O Herdeiro do Mundo

186 - Andréa na Residência Raymonde

Rael chegou em casa acompanhado de Andréa e olhou para a porta a sua frente com um certo receio. Mesmo que ele não tivesse feito nada com Andréa, Mara certamente ainda iria reclamar e ameaçar acabar com ele. Rael engoliu um bocado de saliva pensando em encarar o perigo a frente e abriu a porta.

 

― Entre devagar e não faça barulho. ― disse Rael baixinho para a garota. Ele cruzou a porta primeiro, fazendo a verificação da sala e se sentiu aliviado de não ver as duas esposas.Por um lado era bom,mas em compensação seria como adiar o inevitável, porque mais tarde ele teria que se explicar do mesmo jeito, ou até pior.

 

― Que sorte, elas não estão aqui. Venha. ― disse Rael, se virando para descobrir que Andréa ainda estava presa do outro lado da porta. Ela não conseguia cruzar a barreira obviamente, e olhava surpresa para Rael.

 

― Eu me esqueci completamente desse detalhe! ― disse Rael voltando até ela.

 

― Você tem uma barreira em sua casa? Você deve ser alguém muito importante para possuir tal defesa! ― disse ela soando naturalmente, mas tinha um tom de curiosidade em sua voz. Apesar dela não se lembrar do nome, ela parecia ter um entendimento das coisas ao redor.

 

― Isso não foi nada demais eu mesmo fiz... Quero dizer, paguei para fazerem para mim. ― se corrigiu Rael rapidamente. Ele tirou do bracelete um dos anéis com a liberação e a entregou: ― Usando esse anel você vai conseguir entrar. Não perca o anel e não o tire para nada. ― explicou Rael.

 

Uma das coisas que Rael tinha observado era se ela tinha anéis de comunicação. A moça não possuía nada além do bracelete e suas coisas dentro do mesmo.

 

Depois de colocar no dedo, Andréa não teve dificuldades para entrar. Rael e ela estavam tão distraídos naquele momento que não viram Natalia e Mara surgindo no corredor. As duas ouviram os sons e apareceram em silêncio, pegando os dois bem no momento da entrada:

 

― Olá esposas! ― disse Rael com um sorriso bobo. Andréa as cumprimentou educadamente com uma leve reverência, parando ao lado de Rael após entrar. Eles tinham acabado de cruzar a porta.

 

― Marido, quem é ela? ― perguntou Mara quase lentamente enquanto lutava para não parecer irritada. Ela sabia que Rael ficava incomodado com o ciúme excessivo e por isso ela lutava para controlá-lo. Mas isso era difícil uma vez que seu marido aparecia todo dia com uma mulher diferente.

 

― Demos o nome de Andréa a ela. Ela perdeu as memórias de quem ela é. Ela estava sendo atacada por bandidos em uma trilha fora da capital, eu a salvei e, para não deixá-la sozinha, e a trouxe.

 

― E agora ela sua futura noiva? ― perguntou Mara mau humorada, já imaginando que Rael não tinha contado toda a história.

 

― Não esposa. Eu apenas a trouxe porque ela não se lembra de nada e não sabia mais para onde ir. Ela não tem nenhuma ideia de quem é. ― explicou Rael novamente.

 

― Trazer ela pra casa não tem nada haver com o fato dela ser bonita? ― perguntou Mara mais uma vez.

 

Rael se sentia constrangido por sua esposa fazer tantas perguntas diante de visitas, mas ele compreendia aquele lado dela.

 

― Sentem-se que eu vou contar com calma tudo que aconteceu até aqui. ― pediu Rael. Natalia como sempre era quietinha e obediente, ela não irritava Rael e nunca o deixava sem graça.

 

Com todos os quatro sentados no sofá Rael contou com calma tudo o que ocorreu. Mara se acalmou um pouco, mas era impossível não imaginar um caso entre os dois. Andréa era muito bonita afinal.

 

― Ela vai ficar conosco até se lembrar quem é? ― perguntou Natalia depois da conversa. O tom de Natalia não carregava ciúme, era mais um tipo de curiosidade.

