O Herdeiro do Mundo

192 - Visitando Alexia

Violeta não teve mais como debater, por isso, deixou tudo nas mãos de Rael. Ela apenas se despediu e foi embora, deixando Rael e Andréa no local.

 

― Desculpe. Eu não consegui ajudar você, mesmo pedindo o apoio de minha mestra. ― disse Rael.

 

― Sem problemas, eu entendo. ― disse Andréa de volta.

 

― Eu não pretendo voltar para casa tão cedo. Quero fazer algumas compras e também visitar uma certa amiga. ― explicou Rael subindo em Ralf, que se preparou para se levantar.

 

― Eu adoro passeios. ― disse Andréa com um leve sorriso, aceitando a ajuda de Rael e voltou para seu lugar na frente do jovem rapaz. Rael mais uma vez envolveu a cintura da moça com suas mãos e Ralf partiu subindo, levando os dois.

 

Primeiro eles viajaram por várias horas, até chegarem na caverna onde o corpo original de Alexia descansava. Rael não pretendia entrar com Andréa porque sabia que Alexia ficaria furiosa. Ele lançou seus sentidos para se certificar que não havia mais ninguém e, só após se decidiu:

 

― Andréa fique aqui com Ralf. Irei visitar uma amiga e depois volto, vai ser rápido. ― disse Rael, se virando para a caverna.

 

― Eu espero. ― disse ela normalmente de volta. Ralf se deitou, Andréa se sentou de costas para Ralf e se escorou nele. Ela já não tinha mais medo da besta depois de todo aquele tempo de passeio.

 

Rael sabia que era arriscado deixar Andréa sozinha, mas seus perseguidores da última vez eram meros quintos reinos e isso Ralf poderia resolver, caso ocorresse algo. Eles também estavam muito longe de qualquer cidade e não havia presenças próximas.

 

Rael entrou pelos corredores da caverna e seguiu rapidamente pela única rota disponível. Apareceram algumas aranhas gigantes como da última vez mas, ao verem Rael, elas correram e se ocultaram nos vários buracos próximos. Elas se lembravam perfeitamente do ultimo encontro que tiveram com ele.

 

Chegando ao salão principal, Rael ativou o Espaço Ilusório encontrando a brecha para o esconderijo de Alexia e atravessou rapidamente.

 

No salão real, parecendo com o de um castelo, o dragão imponente vermelho continuava no fundo, deitado com a cabeça aninhada nas patas da frente, ele parecia dormir tranquilamente. Ao lado, encostado ao rosto dele, estava Alexia sentada com as pernas cruzadas, ela estava com os olhos fechados e as pequenas mãos pousadas em suas pernas. Uma energia vermelha intensa corria entre o dragão e a menina.

 

Rael se aproximou despreocupado e parou próximo a garota:

 

― Alexia, tá me ouvindo? ― perguntou Rael, sem obter respostas dela.

 

― ‘Alexia, você está me ouvindo?’ ― a segunda pergunta Rael fez em pensamento. O corpo de Alexia estremeceu levemente, em resposta a voz de Rael.

 

― ‘O que faz aqui, Rael?’ ― perguntou ela de volta, sem sair do modo em que estava.

 

― ‘Vim te visitar e saber como estava.’ ― disse Rael.

 

― ‘Uma visita? Legal de sua parte. Eu terei que permanecer aqui por mais algum tempo, este corpo ainda está em 65%. Ainda ficarei aqui por uns meses.’ ― explicou ela.

 

― ‘Você ficará bem quando terminar?’

 

― ‘Ficarei sim. Você se preocupando tanto assim comigo me faz pensar que gosta mesmo de mim.’

 

― ‘E eu gosto de você. Você mantém sua palavra e é bastante confiável.’ ― disse Rael de volta.

 

― ‘Eu só espero que você não me faça uma guerra quando chegar a hora de me dar filhos.’

 

― ‘Desde que você não me force com um corpo de criança não será nenhum problema.’

