O Herdeiro do Mundo

180 - Inicio dos Planos

Rael esperou um pouco. Nada diferente pareceu ocorrer com as duas. Violeta e Emilia se olharam novamente e depois voltaram a encarar Rael.

― E então? Já sentem alguma diferença? ― perguntou Rael.

― Eu ainda acho você bonito, mas aquele desespero que eu tinha por você antes não possuo mais. Agora, acho que vou dormir. ― disse Emilia e saiu sem dizer mais nada.

― ... Violeta? ― perguntou Rael curioso.

― Funcionou como você queria. Eu ainda sinto algo, mas não é nada comparado a anteriormente. ― disse Violeta, deixando Rael levemente feliz.

― Ainda bem que eu não vou precisar... ― Rael parou de falar porque pareceria que ele estava fazendo pouco delas, mas não era essa a intenção.

― Eu entendo. Fez a escolha certa.

― Acha mesmo? ― perguntou Rael um pouco decepcionado. Se não fosse por aquela droga de maldição entre eles...

― Acho sim, você fez bem. ― disse Violeta novamente.

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Já era quase meia noite. Rael e as mulheres já tinham ido embora com Ralf. Somente dez minutos após a partida deles foi que Keylla tomou coragem para descer perto da passagem secreta. Ela concentrou-se, fechando levemente os olhos, e uma imagem sua brilhante fluiu para fora de seu corpo, ficando um metro a frente dela. Essa imagem que brilhava e piscava constantemente se tornou em outra Keylla idêntica a original, usando a mesma roupa, tendo o mesmo cheiro e todas as mesmas formas corporais, tendo até o mesmo poder. Aquele clone definitivamente era tão vivo e real quanto a própria dona dele.

― Já sabe o que fazer. ― disse a verdadeira Keylla por baixo da máscara abrindo os olhos. A clone fez um sim e cruzou a rocha, sumindo diante dos olhos da verdadeira. Keylla subiu voando e tomou distância esperando, ela não iria se arriscar.

O clone de Keylla cruzou o corredor escuro com dificuldade para se acostumar. Ela sentiu uma enorme quantidade de auras bestiais a frente, mas ignorou e continuou avançando. Chegando diante do salão, ela se deparou com aquele monte de bestas divinas deitadas, sentadas e até mesmo em pé, paradas. Todas olharam curiosas para Keylla, chegaram a se levantar, mas em seguida se sentaram.

― ‘Porque não estão me atacando?’ ― se perguntou o clone de Keylla. Ela viu o caminho livre e avançou sobre, aproveitando que as bestas não tinham interesse nela.

O clone rapidamente chegou na sala do cristal de teleporte. Tocando no mesmo, ela foi parar na câmara. Daquele lugar, ela já sentiu as duas auras à sua frente: uma era mais fraca que ela, já a outra era muito mais poderosa. Parecia até mesmo maior que o poder de Neide.

― ‘Como será que isso pode ser possível?!’ ― se perguntou o clone.

― Quem é você? ― perguntou Emilia que tinha chegado como um vulto. Emilia e o clone se encararam.

― ‘Essa mulher... Ela é linda!’ ― foi o primeiro pensamento que o clone teve. O clone de Keylla tinha a mesma inteligência da original e portanto conseguia agir sozinha.

                Emilia não atacou Keylla porque ela conseguia sentir que Keylla tinha alguma ligação com o poder de Rael, do mesmo modo que Violeta sentiu a ligação de Isabela naquele dia.

― Quem é você? ― Emilia não atacou mas também não ia deixar a intrusa a vontade, por isso ela repetiu de maneira mais firme a pergunta. A segunda pessoa a aparecer na sala foi Rose ao lado de Emilia. Rika e Violeta pareciam não estar presente no momento.

― Rose, volte para dentro! ― ordenou Emilia. Rose tinha vindo porque sentiu ser alguém, mas não imaginou que poderia ser uma invasora. Ela obedeceu Emilia e recuou.

Emilia e Keylla ficaram sozinhas novamente.

― Mesmo que você pareça ter algo a ver com Rael, se não me responder nada, terei de ser rude. ― disse Emilia, que estava bem séria.