 

― Eu ainda não sei, mas por enquanto vamos deixar ela com algum dos quartos. ― disse Rael. Andréa era apenas um quarto reino e suas esposas tinham mais do que o dobro do poder dela. Andréa não oferecia riscos a ninguém ali e por isso Rael não estava com medo.

 

― Eu vou aceitar ela nessa casa, mas você não vai fazer nada de estranho com ela. ― disse Mara por fim. Mara sabia que não ia adiantar discutir com Rael, ele ia dar um jeito de contornar a situação e forçá-la a aceitar, mas deixou claro que não queria ser traída.

 

― Por que eu faria algo com ela? Ela não se lembra quem é, de repente poderia ser noiva de alguém ou até mesmo casada. Como eu saberia? ― perguntou Rael em seguida. Andréa olhou para Rael parecendo pensativa e depois se virou. Certamente ela deve ter pensado que Rael tinha um pouco de razão nessa parte. Enquanto Rael e Andréa estavam sentados de um lado do sofá, as meninas estavam juntas do outro.

 

― Andréa, você está com fome? Venha comigo, eu sirvo alguma coisa pra você. ― disse Natalia se levantando. Andréa se levantou junto e seguiu Natalia para a cozinha.

 

Rael olhou para Mara e ficou um pouco em silêncio. Mara e ele era um sempre um assunto bem delicado.

 

― Ela é muito bonita para ser somente uma mulher normal. Você não está me escondendo algo, Rael? Será que ela não é algum tipo de transformação de espécie? ― Mara teve o mesmo pensamento que Rael inicialmente.

 

― Eu já analisei o corpo dela. Não sei se descobriria isso normalmente, mas não encontrei nada de estranho. Para ser sincero, eu não faço ideia de quem ela é. Mas você tem razão, ela é bonita demais para ser uma mulher normal. ― admitiu Rael em seu tom sério.

 

― Você e ela não fizeram mesmo nada?

 

― Não. ― disse Rael. Ele apenas se lembrou dela encostando os seios no braço dele, mas aquilo não foi intencional e não contava como nada.

 

― Estou com fome. Vou na cozinha comer alguma coisa também. ― disse Rael se levantando. Mara se levantou em seguida e já se virou para a escada.

 

― Vou para o quarto, espero vocês lá. A propósito, deixe ela no quarto de baixo que tá limpo. ― disse Mara e começou a subir as escadas. Rael foi para a cozinha e se juntou com as duas.

 

Andréa se deu bem com Natalia e as duas pareciam ter virado amigas bem rápido. Natalia tinha esse poder de se apegar rápido e fazer as pessoas se apegarem rápido a ela, isso não surpreendeu Rael.

 

Depois do jantar, Rael apresentou a Andréa o quarto dela acompanhado de Natalia:

 

― Obrigada pela refeição e por me tratarem bem. ― disse Andréa com um leve sorriso e fez uma reverência aos dois.

 

― Não precisa agradecer. Tenha uma boa noite. ― disse Rael com um sorriso e saiu.

 

― Boa noite Andréa! ― disse Natalia em seguida.

 

― Durmam bem os dois! ― disse Andréa e depois fechou a porta quando Natalia também saiu do quarto.

 

 

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Mara estava esperando os dois na cama. Dificilmente eles passavam alguma noite sem fazer a não ser por motivos extremamente sérios. Algo como aquilo não bagunçava o vicio daqueles três.

 

Rael e suas esposas iniciaram mais uma festinha pessoal e se esqueceram que o quarto deles ficavam bem em cima do quarto de Andréa.

 

Embaixo Andréa se despia ao som da festinha dos três. Ela podia ouvir os gemidos das meninas e os sons das batidas que a cama as vezes fazia no teto de seu quarto. Era um barulho que incomodava um pouco, mas Andréa não parecia estar com sono. Estranhamente ela também não se sentiu envergonhada. Ela retirou quase toda roupa, ficando apenas de calcinha e sutiã.

 

Havia um espelho grande no quarto. Andréa se levantou e ficou de frente a ele, olhando todo seu corpo e circulando para ver melhor todos os ângulos. Talvez ela estivesse pensando sobre o que Rael disse mais cedo sobre ter a chance dela estar com algum veneno, ou talvez ela estivesse apenas se admirando mesmo. Não tinha como saber, a expressão dela era séria e inabalável enquanto se analisava.