 

― ‘Vou deixar você pensando em como será a nossa primeira vez huhuhu... Agora diga-me, o que você precisa?’

 

― ‘Tem uma garota...’

 

― ‘Sobre ela, eu só poderia ajudar se não estivesse fazendo esse processo. O que estou fazendo concentra a minha energia por um longo prazo para acelerar a combinação do poder ao corpo. Se eu parar de repente, perderei boa parte do que já conquistei.’

 

― ‘Você poderia mesmo ajudar? Poderia quebrar aquele escudo?’

 

― ‘Não posso dizer com 100% de certeza, mas apostaria em metade dessa possibilidade que sim.’

 

― ‘Isso já é um alivio.’ ― disse Rael de volta.

 

― ‘Mesmo que eu consiga romper o escudo, não quer dizer que eu possa recuperar a memória dela. Eu li todas as informações a respeito dessa garota e não sei dizer se posso ajudá-la na recuperação. Casos assim são extremamente raros.’

 

― ‘Entendo. Desculpe incomodar você com isso.’

 

― ‘Incômodo nenhum. A propósito, com essa velocidade de cultivo atual demorará muito até você ficar forte. Deixe-me te ajudar com uma Ideia.’

 

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Do lado de fora, Andréa brincava enrolando o cabelo nos dedos sem a menor preocupação, quando de repente sentiu duas presenças se aproximando. Ralf se mexeu bruscamente de repente, assustando Andréa que estava encostada nele. Os dois se levantaram e olharam na direção de onde as presenças surgiram.

 

Próximo a eles, pararam dois homens. Um era um moreno alto, forte e quase careca, usando vestimentas vermelhas. O outro era um homem branco, de altura média e magro, usando vestimentas também vermelhas. Na testa, o homem branco usava uma faixa escura.

 

― Que interessante, Toni. Achamos uma bela garota por aqui. ― disse o moreno, com um sorriso cobiçoso para Andréa. Os dois ficaram muito surpresos com a beleza da jovem moça, era algo que eles nunca tinham visto antes. Eles sequer repararam em Ralf de tão encantados que estavam pela presença de Andréa.

 

Ralf, sabendo que Andréa era um quarto reino, deu um passo a frente e a escondeu atrás dele, a protegendo. Em seguida, entrou no modo batalha, arreganhando a boca e expondo dentes afiados. Também exibiu suas garras vermelhas, que cresceram de tamanho nas quatro patas, suas asas brancas se tornaram completamente de metal e seu rabo, que era peludo, se encheu de espinhos na ponta, como se fosse uma enorme clava.

 

Essa exibição de Ralf não assustou os dois estranhos, pareceu nem mesmo fazer o mínimo efeito, eles continuaram despreocupados a respeito da besta:

 

― Estranho, eu nunca vi uma besta doméstica antes. ― comentou Toni, agora com um ar curioso.

 

― É só uma besta divina inútil de rank B+. Nós, que somos do nono reino não teremos nenhum problema com ela. ― disse o moreno.

 

― Mou, você não está curioso para saber porque essa besta é doméstica? Porque eu estou, isto pode valer dinheiro! ― disse Toni.

 

― To mais curioso com a mulher, eu nunca vi mulher tão linda antes em minha vida! ― disse o moreno, chamado de Mou por Toni.

 

Andréa, que estava atrás de Ralf, não tinha a menor preocupação. Ela começou a pensar em qual seria a sua melhor opção: Entrar na caverna em busca de Rael para fugir, ficar e esperar Ralf fazer alguma coisa até o retorno de Rael ou participar do combate junto com Ralf?

 

Os dois homens não estavam com medo porque não sentiram nenhuma outra presença ao redor, o que indicava que Ralf e Andréa estavam sozinhos. Ralf, uma besta rank B+ e Andréa, uma belíssima moça com um simples quarto reino não lhes causariam perigo algum.

 

― Acho que você está certo. Não é todo dia que encontramos uma mulher assim. ― concordou Toni, fazendo surgir uma espada de porte médio, ao qual ele segurou com as duas mãos. No instante seguinte, ele concentrou sua energia do tipo Fogo, a espalhando pelo corpo e também pela lâmina, que se cobriu em chamas.

