O Herdeiro do Mundo

182 - Rael vs Rayger

Alex escutou muito bem o pedido, e olhando a expressão fria de Rael em frente, ele não duvidou que o mesmo estava falando sério.

― Eu... Eu achei que o jovem mestre me pouparia... ― disse Alex, em um tom trêmulo. O homem estava suando frio e sentindo o peito congelado de medo.

― Poupar você? Alguém que simplesmente não consegue obedecer uma ordem tão simples? ― perguntou Rael. Antes que Alex pudesse implorar novamente, o pé direito de Rael levantou e girou como um vulto, fazendo um arco no ar:

Booooooom!

O chute pegou em cheio o rosto de Alex. Esse saiu voando no ar e caiu a cerca de três metros depois, se arrastando pelo chão até chegar próximo a parede.

                Alex estava atordoado. Ele ainda se agachou tentando se levantar enquanto Rael surgia em frente a ele, pronto para pisoteá-lo como uma barata:

― Jovem mestre, me poupe! Me poupe, eu não quero morrer…!

― Poupar você? Eu não pouparia nenhum dos corajosos, imagine um lixo covarde! ― disse Rael e levantou seu pé direito:

Brash!

― Aaaaaaaaaaah!

Rael baixou violentamente o pé e, usando a sola da bota, ele quebrou o tornozelo de Alex, esmagando-o contra o chão sem piedade. Ossos foram quebrados e o local se rasgou em vários locais, se desmanchando em sangue. Alex gemeu rolando devido a dor e Rael já levantou o pé novamente, visando outro ponto.

                Do lado de fora, Rayger achou estar ouvindo coisas estranhas. Porque há pouco quem estava gritando era um dos homens, o tal de Alex, mas agora, por que era Rael a gritar?

― Tio!Rápido, me ajude! Eu estou com problemas! ― Rayger ouviu Rael pedir por ajuda. Dessa vez ele ouviu bem claramente. Rayger entrou o mais rápido que pôde e encontrou Alex de pé. Alex estava quebrando o braço de Rael, pisando impiedosamente no seu genro, sendo que o outro braço e as duas pernas já estavam quebrados, se desmanchando em sangue. Rael chorava no chão desesperado, clamando por ajuda:

― Tio, me ajude! Tinha razão, quatro foi demais para mim! ― rugiu Rael, gritando de dor. Alex se virou para Rayger e deu um sorriso frio:

― Nisso que dá, quando deixa o seu genro inútil lutar contra mim. ― zombou Alex.

― Saia de perto do meu sobrinho! Eu matarei você! ― rugiu Rayger furioso, fechando os punhos e deixando uma aura cinza correr:

Zuuuuuup!

Como um vulto, Rayger chegou a frente de Alex e o acertou com um poderoso soco, que deveria pegar em cheio no peito. No entanto, Alex jogou o braço direito na frente a tempo e defendeu o golpe. Mesmo defendendo, Alex foi arremessado para trás com força e foi parar na parede, batendo as costas miseravelmente:

Booooom!

_____________________________________________________________________________

                Rael ficou completamente confuso com a ação de Rayger. Rayger claramente tentou matá-lo, se o braço de Rael não tivesse agindo sozinho para reduzir o impacto, certamente Rael estaria com vários ossos quebrados.

― Tio, o que deu em você?! Eu sou o Rael, não esse homem! ― gritou Rael para Rayger. Rael tinha aleijado completamente Alex no chão, o mesmo estava dando seus últimos suspiros porque já tinha perdido uma enorme quantidade de sangue devido a ter muitas feridas graves.

― Não morra! Não morra! ― disse Rayger desesperado, com medo até de tocar em Alex. Isso deixou Rael ainda mais confuso. Alex, que já estava praticamente dando os últimos suspiros, finalmente pereceu de frente aos olhos de Rayger:

― Tio, acorde!Esse não sou eu! ― gritou Rael de novo. Rael achou estranho Rayger agir assim porque ele não sentiu nenhuma outra energia se aproximar. Se alguém tivesse feito algo a Rayger, deveria ao menos ter chegado perto.

― Você ousou matar meu sobrinho! Meu genro! ― rugiu Rayger, se virando furioso. Ele concentrou sua poderosa energia cinza. Rayger tinha a mesma liberação da filha, a Força:

Zuuuuup!...

Rael ativou o Espaço Ilusório bem a tempo e Rayger passou por ele, acertando o poderoso soco na parede ao fundo:

Booooooom!