 

Andréa era muito sensual. Sua pele era macia e tinha uma vivacidade natural, suas curvas eram suaves e delicadas, seus seios tinham um tamanho natural acompanhando bem a proporção do corpo e estavam apertados dentro de um sutiã vermelho. O ventre dela tinha uma suave curva que deixaria qualquer homem babando.Sua região especial era formada por um belo pacote, escondida por uma calcinha também vermelha e a abaixo vinham duas maravilhosas pernas.

 

Andréa passou um tempo se olhando. Para uma garota de dezesseis anos, ela era muito bem desenvolvida e farta nas regiões que precisava ver.

 

Ela levou as mãos para trás e tirou o sutiã, exibindo dois lindos bicos rosados. Ela levantou as mãos e cobriu os peitos com um ato natural, enquanto se olhava no espelho e se via fazendo aquelas ações, a expressão dela era um misto de seriedade e curiosidade. Ela parecia que não conhecia o próprio corpo.

 

Ela deixou uma das mãos no peito e com a outra correu pela barriga, passou pelo ventre e entrou na lateral da calcinha indo para a região especial. Ela se tocou um pouco, mas sua expressão no espelho não mudou. Permanecendo séria, ela tirou a mão do local e ficou um tempo parada, ainda se olhando.

 

Depois ela colocou de volta o sutiã. Olhou para o cabelo se incomodando com as tranças e juntou as mãos começando a desfazê-las.

 

Em poucos minutos ela estava com os cabelos soltos, um pouco embolados por causa das recentes tranças, mas livre delas. Ela apenas virou-se, caminhou até a cama e se deitou olhando para o teto. Aqueles três continuavam a todo vapor no quarto acima. Isso a fez esboçar uma expressão irritada, talvez pelo barulho ou mesmo por não gostar de ouvir aquilo. Um tempo depois ela pareceu se sentir solitária e ficou pensativa, enquanto virava o rosto de lado, havia uma expressão triste no rosto dela que não durou muito, ela se conteve e voltou a sua expressão séria. Mesmo com todo o barulho, ela ignorou completamente, fechou os olhos e tentou dormir.

 

 

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Na biblioteca, Rael procurou por algo que pudesse explicar a perda de memória de Andréa mas não encontrou nada dentro das possibilidades. A única coisa que ele encontrou era referente a uma habilidade chamada amnésia. Era uma habilidade que só podia ser usada por pessoas renascidas e o efeito duraria uma hora ou duas. Esse não seria o caso. Os venenos que tirariam a memória de alguém também deixariam a pessoa lesada e Andréa não era lesada. Apesar de estar sem memórias, ela agia naturalmente.

 

― O que você tanto está procurando hoje? ― perguntou Violeta, parando curiosa ao lado de Rael. Rael já estava a um tempo olhando aquela pilha de livros sobre a mesa. Ele já tinha corrido vários e não parecia encontrar nada.

 

― Conhece alguma coisa que tire as memórias de alguém? Que faça se esquecer até mesmo do próprio nome? ― perguntou Rael se voltando pra ela.

 

― Conheço muito tipos, mas fica difícil eu dizer assim. Me conte o motivo de sua procura. ― pediu Violeta.

 

Rael contou a ela toda a história e Violeta ficou pensativa enquanto ouvia.

 

― Baseado no que você me disse, não existe nada que eu conheça com esse efeito. Todas as coisas que conheço o efeito passaria rápido ou durariam poucos dias, mas deixaria a consciência da pessoa meio idiota.

 

― O que você propõe?

 

― Eu não sei. Você disse que ela era bonita demais, não é? Eu consigo pensar em algumas coisas, mas nada dentro desse mundo pequeno. Se fosse em outro mundo eu poderia ter algumas idéias mas aqui nada entra na minha cabeça. ― disse Violeta.

 

― É possível que ela tenha vindo de outro mundo? Tipo, para se esconder. Isso explicaria porque nunca vi o tom de cabelo dela.

 

― Com o baixo nível de cultivação dela? Impossível. Se ela fosse um décimo reino por aí, eu poderia acreditar nessa hipótese. ― disse Violeta.

