O Herdeiro do Mundo

179 - Uma Visita Geral

Depois de mais uma maravilhosa noite a três, Rael apareceu na biblioteca encontrando Emilia deitada na cama, como de costume. Ela não deu muita bola pra ele e apenas ficou lendo o seu livro. Rael ficou parado do lado da violadora, se lembrando do que os ancestrais haviam dito sobre ele não se deitar com elas. Ele realmente não entendia o significado daquelas palavras.

― Agora vai me ignorar completamente? ― perguntou Emilia, tirando o livro do rosto e olhando Rael de volta. Rael tinha ficado um tempo olhando fixamente para ela sem dizer nada.

― Eu apenas estava pensando. ― disse Rael.

― Pensando em quê? ― perguntou Emilia de volta, se tornando curiosa.

― Não é nada, nada mesmo. ― disse Rael se levantando. Emilia já se levantou atrás e Rael sabia o quanto ela iria incomodá-lo por uma resposta.

― Mais três dias. ― disse Rael, fazendo-a parar: ― Se em três dias eu não tiver uma resposta sobre aquelas questões, eu me deito com você. ― disse Rael. Emilia se sentiu extremamente feliz ouvindo aquilo e se encheu de felicidade, ela até mesmo sorriu ao olhar para Rael.

― Eu não vou esquecer dessas palavras, espero que sejam sérias. ― disse ela.

― E são. Acredite. ― disse Rael e se virou. Ele saiu apressado enquanto seguia pensando no nome do livro. Sua mente já o guiava para o local onde estava armazenado.

Emilia se deitou na cama aliviada, quando ela pensava em sentir Rael ela praticamente se derretia inteira. Qualquer um podia dizer que aquele tipo de paixão era doentia, as violadoras não se importavam com nada desde que estivessem saciadas.

Rael não demorou a achar o livro de capa branca com garras escuras:

― ‘Por favor, me diga que eu posso fazer algo para ajudá-las sem ser um tremendo canalha...’ ― implorou Rael mentalmente enquanto abria o livro. Ele nem mesmo saiu de perto da estante onde o encontrou, ficou ali vendo os diversos subtítulos enquanto corria com o dedo, até parar em cima de um que lhe chamou a atenção:.

― ‘Como aliviar a maldição sexual de uma violadora.’ ― Rael leu mentalmente o tópico e se encheu de alegria, correndo até a página indicada.

― Vejamos: Uma porção de... ― disse Rael sorrindo. A maioria dos ingredientes eram ervas, simples e fáceis de serem encontradas, mas havia um ingrediente peculiar no meio da receita: ― ... E meio copo de sangue do seu libertador.

Os ingredientes fariam um total de dez pílulas. Cada pílula reduziria os efeitos de desejo das violadoras por Rael em 98%, tornando-os quase naturais. Mas os efeitos poderiam ser interrompidos se Rael desse um beijo nos lábios ou qualquer ato de afeto e intimidade maior do que isso. Os efeitos voltariam em dobro porque a maldição ainda seria mais forte que a porção. Então, desde que Rael desse a elas as pílulas, podia esquecer qualquer simples beijo, mesmo aqueles que ele costumava dar em Violeta as vezes.

Cada pílula duraria 30 dias no organismo delas e teriam que ser tomadas pelo menos um dia antes dos efeitos passarem. Caso fosse esquecido, os efeitos também voltariam dobrado. Se Rael mantivesse tudo sobre controle, ele poderia salvar as duas sem precisar ir além. Esse era o plano de Rael, ele não queria se aproveitar da maldição, mesmo que gostasse muito de Violeta.

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No dia seguinte, Rael chamou Neide e foi com ela até a capital. Lá, ele passeou pela feira e comprou algumas ervas que ele não tinha para a criação da porção. As esposas tinham ficado em casa cultivando. Desde que elas tinham agora um tempo para treinamento, seu tempo de cultivo tinha diminuído e Rael sempre cobrava evolução das duas.

― Genro, para que são essas ervas? O que vai fazer dessa vez?

― Pílulas para as violadoras. ― explicou Rael.

― Por quê? Elas estão doentes? ― perguntou Neide preocupada.

― Sim, mais ou menos isso. ― disse Rael.

― Existe algo que eu possa fazer?

― Não, é uma coisa simples e eu mesmo poderei fazer. Aproveitando que irei visitá-las hoje, porque não vem comigo? Você gostaria de conhecer o lugar, não? Eu também estou pensando em levar as meninas. ― disse Rael.