Apesar do impacto, a parede não teve qualquer problema. Rael, que estava com todas as suas habilidades desativadas no momento, começou a ativar todas de uma só vez:

― Dragão Azul de Raios: ativar! Brisa Leve! Movimento de Terra! Impulso do trovão! Essência Demoníaca! ― Rael ativou sua armadura e todas as suas técnicas de velocidade e ainda a de apoio. Lutar com Rayger não seria nenhuma brincadeira:

Zuuuuup!

Rael mal teve tempo de ativar suas habilidade e Rayger já surgiu diante dele. Um soco com aura cinza foi aplicado e Rael defendeu com os dois braços em forma de X, mantendo o direito na frente:

Vuuuuuuup! Boooooom!

Rael foi arremessado com velocidade contra a parede ao lado da porta. Graças a armadura, a maior parte do dano foi absorvido.

Zuuuuup!

Rael ativou o Espaço Ilusório bem na hora que Rayger chegou socando-o novamente. O poderoso soco atravessou o rosto de Rael e bateu contra a parede.

― Eu não sei o que deu em você tio, mas não vou ficar...!

Zuuuuup!

Rael ativou novamente o Espaço Ilusório e Rayger atravessou, errando novamente o alvo. E indo parar vários metros a frente.

― Droga! ― gritou Rael, cobrindo seu braço direito em chamas.

― Um maldito décimo reino me dando tanto trabalho! ― disse Rayger alucinado. Ele fez surgir em mãos duas poderosas luvas azuis metálicas: ― Eu quebrarei todos os seus ossos agora! ― rugiu Rayger e partiu de novo contra Rael. Rael, que não ficou parado, preparou o punho direito e foi contra o punho direito do tio:

Boooooom!

O impacto do soco arremessou Rael vários metros para trás, que nem sequer conseguiu cair em pé. Rael ainda estava no chão quando viu o tio sumir de repente:

Zuuuuuup! Boooooom!

― Punhos Esmagadores! ― rugiu Rayger, aparecendo por cima de Rael. Os punhos azuis tremularam liberando uma energia devastadora. Rayger iniciou uma série de socos em sequência, batendo com ambos os punhos contra Rael, que ativou mais uma vez seu Espaço Ilusório. Rael girou no chão fugindo dos socos. Dessa vez o local inteiro tremeu com a forte onda de ataques de Rayger, e as marcas dos socos ficaram marcadas no piso. Rayger estava mesmo tentando matar Rael com todas as suas forças.

                Rael se pôs de pé e correu, se afastando de lado. Rayger se levantou lentamente com ambos os punhos soltando uma energia amarela misturada com cinza. O olhar de Rayger para Rael era de puro ódio.

― ‘Merda!Se continuar assim, eu vou acabar morrendo.’ ― pensou Rael. Percebendo que seu espaço de luta era curto estando aqui dentro, ele correu e passou pelas portas de aço quebradas, saindo do local.

― Não sei como você saiu sem o anel, mas não vai escapar de mim tão facilmente. ― disse Rayger com os punhos fechados, já preparando outro ataque. Ele continuava com o olhar furioso sobre Rael.

― Tio, sou eu, Rael! Pare de ser estúpido! ― gritou Rael de volta. Rayger não parou e continuou avançando, enquanto Rael recuava alguns passos para trás de costas.

― Seu maldito assassino! Morra!!! ― rugiu Rayger e partiu novamente contra Rael.

― Droga!O que aconteceu com você? ― perguntou Rael, já se preparando novamente.

                Lá de cima, Keylla continuava assistindo a luta usando sua habilidade Visão Avançada.

― ‘Ele se intitulou Rael? Mas o nome dele não seria Samuel?’ ― perguntou Keylla e se lembrou que Emilia na caverna citou o mesmo nome: Rael.

― ‘Isso está me deixando confusa. Quem é você afinal, jovem mestre? Será que você vai morrer e eu não terei essa resposta?’ ― se perguntou Keylla, rindo mentalmente.

                Embaixo, a luta continuava a todo vapor. Rael estava sofrendo bastante pois não tinha como ele vencer Rayger. Seu punho direito não chegava nem aos pés de Rayger e o mesmo não parecia que voltaria ao normal. Rael estava ficando cada vez mais encurralado. Ainda por cima, todas as vezes em que Rael tentava usar o anel para chamar Neide, Rayger o pressionava com novos ataques, tornando impossível de Rael chamar ajuda. Rael não estava tendo nenhum espaço e estava tendo que gastar uma enorme quantidade de energia para se manter vivo:

― ‘Eu já usei demais o Espaço Ilusório. Estou  quase no limite! Se continuar assim, eu realmente vou acabar morto nas mãos do meu próprio tio!’ ― pensou Rael.

― Assassino miserável!Pare de se esquivar e lute como um homem! ― disse Rayger, dando a volta em Rael.

Booooom! Booooom! Booooom!