― Essa Dama quer saber, quem é Rael? ― perguntou Keylla.

Zuuuuuuup!

Keylla nem conseguiu ver o que aconteceu. Sua visão girou e seu rosto foi parar no chão, fazendo a máscara se rachar e alguns pedaços serem quebrados. Emilia facilmente rendeu o clone, segurando os braços dela para trás e empurrando o rosto dela contra o chão duro:

― Não me faça te machucar! Me diga agora, quem é você e o que veio fazer aqui? ― repetiu Emilia mais uma vez.

― Você é muito forte. ― elogiou o clone. Ela estava sendo apertada tão fortemente que chegou até a ter dificuldades para conseguir respirar.

Antes de Emilia dizer mais alguma coisa, sua mão escorregou do pescoço de Keylla. Até os braços dela se tornaram lisos. Emilia soltou Keylla sem querer porque a mesma ficou escorregadia, com partes do corpo meio congeladas. O clone usou seu poder para fazer o corpo se tornar escorregadio, e isso fez Emilia deixá-la escapar contra a vontade.

Keylla girou no chão e se levantou. Emilia se recuperou tão rápido quanto sua fugitiva. Keylla tentou avançar para dentro da sala onde estaria Rose, ela queria vasculhar mais aquele lugar antes da sua transformação terminar ou antes dela ser destruída por Emilia.

― Você não vai a lugar nenhum! ― disse Emilia, que nem saiu do lugar. Apenas com o olhar, ela barrou as ações de Keylla. Keylla tentou avançar, mas bateu de cara em uma parede invisível e caiu novamente no chão. A parede em que Keylla bateu soltou ondas transparentes no ar como se fosse uma parede de água.

Keylla se levantou e tentou avançar pelas laterais, mas para qualquer lado que tentava, ocorria a mesma coisa, as paredes soltavam ondas transparentes e barravam seus caminhos. Ela ficou presa em um espaço de aproximadamente três metros quadrados, como uma pequena caixa.

― O que você fez com essa Dama?! ― perguntou o clone surpreso, voltando seu olhar para Emilia depois de perceber que não havia nenhuma rota de fuga.

― Se quiser sair daí, terá de me dizer quem você é e também o que faz aqui. ― disse Emilia.

É claro que o clone não contaria o que veio fazer de verdade. Além do que ela já tinha visto mais do que o necessário. Emilia nem teve tempo de reagir quando o clone se tornou um amontoado de gelo e explodiu, jogando lanças pontudas para todos os lados. As lanças bateram na barreira e caíram se espalhando pelo chão.

― Um clone...! ― disse Emilia surpresa.

Do de lado fora, a verdadeira Keylla mantinha uma distância segura. Alguns segundos depois a luz voltou formando o estigma em sua coxa. Keylla recebeu todas as memórias de seu clone. Imediatamente ela se virou e partiu a toda velocidade. Seria perigoso permanecer ali, pois se Emilia saísse para procurar a invasora, poderia encontrá-la.

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Alguns poucos dias se passaram, e Rael se manteve em casa cultivando. Ele não conseguiu ter qualquer avanço de nível, mesmo do nível um para o dois não era uma tarefa simples. Porém, ele não desistiu. Rael sabia que a partir desse ponto as coisas ficariam mais devagar.

As meninas continuavam cultivando e, ao contrário de Rael, elas tiveram um avanço de nível, indo para o sexto nível do oitavo reino. Ambas estavam praticamente no mesmo grau de poder.

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A noite logo chegou e Rael se aprontava diante do espelho do quarto, enquanto se lembrava de sua época de criança, a quase seis anos atrás. Ele havia sido pego em seu clã e levado para um penhasco. Lá, ele foi cruelmente assassinado por cinco homens. Ele não ia conseguir se vingar de todos hoje, mas a chance de pegar quatro deles era única.

A porta do quarto se abriu e entrou Natalia curiosa, interrompendo as lembranças de Rael:

― Vai sair? ― perguntou a garota.