― Genro, isso é sério? ― perguntou Neide ansiosa, mas ela procurou se controlar ao máximo. Agora que Rael confiava 100% nela devido ao pacto, não havia problemas levá-las até a caverna. Além disso, Violeta, Emilia, Rika... Todas já estavam cientes sobre o pacto de sangue e agora sabiam que nenhuma das duas trairiam Rael. Neide e Alexia.

― E por que não seria? ― perguntou Rael de volta. Neide ficou muito satisfeita com o voto de confiança de Rael e se encheu ainda mais de respeito pelo seu genro.

Eles não sabiam, mas de longe Keylla os observava com sua habilidade Visão Avançada. Ela não ousaria chegar perto de Neide, ainda mais porque a mesma reconheceria a sua aura. Então ela estava de muito longe, beirando os céus. Era a primeira vez que ela tinha tanta dificuldade de cumprir sua missão, mas ela sabia que era apenas questão de tempo para ter uma oportunidade e ela poder agir.

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Um pouco mais tarde, de volta em casa, Rael criou com perfeição as dez pílulas. Ele teve que usar como ingredientes um pouco de seu próprio sangue. Agora ele tinha em mãos dez perfeitas pílulas azuis.

― Perfeito! Eu consegui! ― disse Rael animado e arrumou suas coisas, armazenando tudo de volta no bracelete. Suas esposas ainda estavam treinando, por isso só lhe restava esperar o retorno delas.

Rael apenas sentou-se no sofá e esperou enquanto relaxava. Ele pensou na evolução de Natalia, que em poucos dias já estava se especializando em dois tipos de armas. Um era no uso de adagas duplas que combinavam com sua agilidade. Por serem armas leves e curtas, ficaria melhor para a garota, devido a ser portadora de uma alta velocidade. A outra arma era um tanto incomum: Leona tinha descoberto que Natalia tinha uma boa mira, portanto, estava também treinando a menina com arco e flecha. Rael pretendia criar armas para as duas usando o Mundo da Simbologia, para deixar suas esposas ainda mais poderosas. Ele pretendia fazer o mesmo com cada um de seus discípulos.

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O tempo já estava escurecendo. As meninas já tinham voltado do treino, mas estavam no banho juntas. Rael e Neide estavam esperando-as na sala, bastava apenas elas se aprontarem para todos partirem. Neide estava muito curiosa para conhecer o verdadeiro local onde Rael havia crescido.

Alguns minutos depois, as meninas desceram com roupas limpas e cheirosas. Todas as três belas mulheres estavam bastante ansiosas.

A partir daquele ponto, os quatro se juntaram e saíram do clã pelos fundos. Caminharam como se não quisessem nada a princípio e depois correram como vultos tomando uma distância maior em menos tempo. Neide poderia levar todos voando, mas Rael preferiu apresentar um outro amigo para elas.

Quando tomaram uma distancia do clã, Neide lançou seus sentidos e se certificou que estavam sozinhos e sem nenhuma presença próxima. É claro, ela não sentiu Keylla que estava muito longe, mantendo a vigilância com a sua Visão Avançada. Keylla se mantinha flutuando no ar mantendo a maior parte de seu poder oculto, de modo a não se deixar ser descoberta.

― Vou apresentar a vocês um amigo meu, espero que não se assustem. Ele se chama Ralf. ― disse Rael, deixando as três mulheres curiosas. Rael fez a invocação e Ralf surgiu após uma iluminação forte. Ralf já apareceu se esticando inteiro, fitando as três. As três mulheres entraram em posição de combate por puro instinto após verem aquela grandiosa besta.

― Este é Ralf, ele vive dentro do meu poder através de um contrato. ― explicou Rael. O choque no rosto das três era evidente. Principalmente em Neide.

Nesse mundo, as pessoas não estavam acostumadas com esse tipo de coisa. Ralf também era uma bela besta rank B+, do tipo Tigre Voador. Ele tinha a pelagem branca com pintas vermelhas, suas belas asas eram grandes e brancas, parecendo um enorme pássaro. O rabo de Ralf era branco com detalhes vermelhos e bem peludo, principalmente na parte final arredondada. Fora do estado de combate, Ralf aparentava ser bem dócil e gentil.

As três mulheres se acalmaram diante das palavras de Rael e baixaram a guarda. Ralf deu uma breve olhada para elas e depois olhou para Rael. Em seguida, ficou muito calmo e começou a se lamber, ignorando todos que estavam presentes.