Rael e Rayger trocaram mais golpes e sempre quem era arremessado era Rael. Não importava a quantidade de poder usado, Rael nunca teria chances de vitória. O chão em volta onde eles batalhavam já estava cheio de crateras.

A armadura de Rael já tinha desaparecido por sofrer muitos danos. Por isso, ele já tinha feridas pelo corpo, algumas manchas e alguns arranhões devido a pedras afiadas que escapavam na hora dos impactos. A situação de Rael não era nada agradável, ele estava chegando bem próximo ao limite.

                Em cima, Keylla, que estava assistido toda a luta, estava impressionada. Rael tinha habilidades misteriosas e um poderoso braço direito. Isso foi basicamente o que o ajudou a permanecer vivo por tanto tempo:

― ‘Esse jovem mestre é realmente difícil de ser morto.’ ― pensou Keylla abrindo um sorriso sedutor, enquanto continuava vendo a luta.

                Rael se viu em uma situação que ele já não tinha mais escolha. Seu poder estava bem fraco e ele não estava disposto a usar o nível três da essência demoníaca novamente. Só restava a ele usar a última carta na manga, que ele preferia não ter que utilizar.

― Tio, você não me deixa escolha. ― disse Rael e puxou do bracelete uma pequena bolinha amarela soltando uma leve fumaça. Essa bola tinha o tamanho de um punho fechado: ― Eu não pretendia usar isso em você, mas não tem outro jeito.

Zuuuuuuup!

― Socos Esmagadores! ― rugiu Rayger aparecendo diante de Rael e iniciando outra sequência de golpes. Rael atirou nos próprios pés a bola e ativou o Espaço Ilusório pela ultima vez enquanto fugindo dos novos ataques de Rayger. Uma cortina de fumaça amarela subiu, cobrindo os dois, e se alastrou rapidamente, tomando vários metros em volta. Rael desativou a habilidade mesmo diante da vasta fumaça amarelada e se virou para o tio.

                Rayger se virou de volta para Rael e pensou em segui-lo, mas ele se sentiu muito fraco de repente e acabou caindo no chão, se ajoelhando a princípio. Em seguida, ele não aguentou e caiu de peito para o chão.

― O que você fez?! ― perguntou Rayger.

― Não adianta tentar explicar, o tio está confuso agora. ― disse Rael com a respiração acelerada. Ele estava extremamente cansado devido ao esforço que fez durante toda essa batalha. A fumaça amarela começou a se dissipar.

                Rayger ainda tentou se forçar a se levantar. Ele queria mesmo tirar a vida de Rael a todo custo, achando que o mesmo era Alex. Mas era impossível para Rayger, as forças de seu corpo pareciam estar completamente drenadas. Rael ficou assistindo o esforço inútil do seu tio enquanto descansava, recuperando o fôlego.

                Há alguns meses, quando Rael criou o remédio para curar a doença do tio, “Veneno de Sonhos Pesados”, ele fez o tio beber uma certa porção a mais. Essa porção não tinha qualquer efeito. Não sozinha. O efeito só seria ativado conforme usasse aquela pequena bomba de aparência venenosa. Essa pequena bomba só teria este efeito em pessoas que ingeriram a porção.

― O senhor ficará um dia inteiro dentro dessa situação, sem poder fazer nada, até que o efeito passe. ― disse Rael, se aproximando sem medo do homem.

― Seu...!Seu...! ― Rayger desmaiou sem conseguir mais se segurar.

                Rael tocou nas costas do próprio tio e analisou a situação do mesmo. Tudo estava um caos por conta do efeito atordoante de Rael. Nesse momento seu tio estava tão debilitado que até mesmo um reino um poderia matá-lo. Era assim que Rael planejava matar os mais poderosos, ele faria todos tomarem aquela porção e assim usaria a sua bomba. Mas essa agora não era mais a intenção de Rael. Ele não planejava mais destruir o clã inteiro.

Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!

                Rael se virou para trás surpreso após ouvir as palmas. Uma bela mulher desceu flutuando diante dele, usando uma mascara:

― Essa Dama está muito satisfeita com a luta que presenciou. O jovem mestre Samuel é alguém incrível! Ou será que devo chamá-lo de Rael? ― perguntou Keylla. O tom de Keylla era de alguém que parecia estar brincando.

 

― Você é a mesma mulher que atacou a princesa no castelo. Por que está atrás de mim? ― perguntou Rael, tentando esconder a preocupação. A mulher à frente não era alguém simples: era um décimo reino que conseguiu escapar até mesmo das garras de Neide. E agora, ela parecia conhecer o segredo de Rael. Rael não poderia estar mais preocupado. Ainda por cima, ele estava completamente esgotado devido as batalhas anteriores.