 

Ralf percebeu que seriam atacados. Ele queria fazer Andréa ir para dentro da caverna e manter a moça protegida até Rael chegar e ajudá-lo, mas ele não conseguia falar com ela. Ralf sabia que teria desvantagens naquela batalha, aqueles dois eram bem mais fortes que ele.

 

― Mostre-me o que sabe fazer, tigre domesticado! ― rugiu Toni e saltou rapidamente, aplicando um golpe vertical por cima da cabeça de Ralf na intenção de matá-lo em um golpe. Em defesa, Ralf elevou sua asa direita, cobrindo a cabeça.

 

Boooom!

 

O ataque fez o chão abaixo de Ralf estremecer e se rachar, sua asa de metal se danificou no pequeno local atingido.

 

― ROOOOAR! ― Ralf rugiu enquanto Toni pousava ao lado. Ralf o empurrou com a asa e iniciou uma série de ataques, tentando cortar seu oponente com as duas asas. Toni se defendeu enquanto ria usando a espada. Ralf fez Toni recuar mantendo os vários ataques e trocando de uma asa a outra.

 

― Esse tigre é bravo hahaha! ― Toni ria enquanto defendia os ataques das asas de metais. Como Ralf se moveu, Andréa ficou exposta novamente para a visão dos homens. Tanto Toni quanto Mou puderam apreciar mais uma vez a beleza da moça, que continuava despreocupada mesmo diante de dois homens que estava brigando por ela.

 

Ralf, aproveitando o momento da pequena distração de Toni, girou a cauda de espinhos e acertou e cheio a lateral do corpo do mesmo. Toni sofreu um leve ferimento no braço esquerdo onde foi acertado e voou rolando pelo chão. Ele só não se feriu mais porque seu corpo era muito resistente.

 

― Maldito tigre! Mou, vamos acabar logo com ele! ― rugiu Toni se levantando. Ralf se manteve em posição defensiva, olhando de um a outro.

 

― Você, tendo problemas com uma besta fracas dessas? Humilhante! ― disse Mou e sacou um machado de duas mãos, ao qual foi coberta com uma energia amarela, indicando que Mou utilizava o tipo Terra.

 

― Vou te mostrar como matar uma bestas dessas com um só ataque. ― disse Mou que, como um fleche, avançou e saltou por cima de Ralf. Ele estava segurando o machado nas costas com as duas mãos, enquanto ia pousando perto da cabeça de Ralf e puxando o machado para acertar o mesmo. Se Ralf pensasse em defender aquele monstruoso ataque agora ele teria sérios problemas.

 

― Destruidor de Cratera! ― rugiu Mou, descendo o machado a todo vapor. A lâmina do machado foi cercada com grandes quantidades de uma energia amarela que vibrava, lançando impulsos em volta:

 

Zuuuuump! Boooooom!

 

Mou acertou o chão e todo o terreno próximo se tremeu, enquanto uma vasta energia amarela soprava em todas as direções. Ralf saiu do local bem a tempo. Mou ficou procurando, olhando em volta em busca do tigre alado:

 

― Em cima de você, Mou! ― gritou Toni.

 

Mou se virou a tempo de ver Ralf flutuando uns dez metros acima dele. Ralf bateu as duas asas, criando uma rajada de vento direcionada contra o mesmo:

 

Vraaaaaap!

 

Mou se defendeu com o machado e os braços na frente. O vento passou por ele e, durante o processo, surgiram vários arranhões em seu corpo. Não era um simples sopro de vento, era uma poderosa rajada com habilidades cortantes. Infelizmente, era dois reinos de diferença e não teve tanto efeito, mas ainda assim Mou ficou com vários arranhões pelo corpo, suas vestimentas ficaram visivelmente rasgadas também.

 

― Maldita besta! Como ela esquivou do meu ataque?! Como?! ― Mou gritou irritado.