― Sim. Vou dar uma volta, mas não vou demorar. ― disse Rael mantendo a calma. Ele não iria contar para suas esposas o que pretendia fazer, ele não queria deixá-las preocupadas. Rael pediu para Rayger e Neide guardarem segredo sobre isso e não contarem nem mesmo a Mara.

― Eu não posso ir, né... ― perguntou ela timidamente. Natalia era diferente de Mara, ela queria ficar perto de Rael, mas não queria atrapalhar nenhum de seus planos.

― Dessa vez não, mas qualquer dia eu marco alguma coisa onde todos poderemos ir juntos. ― respondeu Rael carinhosamente.

― Vou me lembrar dessas palavras. ― disse ela e se aproximou. Ela levantou a cabeça e o ajudou a ajeitar a gola do seu sobretudo. Rael ficou em silêncio observando-a.

― Você quer me dizer alguma coisa? ― perguntou Rael. Natalia parou o que estava fazendo e voltou a olhar seu marido.

― É sobre minha mãe. Ela veio se despedir de mim e disse que passaria um tempo fora, coisa de dois meses. ― disse Natalia, deixando Rael um pouco surpreso.

― Sua mãe fora do clã? E para onde ela vai?

― Eu não sei, ela não me disse. Só disse para eu me cuidar enquanto ela estiver ausente.

― Engraçado, ela dizer isso a você... ― disse Rael e se virou, ficando em silêncio. Ele iria dizer algumas coisas ásperas, mas preferiu ficar quieto.

Depois disso Natalia saiu, deixando Rael sozinho. Eles não poderiam imaginar o porquê de Elisa passar um tempo fora do clã.

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Rayger já tinha conseguido falar com os homens, explicando que seria uma missão secreta, e portanto eles não poderiam dizer nada a ninguém. Como prova da identificação da missão, Rayger deixou um anel com cada homem, o qual continha o símbolo oito. Os mesmos deveriam se encontrar secretamente com Rayger dentro do salão abandonado. Apesar de tudo ter sido preparado para eles pegarem o mesmo dia na muralha, o dia escolhido foi na verdade o dia da folga deles. Assim, ninguém ficaria desconfiado.

Os quatro homens se reuniram no clã e partiram para o local combinado, eles achavam que receberiam algum tipo de missão especial e seriam muito bem pagos.

Chegando ao local, eles entraram no salão encontrando Rayger, que já os esperava:

― Contaram para alguém para onde estavam indo? ― perguntou Rayger.

― Contamos apenas que sairíamos para a caçada de uma simples besta de rank B+, como o senhor nos instruiu. ― disse um homem moreno que usava um manto azul.

― Falaram algo ao meu respeito para alguém? ― perguntou Rayger.

― Não. Ninguém sabe sobre o senhor. ― disse outro moreno que usava um chapéu escuro. Por Rayger ter sido um dos conselheiros, aqueles homens confiavam plenamente nele, portanto, eles realmente não estavam mentindo.

― O assunto que me fez trazer vocês até aqui é algo complicado e que ninguém pode descobrir. Antes de mostrar a vocês a razão, vou pedir que me devolvam os anéis de identificação, assim como qualquer anel de comunicação que tiverem em seu poder. O assunto não poderá ser vazado de nenhuma maneira. ― disse Rayger com toda seriedade.

Os homens se olharam por breves segundos e já começaram a obedecer. Eles tiraram todos os anéis dos dedos e os juntaram em mãos, depois cada um deles entregou os anéis a Rayger, até mesmo o que permitia entrar na barreira. Uma vez que eles devolveram o anel da barreira a Rayger, eles agora estavam presos dentro da barreira. Presos e sem meios de comunicação, eles estavam encurralados.

― Muito bem. Agora deixo vocês com a presença da pessoa que explicará melhor os fatos. ― disse Rayger e saiu caminhando, dando as costas para os quatros. Eles não entenderam mas começaram a correr os olhos em volta, procurando tal pessoa. Da sombra da parede do fundo do salão surgiu Rael, que havia ficado escondido esperando junto com Rayger. Quando Rael surgiu todos os quatro tomaram um breve susto, mas ao perceberem que era o jovem mestre Samuel, todos eles se aliviaram. Rayger já tinha saído para fora do local.