― Como isso é possível, genro? Essa besta te obedece mesmo? Ela é dócil, como um animal? ― perguntou Neide.

― Sim, ele é bem dócil. ― confirmou Rael.

― Mas como isso pode ser possível? ― perguntou Neide de novo, totalmente incrédula.

― Tem relação com a herança entre as violadoras. É um poder que herdei delas. ― explicou Rael.

― Ele consegue entender você? ― perguntou Neide.

― Sim, ele entende não só a mim como toda a linguagem humana. Tendo um contrato comigo, ele automaticamente sabe de toda linguagem que eu também conheça, só não pode falar como nós. ― explicou Rael.

Natalia e Mara se olharam, ambas estavam pensando quem deveria ir primeiro conhecê-lo. Neide tomou a frente se aproximando de Ralf, que estava ocupado lambendo a pata traseira. Ela estendeu a mão e tocou nas costas de Ralf, esse se virou calmamente e encarou Neide de volta. Ele e Neide se olharam por um tempo, depois ele a ignorou e voltou a se lamber. Neide ficou com a mão encostada na pelagem do animal,mantendo ainda a cautela. As meninas após verem a cena, tomaram coragem e se aproximaram da besta. Natalia, que era a mais animada, chegou praticamente abraçando Ralf. Mara foi mais tímida, apenas passando a mão em sua cabeça e corpo, como a mãe.

Ralf correspondeu, se esfregando nelas e ronronando. Daquele ponto em diante elas perderam completamente o medo.

Lá de cima, Keylla estava chocada com o que estava observando.Quanto mais ela via sobre Rael, mais impressionada ela ficava. Ela também viu de longe uma parte da tatuagem esverdeada no pescoço de Natalia, que era a mesma de sua mão. Descobrir também que Rael podia controlar uma besta daquelas a fez se sentir ainda mais deslumbrada, pior foi ela testemunhar que essa besta surgiu de uma misteriosa luz.Por pouco ela não acredita em seus olhos.

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Não demorou muito para eles seguirem voando. Natalia ia na frente, mais perto do pescoço de Ralf. Mara ia no meio, agarrando Natalia pela cintura e atrás, Rael fazia o mesmo em Mara. Neide voava atrás, acompanhando Ralf enquanto via aquela conexão dos três. Ela nunca pensou que a filha dividiria Rael tão bem com Natalia. Entre elas não havia brigas para quem ficava mais próximo de Rael, pelo contrário, eles três pareciam estar em completa sintonia. Ao contrário de muitos, Neide sempre pensou que casamentos envolvendo mais de duas pessoas nunca dava certo, pelo menos até ela ver aqueles três jovens tão unidos.

As meninas estavam amando voar em Ralf, principalmente Natalia, que amava animais. Natalia era muito parecida com Rose nesse quesito. Mara também estava adorando a viagem, quanto mais ela descobria sobre Rael, mais próxima a ele ela se sentia.

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Rael puxou Ralf de volta para seu poder e mostrou a entrada para as três. Os três sumiram entrando na rocha e tudo isso foi assistido por Keylla, que os seguiu sigilosamente como sempre vinha fazendo. Ela não ousou se aproximar, preferiu se manter vigilante porque sabia que aquilo era uma passagem secreta.

Dentro da caverna, todas as inúmeras bestas divinas se levantaram diante das três invasoras. Mas como viram Rael, elas se acalmaram e voltaram a se deitar.

― Genro, por que tem tantas bestas divinas aqui? ― perguntou Neide, ainda em estado de alerta como as meninas.

― São os protetores do esconderijo de Violeta. Desde que vocês estejam comigo, elas não farão nada. ― garantiu Rael cruzando o salão. As três o seguiram enquanto corriam os olhares em volta, admirando a quantidade e variedade de bestas.

Eles cruzaram o lugar, tocaram no cristal de teleporte e foram para a outra parte, o local que antes ficava a câmara de Violeta.

As três acompanhavam Rael, sempre mantendo uma alta curiosidade e olhando para tudo que era canto. Elas foram recebidas pelas três mulheres adultas na sala de lazer, que era basicamente a sala de recebimento de visitas.

Violeta não ficou brava por Rael trazê-las, ninguém ficou, nem mesmo Emilia. Mesmo Emilia sabendo que Neide sabia sobre a fraqueza delas, deixou isso de lado, ela sendo agora uma aliada de pacto não havia porque se preocupar. Rolaram cumprimentos e alguns abraços entre mulheres, mesmo Rika se esforçou recebendo as três e mostrando a Rael que ela podia ser educada.