 

― Então, como que ela é tão bonita assim? Ela parece até uma de vocês violadoras.

 

― Com alguns fatores, mesmo uma humana pode alcançar uma beleza como a de uma de nós.

 

― Como? ― perguntou Rael curioso.

 

― Herança sanguínea boa, alimentação cuidadosa, criação com frequentes exercícios que ajudem a desenvolver o corpo. Uso de cremes feito por ervas especiais e raras. Todas essas coisas feitas desde a infância podem ajudar uma mulher a crescer com um corpo em suas capacidades máximas. Mas isso só é possível em famílias extremamente ricas e que cuidam muito bem dos seus.

 

― Rica ela deve ser sim. ― disse Rael pensando nos bens dela.

 

― Isso já explica muita coisa. ― disse Violeta.

 

― Basicamente, ela tem a beleza de uma violadora sem a maldição. ― disse Rael em seguida.

 

― Não misture os fatos. Embora ela possa possuir uma beleza semelhante a nossa, ela não possui o sangue demoníaco. Como mulher ela pode ser incrível, mas nunca vai alcançar a essência sexual de uma violadora. ― explicou Violeta.

 

― Existe algum remédio, pílula ou chá que ajude ela a recuperar a memória?

 

― Existe algumas curas, mas nenhuma se encaixa no padrão, pelo menos não que eu saiba. Cultivadores normalmente não têm perda de memória. Pessoas que treinam o corpo tem uma boa capacidade de regeneração. Partindo do ponto que ela tenha perdido as memórias através de algum acidente, o corpo dela deveria recuperar isso rapidamente em questão de horas ou pelo menos com uma noite de sono. ― explicou Violeta.

 

― É possível que amanhã ela se acorde com suas memórias normais? ― perguntou Rael animado.

 

― Sim, é possível. Como eu falei, problemas com memórias é raro em cultivadores, então só podemos considerar que ela possa ter sofrido um golpe ou um acidente. ― concluiu Violeta.

 

― Tomara que ela se lembre. ― disse Rael se lembrando da cena da moça agarrando o braço dele: ― Eu não quero que ela fique muito tempo em minha casa.

 

― Você está com medo de acontecer algo? ― perguntou Violeta, segurando uma risada. Ela quase não conteve o pensamento do destino mais uma vez empurrando mulheres em cima de Rael.

 

― É claro que estou! Eu só tenho um pau! ― disse Rael sem graça com um sorriso bobo. Violeta ouvindo aquilo caiu na risada se virando de lado. Rael ficou olhando ela rindo virada para o outro lado e sorriu satisfeito. Era bom ver ela com seu bom humor.

 

― É melhor você começar a ensinar o seu clone a trabalhar também hahahaha! ― Violeta disse isso e voltou a gargalhar. Rael ficou apenas olhando-a, sem rir. A risada de Violeta era muito divertida e Rael não se incomodou de vê-la rindo dele.

 

 

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Na manhã seguinte, Rael acordou com o braço de Natalia cruzado por cima de seu peito. Mara já tinha se levantado e saído da cama. O sol estava forte e entrava no quarto através das frestas da janela. Rael se lembrou da conversa que teve com Violeta e se levantou animado, acordando Natalia que se sentou na cama coçando os olhos após se espreguiçar.

 

Rael desceu apressado depois de se vestir e foi direto para o quarto de Andréa. Ele estava curioso se a moça já tinha se lembrado de algo:

 

― Bom dia...! ― Rael já foi entrando no quarto e encontrou Andréa deitada, ainda dormindo, com a cabeça por cima de seus lindos cabelos. Ela estava de peito para cima com todo aquele corpo escultural exposto, sendo coberto apenas as duas partes principais, seios e parte de baixo. O belo rosto dela estava virado de lado para a direção de Rael.

 

Rael era um homem acostumado a mulheres bonitas, mas havia coisas nesse mundo que as vezes se tornam extremamente incontroláveis. Mesmo sem Rael querer, a cabeça de baixo se tornou interessada no assunto, criando um leve monumento na calça. Andréa lentamente abriu os olhos vendo Rael ali estagnado.