― É apenas o jovem mestre Samuel... Que susto! Hahahaha ― disse de manto azul.

― Verdade, também me assustou. ― disse outro homem branco de longos cabelos amarrados em rabo de cavalo. Todos estavam mais uma vez a vontade. Eles achavam que Rael explicaria a tal missão.

Rael estava a uns doze metros deles, ainda se afastando da sombra da parede. O olhar de Rael estava frio como o gelo sobre esses quatro. Rael não estava mais no território com todos os outros, aqui ele podia ser quem ele era. Por isso, um forte instinto assassino foi liberado e todos os quatro que estavam esperando pacificamente se assustaram. Sombras negras do poder de Rael em formas de garras os cercavam invisivelmente, aquele era o desejo vivo de Rael pela cabeça dos mesmos, o desejo era tão forte que estava quase tomando forma. Todos os quatro deram alguns passos trêmulos para trás, eles ficaram muito assustados por aquela pressão no ar, mas ao mesmo tempo estavam confusos.

― Jovem mestre Samuel, o que significa isso? ― perguntou o moreno de manto azul.

― Por que o senhor está nos olhando assim? ― perguntou outro, um homem branco forte de cabelos enrolados. A iluminação do ambiente era pouca devido a estar de noite. Mas as janelas e buracos antes tampados com terra, estavam todos liberados de novo, deixando a luz do luar penetrar o lugar.

Naquele momento diante dos quatro, Rael parecia um rei sombrio enquanto os encarava com ódio:

― Reinaldo, Alex, Ruam e Bores. Seis anos atrás. Vocês quatro, juntos a Reges, raptaram um jovem garoto do clã Torres de nome Rael, o filho do patriarca. Vocês o arrastaram até um penhasco, esfaquearam-no e o lançaram para a morte eminente. Por acaso isso soa familiar para vocês? ― perguntou Rael.

Os homens imediatamente entraram em estado de choque e confusão. Aquela história jamais poderia ter sido espalhada e ninguém, além deles e do patriarca, deveriam saber.

― Jovem mestre, quem contou isso ao senhor? ― perguntou Alex, o moreno de manto azul.

― Ninguém me contou. Eu estava lá naquela noite com vocês. Vão dizer que não se lembram de mim? Isso é um pouco rude. ― disse Rael de volta. Eles ainda não tinham entendido.

― Jovem mestre... Do que está falando? ― perguntou Bores o moreno de chapéu.

― Do que eu estou falando? Quem mais poderia estar naquela noite com vocês? Por acaso, vocês se esqueceram que até me chamaram de porco? Disseram que eu estava fedendo! ― disse Rael.

Só naquele momento os quatro começaram a entender.

― Impossível... ― disse Ruam, o de cabelos amarrados.

― Não tem como ser ele... ― disse Bores novamente.

― Você está nos dizendo que é o moleque daquela noite? ― perguntou Reinaldo. O loiro forte de cabelos enrolados.

― Sim. Sou eu e hoje vim cobrar por vingança! ― disse Rael e liberou seu poder. Uma forte aura dourada foi liberada de seu corpo, começando a dominar o ambiente.

Do lado de fora, Rayger sentia tudo que ocorria dentro. Ele estava próximo a porta e tentou se acalmar ao máximo. Mas ele ainda estava preocupado com Rael, ele não sabia se Rael poderia mesmo lidar com aqueles quatro décimos reinos.

No céu estava Keylla, flutuando e com a sua habilidade Visão Avançada ativada. Agora ela estava sorrindo, vendo a oportunidade de matar Rael surgir.

― ‘Finalmente chegou sua hora, jovem mestre Samuel.’ ― disse Keylla calmamente, Preparando sua Zarabatana, o cano metálico pelo qual sopraria o dardo envenenado. Seu alvo era Rayger.

 

A Dama não sabia como Rael, um sexto reino (na visão dela), pretendia enfrentar 4 décimos reinos, mas ela sentiu que Rael os derrotaria. Talvez aquilo fosse instinto feminino ou intuição. Então, o que lhe restava era lançar aquele dardo em Rayger e esperar que o mesmo cumprisse o seu trabalho.




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