Rose foi a ultima a chegar na sala. Quando viu Rael, ela ignorou todas as presentes, correu, saltou nos braços de Rael o agarrando e o beijou com seus deliciosos lábios perfumados. Rael beijou a garota de volta, retribuindo o carinho e se lembrou do momento intimo com ela. Como esquecer tal momento? Era impossível Rael esquecer as sensações sentidas naquela noite com Rose. Rose podia parecer uma garota bela e fofa de olhar puro, mas por trás daquele ar inocente se escondia um corpo capaz de enlouquecer qualquer homem.

Só quase um minuto depois, Rose soltou Rael e cumprimentaram as outras três visitantes. As meninas já sabiam de Rose e o que rolava entre eles, então não tiveram muito ciúmes. As meninas sabiam do relacionamento profundo que Rael e a celestial tinham, só não sabiam que os dois já haviam se deitado uma vez. Obviamente, Rael não contou a elas, mas como Rose era supostamente sua noiva, isso não era basicamente uma traição.

Rael ficou satisfeito por tudo dar certo. Ver todas aquelas pessoas importantes para ele se dando bem era muito bom. E agora Rael precisava tratar de um importante assunto com as violadoras.

― Rika, Rose, poderiam levá-las para conhecer o resto do lugar? Eu preciso ter uma conversa particular com Emilia e Violeta. ― explicou Rael.

Com uma rápida leitura Rika já sabia do que se tratava. Ela rapidamente juntou todas as mulheres e partiu para o corredor. Ela ia apresentar os quartos e as outras salas criadas após a partida de Rael.

Ficando sozinho com as violadoras, Rael suspirou e retirou as dez pílulas que ele conseguiu criar, apresentando-as para as mesmas:

― Como prometido, eu consegui descobrir uma maneira de vocês não ficarem sofrendo por mim. ― disse Rael apresentando as pílulas. Violeta e Emilia ficaram um pouco desapontadas, mas trato era trato. Cada uma delas pegou das mãos de Rael cinco pílulas.

Rael explicou os efeitos, mesmo percebendo que as duas não estavam muito satisfeitas.

― Você não poderá nem nos beijar mais? ― perguntou Violeta, para confirmar o que tinha acabado de ouvir.

― Exatamente. Se fizermos qualquer coisa estranha acima disso, o efeito se quebrará e vocês terão duas vezes mais desejo por mim, por pelo menos um dia inteiro. ― disse Rael.

― E essa é a sua escolha? Quer mesmo que tomemos isso, Rael? ― perguntou Emilia, com um olhar fixo.

― Sim, eu quero. Não vou me aproveitar de vocês, como eu disse antes. Se depois que a maldição for quebrada vocês quiserem ficar comigo, então não irei me segurar. ― disse Rael firme.

― Para mim, você só está sendo idiota em adiar um prazer além de sua compreensão. ― Emilia já disse isso se aproximando e tomou os lábios de Rael. Rael pensou que a mesma ia fazer algo mais intenso, mas ela não fez. Ela o beijou levemente e devagar, como se aproveitasse cada toque entre os lábios. Línguas se cruzaram e cada um dos dois guardou aquele momento na mente. Emilia soltou Rael lentamente, mesmo querendo um pouco mais, depois ela se afastou de lado.

― Um último beijo antes de engolir isso. ― disse Emilia, olhando para uma pílula em sua mão.

Violeta fez o mesmo. Abraçou Rael, fechou os olhos e o beijou. Línguas se cruzaram e Rael sentiu o delicioso hálito de sua mestra. A boca de Violeta era macia e deliciosa, o cheiro corporal dela deixava Rael em êxtase. Violeta era a mulher que definitivamente Rael mais desejava. Era muito duro para ele fazer tal escolha.

― Chega, né? Eu só o beijei por um pouco de tempo e vocês já estão nessa demais. ― reclamou Emilia apenas para interrompê-los, mas ela não estava com ciúmes.

Rael e Violeta se olharam uma última vez enquanto se soltavam:

― Você tem mesmo certeza disso? ― perguntou Violeta. A maldição estava agindo firmemente, querendo fazer Rael desistir das pílulas. Mas ela estava se controlando ao máximo para parecer a mais forte diante dos três.

 

― Tenho. ― respondeu Rael. Violeta e Emilia se entreolharam. Em seguida, as violadoras levaram as mãos para a boca e engoliram suas respectivas pílulas.




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