concentrou e começou a conjurar seus símbolos. Era hora te curar Ralf.

 

Andréa ficou atrás de Rael e estava esperando por esse momento. Ela já sabia que Rael iria tentar curar Ralf como fez com ela naquele dia, e durante o processo ele ficaria concentrado, sem notar os movimentos dela. Andréa ficou em uma posição nas costas de Rael e onde a visão de Ralf não alcançava. Ela sutilmente fez a espada surgir em suas mãos e cobriu a lâmina com o elemento água, ela só precisaria repetir o ataque de mais cedo que fez em Mou e Rael morreria. Seria impossível para ele fazer qualquer coisa a tempo. Aquela foi outra chance criada por ela.

 

O símbolo banhava o corpo de Ralf e a asa dele foi coberta por uma boa quantidade de energia esverdeada, começando a curar a asa do tigre voador. O processo era tão surpreendente e acelerado que as partes que faltavam simplesmente foram aparecendo, como se estivessem sendo reconstruídas do zero. Andréa já estava pronta, ela ia avançar e matar Rael quando viu aquela cura surreal. Ela ficou tão surpresa que até mesmo mudou de ideia, guardando a espada de volta.

 

Rael não sentia os instintos assassinos de Andréa, assim como Mou também não sentiu antes de morrer. Tudo que sentiam era uma oscilação do poder dela, que parecia algo natural de um quarto reino. Ela tinha o simples poder de um quarto reino e Rael ainda confiava nela. Colocando dessa forma, Rael nunca teria nem mesmo um fio de preocupação com a jovem moça. Por isso, mesmo se ficasse de costas a ela, como estava agora, ele jamais se preocuparia:

 

― Eu nunca vi uma cura assim antes. ― disse Andréa, chegando ao lado de Rael. Rael continuava concentrado. Os outros símbolos lançavam poder sobre o símbolo da vida, que banhava o corpo de Ralf. O símbolo da vida estava por cima da cabeça de Ralf. Ralf estava se sentindo confortável e fechou os olhos durante o processo, relaxando todo o corpo.

 

― Acho que só eu tenho esse tipo de habilidade. Eu praticamente posso curar qualquer coisa. ― disse Rael normalmente. A asa de Ralf já estava em mais de 70% curada. Ralf continuava parado satisfeito e tranquilo, de olhos fechados, esperando Rael terminar o processo.

 

― Isso é incrível! Você é muito melhor que qualquer curandeiro ou alquimista que já conheci.

 

― Obrigado pelo elogio. ― disse Rael.

 

― Mesmo se alguém perdesse membros do corpo depois de um longo tempo, você ainda seria capaz de curar? ― perguntou ela.

 

― Não sei... Eu nunca testei isso, mas acredito que sim. Meu poder tem a capacidade de estudar a forma verdadeira de um corpo e recriar o que falta, como você está vendo agora. ― explicou Rael.

 

― Agora eu entendo porque você pensou que poderia me curar antes. ― disse Andréa satisfeita com a explicação. Ela baixou os olhos e começou a pensar em alguma coisa sobre a qual Rael não fazia ideia. Ela novamente se tornou inexpressiva.

 

― Sim, se seu dano fosse cerebral, venenoso ou coisa assim eu poderia, mas o escudo não permitiu. ― disse Rael.

 

― Sua mestra deve ser muito poderosa, para ensinar uma coisa dessas a você. ― disse ela de repente.

 

― Violeta é poderosa sim, mas esse poder, só eu posso possuir. Não é algo que possa ser ensinado.

 

― E qual é a diferença entre você e um cultivador normal?

 

― Eu não sou um cultivador normal, eu sou uma existência maior. Não posso dizer o quê, mas meus poderes são como os de um deus.

 

― Um deus? Por isso és tão poderoso?

 

― Maior do que o de um deus, mas no momento, ainda estou em fase de recuperação de tudo o que posso fazer. ― disse Rael, tentando parecer modesto.

 

― Eu nem sei o que digo... ― disse Andréa surpresa, se virando de lado. Se tudo o que Rael disse era verdade, ele era de fato um homem único naquele mundo. Isso começou a mexer nos pensamentos dela.

 

Não demorando muito, Rael terminou o processo e os símbolos voltaram para ele. Ralf se levantou e testou animado suas asas recuperadas. Ambas as asas estavam em 100% de novo e ele moveu as duas sem nenhum problema, enquanto andava em trote, circulando em volta. Ralf estava bem mais animado depois de se recuperar.

 

― Ficou bom? ― perguntou Rael. Em resposta Ralf parou em frente a Rael e esfregou a cabeça carinhosamente no peito do mesmo o empurrando de leve para trás. Em seguida ele avançou de lado, fazendo o mesmo em Andréa. Andréa não foi empurrada porque o tigre levantou uma pata e a prendeu por trás. Assim ele podia apertá-la com mais vontade e sentir melhor o cheiro dela.

 

― Samuel... ― disse Andréa atrapalhada, com Ralf a imprensando.

 

― Ele gostou de você, pelo jeito. Ralf, pega leve com ela, ela ainda é um quarto reino. ― disse Rael e deu uma leve risada. Ralf só agia assim com Rose, a segunda pessoa de quem Ralf se apegou rapidamente foi Andréa.

 

Andréa se sentiu estranha com aquele tigre a tratando como salvadora, feito um bichinho de estimação. Ela poderia tê-lo deixado morrer, mas preferiu deixar o mesmo vivo para Rael usar a cura nele. Ela criou uma nova chance para exterminar Rael, mas desistiu porque se sentiu curiosa com o uso daquela cura. Ela lutou para tentar se manter neutra e não deixar seus sentimentos surgirem, mas era difícil com um tigre tão carismático. A pelagem de Ralf macia também fazia cócegas na pele dela. Ela começou a ri tentando empurrar o mesmo.

 

Rael ficou olhando os dois satisfeito, só depois ele olhou de lado e viu um outro corpo morto. Rael não tinha perguntado antes, e não atrapalhou a brincadeira dos dois. Ele se aproximou de Mou e viu o ferimento que atravessava das costas para o peito. Era um ferimento de espada, e ele soube no mesmo instante que não foi Ralf que o matou. Rael se virou e olhou para Andréa, mas não tinha certeza se havia sido ela, poderia ter sido Toni, que também lutava de espada. Depois, Rael voltou a olhar o corpo do homem morto, desistiu dos seus pensamento e tomou o bracelete do infinito do mesmo. Em seguida, ele se dirigiu a Toni, que continuava no chão, gemendo baixinho. Depois de perder uma grande quantidade de sangue, ele já estava agonizando em seus instantes finais.

 

― Ficarei com isso. ― disse Rael puxando o bracelete do braço, que quase foi arrancado do corpo. Só naquele momento, Ralf parou a brincadeira com Andréa. Andréa e Ralf se viraram para Rael, que estava saindo de perto de Toni:

 

 

― Então, vamos indo? ― perguntou Rael enquanto se aproximava novamente.




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