 

― Ela não é uma simples besta. De algum modo ela possui inteligência, por isso eu tive trabalho. Ela é rápida e ágil porque o seu elemento é o vento. ― disse Toni se aproximando de seu companheiro. Ralf continuou flutuando, encarando os dois.

 

Ralf não queria lutar, ele queria apenas ganhar tempo até a volta de Rael. Enquanto eles não mexessem com Andréa, Ralf não precisava ficar preocupado. Andréa continuava parada próxima a entrada, assistindo aquela batalha desvantajosa com um ar inexpressivo.

 

― Vamos ver o que vai fazer agora. ― Mou elevou o machado para trás, juntou energia de terra e lançou um ataque no ar. Ele não se mexeu nem saltou, o que ele fez foi arremessar uma quantidade massiva de seu próprio poder. O propósito era acertar e derrubar Ralf.

 

Ralf, por sua vez, lançou outra onda de vento, que se chocou contra o lançamento massivo de terra:

 

Boooooom!

 

As duas energias se explodiram, formando uma forte onda de vento no ar. Essa onda transparente e amarelada ficou entre eles por um tempo.

 

Zuuuuup!

 

Quando os dois se deram conta, Ralf já estava por trás deles. Ralf aproveitou a onda de choque que atrapalhou a visão dos seus oponentes e os pegou por trás. Mas, mesmo Ralf atacando rápido com a lâmina de uma asa direita, eles ainda se viraram a tempo e defenderam-se:

 

― Maldito tigre! Eu acabarei com sua brincadeira agora! ― Gritou Mou. Como um vulto, ele avançou em Ralf, mirando o pescoço da besta. Ralf não teve tempo de fugir e foi obrigado a se defender usando sua asa esquerda de metal:

 

Booooom! Brash...

 

― Rooooooar! ― Ralf rugiu de dor. O machado carregado de poder acertou a asa de Ralf e a espedaçou praticamente na metade. Ralf recuou atordoado para trás enquanto sua asa danificada começava a se normalizar. Havia várias placas de metais espalhadas no chão e esses pedaços viraram penas e pedaços de pele da asa de Ralf, e manchas de sangue foram se espalhando por todos os lados. A asa esquerda de Ralf estava agora normal e muito sangue escorria dela.

 

―Háh! Agora eu te mato, besta maldita! ― disse Mou e, aproveitando que Ralf estava atordoado, avançou pronto para cortar a cabeça do mesmo. Ralf até percebeu o homem vindo, mas machucado como estava ele não podia fazer nada além de tentar sacrificar a outra asa a fim de adquirir mais tempo.

 

Zuuuuup! Zuuuuf...

 

Mou parou seu ataque prestes a acertar Ralf porque sofreu um esbarrão de Andréa por trás. Na verdade, não foi apenas um esbarrão. Mou sentiu uma dor profunda e aguda no peito, ele não aguentou e derrubou o machado de olhos arregalados, ele se virou e olhou chocado para Andréa. Andréa manteve sua expressão séria e lentamente removeu a espada de porte médio do peito do homem, que em seguida já desabou no chão mantendo os olhos abertos, porém, sem vida, enquanto muito sangue jorrava de seu ferimento. A lâmina da espada de Andréa estava coberta por uma energia azul, o que mostrava que era um simples elemento Água.

 

Toni ficou perplexo, ele até sentiu a oscilação do poder de Andréa segundos antes dela fazer o ataque. Mas quem iria esperar que um quarto reino matasse um nono reino com apenas um movimento? A lâmina dela entrou tão facilmente em seu parceiro que parecia uma faca cortando manteiga.

 

 

Outro surpreso era Ralf, que tinha preparado sua outra asa para a impossível defesa. Quando percebeu o homem morto, ficou tão surpreso quanto Toni. Andréa brandiu a espada de lado e todo sangue nela foi saplicado no chão. Em seguida ela olhou para o outro homem, mantendo o mesmo olhar sem expressão. Toni, que tinha visto tudo que ocorreu, vacilou recuando um passo para trás.




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